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30
agosto
2016
AGROGLIFO????
Nos relatos do século 17, sobre desenhos nas plantações, esse fenômeno era atribuído a forças do mal.
desenhos de agroglifos (http://www.circlemakers.org)
divulgação lucypringle.com
divulgação lucypringle.com
Chilcomb Range, Hampshire, Inglaterra. 3 agosto 2016. Campo de trigo. cerca de33.5 m de diâmetro.

 

Agroglifo, como diz a palavra, é uma inscrição no campo (grego agrós, campo + grego glifo, signo gravado).
Chamam-se agroglifos as formações, geralmente muito grandes, criadas por meio do achatamento cuidadosamente projetado de uma cultura agrícola, como cereais, cana, ou capim.  
Todos os anos, centenas desses desenhos aparecem em diversos países do mundo, em mais de 30 países diferentes, sendo a maioria no sul da Inglaterra.

A maior parte tem forma circular e muitas se parecem com mandalas.  Ufólogos acreditam que são feitas por seres extraterrestres, enquanto que cientistas afirmam que são feitos pelo homem e que, em raras exceções, podem ter sido feitos por fenômenos naturais ou meteorológicos.

O que causou maior mistério é que os agroglifos geralmente apareceram de manhã cedo, ou seja, foram feitos durante a noite. O fenômeno começou a ser registrado na Inglaterra, onde existe a maior parte dos casos, e as formas aparecem perto das estradas, em áreas de fácil acesso,tornando mais provável que tenham sido feitos pelo homem.  Vestígios arqueológicos podem causar marcas em campos com formas de círculos e quadrados, mas eles não aparecem durante a noite e estão sempre nos mesmos lugares todos os anos, diferentemente desses agroglifos.

Há relatos muito antigos, já no século 17, sobre desenhos nas plantações, e atribuía-se esse fenômeno a forças do mal. Mas, a maioria dos relatos de círculos nas plantações apareceu e se popularizou mesmo a partir do final da década de 1970. 

Nessa época, dois artistas brincalhões, Doug Bower e Dave Chorley, disseram ter criado os “crop circules”, como eles chamaram essas inscrições nas plantações, inspirados em um caso australiano ocorrido em 1958, quando um círculo misterioso apareceu em um pântano. O motorista de um trator disse ter visto decolar um disco voador, que logo formou um redemoinho na grama. No dia seguinte, os jornais especularam que a marca tinha sido causada pela aterrissagem de uma nave extraterrestre.  "O que aconteceria aqui se nós fizéssemos um desses círculos?”, brincou Doug. "As pessoas pensariam que um disco voador pousou", Dave respondeu. Eles, então, usaram um cano de PVC para achatar as plantas, além de um par de escadas de alumínio e uma tábua, que usaram como ponte temporária, para que pudessem andar pelo campo cultivado sem deixar rastros das pegadas. 

Muito depois, em 1991, após a declaração de Bower e Chorley de que eram responsáveis por muitos dos desenhos, os círculos começaram a aparecer em todo o mundo. Estima-se que cerca de 10 mil círculos em plantações têm sido relatados em vários países, como em regiões da antiga União Soviética, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Canadá. Os céticos observam uma correlação entre os círculos nas plantações, a intensa cobertura da mídia e a ausência de cercas e/ou legislação anti-invasões.

Em 1992, os húngaros Gábor Takács e Róbert Dallos, de 17 anos, alunos de uma escola secundária na Hungria especializada em agricultura, criaram um agrolifo de 36 metros de diâmetro em um campo de trigo perto de Székesfehérvár. Em 3 de setembro, a dupla apareceu na TV húngara e expôs que o círculo era uma brincadeira, mostrando fotos do campo antes e depois de a formação ter sido feita. A dona da propriedade, então, processou os jovens por danos. 

A partir dos anos 2000, o número e a complexidade das formações em plantações aumentaram, alguns com até duas mil diferentes formas e que incorporam algumas características matemáticas e científicas complexas.

O grupo Circlemakers, nascido em 1995, formado por John Lundberg, Geoff Gilberto e Rod Dickinson, começou a espalhar círculos em plantações pelo mundo como forma de expressão artística e como prova de que os “crop circules”, ou agroglifos, são sim uma obra humana.  Esse coletivo ainda está em atividade e, além da militância artística e ambiental, produz obras de agroglifos sob encomenda para empresas.  Seu site é bem interessante e vale uma visita.

No Brasil, há relatos de agroglifos em plantações de trigo do Sul do país desde 2008, especialmente no interior de Santa Catarina, no município de Ipuaçu e, apesar das evidências históricas em relação à construção humana dessas formações, ainda assim são alvo de explicações místicas.


Referências:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI345188-18580,00-AGROGLIFOS+DE+SANTA+CATARINA+CIRCULOS+EM+PLANTACOES+AINDA+NAO+SAO+ASSUNTO+S.html
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/voce-sabe-o-que-sao-agroglifos/n1237640585135.html
http://www.circlemakers.org
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADrculos_nas_plantações
http://pt.slideshare.net/LCDias/agroglifos-6493959
http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/2215/doug-dave-fabricantes-de-crculos
http://shop.lucypringle.co.uk​

 

22
agosto
2016
Livros Yanomami sobre costumes e alimentação

Ana Amopö: Cogumelos Yanomami, é o primeiro livro sobre cogumelos comestíveis a ser publicado no Brasil”, conta Moreno Saraiva Martins, antropólogo do ISA (Instituro Sócio-ambiental), que desde 2010 assessora os índios Yanomami, uma das maiores tribos relativamente isoladas na América do Sul. Eles vivem nas florestas e montanhas do norte do Brasil e sul da Venezuela.

Os cogumelos descritos no livro são encontrados, geralmente, em áreas de manejo agrícola e a publicação é uma contribuição do modo de vida indígena para a preservação da floresta e da biodiversidade. “As diferentes espécies de cogumelos [são cerca de dez] nascem nas árvores que apodrecem no chão, nas roças”, explica Marinaldo Sanuma, um dos pesquisadores autores do livro. 

A pesquisa contou com a participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Instituto de Micologia de Tottori do Japão, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), do Instituto de Botânica e do Instituto ATÁ, fundado pelo chef de cozinha Alex Atala. Os pesquisadores não indígenas Noemia Kazue Ishikawa e Keisuke Tokimoto foram fundamentais para fazer a ponte entre o conhecimento científico sobre cogumelos comestíveis e os conhecimentos que os Sanöma, grupo de Yanomamis que habitam no território de Roraima, detêm.

Salaka Pö – peixes, crustáceos e moluscos, são registros e análises dos conhecimentos dos Yanomami (Sanöma) sobre temas do cotidiano das comunidades da região de Auaris, no extremo oeste de Roraima, na Terra Indígena Yanomami, como as pescarias, as caçadas, as roças, os rituais funerários. São explicados quais os peixes, crustáceos e moluscos que utilizam, quais os tabus relacionados a cada espécie, as técnicas de pesca, de captura e as técnicas culinárias.

Ambos os livros são escritos em sanöma e traduzidos para o português, de modo que publicações ajudam a manter viva essa língua Yanomami e promovem um diálogo entre os conhecimentos dos indígenas sobre alimentos e os conhecimentos científicos.


Os livros são o resultado do trabalho de pesquisadores Yanomami da região do Auaris, em parceria com assessores do ISA e foram produzidos durante a formação dos pesquisadores promovida pela Hutukara Associação Yanomami (HAY), com o ISA e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quem quiser experimentar os cogumelos poderá encontrá-los à venda, secos, no Mercado de Pinheiros, no box Amazônia/Mata Atlântica. Os ganhos revertem integralmente às comunidades Yanomami produtoras. 

Para saber mais sobre os Cogumelos Yanomami acesse http://cogumeloyanomami.org.br/).


Referências e mais informações:
http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami
http://www.institutoata.org.br
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/yanomami-lancam-primeiro-livro-de-cogumelos-comestiveis-do-brasil
http://amazonia.org.br/2016/08/yanomami-lancam-primeiro-livro-de-cogumelos-comestiveis-do-brasil/
http://cogumeloyanomami.org.br
http://portal.inpa.gov.br

14
agosto
2016
As mulheres nas Olimpíadas
postado sob cultura, esporte, história
foto: divulgação
Rafaela Silva vence a final e leva a medalha de ouro no Judô, na Olimpíada Rio 2016

 

Se hoje, na Olimpíada Rio 2016, estão tendo bastante destaque e representam aproximadamente 45% dos atletas, as mulheres lutaram muito para chegar  a essa posição, enfrentando dificuldades - até hoje, inclusive - no mercado de trabalho convencional: a inclusão das mulheres nos Jogos Olímpicos foi uma conquista gradual, resultado de seu novo posicionamento na nova sociedade industrializada da segunda metade do século 19 e do decorrer do século 20. 

Os Jogos Olímpicos da Antiguidade 

Na Grécia Antiga, em Atenas, as mulheres tinham que andar cobertas dos pés à cabeça para não serem vistas, e não podiam participar de competições esportivas para não exporem seu corpo que, acreditava-se, devia ser reservado para a maternidade. Porém, na mesma época, os Jogos da Deusa Hera, cujos primeiros registros datam de 200 a.C. incluíam  atletas jovens e solteiras em competições a cada quatro anos, mas não conferiam a elas o status de heroínas, porque essas competições eram mais simples, não exigindo o mesmo preparo físico que os atletas masculinos, portanto elas não preencheriam os requisitos dos heróis olímpicos pelo tamanho corporal, força física, habilidades e técnicas.

O primeiro registro dos Jogos Olímpicos da Antiguidade – que eram em honra a Zeus - data de 776 a.C. Somente homens podiam competir, e as mulheres casadas eram terminantemente proibidas até mesmo de assistir, já algumas solteiras, em busca de marido, podiam ser espectadoras. 
Por outro lado, existe a hipótese de que a proibição da presença passivo-ativa feminina nas chamadas Panaceias (primeiros eventos esportivos do planeta, eram organizados a cada quatro anos para que os competidores se reunissem e celebrassem os Deuses) tivesse perfil político: para os gregos, apenas os cidadãos tinham direito à vida pública - como participar de eventos esportivos ou assistir a eles - e, para ser um cidadão grego era necessário, entre outros quesitos, guerrear; como as mulheres não desempenhavam essa função, sua participação aos jogos era vetada, restando-lhes naquela sociedade o direito de serem mães.


Já em Esparta, a vida era diferente da vida de Atenas: homens e mulheres recebiam a mesma educação. E esse modelo conferiu às espartanas características distintas: eram audazes, realizadoras, mais autoritárias e independentes, ou seja, qualidades necessárias para mulheres que permaneciam longos períodos sem a presença do marido, que precisava se dedicar ao exército.É interessante observar que as primeiras mulheres atletas vieram de Esparta, particularmente porque os espartanos acreditavam que as mulheres que eram saudáveis tinham condicionamento físico e se exercitavam regularmente teriam filhos saudáveis.


Participação das mulheres nos Jogos Olímpicos e Jogos Heranos
A primeira mulher que triunfou nos Jogos Olímpicos antigos foi a princesa espartana Kyniska. Ela não competiu, mas era a criadora dos cavalos de raça que foram vencedores nos Jogos de 396 a.C. e de 392 a.C.


Os Jogos Olímpicos da Antiguidade duraram 12 séculos, até serem abolidos, em 393, pelo imperador romano cristão Teodósio II, devido ao mau relacionamento entre gregos e romanos, à brutalidade e corrupção que reinava durante os Jogos, mas também porque ele acreditava que tais festivais eram pagãos. Alguns anos mais tarde, o estádio de Olímpia, onde aconteciam as competições, foi arrasado e os campos olímpicos destruídos. 

O Renascimento dos Jogos: tradição mantida 

Durante a Idade Média, os eventos públicos ainda eram apenas para os homens, porém as mulheres participavam de jogos com bolas. A partir do século XII, época do Feudalismo marcada pelas Cruzadas promovidas pela Igreja Católica, a mulher nobre desenvolveu várias habilidades como ler, escrever, caçar com falcões, jogar xadrez, contar estórias, responder questões com sagacidade, cantar, tocar instrumentos e dançar, apesar de ainda subjugada pelo marido ou, quando solteira, pelo parente homem próximo. Todas elas, nobres ou não, eram excluídas das atividades de lazer e esportivas.

No final do século XVIII e início do XIX, os cavalheiros ingleses levavam suas esposas para assistirem a torneios de boxe e corridas de cavalos, entre outros eventos. As mulheres praticavam boliche, cricket, bilhar, arco e flecha, jogos rudimentares de futebol e atividades na neve

As Olimpíadas ficaram desaparecidas por quase mil anos, até que alguns aficionados pelos Jogos Olímpicos da Antiguidade resolveramreavivá-las, nos séculos 18 e 19, em vários países europeus. Alguns desses empreendimentos foram bem sucedidos, outros não. 

Os Jogos Olímpicos da Modernidade

Em 1881, Ernst Curtius, um arqueólogo alemão que dirigia um grupo de pesquisa, descobriu as ruínas do estádio de Olímpia. Essa descoberta foi um dos fatores que evocaram no barão Pierre de Coubertin um interesse especial nos Festivais Olímpicos do passado, a ponto de, em 1892, ele propor um festival esportivo internacional que foi inicialmente mal recebido. 

Depois de anos defendendo essa ideia, em 1894, falando na Sorbonne, em Paris, num encontro com representantes de nove países, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, ele argumentou e propôs o renascimento dos Jogos Olímpicos numa escala internacional. Com a aprovação dos ouvintes, ele fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI) para organizar os Jogos Olímpicos e elaborar as regras para os eventos . 

A primeira Olimpíada moderna ocorre em Atenas, em 1896, por decisão de Coubertin, e vetou-se a participação feminina. Mas a grega Stamata Revithi desrespeitou a decisão e decidiu correr o percurso de 42 km da maratona, um dia depois da prova oficial masculina. Terminou quatro horas e meia depois da largada e este ato provocou o início da inserção feminina nos Jogos Olímpicos. 

Como consequência, as mulheres começaram a marcar presença olímpica oficialmente em Paris-1900, mesmo contra a vontade do Barão de Coubertin e ainda com pouca expressão numérica: Eram 22 mulheres e 997 homens, competindo em cinco esportes - tênis, vela, críquete, hipismo e golfe. A tenista britânica Charlotte Cooper deixou a sua marca, ao ganhar, nesta edição, o primeiro ouro olímpico feminino da história.
Elas usavam vestido com anáguas, meias com cinta-liga e chapéus, para competir no tênis, no golfe e no críquete, esportes liberados por serem mais bonitos e não exigirem contato físico.

Na edição seguinte, 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos, o número de mulheres diminuiria bastante: apenas 6 para 645 homens. Nos anos seguintes, 1908 e 1912, a média de mulheres aumentaria novamente: pouco mais de 30, 40 participantes para uma média de 2 mil homens. 

Os Jogos Olímpicos ficaram suspensos por oito anos devido à I Guerra Mundial. Em 1920, as Olimpíadas de Antuérpia, na Bélgica, marcaram o retorno dos Jogos e também a estreia do Brasil, mas ainda sem representantes femininas brasileiras. 
Nosso país teve sua primeira participação em 1920, mas apenas em 1932 uma mulher, a nadadora Maria Lenk, comporia sua delegação. Ela representou não apenas a primeira mulher brasileira, mas a primeira mulher sul-americana a participar de uma Olimpíada. Maria Lenk não conseguiu medalhas, mas sua participação em várias edições do evento foi memorável, e nas preparações para as Olimpíadas de 1940 quebraria recordes mundiais. Infelizmente, em razão da II Guerra Mundial, as Olimpíadas de 1940 foram canceladas.  

O patrocínio sempre foi um fator decisivo para a participação da mulher atleta nos Jogos Olímpicos e as mulheres tiveram dificuldades até ganhar credibilidade e romper a barreira machista dos comitês locais e de patrocinadores. As viagens eram proibitivas para as mulheres antes de conquistar patrocinadores, uma vez que, mesmo quando tinham um trabalho fora de casa, ganhavam menos do que os homens, não podendo arcar com as viagens.  A expressividade de sua participação ocorreu, enfim, apenas a partir da década de 80. 
A primeira medalha feminina só veio para o Brasil em Atlanta -1996, quando foi introduzido a categoria vôlei de praia. Jaqueline Silva e Sandra Pires ganharam a medalha de ouro, numa final inédita entre duplas brasileiras. E foi apenas em 2008 que veio a primeira medalha de ouro feminina em prova individual, conquistada por Maureen Maggi, no salto em distância. 

No século XXI, nota-se que as mulheres têm participação muito próxima da masculina nos Jogos Olímpicos, rompendo longo processo de discriminação pelos homens. A grande diferença porcentual entre atletas masculinos e femininos foi reduzida neste século, como resultado da evolução social, e hoje elas representam quase a metade do número total de atletas nas competições, obtendo resultados importantíssimos e ganhando respeitabilidade.


Veja os dez momentos inesquecíveis protagonizados pelas mulheres nos Jogos Olímpicos  (por rio2016.com)

1.  As mulheres participaram pela primeira vez dos Jogos em Paris - 1900, quatro anos depois dos homens, com 22 atletas competindo em cinco esportes: tênis, vela, críquete, hipismo e golfe. A tenista britânica Charlotte Cooper deixou a sua marca ao ganhar, nesta edição, o primeiro ouro olímpico feminino da História

Charlotte Cooper (Foto: COI)

 

2.  Em Tóquio -1964, a ginasta ucraniana Larisa Latynina subiu pela 18ª vez ao pódio - marca que lhe rende, até hoje, o título de maior medalhista olímpica entre as mulheres. Foram nove ouros no total.

Larisa Latynina, ao centro (Foto: COI)

 

3.  Nos Jogos Cidade do México - 1968, foi a vez de a velocista mexicana Enriqueta Basilio fazer história como a primeira mulher a acender a pira olímpica, na cerimônia de abertura dos Jogos.

Enriqueta Basilio (Foto: COI)

 

4. O hipismo é o único esporte olímpico em que as mulheres competem diretamente com os homens por medalhas. Em Munique - 1972, a alemã Liselott Linsenhoff tornou-se a primeira mulher a vencer uma prova contra os homens, na competição de adestramento.

Liselott Linsenhoff , à direita (Foto: COI)

 

5. Aos 14 anos, a romena Nadia Comaneci alcançou uma conquista inédita nos Jogos Montreal – 1976: a primeira apresentação perfeita de ginástica artística, recebendo nota 10 de todos os jurados nas barras assimétricas. O feito foi tão surpreendente, que o placar não estava preparado para exibir todos os dígitos da nota - no lugar de 10,00, apareceu 1,00.

Nadia Comaneci (Foto: Getty Images)

 

6.  Em Los Angeles - 1984, a marroquina Nawal El Moutawakel tornou-se a primeira mulher africana e muçulmana campeã olímpica da História, após vencer a prova dos 400m com barreiras. Para homenageá-la, o rei do Marrocos decretou que todas as meninas nascidas naquela data seriam batizadas com seu nome. Atualmente, Nawal é presidente da Comissão de Coordenação do COI para os Jogos Rio - 2016.

Nawal El Moutawakel (Foto: Getty Images/ Tony Duffy)

 

7.  No mesmo ano, a arqueira neozelandesa Neroli Fairhall ficou mundialmente conhecida como a primeira atleta paraplégica a participar dos Jogos Olímpicos.

Neroli Fairhall (Foto: COI)

 

8. Já para o Brasil, a primeira medalha olímpica feminina veio em forma de dobradinha nos Jogos Atlanta – 1996: Sandra Pires e Jacqueline Silva subiram ao topo do pódio após vencer a final contra outra dupla brasileira - Mônica Rodrigues e Adriana Samuel - no vôlei de praia, garantindo-se, assim, ouro e prata para o país. 

Sandra Pires e Jaqueline Silva (Foto: Getty Images/Doug Pensinger)

 

9. As mulheres estrearam nos ringues de boxe, em Londres - 2012, quando a britânica Nicola Adams tornou-se a primeira campeã olímpica do esporte, ao vencer a chinesa Ren Cancan na final da categoria até 51 kg. Ganhou status de heroína nacional.

Nicola Adams, à esquerda (Foto: Getty Images / Scott Heavey)

 

10. Também em Londres - 2012, uma chinesa de 16 anos roubou a cena na natação. Além de quebrar o recorde mundial nos 400m medley feminino, Ye Shiwen surpreendeu o mundo ao nadar os 50 metros finais mais rápido que o astro norte-americano Ryan Lochte, campeão na mesma prova. Foram 17 centésimos de diferença.

Ye Shiwen, à direita (Foto: Getty Images/Clive Rose)
2
agosto
2016
Uma obra de design: a tocha olímpica
postado sob cultura, design, esporte
foto divulgação
foto divulgação

 

A chama olímpica é um importante símbolo dos Jogos. Representa a paz, a união e a amizade. A tocha é usada para passar a chama de um condutor para o outro, durante um contínuo revezamento, até o acendimento da pira na cerimônia de abertura do evento.

Como é tradição, a tocha olímpica foi acesa na cidade de Olímpia, na Grécia, e trazida ao Brasil de avião, passando de tocha em tocha até ser utilizada para acender a pira olímpica na abertura dos jogos, seguindo-se um rígido protocolo. De Olímpia ao Maracanã, a chama passará por cerca de 12 mil tochas durante o revezamento, percorrendo aproximadamente 500 municípios.

O design da tocha para os Jogos Olímpicos Rio de Janeiro 2016 é muito sofisticado e complexo e foi concebido em apenas dois meses. A equipe dos designers Gustavo Chelles e Romy Hayashi, que foi responsável pelo projeto, imergiu na história olímpica e brasileira e desenvolveu 200 conceitos diferentes até chegar ao modelo apresentado, que venceu um concurso.

“Esse prazo era relativamente curto. O modelo da tocha tem de ser bem aceito por culturas diferentes”, comentou Chelles. “A tocha tem de representar muito bem os valores olímpicos, mas também ter a cara do Rio e do Brasil”, afirma Beth Lula, diretora de Marcas do Comitê Rio-2016.

 

O grande diferencial desse design de tocha está no momento do “beijo” – quando uma tocha encosta na outra para transmitir a chama olímpica durante o revezamento. Nesse instante, ela ganha cores e movimento.

“Quando acionamos o gás, ela se abre e revela cores que remetem ao País”, destaca Gustavo. “Começa com uma cor que remete ao solo do Brasil e ao calçadão de Copacabana, passa pelas ondas do mar do nosso litoral com o azul, vai se esverdeando como nossas matas, e termina com um amarelo que representa tanto o sol quanto o ouro olímpico.”

foto divulgação

Ela também é ecologicamente correta, feita com uma estrutura de alumínio reciclado. 

Algumas curiosidades
– A tocha pesa cerca de 1,5kg e tem 69cm.
– Ela será conduzida no total por 12 mil pessoas.
– Percorrerá 36 mil km (20 mil por terra e 16 mil de avião).
– A tocha é como um isqueiro gigante: tem um combustível líquido e um sistema que o transforma em gás para a queima.
 – O revezamento da tocha, com a participação de diversas pessoas, surgiu em Berlim, em 1936.
– A tocha navegou no espaço e passou debaixo d’água, em 2000. Nesse ano, os jogos foram disputados em Sydney (Austrália).
– A chama apaga sim. Ela pode apagar e isso acontece diversas vezes, mesmo sendo projetada para que não aconteça.
– Uma série de lanternas muito parecida com lampiões também são acesas com o mesmo fogo sagrado, numa espécie de backup do fogo original. Assim no caso de apagar, pode ser acesa com o mesmo fogo do ritual da Grécia.
– Ela é vigiada 24h por dia, inclusive enquanto ‘dorme’ em hotéis
– A primeira vez que um brasileiro carregou a tocha foi em 1992. Lara de Castro, uma estudante de educação física, então com 19 anos, venceu um concurso e teve a felicidade de levá-la.
– A última pessoa que leva a tocha e que consequentemente acende a pira é mantida em segredo e revelada apenas instantes antes, na abertura da Olimpíada.
– As pessoas que carregam as tochas podem comprá-las. Apenas os condutores tiveram a oportunidade de comprar a tocha olímpica dos Jogos do Rio de Janeiro 2016. Quem optou por adquiri-la, teve que desembolsar R$1.985,90. Quem foi convidado pelos patrocinadores ganhou o objeto, já que as empresas fizeram o pagamento antecipado da tocha.

Representações na tocha Rio 2016:
– O Céu - O ponto mais alto da Tocha Olímpica é representado pelo Sol, que, assim como o brasileiro, brilha e ilumina por onde passa. Sua cor remete ao ouro, símbolo da conquista máxima dos Jogos.
– As Montanhas - A beleza natural do Rio, expressa nas curvas verdes de seus morros e vales.
– O Mar - Ondulações azuis, orgânicas e fluidas representam o mar, tão presente nas paisagens do Brasil e do Rio.
– O Chão - Nossa terra, que faz parte da nossa história. Representada pelo calçadão de Copacabana, o pedacinho de chão mais famoso do Brasil.

 PILARES
– Espírito Olímpico - Presente na textura triangular que remete aos 3 valores Olímpicos (excelência, amizade e respeito) e no efeito de flutuação dos segmentos, inspirado nos corpos dos atletas voando no ar.
– Diversidade Harmônica - Um eixo multicomposto expressa união e diversidade, com partes individuais que formam um conjunto. Energia Contagiante - Os segmentos se abrem e liberam energia para o momento do beijo (quando a chama passa de uma tocha para outra).
– Natureza Exuberante - Recortes revelam as formas orgânicas da natureza do Rio e as cores do Brasil.

 referências
https://www.rio2016.com/tocha-sobre
http://design.ind.br/sn/
http://www.designbrasil.org.br/design-em-pauta/tocha-olimpica-de-2016-inova-ao-ganhar-cores-e-movimento/ http://www.designergh.com.br/2015/07/o-design-da-tocha-dos-jogos-olimpicos.html http://thehypebr.com/2015/07/08/projeto-da-tocha-olimpica-do-rio-de-janeiro-2016/ http://torrestem.com.br/especial-tocha-olimpica-4/

 

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