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29
setembro
2016
O SISTEMA BRAILE E SUA HISTÓRIA
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processo de escrita manual em braile
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máquina de escrever em braile
alfabeto em braile
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leitura em braile

 

Braile é um processo de escrita utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. O sistema é baseado em 64 símbolos em relevo, resultantes da combinação de até seis pontos dispostos em duas colunas de três pontos cada. Os símbolos podem representar tanto letras, como algarismos e sinais de pontuação, e a leitura é feita da esquerda para a direita, com uma ou duas mãos ao mesmo tempo.

O nome braile deve-se ao autor do sistema, o francês Louis Braille (1809 - 1852), que perdeu a visão aos 3 anos, ao ter o olho perfurado por uma ferramenta na oficina do pai. 
Ainda jovem estudante, ele conheceu a Sonografia, um código militar desenvolvido por Charles Barbier, oficial do exército francês, que consistia em um sistema de comunicação noturna entre oficiais nas campanhas de guerra.  O invento não surtiu efeito para o que se propunha, de modo que Barbier tentou implementá-lo para as pessoas cegas do Instituto Real dos Jovens Cegos.

A partir da invenção do sistema, em 1825, Braille desenvolveu estudos que resultaram, em 1837, na proposta da estrutura básica do sistema, ainda hoje utilizada mundialmente. Houve algumas resistências, sugestões de aperfeiçoamento ou desenvolvimento de outros sistemas de leitura e escrita pra cegos, mas seu sistema, pela eficiência e vasta aplicabilidade, impôs-se definitivamente como meio de leitura e de escrita.

Em 1878, um congresso internacional realizado em Paris, com a participação de onze países europeus e dos Estados Unidos, estabeleceu que o sistema braile deveria ser adotado de forma padronizada, para uso na literatura, exatamente de acordo com a estrutura apresentada por Louis Braille, em 1837, bem como com os símbolos fundamentais para as notações musicais e matemáticas (símbolos fundamentais para os algarismos, bem como as convenções para a Aritmética e Geometria).

DIVERGÊNCIAS

Nem sempre, porém, essa simbologia fundamental foi adotada nos países que vieram a utilizá-lo. Há diferenças regionais e locais, de modo que ainda hoje prevalecem diversos códigos para a Matemática e as Ciências, em todo o mundo. Com apoio da UNESCO, o Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos, criado em 1952 (hoje União Mundial dos Cegos), passou a tratar dessa divergência até que, na década de 1970, a Organização Nacional de Cegos da Espanha (ONCE) desenvolveu estudos para propor um código unificado, que denominou "Notación Universal".

Em termos mundiais, a unificação dos códigos matemáticos e científicos ainda não alcançou êxito mas a unificação da simbologia matemática para os países de língua castelhana foi acordada em 1987, na cidade de Montevidéu, durante uma reunião de representantes de imprensas braile desses países.

O BRAILE NO BRASIL

O Brasil conhece o sistema desde 1854, data da inauguração do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, chamado, à época, Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Fundado por D. Pedro II, o Instituto já tinha como missão a educação e profissionalização de pessoas com deficiência visual. "O Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar o sistema, trazido por José Álvares de Azevedo, jovem cego que teve contato com o braile em Paris", conta a pedagoga Maria Cristina Nassif, especialista no ensino para deficiente visual da Fundação Dorina Nowill.

Diferentemente de alguns países, o sistema braile teve plena aceitação no Brasil, utilizando-se praticamente toda a simbologia usada na França (com algumas poucas adaptações, para atender a reformas ortográficas e também com a adoção da tabela Taylor de sinais matemáticos). O Brasil também passou a adotar, na íntegra, o código internacional de musicografia braile de 1929, e o Código Matemático Unificado para a Língua Castelhana, com as necessárias adaptações à realidade brasileira, em 1994.

A atuação profissional de pessoas cegas no campo da Informática, a partir da década de 70, fez com que surgissem outras formas de representação em braile até que, em 1994, foi adotada uma tabela unificada para a Informática.

O braile hoje já está difundido pelo mundo todo e, segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil"  (2008, Instituto Pró-Livro), 400 mil pessoas leem braile no Brasil. Não é possível, segundo o Instituto Dorina Nowill, calcular em porcentagem o que esses leitores representam em relação à quantidade total de deficientes visuais no país. Isso porque o censo do ano 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que há aqui 169 mil pessoas cegas e 2,5 milhões de pessoas com baixa visão. No entanto, este último grupo é muito heterogêneo - há aqueles que enxergam apenas 1% e, portanto, poderiam ler apenas em braille, e também pessoas que enxergam 30% e podem também utilizar livros com letras maiores.

A falta de informação é ainda o principal problema que se percebe em relação ao braile. "Muitos professores acham que é simples ensinar a linguagem a um aluno cego, no entanto a alfabetização com esse sistema tem suas especificidades, e o professor, para realizar tal tarefa com êxito, tem de buscar ajuda", explica a especialista Maria Cristina.
Hoje institutos como o Benjamin Constant, o Dorina Nowill, Lara Mara e muitos outros pelo país oferecem programas de capacitação em braile e dispõem de vasto material sobre o assunto.

Como ação afirmativa para a inclusão dos deficientes visuais na sociedade, a Universidade de São Paulo desenvolveu o Braille Virtual, com o qual pessoas que veem poderão rapidamente aprender o sistema e estabelecer uma comunicação completa com os deficientes visuais. Veja o método
http://www.braillevirtual.fe.usp.br/pt/


Referências
http://www.afb.org/info/living-with-vision-loss/braille/what-is-braille/123
http://laramara.org.br
http://www.fundacaodorina.org.br/deficiencia-visual/
http://novaescola.org.br/conteudo/270/deficiencia-visual-inclusao
http://novaescola.org.br/conteudo/397/como-funciona-sistema-braille
http://www.ibc.gov.br/?itemid=10235

12
setembro
2016
CONSUMO ALTERNATIVO
Mundaréu, a primeira loja de comercio justo de São Paulo, que funcionou na Vila Madalena - http://bit.ly/2czJu9l
ponto de Economia Solidária e Cultura, no Butantã, a ser apresentado no dia 17 de setembro

As últimas décadas estão marcadas por um aumento do consumo de bens e de gasto energético pelas populações mais abastadas, gerando um grande volume de descarte e importante impacto ambiental.  

Como reação a essa situação, surgem propostas de comportamento social inovadoras no que tange ao relacionamento social e ao consumo.
Nesse contexto, além dos movimentos de Comércio Justo (quando o produto consumido vem com certificação de que não provém de exploração dos produtores), do compartilhamento de espaços de trabalho (co-working) e do crescente consumo de objetos de segunda mão, novas maneiras de pensar o consumo têm sido apresentadas. 

As desigualdades sociais sempre tão patentes, escancarando a falta de oportunidade para quem não tem dinheiro, também acabam por motivar novas formas de pensar e interagir: um “banco de tempo”, por exemplo, em que cada um oferece seu tempo, especificando sua especialidade profissional e podendo por sua vez dispor do tempo dos outros, estabelece uma relação de troca, na qual o tempo é a moeda de câmbio, acessível a todos, sejam engenheiros, designers, dentistas, ou cozinheiros, pedreiros, donas de casa que fazem tricô. E esta é apenas uma das novas ideias e iniciativas.

Há também locais de troca, ou seja, lojas sem dinheiro, onde as coisas são doadas; entre outras ações de inovação social.

Veja o vídeo abaixo e leia a matéria

Share, a biblioteca de coisas
Uma nova experiência, muito interessante, é a Share (que significa “compartilhar”), a biblioteca de coisas. Criada por um grupo de jovens ingleses, da cidade de Frome, é uma loja diferente, que funciona como uma biblioteca, sem ser composta de livros.  São em torno de 600 itens como ferramentas, churrasqueira, vasilhas, etc... que podem ser emprestados.
Para fazer parte desse grupo e começar a usufruir desses empréstimos, a pessoa tem que se tornar um membro e pagar uma contribuição, uma vez que há custos de manutenção do local, aluguel, pessoal, etc.
O período de empréstimo é de uma semana e pede-se uma doação, entre, £1 (aproximadamente R$ 4,30) e £5 por empréstimo, para que o empreendimento possa continuar.
Assim que acabarem de utilizar o item emprestado, mesmo ainda estando dentro do prazo de uma semana, os membros devem devolver o item, para que ele não fique ocioso e esteja à disposição de outros interessados
Para se tornar um membro, é necessário apenas preencher um formulário e fornecer 2 cópias de algum documento, que contenha nome e endereço. Não existem taxas fixas de admissão e empréstimo, mas pedem-se doações mensais ou anuais, sugerindo valores.  As doações são cruciais para manter o projeto vivo.  Essa comunidade acredita na generosidade dos usuários.
Para doar um item à Share a comunidade agradece doações de itens úteis e em boas condições, funcionando.  Além disso, não se aceitam máquinas que dependam de consumo de gasolina.
Para doar tempo à Share: além de estimular as doações de itens, os membros da Share encorajam as pessoas a trabalharem como voluntários na loja, como forma de garantir a longevidade do projeto..
Produtos encontrados na Share: há vários produtos para empréstimo, como instrumentos musicais, pés de pato, brinquedos, caixas de som, videogames, patins, barracas para acampamento, mesa de massagem, colchões para ioga e ginástica, carrinhos de bebê e, principalmente, muitas ferramentas como serras, furadeiras, lixadeiras, etc.(Veja lista aqui)
Compartilhando consertos: todos os sábados, das 10h30 às 12h30, dois especialistas ficam à disposição na Share, para consertos variados.  Quem quiser ter seu objeto reparado deve se informar da data em que o especialista correspondente (eletricista, marceneiro, etc) estará de plantão.

Além dessa iniciativa, outras experiências de consumo alternativo (ou consumo responsável ou solidário) estão surgindo há algum tempo, principalmente na Europa.  

 

Consumo alternativo no Brasil
No Brasil, o Comércio Justo ainda não é muito difundido, mas tem alguma expressão, inclusive na venda de alimentos orgânicos. É o caso do Instituto Chão, na Vila Madalena, São Paulo.

A Economia Solidária (sistema de autogestão onde todos os que trabalham são donos do empreendimento e todos os que são donos trabalham no empreendimento) é contemplada pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), em consonância com o Plano Nacional de Economia Solidária (vinculado ao Ministério do Trabalho). 
O Plano visa apoiar e fortalecer 20 mil empreendimentos econômicos, oferecendo condições de produção, comercialização e consumo, que respeitem parâmetros sustentáveis e solidários e promover a formação de 200 mil pessoas nos próximos cinco anos. 

Estes assuntos serão objeto de outros posts, aqui no site do Ítaca.
Acompanhe!

Referências:
http://muhimu.es/inspiracional/las-tiendas-sin-dinero/#
https://sharefrome.org
http://www.acteursduparisdurable.fr
http://laboutiquesansargent.org
http://facesdobrasil.org.br/comercio-justo-no-brasil/acesso-a-mercado
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/06/lancado-1-plano-nacional-de-economia-solidaria
http://www.economiaviva.com.br/?q=node/163
https://catracalivre.com.br/geral/empreendedorismo/indicacao/comercio-honesto-vende-produtos-organicos-pelo-preco-do-produtor/

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