.>
21
outubro
2017
Exuberante olhar da Polônia
postado sob arte, cultura, design

São 70 cartazes, 50 publicações e 20 capas de disco (CD e LP) selecionados a partir de centenas de livros e cartazes desenhados por artistas e designers poloneses mais recentes, reunidos numa impressionante mostra, no Instituto Tomie Ohtake. A exposição apresenta o resultado de trabalhos gráficos feitos para iniciativas culturais, obras consideradas vanguardistas de alta qualidade e que apontam para novas direções.

Não é a primeira vez que o Instituto Tomie Ohtake, realiza mostras com os nomes históricos do design gráfico polonês. Agora fez uma parceria com Culture.pl e Fontarte, trazendo um novo recorte dessa produção reconhecida mundialmente.  

Essa edição da exposição "Eye on Poland - Olhar Polônia: o cartaz, o livro e a capa de disco contemporâneas" tem curadoria de Magdalena Frankowska e Artur Frankowski, e busca apresentar ao público brasileiro o design gráfico polonês contemporâneo, representado pelos mais interessantes projetos dos últimos tempos. A exposição já foi apresentada na China (2010-11), no Japão, Coréia do Sul e Índia (2015-17).

Para Magdalena Frankowska e Artur Frankowski, o design gráfico polonês, nos últimos anos, tem se desenvolvido dinamicamente e ganhado reconhecimento na Europa e pelo mundo. “A razão por trás disso não está somente nas tradicionais associações com a arte dos cartazes e com artistas da genericamente chamada “Escola Polonesa de Cartazes” (entre meados da década de 1950 até o final da década de 1960), como Henryk Tomaszewski, Józef Mroszczak, Jan Lenica, Roman Cieślewicz ou Wiktor Górka, mas também nas produções das gerações intermediária e jovem de designers que estão hoje buscando soluções originais em suas práticas”.  

A dupla acrescenta que esse crescente reconhecimento pode também ser atribuído à recente expansão das artes e da área cultural na Polônia, especialmente com o surgimento de novas instituições culturais e com o desenvolvimento das já existentes. Destacam ainda o crescimento acelerado das publicações independentes. “Nos últimos anos, temos visto muitas publicações de alto nível, cuidadosamente desenhadas e produzidas por editores independentes”.

Diferentemente do francês, suíço ou holandês, o design gráfico contemporâneo polonês, dizem os curadores, tem seu estilo original identificável: colorido, veloz, espirituoso e inteligente. “É nossa tradição nesse campo, nossa língua nativa, nossa identidade cultural e nossa imaginação original têm um impacto considerável na linguagem gráfica contemporânea do país e, consequentemente, nas obras de design gráfico”, ressalta o casal.

(Editado a partir do site: http://www.institutotomieohtake.org.br/visite)

SERVIÇO

EYE ON POLAND - OLHAR POLÔNIA
De 19 de setembro a 29 de outubro

Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201
(Entrada pela R. Coropés, 88) 
Pinheiros - São Paulo- SP
CEP 05426-100
A 800m do Metrô Faria Lima (Linha Amarela)

Telefone 11 2245 1900
Horário de funcionamento. Terça a domingo das 11h às 20h
Entrada gratuita

O Instituto Tomie Ohtake possui elevadores para acesso aos visitantes com mobilidade reduzida.

 

3
outubro
2017
9º EF faz viagem de estudo a Minas Gerais

As chamadas cidades “históricas” mineiras são marcos de desenvolvimento de sua época, pois o ouro e o diamante alavancaram a prosperidade das artes tanto quanto a qualidade de vida. 

Manifestações artísticas na escultura e pintura são marcos do Barroco mineiro e posteriormente do Rococó.  Grandes artistas e seus discípulos nos legaram seus trabalhos através de obras extensas que encantam por sua expressão e qualidade. O estilo das artes mineiras é próprio e não uma simples cópia de seus predecessores do velho mundo. 

Os literatos mineiros souberam contar sua sociedade e seus costumes sob as rígidas regras do estilo barroco e, mais tarde, como neoclássicos, “habitaram a Arcádia” com seus poemas campestres e prazerosos. O Barroco mineiro é, assim, uma vasta realidade a ser constatada através da interligação de disciplinas como Artes, Geografia, História e Português. 

Em contraste com esse universo, Inhotim se insere como um templo da arte contemporânea no país, encravado no coração do Barroco mineiro. 

Nesta viagem de estudo do meio de quatro dias, nossos alunos, guiados pela Uggi – Educação ambiental e acompanhados por professores do Ítaca, vivenciam essa junção de passado e futuro, num mergulho profundo em considerável parte da Cultura Brasileira, em localidades que estão além da história, uma vez que são consideradas centros culturais arquitetônicos de rara composição urbana e originalidade de projetos. 

As fotos desta matéria foram feitas pela Lara Gurianova de Araújo, aluna da turma.

 

31
julho
2017
Exposição virtual
Povos Indígenas no Brasil 1980/2013
reprodução ISA
reprodução ISA
reprodução ISA
reprodução ISA
reprodução ISA

Retrospectiva em imagens da luta dos povos indígenas no Brasil por seus direitos coletivos

A exposição, organizada pelo ISA e pelo Programa para Povos Indígenas da Embaixada da Noruega, mostra fotos e filmes dos últimos 36 anos, período em que os povos indígenas do Brasil saíram da invisibilidade para entrar na agenda do Brasil contemporâneo. O processo que teve como marco o capítulo dos direitos indígenas da Constituição de 1988.

Inaugurada em 2013 na Praça Externa do Museu Nacional em Brasília, a mostra fotográfica fez parte das comemorações dos 30 anos do Apoio Norueguês aos Povos Indígenas no Brasil e dos 25 anos da Constituição. O projeto foi uma realização da Embaixada da Noruega no Brasil e do Instituto Socioambiental (ISA), e itinerou até 2015, passando por São Paulo (SP), Brasília (DF), Manaus (AM) e Belém (PA).

Desde abril passado, em uma parceria com Google Arts & Culture,  a mostra ganhou uma versão digital e atualizada composta por fac-símiles de publicações, vídeos, áudios e 22 fotos, com momentos e personagens históricos do movimento indígena brasileiro.

As imagens retratam a batalha pelo reconhecimento das Terras Indígenas; a resistência às invasões de suas terras; o apoio de artistas como Milton Nascimento; a apropriação das tecnologias de comunicação; entre outros temas.
“Pretende-se que essas imagens sirvam de referência para as narrativas dos seus protagonistas, assim como para o aprendizado das novas gerações”, comenta Beto Ricardo, do ISA, curador da exposição e editor do livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016.

VISITE A MOSTRA VIRTUAL
http://bit.ly/2uQglfB

Referências
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/luta-dos-povos-indigenas-no-brasil-vira-exposicao-digital
http://amazonia.org.br/2017/04/luta-dos-povos-indigenas-no-brasil-vira-exposicao-digital/
https://conexaoplaneta.com.br/blog/povos-indigenas-no-brasil-livro-destaca-retrocessos-mobilizacoes-mas-tambem-maior-participacao-das-mulheres/

20
julho
2017
Cais do Valongo é o 21º patrimônio histórico brasileiro reconhecido pela ONU
Foto reprodução
Gravura de Jean-Babtiste Debret
Foto reprodução
Gravura de Rugendas
Foto reprodução
Foto reprodução
Foto reprodução

O Cais do Valongo, no centro da cidade do Rio de Janeiro, foi reconhecido em 9 de julho de 2017 como Patrimônio Mundial pela Unesco (organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU). O local foi definido como “o traço físico mais importante da chegada de escravos africanos ao continente americano”. Apresentada em janeiro de 2016 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e prefeitura do Rio à Unesco, a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio Mundial comparava o local ao campo de concentração de Auschwitz. Segundo o documento, a importância do cais “reside no valor simbólico que sintetiza toda a tragédia do tráfico de africanos cativos para as Américas”. Por isso, deveria ser reconhecido como "sítio de memória" da escravidão.

Segundo o antropólogo Milton Guran, coordenador do grupo de trabalho que apresentou o projeto à ONU, o fato de o Estado brasileiro ter proposto a candidatura do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial mostra que ele assume a importância da matriz africana na história brasileira. 

Guran afirma que com a questão da escravidão, o cais se torna um sítio de memória de forte simbologia, assim como Hiroshima e o campo de concentração de Auschwitz e “remete a um acontecimento da história da humanidade que ela não quer que se repita”

Segundo o Iphan, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo a partir de 1774, e ali se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto (hospital onde eram isolados os leprosos). O Cais se tornou o maior porto de entrada deles no país até meados do século 19. 

Após a declaração da República no Brasil, em 1889, o cais do Valongo foi aterrado e esquecido. Sua riqueza começou a ser redescoberta durante o trabalho de revitalização da zona portuária do Rio para as Olimpíadas de 2016. Com as obras do Porto Maravilha, foram encontrados milhares de objetos pessoais na região, como partes de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava.

A poucos quarteirões do cais está um cemitério onde, entre 1770 e 1830, milhares de escravos foram enterrados. Restos desse local foram encontrados por acaso em 2011, quando um casal reformava sua casa na área e se deparou com ossos e crânios.

No que implica ser Patrimônio da Humanidade
Estar assegurado como Patrimônio da Humanidade não implica em receber incentivos financeiros da Unesco. Projetos de vulto no Cais do Valongo precisarão obter outras fontes de financiamento para a sua manutenção. A Unesco recomenda que o governo execute projetos que promovam uma “visão holística” sobre o local e o que ele representa. 

Algumas das propostas em estudo para o Cais do Valongo são: 
• Criação de um Circuito arqueológico
• Centro de referência
• Museu da escravidão 

Veja a lista completa dos locais no Brasil que foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco (organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU):
Cidade de Ouro Preto (MG)
Centro histórico de Olinda (PE)
Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
Centro histórico de Salvador (BA)
Santuário de Bom Jesus do Congonhas (MG)
Parque Nacional do Iguaçu (PR)
Brasília (DF)
Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
Centro histórico de São Luís (MA)
Áreas protegidas de Mata Atlântica do Sudeste (PR e SP)
Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA e ES)
Centro histórico de Diamantina (MG)
Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM)
 Área de conservação do Pantanal (MT)
Ilhas do Atlântico: Reservas de Fernando de Noronha (PE) e Atol das Rocas (RN)
Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
Centro histórico da Cidade de Goiás (GO)
Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão (SE)
Cidade do Rio de Janeiro (RJ)
Conjunto moderno da Pampulha (MG)
Cais do Valongo (RJ)
        
Referências        
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/07/10/O-que-significa-o-Cais-do-Valongo-se-tornar-Patrimônio-Mundial
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40554059
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/07/09/unesco-declara-cais-do-valongo-patrimonio-da-humanidade.htm?cmpid=copiaecola

12
junho
2017
Alice Guy-Blaché - importante presença feminina na história cinematográfica
postado sob arte, cinema, cultura

Considerada a primeira mulher diretora de filmes, Alice Guy-Blaché (1873 –1968) fez um dos primeiros filmes narrativos da história do cinema, aos 23 anos, em 1896. Dirigiu e produziu cerca de 700 filmes e é, até hoje, a única mulher a ser proprietária de um estúdio de produção cinematográfica.  Curiosamente, tudo isso aconteceu antes mesmo de ela, e todas as mulheres, terem o direito de votar. Apesar desses feitos notáveis, Alice Guy-Blaché não aparece nos livros de história do cinema entre os nomes de notáveis pioneiros dessa arte, como George Méliès, Edwin S. Porter e D.W. Griffith. Mas nos últimos anos há várias ações que prometem corrigir tal erro: em 2009, o Whitney Museum of American Art programou uma mostra de 80 exemplares do seu trabalho; após uma longa campanha, o Directors Guild of America conferiu uma homenagem a Guy-Blaché, com um Lifetime Achievement Award e, recentemente, os diretores Pamela Green e Jarik van Sluijs levantaram 200.000 dólares no Kickstarter para fazer um documentário sobre sua vida, chamado Be Natural, que tem como produtor executivo Robert Redford e é narrado por Jodie Foster.

Nascida na França, Alice Guy entrou no cinema ao ser contratada como secretária por Leon Gaumont, da Gaumont-Paris, após completar seus estudos na Suíça. A Gaumont, que produzia câmeras, passou a produzir filmes, e Alice, que ganhou responsabilidade na empresa, dirigiu em 1896 o curta-metragem La Fée aux Choux , considerado o primeiro filme narrativo da história do cinema. Ainda na França, continuou a fazer filmes sobre diferentes tópicos. Foi das primeiras pessoas a experimentar o som no cinema e a utilizar essa nova tecnologia, a partir de 1905. 

Alice conheceu o cameraman Herbert Blaché enquanto trabalhava em uma filmagem e os dois se casaram em 1906. Em seguida, foram a New York incumbidos de montar o escritório local da Gaumont.  Aparentemente, foi o marido quem a acompanhou em sua carreira da Gaumont, e não vice-versa, porém foi ele quem dirigiu esse escritório, enquanto ela criava a filha do casal, Simone. 

Em 1910, a cineasta montou sua própria produtora, Solax, em New York e construiu um estudio em Fort Lee, New Jersey, enquanto Herbert continuou na Gaumont

Depois de um período de bastante sucesso, a Solax entrou em crise e foi fechada. Apesar disso,  Alice continuou a dirigir vários filmes, mas se viu marginalizada, depois de seu boom criativo, pela indústria cinematográfica burocratizada e corporativa do pós-Guerra de 1914-18.

Retornou à França com sua filha em 1922, após se divorciar. Encontrou o país empobrecido pela guerra e com a indústria cinematográfica sucateada. Não conseguiu seguir com a carreira e, em 1964, retornou aos Estados Unidos, onde faleceu em 1968.

Espera-se que as novas iniciativas no sentido de regatar a memória de seu trabalho confiram o devido lugar de Alice Guy-Blaché na história da cinematografia mundial.

Referências
http://www.openculture.com/2014/10/alice-guy-blache-first-female-director.html
http://www.imdb.com/name/nm0349785/bio?ref_=nm_ov_bio_sm
https://www.nwhm.org/education-resources/biography/biographies/alice-guy-blache/
https://www.youtube.com/watch?v=DqlD7RLoNAI

Filmes
https://www.youtube.com/watch?v=UkT54BetFBI
https://www.youtube.com/watch?v=-p2hWW-dZ3g
https://youtu.be/47qRYJVIl9k
https://www.youtube.com/watch?v=CYbQO6pwuNs
https://www.youtube.com/watch?v=dQ-oB6HHttU
https://www.youtube.com/watch?v=AKQUiac27dM
https://www.youtube.com/watch?v=G7cpV9L5d84
https://www.youtube.com/watch?v=e8_fb3AtmVo

 

10
abril
2017
Páscoa, Pessach
postado sob cultura, história

A origem da comemoração da Páscoa cristã vem de muitos séculos atrás. O termo “Páscoa”  vem do latim Pascae, ou do grego Paska e, antes disso, do termo Pessach, dos hebreus, cujo significado é “passagem”. 


Pessach, a páscoa judaica
Esta data marca o êxodo do povo judeu, saindo do Egito, por volta de 1.250 a.C., onde haviam sido  escravizados pelos faraós, por muito tempo. Esta história encontra-se no livro Êxodo, do Velho Testamento da Bíblia: liderados por Moisés, fugiram, atravessando o Mar Vermelho por uma passagem que se abriu.
Nesta data, hoje em dia, os judeus seguem ritual com um jantar em que cada comida tem um valor simbólico: o matzá (pão sem fermento), a cenoura, o sal, o ovo, cada um simbolizando um momento e um sentimento relacionados ao êxodo.  
Para alguns estudiosos, a celebração do Pessach foi crucial para que a comunidade judaica preservasse seus laços nos mais diferentes lugares em que viveram e ainda vivem.

Entre as civilizações antigas
Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da Antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera eram de extrema importância, pois estavam ligados a maiores chances de sobrevivência, em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.
 
A Páscoa entre os cristãos
Entre os primeiros cristãos, a Páscoa já celebrava a ressurreição de Jesus Cristo e era realizada no domingo seguinte à lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março).  
Para os cristãos, a semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa. Esta semana tem início no Domingo de Ramos, data que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.   
 
A História do coelhinho da Páscoa e os ovos  
A figura do coelho está simbolicamente relacionada à fertilidade, porque é um animal que se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da Antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas.

Já a decoração de ovos de galinha, com tintas coloridas e desenhos delicados, aparece já no séc. 13, e uma das explicações para a tradição é a de que era proibido comer ovos na Quaresma, portanto as pessoas os pintavam e decoravam, nos dias de penitência e jejum, para comê-los na celebração da Páscoa.
 
Na Rússia, ovos de joalheria passaram a ser produzidos por Peter Carl Fabergé, em 1885, sob a encomenda do czar Alexandre III, como um presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna. Por fora, parecia um simples ovo de ouro esmaltado mas, ao abri-lo, havia mecanismos com uma gema de ouro que se abria e continha uma galinha que, por sua vez, continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Esses ovos são verdadeiras relíquias e foram produzidos até 1917, ano da Revolução Russa, para os czares. 

Os atuais ovos de chocolate são resultado do desenvolvimento da culinária e, antes disso, da descoberta do continente americano, já que, ao entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis pela divulgação do chocolate na Europa. Duzentos anos mais tarde foram fabricados, provavelmente na França, os primeiros ovos de chocolate da História, que permanecem como o principal símbolo da Páscoa.
 
Saiba mais, em matérias já publicadas anteriormente neste site
http://itaca.com.br/noticias/post/1196
http://itaca.com.br/noticias/post/1859
http://itaca.com.br/noticias/post/2437

Mais referências
http://brasilescola.uol.com.br/pascoa/pascoa-judaica.htm
http://www.suapesquisa.com/historia_da_pascoa.htm

20
março
2017
Pesquisa confirma o que já era sabido pelos habitantes da floresta: influências humanas na Amazônia são muito antigas
Foto reprodução: Edison Caetano
foto reprodução:  Val Moraes - Central Amazon Project

Apesar de o fenômeno já ser de conhecimento dos habitantes da floresta –indígenas e ribeirinhos – um estudo científico feito na Bacia Amazônica constata que as florestas da região foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos. Um processo muito antigo de manejo de espécies transformou boa parte da mata em gigantescos "pomares", repletos de espécies domesticadas de árvores. Examinando as plantas em sítios arqueológicos, um grupo de biólogos e arqueólogos encontrou a predominância de plantas domesticadas pelas sociedades pré-colombianas em alguns desses lugares, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

“Detectamos que perto de sítios arqueológicos há uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos índios”, conta a bióloga Carolina Levis, doutoranda no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e na Universidade de Wageningen, Holanda, e primeira autora de um artigo publicado na revista Science. 

Levi e seus colaboradores examinaram correspondências entre dados arqueológicos e botânicos, de dois bancos de dados. Um deles é o do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, compilado pelos arqueólogos Eduardo Tamanaha e André Junqueira, que tem dados de mais de 3 mil sítios arqueológicos. O outro é o criado pelo botânico Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, da Holanda, formando uma rede de pesquisadores, chamada ATDN (sigla inglesa de Rede de Diversidade de Árvores da Amazônia), que fizeram inventários botânicos em 1.170 parcelas de amostragem na Amazônia, listando mais de 4 mil espécies de árvores.

As diferenças na composição da floresta entre locais onde já houve povoamentos e áreas mais distantes são tão marcantes, que possibilita usar a composição da flora para localizar sítios arqueológicos. 

A pesquisadora detectou 85 espécies usadas e domesticadas pelos índios, como o açaí-do-mato, a castanha-do-pará e a seringueira.Algumas dessas plantas manejadas pelos antigos habitantes da região acabariam levando a produtos que hoje são consumidos no mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará. 

O holandês Hans Ter Steege já tinha mostrado que, apesar da imensa variedade de espécies, a Amazônia tem algumas árvores "campeãs", conhecidas como hiperdominantes: são 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.

“Esses grupos podem ter levado as plantas por grandes distâncias”, sugere Carolina. A correlação entre árvores hiperdominantes e indícios de populações humanas antigas é mais forte no sudoeste da Amazônia, como Rondônia, e também na região da foz do Amazonas, mas não se sabe se a distribuição dessas árvores foi alterada por muitas gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram justamente onde havia recursos variados para eles. Carolina acredita na primeira hipótese. “Encontramos árvores com preferências ecológicas distintas vivendo nas mesmas parcelas de amostragem, algo improvável de acontecer naturalmente.”

Há uma grande preocupação em relação ao desmatamento onde essas plantas são mais abundantes. “As linhagens silvestres das plantas usadas pelos índios estão nessa região, e preservar essa diversidade genética também é importante para a segurança alimentar”, afirma Carolina. 

Essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes não domesticadas só aparecem em 47% da bacia, o que sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original, como o cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.

A concentração de espécies domesticadas aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam e ainda servem como os principais caminhos de circulação dentro da mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto, alterando a composição natural de espécies da floresta.

A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos "selvagens" da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Já algumas espécies são classificadas como parcialmente domesticadas (como o cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau: oprimeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.

O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, afirma que esse processo de "engenharia florestal" amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta – solo fértil produzido pela ação humana, em parte pela queima de restos de vegetais.

Para o arqueólogo, o estudo confirma que, além de serem um patrimônio natural, as florestas da região também são um patrimônio cultural, por sua ligação estreita com a intervenção humana. 

Referências:
http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/um-imenso-pomar/
https://www.nexojornal.com.br/especial/2015/12/01/Cidades-da-Amazônia-a-floresta-que-nunca-foi-virgem
https://www.sciencedaily.com/releases/2017/03/170302143939.htm
http://science.sciencemag.org/content/355/6328/925
http://agencia.fapesp.br/populacoes_precolombianas_podem_ter_domesticado_a_amazonia/24870/
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/03/1863192-civilizacoes-pre-colombianas-moldaram-vegetacao-da-amazonia.shtml

7
março
2017
As mulheres e a ciência
foto divulgação
Um caso raro, mulher e negra, a engenheira Nadia Ayad, brasileira, venceu concurso mundial por sua pesquisa com carbono: http://www.geledes.org.br/engenheira-nadia-ayad-brasileira-vence-concurso-mundi

Há controvérsias sobre o porquê do dia 8 de março ser considerado o Dia Internacional da Mulher, mas provavelmente por ser a data de um incêndio que aconteceu em uma fábrica de tecidos em Nova York, no ano de 1857, que teria matado mais de 120 funcionárias, acontecimento que deu início a movimentos de luta pelos direitos femininos. 
Já abordamos esse assunto em publicações de março de 2015 e de 2016, que podem ser consultadas nos links:
http://itaca.com.br/noticias/post/1852
http://itaca.com.br/noticias/post/2421

Podemos também listar uma grande quantidade de mulheres que foram e ainda são muito importantes em diversas áreas do conhecimento, que venceram barreiras sociais muito fortes para competir no mercado de trabalho com os homens, além de receberem menores salários, mesmo depois de conquistar os mesmos postos de trabalho.

Nesta matéria, optamos por abordar a questão de gênero nas ciências que, de acordo com recentes pesquisas, tem origem já na infância.

A discriminação da mulher na formação científica

O jornal El País, em sua edição de 2 de fevereiro de 2017 (http://bit.ly/2lAmbjY),  cita pesquisas que investigam o porquê da pequena participação das mulheres no ambiente da ciência.

Um artigo da Revista Nature examina a presença das mulheres como avaliadoras dos trabalhos de seus colegas, uma das bases do sistema científico e acadêmico, que permite que as revistas científicas analisem a qualidade dos artigos submetidos para publicação. Através dessa análise, os avaliadores podem também melhorar em sua própria área de conhecimento e fortalecer vínculos com outros pesquisadores.
Em pesquisa da União Americana de Geofísica (AGU, na sigla em inglês), constata-se que, entre 2012 e 2015, a presença feminina entre os revisores foi de 20%, porcentagem inferior aos 27% de mulheres que conseguem ter aceitos artigos em que aparecem como primeiras autoras, e abaixo dos 28% de membros femininos da AGU. 
Em contraste, os autores da análise, Jory Lerback e Brooks Hanson, mostram que a porcentagem de artigos aprovados para publicação apresentados por mulheres é ligeiramente maior que a de homens (61% a 57%). Uma das possíveis interpretações para esses resultados, talvez a mais plausível, é que elas preparem melhor o envio de seus trabalhos já esperando encontrar mais dificuldades, coincidindo com outros estudos que indicam que as pessoas que esperam mais obstáculos dedicam mais esforço à preparação. Isso explicaria também, pelo menos em parte, por que as mulheres enviam menos artigos para publicação do que os homens. “Um processo de estudo duplo-cego poderia lançar mais luz sobre esses fatores”, propõem os autores do artigo na Nature.
Um estudo  liderado por Corinne A. Moss-Racusin, psicóloga do Skidmore College (Estados Unidos), sugere que os professores universitários, independentemente de seu gênero, avaliam de maneira mais favorável uma candidatura para diretor de laboratório se o candidato for um homem. Outras análises semelhantes observaram como candidaturas idênticas para postos fixos na universidade têm mais possibilidades de sucesso se o suposto aspirante for homem, mesmo que a seleção seja feita por indivíduos que dizem valorizar a igualdade e se consideram objetivos.

Outro artigo publicado na revista da Nacional Academy of Science dos Estados Unidos (nas.org), em 2015, afirma que apesar de haver uma grande quantidade de dados que refletem a desvantagem das mulheres nas carreiras ligadas à ciência e à engenharia,  esses dados são avaliados de forma desigual, dependendo de quem os avalia.  Os homens – principalmente em posições de poder dentro do mundo acadêmico – são mais reticentes em aceitar o valor dos dados apresentados, o que dificulta que essas desigualdades de gênero na ciência sejam reconhecidas e comecem a ser combatidas.

A discriminação aparece na infância

Em um outro estudo,  apresentado na revista Science, foi perguntado a meninos e meninas se acreditavam que uma pessoa descrita para eles como especialmente inteligente era de seu sexo ou do oposto. As crianças que tinham 5 anos não viam diferenças, mas a partir dos 6 ou 7 anos, a probabilidade de que meninas considerem a pessoa brilhante como sendo de seu sexo cai.

No mesmo estudo, percebeu-se que meninas mais velhas, a partir dos 6 anos, têm menos interesse em jogos que, segundo a descrição, teriam sido planejados para crianças muito inteligentes. Mas, o interesse não variava entre os gêneros quando o jogo era apresentado como dirigido a crianças muito persistentes. 

Os responsáveis pelo estudo consideram que essas ideias sobre gênero e inteligência, que aparecem em uma fase inicial da infância, podem afastar as meninas das carreiras em ciência e engenharia. Um dado interessante é que tanto meninos como meninas reconhecem que elas tiram melhores notas, o que sugere que não associam essas notas com brilhantismo. 
Agora, os autores querem entender as origens dessas diferenças de percepção.

A contribuição histórica feminina nas ciências

A contribuição feminina para a ciência começa muito antes de existir o Dia da Mulher e dos movimentos de revolução feminista. Reproduzimos abaixo uma lista da revista Galileu, apontando algumas mulheres que deixaram sua marca na evolução da sociedade: 
Hildegard de Bingen (1098-1179) 
Durante a idade média, mulheres se instruíram em conventos e foi como abadessa que Hildegard de Bingen (ou santa Hildegard, para a igreja anglicana) escreveu livros sobre botânica e medicina. Suas habilidades de médica eram conhecidas e frequentemente confundidas com milagres. Seus feitos se tornaram tão famosos que um asteroide foi batizado em sua homenagem: o 898 Hildegard. 
Maria Gaetana Agnesi (1718-1799) 
A matemática espanhola descobriu uma solução para equações que, até hoje, é usada. É ela a autora do primeiro livro de álgebra escrito por uma mulher. Também foi a primeira a ser convidada para ser professora de matemática em uma universidade. 
Ada Lovelace (1815 -1852) 
Ada é creditada como a primeira programadora do mundo por sua pesquisa em motores analíticos – a ferramenta que baseou a invenção dos primeiros computadores. Suas observações sobre os motores são os primeiros algoritmos conhecidos. 
Marie Curie (1867 – 1934) 
Esta lista não estaria completa sem a “mãe da Física Moderna”. Curie é famosa por sua pesquisa pioneira sobre a radioatividade, pela descoberta dos elementos polônio e rádio e por conseguir isolar isótopos destes elementos. Foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o prêmio: a primeira vez em Química, em 1903, e a segunda em física, em 1911. 
Florence Sabin (1871-1953) 
Florence é conhecida como “a primeira-dama da ciência americana” – ela estudou os sistemas linfático e imunológico do corpo humano. Tornou-se a primeira mulher a ganhar uma cadeira na Academia Nacional de Ciência dos EUA e, além disso, militava pelo direito de igualdade das mulheres. 
Virginia Apgar (1909 -1974) 
É ela a criadora da Escala de Apgar, exame que avalia recém-nascidos em seus primeiros momentos de vida, e que, desde então, diminuiu as taxas de mortalidade infantil. Especialista em anestesia, ela também descobriu que algumas substâncias usadas como anestésico durante o parto acabavam prejudicando o bebê. 
Nise da Silveira (1905- 1999) 
Psiquiatra renomada, a brasileira foi aluna de Carl Jung. Lutou contra métodos de tratamento comuns na sua época, como terapias agressivas de choque, confinamento e lobotomia. Durante a Intentona Comunista, em 1936, foi presa por possuir livros marxistas e acabou conhecendo o escritor Graciliano Ramos, que a transformou em uma personagem de seu livro “Memórias do Cárcere”. 
Gertrude Bell Elion (1918 -1999) 
A americana criou medicações para suavizar sintomas de doenças como Aids, leucemia e herpes, usando métodos inovadores de pesquisa – seus remédios matavam ou inibiam a produção de patógenos, sem causar danos às células contaminadas. Ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1988. 
Johanna Dobereiner (1924-2000) 
A agrônoma realizou pesquisas fundamentais para que o Brasil se tornasse um grande produtor de soja, além de ter desenvolvido o Proalcool. Estima-se que suas pesquisas fazem com que o nosso país economizem 1,5bilhões de dólares todos os anos, que seriam gastos em fertilizantes. Seu estudo sobre fixação de oxigênio permitiu que mais pessoas tivessem acesso a alimentos baratos e lhe rendeu uma indicação para o Nobel de Química em 1997. 

Referências e assuntos relacionados
https://asminanahistoria.wordpress.com/2016/10/10/15-mulheres-brasileiras-que-deveriamos-ter-conhecido-na-escola/
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI298221-17770,00-GRANDES+MULHERES+DA+CIENCIA.html
https://www.buzzfeed.com/alexandreorrico/nomes-mulheres-brasileiras-que-fizeram-historia?utm_term=.jiLQoa1jO#.ywrrzj5l6
http://mdemulher.abril.com.br/estilo-de-vida/20-mulheres-brasileiras-que-fizeram-historia/
http://www.revistaforum.com.br/digital/167/18-mulheres-brasileiras-que-fizeram-diferenca-parte-1/
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/noticias/407-mulheres-brasileiras
http://cnpq.br/pioneiras-da-ciencia-do-brasil#void
LEIA MAIS:
Homens ganharam 97% dos Nobel de ciência desde 1901
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/14/ciencia/1476437077_380406.html?rel=ma
Quem são as cientistas negras brasileiras?
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/24/ciencia/1487948035_323512.html

24
fevereiro
2017
Descoberta de 7 exoplanetas*
NASA/JPL-Caltech
Poster sobre como poderá ser viajar ao TRAPPIST-1
reprodução: https://exoplanets.nasa.gov/trappist1/
Uma comparação do sistema TRAPPIST-1 com o sistema solar. As órbitas menores dos planetas da TRAPPIST-1 se assemelham a Júpiter e seu sistema de luas
ilustração reproduzida de: http://www.spitzer.caltech.edu/images/6294-ssc2017-01h-The-TRAPPIST-1-Habitable-Zone
Dos 7 planetas do sistema TRAPPIST-1, 3 deles (TRAPPIST-1e, f e g) encontram-se na chamada "zona habitável" (representada em verde), onde astrônomos calcularam que as temperaturas são propícias à vida

Em um press release de 22 de fevereiro de 2017, a NASA (National Aeronautics and Space Administration), agência espacial dos Estados Unidos, anunciou a descoberta de um sistema de planetas similares à Terra, chamado TRAPPIST-1.  O Spitzer Space Telescope da Nasa revelou pela primeira vez um sistema de 7 planetas, de tamanho similar à Terra, orbitando ao redor de uma única estrela, tal qual o sistema solar. O sistema está na constelação de Aquário, a cerca de 40 anos-luz da Terra, o que não é considerado distante em termos astronômicos. Seus planetas receberam os nomes de Trappist-1b, 1c, 1d, 1e, 1f, 1g e 1h.

O nome da estrela agora descoberta vem de Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope (Trappist), telescópio instalado no Chile. Em maio de 2016, pesquisadores que trabalham com o instrumento identificaram três possíveis planetas no sistema da Trappist-1.

Esse sistema, de 7 planetas rochosos – todos eles com possibilidade de ter água na superfície – é uma descoberta emocionante para os que buscam a possibilidade de vida fora da Terra.

Três deles estão localizados em uma zona habitável (área ao redor de uma estrela onde um planeta rochoso tem condições de ter água em estado líquido). Em condições atmosféricas adequadas, todos podem ter água em estado líquido – chave da vida, nas condições que conhecemos –  , mas as maiores chances são para os 3 planetas. 

Novos estudos serão feitos para tentar determinar se e quais são realmente ricos em água na forma líquida. Seis deles tiveram suas massas estimadas pelos pesquisadores. Quanto ao sétimo, ainda sem massa estipulada, pode ser um objeto gelado.

Mas é preciso ressaltar que “Esses planetas potencialmente podem ter vida, mas não necessariamente. Há alguns problemas, como o fato de estarem muito próximos da estrela anã. Por isso, podem receber radiação muito energética da estrela e isso poderia dificultar a existência de vida”, disse Meléndez.

“Essa descoberta pode ser uma peça importante de um quebra-cabeças na busca de ambientes habitáveis, lugares que são conducentes para a vida”, afirma   Thomas Zurbuchen, administrador da Science Mission Directorate, da Nasa, em Washington.  “Responder à pergunta ‘Estamos sozinhos?’ é uma prioridade máxima e a descoberta de tantos planetas como estes em área habitável e pela primeira vez é um passo significativo em direção a esse objetivo”

Uma combinação de fatores torna a descoberta do sistema Trappist-1 dos mais importantes da história da pesquisa de mundos fora do sistema solar, porque ele reúne duas condições fundamentais: está perto o suficiente de nós e seus planetas realizam trânsitos frequentes à frente de sua estrela, com relação a observadores por aqui (não entendi), o que é raríssimo. 

Os planetas foram identificados ao passarem em frente à estrela.  “A estrela Trappist-1 é muito pequena e, por ter pouco brilho, um planeta facilmente poderia escurecê-la. Quando o planeta transita em frente à estrela, ou seja, quando passa na linha de visada entre a Terra e a estrela-mãe, isso causa uma pequena diminuição na luz da estrela. E, pelo fato dessa estrela ser muito pouco brilhante – ela tem um brilho intrínseco muito baixo –, então é mais fácil detectar planetas em sua órbita”, explicou o astrônomo peruano Jorge Meléndez, Professor do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo, que coordena o Projeto Temático “Espectroscopia de alta precisão: impacto no estudo de planetas, estrelas, a galáxia e cosmologia”.

Os milhares de planetas descobertos até hoje pelo satélite Kepler, da Nasa, fazem tais trânsitos, mas costumam estar longe demais.

"Para estudar esses planetas com maior nível de detalhe serão necessários, provavelmente, telescópios maiores do que o Spitzer. O Spitzer talvez possa ajudar um pouco mais, mas ele não terá a capacidade necessária para conhecer a atmosfera desses planetas", disse Meléndez.  

Meléndez é o único astrônomo brasileiro participante da missão Fast Infrared Exoplanet Spectroscopy Survey Explorer (FINESSE). Lançada pela Nasa em 2016, a missão tem o propósito de observar mais de 200 exoplanetas que realizam trânsitos no infravermelho, entre os 0.7 e os 5.0 micrometros, com um espectrógrafo muito estável e preciso. 

 

 

* Exoplaneta – ou planeta extra-solar – é um planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol, pertencendo a um sistema planetário diferente do nosso. Até o final da década de 1980, nenhum exoplaneta tinha sido detectado, devido principalmente à dificuldade tecnológica. 

A descoberta do primeiro exoplaneta foi anunciada em 1989, pelos cientistas Lawton e Wright

Referências
http://www.nature.com/news/these-seven-alien-worlds-could-help-explain-how-planets-form-1.21512 
https://www.nasa.gov/press-release/nasa-telescope-reveals-largest-batch-of-earth-size-habitable-zone-planets-around
https://exoplanets.nasa.gov/trappist1/
http://agencia.fapesp.br/sete_planetas_parecidos_com_a_terra_sao_descobertos_/24834/0X8 
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/02/1861255-transitos-dos-planetas-descobertos-facilitam-observacao-a-partir-da-terra.shtml=

21
fevereiro
2017
Paz e amor?
Foto divulgação
Gerald Holtom com sua criação
Desenhos de Holtom por ocasião da criação do símbolo
site da CND - acesse e conheça mais sobre essa organização - http://www.cnduk.org
foto divulgação

Um dos símbolos mundiais mais conhecidos, que nasceu em campanha contra as armas nucleares e hoje é o símbolo universal da paz, surgiu na Inglaterra, no final dos anos 1950.

Em 1950, políticos britânicos de esquerda uniram-se contra o programa nuclear na Inglaterra, em uma campanha unilateral de desarmamento, criando a Campanha para o Desarmamento Nuclear [Campaign for Nuclear Disarmament (CND)].

 Em 1958, Gerald Holtom (1914 - 1985), designer profissional e artista formado pelo Royal College of Arts, foi convidado a criar uma marca para uma manifestação do Comitê Contra a Guerra Nuclear [Direct Action Committee against Nuclear War (DAC)].  Partindo dos sinais semafóricos* referentes à letra N e D  (de Nuclear Disarmament), ele as fundiu, criando um símbolo único. Apresentou-o em uma reunião, em fevereiro de 1958, e seu símbolo acabou sendo utilizado pela primeira vez na marcha de Páscoa, intitulada Aldermaston march: entre os dias 4 e 7 de abril de 1958, aproximadamente 50 mil pessoas e marcharam por 83 km, de Trafalgar Square, em Londres, ao Atomic Weapons Establishment, em Aldermaston, Berkshire, para demonstrar oposição às armas nucleares. Foram produzidos 500 “pirulitos” de cartão em bastões, com o símbolo criado.

Há quem afirme que esse símbolo já existia em associações clandestinas, anticristãs. Na África do Sul, durante o regime do apartheid houve tentativas de banimento desse emblema, assim como grupos fundamentalistas norte-americanos já o ligaram associações satânicas ou condenaram-no como um símbolo comunista. O presidente da CND na época era o filósofo e matemático Bertrand Russel, conhecido ateu e esquerdista, o que fez com que os conservadores tentassem justificar por esses motivos sua oposição à entidade.

Propositalmente não patenteado ou de uso restrito, o sinal cruzou fronteiras nacionais e culturais, tornando-se o símbolo universal da paz. Popularizado pelo Movimento Hippie dos anos 1970, como símbolo de liberdade, pretendeu-se mesmo que fosse de uso livre para todos. Mas acabou também transformando-se em um símbolo explorado comercialmente, em anúncios e na moda. Quando utilizado para fins comerciais, o CND solicita doações para suas ações e frequentemente tem respostas positivas.

O símbolo continua sendo usado em ações de paz e esperança e tem sido visto em acampamentos de refugiados, protestos contra o câmbio climático e em demonstrações anti-Trident** – projetado e desenvolvido pela Lockheed Martin Space Systems e operado pelas marinhas dos Estados Unidos e do Reino Unido –, uma das maiores campanhas atuais da CND.
 

O alfabeto semafórico é um sistema de comunicação no qual se utiliza a posição dos braços para representar cada letra do alfabeto, incluído no código internacional de sinais da OMI (Organização Marítima Internacional}. Foi inventado pelo francês Claude Chappe, abade, engenheiro e inventor francês nascido em Brûlon, considerado o criador do primeiro sistema prático de telecomunicações, um sistema de transmissão mecânica para longas distâncias, que ele chamou de semáforo (1793). 

** O Trident é um SLBM - Mísseis balísticos lançados de submarino (em inglês: Submarine-launched ballistic missile) 

Referências
https://alchetron.com/Gerald-Holtom-1381326-W
http://www.cnduk.org/about/item/435-the-cnd-symbol
http://www.logodesignlove.com/cnd-symbol
http://peacemuseum.org.uk/cnd-logo-design/
http://www.bbc.com/news/uk-politics-13442735
http://www.cnduk.org/support-cnd/join-cnd
http://www.docspopuli.org/articles/PeaceSymbolArticle.html
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-simbolo-da-paz/
http://acracia.org/bertrand-russell-1872-1970/

6
fevereiro
2017
O que é o Ano Novo chinês?
postado sob cultura, história
foto reprodução
foto reprodução
foto reprodução
foto reprodução

Os primeiros registros sobre a comemoração do Ano Novo Chinês têm aproximadamente 2.000 anos. A tradição foi sendo moldada através dos séculos, por lendas, histórias e hábitos. Este ano, começou no dia 28 de janeiro.
Sabe por quê? O calendário chinês é lunissolar, ou seja, tem em consideração tanto as fases da lua como a posição do sol. Por esse motivo, o início de cada ano novo chinês cai sempre em uma data diferente da do calendário ocidental: começa na noite da lua nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo quinto grau de Aquário. Mas o rito de passagem de ano começa semanas antes, quando os chineses costumam fazer arrumação e limpeza em suas casas, para afastar maus espíritos.

No 23º dia do último mês lunar, oferecem comida ao Deus da Cozinha, que seria o responsável pela prosperidade familiar. Também costumam colar nas portas e janelas das casas papéis vermelhos, chamados Tao Fu, com dizeres de boa sorte em dourado, para proteger os moradores e atrair bons fluídos. 


Na noite da véspera, é servido o último jantar do ano no qual a família se reúne para a refeição de encerramento do ciclo anual. Nessa última noite são preparados pratos especiais para trazer todo o tipo de sorte, riqueza e felicidade. Não podem faltar os bolinhos em forma de lingotes de ouro; o peixe que representa o dinheiro; as tangerinas, também chamadas de laranjas da sorte; o prato feito com arroz moti que representa a prosperidade e o talharim (macarrão) que simboliza a longevidade. Todas as frutas e doces são servidos em bandejas ou pratos vermelhos.

Os mais velhos presenteiam os mais jovens e solteiros com dinheiro, entregue em um envelope vermelho, que não deve ser aberto na frente de quem presenteia. É comum que as notas dadas sejam novas, porque tudo relacionado ao Ano Novo deverá ser novo, visando a atrair sorte e fortuna.

Em seguida há queima de fogos, jogos e brincadeiras e a festa dura a noite toda, até o  amanhecer.  A comemoração toda só termina no 15º dia do mês, quando acontece a Festa das Lanternas, que este ano cai no dia 11 de fevereiro. 

Os animais, no zodíaco chinês
Cada ano é dedicado a um dos 12 animais do zodíaco chinês. Segundo a lenda, Buda chamou os animais para uma reunião e apenas doze se apresentaram. Em agradecimento os transformou nos signos da Astrologia chinesa.
São eles, de acordo com a ordem que teriam se apresentado a Buda: rato, boi, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e  porco.

De acordo com esse calendário, o ano de 2017 corresponde ao galo. 
O Ano do Galo já foi comemorado, no século 20, em 1909, 1921, 1933, 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005 e o seguinte será em 2029.
Segundo a astrologia chinesa, além dos animais, cada ano é associado a um dos 5 elementos: ouro, madeira, água, fogo ou terra. O elemento combinado com o animal forma o zodíaco do ano. 2017 é o ano do Galo de Fogo (o último foi em 1957), o que significa que quem nasceu nesse ano terá esse signo. Galos são caracterizados como ativos, trabalhadores, faladores, adoradores da vida social e acostumados a serem o centro das atenções.

Troca de presentes
Além dos envelopes vermelhos, é comum que se deem pequenos presentes (comida ou doces) a amigos e parentes. Vários mercados ou feiras locais são montados para a ocasião, em geral ao ar livre, para vender flores, brinquedos, roupas e fogos de artifício. Em alguns lugares existe a prática de compra da ameixeira, parecida com tradição ocidental de comprar nossa árvore de Natal.

Fogos de artifício
Na China antiga, caules de bambu eram preenchidos com pólvora com o objetivo de criar pequenas explosões para afastar espíritos malignos; hoje existe uma grande sofisticação nos fogos de artifício chineses. Acredita-se que os barulhos e fogos explodindo espantam os espíritos malignos.

Vestuário e simbologia
As roupas utilizadas durante todo o ano novo geralmente são vermelhas porque os chineses acreditam que a cor vermelha afugenta os espíritos malignos e a má sorte. Além disso, o vermelho é o símbolo da felicidade ou do prazer, e simboliza virtude, verdade e sinceridade. 
Balas, bolos, decorações e muitas outras coisas associadas com o ano-novo e suas cerimônias são coloridos de vermelho. Além do vermelho, o amarelo, o roxo e o dourado também são consideradas cores auspiciosas, pois segundo os chineses, atraem a riqueza e a prosperidade. As pessoas também vestem roupas novas da cabeça aos pés para simbolizar um novo começo em um novo ano. 

Retrato da família
Tirar fotografias é uma cerimônia importante quando os familiares se reúnem. A foto deve ser tirada no hall ou em frente à casa. O membro masculino mais velho da família se senta ao centro.

Festas nas ruas
Nas ruas é costume verem-se outras celebrações muito importantes como a Dança do Dragão e a Dança do Leão. A Dança do Dragão é uma das atrações mais importantes, e a coreografia é realizada com cerca de 20 pessoas, ajudando a trazer prosperidade, sorte e renovação.

Outras tradições
Na noite de Ano Novo todas as portas e janelas devem estar abertas à meia-noite para deixar o ano velho sair e a casa deve ser limpa antes do dia de ano novo. 

As dívidas também devem estar saldadas até esta data, para afastar o mau Feng Shui das finanças. 

Antes do dia de Ano Novo as famílias chinesas decoram as suas salas com vasos com botões de flores, laranjas e tangerinas e variedades de fruta cristalizada, para começar o ano de forma doce. 

Hoje em dia a tradição é comemorada em diversos países e as festividades são um atrativo para todas as culturas.  São Paulo tem comemorações no bairro da Liberdade, onde se concentra grande parte da comunidade chinesa. Fique ligado e visite o bairro para conhecer mais.

Referências:
http://www.camarabrasilchina.com.br/noticias-e-publicacoes/noticias/noticias-sobre-negocios-com-a-china/a-tradicao-da-celebracao-do-ano-novo-chines​
http://brasilescola.uol.com.br/china/ano-novo-chines.htm
http://www.aljazeera.com/indepth/inpictures/2017/01/year-rooster-millions-chinese-year-170128052310196.html
http://www.mariahelena.pt/pages/celebracoes-do-ano-novo-chines#sthash.Fef9coKP.dpuf
http://www.refinery29.com/2017/01/137349/year-of-the-fire-rooster-chinese-zodiac-2017
http://time.com/4648981/chinese-lunar-new-year-rooster/
https://chinanaminhavida.com/2017/01/28/ano-do-galo-e-os-desafios-para-2017/

31
janeiro
2017
Cores do sagrado, em São Paulo
postado sob arte, cultura
imagem: reprodução
Mãe senhora e Carybé
imagem: reprodução
imagem: reprodução
imagem: reprodução

A exposição As Cores do Sagrado, em cartaz na Caixa Cultural, Praça da Sé, é um rico apanhado da obra do pintor Carybé, abordando as tradições e os ritos do candomblé, religião de origem africana. A mostra apresenta aquarelas do artista e tem curadoria de sua filha Solange Bernabó, secretária do Instituto Carybé e membro do Conselho Curador da Fundação Casa de Jorge Amado. As imagens da exposição foram produzidas ao longo de três décadas (1950 a 1980) e registram as vivências do artista em terreiros de candomblé. Carybé retratou as cerimônias (ritos de iniciação, festas, incorporação dos orixás e rituais fúnebres) com precisão e detalhes. Uma de suas principais obras, que faz parte da mostra em São Paulo, é Mãe Senhora, sobre a famosa mãe de santo baiana, de quem Carybé foi amigo. 

Quem foi Carybé?
Definido como “argentino no nascimento, carioca por criação e baiano por opção”, o artista Carybé, cujo nome de batismo era Hector Julio Páride Bernabó, nasceu em 1911, na Argentina, viveu no Rio de Janeiro e depois em Salvador, lugar que considerava especial. Foi um dos mais produtivos e inquietos artistas que viveram no Brasil. Além de pintor, foi gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador, muralista. Frequentou o ateliê de cerâmica de seu irmão mais velho, Arnaldo Bernabó, no Rio de Janeiro, por volta de 1925. Entre 1941 e 1942, viajou por países da América do Sul. De volta à Argentina, traduziu com Raul Brié, para o espanhol, o livro Macunaíma, de Mário de Andrade (1893 - 1945), em 1943. Nesse mesmo ano, realizou sua primeira individual na Galeria Nordiska Kompainiet, em Buenos Aires. 

Em 1944, viajou para a Bahia e se encantou pela cultura local.  Desde 1950, quando se fixou definitivamente em Salvador, Carybé interessou-se especialmente pela religiosidade e pelos costumes locais e também pelo cotidiano de pessoas humildes, como pescadores, vendedores ambulantes, capoeiristas, lavadeiras e prostitutas, temas constantes em sua produção. 

Na Bahia, participou ativamente do movimento de renovação das artes plásticas, ao lado de Mario Cravo Júnior (1923), Genaro (1926 - 1971) e Jenner Augusto (1924 - 2003). Em 1957, naturalizou-se brasileiro. Publicou, em 1981, Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, pela Editora Raízes. Ilustrou livros de Gabriel García Márquez (1928), Jorge Amado (1912 - 2001) e Pierre Verger (1902 - 1996), entre outros.
O artista realizou ainda diversos painéis, como o que se encontra no Aeroporto J. F. Kennedy, de Nova York, no qual trabalhou com diversos materiais, e o que fez para o Banco da Bahia, composto por 27 pranchas esculpidas em cedro representando os orixás do candomblé.

Por quase toda a sua vida, acreditou que o apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava 'mingau ralo', o que lhe rendeu diversas brincadeiras.

Frequentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro. O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.

As 50 obras desta mostra, fazem parte das 128 incluídas no livro “Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia“, de 1981, com introdução de Jorge Amado e textos de Pierre Verger e Waldeloir Rego – esgotado e, hoje em dia, item de colecionador. É uma oportunidade única de ver esse trabalho. As Cores do Sagrado passou por Salvador, Recife e Rio de Janeiro e fica em cartaz na Caixa Cultural até 28 de fevereiro.  Não perca!


Carybé – As Cores do Sagrado
10/12/16 a 28/02/17, de terça a domingo das 9h às 19h
Caixa Cultural São Paulo: Praça da Sé, 111, Centro, SP
(11) 3321-4400
Entrada franca

Referências:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2017-01/exposicao-sobre-candomble-traz-aquarelas-do-artista-carybe
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1199/carybe
http://www.lilianpacce.com.br/e-mais/as-lindas-aquarelas-de-carybe-em-exposicao/
http://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2016/12/05/caixa-cultural-recebe-carybe.html
https://educacao.uol.com.br/biografias/carybe-hector-julio-paride-bernabo.htm

4
dezembro
2016
Quem são meus ancestrais?
postado sob Biologia, cultura, história

O DNA humano (ADN, ácido desoxirribonucleico, em português, ou DNA, deoxyribonucleic acid, em inglês) é como um código feito de três bilhões de letras. Ele é um composto de moléculas que contêm instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus, e que transmitem as suas características hereditárias.

O que é o teste de ancestralidade?
Teste de ancestralidade genética ou genealogia genética é uma forma de descobrir mais sobre a própria origem, além do que se conhece pela documentação ou relato familiar. E justamente exames de DNA podem dar indícios sobre os locais de origem de seus ancestrais, além de relacionamentos entre famílias: alguns padrões de variação genética são frequentemente comuns entre pessoas do mesmo ambiente. Quanto mais próximos são os indivíduos, famílias ou  populações, mais eles compartilham padrões genéticos.

Existem basicamente 3 tipos de testes de ancestralidade mais utilizados para pesquisas de genealogia:

• Teste de cromossomo Y: variações no cromossomo Y, passado exclusivamente de pai para filho, podem ser usadas para explorar a ancestralidade pela linha masculina, pois esses cromossomos são encontrados apenas nos homens.  Mesmo assim, frequentemente mulheres se interessam por esse teste, já que em muitas culturas os nomes de família são passados pela linha masculina, de modo que o teste de cromossomo Y pode esclarecer se há relações entre famílias de mesmo sobrenome.
• Teste de DNA mitocondrial: esse tipo de teste identifica variações genéticas em DNA de estruturas celulares chamadas mitocôndrias, que têm seu próprio DNA, apesar de que a maior parte do DNA se encontra no núcleo das células.
Tanto homens como mulheres têm DNA mitocondrial, que é passado pela mãe, de modo que o teste pode ser aplicado a ambos os sexos, produzindo informação sobre a linha ancestral materna. Esse teste pode fornecer informações perdidas dos registros históricos, uma vez que a maior parte dos sobrenomes são passados pela linha paterna, perdendo-se, então, o rastro da origem por linha materna.
• Teste de polimorfismo de nucleotídeo único ou polimorfismo de nucleotídeo simples (em inglês single nucleotide polymorphism; SNP): uma variação na sequência de DNA que afeta somente uma base (adenina (A), timina (T), citosina (C) ou guanina (G)), na sequência do genoma. Esse teste avalia um grande número de variações no genoma de uma pessoa. O resultado é comparado com o de outras pessoas que passaram pelo mesmo teste, de modo a estimar as suas origens étnicas. Por exemplo, o padrão de SNPs pode indicar que a origem de uma pessoa é 50 % africana, 25% europeia, 20% asiática, e 5% desconhecida. Genealogistas usam esse tipo de teste, pois aqueles de cromossomo Y e teste mitocondrial, que representam apenas uma das linhas ancestrais, não captam a origem étnica global de um indivíduo. 

Porém, testes de ancestralidade genética têm limitações, uma vez que as comparações com exames de outros indivíduos, que são importantes para o rastreamento étnico, dependem do banco de dados de cada laboratório que os aplicam.
Além disso, houve várias migrações na história de populações humanas e várias misturas entre grupos próximos, o que faz com que a etnicidade possa diferir das expectativas dos indivíduos. Em grupos étnicos com menos variações genéticas, devido ao seu tamanho e sua história, muitos indivíduos podem compartilhar váriosSNPs, tornando-se difícil distinguir do restante do grupo como um todo pessoas que têm recentes ancestrais em comum, como primos, por exemplo.

Há muitas empresas que comercializam esses testes, hoje em dia. Algumas delas oferecem fóruns online, que conectam pessoas que fizeram o teste e querem discutir e descobrir mais sobre ancestralidade em comum. Em uma escala maior, testes de ancestralidade de muitas pessoas podem ter seus resultados combinados como forma de os cientistas explorarem a história de populações e descobrirem como surgiram, migraram e se misturaram com outros grupos.

Para saber mais, veja o Genographic, projeto interessante da National Geographic:
https://genographic.nationalgeographic.com/news/

Referências
https://ghr.nlm.nih.gov/primer/testing/ancestrytesting
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/04/120418_ancestrais_idadepedra_pai.shtml
http://www.genera.com.br/teste-de-ancestralidade.php

Assista também

26
outubro
2016
Aconteceu no dia 08 de outubro: EXPRESSÃO, CORPO E CULTURA
postado sob cultura, educação, Ítaca

O que é:
Encontro anual de alunos, pais e professores do EF2 e EM, em que se privilegiam a expressão artística, corporal e esportiva, da nossa e das mais diversas culturas. Um happening cultural, corporal e esportivo.

Os objetivos
1) a expressão em linguagens diversas, como desenho, pintura, fotografia, poesia, teatro, dança, artes do corpo, jogos...
2) a compreensão do corpo como forma de expressão por meio da qual refletem-se traços de nossa cultura. 
3) a mescla, nessas expressões, de culturas diversas, em apresentações de danças como a grega e a  indiana; aulas abertas como as de tai-chi-chuan e a de hip hop; apresentações como a de gaita de fole escocesa e a de maracatu...entre muitas e muitas mais...
4) a valorização e a divulgação das expressões culturais dos mais diversos grupos humanos.
5) a apresentação de obras de alunos produzidas durante o ano letivo ou realizadas durante o próprio evento...

Em 2016
No dia 8 de outubro, teve a seguinte programação:
Jogo de futsal entre alunos e professores.
Feira de troca, com vistas a estimular o exercício da sustentabilidade.
- apresentação do Grupo de Capoeira Irmãos Guerreiro, de Mestre Marrom, com a participação de alunos.
Roda de Samba aberta ao público.
- Apresentação do Grupo de Teatro de alunos, sob a direção do diretor João Furtado, com o espetáculo Caleidoscópio Mambembe, uma releitura de peças clássicas como A Gaivota, de Anton Tchekov (Rússia, 1896), Woyzeck, de Georg Büchner (Alemanha, 1837), Sonhos de uma noite de verão, de William Shakespeare (Inglaterra, 1596) e A Cantora Careca, de Eugene Ionesco (França, 1950).
- Apresentação do Grupo Tamashii Taiko Falcão (Tambores do Japão, folclóricos), com o grupo Falcão Peregrino.
Exposição de obras diversas, de alunos do EF2 e EM.
Criação de grafite e pinturas a carvão, de alunos do EM.
Aula aberta de zumba, com a professora Regyna Rodrigues. 

Em 2017 vai ter mais!

 

 

22
agosto
2016
Livros Yanomami sobre costumes e alimentação

Ana Amopö: Cogumelos Yanomami, é o primeiro livro sobre cogumelos comestíveis a ser publicado no Brasil”, conta Moreno Saraiva Martins, antropólogo do ISA (Instituro Sócio-ambiental), que desde 2010 assessora os índios Yanomami, uma das maiores tribos relativamente isoladas na América do Sul. Eles vivem nas florestas e montanhas do norte do Brasil e sul da Venezuela.

Os cogumelos descritos no livro são encontrados, geralmente, em áreas de manejo agrícola e a publicação é uma contribuição do modo de vida indígena para a preservação da floresta e da biodiversidade. “As diferentes espécies de cogumelos [são cerca de dez] nascem nas árvores que apodrecem no chão, nas roças”, explica Marinaldo Sanuma, um dos pesquisadores autores do livro. 

A pesquisa contou com a participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Instituto de Micologia de Tottori do Japão, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), do Instituto de Botânica e do Instituto ATÁ, fundado pelo chef de cozinha Alex Atala. Os pesquisadores não indígenas Noemia Kazue Ishikawa e Keisuke Tokimoto foram fundamentais para fazer a ponte entre o conhecimento científico sobre cogumelos comestíveis e os conhecimentos que os Sanöma, grupo de Yanomamis que habitam no território de Roraima, detêm.

Salaka Pö – peixes, crustáceos e moluscos, são registros e análises dos conhecimentos dos Yanomami (Sanöma) sobre temas do cotidiano das comunidades da região de Auaris, no extremo oeste de Roraima, na Terra Indígena Yanomami, como as pescarias, as caçadas, as roças, os rituais funerários. São explicados quais os peixes, crustáceos e moluscos que utilizam, quais os tabus relacionados a cada espécie, as técnicas de pesca, de captura e as técnicas culinárias.

Ambos os livros são escritos em sanöma e traduzidos para o português, de modo que publicações ajudam a manter viva essa língua Yanomami e promovem um diálogo entre os conhecimentos dos indígenas sobre alimentos e os conhecimentos científicos.


Os livros são o resultado do trabalho de pesquisadores Yanomami da região do Auaris, em parceria com assessores do ISA e foram produzidos durante a formação dos pesquisadores promovida pela Hutukara Associação Yanomami (HAY), com o ISA e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quem quiser experimentar os cogumelos poderá encontrá-los à venda, secos, no Mercado de Pinheiros, no box Amazônia/Mata Atlântica. Os ganhos revertem integralmente às comunidades Yanomami produtoras. 

Para saber mais sobre os Cogumelos Yanomami acesse http://cogumeloyanomami.org.br/).


Referências e mais informações:
http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami
http://www.institutoata.org.br
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/yanomami-lancam-primeiro-livro-de-cogumelos-comestiveis-do-brasil
http://amazonia.org.br/2016/08/yanomami-lancam-primeiro-livro-de-cogumelos-comestiveis-do-brasil/
http://cogumeloyanomami.org.br
http://portal.inpa.gov.br

14
agosto
2016
As mulheres nas Olimpíadas
postado sob cultura, esporte, história
foto: divulgação
Rafaela Silva vence a final e leva a medalha de ouro no Judô, na Olimpíada Rio 2016

 

Se hoje, na Olimpíada Rio 2016, estão tendo bastante destaque e representam aproximadamente 45% dos atletas, as mulheres lutaram muito para chegar  a essa posição, enfrentando dificuldades - até hoje, inclusive - no mercado de trabalho convencional: a inclusão das mulheres nos Jogos Olímpicos foi uma conquista gradual, resultado de seu novo posicionamento na nova sociedade industrializada da segunda metade do século 19 e do decorrer do século 20. 

Os Jogos Olímpicos da Antiguidade 

Na Grécia Antiga, em Atenas, as mulheres tinham que andar cobertas dos pés à cabeça para não serem vistas, e não podiam participar de competições esportivas para não exporem seu corpo que, acreditava-se, devia ser reservado para a maternidade. Porém, na mesma época, os Jogos da Deusa Hera, cujos primeiros registros datam de 200 a.C. incluíam  atletas jovens e solteiras em competições a cada quatro anos, mas não conferiam a elas o status de heroínas, porque essas competições eram mais simples, não exigindo o mesmo preparo físico que os atletas masculinos, portanto elas não preencheriam os requisitos dos heróis olímpicos pelo tamanho corporal, força física, habilidades e técnicas.

O primeiro registro dos Jogos Olímpicos da Antiguidade – que eram em honra a Zeus - data de 776 a.C. Somente homens podiam competir, e as mulheres casadas eram terminantemente proibidas até mesmo de assistir, já algumas solteiras, em busca de marido, podiam ser espectadoras. 
Por outro lado, existe a hipótese de que a proibição da presença passivo-ativa feminina nas chamadas Panaceias (primeiros eventos esportivos do planeta, eram organizados a cada quatro anos para que os competidores se reunissem e celebrassem os Deuses) tivesse perfil político: para os gregos, apenas os cidadãos tinham direito à vida pública - como participar de eventos esportivos ou assistir a eles - e, para ser um cidadão grego era necessário, entre outros quesitos, guerrear; como as mulheres não desempenhavam essa função, sua participação aos jogos era vetada, restando-lhes naquela sociedade o direito de serem mães.


Já em Esparta, a vida era diferente da vida de Atenas: homens e mulheres recebiam a mesma educação. E esse modelo conferiu às espartanas características distintas: eram audazes, realizadoras, mais autoritárias e independentes, ou seja, qualidades necessárias para mulheres que permaneciam longos períodos sem a presença do marido, que precisava se dedicar ao exército.É interessante observar que as primeiras mulheres atletas vieram de Esparta, particularmente porque os espartanos acreditavam que as mulheres que eram saudáveis tinham condicionamento físico e se exercitavam regularmente teriam filhos saudáveis.


Participação das mulheres nos Jogos Olímpicos e Jogos Heranos
A primeira mulher que triunfou nos Jogos Olímpicos antigos foi a princesa espartana Kyniska. Ela não competiu, mas era a criadora dos cavalos de raça que foram vencedores nos Jogos de 396 a.C. e de 392 a.C.


Os Jogos Olímpicos da Antiguidade duraram 12 séculos, até serem abolidos, em 393, pelo imperador romano cristão Teodósio II, devido ao mau relacionamento entre gregos e romanos, à brutalidade e corrupção que reinava durante os Jogos, mas também porque ele acreditava que tais festivais eram pagãos. Alguns anos mais tarde, o estádio de Olímpia, onde aconteciam as competições, foi arrasado e os campos olímpicos destruídos. 

O Renascimento dos Jogos: tradição mantida 

Durante a Idade Média, os eventos públicos ainda eram apenas para os homens, porém as mulheres participavam de jogos com bolas. A partir do século XII, época do Feudalismo marcada pelas Cruzadas promovidas pela Igreja Católica, a mulher nobre desenvolveu várias habilidades como ler, escrever, caçar com falcões, jogar xadrez, contar estórias, responder questões com sagacidade, cantar, tocar instrumentos e dançar, apesar de ainda subjugada pelo marido ou, quando solteira, pelo parente homem próximo. Todas elas, nobres ou não, eram excluídas das atividades de lazer e esportivas.

No final do século XVIII e início do XIX, os cavalheiros ingleses levavam suas esposas para assistirem a torneios de boxe e corridas de cavalos, entre outros eventos. As mulheres praticavam boliche, cricket, bilhar, arco e flecha, jogos rudimentares de futebol e atividades na neve

As Olimpíadas ficaram desaparecidas por quase mil anos, até que alguns aficionados pelos Jogos Olímpicos da Antiguidade resolveramreavivá-las, nos séculos 18 e 19, em vários países europeus. Alguns desses empreendimentos foram bem sucedidos, outros não. 

Os Jogos Olímpicos da Modernidade

Em 1881, Ernst Curtius, um arqueólogo alemão que dirigia um grupo de pesquisa, descobriu as ruínas do estádio de Olímpia. Essa descoberta foi um dos fatores que evocaram no barão Pierre de Coubertin um interesse especial nos Festivais Olímpicos do passado, a ponto de, em 1892, ele propor um festival esportivo internacional que foi inicialmente mal recebido. 

Depois de anos defendendo essa ideia, em 1894, falando na Sorbonne, em Paris, num encontro com representantes de nove países, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, ele argumentou e propôs o renascimento dos Jogos Olímpicos numa escala internacional. Com a aprovação dos ouvintes, ele fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI) para organizar os Jogos Olímpicos e elaborar as regras para os eventos . 

A primeira Olimpíada moderna ocorre em Atenas, em 1896, por decisão de Coubertin, e vetou-se a participação feminina. Mas a grega Stamata Revithi desrespeitou a decisão e decidiu correr o percurso de 42 km da maratona, um dia depois da prova oficial masculina. Terminou quatro horas e meia depois da largada e este ato provocou o início da inserção feminina nos Jogos Olímpicos. 

Como consequência, as mulheres começaram a marcar presença olímpica oficialmente em Paris-1900, mesmo contra a vontade do Barão de Coubertin e ainda com pouca expressão numérica: Eram 22 mulheres e 997 homens, competindo em cinco esportes - tênis, vela, críquete, hipismo e golfe. A tenista britânica Charlotte Cooper deixou a sua marca, ao ganhar, nesta edição, o primeiro ouro olímpico feminino da história.
Elas usavam vestido com anáguas, meias com cinta-liga e chapéus, para competir no tênis, no golfe e no críquete, esportes liberados por serem mais bonitos e não exigirem contato físico.

Na edição seguinte, 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos, o número de mulheres diminuiria bastante: apenas 6 para 645 homens. Nos anos seguintes, 1908 e 1912, a média de mulheres aumentaria novamente: pouco mais de 30, 40 participantes para uma média de 2 mil homens. 

Os Jogos Olímpicos ficaram suspensos por oito anos devido à I Guerra Mundial. Em 1920, as Olimpíadas de Antuérpia, na Bélgica, marcaram o retorno dos Jogos e também a estreia do Brasil, mas ainda sem representantes femininas brasileiras. 
Nosso país teve sua primeira participação em 1920, mas apenas em 1932 uma mulher, a nadadora Maria Lenk, comporia sua delegação. Ela representou não apenas a primeira mulher brasileira, mas a primeira mulher sul-americana a participar de uma Olimpíada. Maria Lenk não conseguiu medalhas, mas sua participação em várias edições do evento foi memorável, e nas preparações para as Olimpíadas de 1940 quebraria recordes mundiais. Infelizmente, em razão da II Guerra Mundial, as Olimpíadas de 1940 foram canceladas.  

O patrocínio sempre foi um fator decisivo para a participação da mulher atleta nos Jogos Olímpicos e as mulheres tiveram dificuldades até ganhar credibilidade e romper a barreira machista dos comitês locais e de patrocinadores. As viagens eram proibitivas para as mulheres antes de conquistar patrocinadores, uma vez que, mesmo quando tinham um trabalho fora de casa, ganhavam menos do que os homens, não podendo arcar com as viagens.  A expressividade de sua participação ocorreu, enfim, apenas a partir da década de 80. 
A primeira medalha feminina só veio para o Brasil em Atlanta -1996, quando foi introduzido a categoria vôlei de praia. Jaqueline Silva e Sandra Pires ganharam a medalha de ouro, numa final inédita entre duplas brasileiras. E foi apenas em 2008 que veio a primeira medalha de ouro feminina em prova individual, conquistada por Maureen Maggi, no salto em distância. 

No século XXI, nota-se que as mulheres têm participação muito próxima da masculina nos Jogos Olímpicos, rompendo longo processo de discriminação pelos homens. A grande diferença porcentual entre atletas masculinos e femininos foi reduzida neste século, como resultado da evolução social, e hoje elas representam quase a metade do número total de atletas nas competições, obtendo resultados importantíssimos e ganhando respeitabilidade.


Veja os dez momentos inesquecíveis protagonizados pelas mulheres nos Jogos Olímpicos  (por rio2016.com)

1.  As mulheres participaram pela primeira vez dos Jogos em Paris - 1900, quatro anos depois dos homens, com 22 atletas competindo em cinco esportes: tênis, vela, críquete, hipismo e golfe. A tenista britânica Charlotte Cooper deixou a sua marca ao ganhar, nesta edição, o primeiro ouro olímpico feminino da História

Charlotte Cooper (Foto: COI)

 

2.  Em Tóquio -1964, a ginasta ucraniana Larisa Latynina subiu pela 18ª vez ao pódio - marca que lhe rende, até hoje, o título de maior medalhista olímpica entre as mulheres. Foram nove ouros no total.

Larisa Latynina, ao centro (Foto: COI)

 

3.  Nos Jogos Cidade do México - 1968, foi a vez de a velocista mexicana Enriqueta Basilio fazer história como a primeira mulher a acender a pira olímpica, na cerimônia de abertura dos Jogos.

Enriqueta Basilio (Foto: COI)

 

4. O hipismo é o único esporte olímpico em que as mulheres competem diretamente com os homens por medalhas. Em Munique - 1972, a alemã Liselott Linsenhoff tornou-se a primeira mulher a vencer uma prova contra os homens, na competição de adestramento.

Liselott Linsenhoff , à direita (Foto: COI)

 

5. Aos 14 anos, a romena Nadia Comaneci alcançou uma conquista inédita nos Jogos Montreal – 1976: a primeira apresentação perfeita de ginástica artística, recebendo nota 10 de todos os jurados nas barras assimétricas. O feito foi tão surpreendente, que o placar não estava preparado para exibir todos os dígitos da nota - no lugar de 10,00, apareceu 1,00.

Nadia Comaneci (Foto: Getty Images)

 

6.  Em Los Angeles - 1984, a marroquina Nawal El Moutawakel tornou-se a primeira mulher africana e muçulmana campeã olímpica da História, após vencer a prova dos 400m com barreiras. Para homenageá-la, o rei do Marrocos decretou que todas as meninas nascidas naquela data seriam batizadas com seu nome. Atualmente, Nawal é presidente da Comissão de Coordenação do COI para os Jogos Rio - 2016.

Nawal El Moutawakel (Foto: Getty Images/ Tony Duffy)

 

7.  No mesmo ano, a arqueira neozelandesa Neroli Fairhall ficou mundialmente conhecida como a primeira atleta paraplégica a participar dos Jogos Olímpicos.

Neroli Fairhall (Foto: COI)

 

8. Já para o Brasil, a primeira medalha olímpica feminina veio em forma de dobradinha nos Jogos Atlanta – 1996: Sandra Pires e Jacqueline Silva subiram ao topo do pódio após vencer a final contra outra dupla brasileira - Mônica Rodrigues e Adriana Samuel - no vôlei de praia, garantindo-se, assim, ouro e prata para o país. 

Sandra Pires e Jaqueline Silva (Foto: Getty Images/Doug Pensinger)

 

9. As mulheres estrearam nos ringues de boxe, em Londres - 2012, quando a britânica Nicola Adams tornou-se a primeira campeã olímpica do esporte, ao vencer a chinesa Ren Cancan na final da categoria até 51 kg. Ganhou status de heroína nacional.

Nicola Adams, à esquerda (Foto: Getty Images / Scott Heavey)

 

10. Também em Londres - 2012, uma chinesa de 16 anos roubou a cena na natação. Além de quebrar o recorde mundial nos 400m medley feminino, Ye Shiwen surpreendeu o mundo ao nadar os 50 metros finais mais rápido que o astro norte-americano Ryan Lochte, campeão na mesma prova. Foram 17 centésimos de diferença.

Ye Shiwen, à direita (Foto: Getty Images/Clive Rose)
2
agosto
2016
Uma obra de design: a tocha olímpica
postado sob cultura, design, esporte
foto divulgação
foto divulgação

 

A chama olímpica é um importante símbolo dos Jogos. Representa a paz, a união e a amizade. A tocha é usada para passar a chama de um condutor para o outro, durante um contínuo revezamento, até o acendimento da pira na cerimônia de abertura do evento.

Como é tradição, a tocha olímpica foi acesa na cidade de Olímpia, na Grécia, e trazida ao Brasil de avião, passando de tocha em tocha até ser utilizada para acender a pira olímpica na abertura dos jogos, seguindo-se um rígido protocolo. De Olímpia ao Maracanã, a chama passará por cerca de 12 mil tochas durante o revezamento, percorrendo aproximadamente 500 municípios.

O design da tocha para os Jogos Olímpicos Rio de Janeiro 2016 é muito sofisticado e complexo e foi concebido em apenas dois meses. A equipe dos designers Gustavo Chelles e Romy Hayashi, que foi responsável pelo projeto, imergiu na história olímpica e brasileira e desenvolveu 200 conceitos diferentes até chegar ao modelo apresentado, que venceu um concurso.

“Esse prazo era relativamente curto. O modelo da tocha tem de ser bem aceito por culturas diferentes”, comentou Chelles. “A tocha tem de representar muito bem os valores olímpicos, mas também ter a cara do Rio e do Brasil”, afirma Beth Lula, diretora de Marcas do Comitê Rio-2016.

 

O grande diferencial desse design de tocha está no momento do “beijo” – quando uma tocha encosta na outra para transmitir a chama olímpica durante o revezamento. Nesse instante, ela ganha cores e movimento.

“Quando acionamos o gás, ela se abre e revela cores que remetem ao País”, destaca Gustavo. “Começa com uma cor que remete ao solo do Brasil e ao calçadão de Copacabana, passa pelas ondas do mar do nosso litoral com o azul, vai se esverdeando como nossas matas, e termina com um amarelo que representa tanto o sol quanto o ouro olímpico.”

foto divulgação

Ela também é ecologicamente correta, feita com uma estrutura de alumínio reciclado. 

Algumas curiosidades
– A tocha pesa cerca de 1,5kg e tem 69cm.
– Ela será conduzida no total por 12 mil pessoas.
– Percorrerá 36 mil km (20 mil por terra e 16 mil de avião).
– A tocha é como um isqueiro gigante: tem um combustível líquido e um sistema que o transforma em gás para a queima.
 – O revezamento da tocha, com a participação de diversas pessoas, surgiu em Berlim, em 1936.
– A tocha navegou no espaço e passou debaixo d’água, em 2000. Nesse ano, os jogos foram disputados em Sydney (Austrália).
– A chama apaga sim. Ela pode apagar e isso acontece diversas vezes, mesmo sendo projetada para que não aconteça.
– Uma série de lanternas muito parecida com lampiões também são acesas com o mesmo fogo sagrado, numa espécie de backup do fogo original. Assim no caso de apagar, pode ser acesa com o mesmo fogo do ritual da Grécia.
– Ela é vigiada 24h por dia, inclusive enquanto ‘dorme’ em hotéis
– A primeira vez que um brasileiro carregou a tocha foi em 1992. Lara de Castro, uma estudante de educação física, então com 19 anos, venceu um concurso e teve a felicidade de levá-la.
– A última pessoa que leva a tocha e que consequentemente acende a pira é mantida em segredo e revelada apenas instantes antes, na abertura da Olimpíada.
– As pessoas que carregam as tochas podem comprá-las. Apenas os condutores tiveram a oportunidade de comprar a tocha olímpica dos Jogos do Rio de Janeiro 2016. Quem optou por adquiri-la, teve que desembolsar R$1.985,90. Quem foi convidado pelos patrocinadores ganhou o objeto, já que as empresas fizeram o pagamento antecipado da tocha.

Representações na tocha Rio 2016:
– O Céu - O ponto mais alto da Tocha Olímpica é representado pelo Sol, que, assim como o brasileiro, brilha e ilumina por onde passa. Sua cor remete ao ouro, símbolo da conquista máxima dos Jogos.
– As Montanhas - A beleza natural do Rio, expressa nas curvas verdes de seus morros e vales.
– O Mar - Ondulações azuis, orgânicas e fluidas representam o mar, tão presente nas paisagens do Brasil e do Rio.
– O Chão - Nossa terra, que faz parte da nossa história. Representada pelo calçadão de Copacabana, o pedacinho de chão mais famoso do Brasil.

 PILARES
– Espírito Olímpico - Presente na textura triangular que remete aos 3 valores Olímpicos (excelência, amizade e respeito) e no efeito de flutuação dos segmentos, inspirado nos corpos dos atletas voando no ar.
– Diversidade Harmônica - Um eixo multicomposto expressa união e diversidade, com partes individuais que formam um conjunto. Energia Contagiante - Os segmentos se abrem e liberam energia para o momento do beijo (quando a chama passa de uma tocha para outra).
– Natureza Exuberante - Recortes revelam as formas orgânicas da natureza do Rio e as cores do Brasil.

 referências
https://www.rio2016.com/tocha-sobre
http://design.ind.br/sn/
http://www.designbrasil.org.br/design-em-pauta/tocha-olimpica-de-2016-inova-ao-ganhar-cores-e-movimento/ http://www.designergh.com.br/2015/07/o-design-da-tocha-dos-jogos-olimpicos.html http://thehypebr.com/2015/07/08/projeto-da-tocha-olimpica-do-rio-de-janeiro-2016/ http://torrestem.com.br/especial-tocha-olimpica-4/

 

21
junho
2016
Origem da Festa Junina
postado sob cultura, história
no nordeste do Brasil, as festas juninas são muito grandes.

No hemisfério norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 ou 22 de junho no hemisfério Norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas e os egípcios, aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas. "Na Europa, os cultos à fertilidade em junho foram reproduzidos até por volta do século 10. Como a igreja não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês", diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que, quando São João nascesse, acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida.

Ainda hoje a fogueira é o traço comum que une todas as festas juninas europeias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França) e as celebrações ainda são centradas no dia do solstício do verão astronômico. Alguns optam por realizar o rito em 21 de junho, mesmo quando este não é o dia mais longo do ano, e alguns comemoram em 24 de junho, o dia do solstício, no tempo dos romanos. Os antigos romanos também realizavam um festival em honra do deus Summanus, em 20 de junho. 

Essas festas foram convertidas em festividades cristãs, passaram a homenagear os três santos católicos - São João, São Pedro e Santo Antônio - e foram trazidas para o Brasil pelos portugueses, durante o período colonial.
As festas juninas brasileiras são, hoje em dia, multiculturais, apesar de sua origem cristã. A música e os instrumentos usados (cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco etc.) estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos ao Brasil pelos povoadores e imigrantes.

As roupas caipiras são uma clara referência à população rural que povoou principalmente o nordeste do Brasil e pode-se encontrar semelhanças no modo de vestir caipira no Brasil e em Portugal. As decorações que enfeitam os arraiais também se originam em Portugal, junto com as novidades trazidas da Ásia pelos portugueses na época dos descobrimentos, tais como enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora, provenientes da China. Embora os balões tenham sido proibidos no Brasil, para evitar perigosos incêndios todos os anos nesse período, ainda são usados em algumas localidades de Portugal. Acredita-se que da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas.  Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  
 
Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.  
 
Festas Juninas no Nordeste 
 
Comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer pelas chuvas, raras na região, que servem para manter a agricultura.
 
As festas representam também um importante momento econômico, quando muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos nessa época.
 
Comidas típicas 

Como o mês de junho é a época da colheita do milho no hemisfério Sul, grande parte dos doces, bolos e salgados relacionados às festas juninas são feitos de milho, como pamonha, curau de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho. 
 
Outras comidas típicas das festas juninas são o arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bom-bocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

Principais tradições 
 
Além das fogueiras, da dança de quadrilhas, enfeites e comidas típicas, no Nordeste ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros, que andam e cantam pelas ruas das cidades, passando pelas casas, em cujas janelas os moradores deixam comidas e bebidas para eles.
 
Na região Sudeste é comum a realização de quermesses - festas populares realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas, com barraquinhas de comidas típicas e jogos. 
 
Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são também comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta do alimento. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem também comer desse pão.

Referências:
http://www.suapesquisa.com/musicacultura/historia_festa_junina.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_junina
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surgiram-as-festas-juninas
 

22
abril
2016
PESSACH - Páscoa
postado sob cultura, história

(baseado em texto de Jean-Yves Leloup*)

Pessach, correspondente judaico à Pácoa cristã, é a festa da liberdade.  Começa ao pôr do sol desta sexta-feira, 22 de abril, e termina ao anoitecer de sábado, 30 de abril.

Pessah, em hebraico, quer dizer passagem. A passagem, no rio, de uma margem à outra, a passagem de um pensamento a outro, a passagem de um estado de consciência a outro. A passagem de um modo de vida a um outro modo de vida. 

A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói o própria casa sobre uma ponte. Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio – a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino – e fazer a ponte entre essas nossas diferentes partes, entendendo que estamos de passagem.

Lembrando do caráter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas as coisas, a Páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna.

É a passagem da escravidão para a liberdade, simbolizada pela migração dos hebreus, do Egito para a terra prometida.

Veja também nossa publicação em anos anteriores:
http://itaca.com.br/noticias/post/1859

 

* Jean-Yves Leloup é um escritor, teólogo e padre ortodoxo francês. Doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, aborda nos seus livros, conferências e seminários um aprofundamento dos textos sagrados, assim como uma abordagem e uma reflexão sobre a espiritualidade no cotidiano.

Perito em conferências, um dos mais solicitados no continente europeu, divulga por todos os recantos do Planeta suas idéias claramente holísticas. Ele é inclusive presidente da Universidade Holística Internacional de Paris, bem como orientador do Colégio Internacional dos Terapeutas. Leloup é considerado um dos filósofos mais consagrados dos nossos dias. Ele visita freqüentemente o Brasil, geralmente durante eventos produzidos pela Universidade da Paz – Unipaz.

12
abril
2016
Os mosaicos de Zeugma
localização da cidade de Zeugma

Três novos mosaicos foram descobertos na antiga cidade grega de Zeugma, localizada às margens do Rio Eufrates, na atual província de Gaziantep, sul da Turquia, segundo anunciou, no início do mês de novembro de 2015, Kutalmýþ Görkay, diretor do projeto de escavações e professor da Universidade de Ancara.

E, apesar de esses mosaicos datarem de aproximadamente 200 a.C., estão em ótimo estado de conservação.

A cidade grega, que se chamava Seleuceia, foi fundada por Seleucus, à beira do rio Eufrates, em aproximadamente 300 a.C.,  juntamente com a cidade de Apamea, na outra margem (esta em homenagem à sua esposa persa). Seleuceia tornou-se o principal ponto de cruzamento entre as 2 margens do rio, ligando a Anatólia à Mesopotâmia. Pela sua posição estratégica, tornou-se, ainda, centro da legião romana e importante cidade de fronteira entre Ocidente e Oriente. Supõe-se que foi cena de frequentes encontros interculturais, pelo que se encontrou em suas escavações. 

Mais tarde, no século 64 a.C., o Império Romano conquistou a região e renomeou a cidade como Zeugma, que significa “ponte”, em grego antigo.  Os romanos ocuparam Zeugma até 253 d.C., quando esta caiu em decadência, após ser saqueada e tomada pelo Império Sassânida, persa.

O sítio arqueológico, hoje território da Turquia, foi descoberto em 1970 pelo alemão Jorg Wagner, e as escavações começaram a tomar corpo, sob os auspícios do Ministério da Cultura da Turquia, nas décadas de 1980/90.

Mas foi apenas em 2.000, com a construção da barragem de Birecik, que inundaria grande parte da cidade antiga, que apelos internacionais levaram à mobilização do governo turco para um projeto arqueológico emergencial que pudesse salvar e restaurar parte da história da cidade: as escavações revelaram um conjunto de 2.000 a 3.000 casas bem conservadas.

Com recursos do Ministério da Cultura e da Packard Humanities Institute, uma equipe italiana de 100 arqueólogos e 25 restauradores trabalharam exaustivamente, sob temperaturas elevadas, retirando mosaicos e afrescos que foram transferidos para o Gaziantep Museum.  Na impossibilidade de retirar todos os mosaicos, alguns deles foram protegidos com camadas de argila e outros materiais semelhantes aos utilizados na época de sua construção, depois cobertos de areia, para continuarem conservados após o alagamento provocado pela barragem.

A partir de 2005, as escavações de Zeugma e a coordenação das pesquisas ficaram a cargo do Prof. Kutalmış Görkay, da Universidade de Ankara, Departamento de Arqueologia.

O professor Kutalmış revela o caráter dos mosaicos encontrados: “Eles eram um produto da imaginação do seu dono. Não eram simplesmente ‘escolhidos a partir de um catálogo’”, explica. “Eles pensavam em cenas específicas, a fim de criar uma impressão específica. Por exemplo, se você tivesse um nível intelectual para discutir literatura, então você podia selecionar uma cena como a das três musas”.

Veja alguns dos links abaixo, que permitem aprofundar sobre o assunto, além de acompanhar alguns lindos procedimentos de restauro.

http://zeugmaarchproject.com/index.php/english/zeugma

https://dailymedia.info/stunning-2200-year-old-mosaics-discovered-ancient-greek-city-2/

http://paleonerd.com.br/2015/07/19/mosaicos-romanos-encontrados-em-zeugma-turquia/

https://dailymedia.info/stunning-2200-year-old-mosaics-discovered-ancient-greek-city-2/

http://hypescience.com/mosaicos-de-2-000-anos-de-idade-sao-descobertos-na-turquia-antes-de-serem-perdidos-em-inundacao/

5
fevereiro
2016
Carnaval de rua em SP
postado sob cultura
baressp.com.br
Bloco Vai Quem Quer, na Vila Madalena, em 2015
Amauri Nehn/PhotoRioNews
Alessandra Negrini à frente do Acadêmicos do Baixo Augusta, em 2014
Blog do Iba Mendes
Carnaval de rua em SP, no início do século 20

O Carnaval de rua de São Paulo, em 2016, oferece extensa programação promovida pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC): entre os dias 6 e 9 de fevereiro, cinco palcos distribuídos pela cidade apresentam shows musicais com artistas e bandas residentes e convidados (como o Batida DJ Set, de Portugal) além dos próprios blocos de rua.

No Carnaval do ano passado, a SMC promoveu o Baile da Batata. A ideia foi um sucesso e este ano foi replicada, com a ampliação dos palcos com shows em todas as regiões da cidade: Pirituba (zona norte), M’Boi Mirim (zona sul), Itaquera (zona leste) e Vale do Anhangabaú (centro), além do seu local original, o Largo da Batata, em Pinheiros.

No Largo da Batata, o grupo feminino Orquídeas do Brasil – nome dado por Itamar Assumpção à banda que o acompanhava no início dos anos 1990– e a cantora Anelis Assumpção, filha de Itamar, são os mestres de cerimônia e apresentam um show com músicas típicas de Carnaval. Em cada dia do feriado, revezam-se diversos artistas no local, assim como blocos carnavalescos, que também se apresentam para animar a festa.

No Vale do Anhangabaú (região central) , a programação do feriado terá uma abertura especial, dia 6, por meio de um intercâmbio inédito com o Festival Rec-Beat, que existe há mais de vinte anos e consolidou-se como um dos mais importantes festivais independentes do Brasil, promovido regularmente durante o feriado de Carnaval, no Recife.

No domingo, o palco Anhangabaú será encerrado com a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, que convida o cantor Samuel Rosa, do grupo Skank, para uma participação.. 

O palco Taipas, zona Norte de São Paulo, terá como banda residente Os Opalas, que convidam artistas como Paula Lima, Bebeto, Nereu e Sandra de Sá. A abertura é sempre com um bloco convidado.

O palco Itaquera, na zona Leste, terá a banda Glória como residente no sábado, domingo e terça-feira, recebendo convidados como Elza Soares (dia 6),  Pepeu Gomes (dia 7) e Otto (dia 9).

Em M’Boi Mirim, zona Sul, a banda Sandália de Prata, que há 10 anos transita com qualidade pelo samba-rock, gafieira e partido alto, com temperos de jazz, soul e rap, comanda o encerramento, no sábado, domingo e terça-feira, também sempre recebendo um convidado. 

No sábado, a Casa de Cultura da Freguesia do Ó (zona Norte) recebe o Bloco Urubó para um baile de Carnaval.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
http://carnavalderua.prefeitura.sp.gov.br

 

 

 

20
janeiro
2016
FESTA DE ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
postado sob cidadania, cultura, música

No próximo dia 25 de janeiro, São Paulo completa 462 anos. A Secretaria Municipal de Cultura organizou uma comemoração de 3 dias de atividades, no sábado 23, domingo 24 e segunda 25. A festa terá caráter democrático, com atrações gratuitas, abrangendo todas as regiões da cidade e ocupando equipamentos culturais: teatros, centros culturais, Casas de Cultura, além de CEUS e palcos externos. 
 
No sábado, dia 23, vários shows acontecerão: Negra Li, Supla, DJ KL Jay, a dupla de irmãos Luciana Mello e Jairzinho, Karina Buhr, Raimundos, Maria Gadú, entre outros. 
Ainda no sábado, um dos destaques é o cantor Criolo, que apresenta o show “Convoque seu Buda”, no Palco Parelheiros, a partir das 18h. E serão montados palcos especiais com atrações, no Glicério [Edi Rock], na Vila Maria [Rappin Hood], e Itaquera [Mc Garden].
 
No dia 24, domingo, um dos destaques é o Trio Elétrico de Daniela Mercury, que fará uma apresentação em ritmo de pré-Carnaval, saindo da esquina das Avenidas Faria Lima e Rebouças, a partir das 16h30. E na #‎PaulistaAberta, o grupo teatral Pia Fraus encenará o espetáculo 'Bichos do Brasil'.
 
Na segunda, 25 de janeiro, dia do aniversário da cidade, o Centro Esportivo e de Lazer Tietê receberá os shows do grupo Demônios da Garoa e, na sequência, Gilberto Gil, a partir das 16h, relembrando antigos sucessos da carreira. Demônios da Garoa, conjunto que entrou, em 1994, para o Guinness Book como "Conjunto Vocal Mais Antigo do Brasil em Atividade", lembrará sucessos de Adoniran Barbosa e cantará músicas recentes que fazem parte do repertório da banda. 
 
Em parceria com a São Paulo Carinhosa, a Secretaria Municipal de Cultura oferece uma programação especial para as crianças, nas Ruas Abertas, entre elas, as Avenidas Sumaré e Paulista, que terão brincadeiras e atividades circenses, nos dias 24 e 25 de janeiro. 
 
Veja a programação completa:
http://www.guiadasemana.com.br/aniversario-de-sp
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/noticias/?p=19543

14
dezembro
2015
ARTE NA MODA: conjunto completo da coleção de moda 'MASP Rhodia'
postado sob arte, cultura, design
Metro Arquitetos: http://www.metroo.com.br/projects/view/112

A Rhodia era uma indústria química francesa que promovia seus fios sintéticos no Brasil há aproximadamente 50 anos, causando furor por meio de desfiles-show, editoriais e coleções de moda ousadas. Lançava duas coleções por ano, que viajavam em desfiles pelo Brasil e exterior. Essa estratégia foi criada pelo visionário gerente de publicidade da empresa, Lívio Rangan (1933-1984). Apresentados na Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit), o maior evento de moda da época, os desfiles-show, realizados entre 1960 e 1970, pareciam espetáculos e reuniam artistas de teatro, da dança, música e das artes visuais. 

O MASP (Museu de Arte de SP) detém uma coleção de 79 peças da época, selecionadas por Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor-fundador do museu, e doada em 1972 pela Rhodia. Esse conjunto que reúne roupas de diferentes coleções, é o único remanescente dessa produção. As peças são únicas, feitas sob medida e apenas para promoção da marca.  Rangan trazia referências da moda internacional revolucionária da époça e escolhia artistas brasileiros para reprocessarem essas informações, em um rico diálogo com a arte contemporânea do momento. 

Pela primeira vez, o MASP exibe seu acervo completo de vestuário da Rhodia, com roupas criadas a partir da colaboração entre artistas e estilistas na década de 1960. 

O conjunto inclui artistas que trabalhavam com a abstração geométrica, como Willys de Castro (1926-1988), Hércules Barsotti (1914-2010), Antonio Maluf (1926-2005), Waldemar Cordeiro (1925-1973) e Alfredo Volpi (1896-1988); com a abstração informal, como Manabu Mabe (1924-1997) e Antonio Bandeira (1922-1967); com referências populares brasileiras, como Carybé (1911-1997), Aldemir Martins (1922-2006), Lula Cardoso Ayres (1910-1987), Heitor dos Prazeres (1898-1966), Manezinho Araújo (1910-1993), Gilvan Samico (1928-2013), Francisco Brennand e Carmélio Cruz; e outros associados a uma vertente da arte pop, como Nelson Leirner e Carlos Vergara.

A coleção MASP Rhodia é um acervo fundamental para enxergar o potencial criativo da colaboração entre arte, moda, design e indústria, e que permanece único e insuperável no Brasil. Que sirva de inspiração para criatividade e novas discussões no momento atual na moda.

Serviço
Arte na moda: Coleção MASP Rhodia
23 de outubro de 2015 a 14 de fevereiro de 2016
Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30);
quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Tel (11) 3149-5959
Ingressos: R$ 25 (entrada); R$ 12 (meia-entrada) (O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo, e às quintas-feiras, a partir das 17h)

Referências:
http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=239&periodo_menu=breve
http://ffw.com.br/noticias/moda/masp-abre-dialogo-com-a-moda-em-exposicao-de-vestidos-estampados-por-artistas-dos-anos-60/
https://catracalivre.com.br/sp/bom-bonito-barato/barato/masp-apresenta-conjunto-completo-da-colecao-de-moda-masp-rhodia/

 

29
outubro
2015
Uma novíssima olimpíada: Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI)
- veja como foi
postado sob cultura, esporte, história

Aconteceu, de 23 de outubro a 01 de novembro de 2015, em Palmas, capital do estado de Tocantins, a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), sob iniciativa do Ministérios dos Esportes, Agricultura, Defesa e Cultura, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, da Prefeitura de Palmas, do governo do estado do Tocantins, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 

O evento mundial foi consequência de uma versão nacional dos jogos, que vem acontecendo desde 1996, organizada por grupos de indígenas brasileiros.

Em entrevista à agência da ONU, o ministro dos Esportes, George Hilton, destacou a importância do evento para aproximar as populações indígenas do resto da sociedade brasileira.
Segundo o ministro, a realização dos JMPI é uma maneira de incluir as demandas das etnias indígenas brasileiras no contexto dos grandes eventos esportivos que o país tem sediado desde 2007. “Fechamos esse ciclo também com as comunidades indígenas por entender que, além de ser um esporte de inclusão social, tem um apelo muito forte para integrar os povos, para levantar bandeiras importantes que as comunidades indígenas têm”, afirmou. Para Hilton, os Jogos permitem dar visibilidade à situação dos povos indígenas: "o desafio é que não só o evento esportivo possa integrar essas comunidades do mundo inteiro, mas sirva também como um fórum de discussão de outras conquistas pleiteadas por essas comunidades". 
O ministro também afirmou que o governo está atento a questões de inclusão, como a presença das mulheres e deficientes físicos nas competições.

Os jogos congregaram cerca de 2,3 mil atletas indígenas de 22 etnias brasileiras e de mais 23 países, com o lema “Em 2015, somos todos indígenas”. 
Veja os países participantes:
    •    Argentina
    •    Bolívia
    •    Brasil
    •    Canadá
    •    Chile
    •    Colômbia
    •    Costa Rica
    •    Estados Unidos
    •    Etiópia
    •    Filipinas
    •    Finlândia
    •    Gambia
    •    Guatemala
    •    Guiana Francesa
    •    México
    •    Mongólia
    •    Nicarágua
    •    Nova Zelândia
    •    Panamá
    •    Paquistão
    •    Paraguai
    •    Peru
    •    Rússia
    •    Uruguai
O evento foi composto majoritariamente por esportes indígenas, e dividido em:
- jogos tradicionais, em caráter de demonstração,
- jogos nativos, de integração
- esportes ocidentais competitivos, com a proposta de promover a unificação das etnias e dos povos indígenas.

“Estamos vindo para apresentar a cultura e mostrar que somos bons nos esportes, inclusive no esporte não indígena. Hoje recebemos material esportivo e vamos treinar mais futebol e corrida. O mundo todo vai conhecer a cultura Xerente”, garantiu, na abertura do evento, o vice-coordenador esportivo da delegação para os Jogos, Silvino Sirwãwe Xerente.

Além dos indígenas das Américas, também estiveram presentes povos da Nova Zelândia, Congo, Mongólia, Rússia e Filipinas. Do Brasil, cerca de 23 etnias estavam inscritas para participar da competição. Nos primeiros três dias de evento, todas as etnias brasileiras e estrangeiras participaram de atividades como passeios pelos pontos turísticos de Palmas, como forma de ambientação e integração.

O Comitê de Acolhida às Delegações contou com o apoio de lideranças do povo Xerente, anfitrião dos JMPI. O povo Xerente vive a 70 quilômetros ao norte da cidade sede dos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), entre os rios Tocantins e do Sono. Nas aldeias que circundam o munícipio de Tocantínia, 50 atletas dessa etnia se prepararam para competir em diversas modalidades.

Não faltaram oportunidades para os participantes apresentarem suas habilidades. Os jogos de integração, com esportes tradicionais praticados pela maioria dos povos indígenas brasileiros, envolveram modalidades como arremesso de lança, arco e flecha, cabo de força, canoagem, corrida de cem metros, corrida de fundo e corrida com tora. 

Os jogos de demonstração apresentam modalidades que são particulares de cada povo, ou seja, praticados e disputados por integrantes da própria etnia. O objetivo é incentivar o resgate às práticas tradicionais.

Os JMPI são uma oportunidade única de difundir a prática de esportes entre os indígenas brasileiros e de difundir as modalidades típicas já existentes entre eles. 


Saiba mais:

http://alfarrabioteske.blogspot.com.br/2015/10/o-que-vi-ouvi-e-senti-na-abertura-dos-i.html​
http://www.jmpi2015.gov.br
https://www.facebook.com/JogosMundiaisDosPovosIndigenas/
http://nacoesunidas.org/onu-e-governo-do-brasil-reunem-etnias-de-22-paises-nos-jogos-mundiais-dos-povos-indigenas/
http://nacoesunidas.org/brasil-e-onu-lancam-a-primeira-edicao-dos-jogos-mundiais-dos-povos-indigenas/=

19
outubro
2015
Mais uma Mostra Internacional de Cinema!
postado sob arte, cidadania, cinema, cultura
cartaz da mostra, com desenhos de Martin Scorcese

De 22 de outubro a 4 de novembro, acontece a tradicional Mostra Internacional de Cinema, de São Paulo. Durante duas semanas, serão exibidos 312 títulos de 62 países, em 22 endereços - cinemas, espaços culturais e museus - espalhados pela capital paulista, incluindo-se exibições gratuitas e ao ar livre.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é um festival anual, organizado pela Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema.  Foi criada em 1977, quando o crítico de cinema e então diretor do departamento de cinema do Museu de Arte de São Paulo (MASP) Leon Cakoff resolveu celebrar o 30º aniversário do Museu com uma mostra de filmes. 
 

A MOSTRA E A CENSURA DO GOVERNO MILITAR

Durante os primeiros 7 anos de festival, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar, a Mostra teve uma série de problemas com a censura : frequentemente os filmes tinham que ser mostrados a uma comissão de censores para serem liberados para exibição. Muitas vezes, as diversas embaixadas tinham que ajudar no envio de material para o Brasil.

Em 1984, último ano da ditadura, a Mostra saiu do Masp e ganhou uma batalha contra a submissão dos filmes à censura prévia.  No entanto, foi suspenso na primeira semana, após exibir o filme O Estado das Coisas (1982 , de Wim Wenders. Essa interrupção do festival pela censura teve repercussão internacional e durou 4 dias, tempo em que os censores assistiram a todos os filmes, voltando a controlar as exibições.

A 9ª edição da Mostra,  em 15 a 31 de outubro de 1985, já foi totalmente livre de censura.
 

IMPORTÂNCIA E REPERCUSSÃO

"A história da Mostra Internacional de São Paulo é o relato de uma batalha constante contra a censura, as leis arbitrárias, o descaso pela cultura. É, finalmente, uma luta pela criação e preservação de uma memória coletiva"
Comentário do cineasta Walter Salles, diretor de "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta".

Nos seus 39 anos de existência, a Mostra cresceu e tornou-se um evento de grande escala, que acontece em diversos lugares da cidade, exibindo anualmente mais de 300 filmes do mundo todo e dando ao Brasil uma visibilidade importante no meio cinematográfico internacional.

O diretor de cinema Fernando Meirelles acredita que, se não fosse a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o público local conheceria apenas as grandes produções comerciais norte-americanas e europeias.  

Diversos diretores e produtores de cinema brasileiros, além de convidados internacionais, ganham espaço na Mostra, participando ativamente de exibições, debates e entrevistas. Alguns convidados internacionais tiveram destaque desde 1977, como Dennis Hopper, Pedro Almodóvar, Park Chan-Wook, Miguel Gomes, Victoria Abril, Jane Birkin, Guy Maddin, Abbas Kiarostami, Claudia Cardinale, Amos Gitai, Les Blank, Quentin Tarantino, Maria de Medeiros, Wim Wenders, Alan Parker, Manoel de Oliveira, Christian Berger, Kiju Yoshida, Atom Egoyan, Danis Tanovic, Satyajit Ray, Eizo Sugawa, Theo Angelopoulos, Marisa Paredes, Rossy de Palma, Geraldine Chaplin e Jonas Mekas.

Além disso, a Mostra também produziu alguns filmes de curta metragem, dirigidos por seus organizadores Leon Cakoff e Renata de Almeida e por convidados.

Leon Cakoff, fundador, organizador e diretor do evento, faleceu em 2011, logo depois da 35ª edição da exibição . Sua viúva e coprodutora do festival, Renata de Almeida, continuou o trabalho.
 

A 39ª MOSTRA, em 2015

A seleção deste ano faz um apanhado do que da produção do cinema contemporâneo mundial está produzindo, além das principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas.

Ela é composta por seis seções: 
1- Competição Novos Diretores - exibe títulos de diretores que tenham realizado até dois longas (os mais bem votados pelo público serão vistos pelo Júri Internacional, que escolhe posteriormente os que vão receber o Troféu Bandeira Paulista)
2 - Perspectiva Internacional - apresenta um panorama do recente cinema mundial
4 - Retrospectiva - seção com clássicos e títulos de importantes diretores restaurados pela The Film Foundation
5 - Homenagem - celebração ao centenário do diretor italiano Mario Monicelli, com exibição de cinco títulos restaurados
6 - Apresentações Especiais - sessões em espaços alternativos ou de filmes que completam obra de diretores selecionados pelo evento; Mostra Brasil - títulos brasileiros inéditos em São Paulo.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI
 

Referências
http://39.mostra.org/br/pag/informacoes-gerais
https://www.facebook.com/mostrasp
https://en.wikipedia.org/wiki/São_Paulo_International_Film_Festival=
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/morre-leon-cakoff-fundador-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/n1597279416140.html
http://www.guiadasemana.com.br/cinema/noticia/dossie-da-mostra-internacional-de-cinema-2015​
http://www.ccine10.com.br/39a-mostra-internacional-de-cinema-de-sao-paulo-cobertura/​

 

8
outubro
2015
OS BRINQUEDOS DO ARTISTA TORRES-GARCÍA, na Biblioteca Mario de Andrade
postado sob arte, cultura, história
divulgação
divulgação
divulgação
divulgação
divulgação
pintura de Torres-García
divulgação
pintura de Torres-García
divulgação

Inspirado tanto pela experiência com seus filhos pequenos quanto pela atividade docente na escola progressista Mont D’Or (na cidade catalã de Tarrasa) – onde ministrou aulas de desenho –, o artista uruguaio Joaquín Torres García produziu, entre 1915 e 1916, uma série de brinquedos de madeira que, anos mais tarde, durante sua estadia nos EUA, ele registraria com a marca Aladdin Toys. Compostos por peças intercambiáveis que davam à criança a possibilidade de desmontá-los e voltar a montá-los livremente, os brinquedos permitiam uma interação diferente, na qual a forma poderia ser fragmentada, usufruída e reconstruída, conferindo  dinamismo à concepção.

Agora, temos a chance de conhecer bem de perto toda essa experiência lúdica, com a mostra na Mario de Andrade. Dedicada à família, a abertura da exposição contará também com oficinas para o público infantil.
 
Sobre o artista
Joaquín Torres-García nasceu em Montevideo, Uruguay, 28 de julho de 1874, filho de mãe uruguaia e pai catalão. Considerado o pai do Construtivismo latino-americano, viveria  por cerca de 40 anos nos Estados Unidos e Europa.
 
Devido a dificuldades econômicas, ele e a família voltaram à terra natal, em junho de 1891, e Torres-García passou a estudar desenho, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Mataró, e pintura com o artista Josep Vinardell (1851-1918).  Em 1892, sua família se mudou para Barcelona, onde ele continuou estudando Artes, na Academia de Bellas Artes, e, em seguida, na Academia Baixas além de frequentar o café Els Quatre Gats, onde artistas de vanguarda, como Pablo Picasso, e intelectuais e escritores se encontravam.  Nesse período, conheceu Antoni Gaudí, com quem colaborou, de 1903 a 1907, nas obras do Templo Expiatório da Sagrada Familia e nos vitrais da Catedral de Palma de Mallorca.

Em 1918, começou a projetar brinquedos de madeira como extensão de seus ensinamentos. Esses brinquedos, que variavam de formas simples a construções complexas, foram uma introdução ao que Torres-García iria fazer em sua obra de arte construtivista. Ele continuou com os brinquedos após se mudar para New York, em 1920; em 1922 eles foram colocados em produção na Europa.
Torres-García fixou-se em Paris, em 1926, e depois de ser rejeitado no Salão de Outono de 1928, começou seus experimentos no Construtivismo.
 
Seu trabalho equilibra formas naturais e elementos plásticos, muitas vezes incorporando signos de referência das culturas indígenas da América do Sul. 
Em 1929, Torres-García conheceu Piet Mondrian (1872-1944) e, com ele e  Michel Seuphor (1901-1999), formou o movimento Cercle et Carré (Circulo e Quadrado). O grupo surgiu como alternativa artística ao Surrealismo, movimento dominante na época em Paris. O grupo se apresentou ao público, em 1930, com um jornal homônimo e uma exposição de 46 artistas construtivistas, na Galerie 23 de Paris
Torres-García deixou o grupo em 1930, depois de muitos desentendimentos com Seuphor.
Após um curto período em Madri, onde ele lecionou e deu palestras, voltou ao Uruguai em abril de 1934. Ali, fundou a Asociación de Arte Constructiva (Associação de Artistas Construtivistas) e publicou o jornal Circulo y Cuadrado, que introduziu a arte dos vanguardistas do cubismo, neoplasticismo e construtivismo aos artists de no seu país.  
Publicou inúmeros artigos de Teoria da Arte e difundiu suas ideias, convidando os artistas, em 1935, a inverterem a tradicional hierarquia, colocando a América Latina em destaque sobre a Europa, em seu texto Escuela del sur . Seu mapa invertido das Américas é um forte ícone dessas ideias.
Torres-García teve diversas exposições individuais, incluindo uma no  Museo de Arte Moderna de Madrid (1933); Musée National d'Art Moderne de Paris (1955); Museo de Bellas Artes, Caracas, Venezuela (1980 e 1997) e a Sala Torres-García na Bienal em duas Bienais de São Paulo (1959 e 1991). Torres-García morreu dia 8 de agosto de 1949, em Montevideo.
 
Serviço
Torres García – El niño aprende jugando - exposição
Biblioteca Mario de Andrade
Rua da Consolação, 94
Telefone: (11) 3775-0002
Abertura: 11/10 domingo, às 14h
Local: Sala Oval
visitação gratuita:
de 12 de outubro a 15 de dezembro de 2015
segunda a sexta das 8:30h às 20:30h
sábado das 10:00h às 17:00h
 
Referências
http://www.guggenheim.org/new-york/collections/collection-online/artists/bios/1029/Joaqu%C3%ADn%20TorresGarc%C3%ADa
http://www.ceciliadetorres.com/pdf/artbio_1.pdf
http://jtorresgarcia.com
https://www.facebook.com/BibliotecaMariodeAndrade/info?tab=page_info
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/programacao/index.php?p=12096

 

8
setembro
2015
O valor do tempo
postado sob cidadania, cultura
Banco de tempo de Santa Maria da Feira, em Portugal

Sabem a expressão "tempo é dinheiro"? Em um banco de Santa Maria da Feira, em Portugal, ela é bem real. 
Os atendentes, voluntários, não lidam com dinheiro, mas com tempo. Em vez de lucros, o Banco do Tempo persegue outro objetivo: a felicidade das pessoas. Os bancos de tempo existem em Portugal há 13 anos, e na pacata Santa Maria da Feira, chegaram há um ano e meio. Quem levou uma unidade para lá foi a economista aposentada Margarida Portela, que destaca:

"Apesar de se chamar Banco de Tempo, a instituição portuguesa não é um banco típico, mas sim uma instituição de cunho social onde as pessoas podem “depositar” o seu tempo, em troca do tempo de outras pessoas.
Cada membro oferece um determinado serviço, como aulas de inglês, de bricolagem, ou até consultas médicas, sendo que todos os serviços têm o mesmo valor, só contando o tempo durante o qual esse serviço é prestado.”

Quando uma pessoa faz um trabalho para outra, pode depositar um “cheque do tempo”, que depois poderá usar para obter um outro dos serviços fornecidos pelos outros membros do banco.

Com 28 agências espalhadas por Portugal, o Banco de Tempo esclarece no seu site qual a sua missão:
“Através das trocas e dos encontros, o Banco de Tempo enriquece o mundo relacional das pessoas que nele participam, joga um papel importante na recuperação, em novos moldes, da solidariedade entre vizinhos e no combate à solidão; favorece a colaboração entre pessoas de diferentes gerações, proveniências e condições sociais. Contribui também para o desenvolvimento e partilha de talentos e facilita o acesso a serviços que dificilmente poderiam ser obtidos, dado o seu valor de mercado. O Banco de Tempo suscita questionamentos e incentiva mudanças no modo como vivemos em sociedade.”

Uma excelente ideia para aproximar as comunidades, ao mesmo tempo que nos ajudamos uns aos outros.
Os Bancos de Tempo são uma alternativa econômica, solidária, que defende uma visão transformadora da sociedade e das relações que existem entre as pessoas. Esta visão considera outras prioridades, aspirando a uma qualidade de vida melhor, questionando os modelos dominantes e experimentando outras vias de construção social e econômica. 

As primeiras associações desse tipo nasceram no Reino Unido, nos anos 1980, com o nome de Local Exchange Trading System (LETS). Estas experiências demonstram uma preocupação original em se organizar uma economia “alternativa”.  A ideia foi difundida e apareceu em diversos outros lugares: na França onde assume a denominação SEL - Systèmes d'échange), na Espanha (TROCA), na Holanda, Alemanha e Escandinávia.

Na Italia, algumas associações desse tipo surgiram em 1988, na região de Emilia-Romagna, mas o termo "banco de tempo" foi usado pela primeira vez em Parma, no início dos anos 90. No começo dos anos 2000 houve um grande interesse pelo assunto, que se tornou tema de artigos, entrevistas, teses, publicações.

Em dezembro de 2012, foi lançado o TimeRepublik, um banco de tempo global digital, com o objetivo de eliminar as fronteiras dos bancos de tempo tradicionais e aproximar os jovens desse tipo de atividade, antes mais utilizada por pessoas mais velhas. Em janeiro de 2014, o TimeRepublik superou 10 mil usuários, espalhados por 80 países. 

Em todos eles o funcionamento é parecido: um eletricista, por exemplo, se inscreve no Banco do Tempo, oferecendo-se para trocar as lâmpadas de uma casa. Após uma hora de trabalho, ele tem direito a uma hora de um serviço qualquer de que ele precise – por exemplo, aula de informática. O professor de informática, por sua vez, tem direito a uma hora de massagem, e por aí vai. 

Há um pouco de tudo nesse projeto: troca de lâmpadas, limpeza, cursos de idiomas, massagens, pessoas dispostas a passar roupa e até a ensinar a andar de bicicleta.

O primeiro banco de tempo exclusivamente brasileiro foi criado no final de 2012 e chama-se Winwe. Está claro de que essa é realmente uma tendência que veio para ficar.

Princípios e objetivos explicitados pela organização portuguesa Banco de Tempo:
Objetivos:
• Apoiar a família e a conciliação entre vida profissional e familiar, através da oferta de soluções práticas de organização da vida cotidiana;
• reforçar as redes sociais de apoio, diminuir a solidão e promover o sentido de comunidade e de vizinhança;
• promover a colaboração entre pessoas de diferentes gerações e origens;
• contribuir para a construção de uma cultura de solidariedade e para o estabelecimento de relações sociais mais humanas e igualitárias;
• valorizar o tempo e o cuidado dos outros;
• estimular os talentos e promover o reconhecimento das capacidades de cada um/a;

Princípios:
• Troca-se tempo por tempo: a unidade de valor e de troca é a hora;
• todas as horas têm o mesmo valor: não há serviços mais valiosos do que outros;
• há obrigatoriedade de intercâmbio: todos os membros têm que dar e receber tempo;
• a troca não é direta: o tempo prestado por um membro é-lhe retribuído por qualquer outro membro;
• a troca assenta na boa vontade e na lógica das relações de “boa vizinhança”: os serviços prestados correspondem a actividades que se realizam com gosto e, para as realizar, não podem exigir-se aos membros certificados ou habilitações profissionais. 

As ajudas que se desencadeiam entre os membros do Banco de Tempo correspondem, muitas vezes, a pequenos serviços que tipicamente se trocam dentro das fronteiras familiares e entre amigos e que, em alguns casos, dificilmente se encontram no mercado.

 

Referências:

http://www.winwe.com.br
http://www.bancodetempo.net/pt/
http://www.chiadomagazine.com/2015/06/conheca-o-banco-onde-unica-moeda-aceite.html
http://www.cidac.pt/files/6614/1484/3229/COMRCIO_JUSTO_FAZENDO_A_DIFERENA_ARTIGO.pdf
http://www.banchedeltempo.to.it/cos
http://www.graal.org.pt/projecto.php?id=2
http://www.bancodetempo.net/files/Newsletter_1439400990.pdf
https://timerepublik.com

8
setembro
2015
UM DOCE ANO de 5776
postado sob cultura, história

Comemora-se, do dia 13 ao 15 de setembro, o Rosh Hashaná (literalmente “Cabeça do Ano”, em Hebraico), o Ano Novo pelo calendário judaico.  Pela história da religião, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, Deus criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele. 

A cada Rosh Hashaná, o judaísmo coroa o seu rei, Criador do Mundo, anunciando isso com o soar do Shofar - instrumento sonoro, feito de chifre - símbolo central do Rosh Hashaná. Ao seu toque, desperta-se a necessidade da comunhão entre irmãos, o retorno à fé, além de conduzir cada indivíduo para um exame de consciência. 

O Rosh Hashaná é um período de grandes festas, reflexões, de conservar e transmitir ensinamentos às gerações mais jovens. É o momento de se consolidar o estilo de vida judaico, por meio de suas tradições e de sua religião. 

Tradicionalmente, na noite do Rosh Hashaná os judeus vão à sinagoga rezar. Em seguida, as famílias se reúnem em volta da mesa de jantar onde há rezas e vários alimentos simbólicos são ingeridos sendo que um pedido é feito para cada alimento. 

Uma fatia de maçã doce é mergulhada no mel, ao recitar a bênção da fruta (Borê Peri Haetz):”Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce”. E assim, para cada alimento (mel, peixe, romã, cabeça de carneiro ou peixe,feijão, abóbora, tâmara), há uma reza e uma simbologia específica. Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. 

SHANA TOVAH UMETUKAH - um ano doce para todos!

11
agosto
2015
Uma experiência com quase todos os sentidos
postado sob cidadania, cultura

Não há nada para ver no Dialogue Museum, em Frankfurt, Alemanha: visitantes de Diálogo no escuro ( Dialogue in the Dark), descobrem o invisível.

Em 6 salas eles sentem o mundo pela perspectiva de quem não tem visão, guiados pela equipe de cegos do dark team. O ambiente ganha outra qualidade: confusos, contemplativos e impressionados, aqueles que têm visão aprendem a enxergar de outras maneiras.  Não há nada para ver, mas há muitas coisas para se ouvir, sentir, cheirar e sentir o gosto. Não se trata de uma simulação de cegueira e sim de uma aventura envolvendo quase todos os sentidos.
Com isso, o Dialogue Museum afasta a concepção negativa da deficiência visual, que é frequentemente associada a ignorância e falta de orientação.

No restaurante Taste of Darkness (Gosto da escuridão), visitantes precisam confiar apenas em suas narinas e línguas para distinguir qual é a delicia que está em seus pratos.  
Crianças, em geral, têm mais facilidade do que os adultos, sempre dispostas a descobrir coisas novas. As mais ordinárias situações tornam-se aventuras e, sem serem guiados por cegos, que caminham no escuro com a maior facilidade, os visitantes estariam completamente perdidos.No escuro, sua imaginação torna-se livre e tudo se converte em uma incrível experiência.

Nos workshops do museu, visitantes conversam com cegos e deficientes de maneira relaxada e podem falar sobre temas-tabu como cegueira, deficiências e discriminação social. 

De onde nasceu o projeto

A ideia de simular a cegueira partiu do alemão Andreas Heinecke, em 1989. Trabalhando como jornalista e escritor para uma empresa de radiodifusão na Alemanha, um dia, ele foi designado para organizar um treinamento para um jornalista de 28 anos que perdera a visão em um acidente de carro. Esse trabalho instigou-o a montar a exposição conceitual “Dialogue in the Dark” , que funciona como uma mudança de perspectiva entre pessoas com e sem deficiências. Esse projeto cresceu, teve muito sucesso e rodou por vários países na Europa, Asia e Américas. 
O Dialogue Museum abriu suas portas em Frankfurt, em novembro de 2005, sob a direção de sua co-fundadora, Klara Kletzka.
 
A exposição Diálogo no escuro chega agora a São Paulo e abre suas portas no dia 22 de agosto.
Vale a pena descobrir e explorar essa nova aventura!

Visitem:
Exposição Diálogo no Escuro - Unibes Cultural - R Oscar Freire, 2500, São Paulo, ao lado do Metrô Sumaré. 
De 2a a sábado, das 10 às 19.

Veja info no site e Facebook:

http://www.dialogonoescuro.com.br
https://www.facebook.com/dialogonoescuro

Referências:
http://dialogmuseum.de
http://www.dialogue-in-the-dark.com
http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/09/exposicao-no-escuro-proporciona-ao-publico-experiencia-de-nao-enxergar.html
http://dialogocampinas.blogspot.com.br

19
junho
2015
Mais uma Virada Cultural!
postado sob arte, cidadania, cultura

“A Virada é um evento democrático de convivência e ocupação da cidade, que convida a população a se apropriar de espaços públicos por meio da arte, da música, da dança, das manifestações populares”, afirma Nabil Bonduki, secretário municipal de Cultura.

A Virada Cultural de São Paulo, que chega a sua 11ª edição nos dias 20 e 21 de junho, é um dos maiores eventos culturais do mundo. Refletindo o espírito da “cidade que nunca dorme”, a Virada oferece, durante 24 horas, atrações gratuitas nos mais variados gêneros artísticos. O evento tem início às 18 h do sábado (20), com a Orquestra Paulistana de Viola Caipira, e segue até às 18 h do domingo (21), com encerramento de Caetano Veloso, fazendo um bis de sua performance do show/ disco Abraçaço.

A Virada deste ano acontece em várias regiões de São Paulo, descentralizando-se a sua programação, para que esteja ao alcance do maior número de pessoas. Bairros como Campo Limpo, Penha, Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista, Heliópolis, Cidade Tiradentes, Jaraguá, Santana, Belém, Pinheiros, Interlagos e Pompeia, receberão música, saraus, afoxés e apresentações nos equipamentos da Secretaria de Cultura.

Ampliando o leque de linguagens artísticas, a curadoria da Virada incluiu representantes de outras áreas da Cultura, como Alex Atala em Gastronomia; Martinho Lutero, maestro do Coral Paulistano Mário de Andrade, em música erudita; Thomas Haferlach, criador do coletivo Voodoohop, na consultoria das festas de rua, e Henrique Rubin, que atua na Gerência de Ação Cultural do Sesc-SP, promovendo todos os anos diversas atrações da Virada. 

A abertura oficial do evento será no palco na Praça da República, com apresentação da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, regida pelo maestro Rui Torneze, no “Arraial da Inezita Barroso”, que homenageia a cantora, compositora e pesquisadora cultural popular que faleceu em março deste ano. 
Na praça também poderão ser encontradas diversas opções de comidas típicas das festas juninas.

Mais atrações
Os 50 anos da Jovem Guarda serão homenageados em palco montado na Av. São João. Durante 24h, integrantes do movimento, como Jerry Adriani, Leno e Lilian, Golden Boys, Paulo Cesar Barros, Martinha, Vanusa, Wanderléa e Erasmo Carlos cantarão seus maiores sucessos.

Haverá também programação para as crianças: a “Viradinha”, no entorno da Praça Rotary, reunirá atividades para toda a família, como oficinas, horta, grafite e músicas e sensações para bebês; shows de grupos como Palavra Cantada, Grupo Tri e Trupe Pé de História; espaço de dança e bate-papo para mães; feira gastronômica de alimentação saudável e diversas brincadeiras.

Há também muito mais atrações de música erudita e popular, além de peças musicais, atividades circenses, oficinas, espetáculos, jogos e competições.

Gastronomia
Nesta edição da Virada Cultural, a Gastronomia ganhou espaço: o “Galinhódromo” da Praça Roosevelt, onde restaurantes apresentam suas receitas de galinhada; os “bike foods” da região da Luz, que ocuparão as ruas com comidas brasileiras, peruana, japonesa, vegetariana, cachorro-quente, paletas mexicanas, bolos e waffles, entre outras. O Largo São Francisco abrigará a feira gastronômica, uma das principais responsáveis pela popularização da comida de rua na cidade.

Para as crianças, haverá comidinhas saudáveis na região da “Viradinha”, além da Feira Gastronômica da Magali, no Pátio do Colégio, homenageando os 50 anos da personagem, comemorados neste ano. 

Veja a programação completa da Virada:
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/2015/programacao/

Referências
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/2015/
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/06/metro-e-trens-da-cptm-vao-operar-durante-toda-virada-cultural-em-sp.html

9
junho
2015
Joan Miró e a força da matéria
postado sob arte, cultura

O Instituto Tomie Ohtake organiza e traz ao Brasil, em parceria com a Fundação Joan Miró, de Barcelona, a maior exposição dedicada ao artista: A Força da Matéria. São 112 obras  de Miró (1893-1983): 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e três objetos (pontos de partida de esculturas), além de fotografias sobre a trajetória do pintor catalão. As peças pertencem à Fundação e a coleções particulares.
 
A mostra é dividida em três grandes partes, que buscam traçar um panorama geral da carreira de Miró. A primeira compreende os anos 1930 e 1940, com a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial; a segunda narra os anos 1950 e 1960 e o grande interesse do pintor pelas esculturas, e a terceira, sobre os anos 1970, identifica o questionamento do espanhol a respeito do real sentido da arte e suas experimentações em diferentes suportes (destaque para as gravuras).
 
Ao lado das belas obras em si, a própria exposição está muito bem montada e contém material complementar que permite compreender melhor o artista, sua obra, e mergulhar no processo criativo e nas técnicas que adaptou à sua maneira. Filmes, por exemplo, mostram Miró pintando no chão, obras imensas. Ele traçava as primeiras linhas e depois preenchia o espaço com linhas grossas de tinta preta e cores fortes.
Muitas esculturas eram montagens de objetos encontrados pela rua, pedaços de peças montadas e depois moldadas e fundidas em metal.  Além disso, um filme mostra experimentos bem particulares, como a moldagem de um repolho, para fazer uma forma que viraria um pedaço de uma peça fundida, virando uma grande escultura.  Esculturas gigantes e seu processo de montagem com equipes de várias pessoas comandadas pelo artista também aparecem nos filmes. Fotografias enormes no meio das obras mostram o atelier de Miró e trazem o universo da vida do artista para complementar essa linda exposição.
 
Imperdível! Mesmo para quem já viu muito Miró.
 
 
De 24 de maio a 16 de agosto de 2015
De terça-feira a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Avenida Faria Lima, 201
(Entrada pela Rua dos Coropés, nº 88)

Referências
http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/exposicoes/miro-a-forca-da-materia/
http://gq.globo.com/Cultura/noticia/2015/05/joan-miro-ganha-exposicao-no-instituto-tomie-ohtake.html
http://www.archdaily.com.br/br/tag/joan-miro-a-forca-da-materia 
http://www.guiadasemana.com.br/artes-e-teatro/galeria/saiba-mais-sobre-a-exposicao-de-joan-miro-em-10-fotos

2
junho
2015
Dentro e fora do museu
postado sob arte, cultura, Ítaca

Texto dos Professores Fernando Vidal (Filosofia EM) e Renato Izabela (História da Arte EM) publicado no blog do Estadão

Uma caminhada com os alunos do 3º ano EM pela bairro da Vila Madalena: primeiro, a exposição Imagine Brasil, no Instituto Tomie Ohtake; depois, os muros grafitados dos Becos do Batman e do Aprendiz. Um roteiro em que aspectos da arte contemporânea são vivenciados, dentro e fora do museu, em diálogo com as aulas de História da Arte.

Dentro do museu: exercitar o olhar, observar as múltiplas possibilidades de suportes como pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, música, para assim entender melhor essas linguagens da contemporaneidade. Convenhamos que, às vezes, pela maneira intrincada como são abordadas, essas linguagens aparentam ser coisa de outro mundo, narrativas incompreensíveis. Para dissolver essa estranheza que bloqueia o pensamento e a percepção, só mesmo se abrindo com generosidade às propostas dos artistas. Nesse sentido, a exposição que visitamos nos pareceu um bom ponto de partida: Imagine Brasil é um amplo panorama da arte contemporânea brasileira, em que artistas jovens ‘convidam’ aqueles que consideram suas referências, e isso dá um pouco do tom da mostra – formas, procedimentos, temas – e dos rumos que a arte trilha entre nós, hoje. Inevitáveis, então, os questionamentos, ideias que nos fizessem matutar; além de uma oficina, que gerou trabalhos. Assim, constituindo uma experiência interessante e significativa em si mesma, essa proposta também complementa, por assim dizer,  seminários apresentados pelos alunos, em aula,  sobre temas da arte contemporânea.
Fora do museu: sentir a Arte de Rua ou “Arte Pública”, que traz uma linguagem ilustrativa, com uma narrativa que se aproxima de cartuns ou psicodelismos. Podemos, quem sabe, chamar essas intervenções de “tatuagens na cidade”.  Os alunos se sentem mais familiarizados com essa forma de arte, talvez por conta da linguagem carregada de símbolos do universo juvenil. E, o que também é mais comumente possível na rua,  encontramos ali um artista, o grafiteiro Boleta, que estava trabalhando e trocou algumas informações conosco sobre traço, tintas, spray etc.
De dentro pra fora (ou de fora pra dentro), o que muda e o que permanece? Não vamos forçar a mão, é claro, com formulações genéricas acerca da relação entre o espaço sacralizado e silencioso do museu e o espaço profano e barulhento da rua. Pelo que pudemos notar, os alunos perceberam fricções, atritos e convergências entre as formas de arte com que tomaram contato durante esse breve passeio. Assunto a ser retomado em sala de aula. Seja como for, essas vivências não são apenas um suporte didático; mais do que isso, são um tempo em que o acesso à produção cultural da cidade proporciona também um exercício coletivo da imaginação e do pensamento.

27
maio
2015
Quando lá não é tão diferente de cá…
postado sob cultura, história, Ítaca

Texto do Professor Cayo Candido Rosa (Estudos Áfricos EF2) publicado no blog do Estadão

Os olhares curiosos atravessavam os corredores: a mãe de uma aluna do sexto ano traria um conhecido para falar sobre sua cultura. A notícia já havia sido anunciada semanas antes, porém um feriado prolongado e a avalanche de tarefas acumuladas fizeram com que boa parte das crianças se esquecessem de que, naquela manhã de quinta-feira, horário reservado para as aulas de Estudos Áfricos, Timóteo Daco daria uma palestra sobre seu país de origem, Moçambique.

O despertar da memória se misturava ao despertar do interesse, à medida que os alunos pegavam cadernos, lápis e canetas multicoloridas, além de uma atividade já feita sobre o país africano. “Então foi por isso que fizemos a pesquisa sobre Moçambique?”.

Ainda que bem feita, a pesquisa fria, distanciada e, até mesmo, factual jamais substituiria o encontro com Timóteo, que falou de sua terra natal e de seu passado, suas línguas, seus ícones, símbolos culturais e identidades, sempre com muita saudade, palavra comum ao português falado tanto aqui quanto lá, além, é claro, de outras 41 línguas reconhecidas (e a linguagem de sinais) como o BiTonga e o EChuwabodialetos antes proibidos sob a obrigação da língua oficial do colonizador e agora aceitos e perpetuados.

Daco falou não só sobre figuras políticas do passado de Moçambique, mas também de personalidades artísticas como o recentemente falecido escultor Naftal Langa e o premiado escritor Mia Couto. Explicou sobre as diferenças das escolas no campo e na cidade, falou das belas cidades litorâneas, baseadas em turismo, destacou pratos da culinária típica moçambicana como o matapa, feito na folha de mandioca e acompanhado de molho à base de leite de coco e amendoim pilado, e contou a história da capulana, tecido de origem asiática muito usado em seu país como lenço para cobrir o cabelo, toalha de piquenique ou, até, como uma bolsa para carregar um bebê no colo ou nas costas.

Ao final, as questões  desprovidas de preconceito e recheadas de inocência deram a Timóteo mais uma oportunidade de mostrar para as crianças que Moçambique, como qualquer outro país, não é tão diferente assim do Brasil e que, como toda nação, é povoado de riquezas culturais, símbolos nacionais e, obviamente, contradições.

“Qual o seu esporte favorito?”

“Do que você sente falta?”

“Fale mais sobre a comida!”

“Como é a vida lá?”

A essas e a muitas outras perguntas ele respondeu com seu sotaque típico do “português de Portugal” – “Ora, depende… em geral as pessoas acordam, tomam café, vão ao trabalho ou à escola…” -, fazendo com que as crianças rissem em vários momentos, quando se identificavam com a mesma rotina nos dois países.

Fruto de um desejo de estudar de modo mais aprofundado a História e a Cultura afro-brasileiras, a disciplina Estudos Áfricos, incorporada ao currículo do Colégio Ítaca há quase dez anos, busca também desmistificar a ideia do continente africano como um bloco único, banhado de estereótipos e visões acríticas (a esse respeito ver Lei federal nº 10.639/03).

Atividades como a palestra de Timóteo Daco aproximam os alunos de uma realidade que já está muito mais próxima a eles do que imaginam, e a troca cultural – seja entre os dois países ou, mesmo, nesse breve encontro entre os alunos do sexto ano e um visitante moçambicano – enriquece o amadurecimento crítico de cada um, ao ver e compreender o outro em si mesmo.

“Do que você brincava quando era criança?” 

“Nadávamos num rio, sem medo, mesmo que cheio de crocodilos”, - respondeu Timóteo, sem especificar se brincava ou falava sério, deixando que os alunos levassem com eles o benefício da dúvida.

9
maio
2015
Dia das mães: Quem criou esse dia???
postado sob cultura, história
mãe Guajajara e seu filho

Desde a Idade Antiga há relatos de rituais e festivais em torno de figuras mitológicas maternas e de fenômenos como a fertilidade. 

Na Grécia e Roma antigas, por exemplo, celebravam-se as festas das deusas Rhea e Cybele. 

Na Idade Média, havia também muitas referências à figura da mãe, sobretudo no simbolismo judaico-cristão, com as figuras de Eva e Maria e os cristãos passaram a celebrar festividades para as mães, em diversas partes da Europa. Eram festas religiosas, na verdade um serviço especial celebrado com os fiéis, na paróquia de sua vizinhança.  Com o passar do tempo, a comemoração foi se consolidando e o hábito de presentear as mães com flores virou tradição.

As raízes americanas do Dia das Mães datam do século 19, na década de 1860, quando Ann Reeves Jarvis, da West Virginia, ajudou a instaurar os  “Mothers’ Day Work Clubs” para ensinar as mulheres do local a cuidarem de suas crianças adequadamente.

Outro movimento precursor dessa data veio da abolicionista e defensora do sufrágio universal Julia Ward Howe. Em 1870, ela escreveu a Proclamação do Dia das Mães, uma chamada para que as mães promovessem a paz mundial. In 1873 Julia fez uma campanha para o “Dia das mães pela Paz”, a ser celebrado todos os anos, no dia 2 de junho. Outra pioneira americana foi Juliet Calhoun Blakely, ativista que inspirou o Dia das Mães em Albion, Michigan, na década de 1870. 

Enfim, várias iniciativas pipocaram pelos Estados Unidos até a criação do Dia das Mães como conhecemos hoje.

Mas foi apenas no início do século XX que as mães passaram a ter um dia oficial para serem homenageadas. A escolha da data (todo segundo domingo de maio) remete à história da americana Anna Jarvis.

Anna perdeu sua mãe, Ann Marie Reeves Jarvis, em maio de 1905, na cidade de Grafton, na Virgínia Ocidental, EUA. Com essa perda e dor, Anne decidiu organizar com a ajuda de outras moças um dia especial para homenagear todas as mães e para ensinar as crianças a importância da figura materna.

Em 10 de maio de 1908, o grupo de Anne conseguiu celebrar um culto em homenagem às mães na Igreja Metodista Andrews, em Grafton. A repercussão do tema do culto logo chamou atenção de líderes locais e do então governador do estado de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock. Glassock definiu a data de 26 de abril de 1910 como o dia oficial dessa comemoração.

Logo a repercussão da celebração oficial em âmbito estadual alastrou-se para outras regiões dos Estados Unidos e foi adotada também por outros governadores. Por fim, no ano de 1914, o então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, propôs que o dia nacional das mães fosse comemorado em todo segundo domingo de maio. A decisão de Wilson foi tomada a partir de sugestão da própria Anna Jarvis, que ficou internacionalmente conhecida como patrona da data.

Em muitas ocasiões, o dia teve um forte cunho político e feminista. Em 1968, por exemplo, Coretta Scott King, esposa de Martin Luther King Jr., fez uso do Dia das Mães para organizar uma passeata em favor das mulheres e crianças desprivilegiadas. Em 1970, grupos de mulheres americanas também se utilizaram da data para chamar atenção em favor da igualdade de direitos e acesso a creches e escolas. Hoje em dia, cada vez mais, o Dia das Mães tem sido usado para fins comerciais.

No Brasil e no Mundo

Existem várias outras versões outras do Dia das Mães pelo mundo. Na Tailândia, por exemplo, o Dia das Mães é celebrado em agosto, na data de aniversário da rainha Sirikit. Em outra versão, na Etiópia, as famílias se encontram para cantar e comer, em um grande festival chamado Antrosht, celebrado por vários dias, em torno da homenagem à maternidade. 

No caso do Brasil, o Dia das Mães foi comemorado pela primeira vez em 12 de maio de 1918, na Associação Cristã de Moços de Porto Alegre. Em outros lugares, houve também outros focos de comemoração de mesmo teor, geralmente associados a instituições religiosas. Mas foi somente em 1932, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, que o Dia das Mães passou a ser celebrado segundo o molde dos Estados Unidos, isto é, em todo segundo domingo do mês de maio.
 

referências:

http://www.history.com/topics/holidays/mothers-day
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-das-maes.htm
http://ethiopianties.blogspot.com.br/2011/05/mothers-days-antrosht-comes-after-rains.html
http://blue-charcoal.com/mothers-day-history/
http://www.speakingtree.in/blog/10-mothersday-customs-from-around-the-world/?track=cntshtw
http://www.juliawardhowe.org​

26
março
2015
Pessach e Páscoa - qual a diferença?
postado sob cultura, história
Karl Fabergé
ovo Fabergé
ovo Fabergé
www.fundodetela.com.br
Pêssankas: ovos coloridos a mão, de origem eslava.
Reprodução UOL
Pintura de ovos de Páscoa em mercado de Schleife, perto de Berlim, na Alemanha.  Essa decoração é uma tradição antiga do povo sorábio, que vive na região da Lusácia
reprodução
A Santa Ceia pintada em 1498 por Leonardo da Vinci. Encontra-se nas paredes do Convento Santa Maria delle Grazie, em Milão. É considerada uma representação da ceia de Pessach, páscoa judaica.  Mede 46

Pessach (a Páscoa judaica) é a festa que marca o início do calendário bíblico de Israel, a partir da qual ocorrem as outras festas na Bíblia. A palavra Pessach significa "passagem" e representa a travessia pelo Mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão no Egito para a liberdade na Terra Prometida, há mais de 3.000 anos. 
A Páscoa judaica dura 7 dias (em alguns lugares, 8 dias). Algumas famílias, nesse período, limpam meticulosamente a casa, removendo todas as migalhas e lembrando os judeus que deixaram o Egito às pressas.
A forma como, desde o século VI a.C., os judeus celebram a Festa de Páscoa é praticamente a mesma até hoje. Segundo a tradição, o Pessach deveria ser celebrado com um jantar familiar, em que cada prato tem um valor simbólico muito forte e preciso. Um cordeiro seria assado e comido por todos. O jantar também deveria ter o pão ázimo, ou sem fermento (matzá, em hebraico) e ervas amargas, como a raiz forte e o rabanete. O pão sem fermento serve para lembrar que, no êxodo do Egito, os judeus comeram às pressas o pão que não teve tempo de fermentar. As ervas amargas são para lembrar como a vida era amarga quando os judeus eram escravos de Faraó. Por volta do ano 550 a.C., os judeus criaram uma sequência para o jantar (chamada de Hagadá), que incluía o relato do Êxodo, os 4 cálices de vinho e o Charosset (pasta doce).  A intenção do mandamento é que todos os membros da família participem das narrativas e da liturgia, e que a festa seja uma maneira de ensinar as crianças sobre a saga de seus ancestrais. 
A Santa Ceia, segundo historiadores, seria um Seder (jantar de Pessach). Jesus, que era hebreu e chamado de Yeshua, quando celebrou seu último jantar de Páscoa com os discípulos, seguiu exatamente a tradição judaica e utilizou quase todos os elementos e a sequência que temos ainda hoje nos lares judaicos. Não apenas isso, mas utilizou parte da tradição criada no séc VI a.C., para institucionalizar a Santa Ceia (um Kidush com simbolismo mais rico).
 
Já o simbolismo da Páscoa cristã é parte da mensagem no Novo Testamento, baseada no evento da Páscoa Judaica. 
No início da formação da cristandade, alguns grupos da Igreja Primitiva davam continuidade ao ritual judaico (incluindo o sacrifício do cordeiro), enquanto outros rejeitavam essa prática, pois interpretavam que Cristo era o símbolo do último cordeiro (o cordeiro e filho de Deus), que foi enviado como vítima para a remissão dos pecados e salvação dos homens. Os rituais católicos relacionados com a Páscoa passaram a ser organizados, então, com base em autossacrifício, como o jejum e as penitências da Quaresma.
“Para os cristãos, ela tem um sentido mais metafísico. Representa a passagem de Cristo pela morte”, afirma o teólogo Fernando Altmeyer Júnior, da PUC de São Paulo, referindo-se à tradição de que Jesus teria ressuscitado no terceiro dia após sua crucificação. Assim, a comemoração representa a ressurreição de Jesus Cristo, que foi crucificado na sexta- feira e ressuscitou no domingo.
 
A partir do Concílio de Niceia*, realizado no século IV d.C. pelaIgreja Católica, a Páscoa passou a ser celebrada no equinócio da Primavera (no hemisfério norte), podendo ser então comemorada entre os dias 22 de março e 25 de abril. Essa tradição permanece até hoje e o dia da Páscoa varia em função dela. Os dias do Carnaval e do período da Quaresma também existem em função do dia da Páscoa.  É comum que toda a família se reúna em um grande almoço, já que todos teriam saído de restrições alimentares e penitências por toda a Quaresma - quarenta dias, a partir da Quarta-feira de Cinzas. Hoje em dia, na verdade, isso existe mais como tradição, já que poucos seguem o período de restrição.
 
Assim, apesar de receberem o mesmo nome, as celebrações judaica e cristã têm significados distintos e não ocorrem necessariamente em datas coincidentes, embora isso possa ocorrer. Em 2015, o período de Pessach será do dia 4 ao dia 10 de abril, e a Páscoa cristã será no dia 5 de abril.
 
 
SOBRE COELHINHOS E OVOS DE CHOCOLATE
Esse processo de instituição de comemoração da Páscoa também assimilou vários mitos do norte da Europa, como o mito da deusa germânica Ostara, com o qual estão relacionados os símbolos dos ovos e do coelho,  no Brasil e grande parte do mundo ocidental, e em função do qual  se perpetua a tradição de presentear com ovos e coelhos (principalmente de chocolate). O coelho da Páscoa tornou-se um forte símbolo da Páscoa cristã e, embora não coloque ovos, pois é um mamífero, é acompanhado por ovos de chocolate. 
O coelho, aliás, é reconhecido como um agente de renovação por várias culturas: na tradição japonesa, por exemplo, está associado ao Ano Novo; na Grécia, era associado à deusa Afrodite e presentear com um coelho era sinal de amor, no séc. VI a.c.**. Essas associações referem-se claramente à fertilidade, pois os coelhos reproduzem com muita velocidade.
O ovo, símbolo antigo de “vida nova” sempre foi associado a festas pagãs de celebração da primavera.Do ponto de vista cristão, representa a ressurreição. A decoração de ovos de galinha, com tintas coloridas e desenhos delicados, aparece já no séc. 13, e uma das explicações para a tradição é a de que era proibido comer ovos na Quaresma, portanto as pessoas os pintavam e decoravam, nos dias de penitência e jejum, para comê-los na celebração da Páscoa. 
Na Rússia, ovos de joalheria passaram a ser produzidos por Peter Carl Fabergé, a partir de uma encomenda, em 1885, pelo czar Alexandre III, como um presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna. Por fora, parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, havia uma gema de ouro contendo uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Esses ovos são verdadeiras relíquias e foram produzidos até 1917, para os czares da Rússia. 
Já os atuais ovos de chocolate, mais populares, são resultado do desenvolvimento da culinária e, antes disso, da descoberta do continente americano, já que, ao entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis pela divulgação do chocolate no Velho Mundo. Somente duzentos anos mais tarde, os franceses tiveram a ideia de fabricar os primeiros ovos de chocolate da História, que permanecem até hoje como o principal símbolo da Páscoa.
 
referências:
http://super.abril.com.br/religiao/qual-relacao-pascoa-judaica-crista-444446.shtml
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/judaism/passover.shtml

http://www.history.com/topics/holidays/easter-symbols
http://german.about.com/gi/o.htm?zi=1/XJ&zTi=1&sdn=german&cdn=education&tm=21&f=10&su=p284.13.342.ip_&tt=2&bt=0&bts=0&zu=http%3A//www.osterhasenmuseum.de/
http://german.about.com/od/holidaysfolkcustoms/a/German-Easter-Traditions.htm
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/christianity/easter.shtml
http://www.brasilescola.com/pascoa/a-origem-ovo-pascoa.htm
 
*O Primeiro Concílio de Niceia foi um conselho de bispos cristãos reunidos na cidade de Niceia da Bitínia (atual İznik, Turquia), pelo imperador romano Constantino I, em 325 d.C.. Foi a primeira tentativa de obter um consenso na igreja, através de uma assembleia representando toda a cristandade. Entre outros assuntos, se fixou ali a data da Páscoa.
 
** O Livro dos Símbolos - Reflexões sobre imagens arquetípicas, Editora Taschen GmbH, Colônia, Alemanha, 2010

6
março
2015
Porque um dia para as mulheres?

O Dia Internacional da Mulher aparece no início do sec XX, como decorrência da e turbulência social e expansão industrial, crescimento populacional e advento de radicalismos ideológicos. 

1908
a opressão social e desigualdade levou as mulheres a debaterem e questionarem sua condição e assumirem papéis ativos de transformação. Em 1908, 15.000 mulheres protestaram em Nova Iorque reivindicando redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto.

1909
O Partido Socialista norte americano cria o primeiro Dia Nacional da Mulher, em 28 de fevereiro. As mulheres norte americanas continuam celebrando o Dia Nacional, até 1913, no último domingo de fevereiro. 

1910
A Segunda Conferência Internacional das Mulheres Trabalhadoras acontece em Copenhagen, Dinamarca. Clara Zetkin, líder das mulheres do Partido Democrático alemão, lança a ideia do Dia Internacional da Mulher (DIM), para enfatizar as demandas femininas. A conferência, que reuniu 100 mulheres de 17 países representando sindicatos, partidos socialistas, clubes de mulheres trabalhadoras e incluindo as 3 primeiras mulheres eleitas no Parlamento Finlandês, aprovou a ideia da criação do DIM, por unanimidade. 

1911
Cumprindo a resolução de Copenhagen, em 1911 o Dia Internacional da Mulher foi comemorado pela primeira vez na Austria, Dinamarca, Alemanha e Suiça, em 19 de março. Mais de 1 milhão de mulheres e homens participaram das atividades do DIM, em campanhas pelo direito da mulher ao trabalho, voto, educação, ocupação de cargos públicos e contra a sua discriminação social.
No entanto, menos de uma semana depois, em 25 de março, mais de 140 mulheres trabalhadoras, a maioria de imigrantes italianas e judias, foram assassinadas em Nova Iorque, no evento chamado 'Triangle Fire’***. Esse episódio chamou mais atenção ainda sobre as condições legais e de trabalho das mulheres, foco principal das subsequentes comemorações do DIM. 
 
1913-1914
Durante campanhas pela paz, no período da Primeira Guerra Mundial, mulheres russas comemoraram seu primeiro dia no último domingo de fevereiro, em 1913.
A partir desse ano, o DIM foi transferido para 8 de março, permanecendo a data até hoje.  Em 1914, as mulheres foram muito ativas em campanhas contra a guerra e expressando a solidariedade feminina.

1917
No último domingo de fevereiro, mulheres russas iniciaram uma greve para “pão e paz” em resposta à morte de mais de 2 milhões de soldados russos na guerra.
A greve persistiu até que o governo provisório concedeu o direito ao voto feminino. 
 
1918 - 1999
Desde a sua criação, no berço do movimento socialista, o Dia Internacional da Mulher cresceu e é reconhecido e celebrado. Por muitos anos, a ONU promoveu conferências em comemoração ao DIM, coordenando esforços em favor dos direitos das mulheres e de sua participação nos processos políticos, sociais e econômicos. 
Organizações de mulheres e governos de diversos países promovem eventos de grande escala no dia 8 de março, rememorando a necessidade de continuada vigilância e ação pela garantia da igualdade de oportunidades para as mulheres.

de 2000 em diante
o Dia Internacional da Mulher já é uma data oficial no Afeganistão, Armênia, Azerbadião, Bielorussia, Burkina Fasso, Camboja, China, Cuba, Georgia, Guiné-Bissau, Eritreia, Kazaquistão, Kyrgistão, Laos, Madagascar, Moldovia, Mongolia, Montenegro, Nepal, Russia, Tajikistão, Turkmenistão, Uganda, Ucrânia, Uzbekistão, Vietnam e Zambia. Pela tradição, os homens homenageiam suas mães, esposas, namoradas, colegas, etc, com flores e presentes, nessa data.  
O novo milênio testemunhou mudanças significativas na mentalidade social e das mulheres em geral, em relação à igualdade de gêneros e emancipação feminina.Há que se reconhecer melhorias: mulheres já são astronautas, presidentes, universitárias em maior número, têm maior liberdade para o trabalho e escolhas de vida.

Mas, infelizmente, as mulheres ainda não são pagas igualmente ao realizarem os mesmos trabalhos que os homens, não estão em mesmo número que os homens nos negócios e na política e, globalmente, estão em desvantagem em relação à educação e saúde, além de ainda serem vítimas de violência.
Anualmente, no dia 8 de março, milhares de eventos acontecem pelo mundo, inspirando as mulheres a continuar suas lutas e a celebrar suas conquistas.

São jornadas políticas, conferências, atividades governamentais, atividades culturais, tais como, shows, performances teatrais, etc.

Fique atento para a programação perto de você. Vale a pena se informar e participar!

 

***O incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova Iorque a 25 de Março de 1911 foi um grande desastre industrial que causou a morte de mais de uma centena de pessoas. Este incêndio iria contribuir para a especificação de critérios rigorosos sobre as condições de segurança no trabalho e para o crescimento dos sindicatos que despoletavam como consequência da revolução industrial.

 

veja mais, clicando nos itens abaixo:

Programação do mês de março, da Secretaria Municipal de Políticas para as mulheres
Ato no Recife e vigília no Sertão marcam dia de luta pelo direito das mulheres
Coletivos celebram Dia Internacional da Mulher com grafitti e lambes pelas ruas de SP
Pronunciamento de Dilma Roussef para o Dia da Mulher
Dia Internacional da Mulher: livros escritos por mulheres com até 60% de desconto​
Dia da Minissaia' alerta contra o assédio às mulheres no Rio
Cinemateca Brasileira promove sessão em homenagem ao Dia da Mulher​

Outras referências

http://www.internationalwomensday.com/about.asp#.VPmankJZ-lk
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/8-marco-dia-internacional-mulher-genero-feminismo-537057.shtml
http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/parabens-pelo-seu-dia-mulher-uma-homenagem-do-machismo-2810.html
http://law2.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/triangle/trianglevictims2.html
http://motherboard.vice.com/read/the-triangle-shirtwaist-factory-fire-of-1911-celebrating-100-years-of-the-8-hour-work-day

2
março
2015
MASP EM NOVA FASE
postado sob arquitetura, arte, cultura
cavaletes originais do Masp, desenhados por Lina Bo Bardi
Foto: Bob Wolfenson
Lina Bo Bardi na obra do Masp

O Museu de Arte de São Paulo - MASP, é considerado o mais importante museu de arte ocidental do Hemisfério Sul.
 
O próprio edifício-sede do museu, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN desde 1969, é um ícone da cidade de São Paulo. A obra é de autoria de Lina Bo Bardi (Roma, 1914 –São Paulo, 1991), cujos 100 anos do nascimento foram comemorados em 2014, com várias homenagens. 
 
Além de museu, o MASP é um centro cultural que proporciona diversas atividades ao público, como escola de arte, ateliês, espetáculos de dança, música e teatro, palestras e debates, cursos para professores, entre outras tantas atividades realizadas durante todo o ano. 
 
Seu acervo possui cerca de 8.000 peças, contendo obras importantes da pintura ocidental, do século XIII aos dias de hoje, de artistas como Rafael, Mantegna e Botticceli – da escola italiana – e Delacroix, Renoir, Monet, Cèzanne, Picasso, Modigliani, Toulouse-Lautrec, Van Gogh, Matisse e Chagall – da chamada Escola de Paris.
 
Além das escolas italiana e francesa, possui grande coleção de pinturas da escola portuguesa, espanhola e flamenga, além de artistas ingleses e latino-americanos, como Diego Rivera. 
 
Artistas brasileiros importantíssimos estão também presentes na coleção: Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Almeida Junior.
 
Nas esculturas, destacam-se os mármores da deusa grega Higeia, do século IV a.C., e a coleção de 73 esculturas de Degas, que só podem ser vistas integralmente no MASP, no Metropolitan Museum de Nova York, ou no Museu D`Orsay, em Paris. Também destacam-se os bronzes de Rodin, as peças de Ernesto di Fiori e Victor Brecheret, entre outros. 
 
Coleções de gravuras, fotografias, desenhos, arqueologia, maiólicas, tapeçaria e artes decorativas europeias, além de uma grande coleção de peças kitsch, também fazem parte do acervo do museu. 
 
A convite do Museu d`Orsay, de Paris, o MASP integra o “Clube dos 19”, do qual participam apenas os museus que possuem os acervos de arte europeia mais representativos do século XIX, como o próprio d´Orsay; o Metropolitan Museum, de Nova York; The Art Institute of Chicago; o Museum of Fine Arts, de Boston; o Van Gogh Museum, de Amsterdã; a Kunstaus, de Zurique; o Hermitage, de St. Petersburg; a Galleria Nazionale d´Arte Moderna, de Roma, e a National Gallery e aTate Gallery, de Londres. 
 
Em novembro de 2014, Adriano Pedrosa assumiu como diretor artístico da instituição e a primeira mostra – MASP em processo - promovida sob sua curadoria pretende revelar um museu que estava escondido do público. Segundo Pedrosa: “O redescobrimento ou arqueologia da arquitetura é um aspecto central da MASP em processo. Inaugurado em 1968, nosso edifício, de Lina, é o mais precioso e singular item de nosso acervo. Nos últimos anos, ele foi alterado para adaptar-se às demandas das exposições e dos fluxos. O MASP ganhou camadas de arquitetura temporária que se engessaram com o passar dos anos. Durante o MASP em processo, algumas camadas serão desnudadas com o objetivo de revelar as configurações originais dos espaços. Numa segunda etapa, outras áreas do museu serão revistas e reconsideradas”.
 
No primeiro andar, a MASP em processo exibe obras que não são expostas ao público com frequência, trazendo à luz e arejando acervos de diferentes épocas e territórios, mesclando cronologias e gêneros. A sala volta a ser ampla e livre de paredes internas. Não por acaso o emblema desse processo é a escultura Ar-cartilha do superlativo, de Rubens Gerchman.”
 
No subsolo, as paredes estão sendo retiradas, as vitrines por muito tempo escondidas voltam a ser reveladas, e todo o espaço ganhará nova luz. Pedrosa explica que pretende voltar à experiência descrita pelo arquiteto Marcelo Ferraz, que trabalhou com Lina: “Ao descermos ao subsolo, como em uma estação de metrô, em vez da escuridão, da falta de ar, encontramos a luz, cristalina, filtrada pelo verde das floreiras, e a vista livre sobre o vale.”
— É uma mostra experimental, um olhar para dentro de si próprio e, ao mesmo tempo, a busca por uma relação que não intimide o público. O Masp era uma instituição muito opaca, fechada, como são os museus de coleções clássicas. É interessante constatar que os princípios arquitetônicos do prédio são de transparência — diz o curador.
A volta dos icônicos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi para expor a coleção permanente, no segundo andar, está programada para o segundo semestre de 2015.
 
 
Serviço
Até 12 de março
Masp
Avenida Paulista, 1578 - Bela Vista - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3251 5644
 
• Horários: Terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30). Quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até as 19h30).
• Ingressos: R$ 25,00 (entrada) e R$ 12,00 (meia-entrada). O ingresso dá direito a visitar todas as exposições que estiverem em cartaz no dia da visita. Menores de 10 anos não pagam. Estudantes, professores e maiores de 60 anos e aposentados pagam R$ 12,00 (meia-entrada). Aceitamos todos os cartões de crédito. Vale Cultura é bem-vindo.
 
Referências:
http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=177&periodo_menu
http://masp.art.br/masp2010/sobre_masp_historico.php
http://vejasp.abril.com.br/atracao/masp-em-processo
http://oglobo.globo.com/cultura/exposicao-no-masp-ilustra-processo-de-transicao-14889231

13
fevereiro
2015
A origem da folia
postado sob cultura, história
carnaval de Veneza

Há inúmeras teorias a respeito da origem do Carnaval. Em uma das mais aceitas, supõe-se que tenha surgido das festas da antiga Babilônia, Mesopotâmia (atual cidade Al Hillah, perto de Bagdá, Iraque). Mas também há correntes que consideram o atual Carnaval como descendente direto das festividades pagãs da Antiguidade romana. Havia em Roma as Saturnálias e as Lupercálias: as primeiras ocorriam no Solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias, com comidas, bebidas e danças. Os papéis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos  vestindo-se como seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

A palavra carnaval também gera polêmicas: originária do latim, uma das acepções mais aceitas é carnelevarium, cujo significado é retirar ou suspender (levare) a carne. E isso pode estar relacionado com a Quaresma católica, período dedicado à abstinência, ao jejum e, simbolicamente, ao resguardo do cristão em relação a prazeres mundanos (a Quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, no calendário móvel dos católicos). 

Já segundo Rainer Sousa, mestre em História, alguns pesquisadores afirmam que a palavra vem do carro naval, que percorria as ruas de Roma com pessoas vestidas com máscaras e fazendo jogos e brincadeiras.

Por volta do ano 1000, o início do período fértil para a agricultura, na Europa Ocidental, era motivo de carnaval. Os homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam para as ruas e campos, durante algumas noites, com o rosto enegrecido de fuligem ou sob panos. Como acessórios, usavam máscaras, focinhos de porco e capuzes de pele de coelho. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e entravam nos domicílios, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

A Igreja sempre quis controlar mas nunca conseguiu impedir os excessos e subversões de costumes do Carnaval, que sempre teve vocação popular, apesar dos bailes sofisticados em ambientes privativos. No Renascimento, o Carnaval desenvolveu-se nas cidades italianas, onde surgiu a Commedia Dell’Arte, uma espécie de teatro improvisado, muito popular até o século XVIII e que ainda hoje sobrevive.

Em Florença havia as canções específicas para acompanhar desfiles (precursores de nossas marchinhas de Carnaval, pode-se dizer); os trionfi, carros mitológicos concebidos por grandes pintores da época, como Botticelli, e os carri, que mostraram um mundo burlesco, no qual o cavaleiro carregava o cavalo, e o lavrador puxava uma charrua, sob o comando de um boi. 

Em Roma e Veneza, os festejos celebravam ainda vitórias políticas do passado e outros feitos históricos. Usava-se a bauta veneziana – uma capa de renda com capuz de seda negra, que enquadrava o rosto e cobria os ombros. Os acessórios eram um chapéu de três pontas e uma máscara branca. A fantasia permitia a abolição temporária de diferenças sociais e, em alguns casos, o prazer de um “pecado” à sombra do anonimato. As datas de comemoração desses festejos variavam um pouco de um lugar para o outro, mas eles quase sempre ocorriam entre o período em que hoje observamos o Natal e a Quaresma.

Em seus primórdios, no século 17, o Carnaval daqui não tinha música nem dança, brincava-se o “entrudo”, herança da colonização portuguesa. É daí que veio o costume das "guerras de água". Muitas vezes, a artilharia era mais pesada: baldes e latas dágua, lama, laranjas, ovos e limões-de-cheiro,— bolinhas de cera fina recheadas com água e outras substâncias

Transformismo secular

Outra tradição do Carnaval é o hábito de homens se vestirem com trajes femininos. Há registros do transformismo na folia de rua desde o início do século 20. "A explicação está na própria psicologia da festa, um espaço de inversão, em que se busca ser exatamente o que não se é no resto do ano", diz a filóloga Rachel Valença, diretora do Centro de Pesquisas da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio.

As marchinhas

As marchinhas carnavalescas deram o tom da festa entre as décadas de 1930 e 1950. Mas o ritmo surgiu ainda no final do século 19. "Ó Abre Alas" é considerada a primeira canção escrita especialmente para um bloco de Carnaval. A "música para dançar" foi composta pela maestrina Chiquinha Gonzaga, em 1899, para o bloco carnavalesco Rosa de Ouro, do Andaraí, no Rio de Janeiro

Blocos de rua 

Os blocos carnavalescos surgiram em meados do século 19. O primeiro de que se tem notícia é creditado ao sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira. Em 1846, ele saiu pelas ruas do Rio de Janeiro tocando um bumbo. A balbúrdia atraiu a atenção de outros foliões, que foram se juntando ao músico solitário.

Fantasias à italiana

Os bailes de máscara eram tradicionais em alguns países da Europa, como a Itália, já no século 13. No entanto, tais festas eram restritas à nobreza. Foi a partir do século 19 que máscaras e fantasias começaram a se tornar mais populares. Nessa época, os personagens de maior sucesso eram o Pierrô, o Arlequim e a Colombina (da Commedia Dell Arte italiana), além de trajes de caveiras, burros e diabos.

Eletricidade baiana

O trio-elétrico é a "criação" mais nova do Carnaval brasileiro. Ele surgiu em 1950, quando os músicos baianos Dodô e Osmar, conhecidos como "dupla elétrica", equiparam um capenga Ford 29 com dois alto-falantes e saíram tocando pelas ruas de Salvador. Foi um sucesso. No ano seguinte, o Ford foi trocado por uma picape e a dupla convidou Themístocles Aragão para compor, agora sim, um "trio elétrico”.

A pluralidade de hoje

De qualquer modo, mesmo com mudanças e modernizações, o Carnaval de rua no Brasil continua hoje, ao lado de bailes e desfiles oficias. Há um grande aumento de blocos, em diversas cidades, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, com expressivo número de foliões divertindo-se em muitos lugares da cidade. Além disso, a festa continua firme também em suas variações regionais: a Bahia, com o trios elétricos; os grandes bonecos de Olinda; os afoxés, frevos e maracatus que passaram a fazer parte da tradição cultural brasileira, fazendo dessa festa  uma dos mais variadas, ricas e exuberantes do mundo.

 

Baixe o aplicativo para Carnaval de rua 2015:
https://samba.catracalivre.com.br/aplicativo-carnaval-de-rua-2015/
 
Referências:
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-e-a-origem-do-carnaval
http://www.mundoeducacao.com/carnaval/as-origens-carnaval.htm
http://www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/carnaval_-_milenios_de_folia.html
http://www.infoescola.com/artes/historia-do-carnaval-no-brasil/
http://catracalivre.com.br/samba/
http://www.primeoffer.com.br/eventos-prime/carnaval-2013-o-baile-do-copacabana-palace-1189.html
http://museudomeioambiente.jbrj.gov.br/noticia/gritos-de-carnaval

21
janeiro
2015
Pela primeira vez na América Latina, exposição traz objetos produzidos por Leonardo da Vinci

veja o PROGRAMA da exposição:

Com curadoria do italiano Cláudio Giorgione, a Galeria de Arte do Sesi-SP traz para a cidade parte do acervo do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci (MUST), em Milão, na Itália. Segundo Giorgione, a exposição está centrada no método de trabalho de Da Vinci e se propõe a renovar a percepção sobre sua atuação como engenheiro e pensador, explicando a importância de seu legado no contexto histórico e social da época. “As obras são apresentadas em diferentes linguagens e revelam o quanto a natureza inspirou Leonardo em suas criações”, acrescenta.

A exposição interativa Leonardo Da Vinci: a natureza da invenção, é uma parceria do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e da Universcience (organização francesa criada em 2010, a partir da fusão Cidade da Ciência e da Indústria e do Palácio da Descoberta, de Paris), e reúne mais de 40 peças e dez instalações interativas que marcaram e representam a trajetória de um dos maiores gênios que a humanidade conheceu.

Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção, apresenta o espírito inventivo do renascentista Leonardo da Vinci (1452 - 1519), trazendo objetos como o paraquedas, a catapulta e o parafuso aéreo (inspiração para o nosso atual helicóptero).

As peças expostas foram produzidas por pesquisadores e engenheiros, em 1952, para a celebração do 5º centenário de nascimento de da Vinci (1452-1519).

Foram apresentadas ao público em 1953 e ainda podem ser vistas no MUST, espaço que reúne a maior e mais antiga coleção de modelos e estudos históricos sobre o artista, com base em seus desenhos e códigos. 

Essa mesma mostra já passou por Paris e Munique, respectivamente, e traz informações em três diferentes idiomas - português, inglês e italiano -além de inscrições em braile.

Para aproximar o público do visionário dos tempos modernos, a exposição foi dividida em sete módulos temáticos que representam os vários campos de estudo e trabalho de Da Vinci: Introdução; Transformar o movimento; Preparar a guerra; Desenhar a partir de organismos vivos; Imaginar o voo; Aprimorar a manufatura; e Unificar o saber Esses campos conectam história, emoção, conhecimento, educação e cultura.

Além da oportunidade para conhecer de perto máquinas, desenhos, projetos e esboços do mesmo homem que pintou a obra de arte mais vista do mundo – Mona Lisa (1517) –, os visitantes poderão apreciar peças raras – como a grua com 4,5 metros de altura e 500 kg, projetada por Filippo Brunelleschi (1377-1446): somente com esta grua é que o domo de cobre da famosa igreja Santa Maria del Fiore (Florença, na Itália), a mais de cem metros de altura, pôde ser erguido, no início do séc. XV.

Entre os destaques, obras que representam todas as vertentes do legado davinciano: estudos sobre o automóvel, avião, submarino, bicicleta, tanque de guerra, mecanismos do relógio etc.

Após passagem por São Paulo, a exposição segue para o Science Museum, em Londres.

 

Serviço
“Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção”
Local: Galeria de Arte do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Até 10 de maio de 2015

diariamente, das 10h às 20h (última entrada até 19h40)

Classificação indicativa: livre

Informações: (11) 3146-7405 e 7406

Agendamentos de grupos e escolas: (11) 3146-7396, de segunda a sexta, das 10h às 14h e das 15h às 18h

Entrada gratuita. Os espaços têm acessibilidade

 

Referências

FIESP

SESI SP

Hypeness

Folhinha

G1

Catraca Livre

31
dezembro
2014
Pintura, desenho, escultura, música nos bonecos do Giramundo
postado sob arte, cultura, música, teatro

O Giramundo é um grupo fundado em 1970, em Belo Horizonte. Na década de 1950, o artista plástico Álvaro Apocalypse (1937-2003) tornou-se professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde conheceria sua futura mulher, Terezinha Veloso (1936-2003), também artista plástica e docente na instituição. Em 1970, os dois iniciaram uma parceria artística com a aluna Maria do Carmo Vivacqua Martins, a Madu, bolando apresentações cênicas informais para crianças, familiares e amigos. Dessas sessões surgiu a primeira produção do grupo: A Bela Adormecida.
 
Em atividade há mais de 40 anos, esse coletivo mineiro é referência no campo do teatro de bonecos ‒ tanto pela qualidade das suas produções quanto pelo grau de experimentação que elas trazem à cena. A mostra, no Itaú Cultural, conta com a curadoria de Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia, Ulisses Tavares e a equipe Itaú Cultural. Além de bonecos originais representativos de diversos momentos do grupo, a exposição  desvenda o processo de criação de personagens, passando pelo desenho, pela construção, pelo figurino e pela pintura. Malafaia destaca a importância do desenho para a Companhia. “O Giramundo é um grupo que desenha. O espetáculo todo é visto anteriormente em um desenho”, conta.
 
Durante o período da mostra, às quintas e sextas-feiras um artista instala sua oficina no espaço expositivo e o público pode assistir à concepção e ao nascimento de uma marionete. “No teatro de bonecos existe uma confluência muito grande de todas as belas-artes. A gente pinta, esculpe, interpreta, canta e o boneco está no meio disso. Ele é a mídia. Nós trabalhamos com ele para nos expressarmos em todas as formas”, conta Tavares.
 
Um boneco, no entanto, só revela todo seu poder e sua magia inserido em sua história, em seu contexto, ganhando vida durante a encenação. “Para ser um bom marionetista é necessário observar, observar muito a vida e a natureza para que seja possível reproduzirmos movimentos e expressões em cena”, completa Beatriz Apocalypse. Por isso, aos sábados e domingos, o local vira palco para a apresentação de trechos de diferentes espetáculos do grupo.
 
Feitas para serem manuseadas de diferentes maneiras – por meio de fios, varas, luvas… –, as criaturas desenhadas, modeladas, pintadas e vestidas pelo Giramundo já estrelaram 34 espetáculos, também eles bastante diversos: de peças baseadas em contos de fadas ou lendas da cultura popular brasileira a óperas e apresentações multimídia.
 
Veja os desenhos, os modelos, as marionetes na exposição, e participe dos eventos paralelos.
http://sites.itaucultural.org.br/ocupacao/#!/pt/artistas/
 
Serviço:
Ocupação Giramundo
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149
até 11 de janeiro de 2015
terça a sexta 9h às 20h [permanência até as 20h30]
sábado, domingo e feriado 11h às 20h
Piso Térreo [livre para todos os públicos]
a 2 quarteirões do metrô Brigadeiro
 

 

5
dezembro
2014
SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS

Semana de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo

 

 

Teija Kellosalo - Austria
cartaz sobre direito à educação

cartazes da mostra "Poster for Tomorrow: direitos humanos em cartaz"

 

 

Na próxima semana, comemoram-se 66 anos da adoção da Declaração dos Direitos Humanos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A questão dos direitos do homem não é nova. Remonta ao século VI  antes de Cristo, quando o imperador persa, Ciro, o Grande, libertou os escravos e declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher sua religião e que deveriam ser iguais perante a lei, independentemente de sua raça.  No decorrer da história, distintos povos e governos também estabeleceram parâmetros de direito e igualdade.

Em abril de 1945, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, delegados de cinquenta países reuniram–se em SãoFrancisco (EUA), na Conferência das Nações Unidas, com o objetivo de formar um corpo internacional para promover a paz e prevenir futuras guerras. Os ideais da Organização foram declarados no preâmbulo da sua Carta de Proposta: “Nós,os povos das Nações Unidas, estamos determinados a salvar as gerações futuras do flagelo da guerra que, por duas vezes na nossa vida, trouxe incalculável sofrimento à humanidade”. Assim, foi criada a ONU, em 24 de outubro.

Em 1948, a nova Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, sob a presidência de Eleanor Roosevelt, viúva do presidente americano Franklin Roosevelt, defensora dos direitos humanos e delegada dos Estados Unidos nas Nações Unidas, elaborou o rascunho do documento que viria a converter–se na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

A Declaração dos Direitos Humanos, com 30 artigos, foi adotada pelas Nações Unidas no dia 10 de dezembro de 1948.

No seu preâmbulo e no Artigo 1.º, a Declaração proclama inequivocamente os direitos inerentes a todos os seres humanos: “O desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência dahumanidade, e o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem... Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.”

Infelizmente, apesar de muito saudada até hoje e apesar de grande parte dos países que fazem parte da ONU terem assinado a Declaração, ela não tem força de lei e continua sendo desrespeitada, mesmo pelos países signatários.Para se ter uma ideia, 58 países (dos 192 membros) ainda aplicam a pena de morte, mesmo sendo essa prática condenada pela Organização.

Mesmo assim, há esperanças. E elas se devem também porque, em todos os lugares do mundo, há os que fazem questão de chamar a atenção para a questão dos direitos do homem, sob as mais diversas formas. Vejam a seguir.

 

2º Festival de Direitos Humanos Cidadania nas Ruas

Durante uma semana, de 8 a 14 de dezembro, São Paulo ganha mais de 30 atividades entre debates, encontros e diálogos, cinema, passeios e performances, premiações, um monumento e um grande show no Parque Ibirapuera. Tudo gratuito.

Veja a programação:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/noticias/index.php?p=186141

 

Poster for Tomorrow: Direitos Humanos em cartaz

A exposição Poster for Tomorrow reúne na Caixa Cultural mais de 100 cartazes do mundo todo sobre os direitos humanos.

Os cartazes abordam 6 temas: direito à moradia, igualdade de gêneros, direito à educação, democracia, contra a pena de morte, liberdade de expressão e são de países tão diferentes como China, Eslovênia, Bolívia, Botsuana e, claro, Brasil.

A exposição abre no dia 13/12, sábado, às 11 horas, com a presença de Hervé Matine, presidente da ONG Poster for Tomorrow, vindo da França, e Ivo Herzog, filho do jornalista brasileiro Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura em 1975.
https://www.facebook.com/events/329574520526007/?fref=ts

 

Referências
http://openlink.br.inter.net/aids/declaracao.htm
http://nacoesunidas.org/?post_type=post&s=direitos+humanos
http://www.ideafixa.com/um-logo-para-os-direitos-humanos-vencedor/​
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/​

Veja um pouco mais sobre a história dos direitos humanos:
http://www.humanrights.com/pt/what-are-human-rights/brief-history/cyrus-cylinder.html

 

8
novembro
2014
Exposição com atividades interativas de matemática no IME-USP --- ôba!!!
postado sob cultura, matemática

De 12 de novembro a 12 de dezembro, o Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP promove a Exposição de Matemática. A mostra acontece no saguão de entrada do Prédio da Reitoria da USP, com exposição interativa de objetos matemáticos.

Serão duas exposições simultâneas: a “Matemateca”, organizada por professores do IME, e a “Porquoi les Mathématiques?”, que já foi apresentada em vários países e será trazida a São Paulo pela primeira vez.

Este evento marca o início de uma colaboração entre a Matemateca do IME e a Maison des Mathématiques et de l’Informatique de Lyon, e integra a segunda edição do International Research Workshop São Paulo-Lyon, organizado pela Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) da USP.

A exposição é gratuita e aberta ao público, que pode frequentar o local das 9 às 18 horas. Há datas disponíveis para agendamento de visitas escolares pelo telefone (11) 3091-617 0u pelo email ccex@ime.usp.br. Não haverá exposição nos dias 20 e 21 de novembro.

Veja mais
http://www.eventos.usp.br/?events=ime-organiza-exposicao-interativa-de-matematica#sthash.7TTAPISv.dpuf

 

7
novembro
2014
ÍTACA, poema de Constantino Kavafis

 

Se partires um dia rumo à Ítaca 
Faz votos de que o caminho seja longo 
repleto de aventuras, repleto de saber. 
Nem lestrigões, nem ciclopes, 
nem o colérico Posidon te intimidem! 
Eles no teu caminho jamais encontrarás 
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes 
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti. 
Faz votos de que o caminho seja longo. 
Numerosas serão as manhãs de verão 
Nas quais com que prazer, com que alegria 
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto 
Para correr as lojas dos fenícios 
e belas mercancias adquirir. 
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos 
E perfumes sensuais de toda espécie 
Quanto houver de aromas deleitosos. 
A muitas cidades do Egito peregrinas 
Para aprender, para aprender dos doutos. 
Tem todo o tempo ítaca na mente. 
Estás predestinado a ali chegar. 
Mas, não apresses a viagem nunca. 
Melhor muitos anos levares de jornada 
E fundeares na ilha velho enfim. 
Rico de quanto ganhaste no caminho 
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse. 
Uma bela viagem deu-te Ítaca. 
Sem ela não te ponhas a caminho. 
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. 
Ítaca não te iludiu 
Se a achas pobre. 
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência. 
E, agora, sabes o que significam Ítacas. 

Constantino Kabvafis (1863-1933) 
in: O Quarteto de Alexandria - trad. José Paulo Paz.

31
outubro
2014
4 exposições comemoram os 100 anos de Lina

A arquitetura política

Lina designer

Lina gráfica

Maneiras de expor

Em 5 de dezembro de 2014, Lina Bo Bardi faria 100 anos.
Para marcar essa data, uma série de exposições sobre seu trabalho estão sendo montadas no Brasil e no exterior.

Achillina Bo Bardi (Roma, Itália 1914 - São Paulo, SP 1992) foi arquiteta, designer, cenógrafa, editora e ilustradora. Após estudar desenho no Liceu Artístico, formou-se, em 1940, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma.  Em desacordo com o ambiente fascista que predominava na cidade, na época, ela se transferiu para Milão, onde trabalhariacom o arquiteto Gió Ponti (1891 - 1979), líder do movimento pela valorização do artesanato italiano e diretor das Trienais de Milão e da revista Domus. Em pouco tempo, Lina passou a dirigir a Domus e a atuar politicamente, integrando aResistência à ocupação alemã, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e colaborando com o Partido Comunista Italiano - PCI, então clandestino.

Em 1946, após o fim da guerra, casou-se com o crítico e historiador da arte Pietro Maria Bardi (1900 - 1999), com quem viajaria para o Brasil - país no qual o casal decidiu se fixar e que Lina chamria de "minha pátria de escolha".

No ano seguinte, Pietro Maria Bardi foi convidado pelo jornalista Assis Chateaubriand (1892 - 1968) a fundar e dirigir o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp. Lina projetaria as instalações do museu, bem como algum mobiliário, como a cadeira dobrável de madeira e couro para o auditório do museu, considerada "a primeira cadeira moderna do Brasil". 

Criaria ainda, em 1950, a revista Habitat que,dedicada à arquitetura, duraria até 1954. Em 1951, projetou sua própria residência, no bairro do Morumbi, em São Paulo: uma construção apelidada de "casa de vidro" e considerada obra paradigmática do racionalismo artístico no país. Hoje, a Casa de Vidro abriga o Instituto Lina e Pietro Maria Bardi,estando aberta a visitação. 

Em 1957, Lina iniciou, então, o projeto para a nova sede do Masp, na avenida Paulista obra completada apenas em 1968, que mantém a praça-belvedere aberta no piso térreo, suspendendo o edifício com um vão livre de 70 metros, extremamente ousado para a época.

Em 1958, é convidada pelo governador da Bahia, Juracy Magalhães, a dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM/BA, e muda-se para Salvador. Lá também se relaciona criativamente com uma importantes artistas vanguardistas, como o fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger e o cineasta Glauber Rocha, realizando o projeto de restauro do Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico do século XVI, tombado e ainda hoje importante centro cultural e ícone da arquitetura de Lina. 

De volta a São Paulo após o golpe militar de 1964, incorporou em seus projetos o legado da temporada no Nordeste,adotando uma radical simplificação da linguagem e assumindo o que qualificou como "arquitetura pobre". Bons exemplos dessa fase são os suportes museográficos da exposição A Mão do Povo Brasileiro, 1969, feitos de tábuas de pinho de segunda; o edifício do Sesc Pompéia, 1977, adaptação de uma antiga fábrica de tambores; e o Teatro Oficina, 1984, construção que desmonta a relação palco-plateia pela criação de um teatro-pista.

Em São Paulo, atualmente há 4 exposições em homenagem à Lina (veja abaixo). Além das exposições brasileiras, outras homenagens acontecem até julho de 2015, em Zurique (Suíça), Nova York (EUA), Roma (Itália) e Munique (Alemanha).


São essas as 4 exposições:

1- Lina Bo Bardi DesignerO Mobiliário dos Tempos Pioneiros, na Casa de Vidro. A mostra reúne 30 móveis, entre peças finalizadas e protótipos, desenhos originais e fotografias, que acompanham a trajetória de Lina desde a chegada ao Brasil,em 1947, incluindo suas criações para o MASP, para o Studio de Arte Palma e para sua sede própria, na rua 7 de Abril. 

2- Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi, no Museu da Casa Brasileira. A exposição traz desenhos, cartazes e fotos originais de exposições realizadas por Lina, além de 6 exemplares dos famosos cavaletes de vidro criados pela arquiteta. A partir da pesquisa em documentos e fotografias, e da construção de maquetes e expositores em escala, foram montadas ambientações que transformam as salas do MCB em modelos de aproximação de mostras como Caipiras, capiaus: pau-a-pique, Bahia no Ibirapuera, além das pinacotecas do MASP 7 de abril e MASP Paulista.

3-A Arquitetura Política de Lina Bo Bardi, no Sesc Pompéia, aborda a arquitetura de Lina em três grandes projetos: Solar do Unhão (em Salvador), Masp (Museu de Arte de São Paulo) e o próprio Sesc Pompéia.

Há desenhos originais de Lina, estudos, plantas, projetos, textos originais, material fotográfico de acervo e documentos relacionados a cada uma das três obras, além de 3 vídeos, mostrando o pensamento de Lina e abordando todo o contexto e processo construtivo nas obras.

A mostra tem curadoria dos arquitetos André Vainer e Marcelo Ferraz, que trabalharam 15 anos com Lina.

4- Lina Gráfica, também no Sesc Pompéia, aborda o pensamento gráfico de Lina, em cerca de 100 peças, quase todas pertencentes ao acervo do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.

Com curadoria de João Bandeira e Ana Avelar, são expostas ilustrações, desenhos originais, cartazes e outros tipos de desenhos não arquitetônicos, produzidos entre 1940 e 1980, na Itália e no Brasil. Há projetos de cartazes para exposições no Sesc, croquis do próprio logotipo do Sesc Pompéia,desenhos feitos em bico de pena na juventude, quando cursou o Liceu Artístico de Roma e trabalhos como ilustradora de revistas italianas (Bellezza, Grazia, Lo Stile Domus), além de sua criação da revista Habitat, início de sua atuação no Brasil.

 

Serviço

arquitetura política de Lina Bo Bardi Lina gráfica
até 14 de dezembro de 2014.
Terça a sexta, das 10h às 21h
sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

Área de Convivência do SESC Pompeia – Rua Clélia, 93, Pompeia
Mais informações: (11) 3871-7700 ou www.sescsp.org.br
Entrada gratuita

Lina Bo Bardi Designer: O Mobiliário dos Tempos Pioneiros
até 6/12, de quinta a domingo, das 10h às 16h30.

Casa de Vidro: r. General Almério de Moura, 200, Morumbi, SP
tel 11 
3743 3875
Entrada gratuita

Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi:
até 9/11, de terça a domingo, das 10h às 18h.

Museu da Casa Brasileira: av. Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, SP
tel 11 3032 3727
Entrada gratuita

Veja a Linha do tempo de Lina:
http://www.institutobardi.com.br/linha_tempo.asp#

Mais referências:
http://www.sescsp.org.br/programacao/41315_A+ARQUITETURA+POLITICA+DE+LINA+BO+BARDI#/content=saiba-mais
http://www.sescsp.org.br/programacao/41322_LINA+GRAFICA#/content=saiba-mais
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1646/Lina-Bo-Bardi
http://www.mcb.org.br/mcbItem.asp?sMenu=P002&sTipo=5&sItem=2819&sOrdem=0
http://guia.uol.com.br/sao-paulo/exposicoes/noticias/2014/10/08/centenario-de-lina-bo-bardi-e-celebrado-em-quatro-exposicoes-em-sp.htm
http://www.lilianpacce.com.br/e-mais/100-anos-de-lina-bo-bardi/

9
outubro
2014
Exposição Mãos no Barro da Cidade: uma olaria no coração de Pinheiros

Debaixo do asfalto e do concreto da cidade há muitos vestígios de antigamente, que retratam a vida de nossos antepassados. A arqueologia urbana traz à luz diversos objetos que desvendam e contam a história da cidade, às vezes distante, às vezes mais próxima de nós. Quase ninguém sabe, mas São Paulo tem mais de 130 sítios arqueológicos e ainda há muitos por serem abertos. 

Em 2010, devido a uma obra pertinho da ponte da Eusébio Mattoso, sobre o Rio Pinheiros, no bairro de mesmo nome, foram descobertos vestígios de fornos e potes de barro que trazem novas contribuições a respeito da história desse bairro paulistano da Zona Oeste. Mais de 50 mil peças foram coletadas durante as escavações,  além de identificados oito restos de fornos, no que se chamou de Sítio Arqueológico Pinheiros 2.
A Essa antiga olaria foi encontrada quando uma construtora contratou o estudo arqueológico, antes de iniciar as obras de seu empreendimento, localizado entre as ruas Amaro Cavalheiro, Butantã e Paes Leme.
Em função de suas características, os arqueólogos acreditam que as louças encontradas foram produzidas há mais de 200 anos e atendiam tanto ao consumo da cidade como a regiões mais distantes e que a olaria que devem ter produzido pelo menos 10 mil objetos de cerâmica, ao longo de 100 anos. Havia muita argila próxima ao Rio Pinheiros e a então facilidade do transporte fluvial também reforça a ideia de que a produção era escoada para outros lugares.
 
No geral, as peças eram de boa qualidade, com cerâmica branca e regular. Apesar do formato europeu, algumas das leiteiras, frigideiras e potes apresentavam padrões de decoração indígenas e africanos, o que indica que a mão de obra era diversificada – se era escrava ou não ainda não se sabe.
 
“Não sabemos se as louças eram só para consumo local, mas sabemos que havia distribuição. Nada impede que essa olaria tenha produzido potes que chegaram com os bandeirantes no Mato Grosso ou na Amazônia”, diz Paulo Zanettini, proprietário da empresa de arqueologia encarregada do projeto.
 
Disseminando o conhecimento
A divulgação dos resultados das escavações à população será por meio de um programa educativo que conta com a exposição itinerante “Mãos no barro da cidade: uma olaria no coração de Pinheiros”. Simultaneamente, os pesquisadores realizarão oficinas, palestras e rodas de conversa em escolas, ONGs e espaços públicos do bairro.
A exposição utiliza uma tecnologia inovadora, permitindo que os visitantes manipulem réplicas das cerâmicas e brinquem com modelos virtuais 3D. Além disso, será possível ter uma ideia de como era a olaria e a região no passado, a partir de reconstituições gráficas e computadorizadas por meio da chamada Realidade Aumentada, técnica que combina elementos virtuais com o ambiente real.
“Somos arqueólogos e falamos do mundo através das coisas, e nada melhor do que poder pegar os documentos na mão”, diz Zanettini.
 
Em formato itinerante, a mostra circula pelo bairro de Pinheiros durante os meses de setembro e outubro.
Ela está dividida em dois módulos: no primeiro há um ambiente imersivo voltado a apresentar como foi feita a pesquisa.
No segundo são descritas as peças encontradas, técnicas de fabricação e sua utilização, sendo estabelecido um diálogo com os antigos oleiros e oleiras que ali trabalharam.
As peças encontradas são descritas, juntamente com as técnicas de fabricação e sua utilização, mostrando também como eram esses trabalhadores.
É possível, ainda, baixar um aplicativo para conhecer todo o processo e a exposição, além de visualizar a própria exposição no site da Zanettini.

Veja as informações abaixo e bom passeio ao passado!
http://www.zanettiniarqueologia.com.br/olaria-metropole.html
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2014/09/tecnologias-de-ponta-abrem-novas-possibilidades-para-exposicoes-arqueologicas.html
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,arqueologos-acham-vestigio-de-olaria-em-pinheiros,1566866
 

É possível baixar na App Store o aplicativo da exposição
 

24
setembro
2014
Está começando agora o ano judaico de 5775!
postado sob cultura, história

Comemora-se a partir de hoje o Rosh Hashaná (literalmente “Cabeça do Ano”, em Hebraico), o Ano Novo pelo calendário judaico.  Pela história da religião, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, Deus criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele. 

A cada Rosh Hashaná, o judaísmo coroa o seu rei, Criador do Mundo, anunciando isso com o soar do Shofar - instrumento sonoro, feito de chifre - símbolo central do Rosh Hashaná. Ao seu toque, desperta-se a necessidade da comunhão entre irmãos, o retorno à fé, além de conduzir cada indivíduo para um exame de consciência. 

O Rosh Hashaná é um período de grandes festas, reflexões, de conservar e transmitir ensinamentos às gerações mais jovens. É o momento de se consolidar o estilo de vida judaico, por meio de suas tradições e de sua religião. 

Tradicionalmente, na noite do Rosh Hashaná os judeus vão à sinagoga rezar. Em seguida, as famílias se reúnem em volta da mesa de jantar onde há rezas e vários alimentos simbólicos são ingeridos sendo que um pedido é feito para cada alimento. 

Uma fatia de maçã doce é mergulhada no mel, ao recitar a bênção da fruta (Borê Peri Haetz):”Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce”. E assim, para cada alimento (mel, peixe, romã, cabeça de carneiro ou peixe,feijão, abóbora, tâmara), há uma reza e uma simbologia específica. Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. 

SHANA TOVAH UMETUKAH - um ano doce para todos!

14
setembro
2014
Como falar sobre coisas que não existem

Esse é o título da 31ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, uma das mais prestigiadas do mundo, que abriu no dia 6 de setembro e vai até dia 7 de dezembro, no Parque Ibirapuera (parque este que, por sinal, acaba de completar 60 anos de existência!). 

Nas 6 primeiras edições, a exposição ficou a cargo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, mas em, em 1962, foi criada a Fundação Bienal de São Paulo, que passou a ser a responsável pela organização do evento. Localizada no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, em um pavilhão emblemático da arquitetura modernista brasileira, projetado por Oscar Niemeyer, é hoje uma das mais influentes instituições internacionais de promoção da arte contemporânea e seu impacto no desenvolvimento das artes visuais brasileiras é notadamente reconhecido.

Desde a primeira edição, em 1951, foram produzidas trinta Bienais, com a participação de aproximadamente 160 países, 67 mil obras, 14 mil artistas e 8 milhões de visitantes. As duas últimas Bienais atraíram mais de 500 mil visitantes em cada edição, além do público registrado nas itinerâncias, realizadas em diversas cidades do país, o que,na 29ª Bienal (2010), foi de 230 mil visitantes e, na 30ª Bienal, foi de 185 mil visitantes.

Esta Bienal de 2014, cuja entrada é gratuita, reúne mais de 250 trabalhos de mais de cem artistas de 34 países. São obras de arte contemporânea que lançam olhares críticos sobre a sociedade, ocupando quatro pavimentos do pavilhão Ciccillo Matarazzo. 

"Não há um tema. Levantamos urgências políticas, sociais e econômicas do mundo atual e trabalhamos esses assuntos", diz Luiza Proença, curadora associada. Questões indígenas, de gêneros e ecológicas estão na mostra - que, no entanto, não foge do criativo. "A reticência do título permite o uso de qualquer verbo ali. É possível pensar ou lutar por coisas que não existem."
Coube a cada artista transcender em suas ideias. Dez estrangeiros, inclusive, fizeram isso no Brasil. "Eles passaram meses aqui e incorporaram a nossa realidade em suas linhas de trabalho."  

De acordo com Pablo Lafuente, um dos curadores, a 31ª Bienal “serve para que o público aprenda com as coisas que não existem – ou até lutem contra elas – numa espécie de misticismo”. Lafuente conclui: “É importante entender que arte não faz uma única coisa. Ela pode gerar diversos questionamentos. Por meio da arte, a gente pode mudar o mundo”. O cartaz de divulgação desta edição da Bienal foi feito pelo artista indiano Prabhakar Pachpute, refletindojustamente o espírito de produção coletiva e de transformação.

A programação, produzida pelos curadores, artistas, educadores e demais profissionais da área, tem um olhar voltado à educação. Segundo Nuria Enguita Mayo, também curadora, os artistas e coletivos artísticos desta edição estão ligados a projetos de arte educativos. Nesse contexto, a 31ª Bienal quer analisar, inclusive, diversas maneiras de gerar conflito, por isso muitos dos projetos têm em suas bases relações e confrontos não resolvidos: entre grupos diferentes, entre versões contraditórias da mesma história ou entre ideais incompatíveis. 

O texto do site oficial desta Bienal afirma: “esta não é uma Bienal fundada em objetos de arte, mas em pessoas que trabalham com pessoas que, por sua vez, trabalham em projetos colaborativos com outros indivíduos e grupos, em relações que devem continuar e desenvolver-se ao longo de sua duração e talvez mesmo depois de seu encerramento. Embora se possa dizer que um pequeno grupo de pessoas sejam os iniciadores, o foco da 31ª Bienal é posto sobre todos aqueles que entrarão em contato com ela e dela farão uso, bem como sobre o que será criado a partir dos encontros no evento como um todo. Essa abertura do processo precisa ser entendida como um meio de aprendizagem: uma troca educacional estabelecida ao longo e em cada um dos níveis e que é, por conseguinte, não resolvida e experimental.”

A expectativa é de que todos que entrarem em contato com a 31ª Bienal possam explorar algumas das possibilidades ali presentes, para depois seguirem os seus próprios caminhos, individuais e/ou coletivos, levando algo novo consigo, de modo que este momento seja transformador para todos os envolvidos. 

Desse modo, segundo os organizadores, “as coisas que não existem podem ser trazidas à existência e, assim, contribuir para uma visão diferente do mundo. É provável que seja este, no fim das contas, o potencial da arte.”

 

Referências:

http://www.bienal.org.br

http://www.31bienal.org.br/pt/

http://www.tnonline.com.br/noticias/entretenimento/13,288379,04,09,a-31a-bienal-de-sao-paulo-abre-suas-portas-amanha-no-parque-ibirapuera-com-visoes-de-mundo-variadas.shtml

https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/31a-bienal-de-sp-tem-data-marcada-e-75-projetos-artisticos-selecionados/

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/01/poster-da-31-bienal-de-sao-paulo-traz-torre-movida-forca-humana.html

https://www.facebook.com/bienalsaopaulo

 

SERVIÇO

6 set - 7 dez 2014  Entrada gratuita 
Parque do Ibirapuera - Portão 3

PAVILHÃO DA BIENAL  

Visitação  
TER, QUI, SEX, DOM E FERIADOS: 9H - 19H (ENTRADA ATÉ 18H)  
QUA, SÁB: 9H - 22H (ENTRADA ATÉ 21H)  
FECHADO ÀS SEGUNDAS

10
setembro
2014
E esse numerão do código de barras???  O que é?

Os 13 dígitos estão agrupados em cinco blocos e cada um deles está separado do anterior por uma guia. Este número vem sempre precedido pelas siglas ISBN. Veja o significado de cada grupo:

  1. O primeiro é um número de 3 dígitos que identifica o livro como produto. Até hoje são usados os códigos 978 e 979.

  2. O segundo bloco, chamado de Identificador de grupo, identifica o grupo nacional, geográfico ou linguístico do editor. Ao Brasil, corresponde o número 85.

  3. O terceiro é o prefixo editorial, que pode identificar uma editora concreta ou ser um prefixo coletivo, como o outorgado aos autores-editores.

  4. o quarto corresponde ao Número de título, que identifica o título específico ou a edição de una obra.

  5. O quinto e último grupo corresponde ao Dígito de verificação. Consta de um só dígito, e garante a correta utilização de todo o sistema.

     

PARA QUE SERVE O ISBN

Criado inicialmente em 1967 e oficializado como norma internacional em 1972,
o ISBN - International Standard Book Number - é um sistema usado
mundialmente, que identifica numericamente os livros segundo o título, o
autor, o país e a editora, individualizando-os inclusive por edição.
O sistema é controlado pela Agência Internacional do ISBN, que orienta e
delega poderes às agências nacionais. No Brasil, a Fundação Biblioteca
Nacional representa a Agência Brasileira desde 1978, com a função de
atribuir o número de identificação aos livros editados aqui. 
A partir do número gerado é que se cria o código de barras que identifica
uma publicação (é exatamente aquele número que aparece junto do código de
barras). Esse número especifica o país, idioma, editora, publicação, etc.
Assim podemos saber de onde vem um livro e em qual idioma está escrito,
dependendo dos primeiros números do código antes do hífen (o código do
Brasil é 85).
A partir de 1º de janeiro de 2007, o ISBN passou de dez para 13 dígitos, de
modo a aumentar a capacidade do sistema, devido ao crescente número de
publicações, com diferentes edições e formatos. Essa é a diferença entre o
ISBN-10 e o ISBN-13.
Também existem outros códigos, tais como ISMN, para a música; ISAN, para os
filmes, games e meios audiovisuais; ISSM, para periódicos e revistas, e até
o ASIN, código que a loja virtual Amazon usa para identificar seus produtos.

Para mais informações, acesse o site da Agência Brasileira do ISBN:
http://www.isbn.bn.br/website/

Mais referências:
http://www.cbl.org.br
http://blog.ludoeducativo.com.br/o-que-e-o-isbn/=
http://www.bibliofiloenmascaradhttp://www.bibliofiloenmascarado.com/2010/12/23/el-isbn-se-privatiza-en-espana/o.com/2010/12/23/el-isbn-se-privatiza-en-espana/

8
setembro
2014
Permacultura? O que é isso?

Resumidamente, é um sistema de planejamento para a criação de ambientes sustentáveis.

Segundo o australiano Bill Mollison, considerado um dos pais da Permacultura,na década de 1970, ela consiste na ‘elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que mantenham a diversidade, a resistência, e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente’

A professora do Colégio Ítaca, Luana Ribeiro, envolvida diretamente com a prática da permacultura, explica: "é a ideia de uma cultura permanente, de buscar alternativas de viver de uma forma mais solidária, que rompa com o sistema que vem desumanizando as relações". 

O seu projeto “Estações Orquídea”, construído em colaboração com os amigos e educadores Eduardo Bonzatto e Leandro Gaffo, foi escolhido para ser apresentado no IX Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, que acontecerá de 17 a 20 de setembro, em Torino, na Itália.

Professora do 5° ano de Ciências, Geografia e Matemática e do 6° ano de Estudos Áfricos, Luana conta que se interessou pela Permacultura em 2006. "Faço parte de um grupo de pessoas, amigos de longa data, que vem discutindo e trabalhando com a Permacultura. Refletimos sobre o quanto a gente precisa para viver. Discutimos as melhores formas de usar a energia que entra nossa vida", diz.

O projeto Estações Orquídea trabalha hoje em instituições com diferentes características organizando oficinas de diálogos e práticas que envolvem as teorias do  educador brasileiro Paulo Freire.

Hoje, as oficinas acontecem em cinco pontos do Brasil: em São Paulo, no Cursinho da Poli; em Carapicuíba (SP), na faculdade Nossa Cidade; em Itapecerica da Serra (SP), na escola pública Bairro do Engenho, em parceria com a Cia Deodara; em Juazeiro do Norte (CE), na Universidade Federal do Cariri; e em Teixeira de Freitas (BA), na Universidade Fedaral do Sul da Bahia. 

Como nos colocamos politicamente e socialmente neste mundo

A Permacultura, diz Luana, busca trazer para o meio urbano práticas tradicionais do meio rural que foram sendo perdidas com o passar do tempo. "Precisamos repensar a sociedade de consumo. Pensar o quanto produzimos de lixo, o quanto compramos por impulso; muitas vezes trabalhamos demais e não temos tempo para pensar na nossa prática, sobre o nosso lugar no mundo", diz.

"Sempre achamos que o problema está no outro e nunca é com a gente. As pessoas falam: eu não sou consumista, não compro um tênis por mês. E aí a gente pergunta: fica no facebook o dia inteiro? Então você é consumista de facebook", afirma. "Depois, mostramos que ninguém está sozinho; há meios de recuperar algumas práticas e formas de convivência social".

Composteira no Ítaca

No Ítaca, Luana tem conversado bastante com a professora Cecília Braga de Arruda, do 7° ano, da disciplina de Sustentabilidade. "A Cecília começou um trabalho de reflexão de descarte dos resíduos, com lixeiras. Agora, a escola já colocou uma composteira aberta, com as folhas secas", diz.

Luana defende que toda a pessoa pode reciclar e reutilizar a energia que produz, em um processo local e global. "Trabalhamos com o conceito de que toda a energia que produzimos em casa pode ficar dentro de casa. Ela não precisa ser tratada em aterros, que custam muito dinheiro público. Um exemplo é produzir adubo; mesmo quem mora em apartamento, pode gerar adubo para o seu prédio, para a praça do bairro. É uma preocupação local e global", ensina.

A professora destaca que o projeto Estações Orquídea, embora esteja dentro do espaço da educação formal, não está dentro do currículo. Seu sonho é incluir a Permacultura na educação formal. "Nosso grande sonho é levar esta reflexão para dentro da educação formal. No nosso dia-a-dia, na nossa prática. Às vezes fica parecendo que é algo separado da realidade, mas não é. A Permacultura é pensar como nos colocamos politicamente e socialmente neste mundo". 

Referências:
http://www.permear.org.br/permacultura/
http://www.ipoema.org.br/ipoema/home/conceitos/permacultura/
http://www.permacultura-bahia.org.br
http://www.ipemabrasil.org.br

http://permacultura.ufsc.br

28
agosto
2014
Um livro sobre plantas medicinais do Acre impresso em papel sintético???????

Fotos do lançamento do livro no Parque Laje, Rio de Janeiro, em 18/07/2014 
Midia Ninja - Creative commons

Pois é! Essa solução servirá para manter o livro Una Isĩ Kayawa por mais tempo, nas condições adversas da floresta:umidade, barro, etc. Foi usado o Vitopaper, material produzido pela empresa Vitopel e originalmente desenvolvido por Sati Manrich, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos, SP (UFSCar), com apoio da Fapesp.

O plástico é proveniente de embalagens e depois é higienizado e moído. Em seguida, são adicionadas algumas partículas minerais para a obtenção de propriedades – como brilho, brancura, contraste, dispersão e absorção de luz – e resistência mecânica à tração e dobras.A mistura é colocada em uma máquina extrusora a altas temperaturas, onde se funde e depois transforma-se em uma folha fina, semelhante a um papel fabricado com celulose, que será cortada.

Segundo o fabricante, para cada tonelada de Vitopaper produzido, são retirados das ruas e lixões 750 quilos de resíduos plásticos, e cerca de 30 árvores deixam de ser derrubadas.

O livro Una Isĩ Kayawa, lançado recentemente em várias cidades do Brasil, propõe-se a preservar o conhecimento sobre plantas medicinais transmitido oralmente há séculos pelos pajés do povo indígena Huni Kuĩ (também conhecidos pelos nomes de “Kaxinawá”), grupo mais numeroso do Acre, que vive à beira do rio Jordão. Sua presença vai até parte do Peru. No Brasil, somam mais de 7 mil indivíduos, divididos em 12 diferentes terras. O “livro da cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias de uma dessas terras indígenas que se estende pelo rio Jordão.

Chamado de “Livro da Cura” e produzido pelo Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IJBRJ) e pela Editora Dantes, ele descreve 109 espécies da terapêutica indígena, em uma tiragem de 3.000 exemplares em papel comum, couchê, e mais 1.000 no papel sintético, destinado exclusivamente às aldeias indígenas.

O projeto foi idealizado pelo pajé Agostinho Manduca Mateus Ĩka Muru, que morreu pouco tempo antes de a obra ser concluída. A pesquisa e a organização das informações levaram dois anos e meio e foram coordenadas pelo botânico Alexandre Quinet, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

“O pajé Ĩka Muru era um cientista da floresta, observador das plantas. Há mais de 20 anos ele vinha reunindo esse conhecimento até então oral, em seus caderninhos. Buscando informações com os mais antigos e transmitindo para os aprendizes de pajé. Ele tinha o sonho de registrar tudo em um livro impresso, como os brancos fazem, e deixar disponível para as gerações futuras”, contou Quinet. O “Livro da Cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias das terras indígenas que se estendem pelo rio Jordão.

Todo o conteúdo do livro, que apresenta não apenas as plantas medicinais, mas também um pouco da cultura do povo Huni Kuĩ, como hábitos alimentares, músicas e concepções sobre doença e espiritualidade, está escrito em “hatxa kuĩ” – a língua falada nas aldeias do rio Jordão – e traduzido para o português.

“O objetivo inicial do pajé Ĩka Muru era criar um material de ensino para aprendizes de pajé, visando a facilitar a localização das plantas nos jardins medicinais. Mas o livro também tem o objetivo de difundir a cultura da tribo  e a importância de sepreservar a floresta de forma ampla. Buscaram o Jardim Botânico para que esse conhecimento pudesse ser universalizado dentro de bases científicas”, disse Quinet.

Referências:
http://agencia.fapesp.br/19667
https://www.facebook.com/UnaIsiKayawa?fref=ts​
http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/jardim-botanico-do-rio-lanca-livro-de-plantas-medicinais-em-tribo-no-acre,1654b87cd9106410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

 

15
agosto
2014
fruta feia pode contribuir para diminuir fome no mundo!

A pera é toda torta. A maçã, pequenininha. O tomate tem mancha. A alface está meio passada. Mas a qualidade é a mesma ou até melhor, porque são fresquinhos, vieram diretamente do agricultor. São apanhados de manhã e vendidos à tarde.  É só uma questão de aparência.
 
Com o lema "Gente Bonita Come Fruta Feia", a cooperativa portuguesa “Fruta Feia”, que já tem apoio da COTEC Portugal (Associação Empresarial para a Inovação) e da Fundação Gulbenkian, pretende criar as bases que permitam diminuir o desperdício de frutas e legumes em Portugal. Em declarações à rádio TSF, sua presidente, Isabel Soares, recordou que toneladas de frutas e hortícolas ficam nos terrenos porque os agricultores nem as apanham, sabendo que não as conseguem vender porque não apresentam boa aparência.
 
Cerca de metade da comida produzida no mundo cada ano vai para o lixo. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o atual desperdício alimentar nos países industrializados ultrapassa 1,3 bilhões de toneladas por ano, suficientes para alimentar as cerca de 925 milhões de pessoas que todos os dias passam fome. 
Pelos dados estatísticos apresentados no ano passado, em Portugal cerca de um milhão de toneladas de alimentos por ano, ou seja 17% do que é produzido, vai para o lixo. 
Na Europa toda, o desperdício de produtos hortofrutícolas próprios para consumo chega aos 30%. 

Esse desperdício tem consequências não apenas éticas, mas também ambientais, já que envolve o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção (como terrenos, energia e água) e a emissão de dióxido de carbono e metano resultante da decomposição dos alimentos que não são consumidos.
 
Os motivos para tal desperdício são vários e ocorrem ao longo de toda a cadeia agroalimentar: condições inadequadas de colheita, armazenamento e transporte, adoção de prazos de validade demasiado apertados e promoções que encorajam os consumidores a comprarem em excesso, entre outros, são algumas das causas que contribuem para o enorme desperdício atual.

Em vista desse panorama, o Parlamento Europeu declarou 2014 como o Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar. A proposta foi apresentada para que sejam tomadas decisões importantes na resolução do problema do desperdício alimentar que existe na Europa. 

Assim como o projeto “Fruta Feia”, há outros, como o “Fruit Moche”, iniciativa francesa do supermercado Intermarché que visam a combater uma ineficiência de mercado, criando um mercado alternativo para frutas e hortaliças “feias” que consigam alterar padrões de consumo. Um mercado que gere valor para os agricultores e consumidores e combata tanto o desperdício alimentar como o gasto desnecessário dos recursos utilizados na sua produção.
 
Essa é uma daquelas ideias simples que, se derem certo, podem ser boas para todo mundo: para o produtor rural, que vende o produto que antes ia para o lixo ou, no máximo, para  a alimentação dos animais; para os consumidores, que fazem uma boa economia, porque compram mais barato e, principalmente, para o meio ambiente, porque há economia de energia, água, espaço.
 
Uma boa ideia, que deveria se espalhar pelo mundo.
 
referências
http://www.frutafeia.pt/projecto
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/12/mercado-de-fruta-feia-oferece-menor-preco-e-reduz-desperdicio-em-lisboa.html
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3414755
http://europedirect.ccdr-alg.pt/site/index.php?name=News&file=article&sid=170#.U-4gc1aZMnU
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-desperdicio-de-comida-imp-,992093
http://envolverdhttp://envolverde.com.br/sociedade/comunicacao/fruta-feia/e.com.br/sociedade/comunicacao/fruta-feia/

23
julho
2014
Do Macaco ao Homem: exposição registra evolução humana

Os 7 milhões de anos que marcaram a trajetória evolutiva da humanidade estão reeditados na nova exposição permanente Do Macaco ao Homem, no espaço Catavento Cultural, em São Paulo. A mostra exibe  a evolução da espécie humana por meio de réplicas fiéis de ossadas, ferramentas, artefatos de pedra lascada e objetos do cotidiano dos nossos ancestrais.

O grande objetivo desse projeto é tornar disponível um extenso acervo de réplicas arqueológicas e transformá-lo em um museu de história natural na cidade de São Paulo, inexistente até então na capital. A exposição, que levou 7 anos de elaboração, foi concebida a partir do projeto do arqueólogo e antropólogo físico Walter Neves, coordenador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos, do Instituto de Biociências (IB) da USP.

O laboratório, que se dedica ao estudo da evolução humana, já colecionava peças há 20 anos, por meiode compras e de trocas com outras instituições, constituindo a maior coleção evolutiva da América Latina. “Nas últimas três ou quatro décadas, foram encontrados muitos fósseis de hominídeos na África e em outras partes do Velho Mundo”, e “o principal objetivo da exposição é mostrar que os conhecimentos sobre o processo que levou ao surgimento dos hominídeos e do homem moderno já estão bastante avançados. Agora podemos caracterizar, com um elevado grau de certeza, os principais passos de nossa linhagem evolutiva”, afirma Neves. “Sempre foi um sonho compartilhar o acervo com a sociedade”, ressalta Neves.

No Catavento Cultural, que se interessou prontamente pelo projeto, Do macaco ao homem inaugura um novo espaço didático no interior do Palácio das Indústrias, o prédio histórico da instituição: as arcadas no subsolo, que dão criam um clima de exploração, como se os visitantes participassem de uma verdadeira expedição arqueológica.

Uma das coisas mais impressionantes da exposição exibição é a quantidade e a qualidade das réplicas de esqueletos de hominídeos e de grandes símios – ao lado de uma ossada completa de Homo Sapiens, há outra, de chimpanzé, e uma terceira, de gorila, nossos parentes mais próximos na ordem dos primatas –além de artefatos de pedra lascada e de osso, cunhados pelo homem moderno e seus antepassados. “Noventa por cento das réplicas foram feitas a partir de peças da nossa coleção que está na USP”, comenta Neves. As cópias de Lucy (famoso fóssil de Australopithecus afarensis ) e dos macacos vieram dos Estados Unidos. Há também reproduções das representações artísticas feitas pelo homem moderno durante o que Neves denomina a “explosão criativa do Paleolítico Superior”, por volta de 45 mil anos atrás. Para ilustrar esse momento-chave da evolução humana, foram destacadas cópias de trechos de famosas pinturas rupestres, como os murais das grutas de Lascaux e Chauvet, na França, e de Altamira, na Espanha.

Como se disse, para a exposição, réplicas em resina foram feitas a partir das de outras já existentes na USP, a fim de se conservarem as peças estas últimas, que são usadas para pesquisas do Laboratório da Universidade.

SERVIÇO
Catavento
Palácio das Indústrias (antiga sede da Prefeitura), Parque D. Pedro.
mapa: http://www.cataventocultural.org.br/mapas

De terça a domingo, das 9h às 16h, com permanência até 17h. Entrada: R$ 6,00 / Meia entrada: grátis Estacionamento até 4h: R$ 10,00,com adicional por hora: R$ 2,00.

Acesso para pessoas com deficiência motora

Referências

http://www.cataventocultural.org.br
http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/01/13/macaco-ao-homem/
http://www5.usp.br/40238/do-macaco-ao-homem-exposicao-do-catavento-registra-evolucao-da-especie-humana/=

22
julho
2014
Ocupação Aloísio Magalhães
postado sob arte, cultura, história

Em homenagem ao Design brasileiro e a um de seus mais importantes pensadores, o Itaú Cultural inaugura no dia 26 de julho a “Ocupação Aloisio Magalhães”, exposição que retrata os múltiplos caminhos percorridos por ele: seja como artista plástico, seja como designer ou político cultural. Não perca!

 

Quem foi Aloisio Magalhães

Aloisio Magalhães, nascido em 1927 no Recife, foi uma das figuras mais importantes da Cultura Brasileira do séc. XX. Formado em Direito, acabou se dirigindo à área artística e cultural. Foi pintor, pioneiro do design gráfico no Brasil, administrador cultural e, acima de tudo, defensor do patrimônio histórico e artístico.

Em 1949, participou do IV Salão de Arte Moderna do Recife. Dois anos mais tarde, recebeu bolsa do governo francês para curso de Museologia no Louvre. Em 1953 participou da II Bienal de São Paulo com duas pinturas.

Em 1954, fundou, no Recife, o Gráfico Amador, mistura de atelier gráfico e editora, com Gastão de Hollanda, Orlando da Costa Ferreira e José Laurênio de Mello. Expôs no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Ministério da Educação e Cultura. Em 1955, participou da III Bienal de São Paulo.

Nos anos seguintes, realizou inúmeras exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.  O Museu de Arte Moderna de Nova York adquiriu seu quadro PAISAGEM, 1956, feito com guache e nanquim.

Publicou ANIKI BOBÓ, "ilustrado" por João Cabral de Melo Neto, e IMPROVISAÇÂO GRÁFICA, no qual interpreta tipograficamente textos de autores diversos. Em 1960, integrou a representação brasileira, na XXX Bienal de Veneza, e iniciou atividade de designer, fundando o que, dentro de poucos anos, se tornaria o mais importante escritório de Design do país.

A partir de então, dedicou-se integralmente a essa atividade, criando inúmeros símbolos e diversificadas peças gráficas para os mais variados fins. Integrou, em 1963, o grupo criado pelo governador do então Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, para organizar a Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI, a primeira escola de Design na América Latina e até hoje uma das principais do Brasil.

Em 1964, ganhou o concurso para criação do símbolo do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro. Como designer, este será seu primeiro trabalho de grande repercussão pública. No ano seguinte, elaborou projetos de identidade visual para a Light S.A. e para a Bienal de São Paulo, ambos resultados de concursos fechados apenas para profissionais convidados.

Tornou-se consultor da Casa da Moeda e do Banco Central do Brasil para o desenvolvimento de novos desenhos para notas e moedas brasileiras.

Em 1970, desenvolveu o primeiro grande projeto de Design no país, para a Petrobrás, abrangendo desde a criação do símbolo da empresa até suas embalagens, os elementos de identidade visual nos postos de distribuição e a bomba de gasolina.

Continuou, nesse tempo, também com seu trabalho de pintura e de atividade pictórica e apublicação de livros. Dando continuidade à atividade de design, seu escritório desenvolveu sistemas de identidade visual para grandes empresas nacionais, privadas e estatais - Banco Central do Brasil, Caixa Econômica Federal, Complexo Petroquímico de Camaçari, Furnas Centrais Elétricas, Banco Nacional, Companhia de Gás de São Paulo, Itaipu Binacional, Comlurb - Companhia Municipal de Limpeza Urbana, Grupo Peixoto de Castro, Companhia União dos Refinadores de Açúcar e Café, Companhia Souza Cruz, entre outras.

Em 1975, coordenou e implantou uma instituição dedicada à analise da cultura brasileira - o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC) -, sua primeira investida no território das ações de Estado em relação à cultura.

Aloisio Magalhães foi nomeado, em 1979, diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan -  e secretário da Cultura, do Ministério da Educação e Cultura, em 1981. Na década de 1980, iniciou campanha pela preservação do patrimônio histórico brasileiro. Apresentou propostas especialmente em relação a Ouro Preto  (MG) e às ruínas de São Miguel das Missões (RS).

Em junho de 1982, participou de uma reunião de Ministros da Cultura dos países de língua latina, em Veneza. Após ser eleito presidente do encontro, Aloísio fez ali seu último pronunciamento - uma defesa apaixonada e veemente das questões prementes da nossa sociedade em oposição à vertente que tratava essas questões apenas pela esfera culta. Logo após, sofreria violento derrame cerebral. Às pressas, foi conduzido para Pádua, onde viria a falecer na madrugada de 13 de junho.

 

SERVIÇO

Itaú Cultural
atendimento@itaucultural.org.br
tel 11 2168 1777
Avenida Paulista, 149
São Paulo/SP

De SÁBADO, 26 JULHO, a DOMINGO, 24 AGOSTO.

De terça a sexta: das 9h às 20h [permanência até as 20h30]; aos sábados, domingos e feriados: das 11h às 20h.

referências:
http://www.mamam.art.br/mam_apresentacao/aloisio.htm
http://www.esdi.uerj.br/arcos/arcos-05-2/05-2.03.jplacido-o-design-diferencial.pdf
http://www.revistaleaf.com.br/dia-do-designer-aloisio-magalhaes/1377
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=543&cd_idioma=28555

 

25
junho
2014
Museu do Futebol homenageia centenário da Seleção Brasileira

Por ocasião da Copa do Mundo, sediada no Brasil, e da vinda de muitos torcedores estrangeiros para o país, o Museu do Futebol (SP) inaugura um espaço (Lounge) em homenagem ao centenário da Seleção Brasileira e tem uma programação especial para o período, com saraus de poesia, audiovisuais, performances litarárias, lançamentos de livros, oficinas, jogos educativos e outras atividades. 

Além disso, tematividades relativas a outros países que participam da Copa e transmissão dos jogos, que não os do Brasil.

As atividades serão gratuitas e o lounge funcionará de terça a domingo, das 10 às 20 h (até dia 13 de julho) e das 10 às 17h (de 15/07 a 03/08), com entrada independente do Museu do Futebol.

 

PROGRAMAÇÃO LOUNGE 100 ANOS DE SELEÇÃO BRASILEIRA

Exibição de jogos da Copa

13/6 - 13h: México e Camarões
14/6 - 13h: Grécia e Colômbia; 16h: Uruguai e Costa Rica; 19h: Inglaterra e Itália
15/6 - 13h: Suíça e Equador; 16h: França e Honduras; 19h: Argentina e Bósnia
17/6 - 13h: Bélgica e Argélia; 19h: Rússia e Coreia do Sul
18/6 - 13h: Austrália e Holanda; 16h: Espanha e Chile; 19h: Camarões e Croácia
19/6 - 16h: Uruguai e Inglaterra
20/6 - 13h: Itália e Costa Rica; 16h: França e Suíça
21/6 - 13h: Argentina e Irã
22/6 - 13h: Bélgica e Rússia; 19h: Estados Unidos e Portugal
24/6 - 13h: Itália e Uruguai // Costa Rica e Inglaterra; 17h: Japão e Colômbia// Grécia e Costa do Marfim
25/6 - 13h: Argentina e Nigéria // Bósnia e Irã; 17h: Equador e França//Honduras e Suíça
26/6 - 13h: Portugal e Gana // EUA e Alemanha; 17: Coreia e Belgica//Argélia e Rússia
28/6 (Oitavas de final – jogos a definir)
29/6 (Oitavas de final – jogos a definir)

ATIVIDADES EDUCATIVAS E EXIBIÇÃO DE FILMES RAROS DO ACERVO DA TV GLOBO

O Lounge exibirá filmes do “Baú da Memória”, vídeos raros da TV Globo sobre a seleção brasileira.
Esse filme estará disponível ao público no momento em que não houver programação. As manhãs serão dedicadas a atividades educativas oferecidas pelo Núcleo de Ação Educativa do Museu.

SARAUS DE POESIA

20/06 – 20h às 21h Campeonato de poesia ZAP - com diferentes poetas do coletivo ZAP (Zona Autônoma da Palavra), que declamam poemas e o público atua como jurado.
21/06 – 20h: Futebol e Hai Kai - uma homenagem à comunidade japonesa, que há mais de 100 anos trouxe esse gênero poético para as terras brasileiras.
22/06 – 15h às 16h: Bate-papo com Marcelino Freire Agitador cultural, escritor e poeta radicado em São Paulo, Marcelino trata do futebol destacando a poesia de suas expressões e o drama social contido no jogo.
29/06 – 19h às 21h: Sarau Curta Poesia - Grupo de jovens que realizam o programa Curta Poesia! do canal fechado Canal Curta. Realizam seus saraus no bairro do Butantã e farão uma edição especial no Lounge.

MOSTRA DE FILMES

Relação de filmes que marcaram a produção audiovisual brasileira e internacional sobre futebol.
11/06 – 19h às 22h: Esperando Telê seguido de conversa com diretores. 
24/06 – 19h às 21h: João Saldanha.
27/06 – 20h: Deuses do Brasil, documentário BBC sobre Pelé e Garrincha.

INTERVENÇÕES E PERFORMANCES ARTÍSTICAS

21/06 – 18h30 às 20h: Homenagem a Gilberto Mendes – uma instalação audiovisual com músicas e histórias do compositor de música erudita que, aos 92 anos, assistiu a todas as Copas do Mundo. 
27/06 – 15h às 16h: Sarau do Charles Com experiência em números cômicos e acrobáticos, os palhaços do Sarau recuperam números esquecidos da história do circo e retomaram, especialmente para o Futebol das Artes, o número histórico do Futebol dos Palhaços. 
28/06 – 15h às 16h: Família na Copa – Performance de artistas que retratam os mais variados tipos de torcedores que freqüentam os estádios de futebol.

A HORA DE...

Os escritores José Santos e Selma Maria junto com outros participantes contam histórias relacionadas aos países participantes das Copas. 
10/06 – 14h às 15h: Hora de...Coréia 
14/06 – 15h às 16h: Hora da...Grécia 
14/06 – 18h às 19h: Hora de...Itália 
15/06 – 18h às 19h: Hora de...Argentina 
18/06 – 18h às 19h: Hora de...língua espanhola
24/06 – 16h às 17h: Hora de...Bairro Vila Madalena 
25/06 – 19h às 20h: Hora de papos de Futebol, samba, jongo e futebol: Vagner Dias 
27/06 – 19h às 20h: Hora de...Minas Gerais 
29/06 – 15h às 18h: Hora de.. Ricardo Azevedo, autor de livros sobre futebol

CAIXINHA DE SURPRESAS

Performance artística que faz uso de uma caixa ambulante com textos e objetos, convidando o público a participar de temas variados. 12/06 – 11h às 12h: Caixinha de Surpresas Seleção. 
22/06 – 18h às 19h: Caixinha de Surpresas Portugal.

LANÇAMENTOS DE LIVROS

Para celebrar o aquecimento do mercado editorial no período da Copa, abriremos espaço para lançamentos de livros e encontros com autores. 
15/06 – 11h às 13h: Lançamento de livro Poesia Querido Ronaldo (editora FTD). 
19/06 – 18h Lançamento do livro Craques do Traço (Ed. Panini), com a participação dos chargistas JAL e Gualberto Costa, autores do projeto, já estão preparando novo livro para a coleção que mostrará os grandes craques sob o mesmo tema do traço dos artistas gráficos. 
25/06 – 19hs : Lançamento Coletivo: 
a. De Charles Miller à Gorduchinha - A Evolução Tática em 150 anos de história, de Darcio Ricca; 
b. Sete décadas de futebol, de Milton Bigucci; 
c. Mulheres na Copa e na Cozinha, de Silvia Bruno Securato;
d. O mundo das Copas, de Lycio Vellozo Ribas; e Jovens craques do Brasil futebol clube, de Nereide Schilaro;
f. Para entender o Brasil, o País do futebol, de Mouzart Benedito. 
26/06 – 15h às 16h: Lançamento livro FTD. 
29/06 – 15h às 18h: Lançamento coletivo livro infanto juvenil + Homenagem a Ricardo Azevedo.

O Museu fica na Praça Charles Muller, no Estádio do Pacaembu.

Para consultar a programação atualizada:
www.museudofutebol.org.br
www.facebook.com/museudofutebol

 

 

 

 

16
junho
2014
Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos

Mais de 300 obras originais do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), ocupam três andares do espaço Itaú Cultural, a partir de 5 de junho.

Com curadoria de Lauro Cavalcanti e expografia de Pedro Mendes da Rocha e, além de mostrar os trabalhos em si, a exposição examina o processo criativo de Niemeyer, com plantas, croquis, desenhos originais, maquetes, filmes e fotos, possibilitando uma especial percepção de sua produção. “O objetivo é revelar projetos inéditos que, por vários motivos, permaneceram no papel e, agora, são trazidos ao público por um extenso trabalho de pesquisa e digitalização de originais”, destaca Cavalcanti.

A grande maioria dos desenhos da exposição provém de cadernos de trabalhos não executados. Eles nos permitem ver a metodologia do arquiteto e entender um pouco mais de seu modo de conceber, desenhar, escrever e, em alguns casos, acompanhar o desenvolvimento dos projetos. 

Um projeto que merece atenção especial é o da cidade de Negev, em Israel, desenhada em 1964, apenas três anos após a inauguração de Brasília. Com características praticamente opostas à capital brasileira, a cidade contempla mais a escala humana, em detrimento do automóvel, adotando ruas estreitas e distâncias entre casa, trabalho e lazer que possam ser percorridas a pé, nenhuma maior do que 500 metros.

Também faz parte da exposição um rolo de 16 metros de comprimento, praticamente desconhecido, desenhado por Niemeyer durante a gravação do documentário Oscar Niemeyer - O Filho das Estrelas, dirigido por Henri Raillard, em 2001.

A mostra ainda terá a projeção contínua de dois documentários sobre Niemeyer, exibidos na íntegra: Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro, com direção e roteiro de Fabiano Maciel, e depoimentos de outros arquitetos como Paulo Mendes da Rocha, Ciro Pirondi e Ruy Ohtake, gravados em vídeo.

Itaú Cultural 
av. Paulista 149

visitação
de 5 de junho a 27 de julho de 2014
de terça a sexta-feira, das 9h às 20h
sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Entrada gratuita

 

http://novo.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/oscar-niemeyer-classicos-e-ineditos/

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2014-06-04/com-arquivos-raros-exposicao-sobre-oscar-niemeyer-recebe-mais-de-300-obras.html

5
junho
2014
Como mover montanhas…
Ops! como construir pirâmides!

Imagens de dentro do túmulo de Djehutihotep, descrevem uma cena de escravos transportando uma estátua colossal do governante do Império Médio egípcio (de aproximadamente 1.900 A.C.), na qual há um homem, na frente de um trenó, derrama líquido na areia. Pode-se vê-lo na imagem acima, à direita do pé da estátua.

 

Os antigos egípcios tiveram que deslocar volumes pesadíssimos para seus templos: estátuas imensas, blocos de pirâmides de 2,5 toneladas por longas distâncias, sobre a areia do deserto, sem nenhuma ajuda da tecnologia moderna.  Como fizeram isso??? Como foi possível?  Mesmo andar sobre a areia pode ser tão penoso…

Isso intrigou egiptólogos, físicos, historiadores por muitos séculos, mas agora acredita-se que a charada foi desvendada: imagens de pinturas murais egípcias mostram grandes volumes sendo transportados por exércitos de homens, em cima de uma espécie de trenó.  Porém, assim mesmo, pelo peso desses volumes, seria impossível fazer o transporte sobre a areia apenas com aquela quantidade de homens. Então, uma equipe de pesquisadores, liderada por Daniel Bonn, da Universidade de Amsterdã, Holanda, começou a testar a mudança de atrito da areia, conforme a umidade, e descobriu que com uma pequena quantidade de água pode-se reduzir consideravelmente esse atrito da areia, permitindo-se um deslizamento muito melhor. Desse modo, os egípcios precisariam de metade da tração humana (metade do número de homens) para transportar o mesmo volume e peso. Na verdade, o líquido, em pouca quantidade, agrega os grãos de areia, tornando-a mais rígida.  

Os físicos testaram isso colocando, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia; para determinar a rigidez, usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia.

Essas experiências resolvem um mistério de séculos e nos confirmam o conhecimento que os egípcios já tinham, e o que nós provavelmente já deveríamos ter. 

 

referências:

http://chc.cienciahoje.uol.com.br/os-egipcios-e-o-atrito/

http://gizmodo.uol.com.br/estudo-egipcios-piramides/

http://www.iflscience.com/physics/mystery-how-egyptians-moved-pyramid-stones-solved#qHZmGuk1YPP16Hqz.99

http://www.iflscience.com/physics/mystery-how-egyptians-moved-pyramid-stones-solved

https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.112.175502

20
maio
2014
BORBO LETRAS

Este é o nome da exposição de caricaturas que homenageia Gabriel Garcia Marques.

Com a notícia da morte do escritor, no dia 17 de abril deste ano, cartunistas do mundo inteiro resolveram homenageá-lo. Uma exposição organizada por José Alberto Lovetro, o Jal, cartunista e presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, e pelo jornalista espanhol especializado em artes gráficas, Francisco Puñal, reúne artistas como Baptistão (SP), Fernandes (SP), Daniel Paz (Argentina), Boligan (Colômbia), Dario Castillejos (México), JBosco (PA), Calarcá (Colômbia), Mikio (Japão), Raul De La Nuez (EUA), Éden (Uruguai), Cau Gomes (MG), Samuca (PE), Amorim (RJ), Túrcios (Espanha), entre outros. São 73 desenhistas de dez países.

O nome da exposição, Borbo Letras, lembra o personagem Maurício Babilônia, do livro Cem Anos de Solidão, que caminha sempre envolto em uma nuvem de borboletas amarelas.
A exposição abriu no dia 16 de maio e continuará até o dia 21 de junho, na Biblioteca do Memorial da América Latina, em São Paulo/SP, para depois ser exibida nas estações do Metrô.

veja mais:
http://www.universohq.com/noticias/exposicao-de-cartunistas-homenageia-gabriel-garcia-marquez/
http://www.memorial.org.br/2014/05/homenagem-a-garcia-marquez-comeca-dia-16/
http://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/gabriel-garcia-marquez-e-homenageado-em-exposicao-no-memorial/

SERVIÇO
Memorial da América Latina 
entrada gratuita

de 17/05 a 21/06

Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 09:00 às 18:00
Sábados das 10:00 às 17:00
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664
Barra Funda 
Estação Palmeiras-Barra Funda (Metrô – Linha 3 Vermelha)
Estação Palmeiras-Barra Funda (CPTM – Linha 7 Rubi)

13
maio
2014
A Virada Cultural acontece neste final de semana!

A Virada Cultural, que acontece das 18 h deste sábado, 17 de maio, até as 18 h do domingo, é um evento realizado pela Prefeitura de São Paulo, que busca, antes de tudo, promover a convivência em espaço público, convidando a população a se apropriar do centro da cidade, por meio da arte, da música, da dança, das manifestações populares.
Ela foi inspirada na “Nuit Blanche” francesa, criada em 2002, quando museus abrindo de madrugada, por exemplo, quebram as expectativas do público, incitando a  uma participação massiva. Esse tipo de evento espalhou-se por outras cidades europeias, como Madri, Bruxelas, Roma, e chegou até a  Lima, no Peru.
Em São Paulo, tem duração de 24 horas e oferece atrações culturais para pessoas de todas as faixas etárias, classes sociais, gostos e tribos, que ocupam, ao mesmo tempo, a mesma região da cidade.
 
Desde sua primeira edição, em 2005, a Virada Cultural atrai milhares de pessoas de todas as partes de São Paulo e do Brasil  e, ao longo dos anos, a festa foi ampliando cada vez mais seu perímetro, até incorporar, recentemente, a região da Luz, além da República e do Anhangabaú.
 

PROGRAMAÇÃO
Além da rede municipal de equipamentos – incluindo os Centros Educacionais Unificados (CEUs) –, a organização da Virada Cultural conta com parceiros estratégicos como o SESC e o Governo do Estado, que aderem com seus equipamentos culturais descentralizados. O Metrô de São Paulo fica aberto durante as 24 horas do evento, garantindo a circulação das pessoas.

Veja a programação completa da prefeitura e monte o seu programa:
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/2014/programacao/
 
E MAIS! Shows, espetáculos teatrais, circo, cinema, gastronomia, na rua e nos centros culturais e teatros da cidade…:
http://catracalivre.com.br/sp/editoria/agenda/virada-cultural/


SEGURANÇA
Este ano, a secretaria de Cultura e a PM montaram um esquema de segurança especial para evitar situações perigosas e desagradáveis. 
Veja as dicas de segurança:
http://vejasp.abril.com.br/materia/virada-cultural-dicas-seguranca 


Sobre reforço no policiamento:
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/virada-cultural-de-sp-tera-reforco-no-policiamento
http://www.efe.com/efe/noticias/brasil/cultura/virada-cultural-tera-seguran-refor-ada-palcos-mais-proximos/3/19/2312223

17
abril
2014
Páscoa, coelhos, ovos…de onde vem tudo isso?
postado sob cultura, história

O Pessach, Páscoa Judaica, é uma das festas mais importantes do calendário
judaico. A palavra Pessach significa "passagem" e representa a travessia
pelo Mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão no
Egito para a liberdade na Terra Prometida, há mais de 3.000 anos. 
“Para os cristãos, ela tem um sentido mais metafísico. Representa a passagem
de Cristo pela morte”, afirma o teólogo Fernando Altmeyer Júnior, da PUC de
São Paulo, referindo-se à tradição de que Jesus teria ressuscitado no
terceiro dia após sua crucificação. Assim, a comemoração representa a
ressurreição de Jesus Cristo, que foi crucificado na sexta- feira e teve sua
ressurreição no domingo.
Segundo Altmeyer, a Páscoa cristã recebeu o nome da comemoração judaica
porque a Paixão de Cristo aconteceu no início do Pessach. Já a cerimônia
cristã conhecida como Última Ceia teria sido um Seder, o tradicional jantar
realizado na véspera do início da Páscoa judaica.
A Páscoa judaica dura 7 dias (em alguns lugares, 8 dias). Algumas famílias,
nesse período, limpam meticulosamente a casa, removendo todas as migalhas e
lembrando os judeus que deixaram o Egito às pressas e não tiveram sequer
tempo de esperar a massa do pão crescer: por isso se consome nessa época o
Matzá ou pão sem fermentação. A refeição de Pessach, que reúne toda a
família, é composta, ainda, de diversos pratos que simbolizam o êxodo do
Egito, através dos sabores: o amargor, o sal do suor etc.

A Páscoa cristã, no Brasil, segue hoje a tradição de presentear com ovos e
coelhos (principalmente de chocolate). É comum também que toda a família se
reúna em um grande almoço, já que todos teriam saído de restrições
alimentares e penitências por toda a Quaresma - quarenta dias, a partir da
Quarta-feira de Cinzas. Hoje em dia, na verdade, isso existe mais como
tradição, já que poucos seguem o período de restrição.

No entanto, apesar de receberem o mesmo nome, as duas celebrações, judaica e
cristã, têm significados distintos e não ocorrem necessariamente em datas
coincidentes. 
A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo de lua cheia, depois do
equinócio de Primavera (de Outono, no Hemisfério Sul). Já as comemorações da
Páscoa judaica têm início na primeira lua cheia do mesmo equinócio. O início
do Pessach e a Páscoa cristã podem cair no mesmo dia, mas isso dificilmente
ocorre. 


SOBRE COELHINHOS E OVOS DE CHOCOLATE
O coelho da Páscoa tornou-se um forte símbolo da Páscoa cristã e, embora não
coloque ovos, pois é um mamífero, é acompanhado por ovos de chocolate. 
O coelho, aliás, é reconhecido como um agente de renovação por várias
culturas, como na tradição japonesa, em que está associado ao Ano Novo; na
Grécia, era associado à deusa Afrodite e presentear com um coelho era sinal
de amor, no séc. VI a.c.*. Essas associações referem-se claramente à
fertilidade, pois os coelhos reproduzem com muita velocidade.
O ovo, símbolo antigo de “vida nova” sempre foi associado a festas pagãs de
celebração da primavera.Do ponto de vista cristão, representa a
ressurreição. A decoração dos ovos aparece já no séc. 13 e uma das
explicações que se dá é que era proibido comer ovos na Quaresma, portanto as
pessoas os pintavam e decoravam, nos dias de penitência e jejum, para
comê-los na celebração da Páscoa. 
Na Rússia, ovos de joalheria passaram a ser produzidos por Peter Carl
Fabergé, a partir de uma encomenda, em 1885, pelo czar Alexandre III como um
presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna.1. Por fora, parecia um
simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, havia uma gema de ouro,
contendo uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma
réplica em diamante da coroa imperial. Esses ovos são verdadeiras relíquias
e foram produzidos até 1917, para os czares da Rússia. 
Os ovos de chocolate, mais populares, são resultado do desenvolvimento da
culinária e, antes disso, da descoberta do continente americano, já que, ao
entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis
pela divulgação do chocolate no Velho Mundo. Somente duzentos anos mais
tarde, os franceses tiveram a ideia de fabricar os primeiros ovos de
chocolate da História, que permanecem até hoje como o principal símbolo da
Páscoa.


referências:
http://super.abril.com.br/religiao/qual-relacao-pascoa-judaica-crista-444446.shtml
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/judaism/passover.shtml
http://www.history.com/topics/holidays/easter-symbols
http://german.about.com/gi/o.htm?zi=1/XJ&zTi=1&sdn=german&cdn=education&tm=21&f=10&su=p284.13.342.ip_&tt=2&bt=0&bts=0&zu=http%3A//www.osterhasenmuseum.de/
http://german.about.com/od/holidaysfolkcustoms/a/German-Easter-Traditions.htm
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/christianity/easter.shtml
http://www.brasilescola.com/pascoa/a-origem-ovo-pascoa.htm

* O Livro dos Símbolos - Reflexões sobre imagens arquetípicas, Editora Taschen GmbH, Colônia, Alemanha, 2010

28
março
2014
Golpe de 64 - programação do Ítaca

Imagens de trabalhos dos alunos

 

Pelo Brasil afora, este foi um mês de rememorar um período de nossa história: faz 50 anos que ocorreu o Golpe Militar que deu início a duas décadas, pelo menos, de ditadura no país.

No Ítaca, o projeto de relembrar esse período, entendê-lo e refletir sobre ele abrangeu o Ensino Fundamental I, o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio. Foram aulas, debates, encontros, trabalhos de alunos, visitas a museus, depoimentos de quem viveu aquilo tudo, visando não só aos fatos de então, mas também a esta nossa sociedade hoje, passadas essas cinco décadas.

 

Veja a programação que fizemos na escola

 

EF 1 – Semanas de 17 a 31 de março – Resgate de Memórias

Alunos de 4º e 5º ano EF1 – ouviram depoimentos de pais, avós, parentes e conhecidos em geral

 

EF 2 – Semanas de 17 a 31 de março – Visita ao Memorial da Resistência com alunos do 7º ao 9º ano.

Houve leitura de textos e debates.

 

EM - O QUE RESTA DA DITADURA: 50 anos do Golpe Militar no Brasil

DIA 13/3 (5ª-feira): Exibição do vídeo 15 Filhos (Maria de Oliveira e Marta Nehring, 1996)
Aula da prof.ª Ciça Jorquera: Breve história do Golpe.

DIA 18/3 (3ª-feira): Exibição do filme Que bom te ver viva (Lucia Murat, 1989) 

DIA 21/3 (6ª-feira): Depoimento aos alunos de militante político à época. 

DIA 25/3 (3ª-feira): Conversa com os profs. Renato Izabela e Fernando  Vidal: Arte e Resistência.
Exibição de vídeos, imagens, músicas.

DIA 26/3 (4ª-feira):  Conversa com o prof. Maurício Costa: Exceção hoje.

DIA 28/03 (6ª feira) – Cine-debate sobre o filme “Zuzu Angel”, organizado pelo Grêmio do Ítaca, com a participação de alunos do EF2 e EM e ex-militantes políticos convidados. Debate sobre os aspectos da militância na época da ditadura e atualmente.

DIA 31/3 (2ª-feira): Mesa de discussão/análise/reflexão, com convidados: O que resta da ditadura?

27
março
2014
Uma exposição sobre a história e os direitos dos indígenas

No próximo dia 31 de março de 2014 será aberta a exposição Povos Indígenas no Brasil 1980/2013 – Retrospectiva em Imagens da Luta dos Povos Indígenas no Brasil por seus Direitos Coletivos, promovida pela Embaixada da Noruega e pelo Instituto Socioambiental (ISA),

A exposição traz momentos e personagens históricos, retratados em um período de 33 anos no qual os povos indígenas saíram da invisibilidade para entrar de vez no imaginário e na agenda do Brasil contemporâneo.

O marco desse processo foi a inclusão dos direitos indígenas na Constituição. Entre outros temas, as imagens retratam:
•  a participação indígena na Constituinte (1986-1988),
•   a batalha pelo reconhecimento das Terras Indígenas
•   a resistência às invasões de garimpeiros e madeireiros, o apoio de músicos como Sting e Milton Nascimento
•   a apropriação das tecnologias do homem branco
•   as ameaças aos últimos povos “isolados”
•   as mobilizações recentes pela garantia de seus direitos.

Uma verdadeira aula de história do Brasil para crianças e adolescentes.
A ideia é oferecer aos estudantes não somente informações sobre a história da luta indígena por seus direitos, mas também sensibilizá-los para a sociodiversidade indigena no país, como dados sobre a população atual, seus modos de vida, lideranças mais atuantes, entre outros.

Parque do Ibirapuera - Arena de Eventos (portão 10)
1º a 22 de abril de 2014

das 8h30 às 18h30
de segunda a sábado

17
março
2014
O código Voynich

O manuscrito Voynich, uma publicação de aproximadamente 600 anos, em formato de bolso e com 240 páginas, é um enigma que intriga estudiosos de várias áreas: especialistas em códigos criptografados, físicos, botânicos, entre outros.

Isso porque está escrito em linguagem indecifrável, e da direita para a esquerda (Leonardo da Vinci já escrevia assim, espelhado, mas em uma língua conhecida). O manuscrito enigmático é repleto de ilustrações botânicas, científicas e figurativas. O que se sabe é que foi comprado por 600 ducados de ouro, pelo imperador Rudolph II da Alemanha, no final do séc. XVI, e depois ficou desaparecido até ser adquirido, em 1912, na Itália, pelo livreiro polonês Wilfrid Voynich. Hoje em dia, encontra-se na Universidade de Yale (EUA). 

As 240 páginas do manuscrito são ricamente ilustradas, com imagens de plantas e corpos celestes, o que sugere que se trate de um texto sobre ervas e astrologia, mas seu conteúdo continua um enigma. Algumas folhas têm várias vezes o tamanho do livro, quando desdobradas. A temática dos desenhos é a única pista sobre os assuntos de que trata cada seção:  metade do volume retrata plantas inteiras, a maioria não identificada (três delas o foram, mas as espécies ocorrem em várias partes do mundo, não ajudando a localizar sua origem); segue uma seção astrológica, com desenhos do Sol, da Lua, de estrelas, do zodíaco, círculos no céu e muitas mulheres nuas; a seção seguinte contém estranhos desenhos de tubos, que se acredita serem vasos sanguíneos, microscópios ou telescópios, e mais mulheres nuas em piscinas; em seguida, vem a seção chamada de “farmacêutica”, que parece ser uma lista, aparentemente de nomes de folhas e raízes. O livro termina com páginas repletas de um texto formado por uma série de parágrafos curtos, ilustrado apenas por estrelas nas margens.

Uma equipe brasileira formada por pesquisadores que atuam na Alemanha e na Universidade Federal de São Carlos, interior de São Paulo, também acredita que o manuscrito não seja uma sequência de símbolos sem sentido. Desenvolveu um método que usa técnicas da física estatística, para analisar a frequência com que as palavras aparecem ao longo de um texto. Resultados dessa pesquisa foram publicados em julho de 2013 na revista PLoS One.  Na verdade, esse método, desenvolvido para estudar o Voynich, tem hoje outras aplicações : “Ele nos permite identificar as palavras-chave de um texto longo, sem que seja necessário conhecer sua organização ou compará-lo com outros textos, tal como fazem mecanismos de busca como o do Google”, explica um dos autores do estudo, o físico Eduardo Altmann, do Instituto Max Planck para Física de Sistemas Complexos, em Dresden, Alemanha. 

 

Fraude ou não?

Especulou-se muito se o manuscrito não seria uma fraude criada pelo próprio Voynich, que adquiriu o manuscrito e depois lucrou com sua venda, mas historiadores e biógrafos já descartaram tal hipótese.

Como se disse, muitas têm sido as tentativas de decifrar o enigma. Junto ao manuscrito, por exemplo, uma carta datada de 1666 e assinada por um acadêmico da cidade de Praga, na atual República Tcheca, pedia a um jesuíta em Roma que tentasse decifrá-lo. Também foi feita, em 2010, uma análise físico-química dos papéis e das tintas e concluiu-se que o manuscrito deve ter sido produzido mesmo entre 1404 e 1438. E muitas pessoas, em distintas partes do planeta, estudam esse documento, tentando achar uma explicação para ele. Com o desenvolvimento da informática, a partir dos anos 1990, uma comunidade formada por uma centena de pesquisadores de várias disciplinas, todos interessados no Voynich, começou a se comunicar pela internet, o que gerou grande expectativa de avanços na pesquisa.  

Recentemente,  Arthur Tucker, botânico, professor emérito da Delaware State University (EUA), e seu colega Rexford Talbert surpreenderam-se com a similaridade de uma das ilustrações do Voynich com a xiuhamolli/xiuhhamolli ou "planta sabão",  que aparece no Codex Cruz-Badianus, de 1552, também conhecido como Herbário Asteca, escrito por Martín de la Cruz, no México. Por essa similaridade, supõem que o manuscrito possa ter sido feito na América Central.

O estudo feito na Universidade de São Carlos, com os físicos Osvaldo Oliveira Jr. e Luciano da Fontoura Costa, do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, trata os textos como se fossem redes complexas de palavras (ver figura em cima). “Duas palavras são conectadas na rede se elas aparecem vizinhas no texto”, explica Diego Raphael Amâncio, aluno de doutorado de Costa e primeiro autor do artigo da PLoS One. Antes de atacarem o Voynich, os pesquisadores avaliaram 29 tipos de medidas estatísticas que podem ser obtidas a partir da análise de um texto qualquer - elas são quantidades que medem como as palavras aglomeram-se ou se dispersam ao longo do texto ou que medem a distribuição dos vários arranjos possíveis das conexões entre as palavras. As medidas avaliadas pelos brasileiros indicam que o texto do Voynich apresenta mesmo uma estrutura sintática e transmite alguma mensagem.

 “O tamanho da literatura sobre o Voynich é assustador e me fez perguntar até que ponto seu objetivo é científico”, conta Altmann. “É por isso que em nosso trabalho tentamos formular as questões de maneira geral, esperando que o estudo tenha outras aplicações.”

 

Assista ao vídeo que explica o experimento:

http://www.youtube.com/watch?v=wZndOKzxRAg

 

Referências:

http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/08/13/o-codigo-voynich/

http://www.theguardian.com/books/2014/feb/07/new-clue-voynich-manuscript-mystery

http://bibliotecaucs.wordpress.com/2014/02/19/brasileiros-tentam-decifrar-misterioso-manuscrito-voynich/

http://www.scientificamerican.com/author/gordon-rugg/

http://www.newscientist.com/article/dn24987-mexican-plants-could-break-code-on-gibberish-manuscript.html#.UwYXsXm0HTM

 

Download completo do manuscrito:

https://archive.org/details/TheVoynichManuscript

1
março
2014
Os Fantásticos Livros Voadores do Sr Morris Lessmore!
postado sob arte, cinema, cultura, Literatura

“É uma história de pessoas que devotam suas vidas aos livros e livros que retribuem o favor”, conta o diretor Brandon Oldenburg.

Produção vencedora do Oscar em 2012, na categoria Melhor Curta de Animação

A obra, exibida no Anima Mundi 2013, foi inspirada no ator e diretor Buster Keaton, no furacão Katrina – que destruiu a cidade americana de Nova Orleans em 2005 – e no clássico O Mágico de Oz.

veja a matéria e assista ao filme

26
fevereiro
2014
De onde vem o Carnaval?
postado sob arte, cultura

Há inúmeras teorias a respeito da origem do Carnaval. Em uma das mais aceitas, supõe-se que tenha surgido das festas da antiga Babilônia, Mesopotâmia (atual cidade Al Hillah, perto de Bagdá, Iraque). Mas também há correntes que consideram o atual Carnaval como descendente direto das festividades pagãs da Antiguidade romana. Havia em Roma as Saturnálias e as Lupercálias: as primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papéis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos  vestindo-se como seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

A palavra carnaval é originária do latim, carnelevarium, cujo significado é retirar ou suspender (levare) a carne. O significado pode estar relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a Quaresma católica, período dedicado à abstinência, ao jejum e, simbolicamente, ao resguardo do cristão em relação a prazeres mundanos. A Quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, no calendário móvel dos católicos. Mas, segundo Rainer Sousa, mestre em História, alguns pesquisadores dizem que a palavra vem do carro naval, que percorria as ruas de Roma com pessoas vestidas com máscaras e fazendo jogos e brincadeiras.

Por volta do ano 1000, o início do período fértil para a agricultura na Europa Ocidental era motivo de carnaval. Os homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos, durante algumas noites, com o rosto enegrecido de fuligem ou sob panos. Como acessórios usavam máscaras, focinhos de porco e capuzes de pele de coelho. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e entravam nos domicílios, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

A Igreja sempre quis controlar mas nunca conseguiu impedir os excessos e subversões de costumes do Carnaval, que sempre teve vocação popular, apesar dos bailes sofisticados em ambientes privativos. No Renascimento, o Carnaval desenvolveu-se nas cidades italianas, onde surgiu a Commedia Dell’Arte, uma espécie de teatro improvisado, muito popular até o século XVIII e que ainda hoje sobrevive.

Em Florença havia as canções específicas para acompanhar desfiles (precursores de nossas marchinhas de Carnaval, pode-se dizer); os trionfi, carros mitológicos concebidos por grandes pintores da época, como Botticelli, e os carri, que mostraram um mundo burlesco, no qual o cavaleiro carregava o cavalo, e o lavrador puxava uma charrua, sob o comando de um boi. 

Em Roma e Veneza, os festejos celebravam ainda vitórias políticas do passado e outros feitos históricos. Usava-se a bauta veneziana – uma capa de renda com capuz de seda negra, que enquadrava o rosto e cobria os ombros. Os acessórios eram um chapéu de três pontas e uma máscara branca. A fantasia permitia a abolição temporária de diferenças sociais e, em alguns casos, o prazer de um “pecado” à sombra do anonimato. As datas de comemoração desses festejos variavam um pouco de um lugar para o outro, mas eles quase sempre ocorriam entre o período em que hoje festejamos o Natal e a Quaresma.

O Carnaval do Brasil iniciou-se no período colonial, como derivação do entrudo (que quer dizer “entrada”), por volta da metade do sec XVII , uma festa de origem portuguesa que na Colônia era praticada pelos escravos. No final do século XIX surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, sendo que e os bailes de máscaras já eram tradicionais em alguns hotéis.

Em 1907, surgiu o corso, um desfile de automóveis que foi a grande atração do Carnaval carioca, tomando conta da Avenida Rio Branco. Blocos, cordões e o surgimento do samba carioca nesta época desenvolveram uma festa brasileira popular, com a participação de negros, mulatos e brancos. Simultaneamente, hotéis e clubes sofisticados começaram a incluir grandes bailes, preparando um Carnaval para as elites –  o mais famoso, e que ainda existe, é o do Hotel Copacabana Palace, que abriu suas portas em 1924.

Em 1927, o bloco “Deixa Falar”,  fundado no bairro do Estácio de Sá, gerou o formato de samba-enredo  a ser cantado pelas ruas da cidade e também inúmeros outros blocos de mesmo formato, com foliões acompanhando livremente pelas ruas o som dos músicos. Com o decorrer do tempo, esses blocos transformaram-se nas chamadas Escolas de Samba, surgindo no Rio a Mangueira, a Portela, o Salgueiro, entre outras. As Escolas de Samba organizaram-se muito, passando a ser hoje verdadeiras empresas, que contratam inúmeros profissionais e trabalham o ano todo para disputar a competição do maior desfile de Carnaval do mundo, passando também a ser parte importante da economia da cidade do Rio e de outras, como São Paulo, que também  organiza hoje grandioso desfile de Carnaval todos os anos – na capital paulista, os blocos e cordões carnavalescos deram origem às primeiras Escolas de Samba como a Lavapés  (1937) , da Baixada do Glicério e a Vai-Vai, originária do Bloco dos Esfarrapados, também na década de 1930, no bairro do Bixiga.

De qualquer modo, mesmo com mudanças e modernizações, o Carnaval de rua no Brasil continua hoje, ao lado de bailes e desfiles oficias, tendo visto neste ano, por exemplo, um grande aumento de blocos, em diversas cidades, especialmente São Paulo, com expressivo número de foliões divertindo-se em muitos lugares da cidade. Além disso, a festa continua firme também em suas variações regionais: a Bahia, com o trios elétricos; os grandes bonecos de Olinda; os afoxés, frevos e maracatus que passaram a fazer parte da tradição cultural brasileira, fazendo do Carnaval  um dos mais variados, ricos e exuberantes do mundo.

 

Baixe o aplicativo com a programação do Carnaval 2014 de São Paulo:

http://catracalivre.com.br/samba/samba-sp/indicacao/baixe-o-aplicativo-para-pular-o-carnaval-de-rua-de-sao-paulo-sem-pagar-nada/

 

Referências:

http://www.mundoeducacao.com/carnaval/as-origens-carnaval.htm

http://www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/carnaval_-_milenios_de_folia.html

http://www.infoescola.com/artes/historia-do-carnaval-no-brasil/

http://catracalivre.com.br/samba/

http://www.primeoffer.com.br/eventos-prime/carnaval-2013-o-baile-do-copacabana-palace-1189.html

http://museudomeioambiente.jbrj.gov.br/noticia/gritos-de-carnaval

 

 

 

14
fevereiro
2014
COIOTES NAS CIDADES
Animais selvagens em ambiente urbano

Há um fenômeno novo e significativo, que está sendo largamente estudado pela Ecologia urbana: o aparecimento de coiotes nas cidades norte-americanas.

Ecologia urbana é uma nova área de estudos ambientais que procura entender os sistemas naturais dentro das áreas urbanas, lidando com as interações de plantas, animais e de seres humanos em áreas urbanas considerando as cidades como parte de um ecossistema vivo.

O cientista Stanley Gehrt, professor assistente de meio ambiente e recursos naturais na Universidade Estadual de Ohio, estuda o comportamento de coiotes em Chicago há 6 anos e afirma que os cientistas têm se surpreendido com a capacidade de adaptação e desenvolvimento desse animal em ambiente urbano.

Desde que começaram a estudar esse fenômeno, perceberam que as populações urbanas de coiotes são muito maiores do que o que imaginavam, que eles têm vida mais longa do que seus parentes que vivem em ambientes rurais, que fiem menos facilidade de conseguir comida e estão mais vulneráveis à agressão de predadores maior que eles. Notaram também que os coiotes são mais ativos à noite no ambiente urbano do que no rural. Alguns deles vivem em parques das cidades, enquanto outros habitam entre áreas residenciais, comerciais e parques industriais, alimentando-se principalmente de restos de alimentos humanos e de ração de animais domésticos, mas também de outros animais que habitam as cidades, como os ratos. 

Normalmente animais carnívoros selvagens e humanos não se misturam, mas o fato é que eles têm sido vistos há mais de uma década em cidades como Chicago, Portland, Seattle, e até em New York. Em praças de São Francisco, Califórnia, é muito comum encontrar placas que avisam da presença de coiotes durante a noite. Por enquanto não houve episódios que alarmassem as pessoas, seja por oferecerem riscos aos humanos ou aos animais domésticos, por exemplo (seja por ataques ou doenças), desequilibrando a  ecologia urbana.

"Ao entender como esse animal se adapta às mudanças no ambiente, podemos determinar o que realmente precisamos para focar no que realmente deve ser feito", diz Stephen DeStefano, biólogo da University of Massachusetts, e autor do livro, Coyote At The Kitchen Door (Harvard University Press, 2010).

Bill Hebner, do Departamento de Peixes e Animais Selvagens de Washington, diz que recebe uma dúzia ou mais de ligações por dia de cidadãos preocupados com os avistamentos de coiotes, mas que raramente o comportamento do animal põe em risco de segurança humana. "Educar os moradores ajuda a evitar a presença dos coiotes nas cidades ocorra no futuro”, completa.

Gehrt também alerta: “Os coiotes estão testando os limites urbanos e forçando as pessoas a avaliarem e refletirem sobre qual a tolerância que será imposta. Deveremos deixá-los viver nas cidades?”

 

Referências:

http://www.smithsonianmag.com/science-nature/City-Slinkers.html

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/por_que_os_coiotes_se_mudam_para_a_regiao_urbana_.html

http://researchnews.osu.edu/archive/urbcoyot.htm

http://www.npr.org/blogs/thetwo-way/2012/10/05/162300544/coyotes-in-the-city-could-urban-bears-be-next

http://www.bluechannel24.com/?p=15815

http://www.sciencebuzz.org/blog/urban-coyotes-more-are-choosing-live-life-fast-lane

Revista Scientific American Brasil

2
dezembro
2013
Uma centenária moderna
postado sob arte, cultura, Novidades

A artista japonesa Tomie Ohtake completou 100 anos no último 21 de novembro. No mesmo dia, à noite, uma grande mostra com seus trabalhos foi inaugurada no Instituto Tomie Ohtake, em SP. Chamada de “Gesto e Razão Geométrica”, apresenta mais de 60 obras, desde as paisagens que marcaram o começo da carreira da artista até as mais recentes pinturas, obras de grandes dimensões.

O Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) também celebra os 100 anos de Tomie com a exibição da série “Pinturas Cegas”, com curadoria do crítico Paulo Herkenhoff.  todas criadas com os olhos vendados.  E, como o próprio nome sugere, para essa série,realizada entre 1959 e 1962, a artista trabalhou com os olhos vendados. Ambas as exposições ficam em cartaz até dia 2 de fevereiro de 2014.

Nascida em 1913, em Kyoto, Tomie Ohtake chegou ao Brasil em 1936, aos 22 anos de idade. Veio visitar um irmão e, devido à guerra entre Japão e China, acabou ficando por aqui. Casou-se, teve 2 filhos, os conhecidos arquitetos Ruy e Ricardo Ohtake, e só depois de ver os filhos formados dedicou-se inteiramente à pintura, atividade que preencheu mais de metade de seus anos de vida. 

Nos anos 1960, com a ascensão do Movimento Concreto, Tomie conheceu artistas como Hércules Barsotti e Willys de Castro. Seu contato com a linguagem abstrata foi decisiva para o desenvolvimento de seu trabalho.  Durante mais de 60 anos de carreira, dos quais mais da metade dedicados à pintura, também trabalhou muito com gravura e escultura.  Algumas de suas obras públicas são bastante conhecidas em São Paulo, como a grande escultura na Av. 23 de Maio, em frente ao Centro Cultural São Paulo, ou a grande “língua”, na entrada do Auditório do Ibirapuera.

Tomie continua produzindo aos 100 anos, e ainda deverá nos surpreender muito com seu trabalho de traço contemporâneo.  Não deixe de ver a exposição.

Para saber mais, assista ao filme.

 

serviço

Instituto Tomie Ohtake 
Av. Faria Lima 201
São Paulo  SP
Tel 11 2245 1900 
www.institutotomieohtake.org.br
de 23 de novembro de 2013 a 2 de fevereiro de 2014
terça a domingo, das 11h às 20h - entrada gratuita

Museu de Arte do Rio (MAR)
Praça Mauá 5   Centro 
Rio de Janeiro/RJ
Tel  21 3031 2741
http://www.museudeartedorio.org.br
de 19 de novembro de 2013 a 2 de fevereiro de 2014
terça a domingo, das 10h às 17h
ingressos e R$8,00 e R$4,00

 

Fontes
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,tomie-ohtake-completa-cem-anos,1098821,0.htm
http://arte1.band.uol.com.br/tomie-ohtake-100-anos/

Convite impresso do Instituto Tomie Ohtake

22
novembro
2013
Temos o talento de criar um mundo de fantasia. E por isso mesmo  somos sortudos!

Com essa ideia na cabeça, desde 1990 o artista Theo Jansen dedica-se a criar novas formas de vida: os animais da praia. Eles não são feitos de proteína, como as outras formas de existência animal, e sim de outro material básico: tubos plásticos amarelos. Extraem a energia do vento, por isso não têm a necessidade de se alimentar como nós. Theo trabalhou no projeto de suas articulações de maneira que seus movimentos ficaram impressionantemente parecidos com os dos seres vivos. Passou a desenvolver mecanismos de reação nessas criaturas, de modo que evoluiram e quando a maré sobe, elas fogem das águas, tornando-se sobreviventes a tempestades e marés.

O desejo de Theo Jansen é poder liberar diversos animais desse tipo pelas praias.  Refazendo a Criação, ele espera tornar-se mais um criador da natureza, enfrentando seus percalços.

Afirma com humor: “Não é fácil ser Deus; há muitos desapontamentos pelo caminho. Mas, nas ocasiões onde tudo funciona, ser Deus é a melhor coisa do mundo”.

 

Referências:

http://www.strandbeest.com

http://theojansen.net

http://www.archdaily.com.br/br/01-147803/exposicao-theo-jansen-animais-que-se-alimentam-de-vento-theo-jansen-earthscape

 

Vídeos:

http://vimeo.com/53963103#

http://www.youtube.com/watch?v=SGx8UaPJOVc

http://www.ted.com/talks/theo_jansen_creates_new_creatures.html

12
novembro
2013
Pontes para os animais

Gerhard Klesen passou uma década fazendo campanha para a construção de uma ponte, feita somente para os animais, a ser erguida sobre uma estrada da cidade de Schermbeck, município da Alemanha localizado no distrito de Wesel, região administrativa de Düsseldorf. “Barreiras construídas pelo homem, como estradas e canais, restringem o movimento dos animais”, diz Klesen, engenheiro florestal alemão. 

Mas o fenômeno não ocorre somente nessa região. No mundo inteiro, na verdade, centenas de animais são mortos por atropelamento nas estradas. Além disso, grandes vias isolam grupos de animais e dificultam a migração, afetando a diversidade de espécies, limitando a diversidade genética.

Para prevenir acidentes ocorridos no passado, alguns países investem na construção de passagens para os animais , muito similares a uma passarela para travessia de pedestres, em avenidas das grandes cidades.

A primeira ponte para animais foi construída nos anos 50, na França e, desde então, países como Holanda, Suíça, Alemanha, Estados Unidos e Canadá têm investido na infraestrutura para erradicar tais ocorrências. As passarelas podem variar, sendo desde viadutos e pontes, até túneis e outras formas.

O país mais comprometido com a proteção dos animais silvestres nas estradas é a Holanda, com mais de 600 túneis. Chamados também por ambientalistas, como “ecodutos”, o mais longo é o Natuurbrug Zanderij Crailoo. Com 800 metros,  esse ecoduto estende-se sobre uma autoestrada, uma via férrea, um rio e um complexo esportivo.

No Brasil, há muito poucos estudos relacionados a mortes de animais silvestres nas estradas. Um deles foi realizado pela Universidade do Paraná. No monitoramento inicial apresentado ao Ibama, foi relacionado atropelamento de 1.400 animais de 88 espécies no período de um ano entre Campo Grande e Corumbá, num trecho de 410 km; e constatado o atropelamento de 57 espécimes no trecho de 284,2km entre Anastácio e Corumbá em dois meses de monitoramento.

A Alemanha está reafirmando sua imagem ecológica, investindo milhões de euros na construção de pontes para uso exclusivo dos animais. O humano que for pego cruzando essas pontes será obrigado a pagar uma multa de 35 euros.

Mais de cem pontes serão construídas na próxima década. As informações são do The Local (??).

Mas não é uma batalha fácil. “Pontes são muito caras”, diz Klesen. E os animais obviamente necessitam se adaptar à nova realidade: geralmente leva um ano para que comecem a atravessar uma ponte, mas o exemplo de um animal curioso ou corajoso que se aventura a atravessá-la leva os outros a fazerem o mesmo; houve uma, na Alemanha, que levou apenas 3 dias para que o primeiro animal se aventurasse a atravessá-la.

O sucesso da experiência pode ser confirmado por câmeras instaladas ao longo de algumas pontes, que capturaram uma variedade de criaturas, incluindo coelhos, raposas e morcegos, fazendo seu caminho.

 

Referências:

http://www.anda.jor.br/08/10/2013/alemanha-investe-pontes-feitas-animais 

http://www.anda.jor.br/09/11/2013/construiram-pontes-ecologicos-animais-argentina

http://arquiteturasustentavel.org/pontes-vivas-para-a-passagem-de-animais/

http://www.laparola.com.br/as-pontes-verdes-no-mundo

http://www.designtendencia.com.br/blog/natureza-jardim/pontes-naturais-para-animais/

 

12
novembro
2013
Mês da Consciência Negra

Imagem: Mestiço, de Cândido Portinari, 1934.

 

A data de 20 de novembro como Dia da Consciência Negra foi instituída pelo Movimento Negro do Brasil e já incorporada ao calendário oficial de várias cidades.  Esse dia é o aniversário de morte do líder Zumbi dos Palmares, uma das mais importantes figuras da luta pelos direitos dos negros no país.

Mais de 1000 municípios já decretarem feriado nesse dia, entretanto  ainda não é um evento nacional : a adesão a esse feriado, ou instituição de ponto facultativo, é uma decisão de cada estado ou município.

De todo modo, em alusão à data, durante todo o mês de novembro são realizadas centenas de atividades com o objetivo de ampliar as discussões sobre os temas raciais, visando à expansão dos direitos conquistados pela comunidade afro-brasileira nos últimos anos. Entidades da sociedade civil, principalmente o Movimento Negro, e  instituições públicas e privadas mobilizam-se, em todo o país, para discutir as violações aos direitos da população negra, o enfrentamento do racismo, mais oportunidades para ascensão socioeconômica dos afro-brasileiros, a prevenção da violência contra a juventude negra e a persistência da representação negativa da pessoa negra nos veículos de comunicação, entre outros temas.

A Cidade de São Paulo terá uma programação intensa, com destaque para o Museu da Língua Portuguesa 

 

Zumbi dos Palmares
Zumbi nasceu em 1655, em Palmares, atual estado do Alagoas. Descendente de guerreiros Imbangalas, de Angola, foi aprisionado por uma expedição portuguesa e entregue aos cuidados do Padre Antônio Melo, que o batizou de Francisco. Com o religioso, aprendeu a escrever em português e latim.

Aos 15 anos, fugiu em busca de suas origens, instalando-se no Quilombo dos Palmares, uma comunidade livre, formada por escravos fugitivos das fazendas. Tornou-se líder da comunidade aos 25 anos, destacando-se pela habilidade em planejamento, organização e estratégias militares. Sob seu comando, Palmares obteve diversas vitórias contra os soldados portugueses.

No ano de 1694, o quilombo foi atacado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Após o combate, a sede da comunidade ficou totalmente destruída. Zumbi conseguiu escapar, mas seu esconderijo foi denunciado por um antigo companheiro.

Em 20 de novembro de 1695, ele foi capturado e morto, aos 40 anos de idade.

 

Referências

http://www.youtube.com/watch?v=HidHeT0qT9I

http://www.seppir.gov.br/novembro-mes-da-consciencia-negra

http://www.recife.pe.gov.br/fccr/negra.php

http://www.museuafrobrasil.org.br

http://www.palmares.gov.br

http://www.museulinguaportuguesa.org.br/noticias_interna.php?id_noticia=351

http://www.ipea.gov.br/igualdaderacial/index.php?option=com_content&view=article&id=704

http://www.arquidiocesebh.org.br/social/pastorais-sociais/agentes-de-pastoral-negrosas/

5
novembro
2013
Desenhos, filmes, animações, gravuras, esculturas e videoinstalações do artista sul-africano
postado sob arte, cultura, política

A  Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe até 10 de novembro 38 desenhos, 35 filmes e animações, 184 gravuras, 31 esculturas e duas videoinstalações do artista sul africano William Kentridge.

Com curadoria de Lilian Tone, a exposição  “William Kentridge: Fortuna”  inclui séries inéditas do artista e mostra o processo criativo pouco convencional em seu estúdio, em Johannesburgo, África do Sul. Além de um exímio desenhista e pintor, Kentridge utiliza diversas mídias e dá vida a seu trabalho através de filmes e outras animações (com luzes e sombras), com um olhar abrangente, de quem testemunhou um momento histórico da África do Sul, o fim do Apartheid (regime que segregava e limitava a participação de negros na sociedade local), combinando política com poesia. 

William (nascido em 1955) trata, em mais de 3 décadas de trabalho, do totalitarismo, do colonialismo, das injustiças sociais em relação aos negros, nativos da África do Sul, trazendo sua experiência pessoal, testemunhal, mas imbuído também de aspectos etéreos, subjetivos, poéticos. Além dos filmes, usa também desenhos em carvão, esculturas, colagens, animações, performances, transformando eventos políticos em poderosas alegorias.  Fotografa, ainda, seus desenhos e anima pedaços de papel, gravando-os e movendo-os.

Kentridge já teve importantes exposições em museus como o San Francisco Museum of Modern Art (2009); Philadelphia Museum of Art (2008); Moderna Museet, Stockholm, (2007); e o Metropolitan Museum of Art, New York (2004); entre outros. Também participou de Prospect.1 New Orleans (2008); Bienal de Sydney, Austrália (1996, 2008); e Documenta de Kassel, Alemanha (1997, 2002). Ele vive e trabalha em Johannesburgo, Africa do Sul.

 

Assista ao pequeno filme (link abaixo) sobre a construção de uma animação e não deixe de ver a exposição!

http://www.youtube.com/watch?v=ja4Wk7g6sdE

 

Serviço:

Pinacoteca do Estado:
Praça da Luz, 2 - São Paulo, SP
Estação Luz do Metrô - Tel. 55 11 3324-1000

De terça a domingo, das 10h às 18h
às quintas, das 10h às 22h
Entrada R$ 3,00, grátis aos sábados e na quinta após as 18h

 

Referências:
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/default.aspx?c=exposicoes&idexp=1198&mn=537&friendly=Exposicao-William-Kentridge-fortuna

http://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/pinacoteca-recebe-exposicao-william-kentridge-fortuna/

http://www.moma.org/visit/calendar/exhibitions/964

http://www.pbs.org/art21/artists/william-kentridge

http://www.artnet.com/artists/william-kentridge/

28
outubro
2013
"Las calaveras" e tudo o mais...
postado sob arte, cultura, história

Em todas as culturas, o homem sempre teve a necessidade de buscar e explicar o mistério da vida e da morte. Muitas delas criaram rituais para dar sentido à existência humana e reverenciar as forças da natureza.

De onde venho? Para onde vou? Existe vida depois da morte? Se sim, que tipo de vida? Estas são algumas perguntas feitas por muitas culturas, tentando compreender e explicar a nossa existência.

Para os povos indígenas do México, assim como para alguns outros, a morte era considerada passagem para uma nova vida. Por esse motivo, as pessoas eram enterradas com seus objetos pessoais, acreditando-se que poderiam necessitar deles em suas novas vidas. 

Assim, o ritual dos mortos tinha grande  importância e até hoje sobrevive, mesmo após a intense aculturação espanhola: com origem nas culturas indígenas da América Central, como Asteca, Maia, Purepecha, Nahua e Totonaca (cerca de 3.000 anos atrás), o Día de Muertos (dia dos mortos) vem sendo celebrado no México e em outros países latinos em 2 de novembro, coincidindo hoje em dia com as comemorações religiosas  do Dia de Todos os Santos e do Dia de Finados, no Brasil (1 e 2 de novembro, respectivamente), quando as famílias e amigos se reúnem para lembrar os familiares que já se foram, visitando igrejas e cemitérios. Consta que, na verdade, a festa original mexicana acontecia, de acordo com o calendário Maia, por volta do mês de agosto, mas os espanhóis incorporaram-no à festividade cristã de Finados, mudando a data.

No México, essa festa tem características muito diferentes, até difíceis de serem compreendidas por outras culturas. Para nós, parece uma espécie de Carnaval, com muitas fantasias de esqueletos, diabos, caveiras (o que também até chega a lembrar a comemoração de Halloween, de países de lingua inglesa, na noite entre 31 de outubro e 1 de novembro, mas com caráter um pouco diferente). Caveiras de açúcar e de chocolate fazem parte de altares mexicanos floridos com comidas e bebidas de oferendas aos que já morreram.  As pessoas passam a noite no cemitério, contando histórias de vida, de alegria, tocando música, comendo, bebendo e cantando, fazendo com que seus antepassados participem de suas vidas.

Nesta época, os mercados mexicanos ficam cheios de uma flor chamada cempasúchil, de cor laranja viva, a mesma já utilizada pelos Astecas, nesses rituais: dizem que representa os tons da terra e serve para guiar as almas para suas casas e seus altares.

Apesar de dominados pelos conquistadores espanhóis, que impuseram sua cultura, este antigo ritual de Día de Muertos, assim como alguns outros, manteve-se na cultura mexicana e é celebrado até hoje nas famílias, nos lares, onde muitas vezes se montam pequenos altares com uma caveira representando cada membro da família, flores, velas e doces.

 

referências:

http://diadelosmuertos.yaia.com/historia.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Day_of_the_Dead
http://www.inside-mexico.com/featuredead.htm

 

 

22
outubro
2013
Medalhistas da Olimpíada Brasileira de Astronomia
postado sob Ciências, cultura, Ítaca

Novamente temos alunos medalhistas – 7 alunos!  
A organização da olimpíada classifica os alunos pela nota das provas, em nível nacional.

Os alunos que receberão medalhas são:

BRONZE Pedro  7º

BRONZE Guilherme  

BRONZE André  8º

BRONZE Leonardo  9º

BRONZE Luana  EM

PRATA Rui  EM

PRATA Gabriel  EM

Todos os participantes receberão certificado da OBA.

Para ter mais informações sobre a Olimpíada, clique aqui.

 

22
outubro
2013
Exposição GENESIS, de Sebastião Salgado, chega ao Sesc
postado sob arte, cultura

A exposição, que apresenta 245  fotografias impressionantes do brasileiro Sebastião Salgado, está no Sesc Belenzinho, até 1º de dezembro, depois de passar por Londres e Rio de Janeiro. A exposicão está dividida em cinco seções geográficas, que retratam lugares que resistiram à ocupação humana moderna. Para isso, Salgado fez mais de 30 viagens entre 2004 e 2011, vivendo em aldeias, florestas, desertos, santuários animais e tribos, na Antártica, nas ilhas Galápagos, Botswana, Alasca e Canadá, entre outros lugares do mundo. Os trabalhos em cartaz fazem parte do livro homônimo, lançado este ano, pela editora Taschen.

A curadoria da exposição é de Lélia Wanick Salgado, esposa e companheira de Sebastão Salgado por mais de 4 décadas. Salgado nasceu em Aimorés, Minas Gerais, em 1944. Formou-se em Economia e desenvolveu sua paixão pela fotografia em uma viagem à África, onde coordenava um projeto sobre cultura do café em Angola. A partir daí, tornou-se fotógrafo. Ganhou vários prêmios nacionais e internacionais, entre eles o Prêmio Unesco, na categoria cultural; prêmio pela publicação do livro Trabalhadores; e o 40º Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria reportagem.
Não deixe de visitar!

5 de setembro a 1º de dezembro
terça a sábado, das 10h às 21h, e domingos e feriados, das 10h às 19h30
Entrada  gratuita
Sesc Belenzinho  Rua Padre Adelino, 1.000  Belenzinho/SP
informações (11) 2076-9700

9
outubro
2013
12 de outubro, dia de quê???
postado sob cidadania, cultura

Declaração Universal dos Direitos da Criança

Em 20 de Novembro de 1959, foi proclamada a Declaração dos Direitos da Criança  pela Assembleia Geral da ONU (organização das Nações Unidas).
A declaração é integralmente fiscalizada pela UNICEF, organismo da ONU, criado com o fim de integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dando-lhes condições de sobrevivência até a sua adolescência.

 

A Declaração afirma que toda criança tem os seguintes direitos:

À igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade.

À especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.

A um nome e a uma nacionalidade.

À alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.

À educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.

Ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

À educação gratuita e ao lazer infantil.

A ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.

A ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.

A crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.

A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.

O idealizador do nosso dia das crianças foi o deputado federal Galdino do Vale Filho, na década de 1920. Após ter sido aprovada pelos deputados, a data de 12 de Outubro foi oficializada pelo presidente Arthur Bernardes, através do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924. 
A data passou a ser comemorada em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas. Com isso, o significado original da data transformou-se em exploração comercial.

 

Fontes/referências:
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-da-crianca.htm
http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/ult1688u28.jhtm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/direitodacrianca.htm
 

 

9
outubro
2013
15 de outubro é dia do professor. Quem inventou isso???
postado sob cidadania, cultura, Ítaca

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.
Guimarães Rosa

O Dia do Professor é comemorado em diversos países, em datas distintas. Aqui, é comemorado no dia 15 de outubro, pois foi nessa data, em 1827, que o então imperador D. Pedro I baixou um Decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil. Esse Decreto estabelecia que "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". E também tratava de outras questões relacionadas à educação escolar: descentralização do ensino, salário dos professores, matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e contratação dos professores. 

Cento e vinte anos depois, em 1947, na então sede do Colégio Caetano de Campos, na rua Augusta, 1520, em São Paulo, ocorreu a primeira comemoração do Dia do Professor: o período letivo do segundo semestre era muito longo, de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias no meio; organizou-se, então, a comemoração, que foi bem aceita e teve presença maciça, inclusive dos pais. O  professor Salomão Becker, que havia sugerido a data de 15 de outubro, propôs que se mantivesse um encontro anual nessa mesma data, e proferiu a frase, que ficaria famosa: " Professor é profissão. Educador é missão". Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Claudino Busko e Antonio Pereira, a ideia estava lançada e espalhou-se pela cidade e pelo país, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar, pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963, que proferia: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

 

fontes:

http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-do-professor.htm
http://diadoprofessorportal.wordpress.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor

27
setembro
2013
A natureza sabe contar?
postado sob cultura, matemática

Afinal, o que é a Proporção Áurea?

As flores, árvores, ondas, conchas, furacões, o rosto simétrico do ser humano e as proporções de seu corpo, tudo isso curiosamente obedece a uma equação de proporção comum, chamada de Razão Áurea. Os povos antigos já conheciam essa proporção, tanto que ela já se evidencia em antigas obras de arquitetura, como no Parthenon, na Grécia, e em pirâmides egípcias.

No século 13, Leonardo de Pisa (c. 1170 - c. 1250), conhecido como Fibonacci, observou a reprodução dos coelhos e formulou uma sequência de números que revelava essa proporção, formando a “espiral da vida”, que coincide com a organização das pétalas de rosa em crescimento, dos brotos em crescimento, das sementes do girassol, das ondas do mar, dos ciclones.

Albrecht Dürer (1471 - 1528), Leonardo da Vinci (1452 - 1519), Le Corbusier (1887 - 1965) e muitos outros criadores (artistas, arquitetos, designers) utilizaram essa proporção, também chamada de Proporção Divina, em suas criações.

Assista aos vídeos e veja como essa história é fascinante, um caso de amor à Matemática:

Sequência de Fibonacci e Número de Ouro

A Night of Numbers - Phi's The Limit

26
setembro
2013
Comemorando a chegada da Primavera
postado sob arte, cultura, Novidades

CORES LINDAS, TODAS AS CORES.

HOLI ou Festival das Cores é um festival realizado na Índia todos os anos, na chegada da Primavera. As pessoas comem, bebem, dançam e jogam tintas de diversas cores, uns nos outros.

No final, todos estão super  pintados e coloridos.

Com tambores, cantos, bailes e, principalmente, muitas cores, milhões de indianos de todas as idades vão às ruas para dar as boas-vindas à primavera, comemorando a chegada do bom tempo e afugentando os maus espíritos, travando uma intensa batalha de água e pós multi coloridos, exaltando uma rica mistura de cores e pessoas.

"É uma festa de felicidade e esperança perante a chegada da época da fertilidade", disse Rohan, um morador de Nova Déli que trazia o rosto pintado com tons de amarelo, verde, azul e vermelho.

O chamado festival da cor, que paralisa a Índia, e atrai, cada vez mais, turistas do mundo todo, é celebrado na primeira lua cheia de março, sendo que suas origens se remetem a diferentes lendas mitológicas dos hindus.

Este ano São Paulo vai comemorar a entrada da Primavera com uma referência a esse festival indiano, dia 28 de setembro, no Parque Villa Lobos.

VEJA MAIS

Programação em São Paulo

Notícia  

Fotos

fechar