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30
junho
2015
ou isto ou aquilo . . . e vivo escolhendo o dia inteiro! (Cecília Meireles)
postado sob educação, Ítaca

Texto de Mercedes Ferreira (Direção EM) e Maurício Carvalho (Geografia EM)
publicado no blog do Estadão

Escolher não é fácil. Porque pressupõe perda ou perdas: escolher é ter, mas é também deixar de ter. No caso, então, de uma carreira, uma profissão, um “vou ser, quando crescer” – tudo tão definitivo, tão carregado de valores e de expectativas, especialmente familiares -, multiplicam-se as angústias, o medo da escolha errada. Não é fácil: escolho com o coração ou com a cabeça; faço aquilo de que gosto ou vou ganhar bastante dinheiro (nem sempre esses dois caminhos se cruzam…); mantenho a tradição familiar ou rompo com tudo; esta ou aquela faculdade… Questões e mais questões, em um ano escolar já marcado normalmente pelas não poucas exigências dos exames vestibulares.

Como ajudar, sem ser invasivo, sem ser impositivo? Pra começar, isso não se faz de repente, na hora da inscrição no vestibular apenas (mas também não é algo que deva habitar o universo de crianças desde sempre – a não ser, é claro, nas brincadeiras e sonhos, sem peso). Ouvir é essencial, e ouvir muitas vezes (daí que é preciso tempo…). Também oferecer horizontes e possibilidades, conhecimentos, perspectivas. Auxiliar na formulação de perguntas que o adolescente deve fazer a si mesmo; ajudá-lo a saber de si, suas dores e delícias, seus limites e desejos. Orientar na busca de informações objetivas, como cursos, grades curriculares, ocupações possíveis, mercado de trabalho. Se possível, ajudá-lo no encontro de profissionais da área, para que veja a realidade da profissão e seu dia a dia.

No Ítaca, esse processo se dá no Ensino Médio, embora desde o início do 3º ano é que se acentue tal apoio, traduzido nas várias ações descritas acima, a partir de solicitações dos próprios alunos, mas também, e principalmente, de um contato próximo, de realmente conviver com esse aluno, acompanhando genuinamente seu amadurecimento durante anos. Importar-se com; não apenas oferecer informações. Assim, a escola pode complementar o trabalho das famílias, nessa hora de escolhas e dúvidas e perdas e ganhos.

Assim, uma das etapas desse percurso, aqui no colégio, é o Qual é a sua? Um encontro com as profissões.
O evento ocorre normalmente na última semana de aula, em junho, e a escolha das profissões a cada ano é prerrogativa do 3º EM, mas todas as turmas EM participam: profissionais e professores universitários conversam com os grupos inscritos e a proposta é que contem um pouco de suas trajetórias acadêmica e pessoal, das escolhas, das possibilidades de trabalho e remunerações no mercado, dos descaminhos e dificuldades, dos prazeres e conquistas. Muitas vezes, o profissional convida os alunos interessados a conhecerem seu local de trabalho e um dia de sua rotina, por exemplo.

Longe de ser uma “orientação profissional” a ideia é que as conversas reflitam a diversidade das experiências, destacando os percalços, os desencontros e reencontros que podem surgir em cada projeto de vida.

Entendendo que o momento da opção profissional é recheado de incertezas e pressões, o Qual é a sua? (ao lado de várias conversas individuais entre a Coordenação EM e os alunos) tem a intenção de fornecer o máximo de elementos para que cada aluno consiga escolher seus próprios caminhos, ajustando os ponteiros de seus anseios pessoais com os das possibilidades e necessidades que a sociedade apresenta.

 

22
junho
2015
Um lixo é um lixo é um lixo…

Texto de Maurício Costa Carvalho (Geografia EM) e Mercedes Ferreira (Direção EM) publicado no blog do Estadão 


- Mas tem tanto, que não é o meu que vai fazer diferença…
- Ué, vem falar comigo? E essas indústrias e lojas e clubes, por exemplo?

Essa é a distorcida dimensão que se tem, na maioria das vezes, a respeito do real significado de cada lixo individual diário que produzimos e de como se compõe o todo: não associamos de verdade aquele saquinho de aparência mais inócua às montanhas que se formam nos aterros e nos lixões, que poluem as águas, que entopem as cidades. Sequer percebemos que, guardadas as justas proporções, estamos enfileirados com as tais indústrias e lojas e clubes e tudo o mais. E a triste paráfrase  do verso de Gertrude Stein, no título acima, torna-se o inevitável retrato da situação.
Nesse contexto, todas as iniciativas que cutuquem, incomodem, alertem, eduquem, conscientizem são  sempre bem-vindas. Por isso, antes de tudo, é fundamental prestigiar, valorizar, tornar possível a existência (e a resistência) de pessoas ou entidades e instituições sérias que se propõem a essas tarefas. Elas só existem e sobrevivem se houver interlocutores, pra começo de conversa; assim, por exemplo, ir a um local para ver e ouvir e discutir e trocar reflexões sobre o assunto já é o primeiro movimento politizado, primeira atitude que abrange o individual e o coletivo. E daí, espera-se, surgirão bons frutos de todos os matizes.
E foi exatamente pensando assim, que, no último dia 2 de junho, estudantes do Ensino Médio do Ítaca estiveram na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, assistindo a Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?, a convite da Ecofalante, entidade que promove discussões e reflexões sobre o meio ambiente, a partir de filmes e documentários. Produzido e narrado pelo ator Jeremy Irons,  Trashed (2o12),  mostra imagens contundentes de como o descarte inadequado de resíduos sólidos pode oferecer grandes riscos à saúde humana e ao planeta, analisando as soluções que hoje existem para a questão. Depois da exibição, os estudantes e professores tiveram a oportunidade de conversar com especialistas da instituição e consultores para sustentabilidade, discutindo, inclusive, qual o papel de cada um de nós diante de tal problema, não só como consumidores, produtores de lixo e até recicladores, mas também como divulgadores das questões ali discutidas. Esse evento foi parte da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que promoveu nas bibliotecas São Paulo e Villa-Lobos, entre outros locais, uma programação especial, durante a Semana do Meio Ambiente.
As ações cotidianas necessárias à promoção de uma vida ambientalmente sustentável, aliadas à consciência de que é necessário também um fazer político com vistas a soluções eficazes, levam a responsabilidade de cada um para o futuro, além de já serem necessárias no presente. Como muito do trabalho que se faz na escola, os resultados devem ser pensados também a médio e longo prazo, com os adultos que logo logo esses alunos serão.

19
junho
2015
Mais uma Virada Cultural!
postado sob arte, cidadania, cultura

“A Virada é um evento democrático de convivência e ocupação da cidade, que convida a população a se apropriar de espaços públicos por meio da arte, da música, da dança, das manifestações populares”, afirma Nabil Bonduki, secretário municipal de Cultura.

A Virada Cultural de São Paulo, que chega a sua 11ª edição nos dias 20 e 21 de junho, é um dos maiores eventos culturais do mundo. Refletindo o espírito da “cidade que nunca dorme”, a Virada oferece, durante 24 horas, atrações gratuitas nos mais variados gêneros artísticos. O evento tem início às 18 h do sábado (20), com a Orquestra Paulistana de Viola Caipira, e segue até às 18 h do domingo (21), com encerramento de Caetano Veloso, fazendo um bis de sua performance do show/ disco Abraçaço.

A Virada deste ano acontece em várias regiões de São Paulo, descentralizando-se a sua programação, para que esteja ao alcance do maior número de pessoas. Bairros como Campo Limpo, Penha, Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista, Heliópolis, Cidade Tiradentes, Jaraguá, Santana, Belém, Pinheiros, Interlagos e Pompeia, receberão música, saraus, afoxés e apresentações nos equipamentos da Secretaria de Cultura.

Ampliando o leque de linguagens artísticas, a curadoria da Virada incluiu representantes de outras áreas da Cultura, como Alex Atala em Gastronomia; Martinho Lutero, maestro do Coral Paulistano Mário de Andrade, em música erudita; Thomas Haferlach, criador do coletivo Voodoohop, na consultoria das festas de rua, e Henrique Rubin, que atua na Gerência de Ação Cultural do Sesc-SP, promovendo todos os anos diversas atrações da Virada. 

A abertura oficial do evento será no palco na Praça da República, com apresentação da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, regida pelo maestro Rui Torneze, no “Arraial da Inezita Barroso”, que homenageia a cantora, compositora e pesquisadora cultural popular que faleceu em março deste ano. 
Na praça também poderão ser encontradas diversas opções de comidas típicas das festas juninas.

Mais atrações
Os 50 anos da Jovem Guarda serão homenageados em palco montado na Av. São João. Durante 24h, integrantes do movimento, como Jerry Adriani, Leno e Lilian, Golden Boys, Paulo Cesar Barros, Martinha, Vanusa, Wanderléa e Erasmo Carlos cantarão seus maiores sucessos.

Haverá também programação para as crianças: a “Viradinha”, no entorno da Praça Rotary, reunirá atividades para toda a família, como oficinas, horta, grafite e músicas e sensações para bebês; shows de grupos como Palavra Cantada, Grupo Tri e Trupe Pé de História; espaço de dança e bate-papo para mães; feira gastronômica de alimentação saudável e diversas brincadeiras.

Há também muito mais atrações de música erudita e popular, além de peças musicais, atividades circenses, oficinas, espetáculos, jogos e competições.

Gastronomia
Nesta edição da Virada Cultural, a Gastronomia ganhou espaço: o “Galinhódromo” da Praça Roosevelt, onde restaurantes apresentam suas receitas de galinhada; os “bike foods” da região da Luz, que ocuparão as ruas com comidas brasileiras, peruana, japonesa, vegetariana, cachorro-quente, paletas mexicanas, bolos e waffles, entre outras. O Largo São Francisco abrigará a feira gastronômica, uma das principais responsáveis pela popularização da comida de rua na cidade.

Para as crianças, haverá comidinhas saudáveis na região da “Viradinha”, além da Feira Gastronômica da Magali, no Pátio do Colégio, homenageando os 50 anos da personagem, comemorados neste ano. 

Veja a programação completa da Virada:
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/2015/programacao/

Referências
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/2015/
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/06/metro-e-trens-da-cptm-vao-operar-durante-toda-virada-cultural-em-sp.html

10
junho
2015
10 de junho -  Dia da Língua Portuguesa
http://pt.bab.la/noticias/idiomas-do-mundo.html

O Dia da Língua Portuguesa é comemorado em 10 de junho, por ser o dia em da morte de Luiz Vaz de Camões (1524-1580). Considerado um dos maiores poetas da história lusitana, foi autor de obras memoráveis como “Os Lusíadas”. 

A língua Portuguesa tem sua origem no latim vulgar – o latim falado, que os romanos introduziram na Lusitânia, região situada ao sudoeste da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.

Atualmente, segundo dados da ONU, pelo menos 235 milhões de pessoas têm o português como primeira língua, em oito países que vão das Américas à Ásia. Mais de 80% desses falantes são brasileiros. Entretanto, muitos falantes do português vivem fora dos países lusófonos em nações da Europa e nos Estados Unidos. Não oficialmente, o português é falado por uma pequena parte da população em Macau, no estado de Goa, na Índia, e na Oceania.

É o quinto idioma mais falado do planeta e o terceiro entre as línguas ocidentais, ficando atrás somente do inglês e do castelhano. É a língua oficial em diversos países como: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe e, ainda, Timor-Leste após sua independência. Por toda a importância dada à língua portuguesa, seu ensino agora é bastante valorizado nos países que compõem o Mercosul.

texto editado a partir do site da Portoweb

9
junho
2015
Joan Miró e a força da matéria
postado sob arte, cultura

O Instituto Tomie Ohtake organiza e traz ao Brasil, em parceria com a Fundação Joan Miró, de Barcelona, a maior exposição dedicada ao artista: A Força da Matéria. São 112 obras  de Miró (1893-1983): 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e três objetos (pontos de partida de esculturas), além de fotografias sobre a trajetória do pintor catalão. As peças pertencem à Fundação e a coleções particulares.
 
A mostra é dividida em três grandes partes, que buscam traçar um panorama geral da carreira de Miró. A primeira compreende os anos 1930 e 1940, com a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial; a segunda narra os anos 1950 e 1960 e o grande interesse do pintor pelas esculturas, e a terceira, sobre os anos 1970, identifica o questionamento do espanhol a respeito do real sentido da arte e suas experimentações em diferentes suportes (destaque para as gravuras).
 
Ao lado das belas obras em si, a própria exposição está muito bem montada e contém material complementar que permite compreender melhor o artista, sua obra, e mergulhar no processo criativo e nas técnicas que adaptou à sua maneira. Filmes, por exemplo, mostram Miró pintando no chão, obras imensas. Ele traçava as primeiras linhas e depois preenchia o espaço com linhas grossas de tinta preta e cores fortes.
Muitas esculturas eram montagens de objetos encontrados pela rua, pedaços de peças montadas e depois moldadas e fundidas em metal.  Além disso, um filme mostra experimentos bem particulares, como a moldagem de um repolho, para fazer uma forma que viraria um pedaço de uma peça fundida, virando uma grande escultura.  Esculturas gigantes e seu processo de montagem com equipes de várias pessoas comandadas pelo artista também aparecem nos filmes. Fotografias enormes no meio das obras mostram o atelier de Miró e trazem o universo da vida do artista para complementar essa linda exposição.
 
Imperdível! Mesmo para quem já viu muito Miró.
 
 
De 24 de maio a 16 de agosto de 2015
De terça-feira a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Avenida Faria Lima, 201
(Entrada pela Rua dos Coropés, nº 88)

Referências
http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/exposicoes/miro-a-forca-da-materia/
http://gq.globo.com/Cultura/noticia/2015/05/joan-miro-ganha-exposicao-no-instituto-tomie-ohtake.html
http://www.archdaily.com.br/br/tag/joan-miro-a-forca-da-materia 
http://www.guiadasemana.com.br/artes-e-teatro/galeria/saiba-mais-sobre-a-exposicao-de-joan-miro-em-10-fotos

2
junho
2015
Dentro e fora do museu
postado sob arte, cultura, Ítaca

Texto dos Professores Fernando Vidal (Filosofia EM) e Renato Izabela (História da Arte EM) publicado no blog do Estadão

Uma caminhada com os alunos do 3º ano EM pela bairro da Vila Madalena: primeiro, a exposição Imagine Brasil, no Instituto Tomie Ohtake; depois, os muros grafitados dos Becos do Batman e do Aprendiz. Um roteiro em que aspectos da arte contemporânea são vivenciados, dentro e fora do museu, em diálogo com as aulas de História da Arte.

Dentro do museu: exercitar o olhar, observar as múltiplas possibilidades de suportes como pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, música, para assim entender melhor essas linguagens da contemporaneidade. Convenhamos que, às vezes, pela maneira intrincada como são abordadas, essas linguagens aparentam ser coisa de outro mundo, narrativas incompreensíveis. Para dissolver essa estranheza que bloqueia o pensamento e a percepção, só mesmo se abrindo com generosidade às propostas dos artistas. Nesse sentido, a exposição que visitamos nos pareceu um bom ponto de partida: Imagine Brasil é um amplo panorama da arte contemporânea brasileira, em que artistas jovens ‘convidam’ aqueles que consideram suas referências, e isso dá um pouco do tom da mostra – formas, procedimentos, temas – e dos rumos que a arte trilha entre nós, hoje. Inevitáveis, então, os questionamentos, ideias que nos fizessem matutar; além de uma oficina, que gerou trabalhos. Assim, constituindo uma experiência interessante e significativa em si mesma, essa proposta também complementa, por assim dizer,  seminários apresentados pelos alunos, em aula,  sobre temas da arte contemporânea.
Fora do museu: sentir a Arte de Rua ou “Arte Pública”, que traz uma linguagem ilustrativa, com uma narrativa que se aproxima de cartuns ou psicodelismos. Podemos, quem sabe, chamar essas intervenções de “tatuagens na cidade”.  Os alunos se sentem mais familiarizados com essa forma de arte, talvez por conta da linguagem carregada de símbolos do universo juvenil. E, o que também é mais comumente possível na rua,  encontramos ali um artista, o grafiteiro Boleta, que estava trabalhando e trocou algumas informações conosco sobre traço, tintas, spray etc.
De dentro pra fora (ou de fora pra dentro), o que muda e o que permanece? Não vamos forçar a mão, é claro, com formulações genéricas acerca da relação entre o espaço sacralizado e silencioso do museu e o espaço profano e barulhento da rua. Pelo que pudemos notar, os alunos perceberam fricções, atritos e convergências entre as formas de arte com que tomaram contato durante esse breve passeio. Assunto a ser retomado em sala de aula. Seja como for, essas vivências não são apenas um suporte didático; mais do que isso, são um tempo em que o acesso à produção cultural da cidade proporciona também um exercício coletivo da imaginação e do pensamento.

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