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8
setembro
2015
Um novo velho tratado das cores
postado sob arte, design, história

Em 1692, um artista chamado A. Boogert dedicou-se a escrever um livro, em holandês, sobre misturas de cores em aquarela. O livro começava com algumas explicações sobre o uso da cor na pintura e se aprofundava, mostrando como obter tonalidades de cor com adição de uma, duas ou três partes de água.  Isso tudo era ilustrado com as próprias cores aquareladas.  Parece um escopo muito simples, mas o resultado é surpreendentemente detalhado e bonito. 

O livro, com o título de Traité des couleurs servant à la peinture à l’eau, tem mais de 700 páginas manuscritas e é considerado o mais provavelmente detalhado guia de cores e de pintura da época. Segundo o historiador Erik Kwabel, que descobriu a publicação em um banco de dados e traduziu parte da sua introdução, no século 17, conhecido como a época áurea da pintura holandesa, esse manual era providencial e tinha vocação educativa. O professor Kwabel conclui, porém, que o livro não teve a atenção merecida pelos historiadores modernos e, provavelmente, nem atingiu o propósito educativo que se propôs, pelo fato de existir apenas uma cópia, que foi vista por poucas pessoas.

Difícil não compará-lo ao famoso Guia de Cores Pantone (escala internacional de padronização de cores usada em Design gráfico e de produtos, moda, etc), publicado pela primeira vez em 1963.

O livro todo pode ser consultado em alta resolução no endereço.  O original do manuscrito está na Bibliothèque Méjanes, em Aix-en-Provence, França.

Referências:
http://www.e-corpus.org/notices/102464/gallery/
http://erikkwakkel.tumblr.com/post/84254152801/a-colourful-book-i-encountered-this-dutch-book
http://followthecolours.com.br/just-coolt/achado-livro-de-1692-sobre-as-cores-e-um-medidor-de-azul-do-ceu/
http://www.pantone.com/fashion-home-color-guide
http://www.citedulivre-aix.com/citedulivre/

8
setembro
2015
O valor do tempo
postado sob cidadania, cultura
Banco de tempo de Santa Maria da Feira, em Portugal

Sabem a expressão "tempo é dinheiro"? Em um banco de Santa Maria da Feira, em Portugal, ela é bem real. 
Os atendentes, voluntários, não lidam com dinheiro, mas com tempo. Em vez de lucros, o Banco do Tempo persegue outro objetivo: a felicidade das pessoas. Os bancos de tempo existem em Portugal há 13 anos, e na pacata Santa Maria da Feira, chegaram há um ano e meio. Quem levou uma unidade para lá foi a economista aposentada Margarida Portela, que destaca:

"Apesar de se chamar Banco de Tempo, a instituição portuguesa não é um banco típico, mas sim uma instituição de cunho social onde as pessoas podem “depositar” o seu tempo, em troca do tempo de outras pessoas.
Cada membro oferece um determinado serviço, como aulas de inglês, de bricolagem, ou até consultas médicas, sendo que todos os serviços têm o mesmo valor, só contando o tempo durante o qual esse serviço é prestado.”

Quando uma pessoa faz um trabalho para outra, pode depositar um “cheque do tempo”, que depois poderá usar para obter um outro dos serviços fornecidos pelos outros membros do banco.

Com 28 agências espalhadas por Portugal, o Banco de Tempo esclarece no seu site qual a sua missão:
“Através das trocas e dos encontros, o Banco de Tempo enriquece o mundo relacional das pessoas que nele participam, joga um papel importante na recuperação, em novos moldes, da solidariedade entre vizinhos e no combate à solidão; favorece a colaboração entre pessoas de diferentes gerações, proveniências e condições sociais. Contribui também para o desenvolvimento e partilha de talentos e facilita o acesso a serviços que dificilmente poderiam ser obtidos, dado o seu valor de mercado. O Banco de Tempo suscita questionamentos e incentiva mudanças no modo como vivemos em sociedade.”

Uma excelente ideia para aproximar as comunidades, ao mesmo tempo que nos ajudamos uns aos outros.
Os Bancos de Tempo são uma alternativa econômica, solidária, que defende uma visão transformadora da sociedade e das relações que existem entre as pessoas. Esta visão considera outras prioridades, aspirando a uma qualidade de vida melhor, questionando os modelos dominantes e experimentando outras vias de construção social e econômica. 

As primeiras associações desse tipo nasceram no Reino Unido, nos anos 1980, com o nome de Local Exchange Trading System (LETS). Estas experiências demonstram uma preocupação original em se organizar uma economia “alternativa”.  A ideia foi difundida e apareceu em diversos outros lugares: na França onde assume a denominação SEL - Systèmes d'échange), na Espanha (TROCA), na Holanda, Alemanha e Escandinávia.

Na Italia, algumas associações desse tipo surgiram em 1988, na região de Emilia-Romagna, mas o termo "banco de tempo" foi usado pela primeira vez em Parma, no início dos anos 90. No começo dos anos 2000 houve um grande interesse pelo assunto, que se tornou tema de artigos, entrevistas, teses, publicações.

Em dezembro de 2012, foi lançado o TimeRepublik, um banco de tempo global digital, com o objetivo de eliminar as fronteiras dos bancos de tempo tradicionais e aproximar os jovens desse tipo de atividade, antes mais utilizada por pessoas mais velhas. Em janeiro de 2014, o TimeRepublik superou 10 mil usuários, espalhados por 80 países. 

Em todos eles o funcionamento é parecido: um eletricista, por exemplo, se inscreve no Banco do Tempo, oferecendo-se para trocar as lâmpadas de uma casa. Após uma hora de trabalho, ele tem direito a uma hora de um serviço qualquer de que ele precise – por exemplo, aula de informática. O professor de informática, por sua vez, tem direito a uma hora de massagem, e por aí vai. 

Há um pouco de tudo nesse projeto: troca de lâmpadas, limpeza, cursos de idiomas, massagens, pessoas dispostas a passar roupa e até a ensinar a andar de bicicleta.

O primeiro banco de tempo exclusivamente brasileiro foi criado no final de 2012 e chama-se Winwe. Está claro de que essa é realmente uma tendência que veio para ficar.

Princípios e objetivos explicitados pela organização portuguesa Banco de Tempo:
Objetivos:
• Apoiar a família e a conciliação entre vida profissional e familiar, através da oferta de soluções práticas de organização da vida cotidiana;
• reforçar as redes sociais de apoio, diminuir a solidão e promover o sentido de comunidade e de vizinhança;
• promover a colaboração entre pessoas de diferentes gerações e origens;
• contribuir para a construção de uma cultura de solidariedade e para o estabelecimento de relações sociais mais humanas e igualitárias;
• valorizar o tempo e o cuidado dos outros;
• estimular os talentos e promover o reconhecimento das capacidades de cada um/a;

Princípios:
• Troca-se tempo por tempo: a unidade de valor e de troca é a hora;
• todas as horas têm o mesmo valor: não há serviços mais valiosos do que outros;
• há obrigatoriedade de intercâmbio: todos os membros têm que dar e receber tempo;
• a troca não é direta: o tempo prestado por um membro é-lhe retribuído por qualquer outro membro;
• a troca assenta na boa vontade e na lógica das relações de “boa vizinhança”: os serviços prestados correspondem a actividades que se realizam com gosto e, para as realizar, não podem exigir-se aos membros certificados ou habilitações profissionais. 

As ajudas que se desencadeiam entre os membros do Banco de Tempo correspondem, muitas vezes, a pequenos serviços que tipicamente se trocam dentro das fronteiras familiares e entre amigos e que, em alguns casos, dificilmente se encontram no mercado.

 

Referências:

http://www.winwe.com.br
http://www.bancodetempo.net/pt/
http://www.chiadomagazine.com/2015/06/conheca-o-banco-onde-unica-moeda-aceite.html
http://www.cidac.pt/files/6614/1484/3229/COMRCIO_JUSTO_FAZENDO_A_DIFERENA_ARTIGO.pdf
http://www.banchedeltempo.to.it/cos
http://www.graal.org.pt/projecto.php?id=2
http://www.bancodetempo.net/files/Newsletter_1439400990.pdf
https://timerepublik.com

8
setembro
2015
UM DOCE ANO de 5776
postado sob cultura, história

Comemora-se, do dia 13 ao 15 de setembro, o Rosh Hashaná (literalmente “Cabeça do Ano”, em Hebraico), o Ano Novo pelo calendário judaico.  Pela história da religião, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, Deus criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele. 

A cada Rosh Hashaná, o judaísmo coroa o seu rei, Criador do Mundo, anunciando isso com o soar do Shofar - instrumento sonoro, feito de chifre - símbolo central do Rosh Hashaná. Ao seu toque, desperta-se a necessidade da comunhão entre irmãos, o retorno à fé, além de conduzir cada indivíduo para um exame de consciência. 

O Rosh Hashaná é um período de grandes festas, reflexões, de conservar e transmitir ensinamentos às gerações mais jovens. É o momento de se consolidar o estilo de vida judaico, por meio de suas tradições e de sua religião. 

Tradicionalmente, na noite do Rosh Hashaná os judeus vão à sinagoga rezar. Em seguida, as famílias se reúnem em volta da mesa de jantar onde há rezas e vários alimentos simbólicos são ingeridos sendo que um pedido é feito para cada alimento. 

Uma fatia de maçã doce é mergulhada no mel, ao recitar a bênção da fruta (Borê Peri Haetz):”Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce”. E assim, para cada alimento (mel, peixe, romã, cabeça de carneiro ou peixe,feijão, abóbora, tâmara), há uma reza e uma simbologia específica. Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. 

SHANA TOVAH UMETUKAH - um ano doce para todos!

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