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20
julho
2017
Cais do Valongo é o 21º patrimônio histórico brasileiro reconhecido pela ONU
Foto reprodução
Gravura de Jean-Babtiste Debret
Foto reprodução
Gravura de Rugendas
Foto reprodução
Foto reprodução
Foto reprodução

O Cais do Valongo, no centro da cidade do Rio de Janeiro, foi reconhecido em 9 de julho de 2017 como Patrimônio Mundial pela Unesco (organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU). O local foi definido como “o traço físico mais importante da chegada de escravos africanos ao continente americano”. Apresentada em janeiro de 2016 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e prefeitura do Rio à Unesco, a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio Mundial comparava o local ao campo de concentração de Auschwitz. Segundo o documento, a importância do cais “reside no valor simbólico que sintetiza toda a tragédia do tráfico de africanos cativos para as Américas”. Por isso, deveria ser reconhecido como "sítio de memória" da escravidão.

Segundo o antropólogo Milton Guran, coordenador do grupo de trabalho que apresentou o projeto à ONU, o fato de o Estado brasileiro ter proposto a candidatura do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial mostra que ele assume a importância da matriz africana na história brasileira. 

Guran afirma que com a questão da escravidão, o cais se torna um sítio de memória de forte simbologia, assim como Hiroshima e o campo de concentração de Auschwitz e “remete a um acontecimento da história da humanidade que ela não quer que se repita”

Segundo o Iphan, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo a partir de 1774, e ali se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto (hospital onde eram isolados os leprosos). O Cais se tornou o maior porto de entrada deles no país até meados do século 19. 

Após a declaração da República no Brasil, em 1889, o cais do Valongo foi aterrado e esquecido. Sua riqueza começou a ser redescoberta durante o trabalho de revitalização da zona portuária do Rio para as Olimpíadas de 2016. Com as obras do Porto Maravilha, foram encontrados milhares de objetos pessoais na região, como partes de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava.

A poucos quarteirões do cais está um cemitério onde, entre 1770 e 1830, milhares de escravos foram enterrados. Restos desse local foram encontrados por acaso em 2011, quando um casal reformava sua casa na área e se deparou com ossos e crânios.

No que implica ser Patrimônio da Humanidade
Estar assegurado como Patrimônio da Humanidade não implica em receber incentivos financeiros da Unesco. Projetos de vulto no Cais do Valongo precisarão obter outras fontes de financiamento para a sua manutenção. A Unesco recomenda que o governo execute projetos que promovam uma “visão holística” sobre o local e o que ele representa. 

Algumas das propostas em estudo para o Cais do Valongo são: 
• Criação de um Circuito arqueológico
• Centro de referência
• Museu da escravidão 

Veja a lista completa dos locais no Brasil que foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco (organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU):
Cidade de Ouro Preto (MG)
Centro histórico de Olinda (PE)
Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
Centro histórico de Salvador (BA)
Santuário de Bom Jesus do Congonhas (MG)
Parque Nacional do Iguaçu (PR)
Brasília (DF)
Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
Centro histórico de São Luís (MA)
Áreas protegidas de Mata Atlântica do Sudeste (PR e SP)
Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA e ES)
Centro histórico de Diamantina (MG)
Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM)
 Área de conservação do Pantanal (MT)
Ilhas do Atlântico: Reservas de Fernando de Noronha (PE) e Atol das Rocas (RN)
Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
Centro histórico da Cidade de Goiás (GO)
Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão (SE)
Cidade do Rio de Janeiro (RJ)
Conjunto moderno da Pampulha (MG)
Cais do Valongo (RJ)
        
Referências        
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/07/10/O-que-significa-o-Cais-do-Valongo-se-tornar-Patrimônio-Mundial
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40554059
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/07/09/unesco-declara-cais-do-valongo-patrimonio-da-humanidade.htm?cmpid=copiaecola

5
abril
2017
Comemoramos 27 anos, festejando a memória arqueológica do Brasil
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
uma das inscrições rupestres mais conhecidas da Serra da Capivara

Como brinde de comemoração dos 27 anos do Ítaca, produzimos um lápis com desenhos baseados em alguns dos registros rupestres encontrados no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Estado do Piauí. Esse parque tem uma história encantadora. Vale a pena conhecer e, quando possível, visitá-lo.

História do Parque Nacional da Serra da Capivara
Desde o início da década de 1970, um grupo de arqueólogos, sob a direção de Niède Guidon, realizava pesquisas na região com financiamento da França.

A partir de 1978, essas pesquisas passaram a ser interdisciplinares, com a participação, além das instituições francesas que faziam parte da Mission Archéologique du Piauí, de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Em 1986, esse grupo de pesquisadores criou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM). 

Em 1991, a UNESCO inscreveu o Parque Nacional Serra da Capivara na lista do Patrimônio Mundial, a título Cultural, em razão da importância dos registros rupestres existentes nos seus sítios arqueológicos. A FUMDHAM aceitou a responsabilidade de preservar esse patrimônio.

A FUNDHAM, declarada de interesse público pelo governo brasileiro, reúne na atualidade uma série de atividades científicas e culturais, no âmbito das ciências humanas, biológicas e da terra, mas também realiza atividades em benefício da sociedade.

Museu do Homem Americano
Situado na sede da FUMDHAM, o Museu do Homem Americano foi criado com o objetivo de divulgar a importância do patrimônio cultural deixado pelos povos pré-históricos. O Museu procura mostrar ao público os resultados mais recentes das pesquisas, sendo realizadas, portanto, atualizações regulares, tanto na exposição permanente quanto nas temporárias.

Visitação
O Parque Nacional Serra da Capivara está aberto à visitação e conta com guaritas para a recepção dos turistas, estradas, Centro de Visitantes, trilhas, escadarias e passarelas que permitem o passeio com segurança. Mas, para conhecer o Parque, é preciso estar acompanhado de um condutor de turismo.

Sítios arqueológicos
Os registros rupestres, pintados ou gravados sobre as paredes rochosas, são formas gráficas de comunicação utilizadas pelos grupos pré-históricos que habitaram a região do Parque. As representações gráficas abordam uma grande variedade de formas, cores e temas. Foram pintadas cenas de caça, sexo, guerra e diversos aspectos da vida cotidiana e do universo simbólico dos seus autores. O estudo desses registros possibilita o reconhecimento de temas recorrentes e a identificação de diferentes maneiras de representá-los. Pode-se dizer, ainda, que são pistas da forma de vida dessas populações.

Do conjunto de 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, 183 estão preparados para a visitação turística, sendo 17 deles acessíveis a pessoas com dificuldades de locomoção. Pela quantidade e variedade dos sítios, os roteiros de visitação devem ser estabelecidos com os condutores de turismo a partir do perfil do visitante e do seu tempo disponível. Há, no entanto, algumas sugestões de roteiros preestabelecidos.

Belezas naturais
O Parque é formado por um conjunto de quatro Serras – Serra da Capivara, Serra Branca, Serra Talhada e Serra Vermelha – que apresentam diferentes ambientes e paisagens onde também se pode contemplar os monumentos geológicos, a fauna e a flora da caatinga.

Visite a página da Fundação Museu do Homem Americano:
http://www.fumdham.org.br

20
março
2017
Pesquisa confirma o que já era sabido pelos habitantes da floresta: influências humanas na Amazônia são muito antigas
Foto reprodução: Edison Caetano
foto reprodução:  Val Moraes - Central Amazon Project

Apesar de o fenômeno já ser de conhecimento dos habitantes da floresta –indígenas e ribeirinhos – um estudo científico feito na Bacia Amazônica constata que as florestas da região foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos. Um processo muito antigo de manejo de espécies transformou boa parte da mata em gigantescos "pomares", repletos de espécies domesticadas de árvores. Examinando as plantas em sítios arqueológicos, um grupo de biólogos e arqueólogos encontrou a predominância de plantas domesticadas pelas sociedades pré-colombianas em alguns desses lugares, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

“Detectamos que perto de sítios arqueológicos há uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos índios”, conta a bióloga Carolina Levis, doutoranda no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e na Universidade de Wageningen, Holanda, e primeira autora de um artigo publicado na revista Science. 

Levi e seus colaboradores examinaram correspondências entre dados arqueológicos e botânicos, de dois bancos de dados. Um deles é o do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, compilado pelos arqueólogos Eduardo Tamanaha e André Junqueira, que tem dados de mais de 3 mil sítios arqueológicos. O outro é o criado pelo botânico Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, da Holanda, formando uma rede de pesquisadores, chamada ATDN (sigla inglesa de Rede de Diversidade de Árvores da Amazônia), que fizeram inventários botânicos em 1.170 parcelas de amostragem na Amazônia, listando mais de 4 mil espécies de árvores.

As diferenças na composição da floresta entre locais onde já houve povoamentos e áreas mais distantes são tão marcantes, que possibilita usar a composição da flora para localizar sítios arqueológicos. 

A pesquisadora detectou 85 espécies usadas e domesticadas pelos índios, como o açaí-do-mato, a castanha-do-pará e a seringueira.Algumas dessas plantas manejadas pelos antigos habitantes da região acabariam levando a produtos que hoje são consumidos no mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará. 

O holandês Hans Ter Steege já tinha mostrado que, apesar da imensa variedade de espécies, a Amazônia tem algumas árvores "campeãs", conhecidas como hiperdominantes: são 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.

“Esses grupos podem ter levado as plantas por grandes distâncias”, sugere Carolina. A correlação entre árvores hiperdominantes e indícios de populações humanas antigas é mais forte no sudoeste da Amazônia, como Rondônia, e também na região da foz do Amazonas, mas não se sabe se a distribuição dessas árvores foi alterada por muitas gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram justamente onde havia recursos variados para eles. Carolina acredita na primeira hipótese. “Encontramos árvores com preferências ecológicas distintas vivendo nas mesmas parcelas de amostragem, algo improvável de acontecer naturalmente.”

Há uma grande preocupação em relação ao desmatamento onde essas plantas são mais abundantes. “As linhagens silvestres das plantas usadas pelos índios estão nessa região, e preservar essa diversidade genética também é importante para a segurança alimentar”, afirma Carolina. 

Essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes não domesticadas só aparecem em 47% da bacia, o que sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original, como o cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.

A concentração de espécies domesticadas aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam e ainda servem como os principais caminhos de circulação dentro da mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto, alterando a composição natural de espécies da floresta.

A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos "selvagens" da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Já algumas espécies são classificadas como parcialmente domesticadas (como o cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau: oprimeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.

O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, afirma que esse processo de "engenharia florestal" amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta – solo fértil produzido pela ação humana, em parte pela queima de restos de vegetais.

Para o arqueólogo, o estudo confirma que, além de serem um patrimônio natural, as florestas da região também são um patrimônio cultural, por sua ligação estreita com a intervenção humana. 

Referências:
http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/um-imenso-pomar/
https://www.nexojornal.com.br/especial/2015/12/01/Cidades-da-Amazônia-a-floresta-que-nunca-foi-virgem
https://www.sciencedaily.com/releases/2017/03/170302143939.htm
http://science.sciencemag.org/content/355/6328/925
http://agencia.fapesp.br/populacoes_precolombianas_podem_ter_domesticado_a_amazonia/24870/
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/03/1863192-civilizacoes-pre-colombianas-moldaram-vegetacao-da-amazonia.shtml

30
agosto
2016
AGROGLIFO????
Nos relatos do século 17, sobre desenhos nas plantações, esse fenômeno era atribuído a forças do mal.
desenhos de agroglifos (http://www.circlemakers.org)
divulgação lucypringle.com
divulgação lucypringle.com
Chilcomb Range, Hampshire, Inglaterra. 3 agosto 2016. Campo de trigo. cerca de33.5 m de diâmetro.

 

Agroglifo, como diz a palavra, é uma inscrição no campo (grego agrós, campo + grego glifo, signo gravado).
Chamam-se agroglifos as formações, geralmente muito grandes, criadas por meio do achatamento cuidadosamente projetado de uma cultura agrícola, como cereais, cana, ou capim.  
Todos os anos, centenas desses desenhos aparecem em diversos países do mundo, em mais de 30 países diferentes, sendo a maioria no sul da Inglaterra.

A maior parte tem forma circular e muitas se parecem com mandalas.  Ufólogos acreditam que são feitas por seres extraterrestres, enquanto que cientistas afirmam que são feitos pelo homem e que, em raras exceções, podem ter sido feitos por fenômenos naturais ou meteorológicos.

O que causou maior mistério é que os agroglifos geralmente apareceram de manhã cedo, ou seja, foram feitos durante a noite. O fenômeno começou a ser registrado na Inglaterra, onde existe a maior parte dos casos, e as formas aparecem perto das estradas, em áreas de fácil acesso,tornando mais provável que tenham sido feitos pelo homem.  Vestígios arqueológicos podem causar marcas em campos com formas de círculos e quadrados, mas eles não aparecem durante a noite e estão sempre nos mesmos lugares todos os anos, diferentemente desses agroglifos.

Há relatos muito antigos, já no século 17, sobre desenhos nas plantações, e atribuía-se esse fenômeno a forças do mal. Mas, a maioria dos relatos de círculos nas plantações apareceu e se popularizou mesmo a partir do final da década de 1970. 

Nessa época, dois artistas brincalhões, Doug Bower e Dave Chorley, disseram ter criado os “crop circules”, como eles chamaram essas inscrições nas plantações, inspirados em um caso australiano ocorrido em 1958, quando um círculo misterioso apareceu em um pântano. O motorista de um trator disse ter visto decolar um disco voador, que logo formou um redemoinho na grama. No dia seguinte, os jornais especularam que a marca tinha sido causada pela aterrissagem de uma nave extraterrestre.  "O que aconteceria aqui se nós fizéssemos um desses círculos?”, brincou Doug. "As pessoas pensariam que um disco voador pousou", Dave respondeu. Eles, então, usaram um cano de PVC para achatar as plantas, além de um par de escadas de alumínio e uma tábua, que usaram como ponte temporária, para que pudessem andar pelo campo cultivado sem deixar rastros das pegadas. 

Muito depois, em 1991, após a declaração de Bower e Chorley de que eram responsáveis por muitos dos desenhos, os círculos começaram a aparecer em todo o mundo. Estima-se que cerca de 10 mil círculos em plantações têm sido relatados em vários países, como em regiões da antiga União Soviética, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Canadá. Os céticos observam uma correlação entre os círculos nas plantações, a intensa cobertura da mídia e a ausência de cercas e/ou legislação anti-invasões.

Em 1992, os húngaros Gábor Takács e Róbert Dallos, de 17 anos, alunos de uma escola secundária na Hungria especializada em agricultura, criaram um agrolifo de 36 metros de diâmetro em um campo de trigo perto de Székesfehérvár. Em 3 de setembro, a dupla apareceu na TV húngara e expôs que o círculo era uma brincadeira, mostrando fotos do campo antes e depois de a formação ter sido feita. A dona da propriedade, então, processou os jovens por danos. 

A partir dos anos 2000, o número e a complexidade das formações em plantações aumentaram, alguns com até duas mil diferentes formas e que incorporam algumas características matemáticas e científicas complexas.

O grupo Circlemakers, nascido em 1995, formado por John Lundberg, Geoff Gilberto e Rod Dickinson, começou a espalhar círculos em plantações pelo mundo como forma de expressão artística e como prova de que os “crop circules”, ou agroglifos, são sim uma obra humana.  Esse coletivo ainda está em atividade e, além da militância artística e ambiental, produz obras de agroglifos sob encomenda para empresas.  Seu site é bem interessante e vale uma visita.

No Brasil, há relatos de agroglifos em plantações de trigo do Sul do país desde 2008, especialmente no interior de Santa Catarina, no município de Ipuaçu e, apesar das evidências históricas em relação à construção humana dessas formações, ainda assim são alvo de explicações místicas.


Referências:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI345188-18580,00-AGROGLIFOS+DE+SANTA+CATARINA+CIRCULOS+EM+PLANTACOES+AINDA+NAO+SAO+ASSUNTO+S.html
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/voce-sabe-o-que-sao-agroglifos/n1237640585135.html
http://www.circlemakers.org
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADrculos_nas_plantações
http://pt.slideshare.net/LCDias/agroglifos-6493959
http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/2215/doug-dave-fabricantes-de-crculos
http://shop.lucypringle.co.uk​

 

12
abril
2016
Os mosaicos de Zeugma
localização da cidade de Zeugma

Três novos mosaicos foram descobertos na antiga cidade grega de Zeugma, localizada às margens do Rio Eufrates, na atual província de Gaziantep, sul da Turquia, segundo anunciou, no início do mês de novembro de 2015, Kutalmýþ Görkay, diretor do projeto de escavações e professor da Universidade de Ancara.

E, apesar de esses mosaicos datarem de aproximadamente 200 a.C., estão em ótimo estado de conservação.

A cidade grega, que se chamava Seleuceia, foi fundada por Seleucus, à beira do rio Eufrates, em aproximadamente 300 a.C.,  juntamente com a cidade de Apamea, na outra margem (esta em homenagem à sua esposa persa). Seleuceia tornou-se o principal ponto de cruzamento entre as 2 margens do rio, ligando a Anatólia à Mesopotâmia. Pela sua posição estratégica, tornou-se, ainda, centro da legião romana e importante cidade de fronteira entre Ocidente e Oriente. Supõe-se que foi cena de frequentes encontros interculturais, pelo que se encontrou em suas escavações. 

Mais tarde, no século 64 a.C., o Império Romano conquistou a região e renomeou a cidade como Zeugma, que significa “ponte”, em grego antigo.  Os romanos ocuparam Zeugma até 253 d.C., quando esta caiu em decadência, após ser saqueada e tomada pelo Império Sassânida, persa.

O sítio arqueológico, hoje território da Turquia, foi descoberto em 1970 pelo alemão Jorg Wagner, e as escavações começaram a tomar corpo, sob os auspícios do Ministério da Cultura da Turquia, nas décadas de 1980/90.

Mas foi apenas em 2.000, com a construção da barragem de Birecik, que inundaria grande parte da cidade antiga, que apelos internacionais levaram à mobilização do governo turco para um projeto arqueológico emergencial que pudesse salvar e restaurar parte da história da cidade: as escavações revelaram um conjunto de 2.000 a 3.000 casas bem conservadas.

Com recursos do Ministério da Cultura e da Packard Humanities Institute, uma equipe italiana de 100 arqueólogos e 25 restauradores trabalharam exaustivamente, sob temperaturas elevadas, retirando mosaicos e afrescos que foram transferidos para o Gaziantep Museum.  Na impossibilidade de retirar todos os mosaicos, alguns deles foram protegidos com camadas de argila e outros materiais semelhantes aos utilizados na época de sua construção, depois cobertos de areia, para continuarem conservados após o alagamento provocado pela barragem.

A partir de 2005, as escavações de Zeugma e a coordenação das pesquisas ficaram a cargo do Prof. Kutalmış Görkay, da Universidade de Ankara, Departamento de Arqueologia.

O professor Kutalmış revela o caráter dos mosaicos encontrados: “Eles eram um produto da imaginação do seu dono. Não eram simplesmente ‘escolhidos a partir de um catálogo’”, explica. “Eles pensavam em cenas específicas, a fim de criar uma impressão específica. Por exemplo, se você tivesse um nível intelectual para discutir literatura, então você podia selecionar uma cena como a das três musas”.

Veja alguns dos links abaixo, que permitem aprofundar sobre o assunto, além de acompanhar alguns lindos procedimentos de restauro.

http://zeugmaarchproject.com/index.php/english/zeugma

https://dailymedia.info/stunning-2200-year-old-mosaics-discovered-ancient-greek-city-2/

http://paleonerd.com.br/2015/07/19/mosaicos-romanos-encontrados-em-zeugma-turquia/

https://dailymedia.info/stunning-2200-year-old-mosaics-discovered-ancient-greek-city-2/

http://hypescience.com/mosaicos-de-2-000-anos-de-idade-sao-descobertos-na-turquia-antes-de-serem-perdidos-em-inundacao/

26
março
2015
Cadê o rio que estava aqui???
https://pedalverde.wordpress.com/page/3/
logo do rios e ruas - www.rioseruas.com

Sob o solo da cidade de São Paulo existe uma imensa malha hidrográfica, constituída de mais de 3.500 metros de cursos d’água canalizados.  
E essa canalização dos rios e córregos é um dos problemas mais graves na capital paulista, e por isso hoje tão criticado pelos especialistas. Esse modelo de urbanização, que canaliza e cobre as fontes naturais e os cursos d'água, foi também seguido por muitas outras cidades do interior do Estado de SP e do restante do país.
 
Nossos rios são lembrados quando a temporada de chuvas faz com que as galerias subterrâneas transbordem, com alagamentos e graves transtornos para a população.
Pela visão deturpada, que os considerava como um obstáculo ao desenvolvimento urbano, quase todos os rios, incluindo os de água limpíssimas, foram canalizados. Além disso, grande parte do solo urbano está impermeabilizado pelos calçamentos e construções, e basta uma forte chuva para que centenas de córregos e riachos voltem à superfície. 
 
Os rios também carregam nossa história e nos fazem entender o passado. Como serviam como via de transporte e fonte de água, grande parte das cidades se desenvolveu ao longo deles - como podemos observar em monumentos históricos como a Casa do Bandeirante, em São Paulo, por exemplo, que foi pouso de desbravadores das terras paulistas e situa-se próximo às águas do rio Pinheiros.
No entanto, apesar de serem um componente importante na história das cidades eles, em geral, não são valorizados pela população e não fazem parte do seu cotidiano
 
Mas é preciso dizer também que, com a crise hídrica assolando nossa cidade, diversas iniciativas de valorização e recuperação de nossas fontes e rios têm aparecido. Há movimentos como o Parque da Fonte e o YButantã, no bairro do Butantã, que cobram da iniciativa pública a recuperação e apropriação pública das águas e dos espaços de preservação.
 
Quando são implantados parques e é recuperada a mata ciliar, ao longo das áreas de proteção dos rios, há uma diminuição dos episódios de enchentes e inundações durante as fortes chuvas de verão, contribuindo para a drenagem urbana. Os parques também evitam que essas áreas sejam invadidas ou degradadas.
“O mais surpreendente é que, em vários casos, sobre os rios canalizados foram construídos parques públicos. Em vez de correrem pelos parques, tornando-se fatores de desfrute para a população, os rios foram escondidos no subterrâneo”, comenta Norma Regina Truppel Constantino, professora no curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp
 
Dentre as iniciativas atuais, o projeto Rios e Ruas, desenvolvido pelo urbanista José Bueno juntamente com o geógrafo Luiz de Campos Jr e a bióloga Juliana Gatti, propõe-se a revelar uma realidade profunda, possibilitando uma mudança no olhar dos paulistanos para suas águas e árvores.
Despertar a consciência dos paulistanos para uma nova convivência com os elementos vivos da natureza urbana de São Paulo é aprofundar a reflexão sobre o uso do espaço público, sobre o desenvolvimento da cidade onde vivemos e sobre o futuro que deixaremos como legado para nossos filhos e netos.
 
Para que os rios passem a ser valorizados pelas populações, é necessário um trabalho de conscientização e elaboração de projetos participativos que qualifiquem os lugares, mais do que a simples aprovação de leis e regulamentos.
 
“É importante a visualização dos rios, porque, se as pessoas os veem, elas passam a valorizá-los e a se mobilizar por sua integridade”, enfatiza Constantino.
 
referências

http://rioseruas.com
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/parceiros-do-planeta/charles-groisman-e-a-reconexao-do-homem-com-a-natureza/
http://educacao.estadao.com.br/blogs/colegio-itaca/porque-e-o-rio-que-corre-pela-minha-aldeia/

 
 

9
outubro
2014
Exposição Mãos no Barro da Cidade: uma olaria no coração de Pinheiros

Debaixo do asfalto e do concreto da cidade há muitos vestígios de antigamente, que retratam a vida de nossos antepassados. A arqueologia urbana traz à luz diversos objetos que desvendam e contam a história da cidade, às vezes distante, às vezes mais próxima de nós. Quase ninguém sabe, mas São Paulo tem mais de 130 sítios arqueológicos e ainda há muitos por serem abertos. 

Em 2010, devido a uma obra pertinho da ponte da Eusébio Mattoso, sobre o Rio Pinheiros, no bairro de mesmo nome, foram descobertos vestígios de fornos e potes de barro que trazem novas contribuições a respeito da história desse bairro paulistano da Zona Oeste. Mais de 50 mil peças foram coletadas durante as escavações,  além de identificados oito restos de fornos, no que se chamou de Sítio Arqueológico Pinheiros 2.
A Essa antiga olaria foi encontrada quando uma construtora contratou o estudo arqueológico, antes de iniciar as obras de seu empreendimento, localizado entre as ruas Amaro Cavalheiro, Butantã e Paes Leme.
Em função de suas características, os arqueólogos acreditam que as louças encontradas foram produzidas há mais de 200 anos e atendiam tanto ao consumo da cidade como a regiões mais distantes e que a olaria que devem ter produzido pelo menos 10 mil objetos de cerâmica, ao longo de 100 anos. Havia muita argila próxima ao Rio Pinheiros e a então facilidade do transporte fluvial também reforça a ideia de que a produção era escoada para outros lugares.
 
No geral, as peças eram de boa qualidade, com cerâmica branca e regular. Apesar do formato europeu, algumas das leiteiras, frigideiras e potes apresentavam padrões de decoração indígenas e africanos, o que indica que a mão de obra era diversificada – se era escrava ou não ainda não se sabe.
 
“Não sabemos se as louças eram só para consumo local, mas sabemos que havia distribuição. Nada impede que essa olaria tenha produzido potes que chegaram com os bandeirantes no Mato Grosso ou na Amazônia”, diz Paulo Zanettini, proprietário da empresa de arqueologia encarregada do projeto.
 
Disseminando o conhecimento
A divulgação dos resultados das escavações à população será por meio de um programa educativo que conta com a exposição itinerante “Mãos no barro da cidade: uma olaria no coração de Pinheiros”. Simultaneamente, os pesquisadores realizarão oficinas, palestras e rodas de conversa em escolas, ONGs e espaços públicos do bairro.
A exposição utiliza uma tecnologia inovadora, permitindo que os visitantes manipulem réplicas das cerâmicas e brinquem com modelos virtuais 3D. Além disso, será possível ter uma ideia de como era a olaria e a região no passado, a partir de reconstituições gráficas e computadorizadas por meio da chamada Realidade Aumentada, técnica que combina elementos virtuais com o ambiente real.
“Somos arqueólogos e falamos do mundo através das coisas, e nada melhor do que poder pegar os documentos na mão”, diz Zanettini.
 
Em formato itinerante, a mostra circula pelo bairro de Pinheiros durante os meses de setembro e outubro.
Ela está dividida em dois módulos: no primeiro há um ambiente imersivo voltado a apresentar como foi feita a pesquisa.
No segundo são descritas as peças encontradas, técnicas de fabricação e sua utilização, sendo estabelecido um diálogo com os antigos oleiros e oleiras que ali trabalharam.
As peças encontradas são descritas, juntamente com as técnicas de fabricação e sua utilização, mostrando também como eram esses trabalhadores.
É possível, ainda, baixar um aplicativo para conhecer todo o processo e a exposição, além de visualizar a própria exposição no site da Zanettini.

Veja as informações abaixo e bom passeio ao passado!
http://www.zanettiniarqueologia.com.br/olaria-metropole.html
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2014/09/tecnologias-de-ponta-abrem-novas-possibilidades-para-exposicoes-arqueologicas.html
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,arqueologos-acham-vestigio-de-olaria-em-pinheiros,1566866
 

É possível baixar na App Store o aplicativo da exposição
 

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