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24
fevereiro
2017
Descoberta de 7 exoplanetas*
NASA/JPL-Caltech
Poster sobre como poderá ser viajar ao TRAPPIST-1
reprodução: https://exoplanets.nasa.gov/trappist1/
Uma comparação do sistema TRAPPIST-1 com o sistema solar. As órbitas menores dos planetas da TRAPPIST-1 se assemelham a Júpiter e seu sistema de luas
ilustração reproduzida de: http://www.spitzer.caltech.edu/images/6294-ssc2017-01h-The-TRAPPIST-1-Habitable-Zone
Dos 7 planetas do sistema TRAPPIST-1, 3 deles (TRAPPIST-1e, f e g) encontram-se na chamada "zona habitável" (representada em verde), onde astrônomos calcularam que as temperaturas são propícias à vida

Em um press release de 22 de fevereiro de 2017, a NASA (National Aeronautics and Space Administration), agência espacial dos Estados Unidos, anunciou a descoberta de um sistema de planetas similares à Terra, chamado TRAPPIST-1.  O Spitzer Space Telescope da Nasa revelou pela primeira vez um sistema de 7 planetas, de tamanho similar à Terra, orbitando ao redor de uma única estrela, tal qual o sistema solar. O sistema está na constelação de Aquário, a cerca de 40 anos-luz da Terra, o que não é considerado distante em termos astronômicos. Seus planetas receberam os nomes de Trappist-1b, 1c, 1d, 1e, 1f, 1g e 1h.

O nome da estrela agora descoberta vem de Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope (Trappist), telescópio instalado no Chile. Em maio de 2016, pesquisadores que trabalham com o instrumento identificaram três possíveis planetas no sistema da Trappist-1.

Esse sistema, de 7 planetas rochosos – todos eles com possibilidade de ter água na superfície – é uma descoberta emocionante para os que buscam a possibilidade de vida fora da Terra.

Três deles estão localizados em uma zona habitável (área ao redor de uma estrela onde um planeta rochoso tem condições de ter água em estado líquido). Em condições atmosféricas adequadas, todos podem ter água em estado líquido – chave da vida, nas condições que conhecemos –  , mas as maiores chances são para os 3 planetas. 

Novos estudos serão feitos para tentar determinar se e quais são realmente ricos em água na forma líquida. Seis deles tiveram suas massas estimadas pelos pesquisadores. Quanto ao sétimo, ainda sem massa estipulada, pode ser um objeto gelado.

Mas é preciso ressaltar que “Esses planetas potencialmente podem ter vida, mas não necessariamente. Há alguns problemas, como o fato de estarem muito próximos da estrela anã. Por isso, podem receber radiação muito energética da estrela e isso poderia dificultar a existência de vida”, disse Meléndez.

“Essa descoberta pode ser uma peça importante de um quebra-cabeças na busca de ambientes habitáveis, lugares que são conducentes para a vida”, afirma   Thomas Zurbuchen, administrador da Science Mission Directorate, da Nasa, em Washington.  “Responder à pergunta ‘Estamos sozinhos?’ é uma prioridade máxima e a descoberta de tantos planetas como estes em área habitável e pela primeira vez é um passo significativo em direção a esse objetivo”

Uma combinação de fatores torna a descoberta do sistema Trappist-1 dos mais importantes da história da pesquisa de mundos fora do sistema solar, porque ele reúne duas condições fundamentais: está perto o suficiente de nós e seus planetas realizam trânsitos frequentes à frente de sua estrela, com relação a observadores por aqui (não entendi), o que é raríssimo. 

Os planetas foram identificados ao passarem em frente à estrela.  “A estrela Trappist-1 é muito pequena e, por ter pouco brilho, um planeta facilmente poderia escurecê-la. Quando o planeta transita em frente à estrela, ou seja, quando passa na linha de visada entre a Terra e a estrela-mãe, isso causa uma pequena diminuição na luz da estrela. E, pelo fato dessa estrela ser muito pouco brilhante – ela tem um brilho intrínseco muito baixo –, então é mais fácil detectar planetas em sua órbita”, explicou o astrônomo peruano Jorge Meléndez, Professor do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo, que coordena o Projeto Temático “Espectroscopia de alta precisão: impacto no estudo de planetas, estrelas, a galáxia e cosmologia”.

Os milhares de planetas descobertos até hoje pelo satélite Kepler, da Nasa, fazem tais trânsitos, mas costumam estar longe demais.

"Para estudar esses planetas com maior nível de detalhe serão necessários, provavelmente, telescópios maiores do que o Spitzer. O Spitzer talvez possa ajudar um pouco mais, mas ele não terá a capacidade necessária para conhecer a atmosfera desses planetas", disse Meléndez.  

Meléndez é o único astrônomo brasileiro participante da missão Fast Infrared Exoplanet Spectroscopy Survey Explorer (FINESSE). Lançada pela Nasa em 2016, a missão tem o propósito de observar mais de 200 exoplanetas que realizam trânsitos no infravermelho, entre os 0.7 e os 5.0 micrometros, com um espectrógrafo muito estável e preciso. 

 

 

* Exoplaneta – ou planeta extra-solar – é um planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol, pertencendo a um sistema planetário diferente do nosso. Até o final da década de 1980, nenhum exoplaneta tinha sido detectado, devido principalmente à dificuldade tecnológica. 

A descoberta do primeiro exoplaneta foi anunciada em 1989, pelos cientistas Lawton e Wright

Referências
http://www.nature.com/news/these-seven-alien-worlds-could-help-explain-how-planets-form-1.21512 
https://www.nasa.gov/press-release/nasa-telescope-reveals-largest-batch-of-earth-size-habitable-zone-planets-around
https://exoplanets.nasa.gov/trappist1/
http://agencia.fapesp.br/sete_planetas_parecidos_com_a_terra_sao_descobertos_/24834/0X8 
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/02/1861255-transitos-dos-planetas-descobertos-facilitam-observacao-a-partir-da-terra.shtml=

21
fevereiro
2017
Paz e amor?
Foto divulgação
Gerald Holtom com sua criação
Desenhos de Holtom por ocasião da criação do símbolo
site da CND - acesse e conheça mais sobre essa organização - http://www.cnduk.org
foto divulgação

Um dos símbolos mundiais mais conhecidos, que nasceu em campanha contra as armas nucleares e hoje é o símbolo universal da paz, surgiu na Inglaterra, no final dos anos 1950.

Em 1950, políticos britânicos de esquerda uniram-se contra o programa nuclear na Inglaterra, em uma campanha unilateral de desarmamento, criando a Campanha para o Desarmamento Nuclear [Campaign for Nuclear Disarmament (CND)].

 Em 1958, Gerald Holtom (1914 - 1985), designer profissional e artista formado pelo Royal College of Arts, foi convidado a criar uma marca para uma manifestação do Comitê Contra a Guerra Nuclear [Direct Action Committee against Nuclear War (DAC)].  Partindo dos sinais semafóricos* referentes à letra N e D  (de Nuclear Disarmament), ele as fundiu, criando um símbolo único. Apresentou-o em uma reunião, em fevereiro de 1958, e seu símbolo acabou sendo utilizado pela primeira vez na marcha de Páscoa, intitulada Aldermaston march: entre os dias 4 e 7 de abril de 1958, aproximadamente 50 mil pessoas e marcharam por 83 km, de Trafalgar Square, em Londres, ao Atomic Weapons Establishment, em Aldermaston, Berkshire, para demonstrar oposição às armas nucleares. Foram produzidos 500 “pirulitos” de cartão em bastões, com o símbolo criado.

Há quem afirme que esse símbolo já existia em associações clandestinas, anticristãs. Na África do Sul, durante o regime do apartheid houve tentativas de banimento desse emblema, assim como grupos fundamentalistas norte-americanos já o ligaram associações satânicas ou condenaram-no como um símbolo comunista. O presidente da CND na época era o filósofo e matemático Bertrand Russel, conhecido ateu e esquerdista, o que fez com que os conservadores tentassem justificar por esses motivos sua oposição à entidade.

Propositalmente não patenteado ou de uso restrito, o sinal cruzou fronteiras nacionais e culturais, tornando-se o símbolo universal da paz. Popularizado pelo Movimento Hippie dos anos 1970, como símbolo de liberdade, pretendeu-se mesmo que fosse de uso livre para todos. Mas acabou também transformando-se em um símbolo explorado comercialmente, em anúncios e na moda. Quando utilizado para fins comerciais, o CND solicita doações para suas ações e frequentemente tem respostas positivas.

O símbolo continua sendo usado em ações de paz e esperança e tem sido visto em acampamentos de refugiados, protestos contra o câmbio climático e em demonstrações anti-Trident** – projetado e desenvolvido pela Lockheed Martin Space Systems e operado pelas marinhas dos Estados Unidos e do Reino Unido –, uma das maiores campanhas atuais da CND.
 

O alfabeto semafórico é um sistema de comunicação no qual se utiliza a posição dos braços para representar cada letra do alfabeto, incluído no código internacional de sinais da OMI (Organização Marítima Internacional}. Foi inventado pelo francês Claude Chappe, abade, engenheiro e inventor francês nascido em Brûlon, considerado o criador do primeiro sistema prático de telecomunicações, um sistema de transmissão mecânica para longas distâncias, que ele chamou de semáforo (1793). 

** O Trident é um SLBM - Mísseis balísticos lançados de submarino (em inglês: Submarine-launched ballistic missile) 

Referências
https://alchetron.com/Gerald-Holtom-1381326-W
http://www.cnduk.org/about/item/435-the-cnd-symbol
http://www.logodesignlove.com/cnd-symbol
http://peacemuseum.org.uk/cnd-logo-design/
http://www.bbc.com/news/uk-politics-13442735
http://www.cnduk.org/support-cnd/join-cnd
http://www.docspopuli.org/articles/PeaceSymbolArticle.html
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-simbolo-da-paz/
http://acracia.org/bertrand-russell-1872-1970/

6
fevereiro
2017
O que é o Ano Novo chinês?
postado sob cultura, história
foto reprodução
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foto reprodução
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Os primeiros registros sobre a comemoração do Ano Novo Chinês têm aproximadamente 2.000 anos. A tradição foi sendo moldada através dos séculos, por lendas, histórias e hábitos. Este ano, começou no dia 28 de janeiro.
Sabe por quê? O calendário chinês é lunissolar, ou seja, tem em consideração tanto as fases da lua como a posição do sol. Por esse motivo, o início de cada ano novo chinês cai sempre em uma data diferente da do calendário ocidental: começa na noite da lua nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo quinto grau de Aquário. Mas o rito de passagem de ano começa semanas antes, quando os chineses costumam fazer arrumação e limpeza em suas casas, para afastar maus espíritos.

No 23º dia do último mês lunar, oferecem comida ao Deus da Cozinha, que seria o responsável pela prosperidade familiar. Também costumam colar nas portas e janelas das casas papéis vermelhos, chamados Tao Fu, com dizeres de boa sorte em dourado, para proteger os moradores e atrair bons fluídos. 


Na noite da véspera, é servido o último jantar do ano no qual a família se reúne para a refeição de encerramento do ciclo anual. Nessa última noite são preparados pratos especiais para trazer todo o tipo de sorte, riqueza e felicidade. Não podem faltar os bolinhos em forma de lingotes de ouro; o peixe que representa o dinheiro; as tangerinas, também chamadas de laranjas da sorte; o prato feito com arroz moti que representa a prosperidade e o talharim (macarrão) que simboliza a longevidade. Todas as frutas e doces são servidos em bandejas ou pratos vermelhos.

Os mais velhos presenteiam os mais jovens e solteiros com dinheiro, entregue em um envelope vermelho, que não deve ser aberto na frente de quem presenteia. É comum que as notas dadas sejam novas, porque tudo relacionado ao Ano Novo deverá ser novo, visando a atrair sorte e fortuna.

Em seguida há queima de fogos, jogos e brincadeiras e a festa dura a noite toda, até o  amanhecer.  A comemoração toda só termina no 15º dia do mês, quando acontece a Festa das Lanternas, que este ano cai no dia 11 de fevereiro. 

Os animais, no zodíaco chinês
Cada ano é dedicado a um dos 12 animais do zodíaco chinês. Segundo a lenda, Buda chamou os animais para uma reunião e apenas doze se apresentaram. Em agradecimento os transformou nos signos da Astrologia chinesa.
São eles, de acordo com a ordem que teriam se apresentado a Buda: rato, boi, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e  porco.

De acordo com esse calendário, o ano de 2017 corresponde ao galo. 
O Ano do Galo já foi comemorado, no século 20, em 1909, 1921, 1933, 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005 e o seguinte será em 2029.
Segundo a astrologia chinesa, além dos animais, cada ano é associado a um dos 5 elementos: ouro, madeira, água, fogo ou terra. O elemento combinado com o animal forma o zodíaco do ano. 2017 é o ano do Galo de Fogo (o último foi em 1957), o que significa que quem nasceu nesse ano terá esse signo. Galos são caracterizados como ativos, trabalhadores, faladores, adoradores da vida social e acostumados a serem o centro das atenções.

Troca de presentes
Além dos envelopes vermelhos, é comum que se deem pequenos presentes (comida ou doces) a amigos e parentes. Vários mercados ou feiras locais são montados para a ocasião, em geral ao ar livre, para vender flores, brinquedos, roupas e fogos de artifício. Em alguns lugares existe a prática de compra da ameixeira, parecida com tradição ocidental de comprar nossa árvore de Natal.

Fogos de artifício
Na China antiga, caules de bambu eram preenchidos com pólvora com o objetivo de criar pequenas explosões para afastar espíritos malignos; hoje existe uma grande sofisticação nos fogos de artifício chineses. Acredita-se que os barulhos e fogos explodindo espantam os espíritos malignos.

Vestuário e simbologia
As roupas utilizadas durante todo o ano novo geralmente são vermelhas porque os chineses acreditam que a cor vermelha afugenta os espíritos malignos e a má sorte. Além disso, o vermelho é o símbolo da felicidade ou do prazer, e simboliza virtude, verdade e sinceridade. 
Balas, bolos, decorações e muitas outras coisas associadas com o ano-novo e suas cerimônias são coloridos de vermelho. Além do vermelho, o amarelo, o roxo e o dourado também são consideradas cores auspiciosas, pois segundo os chineses, atraem a riqueza e a prosperidade. As pessoas também vestem roupas novas da cabeça aos pés para simbolizar um novo começo em um novo ano. 

Retrato da família
Tirar fotografias é uma cerimônia importante quando os familiares se reúnem. A foto deve ser tirada no hall ou em frente à casa. O membro masculino mais velho da família se senta ao centro.

Festas nas ruas
Nas ruas é costume verem-se outras celebrações muito importantes como a Dança do Dragão e a Dança do Leão. A Dança do Dragão é uma das atrações mais importantes, e a coreografia é realizada com cerca de 20 pessoas, ajudando a trazer prosperidade, sorte e renovação.

Outras tradições
Na noite de Ano Novo todas as portas e janelas devem estar abertas à meia-noite para deixar o ano velho sair e a casa deve ser limpa antes do dia de ano novo. 

As dívidas também devem estar saldadas até esta data, para afastar o mau Feng Shui das finanças. 

Antes do dia de Ano Novo as famílias chinesas decoram as suas salas com vasos com botões de flores, laranjas e tangerinas e variedades de fruta cristalizada, para começar o ano de forma doce. 

Hoje em dia a tradição é comemorada em diversos países e as festividades são um atrativo para todas as culturas.  São Paulo tem comemorações no bairro da Liberdade, onde se concentra grande parte da comunidade chinesa. Fique ligado e visite o bairro para conhecer mais.

Referências:
http://www.camarabrasilchina.com.br/noticias-e-publicacoes/noticias/noticias-sobre-negocios-com-a-china/a-tradicao-da-celebracao-do-ano-novo-chines​
http://brasilescola.uol.com.br/china/ano-novo-chines.htm
http://www.aljazeera.com/indepth/inpictures/2017/01/year-rooster-millions-chinese-year-170128052310196.html
http://www.mariahelena.pt/pages/celebracoes-do-ano-novo-chines#sthash.Fef9coKP.dpuf
http://www.refinery29.com/2017/01/137349/year-of-the-fire-rooster-chinese-zodiac-2017
http://time.com/4648981/chinese-lunar-new-year-rooster/
https://chinanaminhavida.com/2017/01/28/ano-do-galo-e-os-desafios-para-2017/

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