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29
outubro
2015
Uma novíssima olimpíada: Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI)
- veja como foi
postado sob cultura, esporte, história

Aconteceu, de 23 de outubro a 01 de novembro de 2015, em Palmas, capital do estado de Tocantins, a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), sob iniciativa do Ministérios dos Esportes, Agricultura, Defesa e Cultura, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, da Prefeitura de Palmas, do governo do estado do Tocantins, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 

O evento mundial foi consequência de uma versão nacional dos jogos, que vem acontecendo desde 1996, organizada por grupos de indígenas brasileiros.

Em entrevista à agência da ONU, o ministro dos Esportes, George Hilton, destacou a importância do evento para aproximar as populações indígenas do resto da sociedade brasileira.
Segundo o ministro, a realização dos JMPI é uma maneira de incluir as demandas das etnias indígenas brasileiras no contexto dos grandes eventos esportivos que o país tem sediado desde 2007. “Fechamos esse ciclo também com as comunidades indígenas por entender que, além de ser um esporte de inclusão social, tem um apelo muito forte para integrar os povos, para levantar bandeiras importantes que as comunidades indígenas têm”, afirmou. Para Hilton, os Jogos permitem dar visibilidade à situação dos povos indígenas: "o desafio é que não só o evento esportivo possa integrar essas comunidades do mundo inteiro, mas sirva também como um fórum de discussão de outras conquistas pleiteadas por essas comunidades". 
O ministro também afirmou que o governo está atento a questões de inclusão, como a presença das mulheres e deficientes físicos nas competições.

Os jogos congregaram cerca de 2,3 mil atletas indígenas de 22 etnias brasileiras e de mais 23 países, com o lema “Em 2015, somos todos indígenas”. 
Veja os países participantes:
    •    Argentina
    •    Bolívia
    •    Brasil
    •    Canadá
    •    Chile
    •    Colômbia
    •    Costa Rica
    •    Estados Unidos
    •    Etiópia
    •    Filipinas
    •    Finlândia
    •    Gambia
    •    Guatemala
    •    Guiana Francesa
    •    México
    •    Mongólia
    •    Nicarágua
    •    Nova Zelândia
    •    Panamá
    •    Paquistão
    •    Paraguai
    •    Peru
    •    Rússia
    •    Uruguai
O evento foi composto majoritariamente por esportes indígenas, e dividido em:
- jogos tradicionais, em caráter de demonstração,
- jogos nativos, de integração
- esportes ocidentais competitivos, com a proposta de promover a unificação das etnias e dos povos indígenas.

“Estamos vindo para apresentar a cultura e mostrar que somos bons nos esportes, inclusive no esporte não indígena. Hoje recebemos material esportivo e vamos treinar mais futebol e corrida. O mundo todo vai conhecer a cultura Xerente”, garantiu, na abertura do evento, o vice-coordenador esportivo da delegação para os Jogos, Silvino Sirwãwe Xerente.

Além dos indígenas das Américas, também estiveram presentes povos da Nova Zelândia, Congo, Mongólia, Rússia e Filipinas. Do Brasil, cerca de 23 etnias estavam inscritas para participar da competição. Nos primeiros três dias de evento, todas as etnias brasileiras e estrangeiras participaram de atividades como passeios pelos pontos turísticos de Palmas, como forma de ambientação e integração.

O Comitê de Acolhida às Delegações contou com o apoio de lideranças do povo Xerente, anfitrião dos JMPI. O povo Xerente vive a 70 quilômetros ao norte da cidade sede dos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), entre os rios Tocantins e do Sono. Nas aldeias que circundam o munícipio de Tocantínia, 50 atletas dessa etnia se prepararam para competir em diversas modalidades.

Não faltaram oportunidades para os participantes apresentarem suas habilidades. Os jogos de integração, com esportes tradicionais praticados pela maioria dos povos indígenas brasileiros, envolveram modalidades como arremesso de lança, arco e flecha, cabo de força, canoagem, corrida de cem metros, corrida de fundo e corrida com tora. 

Os jogos de demonstração apresentam modalidades que são particulares de cada povo, ou seja, praticados e disputados por integrantes da própria etnia. O objetivo é incentivar o resgate às práticas tradicionais.

Os JMPI são uma oportunidade única de difundir a prática de esportes entre os indígenas brasileiros e de difundir as modalidades típicas já existentes entre eles. 


Saiba mais:

http://alfarrabioteske.blogspot.com.br/2015/10/o-que-vi-ouvi-e-senti-na-abertura-dos-i.html​
http://www.jmpi2015.gov.br
https://www.facebook.com/JogosMundiaisDosPovosIndigenas/
http://nacoesunidas.org/onu-e-governo-do-brasil-reunem-etnias-de-22-paises-nos-jogos-mundiais-dos-povos-indigenas/
http://nacoesunidas.org/brasil-e-onu-lancam-a-primeira-edicao-dos-jogos-mundiais-dos-povos-indigenas/=

19
outubro
2015
Mais uma Mostra Internacional de Cinema!
postado sob arte, cidadania, cinema, cultura
cartaz da mostra, com desenhos de Martin Scorcese

De 22 de outubro a 4 de novembro, acontece a tradicional Mostra Internacional de Cinema, de São Paulo. Durante duas semanas, serão exibidos 312 títulos de 62 países, em 22 endereços - cinemas, espaços culturais e museus - espalhados pela capital paulista, incluindo-se exibições gratuitas e ao ar livre.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é um festival anual, organizado pela Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema.  Foi criada em 1977, quando o crítico de cinema e então diretor do departamento de cinema do Museu de Arte de São Paulo (MASP) Leon Cakoff resolveu celebrar o 30º aniversário do Museu com uma mostra de filmes. 
 

A MOSTRA E A CENSURA DO GOVERNO MILITAR

Durante os primeiros 7 anos de festival, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar, a Mostra teve uma série de problemas com a censura : frequentemente os filmes tinham que ser mostrados a uma comissão de censores para serem liberados para exibição. Muitas vezes, as diversas embaixadas tinham que ajudar no envio de material para o Brasil.

Em 1984, último ano da ditadura, a Mostra saiu do Masp e ganhou uma batalha contra a submissão dos filmes à censura prévia.  No entanto, foi suspenso na primeira semana, após exibir o filme O Estado das Coisas (1982 , de Wim Wenders. Essa interrupção do festival pela censura teve repercussão internacional e durou 4 dias, tempo em que os censores assistiram a todos os filmes, voltando a controlar as exibições.

A 9ª edição da Mostra,  em 15 a 31 de outubro de 1985, já foi totalmente livre de censura.
 

IMPORTÂNCIA E REPERCUSSÃO

"A história da Mostra Internacional de São Paulo é o relato de uma batalha constante contra a censura, as leis arbitrárias, o descaso pela cultura. É, finalmente, uma luta pela criação e preservação de uma memória coletiva"
Comentário do cineasta Walter Salles, diretor de "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta".

Nos seus 39 anos de existência, a Mostra cresceu e tornou-se um evento de grande escala, que acontece em diversos lugares da cidade, exibindo anualmente mais de 300 filmes do mundo todo e dando ao Brasil uma visibilidade importante no meio cinematográfico internacional.

O diretor de cinema Fernando Meirelles acredita que, se não fosse a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o público local conheceria apenas as grandes produções comerciais norte-americanas e europeias.  

Diversos diretores e produtores de cinema brasileiros, além de convidados internacionais, ganham espaço na Mostra, participando ativamente de exibições, debates e entrevistas. Alguns convidados internacionais tiveram destaque desde 1977, como Dennis Hopper, Pedro Almodóvar, Park Chan-Wook, Miguel Gomes, Victoria Abril, Jane Birkin, Guy Maddin, Abbas Kiarostami, Claudia Cardinale, Amos Gitai, Les Blank, Quentin Tarantino, Maria de Medeiros, Wim Wenders, Alan Parker, Manoel de Oliveira, Christian Berger, Kiju Yoshida, Atom Egoyan, Danis Tanovic, Satyajit Ray, Eizo Sugawa, Theo Angelopoulos, Marisa Paredes, Rossy de Palma, Geraldine Chaplin e Jonas Mekas.

Além disso, a Mostra também produziu alguns filmes de curta metragem, dirigidos por seus organizadores Leon Cakoff e Renata de Almeida e por convidados.

Leon Cakoff, fundador, organizador e diretor do evento, faleceu em 2011, logo depois da 35ª edição da exibição . Sua viúva e coprodutora do festival, Renata de Almeida, continuou o trabalho.
 

A 39ª MOSTRA, em 2015

A seleção deste ano faz um apanhado do que da produção do cinema contemporâneo mundial está produzindo, além das principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas.

Ela é composta por seis seções: 
1- Competição Novos Diretores - exibe títulos de diretores que tenham realizado até dois longas (os mais bem votados pelo público serão vistos pelo Júri Internacional, que escolhe posteriormente os que vão receber o Troféu Bandeira Paulista)
2 - Perspectiva Internacional - apresenta um panorama do recente cinema mundial
4 - Retrospectiva - seção com clássicos e títulos de importantes diretores restaurados pela The Film Foundation
5 - Homenagem - celebração ao centenário do diretor italiano Mario Monicelli, com exibição de cinco títulos restaurados
6 - Apresentações Especiais - sessões em espaços alternativos ou de filmes que completam obra de diretores selecionados pelo evento; Mostra Brasil - títulos brasileiros inéditos em São Paulo.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI
 

Referências
http://39.mostra.org/br/pag/informacoes-gerais
https://www.facebook.com/mostrasp
https://en.wikipedia.org/wiki/São_Paulo_International_Film_Festival=
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/morre-leon-cakoff-fundador-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/n1597279416140.html
http://www.guiadasemana.com.br/cinema/noticia/dossie-da-mostra-internacional-de-cinema-2015​
http://www.ccine10.com.br/39a-mostra-internacional-de-cinema-de-sao-paulo-cobertura/​

 

8
outubro
2015
OS BRINQUEDOS DO ARTISTA TORRES-GARCÍA, na Biblioteca Mario de Andrade
postado sob arte, cultura, história
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pintura de Torres-García
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pintura de Torres-García
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Inspirado tanto pela experiência com seus filhos pequenos quanto pela atividade docente na escola progressista Mont D’Or (na cidade catalã de Tarrasa) – onde ministrou aulas de desenho –, o artista uruguaio Joaquín Torres García produziu, entre 1915 e 1916, uma série de brinquedos de madeira que, anos mais tarde, durante sua estadia nos EUA, ele registraria com a marca Aladdin Toys. Compostos por peças intercambiáveis que davam à criança a possibilidade de desmontá-los e voltar a montá-los livremente, os brinquedos permitiam uma interação diferente, na qual a forma poderia ser fragmentada, usufruída e reconstruída, conferindo  dinamismo à concepção.

Agora, temos a chance de conhecer bem de perto toda essa experiência lúdica, com a mostra na Mario de Andrade. Dedicada à família, a abertura da exposição contará também com oficinas para o público infantil.
 
Sobre o artista
Joaquín Torres-García nasceu em Montevideo, Uruguay, 28 de julho de 1874, filho de mãe uruguaia e pai catalão. Considerado o pai do Construtivismo latino-americano, viveria  por cerca de 40 anos nos Estados Unidos e Europa.
 
Devido a dificuldades econômicas, ele e a família voltaram à terra natal, em junho de 1891, e Torres-García passou a estudar desenho, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Mataró, e pintura com o artista Josep Vinardell (1851-1918).  Em 1892, sua família se mudou para Barcelona, onde ele continuou estudando Artes, na Academia de Bellas Artes, e, em seguida, na Academia Baixas além de frequentar o café Els Quatre Gats, onde artistas de vanguarda, como Pablo Picasso, e intelectuais e escritores se encontravam.  Nesse período, conheceu Antoni Gaudí, com quem colaborou, de 1903 a 1907, nas obras do Templo Expiatório da Sagrada Familia e nos vitrais da Catedral de Palma de Mallorca.

Em 1918, começou a projetar brinquedos de madeira como extensão de seus ensinamentos. Esses brinquedos, que variavam de formas simples a construções complexas, foram uma introdução ao que Torres-García iria fazer em sua obra de arte construtivista. Ele continuou com os brinquedos após se mudar para New York, em 1920; em 1922 eles foram colocados em produção na Europa.
Torres-García fixou-se em Paris, em 1926, e depois de ser rejeitado no Salão de Outono de 1928, começou seus experimentos no Construtivismo.
 
Seu trabalho equilibra formas naturais e elementos plásticos, muitas vezes incorporando signos de referência das culturas indígenas da América do Sul. 
Em 1929, Torres-García conheceu Piet Mondrian (1872-1944) e, com ele e  Michel Seuphor (1901-1999), formou o movimento Cercle et Carré (Circulo e Quadrado). O grupo surgiu como alternativa artística ao Surrealismo, movimento dominante na época em Paris. O grupo se apresentou ao público, em 1930, com um jornal homônimo e uma exposição de 46 artistas construtivistas, na Galerie 23 de Paris
Torres-García deixou o grupo em 1930, depois de muitos desentendimentos com Seuphor.
Após um curto período em Madri, onde ele lecionou e deu palestras, voltou ao Uruguai em abril de 1934. Ali, fundou a Asociación de Arte Constructiva (Associação de Artistas Construtivistas) e publicou o jornal Circulo y Cuadrado, que introduziu a arte dos vanguardistas do cubismo, neoplasticismo e construtivismo aos artists de no seu país.  
Publicou inúmeros artigos de Teoria da Arte e difundiu suas ideias, convidando os artistas, em 1935, a inverterem a tradicional hierarquia, colocando a América Latina em destaque sobre a Europa, em seu texto Escuela del sur . Seu mapa invertido das Américas é um forte ícone dessas ideias.
Torres-García teve diversas exposições individuais, incluindo uma no  Museo de Arte Moderna de Madrid (1933); Musée National d'Art Moderne de Paris (1955); Museo de Bellas Artes, Caracas, Venezuela (1980 e 1997) e a Sala Torres-García na Bienal em duas Bienais de São Paulo (1959 e 1991). Torres-García morreu dia 8 de agosto de 1949, em Montevideo.
 
Serviço
Torres García – El niño aprende jugando - exposição
Biblioteca Mario de Andrade
Rua da Consolação, 94
Telefone: (11) 3775-0002
Abertura: 11/10 domingo, às 14h
Local: Sala Oval
visitação gratuita:
de 12 de outubro a 15 de dezembro de 2015
segunda a sexta das 8:30h às 20:30h
sábado das 10:00h às 17:00h
 
Referências
http://www.guggenheim.org/new-york/collections/collection-online/artists/bios/1029/Joaqu%C3%ADn%20TorresGarc%C3%ADa
http://www.ceciliadetorres.com/pdf/artbio_1.pdf
http://jtorresgarcia.com
https://www.facebook.com/BibliotecaMariodeAndrade/info?tab=page_info
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/programacao/index.php?p=12096

 

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