.>
11
março
2016
Sobre nossa saída para perceber a Terra: viagem do 1º EM rumo a Botucatu (SP)

"O que é uma fazenda?" nos perguntava o agricultor Paulo, da estância Demétria, em Botucatu. "Um pedaço de terra?" responderam... e se disséssemos ser  "um pedaço da Terra?" Há alguma diferença?

Entender-se como parte da Terra envolve um posicionamento ético que emerge não das especulações lógicas e racionais, mas da percepção do mundo através de um olhar qualitativo, integrador e holístico. Não é tarefa fácil.... Exige paciência, abertura, porosidade, atenção e muita observação para que algo comece a verter do fenômeno que está diante de nós, para que comecemos a "ler o livro aberto da natureza", como diria Goethe, até que ela a nós se revele, generosamente. Essa metodologia de investigação pode ser controversa, mas não há dúvidas de que seja um caminho bastante fértil para recuperarmos nossa capacidade de construir percepções do mundo (e não só repetir descobertas científicas que tornam o universo um conjunto de objetos a serem utilizados: nós separados do mundo que está a nosso serviço, ou lá, bem longe de minha realidade cotidiana).

Investigar a formação da Terra a partir de nossas observações - percebendo como uma massa rochosa é a cristalização de uma história de bilhões de anos, de movimentos, de feitos e efeitos, e que, ao percebê-lo, somos parte disso - é uma forma de buscarmos outras relações com a natureza, cujo ponto de partida é o próprio processo de percepção. As rochas deixam de ser paredes, calçadas, pias, pisos ou acidentes do relevo no meio das estradas... a fazenda deixa de ser um lugar para se plantar... São todos partes da Terra e nós, nela, ao começarmos a perceber aquilo que está para além do objeto, concreto em nossa frente, tornamo-nos responsáveis por vitalizá-la. 

É a partir do olhar que isso começa a acontecer. E não há momento escolar mais propício para isso do que um estudo de campo.

Saída envolvendo as disciplinas de Geografia, Biologia, História da Arte e Língua Portuguesa.

Texto: Professor Arthur Medeiros

7
março
2016
Há controvérsias sobre a origem da data
Enterro coletivo de vítimas do incêndio na fábrica norte americana
Manifestante sufragista (a favor do voto das mulheres) nos EUA
Passeata dos cem mil. As mulheres tiveram um papel importante no combate à ditadura
Desenho de Raul Pederneiras de 1914 retrata o movimento sufragista, por meio do qual as mulheres brasileiras reivindicavam o direito de votar
Protesto em NY

A distribuição de bombons e flores em comemoração ao Dia da Mulher pode ofender muitas mulheres. Afinal, o 8 de março seria o resultado de uma luta por melhores condições de trabalho. 

Em 1911, ocorreu um episódio conhecido como a consagração do Dia da Mulher: em 25 de março, um incêndio teve início na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. A fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos de tecido, de forma que o incêndio se alastrou rapidamente. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores conseguiu escapar, mas 146 morreram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas. Mais de 100 mil pessoas participaram do funeral coletivo. 

Esse foi mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

Na época, nos países desenvolvidos, as fábricas estavam cheias de homens, mulheres e crianças e o movimento operário reagia à exploração desenfreada organizando protestos pelo fim do emprego infantil e por melhoria de remuneração. A igualdade de gênero, porém, nunca era uma reivindicação, apesar de as mulheres não receberem o mesmo salário que os homens e sua renda ser vista como complementar à do marido ou pai. É nesse contexto de manifestação sindical e feminista que surge o Dia Internacional da Mulher. Os Estados Unidos também foram um dos palcos dessa luta, desde meados do século XIX, quando os operários organizavam greves para pressionar os proprietários das indústrias, principalmente as têxteis. 

O primeiro Dia da Mulher comemorado nos EUA foi em 3 de maio de 1908, quando “1.500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade econômica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras” (jornal The Socialist Woman). No ano seguinte, a data foi oficializada pelo partido socialista e comemorada em 28 de fevereiro. 

De fato, o Dia Internacional da Mulher já havia sido proposto em 1910, um ano antes do incêndio, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca. Clara Zetkin, militante e intelectual alemã, apresentou uma resolução para que se criasse uma “jornada especial, uma comemoração anual de mulheres”. A inspiração nas trabalhadoras do outro lado do Atlântico é explícita: para Clara, elas deveriam “seguir o exemplo das companheiras americanas”.

ORIGEM REVOLUCIONÁRIA 

Sem data definida, mobilizações anuais pelos direitos das mulheres prosseguiram em meses distintos, em diversos países. Em 8 de março de 1917, uma ação política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam na revolução de fevereiro. O líder Leon Trotsky registrou assim esse evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este 'dia das mulheres' viria a inaugurar a revolução”. 

Com as duas guerras mundiais que se seguiram, o Dia da Mulher ficou em segundo plano. Foi apenas na década de 60 que o movimento feminista retomou com força as comemorações, em meio a leituras de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e à fogueira de sutiãs nos Estados Unidos. 

A LUTA NOS TRÓPICOS 

No Brasil, nesse mesmo período, a direita e a esquerda viviam tensões no cenário político e manifestações como a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, com propostas absolutamente opostas às das feministas, que pregavam a legalização do aborto: a Marcha precipitaria o golpe militar de 1964 e dificultou a ascensão das organizações de mulheres. 

Mas o Brasil também tinha uma história de luta das mulheres similar à européia e à americana. No início do século XX, as mulheres e crianças constituíam quase 75% dos operários têxteis. Além de péssimas condições de higiene e longas jornadas de trabalho, elas sofriam com o assédio constante de seus patrões e também tentavam se organizar. Em 1906, o jornal anarquista A Terra Livre divulgou um texto de três costureiras que criticavam a não-adesão da categoria à greve operária: “Companheiras! É necessário que nos recusemos a trabalhar também de noite porque isso é vergonhoso e desumano. Como se pode ler um livro quando se vai para o trabalho às 7 da manhã e se volta para casa às 11 da noite?”, dizia. Essas passagens, ligadas principalmente às anarquistas, ainda são pouco conhecidas em nossa trajetória. A vertente que ganhou mais notoriedade no feminismo brasileiro foi a das sufragistas, que lutaram pelo direito a voto. Fundadoras do Partido Republicano Feminino, essas mulheres da elite nacional conseguiram sua reivindicação na Constituição de 1932, promulgada por Getúlio Vargas.

Resultado de todo esse processo, em 1975 comemorou-se o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, a ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Fruto de décadas de batalhas e séculos de opressão, a data que lembra a necessária igualdade entre homens e mulheres foi mundialmente – e finalmente – assegurada.

Referências
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_imprimir.html
http://www.brasildefato.com.br/node/34242
http://www.cfemea.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1375:a-mulher-e-o-direito-constitucional-direitos-e-garantias-fundamentais&catid=148:direito-constitucional&Itemid=127

 

5
março
2016
ENERGIA DAS ONDAS DO MAR
postado sob física, meio ambiente

A busca por alternativas energéticas que causem menos impactos ao meio-ambiente passou a fazer parte do planejamento estratégico das nações, e o aproveitamento do potencial energético dos oceanos representa hoje uma possibilidade promissora para produzir energia limpa. Marés, ondas e correntes marinhas são recursos renováveis, cujo aproveitamento para a geração de eletricidade registra significativos avanços tecnológicos e apresenta vantagens, em termos de acessibilidade, disponibilidade e aceitabilidade, que vêm sendo propagadas pelo Conselho Mundial de Energia (2000) para o desenvolvimento de alternativas energéticas.

As chamadas “usinas de ondas”, por exemplo, aparecem experimentalmente em alguns países como Japão, Austrália, Escócia, Portugal e inclusive Brasil, buscando alternativas viáveis para a crescente demanda de energia elétrica.

Estimativas recentes indicam que a energia contida nas ondas do mar é de cerca de 10 TW (1 Terawatt = 1000 Gigawatt), equivalente a todo o consumo de eletricidade do planeta. Há, no entanto, restrições quanto ao uso de grandes áreas dos oceanos, para não prejudicar as rotas de navegação, regiões turísticas e de lazer, além dos custos ainda serem altos e haver necessidade de desenvolvimento tecnológico. Ainda assim, é significativa a quantidade de energia dos oceanos a ser convertida em eletricidade. O percentual de 10% de aproveitamento do potencial energético total das ondas, considerado realístico para as próximas décadas, representaria acréscimo da ordem de 1000 GW na matriz energética mundial.

A primeira patente sobre energia das ondas que se tem notícia, foi concedida a um senhor parisiense chamado Girard, e seu filho, no ano de 1899. A energia produzida era empregada diretamente no acionamento de bombas, serras, moinhos e outros mecanismos pesados. Em todo o mundo, mais de 1500 (um mil e quinhentas) patentes já foram registradas sobre este tema, particularmente, nos Estados Unidos e Europa.

Na invenção nacional, as oscilações do mar movimentam bombas hidráulicas, impulsionando a água de um reservatório também para girar uma turbina. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) implantaram os primeiros módulos de uma usina desse tipo no Porto de Pecém, no Ceará, em 2012. "Nessa região, as ondas são mais regulares, facilitando a geração de energia", diz o engenheiro Eliab Ricarte, da UFRJ. O mar de nossa costa poderia gerar cerca de 30 gigawatts, 10% da demanda de energia do país.

Localizada no quebra-mar do Porto de Pecém, a 60km de Fortaleza, a usina de ondas do Pecém foi a primeira na América Latina responsável pela geração de energia elétrica por meio do movimento das ondas do mar. O projeto durou pouco: foi interrompido depois de um par de anos por falta de recursos. Com tecnologia 100% nacional, o projeto dos pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi financiado pela Tractebel Energia, dentro do programa de P&D da Aneel, e contou com apoio do Governo do Estado do Ceará. Segundo o Diário do Nordeste, em 30/09/2014, a usina estava abandonada já havia um ano, pelo fim do contrato com a Tractebel Energia, e falta de recursos. Foram investidos 15 milhões de reais.

Além de necessitar de alterações tecnológicas, obras e mudanças no Porto auxiliaram o abandono do projeto, que se for retomado ficará em outro local. O presidente da Tractebel Energia, Manoel Zaroni Torres, reafirmou o interesse em uma retomada: “Aproveitamos toda a estrutura criada para o desenvolvimento do petróleo e do pré-sal para criar esta tecnologia, mas temos consciência dos problemas, pois agora precisaremos de no mínimo R$ 280 milhões, para torná-la comercial.”

De acordo com Paulo Roberto da Costa, um dos pesquisadores do projeto, a grande vantagem da usina de ondas é a produção de energia renovável, sem danos ao meio ambiente. Além disso, o Brasil apresenta condições favoráveis para desenvolver tais tecnologias, como o fato de possuir uma costa extensa (cerca de 8,5 mil km) e grande parte de sua população morando em regiões litorâneas.

Funcionamento
Os custos de uma usina de ondas ainda são maiores que os das hidrelétricas, mas tendem a se reduzir com o desenvolvimento e aprimoramento progressivo da tecnologia.

Vantagens
É uma energia renovável;
Não produz qualquer tipo de poluição;
Estão menos dependentes das condições da costa.

Desvantagens
Instalações de potência reduzida;
Requer uma geometria da costa especial e com ondas de grande amplitude; Impossibilita a navegação (na maior parte dos casos); A deterioração dos materiais pela exposição à água salgada do mar


Referências
http://www.planeta.coppe.ufrj.br/artigo.php?artigo=833
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-gerar-energia-a-partir-das-ondas-do-mar
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/usina-de-ondas-do-pecem-esta-abandonada-1.1112312
http://www.crescernaengenharia.com/engenharia/geracao-de-energia-eletrica-pelas-ondas-do-mar/
http://www.fenatema.org.br/noticia/primeira-usina-de-ondas-da-america-latina-ja-gera-energia-no-ceara/5162
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/as+alternativas+da+energia/n1237597605585.html
http://milenar.org/category/1-parte-primeira/5-secao-quinta/3-energias-renovaveis/energia-das-mares/
http://oglobo.globo.com/economia/pais-corre-para-nao-perder-onda-da-energia-maritima-14070721
http://www.oceanica.ufrj.br/intranet/teses/2004_mestrado_paulo_roberto_da_costa.pdf

fechar