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21
junho
2017
Um supermercado indígena onde se pode pagar com lixo
foto reprodução
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Desde o início de abril deste ano, o município de Marechal Thaumaturgo ganhou 1º supermercado brasileiro onde é possível trocar material reciclável por comida. Com 16.000 habitantes, a cidade fica a 560 km de Rio Branco, capital do Acre.

O supermercado TrocTroc oferece a seus clientes a possibilidade de trocar detritos plásticos e latas de alumínio por alimentos cultivados localmente e artesanatos da região. O estabelecimento, um ecomercado indígena em plena floresta amazônica, é uma parceria da fundação internacional House of Indians com a tribo Ashaninka, do Rio Amônia, no Vale do Juruá.

Marcelo Valadão, brasileiro residente na Europa há 11 anos e presidente da House of Indians Foundation – que luta pelo respeito e preservação da cultura indígena – explica que, além de fomentar a economia local e valorizar seus costumes de troca, o supermercado resolve boa parte da poluição ambiental local.

O projeto nasceu em 2014, justamente impulsionado pelo problema do excesso de detritos na região. No mercado TrocTroc, cada quilo de material reciclável vale R$ 0,50 em compras. Em caso de o cliente trazer os resíduos já limpos e amassados, facilitando sua reciclagem, o valor do bônus tem acréscimo de 20%. Para a troca estão disponíveis nas prateleiras artigos como frutas, grãos, legumes e verduras. Todos os alimentos são orgânicos, produzidos localmente, com o intuito de valorizar os produtores rurais da região. O mercado também oferece artesanato originário da cultura local, reforçando a economia indígena, favorecendo uma agricultura ecologicamente durável e garantindo às comunidades os meios de permanecerem proprietários de suas terras, além de proteger a floresta.

Para Benki Pyãko, líder ashaninka, a iniciativa tem como objetivo desenvolver a consciência sobre o valor ecológico e econômico da reciclagem. "Hoje, as comunidades indígenas das florestas tropicais tornam-se atores essenciais na proteção da Amazônia. Vivemos a consequência direta do crescimento do contato entre as populações e o consumo industrial (garrafas, sacos e embalagens plásticas, latas de alumínio). Infelizmente as políticas de reciclagem são raras nas regiões da floresta, por isso temos de agir", enfatiza.

Marcelo Valladão complementa: "Benki é um ativista dos direitos do homem, defende a convivência pacifica entre o ser humano e o meio ambiente, desempenhando um papel ativo na proteção de suas terras, o que o tornou um líder das tribos vizinhas na reivindicação da autogestão política, econômica e agroecológica dessas tribos, em harmonia com as tradições culturais e espirituais. “

Quem cuida da gestão do empreendimento é a própria comunidade da tribo Ashaninka, que controla o estoque de alimentos, a negociação com os fornecedores, a manutenção do estabelecimento e também é responsável pelo processo de recebimento, pesagem, armazenamento e enfardamento dos recicláveis. O transporte do material recebido é realizado por meio de uma parceria com a prefeitura local. 

"A proposta é empoderar os pequenos produtores rurais de todo o Acre e garantir a eles aumento de renda. Todos os produtos do ecomercado poderão ser adquiridos com a entrega de latas ou garrafas pet. A venda a dinheiro também pode ser feita, mas não é o foco principal", ressalta Marcelo Nunes Valadão. Ele ainda espera que esse projeto-piloto possa incentivar outras iniciativas parecidas no país e comenta que, em apenas um mês de funcionamento, já foram arrecadados mais de 5 mil toneladas de material. "A ideia do mercado veio para resolver um problema social e ambiental", declarou.

E a expectativa é de que ainda este ano um restaurante seja aberto nos mesmos moldes. "Já adquirimos um espaço de mil metros quadrados e estamos aguardando financiamento privado.", explicou. 

Visite e acompanhe a página do ecomercado no Facebook
https://www.facebook.com/TrocTroc-Supermercado-Consciente-327049840964312/

Referências
https://www.kienyke.com/tendencias/medio-ambiente/comprar-comida-con-basura-reciclable
http://www.leiaja.com/noticias/2017/05/11/brasil-ganha-1o-ecomercado-onde-se-troca-lixo-por-comida/
http://www.leiaja.com/noticias/2017/05/11/brasil-ganha-1o-ecomercado-onde-se-troca-lixo-por-comida/
https://noticias.terra.com.br/amp/dino/tribo-ashaninka-e-europeus-se-unem-e-inauguram-o-primeiro-ecomercado-indigena-do-brasil,12ce1a9fb26d4647ce61eecda57757c0hqi316sy.html

Vídeo
http://g1.globo.com/ac/acre/jornal-do-acre/videos/v/marechal-thaumaturgo-ganha-primeiro-mercado-ecologico-do-pais/5777799/

12
setembro
2016
CONSUMO ALTERNATIVO
Mundaréu, a primeira loja de comercio justo de São Paulo, que funcionou na Vila Madalena - http://bit.ly/2czJu9l
ponto de Economia Solidária e Cultura, no Butantã, a ser apresentado no dia 17 de setembro

As últimas décadas estão marcadas por um aumento do consumo de bens e de gasto energético pelas populações mais abastadas, gerando um grande volume de descarte e importante impacto ambiental.  

Como reação a essa situação, surgem propostas de comportamento social inovadoras no que tange ao relacionamento social e ao consumo.
Nesse contexto, além dos movimentos de Comércio Justo (quando o produto consumido vem com certificação de que não provém de exploração dos produtores), do compartilhamento de espaços de trabalho (co-working) e do crescente consumo de objetos de segunda mão, novas maneiras de pensar o consumo têm sido apresentadas. 

As desigualdades sociais sempre tão patentes, escancarando a falta de oportunidade para quem não tem dinheiro, também acabam por motivar novas formas de pensar e interagir: um “banco de tempo”, por exemplo, em que cada um oferece seu tempo, especificando sua especialidade profissional e podendo por sua vez dispor do tempo dos outros, estabelece uma relação de troca, na qual o tempo é a moeda de câmbio, acessível a todos, sejam engenheiros, designers, dentistas, ou cozinheiros, pedreiros, donas de casa que fazem tricô. E esta é apenas uma das novas ideias e iniciativas.

Há também locais de troca, ou seja, lojas sem dinheiro, onde as coisas são doadas; entre outras ações de inovação social.

Veja o vídeo abaixo e leia a matéria

Share, a biblioteca de coisas
Uma nova experiência, muito interessante, é a Share (que significa “compartilhar”), a biblioteca de coisas. Criada por um grupo de jovens ingleses, da cidade de Frome, é uma loja diferente, que funciona como uma biblioteca, sem ser composta de livros.  São em torno de 600 itens como ferramentas, churrasqueira, vasilhas, etc... que podem ser emprestados.
Para fazer parte desse grupo e começar a usufruir desses empréstimos, a pessoa tem que se tornar um membro e pagar uma contribuição, uma vez que há custos de manutenção do local, aluguel, pessoal, etc.
O período de empréstimo é de uma semana e pede-se uma doação, entre, £1 (aproximadamente R$ 4,30) e £5 por empréstimo, para que o empreendimento possa continuar.
Assim que acabarem de utilizar o item emprestado, mesmo ainda estando dentro do prazo de uma semana, os membros devem devolver o item, para que ele não fique ocioso e esteja à disposição de outros interessados
Para se tornar um membro, é necessário apenas preencher um formulário e fornecer 2 cópias de algum documento, que contenha nome e endereço. Não existem taxas fixas de admissão e empréstimo, mas pedem-se doações mensais ou anuais, sugerindo valores.  As doações são cruciais para manter o projeto vivo.  Essa comunidade acredita na generosidade dos usuários.
Para doar um item à Share a comunidade agradece doações de itens úteis e em boas condições, funcionando.  Além disso, não se aceitam máquinas que dependam de consumo de gasolina.
Para doar tempo à Share: além de estimular as doações de itens, os membros da Share encorajam as pessoas a trabalharem como voluntários na loja, como forma de garantir a longevidade do projeto..
Produtos encontrados na Share: há vários produtos para empréstimo, como instrumentos musicais, pés de pato, brinquedos, caixas de som, videogames, patins, barracas para acampamento, mesa de massagem, colchões para ioga e ginástica, carrinhos de bebê e, principalmente, muitas ferramentas como serras, furadeiras, lixadeiras, etc.(Veja lista aqui)
Compartilhando consertos: todos os sábados, das 10h30 às 12h30, dois especialistas ficam à disposição na Share, para consertos variados.  Quem quiser ter seu objeto reparado deve se informar da data em que o especialista correspondente (eletricista, marceneiro, etc) estará de plantão.

Além dessa iniciativa, outras experiências de consumo alternativo (ou consumo responsável ou solidário) estão surgindo há algum tempo, principalmente na Europa.  

 

Consumo alternativo no Brasil
No Brasil, o Comércio Justo ainda não é muito difundido, mas tem alguma expressão, inclusive na venda de alimentos orgânicos. É o caso do Instituto Chão, na Vila Madalena, São Paulo.

A Economia Solidária (sistema de autogestão onde todos os que trabalham são donos do empreendimento e todos os que são donos trabalham no empreendimento) é contemplada pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), em consonância com o Plano Nacional de Economia Solidária (vinculado ao Ministério do Trabalho). 
O Plano visa apoiar e fortalecer 20 mil empreendimentos econômicos, oferecendo condições de produção, comercialização e consumo, que respeitem parâmetros sustentáveis e solidários e promover a formação de 200 mil pessoas nos próximos cinco anos. 

Estes assuntos serão objeto de outros posts, aqui no site do Ítaca.
Acompanhe!

Referências:
http://muhimu.es/inspiracional/las-tiendas-sin-dinero/#
https://sharefrome.org
http://www.acteursduparisdurable.fr
http://laboutiquesansargent.org
http://facesdobrasil.org.br/comercio-justo-no-brasil/acesso-a-mercado
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/06/lancado-1-plano-nacional-de-economia-solidaria
http://www.economiaviva.com.br/?q=node/163
https://catracalivre.com.br/geral/empreendedorismo/indicacao/comercio-honesto-vende-produtos-organicos-pelo-preco-do-produtor/

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