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31
janeiro
2017
Cores do sagrado, em São Paulo
postado sob arte, cultura
imagem: reprodução
Mãe senhora e Carybé
imagem: reprodução
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A exposição As Cores do Sagrado, em cartaz na Caixa Cultural, Praça da Sé, é um rico apanhado da obra do pintor Carybé, abordando as tradições e os ritos do candomblé, religião de origem africana. A mostra apresenta aquarelas do artista e tem curadoria de sua filha Solange Bernabó, secretária do Instituto Carybé e membro do Conselho Curador da Fundação Casa de Jorge Amado. As imagens da exposição foram produzidas ao longo de três décadas (1950 a 1980) e registram as vivências do artista em terreiros de candomblé. Carybé retratou as cerimônias (ritos de iniciação, festas, incorporação dos orixás e rituais fúnebres) com precisão e detalhes. Uma de suas principais obras, que faz parte da mostra em São Paulo, é Mãe Senhora, sobre a famosa mãe de santo baiana, de quem Carybé foi amigo. 

Quem foi Carybé?
Definido como “argentino no nascimento, carioca por criação e baiano por opção”, o artista Carybé, cujo nome de batismo era Hector Julio Páride Bernabó, nasceu em 1911, na Argentina, viveu no Rio de Janeiro e depois em Salvador, lugar que considerava especial. Foi um dos mais produtivos e inquietos artistas que viveram no Brasil. Além de pintor, foi gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador, muralista. Frequentou o ateliê de cerâmica de seu irmão mais velho, Arnaldo Bernabó, no Rio de Janeiro, por volta de 1925. Entre 1941 e 1942, viajou por países da América do Sul. De volta à Argentina, traduziu com Raul Brié, para o espanhol, o livro Macunaíma, de Mário de Andrade (1893 - 1945), em 1943. Nesse mesmo ano, realizou sua primeira individual na Galeria Nordiska Kompainiet, em Buenos Aires. 

Em 1944, viajou para a Bahia e se encantou pela cultura local.  Desde 1950, quando se fixou definitivamente em Salvador, Carybé interessou-se especialmente pela religiosidade e pelos costumes locais e também pelo cotidiano de pessoas humildes, como pescadores, vendedores ambulantes, capoeiristas, lavadeiras e prostitutas, temas constantes em sua produção. 

Na Bahia, participou ativamente do movimento de renovação das artes plásticas, ao lado de Mario Cravo Júnior (1923), Genaro (1926 - 1971) e Jenner Augusto (1924 - 2003). Em 1957, naturalizou-se brasileiro. Publicou, em 1981, Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, pela Editora Raízes. Ilustrou livros de Gabriel García Márquez (1928), Jorge Amado (1912 - 2001) e Pierre Verger (1902 - 1996), entre outros.
O artista realizou ainda diversos painéis, como o que se encontra no Aeroporto J. F. Kennedy, de Nova York, no qual trabalhou com diversos materiais, e o que fez para o Banco da Bahia, composto por 27 pranchas esculpidas em cedro representando os orixás do candomblé.

Por quase toda a sua vida, acreditou que o apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava 'mingau ralo', o que lhe rendeu diversas brincadeiras.

Frequentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro. O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.

As 50 obras desta mostra, fazem parte das 128 incluídas no livro “Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia“, de 1981, com introdução de Jorge Amado e textos de Pierre Verger e Waldeloir Rego – esgotado e, hoje em dia, item de colecionador. É uma oportunidade única de ver esse trabalho. As Cores do Sagrado passou por Salvador, Recife e Rio de Janeiro e fica em cartaz na Caixa Cultural até 28 de fevereiro.  Não perca!


Carybé – As Cores do Sagrado
10/12/16 a 28/02/17, de terça a domingo das 9h às 19h
Caixa Cultural São Paulo: Praça da Sé, 111, Centro, SP
(11) 3321-4400
Entrada franca

Referências:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2017-01/exposicao-sobre-candomble-traz-aquarelas-do-artista-carybe
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1199/carybe
http://www.lilianpacce.com.br/e-mais/as-lindas-aquarelas-de-carybe-em-exposicao/
http://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2016/12/05/caixa-cultural-recebe-carybe.html
https://educacao.uol.com.br/biografias/carybe-hector-julio-paride-bernabo.htm

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