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21
junho
2016
Origem da Festa Junina
postado sob cultura, história
no nordeste do Brasil, as festas juninas são muito grandes.

No hemisfério norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 ou 22 de junho no hemisfério Norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas e os egípcios, aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas. "Na Europa, os cultos à fertilidade em junho foram reproduzidos até por volta do século 10. Como a igreja não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês", diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que, quando São João nascesse, acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida.

Ainda hoje a fogueira é o traço comum que une todas as festas juninas europeias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França) e as celebrações ainda são centradas no dia do solstício do verão astronômico. Alguns optam por realizar o rito em 21 de junho, mesmo quando este não é o dia mais longo do ano, e alguns comemoram em 24 de junho, o dia do solstício, no tempo dos romanos. Os antigos romanos também realizavam um festival em honra do deus Summanus, em 20 de junho. 

Essas festas foram convertidas em festividades cristãs, passaram a homenagear os três santos católicos - São João, São Pedro e Santo Antônio - e foram trazidas para o Brasil pelos portugueses, durante o período colonial.
As festas juninas brasileiras são, hoje em dia, multiculturais, apesar de sua origem cristã. A música e os instrumentos usados (cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco etc.) estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos ao Brasil pelos povoadores e imigrantes.

As roupas caipiras são uma clara referência à população rural que povoou principalmente o nordeste do Brasil e pode-se encontrar semelhanças no modo de vestir caipira no Brasil e em Portugal. As decorações que enfeitam os arraiais também se originam em Portugal, junto com as novidades trazidas da Ásia pelos portugueses na época dos descobrimentos, tais como enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora, provenientes da China. Embora os balões tenham sido proibidos no Brasil, para evitar perigosos incêndios todos os anos nesse período, ainda são usados em algumas localidades de Portugal. Acredita-se que da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas.  Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  
 
Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.  
 
Festas Juninas no Nordeste 
 
Comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer pelas chuvas, raras na região, que servem para manter a agricultura.
 
As festas representam também um importante momento econômico, quando muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos nessa época.
 
Comidas típicas 

Como o mês de junho é a época da colheita do milho no hemisfério Sul, grande parte dos doces, bolos e salgados relacionados às festas juninas são feitos de milho, como pamonha, curau de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho. 
 
Outras comidas típicas das festas juninas são o arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bom-bocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

Principais tradições 
 
Além das fogueiras, da dança de quadrilhas, enfeites e comidas típicas, no Nordeste ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros, que andam e cantam pelas ruas das cidades, passando pelas casas, em cujas janelas os moradores deixam comidas e bebidas para eles.
 
Na região Sudeste é comum a realização de quermesses - festas populares realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas, com barraquinhas de comidas típicas e jogos. 
 
Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são também comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta do alimento. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem também comer desse pão.

Referências:
http://www.suapesquisa.com/musicacultura/historia_festa_junina.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_junina
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surgiram-as-festas-juninas
 

14
junho
2016
Um instituto de línguas indígenas do Brasil

A língua é um fator importante para a cultura e a história de um povo, constituindo sua identidade  e sendo o meio básico de organização da experiência, do conhecimento e da preservação da memória desse povo. 
Reconhecendo-se essa importância e na intenção de preservar e divulgar línguas ameaçadas de desaparecer, em 7 de março de 2013, por iniciativa de professores da Universidade de Brasília (UnB), foi criado o primeiro instituto de línguas indígenas do Brasil, chamado de Aryon Dall’Igna Rodrigues, em homenagem ao linguista paranaense e professor da UnB, falecido em 2014. Na abertura do instituto, Mauro, da etnia guarani, apresentou sua tese de mestrado, um estudo da própria língua (veja vídeo).

Segundo a professora Dra. Rosângela Corrêa, da Faculdade de Educação da UnB, o censo do IBGE realizado em 2010, apontou que a população brasileira soma 190.755.799 milhões de pessoas, sendo que 817.963 mil são indígenas, de 305 diferentes etnias. Foram registradas no país, pelo mesmo censo, 274 línguas indígenas, sendo que estima-se que, na época do descobrimento do Brasil, havia 1.300 línguas indígenas diferentes. Portanto, cerca de mil delas se perderam por diversos motivos, entre os quais a morte de tribos inteiras, em decorrência de epidemias, extermínio, escravização, falta de condições para sobrevivência e aculturação forçada.

O número de línguas indígenas ainda faladas é um pouco menor do que o de etnias, porque mais de vinte desses povos agora falam só o português, alguns passaram a falar a língua de um povo indígena vizinho e dois, no Amapá, falam o crioulo francês da Guiana. A distribuição é desigual, algumas dessas línguas são faladas por cerca de 20 mil pessoas e outras o são por menos de 20.

O tupi foi a única língua estudada nos primeiros trezentos anos de colonização. O objetivo básico dos missionários era aprendê-la e estudá-la para se comunicar com os índios e promover a catequese religiosa. O Padre José de Anchieta publicou, em 1595, uma gramática tupi. Há também estudos sobre a língua elaborados por viajantes estrangeiros, destacando-se entre eles o francês Jean de Léry.

Assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias língüísticas, e estas por sua vez fazem parte de grupos ainda maiores, classificadas como troncos lingüísticos. Os troncos com maior número de línguas são o macro-tupi e o macro-jê.

Há, também, línguas que não puderam ser incluídas pelos linguistas em nenhuma das famílias conhecidas, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como as  faladas pelos índios tikúna, trumái e irântxe/munku, trumái, máku, aikaná, Arikapú, jabutí, kanoê e koaiá ou kwazá. 

Algumas línguas indígenas se subdividem em vários dialetos, como por exemplo, os falados pelos krikatí, ramkokamekrá, pükobyê, apaniekrá (Maranhão), apinayé, krahó e gavião (Pará), todos pertencentes à língua timbira.

Constituiu-se, ainda, em quase toda a Colônia, o Nheengatu (uma espécie de derivação do Tupi, também conhecida como Língua Geral ou Língua Geral do Sul), de uso massivo por indígenas e europeus ( em fins do século XVIII, seu uso foi proibido em todo o território, por ordem do primeiro-ministro português Marquês de Pombal. Obrigou-se aí ao uso exclusivo do Português).

Houve, a partir da década de 1980, um grande desenvolvimento no estudo da linguística indígena, com um maior engajamento de estudiosos do assunto, a formação de especialistas, esses últimos também envolvidos com programas para formar professores indígenas. 

A iniciativa de criação do instituto Aryon Dall’Igna Rodrigues representa uma etapa importante de afirmação de identidade para vários povos.

Referências
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/brasil-ja-teve-mais-mil-linguas-434589.shtml
https://educezimbra.wordpress.com/2016/04/09/unb-cria-o-primeiro-instituto-de-linguas-indigenas-do-brasil/
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=832:linguas-indigenas-no-brasil&catid=47:letra-l

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