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26
fevereiro
2014
De onde vem o Carnaval?
postado sob arte, cultura

Há inúmeras teorias a respeito da origem do Carnaval. Em uma das mais aceitas, supõe-se que tenha surgido das festas da antiga Babilônia, Mesopotâmia (atual cidade Al Hillah, perto de Bagdá, Iraque). Mas também há correntes que consideram o atual Carnaval como descendente direto das festividades pagãs da Antiguidade romana. Havia em Roma as Saturnálias e as Lupercálias: as primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papéis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos  vestindo-se como seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

A palavra carnaval é originária do latim, carnelevarium, cujo significado é retirar ou suspender (levare) a carne. O significado pode estar relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a Quaresma católica, período dedicado à abstinência, ao jejum e, simbolicamente, ao resguardo do cristão em relação a prazeres mundanos. A Quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, no calendário móvel dos católicos. Mas, segundo Rainer Sousa, mestre em História, alguns pesquisadores dizem que a palavra vem do carro naval, que percorria as ruas de Roma com pessoas vestidas com máscaras e fazendo jogos e brincadeiras.

Por volta do ano 1000, o início do período fértil para a agricultura na Europa Ocidental era motivo de carnaval. Os homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos, durante algumas noites, com o rosto enegrecido de fuligem ou sob panos. Como acessórios usavam máscaras, focinhos de porco e capuzes de pele de coelho. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e entravam nos domicílios, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

A Igreja sempre quis controlar mas nunca conseguiu impedir os excessos e subversões de costumes do Carnaval, que sempre teve vocação popular, apesar dos bailes sofisticados em ambientes privativos. No Renascimento, o Carnaval desenvolveu-se nas cidades italianas, onde surgiu a Commedia Dell’Arte, uma espécie de teatro improvisado, muito popular até o século XVIII e que ainda hoje sobrevive.

Em Florença havia as canções específicas para acompanhar desfiles (precursores de nossas marchinhas de Carnaval, pode-se dizer); os trionfi, carros mitológicos concebidos por grandes pintores da época, como Botticelli, e os carri, que mostraram um mundo burlesco, no qual o cavaleiro carregava o cavalo, e o lavrador puxava uma charrua, sob o comando de um boi. 

Em Roma e Veneza, os festejos celebravam ainda vitórias políticas do passado e outros feitos históricos. Usava-se a bauta veneziana – uma capa de renda com capuz de seda negra, que enquadrava o rosto e cobria os ombros. Os acessórios eram um chapéu de três pontas e uma máscara branca. A fantasia permitia a abolição temporária de diferenças sociais e, em alguns casos, o prazer de um “pecado” à sombra do anonimato. As datas de comemoração desses festejos variavam um pouco de um lugar para o outro, mas eles quase sempre ocorriam entre o período em que hoje festejamos o Natal e a Quaresma.

O Carnaval do Brasil iniciou-se no período colonial, como derivação do entrudo (que quer dizer “entrada”), por volta da metade do sec XVII , uma festa de origem portuguesa que na Colônia era praticada pelos escravos. No final do século XIX surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, sendo que e os bailes de máscaras já eram tradicionais em alguns hotéis.

Em 1907, surgiu o corso, um desfile de automóveis que foi a grande atração do Carnaval carioca, tomando conta da Avenida Rio Branco. Blocos, cordões e o surgimento do samba carioca nesta época desenvolveram uma festa brasileira popular, com a participação de negros, mulatos e brancos. Simultaneamente, hotéis e clubes sofisticados começaram a incluir grandes bailes, preparando um Carnaval para as elites –  o mais famoso, e que ainda existe, é o do Hotel Copacabana Palace, que abriu suas portas em 1924.

Em 1927, o bloco “Deixa Falar”,  fundado no bairro do Estácio de Sá, gerou o formato de samba-enredo  a ser cantado pelas ruas da cidade e também inúmeros outros blocos de mesmo formato, com foliões acompanhando livremente pelas ruas o som dos músicos. Com o decorrer do tempo, esses blocos transformaram-se nas chamadas Escolas de Samba, surgindo no Rio a Mangueira, a Portela, o Salgueiro, entre outras. As Escolas de Samba organizaram-se muito, passando a ser hoje verdadeiras empresas, que contratam inúmeros profissionais e trabalham o ano todo para disputar a competição do maior desfile de Carnaval do mundo, passando também a ser parte importante da economia da cidade do Rio e de outras, como São Paulo, que também  organiza hoje grandioso desfile de Carnaval todos os anos – na capital paulista, os blocos e cordões carnavalescos deram origem às primeiras Escolas de Samba como a Lavapés  (1937) , da Baixada do Glicério e a Vai-Vai, originária do Bloco dos Esfarrapados, também na década de 1930, no bairro do Bixiga.

De qualquer modo, mesmo com mudanças e modernizações, o Carnaval de rua no Brasil continua hoje, ao lado de bailes e desfiles oficias, tendo visto neste ano, por exemplo, um grande aumento de blocos, em diversas cidades, especialmente São Paulo, com expressivo número de foliões divertindo-se em muitos lugares da cidade. Além disso, a festa continua firme também em suas variações regionais: a Bahia, com o trios elétricos; os grandes bonecos de Olinda; os afoxés, frevos e maracatus que passaram a fazer parte da tradição cultural brasileira, fazendo do Carnaval  um dos mais variados, ricos e exuberantes do mundo.

 

Baixe o aplicativo com a programação do Carnaval 2014 de São Paulo:

http://catracalivre.com.br/samba/samba-sp/indicacao/baixe-o-aplicativo-para-pular-o-carnaval-de-rua-de-sao-paulo-sem-pagar-nada/

 

Referências:

http://www.mundoeducacao.com/carnaval/as-origens-carnaval.htm

http://www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/carnaval_-_milenios_de_folia.html

http://www.infoescola.com/artes/historia-do-carnaval-no-brasil/

http://catracalivre.com.br/samba/

http://www.primeoffer.com.br/eventos-prime/carnaval-2013-o-baile-do-copacabana-palace-1189.html

http://museudomeioambiente.jbrj.gov.br/noticia/gritos-de-carnaval

 

 

 

14
fevereiro
2014
COIOTES NAS CIDADES
Animais selvagens em ambiente urbano

Há um fenômeno novo e significativo, que está sendo largamente estudado pela Ecologia urbana: o aparecimento de coiotes nas cidades norte-americanas.

Ecologia urbana é uma nova área de estudos ambientais que procura entender os sistemas naturais dentro das áreas urbanas, lidando com as interações de plantas, animais e de seres humanos em áreas urbanas considerando as cidades como parte de um ecossistema vivo.

O cientista Stanley Gehrt, professor assistente de meio ambiente e recursos naturais na Universidade Estadual de Ohio, estuda o comportamento de coiotes em Chicago há 6 anos e afirma que os cientistas têm se surpreendido com a capacidade de adaptação e desenvolvimento desse animal em ambiente urbano.

Desde que começaram a estudar esse fenômeno, perceberam que as populações urbanas de coiotes são muito maiores do que o que imaginavam, que eles têm vida mais longa do que seus parentes que vivem em ambientes rurais, que fiem menos facilidade de conseguir comida e estão mais vulneráveis à agressão de predadores maior que eles. Notaram também que os coiotes são mais ativos à noite no ambiente urbano do que no rural. Alguns deles vivem em parques das cidades, enquanto outros habitam entre áreas residenciais, comerciais e parques industriais, alimentando-se principalmente de restos de alimentos humanos e de ração de animais domésticos, mas também de outros animais que habitam as cidades, como os ratos. 

Normalmente animais carnívoros selvagens e humanos não se misturam, mas o fato é que eles têm sido vistos há mais de uma década em cidades como Chicago, Portland, Seattle, e até em New York. Em praças de São Francisco, Califórnia, é muito comum encontrar placas que avisam da presença de coiotes durante a noite. Por enquanto não houve episódios que alarmassem as pessoas, seja por oferecerem riscos aos humanos ou aos animais domésticos, por exemplo (seja por ataques ou doenças), desequilibrando a  ecologia urbana.

"Ao entender como esse animal se adapta às mudanças no ambiente, podemos determinar o que realmente precisamos para focar no que realmente deve ser feito", diz Stephen DeStefano, biólogo da University of Massachusetts, e autor do livro, Coyote At The Kitchen Door (Harvard University Press, 2010).

Bill Hebner, do Departamento de Peixes e Animais Selvagens de Washington, diz que recebe uma dúzia ou mais de ligações por dia de cidadãos preocupados com os avistamentos de coiotes, mas que raramente o comportamento do animal põe em risco de segurança humana. "Educar os moradores ajuda a evitar a presença dos coiotes nas cidades ocorra no futuro”, completa.

Gehrt também alerta: “Os coiotes estão testando os limites urbanos e forçando as pessoas a avaliarem e refletirem sobre qual a tolerância que será imposta. Deveremos deixá-los viver nas cidades?”

 

Referências:

http://www.smithsonianmag.com/science-nature/City-Slinkers.html

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/por_que_os_coiotes_se_mudam_para_a_regiao_urbana_.html

http://researchnews.osu.edu/archive/urbcoyot.htm

http://www.npr.org/blogs/thetwo-way/2012/10/05/162300544/coyotes-in-the-city-could-urban-bears-be-next

http://www.bluechannel24.com/?p=15815

http://www.sciencebuzz.org/blog/urban-coyotes-more-are-choosing-live-life-fast-lane

Revista Scientific American Brasil

14
fevereiro
2014
Insetos conseguem prever tempestades e ventanias

Na Índia e no Japão há um ditado popular que diz: “Formigas carregando ovos barranco acima, é a chuva que se aproxima”. Já no Brasil, outro provérbio afirma que “Quando aumenta a umidade do ar, cupins e formigas saem de suas tocas para acasalar”.

A sabedoria popular já entendia tudo, mas a comprovação de que os insetos preveem mudanças climáticas e indicam isso em seu comportamento é agora resultado de estudo publicado na edição do dia 2 de outubro da revista PLoS One – realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), em Piracicaba (SP), da Universidade de São Paulo (USP), , em parceria com colegas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), e da University of Western Ontario, do Canadá. 

A pesquisa revela , por exemplo, que insetos como o besouro verde e amarelo, conhecido por “brasileirinho”, percebem a queda na pressão atmosférica – que, na maioria dos casos, é um sinal de chuva  – e modificam o comportamento, diminuindo a disposição de procurar um parceiro e acasalar.

“Demonstramos que os insetos, de fato, têm capacidade de detectar mudanças no tempo, por meio da percepção da queda da pressão atmosférica, e de se antecipar e buscar abrigo para se proteger das más condições climáticas, como temporais e ventanias, por exemplo”, disse José Maurício Simões Bento, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq e um dos autores do estudo.

Com essa percepção, os animais estão mais preparados para enfrentar as mudanças repentinas no clima, coisa que deve ser mais frequente em um futuro próximo, com todas as modificações climáticas que vêm ocorrendo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores selecionaram três diferentes espécies de insetos – o besouro “brasileirinho”, o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem –, que pertencem a ordens bem distintas e que variam significativamente em termos de massa corpórea e morfologia.

Como já existiam evidências de que os insetos ajustam seus comportamentos associados a voo e alimentação às mudanças na velocidade dos ventos, os pesquisadores decidiram avaliar o efeito das condições atmosféricas especificamente sobre o comportamento de “namoro” e acasalamento dessas três species, quando sujeitas a mudanças da pressão atmosférica, naturais ou manipuladas experimentalmente 

Para chegar a essa conclusão, os cientistas mantiveram um rígido controle de suas observações, monitorando de hora em hora a pressão atmosférica em Piracicaba. E a escolha das espécies para o experimento, diz Bento, considerou que uma delas -- o besouro -- era mais resistente, e outra -- o pulgão -- mais frágil (a mariposa está num nível intermediário). Como insetos de diferente porte exibiram a habilidade, provavelmente ela se estende por toda a classe de animais.

Os experimentos em condições naturais (sem a manipulação da pressão) e sob condições controladas, em laboratório, revelaram que, ao detectar uma queda brusca na pressão atmosférica, por exemplo, as fêmeas diminuem ou simplesmente deixam de manifestar um comportamento conhecido como “chamamento”, no qual liberam feromônio para atrair machos para o acasalamento.

Os machos, por sua vez, passam a apresentar menor interesse sexual, não respondem aos estímulos das fêmeas e procuram abrigos para se proteger da mudança de tempo capaz de ocorrer nas próximas horas. Passado o mau tempo, os insetos retomam as atividades de cortejo, namoro e acasalamento.

“Esse comportamento de perda momentânea do interesse no acasalamento horas antes de uma tempestade representa uma capacidade adaptativa que, ao mesmo tempo, reduz a probabilidade de lesões e mortes desses animais – uma vez que são organismos diminutos e muito vulneráveis a condições climáticas adversas, como temporais, chuvas pesadas e ventanias – e assegura a reprodução e a perpetuação das espécies”, afirmou Bento.

Referências:

O artigo Weather forecasting by insects: modified sexual behaviour in response to atmospheric pressure changes (doi: 10.1371/journal.pone.0075004), de Bento e outros, que pode ser lido na PLoS One em: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0075004

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/10/1350951-insetos-conseguem-prever-tempestades-e-evitam-sexo-antes-de-tempo-ruim.shtml

http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/insetos-conseguem-prever-tempestades-e-ventanias-revela-estudo-brasileiro,c46eb5892dd71410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://www.cienciaempauta.am.gov.br/2013/10/insetos-conseguem-prever-tempestades/

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