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3
outubro
2017
9º EF faz viagem de estudo a Minas Gerais

As chamadas cidades “históricas” mineiras são marcos de desenvolvimento de sua época, pois o ouro e o diamante alavancaram a prosperidade das artes tanto quanto a qualidade de vida. 

Manifestações artísticas na escultura e pintura são marcos do Barroco mineiro e posteriormente do Rococó.  Grandes artistas e seus discípulos nos legaram seus trabalhos através de obras extensas que encantam por sua expressão e qualidade. O estilo das artes mineiras é próprio e não uma simples cópia de seus predecessores do velho mundo. 

Os literatos mineiros souberam contar sua sociedade e seus costumes sob as rígidas regras do estilo barroco e, mais tarde, como neoclássicos, “habitaram a Arcádia” com seus poemas campestres e prazerosos. O Barroco mineiro é, assim, uma vasta realidade a ser constatada através da interligação de disciplinas como Artes, Geografia, História e Português. 

Em contraste com esse universo, Inhotim se insere como um templo da arte contemporânea no país, encravado no coração do Barroco mineiro. 

Nesta viagem de estudo do meio de quatro dias, nossos alunos, guiados pela Uggi – Educação ambiental e acompanhados por professores do Ítaca, vivenciam essa junção de passado e futuro, num mergulho profundo em considerável parte da Cultura Brasileira, em localidades que estão além da história, uma vez que são consideradas centros culturais arquitetônicos de rara composição urbana e originalidade de projetos. 

As fotos desta matéria foram feitas pela Lara Gurianova de Araújo, aluna da turma.

 

31
julho
2017
Exposição virtual
Povos Indígenas no Brasil 1980/2013
reprodução ISA
reprodução ISA
reprodução ISA
reprodução ISA
reprodução ISA

Retrospectiva em imagens da luta dos povos indígenas no Brasil por seus direitos coletivos

A exposição, organizada pelo ISA e pelo Programa para Povos Indígenas da Embaixada da Noruega, mostra fotos e filmes dos últimos 36 anos, período em que os povos indígenas do Brasil saíram da invisibilidade para entrar na agenda do Brasil contemporâneo. O processo que teve como marco o capítulo dos direitos indígenas da Constituição de 1988.

Inaugurada em 2013 na Praça Externa do Museu Nacional em Brasília, a mostra fotográfica fez parte das comemorações dos 30 anos do Apoio Norueguês aos Povos Indígenas no Brasil e dos 25 anos da Constituição. O projeto foi uma realização da Embaixada da Noruega no Brasil e do Instituto Socioambiental (ISA), e itinerou até 2015, passando por São Paulo (SP), Brasília (DF), Manaus (AM) e Belém (PA).

Desde abril passado, em uma parceria com Google Arts & Culture,  a mostra ganhou uma versão digital e atualizada composta por fac-símiles de publicações, vídeos, áudios e 22 fotos, com momentos e personagens históricos do movimento indígena brasileiro.

As imagens retratam a batalha pelo reconhecimento das Terras Indígenas; a resistência às invasões de suas terras; o apoio de artistas como Milton Nascimento; a apropriação das tecnologias de comunicação; entre outros temas.
“Pretende-se que essas imagens sirvam de referência para as narrativas dos seus protagonistas, assim como para o aprendizado das novas gerações”, comenta Beto Ricardo, do ISA, curador da exposição e editor do livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016.

VISITE A MOSTRA VIRTUAL
http://bit.ly/2uQglfB

Referências
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/luta-dos-povos-indigenas-no-brasil-vira-exposicao-digital
http://amazonia.org.br/2017/04/luta-dos-povos-indigenas-no-brasil-vira-exposicao-digital/
https://conexaoplaneta.com.br/blog/povos-indigenas-no-brasil-livro-destaca-retrocessos-mobilizacoes-mas-tambem-maior-participacao-das-mulheres/

20
julho
2017
Cais do Valongo é o 21º patrimônio histórico brasileiro reconhecido pela ONU
Foto reprodução
Gravura de Jean-Babtiste Debret
Foto reprodução
Gravura de Rugendas
Foto reprodução
Foto reprodução
Foto reprodução

O Cais do Valongo, no centro da cidade do Rio de Janeiro, foi reconhecido em 9 de julho de 2017 como Patrimônio Mundial pela Unesco (organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU). O local foi definido como “o traço físico mais importante da chegada de escravos africanos ao continente americano”. Apresentada em janeiro de 2016 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e prefeitura do Rio à Unesco, a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio Mundial comparava o local ao campo de concentração de Auschwitz. Segundo o documento, a importância do cais “reside no valor simbólico que sintetiza toda a tragédia do tráfico de africanos cativos para as Américas”. Por isso, deveria ser reconhecido como "sítio de memória" da escravidão.

Segundo o antropólogo Milton Guran, coordenador do grupo de trabalho que apresentou o projeto à ONU, o fato de o Estado brasileiro ter proposto a candidatura do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial mostra que ele assume a importância da matriz africana na história brasileira. 

Guran afirma que com a questão da escravidão, o cais se torna um sítio de memória de forte simbologia, assim como Hiroshima e o campo de concentração de Auschwitz e “remete a um acontecimento da história da humanidade que ela não quer que se repita”

Segundo o Iphan, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo a partir de 1774, e ali se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto (hospital onde eram isolados os leprosos). O Cais se tornou o maior porto de entrada deles no país até meados do século 19. 

Após a declaração da República no Brasil, em 1889, o cais do Valongo foi aterrado e esquecido. Sua riqueza começou a ser redescoberta durante o trabalho de revitalização da zona portuária do Rio para as Olimpíadas de 2016. Com as obras do Porto Maravilha, foram encontrados milhares de objetos pessoais na região, como partes de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava.

A poucos quarteirões do cais está um cemitério onde, entre 1770 e 1830, milhares de escravos foram enterrados. Restos desse local foram encontrados por acaso em 2011, quando um casal reformava sua casa na área e se deparou com ossos e crânios.

No que implica ser Patrimônio da Humanidade
Estar assegurado como Patrimônio da Humanidade não implica em receber incentivos financeiros da Unesco. Projetos de vulto no Cais do Valongo precisarão obter outras fontes de financiamento para a sua manutenção. A Unesco recomenda que o governo execute projetos que promovam uma “visão holística” sobre o local e o que ele representa. 

Algumas das propostas em estudo para o Cais do Valongo são: 
• Criação de um Circuito arqueológico
• Centro de referência
• Museu da escravidão 

Veja a lista completa dos locais no Brasil que foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco (organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU):
Cidade de Ouro Preto (MG)
Centro histórico de Olinda (PE)
Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
Centro histórico de Salvador (BA)
Santuário de Bom Jesus do Congonhas (MG)
Parque Nacional do Iguaçu (PR)
Brasília (DF)
Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
Centro histórico de São Luís (MA)
Áreas protegidas de Mata Atlântica do Sudeste (PR e SP)
Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA e ES)
Centro histórico de Diamantina (MG)
Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM)
 Área de conservação do Pantanal (MT)
Ilhas do Atlântico: Reservas de Fernando de Noronha (PE) e Atol das Rocas (RN)
Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
Centro histórico da Cidade de Goiás (GO)
Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão (SE)
Cidade do Rio de Janeiro (RJ)
Conjunto moderno da Pampulha (MG)
Cais do Valongo (RJ)
        
Referências        
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/07/10/O-que-significa-o-Cais-do-Valongo-se-tornar-Patrimônio-Mundial
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40554059
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/07/09/unesco-declara-cais-do-valongo-patrimonio-da-humanidade.htm?cmpid=copiaecola

18
abril
2017
DRONES QUE SALVAM VIDAS, CRIADOS POR ESTUDANTES

 

O drone que elimina minas terrestres

As minas terrestres (dispositivos que explodem quando alguém pisa neles), vitimam milhões de pessoas, incluindo crianças e idosos, todos os anos. 
No mundo todo, hoje em dia existem cerca de 100 milhões de minas, muitas delas remanescentes de antigos conflitos. 

Dois irmãos afegãos estão à frente do projeto do Mine Kafon Drone (MKD), um drone que tem a capacidade de mapear, detectar e detonar minas terrestres de forma mais rápida, barata e segura.
O drone tem distintas unidades: uma é utilizada para mapear a área, a segunda para detectar as minas, ressaltando-as com marcadores do GPS. 
Após essas duas operações, um braço de robô é usado para colocar pequenos detonadores, do tamanho de uma bola de tênis, sobre a mina. O robô sai da área e as minas são detonadas.

O projeto original partiu do designer Massoud Hassani, que inventava brinquedos eólicos quando era criança. O projeto do drone começou como trabalho de formatura da turma de 2011 da Academia de Design Eindhoven, na Holanda, e também era inicialmente movido a vento e constituído essencialmente por uma esfera feita do bambu, de ferro e plástico. 
Massoud e seu irmão Mahmud (que tb participou do projeto) são de um subúrbio de Kabul, no Afeganistão, onde se concentram aproximadamente 10 milhões de minas, em uma área de 500 quilômetros quadrados.

Eles começaram sua primeira campanha de Kickstarter para aprimoramento e construção do protótipo em 2012, mas tiveram que modificar o projeto, pois o dispositivo era difícil de controlar , uma vez que era movido a vento. O sistema foi aprimorado por controle remoto e melhorado quando resolveram adotar o aerotransporte (drone).
Até agora, não houve uma opção segura ou acessível para a detonação de minas terrestres e o custo de sua remoção pode ser superior a 50 vezes o custo de sua produção. O drone Mine Kafon mapeia facilmente, detecta e, em seguida, detona minas terrestres 20 vezes mais rápido do que a tecnologia de desminagem atual. Além disso, é aproximadamente 200 vezes mais barato. Os novos drones Kafon dos Hassani visam a limpar todas as minas terrestres do mundo em menos de 10 anos.

Os designers reconhecem que ainda há alguns problemas, como a dificuldade de detectar minas enterradas há muitas décadas, portanto mais profundas, uma vez que o drone flutua a 4 cm do solo. Também há questões relativas à precisão da localização desses artefatos, através do GPS, por isso pretende-se fazer uma triangulação por antenas externas.  

Mesmo com essas questões ainda por resolver, se o MKD se aprimorar, poderá mudar e salvar muitas vidas no mundo todo. Os autores acreditam que essa tecnologia tem o potencial de eliminar todas as minas terrestres do mundo em aproximadamente 10 anos. 


O drone ambulância

Os primeiros minutos após uma parada cardíaca ou acidente são fundamentais para determinar o tempo e as possibilidades de recuperação, mas ambulâncias nem sempre conseguem ser rápidas o suficiente, pois enfrentam tráfego pesado das cidades. 
Mas, se ferramentas básicas de primeiros socorros (desfibrilador, materiais para reanimação cardiorrespiratória e medicamentos) puderem ser ser enviadas antes de aambulância chegar, podem-se salvar vidas.

O Ambulance Drone, ou drone-ambulância, é o projeto de conclusão de curso de Alex Monton, aluno da Delft University of Technology, também 

na Holanda. Feito com fibra de carbono, o pequeno avião não-tripulado pode ser a solução da tecnologia para salvar vidas.
“É essencial que as pessoas tenham o tratamento médico necessário nos primeiros dez minutos”, diz Alec Momont. “Se nós conseguirmos chegar ao local da emergência antes, poderemos salvar mais vidas e facilitar a recuperação de muitos pacientes. Isso está estritamente relacionado aos casos de problemas cardíacos, afogamentos, e falhas respiratórias”, conta o engenheiro.

Espalhados pelos principais pontos de uma cidade, os drones seriam comandados pelo mesmo centro de atendimento responsável pelas ambulâncias e, quando alguém precisasse de ajuda, tanto o drone quanto os profissionais médicos seriam acionados para ir até o local. 

Com os drones trabalhando em sintonia com serviços de emergência, as chances de salvamento passam de 8% para 80%. Quando recebem uma chamada relacionada a problemas no coração, o aparelho se prepara para entregar o desfibrilador no local da ocorrência. A nave não tripulada só é capaz de encontrar o endereço por meio dos sinais liberados pelo celular que realizou a ligação.
Além disso, uma conexão de livestream é capaz de situar a equipe médica que ainda não chegou ao local para instruir as pessoas que estiverem na cena. O “drone-ambulância” pode voar a 100 km/h e carregar até quatro quilos de bagagem.

O primeiro protótipo foi feito para transportar um desfibrilador, mas a ideia é expandir esse espaço. Nesse processo, seria importante incluir uma webcam, funcionando como canal de comunicação entre os operadores de emergência e as pessoas que vão aplicar o tratamento no local, antes de a ambulância chegar. “Normalmente, apenas 20% das pessoas conseguem fazer o processo corretamente. Isso pode subir para 90%, se tiverem as instruções corretas”, afirma Momont.
No entanto, é necessário que haja uma nova infraestrutura médica, para que isso funcione. Uma rede de atendimento efetiva é essencial.
Além disso, há outros obstáculos: apesar de conseguir voar de maneira autônoma, isso ainda não é permitido pela lei, pelo que se sabe,(estranho dar esse tipo de informação) em nenhum lugar. O protótipo ainda não foi testado com vítimas ”reais”, mas a invenção traz luz a novas soluções de atendimento médico emergencial, principalmente nas grandes cidades.

Referências
http://engenhariae.com.br/tecnologia/drone-criado-por-jovem-afegao-vai-eliminar-todas-minas-terrestre-do-mundo-em-menos-de-10-anos/
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/12/14/irmaos-afegaos-que-brincavam-em-campo-minado-desenvolvem-drone-para-desativar-minas.htm
http://www.hypeness.com.br/2014/11/drone-ambulancia-poderia-aumentar-as-taxas-de-sobrevivencia-de-acidentes-em-ate-80/
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/11/drone-ambulancia-pode-diminuir-drasticamente-riscos-das-pessoas-com-ataques-cardiacos.html
http://www.tudointeressante.com.br/2016/02/veja-como-funciona-o-drone-ambulancia-que-pode-salvar-muitas-vidas.html
 

10
abril
2017
Páscoa, Pessach
postado sob cultura, história

A origem da comemoração da Páscoa cristã vem de muitos séculos atrás. O termo “Páscoa”  vem do latim Pascae, ou do grego Paska e, antes disso, do termo Pessach, dos hebreus, cujo significado é “passagem”. 


Pessach, a páscoa judaica
Esta data marca o êxodo do povo judeu, saindo do Egito, por volta de 1.250 a.C., onde haviam sido  escravizados pelos faraós, por muito tempo. Esta história encontra-se no livro Êxodo, do Velho Testamento da Bíblia: liderados por Moisés, fugiram, atravessando o Mar Vermelho por uma passagem que se abriu.
Nesta data, hoje em dia, os judeus seguem ritual com um jantar em que cada comida tem um valor simbólico: o matzá (pão sem fermento), a cenoura, o sal, o ovo, cada um simbolizando um momento e um sentimento relacionados ao êxodo.  
Para alguns estudiosos, a celebração do Pessach foi crucial para que a comunidade judaica preservasse seus laços nos mais diferentes lugares em que viveram e ainda vivem.

Entre as civilizações antigas
Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da Antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera eram de extrema importância, pois estavam ligados a maiores chances de sobrevivência, em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.
 
A Páscoa entre os cristãos
Entre os primeiros cristãos, a Páscoa já celebrava a ressurreição de Jesus Cristo e era realizada no domingo seguinte à lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março).  
Para os cristãos, a semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa. Esta semana tem início no Domingo de Ramos, data que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.   
 
A História do coelhinho da Páscoa e os ovos  
A figura do coelho está simbolicamente relacionada à fertilidade, porque é um animal que se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da Antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas.

Já a decoração de ovos de galinha, com tintas coloridas e desenhos delicados, aparece já no séc. 13, e uma das explicações para a tradição é a de que era proibido comer ovos na Quaresma, portanto as pessoas os pintavam e decoravam, nos dias de penitência e jejum, para comê-los na celebração da Páscoa.
 
Na Rússia, ovos de joalheria passaram a ser produzidos por Peter Carl Fabergé, em 1885, sob a encomenda do czar Alexandre III, como um presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna. Por fora, parecia um simples ovo de ouro esmaltado mas, ao abri-lo, havia mecanismos com uma gema de ouro que se abria e continha uma galinha que, por sua vez, continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Esses ovos são verdadeiras relíquias e foram produzidos até 1917, ano da Revolução Russa, para os czares. 

Os atuais ovos de chocolate são resultado do desenvolvimento da culinária e, antes disso, da descoberta do continente americano, já que, ao entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis pela divulgação do chocolate na Europa. Duzentos anos mais tarde foram fabricados, provavelmente na França, os primeiros ovos de chocolate da História, que permanecem como o principal símbolo da Páscoa.
 
Saiba mais, em matérias já publicadas anteriormente neste site
http://itaca.com.br/noticias/post/1196
http://itaca.com.br/noticias/post/1859
http://itaca.com.br/noticias/post/2437

Mais referências
http://brasilescola.uol.com.br/pascoa/pascoa-judaica.htm
http://www.suapesquisa.com/historia_da_pascoa.htm

5
abril
2017
Comemoramos 27 anos, festejando a memória arqueológica do Brasil
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
uma das inscrições rupestres mais conhecidas da Serra da Capivara

Como brinde de comemoração dos 27 anos do Ítaca, produzimos um lápis com desenhos baseados em alguns dos registros rupestres encontrados no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Estado do Piauí. Esse parque tem uma história encantadora. Vale a pena conhecer e, quando possível, visitá-lo.

História do Parque Nacional da Serra da Capivara
Desde o início da década de 1970, um grupo de arqueólogos, sob a direção de Niède Guidon, realizava pesquisas na região com financiamento da França.

A partir de 1978, essas pesquisas passaram a ser interdisciplinares, com a participação, além das instituições francesas que faziam parte da Mission Archéologique du Piauí, de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Em 1986, esse grupo de pesquisadores criou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM). 

Em 1991, a UNESCO inscreveu o Parque Nacional Serra da Capivara na lista do Patrimônio Mundial, a título Cultural, em razão da importância dos registros rupestres existentes nos seus sítios arqueológicos. A FUMDHAM aceitou a responsabilidade de preservar esse patrimônio.

A FUNDHAM, declarada de interesse público pelo governo brasileiro, reúne na atualidade uma série de atividades científicas e culturais, no âmbito das ciências humanas, biológicas e da terra, mas também realiza atividades em benefício da sociedade.

Museu do Homem Americano
Situado na sede da FUMDHAM, o Museu do Homem Americano foi criado com o objetivo de divulgar a importância do patrimônio cultural deixado pelos povos pré-históricos. O Museu procura mostrar ao público os resultados mais recentes das pesquisas, sendo realizadas, portanto, atualizações regulares, tanto na exposição permanente quanto nas temporárias.

Visitação
O Parque Nacional Serra da Capivara está aberto à visitação e conta com guaritas para a recepção dos turistas, estradas, Centro de Visitantes, trilhas, escadarias e passarelas que permitem o passeio com segurança. Mas, para conhecer o Parque, é preciso estar acompanhado de um condutor de turismo.

Sítios arqueológicos
Os registros rupestres, pintados ou gravados sobre as paredes rochosas, são formas gráficas de comunicação utilizadas pelos grupos pré-históricos que habitaram a região do Parque. As representações gráficas abordam uma grande variedade de formas, cores e temas. Foram pintadas cenas de caça, sexo, guerra e diversos aspectos da vida cotidiana e do universo simbólico dos seus autores. O estudo desses registros possibilita o reconhecimento de temas recorrentes e a identificação de diferentes maneiras de representá-los. Pode-se dizer, ainda, que são pistas da forma de vida dessas populações.

Do conjunto de 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, 183 estão preparados para a visitação turística, sendo 17 deles acessíveis a pessoas com dificuldades de locomoção. Pela quantidade e variedade dos sítios, os roteiros de visitação devem ser estabelecidos com os condutores de turismo a partir do perfil do visitante e do seu tempo disponível. Há, no entanto, algumas sugestões de roteiros preestabelecidos.

Belezas naturais
O Parque é formado por um conjunto de quatro Serras – Serra da Capivara, Serra Branca, Serra Talhada e Serra Vermelha – que apresentam diferentes ambientes e paisagens onde também se pode contemplar os monumentos geológicos, a fauna e a flora da caatinga.

Visite a página da Fundação Museu do Homem Americano:
http://www.fumdham.org.br

20
março
2017
Pesquisa confirma o que já era sabido pelos habitantes da floresta: influências humanas na Amazônia são muito antigas
Foto reprodução: Edison Caetano
foto reprodução:  Val Moraes - Central Amazon Project

Apesar de o fenômeno já ser de conhecimento dos habitantes da floresta –indígenas e ribeirinhos – um estudo científico feito na Bacia Amazônica constata que as florestas da região foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos. Um processo muito antigo de manejo de espécies transformou boa parte da mata em gigantescos "pomares", repletos de espécies domesticadas de árvores. Examinando as plantas em sítios arqueológicos, um grupo de biólogos e arqueólogos encontrou a predominância de plantas domesticadas pelas sociedades pré-colombianas em alguns desses lugares, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

“Detectamos que perto de sítios arqueológicos há uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos índios”, conta a bióloga Carolina Levis, doutoranda no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e na Universidade de Wageningen, Holanda, e primeira autora de um artigo publicado na revista Science. 

Levi e seus colaboradores examinaram correspondências entre dados arqueológicos e botânicos, de dois bancos de dados. Um deles é o do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, compilado pelos arqueólogos Eduardo Tamanaha e André Junqueira, que tem dados de mais de 3 mil sítios arqueológicos. O outro é o criado pelo botânico Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, da Holanda, formando uma rede de pesquisadores, chamada ATDN (sigla inglesa de Rede de Diversidade de Árvores da Amazônia), que fizeram inventários botânicos em 1.170 parcelas de amostragem na Amazônia, listando mais de 4 mil espécies de árvores.

As diferenças na composição da floresta entre locais onde já houve povoamentos e áreas mais distantes são tão marcantes, que possibilita usar a composição da flora para localizar sítios arqueológicos. 

A pesquisadora detectou 85 espécies usadas e domesticadas pelos índios, como o açaí-do-mato, a castanha-do-pará e a seringueira.Algumas dessas plantas manejadas pelos antigos habitantes da região acabariam levando a produtos que hoje são consumidos no mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará. 

O holandês Hans Ter Steege já tinha mostrado que, apesar da imensa variedade de espécies, a Amazônia tem algumas árvores "campeãs", conhecidas como hiperdominantes: são 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.

“Esses grupos podem ter levado as plantas por grandes distâncias”, sugere Carolina. A correlação entre árvores hiperdominantes e indícios de populações humanas antigas é mais forte no sudoeste da Amazônia, como Rondônia, e também na região da foz do Amazonas, mas não se sabe se a distribuição dessas árvores foi alterada por muitas gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram justamente onde havia recursos variados para eles. Carolina acredita na primeira hipótese. “Encontramos árvores com preferências ecológicas distintas vivendo nas mesmas parcelas de amostragem, algo improvável de acontecer naturalmente.”

Há uma grande preocupação em relação ao desmatamento onde essas plantas são mais abundantes. “As linhagens silvestres das plantas usadas pelos índios estão nessa região, e preservar essa diversidade genética também é importante para a segurança alimentar”, afirma Carolina. 

Essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes não domesticadas só aparecem em 47% da bacia, o que sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original, como o cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.

A concentração de espécies domesticadas aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam e ainda servem como os principais caminhos de circulação dentro da mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto, alterando a composição natural de espécies da floresta.

A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos "selvagens" da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Já algumas espécies são classificadas como parcialmente domesticadas (como o cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau: oprimeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.

O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, afirma que esse processo de "engenharia florestal" amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta – solo fértil produzido pela ação humana, em parte pela queima de restos de vegetais.

Para o arqueólogo, o estudo confirma que, além de serem um patrimônio natural, as florestas da região também são um patrimônio cultural, por sua ligação estreita com a intervenção humana. 

Referências:
http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/um-imenso-pomar/
https://www.nexojornal.com.br/especial/2015/12/01/Cidades-da-Amazônia-a-floresta-que-nunca-foi-virgem
https://www.sciencedaily.com/releases/2017/03/170302143939.htm
http://science.sciencemag.org/content/355/6328/925
http://agencia.fapesp.br/populacoes_precolombianas_podem_ter_domesticado_a_amazonia/24870/
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/03/1863192-civilizacoes-pre-colombianas-moldaram-vegetacao-da-amazonia.shtml

21
fevereiro
2017
Paz e amor?
Foto divulgação
Gerald Holtom com sua criação
Desenhos de Holtom por ocasião da criação do símbolo
site da CND - acesse e conheça mais sobre essa organização - http://www.cnduk.org
foto divulgação

Um dos símbolos mundiais mais conhecidos, que nasceu em campanha contra as armas nucleares e hoje é o símbolo universal da paz, surgiu na Inglaterra, no final dos anos 1950.

Em 1950, políticos britânicos de esquerda uniram-se contra o programa nuclear na Inglaterra, em uma campanha unilateral de desarmamento, criando a Campanha para o Desarmamento Nuclear [Campaign for Nuclear Disarmament (CND)].

 Em 1958, Gerald Holtom (1914 - 1985), designer profissional e artista formado pelo Royal College of Arts, foi convidado a criar uma marca para uma manifestação do Comitê Contra a Guerra Nuclear [Direct Action Committee against Nuclear War (DAC)].  Partindo dos sinais semafóricos* referentes à letra N e D  (de Nuclear Disarmament), ele as fundiu, criando um símbolo único. Apresentou-o em uma reunião, em fevereiro de 1958, e seu símbolo acabou sendo utilizado pela primeira vez na marcha de Páscoa, intitulada Aldermaston march: entre os dias 4 e 7 de abril de 1958, aproximadamente 50 mil pessoas e marcharam por 83 km, de Trafalgar Square, em Londres, ao Atomic Weapons Establishment, em Aldermaston, Berkshire, para demonstrar oposição às armas nucleares. Foram produzidos 500 “pirulitos” de cartão em bastões, com o símbolo criado.

Há quem afirme que esse símbolo já existia em associações clandestinas, anticristãs. Na África do Sul, durante o regime do apartheid houve tentativas de banimento desse emblema, assim como grupos fundamentalistas norte-americanos já o ligaram associações satânicas ou condenaram-no como um símbolo comunista. O presidente da CND na época era o filósofo e matemático Bertrand Russel, conhecido ateu e esquerdista, o que fez com que os conservadores tentassem justificar por esses motivos sua oposição à entidade.

Propositalmente não patenteado ou de uso restrito, o sinal cruzou fronteiras nacionais e culturais, tornando-se o símbolo universal da paz. Popularizado pelo Movimento Hippie dos anos 1970, como símbolo de liberdade, pretendeu-se mesmo que fosse de uso livre para todos. Mas acabou também transformando-se em um símbolo explorado comercialmente, em anúncios e na moda. Quando utilizado para fins comerciais, o CND solicita doações para suas ações e frequentemente tem respostas positivas.

O símbolo continua sendo usado em ações de paz e esperança e tem sido visto em acampamentos de refugiados, protestos contra o câmbio climático e em demonstrações anti-Trident** – projetado e desenvolvido pela Lockheed Martin Space Systems e operado pelas marinhas dos Estados Unidos e do Reino Unido –, uma das maiores campanhas atuais da CND.
 

O alfabeto semafórico é um sistema de comunicação no qual se utiliza a posição dos braços para representar cada letra do alfabeto, incluído no código internacional de sinais da OMI (Organização Marítima Internacional}. Foi inventado pelo francês Claude Chappe, abade, engenheiro e inventor francês nascido em Brûlon, considerado o criador do primeiro sistema prático de telecomunicações, um sistema de transmissão mecânica para longas distâncias, que ele chamou de semáforo (1793). 

** O Trident é um SLBM - Mísseis balísticos lançados de submarino (em inglês: Submarine-launched ballistic missile) 

Referências
https://alchetron.com/Gerald-Holtom-1381326-W
http://www.cnduk.org/about/item/435-the-cnd-symbol
http://www.logodesignlove.com/cnd-symbol
http://peacemuseum.org.uk/cnd-logo-design/
http://www.bbc.com/news/uk-politics-13442735
http://www.cnduk.org/support-cnd/join-cnd
http://www.docspopuli.org/articles/PeaceSymbolArticle.html
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-simbolo-da-paz/
http://acracia.org/bertrand-russell-1872-1970/

6
fevereiro
2017
O que é o Ano Novo chinês?
postado sob cultura, história
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Os primeiros registros sobre a comemoração do Ano Novo Chinês têm aproximadamente 2.000 anos. A tradição foi sendo moldada através dos séculos, por lendas, histórias e hábitos. Este ano, começou no dia 28 de janeiro.
Sabe por quê? O calendário chinês é lunissolar, ou seja, tem em consideração tanto as fases da lua como a posição do sol. Por esse motivo, o início de cada ano novo chinês cai sempre em uma data diferente da do calendário ocidental: começa na noite da lua nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo quinto grau de Aquário. Mas o rito de passagem de ano começa semanas antes, quando os chineses costumam fazer arrumação e limpeza em suas casas, para afastar maus espíritos.

No 23º dia do último mês lunar, oferecem comida ao Deus da Cozinha, que seria o responsável pela prosperidade familiar. Também costumam colar nas portas e janelas das casas papéis vermelhos, chamados Tao Fu, com dizeres de boa sorte em dourado, para proteger os moradores e atrair bons fluídos. 


Na noite da véspera, é servido o último jantar do ano no qual a família se reúne para a refeição de encerramento do ciclo anual. Nessa última noite são preparados pratos especiais para trazer todo o tipo de sorte, riqueza e felicidade. Não podem faltar os bolinhos em forma de lingotes de ouro; o peixe que representa o dinheiro; as tangerinas, também chamadas de laranjas da sorte; o prato feito com arroz moti que representa a prosperidade e o talharim (macarrão) que simboliza a longevidade. Todas as frutas e doces são servidos em bandejas ou pratos vermelhos.

Os mais velhos presenteiam os mais jovens e solteiros com dinheiro, entregue em um envelope vermelho, que não deve ser aberto na frente de quem presenteia. É comum que as notas dadas sejam novas, porque tudo relacionado ao Ano Novo deverá ser novo, visando a atrair sorte e fortuna.

Em seguida há queima de fogos, jogos e brincadeiras e a festa dura a noite toda, até o  amanhecer.  A comemoração toda só termina no 15º dia do mês, quando acontece a Festa das Lanternas, que este ano cai no dia 11 de fevereiro. 

Os animais, no zodíaco chinês
Cada ano é dedicado a um dos 12 animais do zodíaco chinês. Segundo a lenda, Buda chamou os animais para uma reunião e apenas doze se apresentaram. Em agradecimento os transformou nos signos da Astrologia chinesa.
São eles, de acordo com a ordem que teriam se apresentado a Buda: rato, boi, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e  porco.

De acordo com esse calendário, o ano de 2017 corresponde ao galo. 
O Ano do Galo já foi comemorado, no século 20, em 1909, 1921, 1933, 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005 e o seguinte será em 2029.
Segundo a astrologia chinesa, além dos animais, cada ano é associado a um dos 5 elementos: ouro, madeira, água, fogo ou terra. O elemento combinado com o animal forma o zodíaco do ano. 2017 é o ano do Galo de Fogo (o último foi em 1957), o que significa que quem nasceu nesse ano terá esse signo. Galos são caracterizados como ativos, trabalhadores, faladores, adoradores da vida social e acostumados a serem o centro das atenções.

Troca de presentes
Além dos envelopes vermelhos, é comum que se deem pequenos presentes (comida ou doces) a amigos e parentes. Vários mercados ou feiras locais são montados para a ocasião, em geral ao ar livre, para vender flores, brinquedos, roupas e fogos de artifício. Em alguns lugares existe a prática de compra da ameixeira, parecida com tradição ocidental de comprar nossa árvore de Natal.

Fogos de artifício
Na China antiga, caules de bambu eram preenchidos com pólvora com o objetivo de criar pequenas explosões para afastar espíritos malignos; hoje existe uma grande sofisticação nos fogos de artifício chineses. Acredita-se que os barulhos e fogos explodindo espantam os espíritos malignos.

Vestuário e simbologia
As roupas utilizadas durante todo o ano novo geralmente são vermelhas porque os chineses acreditam que a cor vermelha afugenta os espíritos malignos e a má sorte. Além disso, o vermelho é o símbolo da felicidade ou do prazer, e simboliza virtude, verdade e sinceridade. 
Balas, bolos, decorações e muitas outras coisas associadas com o ano-novo e suas cerimônias são coloridos de vermelho. Além do vermelho, o amarelo, o roxo e o dourado também são consideradas cores auspiciosas, pois segundo os chineses, atraem a riqueza e a prosperidade. As pessoas também vestem roupas novas da cabeça aos pés para simbolizar um novo começo em um novo ano. 

Retrato da família
Tirar fotografias é uma cerimônia importante quando os familiares se reúnem. A foto deve ser tirada no hall ou em frente à casa. O membro masculino mais velho da família se senta ao centro.

Festas nas ruas
Nas ruas é costume verem-se outras celebrações muito importantes como a Dança do Dragão e a Dança do Leão. A Dança do Dragão é uma das atrações mais importantes, e a coreografia é realizada com cerca de 20 pessoas, ajudando a trazer prosperidade, sorte e renovação.

Outras tradições
Na noite de Ano Novo todas as portas e janelas devem estar abertas à meia-noite para deixar o ano velho sair e a casa deve ser limpa antes do dia de ano novo. 

As dívidas também devem estar saldadas até esta data, para afastar o mau Feng Shui das finanças. 

Antes do dia de Ano Novo as famílias chinesas decoram as suas salas com vasos com botões de flores, laranjas e tangerinas e variedades de fruta cristalizada, para começar o ano de forma doce. 

Hoje em dia a tradição é comemorada em diversos países e as festividades são um atrativo para todas as culturas.  São Paulo tem comemorações no bairro da Liberdade, onde se concentra grande parte da comunidade chinesa. Fique ligado e visite o bairro para conhecer mais.

Referências:
http://www.camarabrasilchina.com.br/noticias-e-publicacoes/noticias/noticias-sobre-negocios-com-a-china/a-tradicao-da-celebracao-do-ano-novo-chines​
http://brasilescola.uol.com.br/china/ano-novo-chines.htm
http://www.aljazeera.com/indepth/inpictures/2017/01/year-rooster-millions-chinese-year-170128052310196.html
http://www.mariahelena.pt/pages/celebracoes-do-ano-novo-chines#sthash.Fef9coKP.dpuf
http://www.refinery29.com/2017/01/137349/year-of-the-fire-rooster-chinese-zodiac-2017
http://time.com/4648981/chinese-lunar-new-year-rooster/
https://chinanaminhavida.com/2017/01/28/ano-do-galo-e-os-desafios-para-2017/

8
dezembro
2016
A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 68 anos no dia 10 de dezembro
divulgação
Eleanor Roosevelt exibe cartaz contendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1949).

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

Esse é o primeiro artigo, de um total de 30, que compõe a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948, através da Resolução 217 A (III) da Assembléia Geral, como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. 

A Organização das Nações Unidas (ONU), é uma organização internacional fundada em 24 de outubro de 1945, pouco depois de acabada a Segunda Guerra Mundial, e formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais. O documento de fundação da Organização, conhecido por Carta das Nações Unidas, expressa os ideais e os propósitos dos povos cujos governos se uniram para constituí-la:
“Nós, os povos das Nações Unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que, por duas vezes no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes de direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla.”

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), firmada 3 anos depois,  é a base da luta universal contra a opressão e a discriminação, defende a igualdade e a dignidade das pessoas e reconhece que os direitos humanos e as liberdades fundamentais devem ser aplicados a cada cidadão do planeta. É um compromisso firmado por todos os 193 países-membros da ONU

É o documento mais traduzido do mundo (com traduções para mais de 360 idiomas) e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recentes. Embora não formulada como tratado, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi expressamente elaborada para definir o significado das expressões "liberdades fundamentais" e "direitos humanos", constantes na Carta das Nações Unidas, obrigatória para todos estados membros.

Os direitos humanos são os direitos essenciais a todos os seres humanos, sem que haja discriminação por raça, cor, gênero, idioma, nacionalidade ou por qualquer outro motivo (como religião e opinião política). Eles podem ser civis ou políticos, como o direito à vida, à igualdade perante a lei e à liberdade de expressão. Podem também ser econômicos, sociais e culturais, como o direito ao trabalho e à educação e coletivos, como o direito ao desenvolvimento. 

Leia o texto integral da Declaração Universal dos Direitos Humanos aqui.
 

Referências
https://nacoesunidas.org/conheca/
http://www.un.org/en/universal-declaration-human-rights/
http://www.dudh.org.br/declaracao/
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2009/11/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-garante-igualdade-social=

 


 

4
dezembro
2016
Quem são meus ancestrais?
postado sob Biologia, cultura, história

O DNA humano (ADN, ácido desoxirribonucleico, em português, ou DNA, deoxyribonucleic acid, em inglês) é como um código feito de três bilhões de letras. Ele é um composto de moléculas que contêm instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus, e que transmitem as suas características hereditárias.

O que é o teste de ancestralidade?
Teste de ancestralidade genética ou genealogia genética é uma forma de descobrir mais sobre a própria origem, além do que se conhece pela documentação ou relato familiar. E justamente exames de DNA podem dar indícios sobre os locais de origem de seus ancestrais, além de relacionamentos entre famílias: alguns padrões de variação genética são frequentemente comuns entre pessoas do mesmo ambiente. Quanto mais próximos são os indivíduos, famílias ou  populações, mais eles compartilham padrões genéticos.

Existem basicamente 3 tipos de testes de ancestralidade mais utilizados para pesquisas de genealogia:

• Teste de cromossomo Y: variações no cromossomo Y, passado exclusivamente de pai para filho, podem ser usadas para explorar a ancestralidade pela linha masculina, pois esses cromossomos são encontrados apenas nos homens.  Mesmo assim, frequentemente mulheres se interessam por esse teste, já que em muitas culturas os nomes de família são passados pela linha masculina, de modo que o teste de cromossomo Y pode esclarecer se há relações entre famílias de mesmo sobrenome.
• Teste de DNA mitocondrial: esse tipo de teste identifica variações genéticas em DNA de estruturas celulares chamadas mitocôndrias, que têm seu próprio DNA, apesar de que a maior parte do DNA se encontra no núcleo das células.
Tanto homens como mulheres têm DNA mitocondrial, que é passado pela mãe, de modo que o teste pode ser aplicado a ambos os sexos, produzindo informação sobre a linha ancestral materna. Esse teste pode fornecer informações perdidas dos registros históricos, uma vez que a maior parte dos sobrenomes são passados pela linha paterna, perdendo-se, então, o rastro da origem por linha materna.
• Teste de polimorfismo de nucleotídeo único ou polimorfismo de nucleotídeo simples (em inglês single nucleotide polymorphism; SNP): uma variação na sequência de DNA que afeta somente uma base (adenina (A), timina (T), citosina (C) ou guanina (G)), na sequência do genoma. Esse teste avalia um grande número de variações no genoma de uma pessoa. O resultado é comparado com o de outras pessoas que passaram pelo mesmo teste, de modo a estimar as suas origens étnicas. Por exemplo, o padrão de SNPs pode indicar que a origem de uma pessoa é 50 % africana, 25% europeia, 20% asiática, e 5% desconhecida. Genealogistas usam esse tipo de teste, pois aqueles de cromossomo Y e teste mitocondrial, que representam apenas uma das linhas ancestrais, não captam a origem étnica global de um indivíduo. 

Porém, testes de ancestralidade genética têm limitações, uma vez que as comparações com exames de outros indivíduos, que são importantes para o rastreamento étnico, dependem do banco de dados de cada laboratório que os aplicam.
Além disso, houve várias migrações na história de populações humanas e várias misturas entre grupos próximos, o que faz com que a etnicidade possa diferir das expectativas dos indivíduos. Em grupos étnicos com menos variações genéticas, devido ao seu tamanho e sua história, muitos indivíduos podem compartilhar váriosSNPs, tornando-se difícil distinguir do restante do grupo como um todo pessoas que têm recentes ancestrais em comum, como primos, por exemplo.

Há muitas empresas que comercializam esses testes, hoje em dia. Algumas delas oferecem fóruns online, que conectam pessoas que fizeram o teste e querem discutir e descobrir mais sobre ancestralidade em comum. Em uma escala maior, testes de ancestralidade de muitas pessoas podem ter seus resultados combinados como forma de os cientistas explorarem a história de populações e descobrirem como surgiram, migraram e se misturaram com outros grupos.

Para saber mais, veja o Genographic, projeto interessante da National Geographic:
https://genographic.nationalgeographic.com/news/

Referências
https://ghr.nlm.nih.gov/primer/testing/ancestrytesting
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/04/120418_ancestrais_idadepedra_pai.shtml
http://www.genera.com.br/teste-de-ancestralidade.php

Assista também

22
outubro
2016
De onde vem essa peça universal do guarda roupa, quase indispensável?
postado sob história, moda
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Levi Strauss e Jacob W. Davis
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A antiga fábrica da Levis em São Francisco, Califórnia
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Anúncio dos anos 1960
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James Dean
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A primeira calça jeans

Levi Strauss, um jovem judeu alemão viajou da Alemanha a New York, em 1851, para encontrar seu irmão, que era dono de uma loja. Em 1853, ele se mudou para São Francisco, na Califórnia, em pleno auge da corrida do ouro, e lá montou sua própria loja. Entre outras coisas, vendendo tecidos de algodão. 

Um de seus clientes era Jacob W. Davis, alfaiate do Reno, Nevada. Davis fazia itens funcionais como tendas, mantas de cavalos e coberturas para carroças. Um dia, um cliente encomendou um par de calças que fosse adequado a trabalhos pesados, e ele criou uma calça com tecido muito resistente que comprou de Levi Strauss. A calça fez sucesso e ele convidou Strauss a patenteá-la junto com ele. Abriram, então, uma fábrica, onde passaram a produzir em maior escala o que foi o precursor dos jeans de hoje.
 
Inicialmente de cor marrom, as calças criadas pela dupla rapidamente se tornaram um sucesso para os mineiros da Califórnia, mas existia uma queixa recorrente: o tecido era pouco flexível. Levi Strauss resolveu, então, procurar um tecido que fosse ao mesmo tempo resistente, durável, flexível e confortável de usar. E decidiu procurar esse tecido na Europa, onde havia mais oferta de produtos. Encontrou o chamado “tecido de Nimes”, feito de algodão sarado e utilizado na roupa dos marinheiros do Porto de Gênova. Alguns dizem que esses marinheiros genoveses chamavam as suas calças de “genes” que, pronunciada com o sotaque italiano local, acabou por se transformar em “jeans”... e assim se espalhou pelo mundo. Outra versão afirma que o nome apareceu apenas depois da segunda guerra mundial, sem mais explicações.
 
O primeiro lote de calças da Levi Strauss tinha como código o número 501, que acabou por batizar o modelo mais famoso e clássico da marca e existe até hoje. Devagarinho, com o passar dos anos, as calças jeans foram sendo melhoradas: por exemplo, em 1860, acrescentaram-se os botões de metal; em 1886, ganhou a etiqueta em couro no cós. O índigo, tintura azul tão popular nos jeans atuais, só começou a ser utilizado em 1890 e tornou as calças ainda mais atraentes. 
 
Origens do índigo
O índigo é um tingimento orgânico, de azul característico. Desde a Antiguidade, é produzido na Índia – por isso seu nome –, de onde era exportado para o Egito, Grécia e Roma. Outras civilizações antigas, como a China, Japão, Mesopotâmia, países da África, América do Sul e Central também usavam o índigo para tingimentos, principalmente da seda. O tecido mais antigo registrado, tingido assim, data de 6.000 anos e foi encontrado em Huaca Prieta, no Peru. 

Na Índia, onde até se exportava sua grande produção, era produzido a partir da planta Indigofera tinctoria, porém a fixação da cor era precária, desbotando muito. Mesmo assim, transformou-se em um luxo restrito a poucos, na Europa medieval, por conta do controle da rota para a Índia pelo Mediterrâneo, até que o descobrimento de rota alternativa pelo cabo da Boa Esperança, em 1488, permitiu uma difusão maior do produto. Já no final do século 19, a criação do índigo sintético obteve bons resultados e reduziu o custo de produção da tintura, que acabou substituindo o orgânico utilizado até então.
  
A transformação
A calça jeans passou a ser usada no contexto urbano e acabou virando um ícone da moda, popularizado por astros de cinema como James Dean, Paul Newman, Marilyn Monroe, entre outros.

Na década de 1970, Calvin Klein foi o estilista pioneiro na história do jeans, provocando polêmica ao levar esta peça às passarelas. Mas, logo depois, seria imitado por várias outras grifes, como as marcas Levi’s, Lee, Ellus, entre outras. 
As calças jeans passaram a ganhar diversos estilos, mudando alturas de cós, bolsos, boca das pernas, apliques, lavagens especiais, rasgos, etc. O tecido dos jeans também foi, e ainda é, utilizado para confecção de outras peças de roupa, como shorts, saias, vestidos, jaquetas, blazers e casacos, alguns deles muito sofisticados e caros.
 
Hoje, os jeans são usados em todos os continentes tanto por trabalhadores do campo como da cidade, pelos ricos e pelos pobres, ainda mantendo características originais das primeiras calças feitas por Levi Strauss.
 
Veja o vídeo sobre a invenção de Levi Strauss:
https://youtu.be/hlJ911HYEuY
 
Referências
http://www.historyofjeans.com/jeans-making/
http://origemdascoisas.com/a-origem-dos-jeans/
http://www.infoescola.com/curiosidades/historia-do-jeans2/
https://en.wikipedia.org/wiki/Indigo_dye
https://hannakramolisck.wordpress.com/2011/01/12/767/
http://fortune.com/2014/09/18/brief-history-of-blue-jeans/
http://www.levistrauss.com/our-story/heritage-timeline/heritage-timeline-2/

29
setembro
2016
O SISTEMA BRAILE E SUA HISTÓRIA
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processo de escrita manual em braile
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máquina de escrever em braile
alfabeto em braile
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leitura em braile

 

Braile é um processo de escrita utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. O sistema é baseado em 64 símbolos em relevo, resultantes da combinação de até seis pontos dispostos em duas colunas de três pontos cada. Os símbolos podem representar tanto letras, como algarismos e sinais de pontuação, e a leitura é feita da esquerda para a direita, com uma ou duas mãos ao mesmo tempo.

O nome braile deve-se ao autor do sistema, o francês Louis Braille (1809 - 1852), que perdeu a visão aos 3 anos, ao ter o olho perfurado por uma ferramenta na oficina do pai. 
Ainda jovem estudante, ele conheceu a Sonografia, um código militar desenvolvido por Charles Barbier, oficial do exército francês, que consistia em um sistema de comunicação noturna entre oficiais nas campanhas de guerra.  O invento não surtiu efeito para o que se propunha, de modo que Barbier tentou implementá-lo para as pessoas cegas do Instituto Real dos Jovens Cegos.

A partir da invenção do sistema, em 1825, Braille desenvolveu estudos que resultaram, em 1837, na proposta da estrutura básica do sistema, ainda hoje utilizada mundialmente. Houve algumas resistências, sugestões de aperfeiçoamento ou desenvolvimento de outros sistemas de leitura e escrita pra cegos, mas seu sistema, pela eficiência e vasta aplicabilidade, impôs-se definitivamente como meio de leitura e de escrita.

Em 1878, um congresso internacional realizado em Paris, com a participação de onze países europeus e dos Estados Unidos, estabeleceu que o sistema braile deveria ser adotado de forma padronizada, para uso na literatura, exatamente de acordo com a estrutura apresentada por Louis Braille, em 1837, bem como com os símbolos fundamentais para as notações musicais e matemáticas (símbolos fundamentais para os algarismos, bem como as convenções para a Aritmética e Geometria).

DIVERGÊNCIAS

Nem sempre, porém, essa simbologia fundamental foi adotada nos países que vieram a utilizá-lo. Há diferenças regionais e locais, de modo que ainda hoje prevalecem diversos códigos para a Matemática e as Ciências, em todo o mundo. Com apoio da UNESCO, o Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos, criado em 1952 (hoje União Mundial dos Cegos), passou a tratar dessa divergência até que, na década de 1970, a Organização Nacional de Cegos da Espanha (ONCE) desenvolveu estudos para propor um código unificado, que denominou "Notación Universal".

Em termos mundiais, a unificação dos códigos matemáticos e científicos ainda não alcançou êxito mas a unificação da simbologia matemática para os países de língua castelhana foi acordada em 1987, na cidade de Montevidéu, durante uma reunião de representantes de imprensas braile desses países.

O BRAILE NO BRASIL

O Brasil conhece o sistema desde 1854, data da inauguração do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, chamado, à época, Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Fundado por D. Pedro II, o Instituto já tinha como missão a educação e profissionalização de pessoas com deficiência visual. "O Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar o sistema, trazido por José Álvares de Azevedo, jovem cego que teve contato com o braile em Paris", conta a pedagoga Maria Cristina Nassif, especialista no ensino para deficiente visual da Fundação Dorina Nowill.

Diferentemente de alguns países, o sistema braile teve plena aceitação no Brasil, utilizando-se praticamente toda a simbologia usada na França (com algumas poucas adaptações, para atender a reformas ortográficas e também com a adoção da tabela Taylor de sinais matemáticos). O Brasil também passou a adotar, na íntegra, o código internacional de musicografia braile de 1929, e o Código Matemático Unificado para a Língua Castelhana, com as necessárias adaptações à realidade brasileira, em 1994.

A atuação profissional de pessoas cegas no campo da Informática, a partir da década de 70, fez com que surgissem outras formas de representação em braile até que, em 1994, foi adotada uma tabela unificada para a Informática.

O braile hoje já está difundido pelo mundo todo e, segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil"  (2008, Instituto Pró-Livro), 400 mil pessoas leem braile no Brasil. Não é possível, segundo o Instituto Dorina Nowill, calcular em porcentagem o que esses leitores representam em relação à quantidade total de deficientes visuais no país. Isso porque o censo do ano 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que há aqui 169 mil pessoas cegas e 2,5 milhões de pessoas com baixa visão. No entanto, este último grupo é muito heterogêneo - há aqueles que enxergam apenas 1% e, portanto, poderiam ler apenas em braille, e também pessoas que enxergam 30% e podem também utilizar livros com letras maiores.

A falta de informação é ainda o principal problema que se percebe em relação ao braile. "Muitos professores acham que é simples ensinar a linguagem a um aluno cego, no entanto a alfabetização com esse sistema tem suas especificidades, e o professor, para realizar tal tarefa com êxito, tem de buscar ajuda", explica a especialista Maria Cristina.
Hoje institutos como o Benjamin Constant, o Dorina Nowill, Lara Mara e muitos outros pelo país oferecem programas de capacitação em braile e dispõem de vasto material sobre o assunto.

Como ação afirmativa para a inclusão dos deficientes visuais na sociedade, a Universidade de São Paulo desenvolveu o Braille Virtual, com o qual pessoas que veem poderão rapidamente aprender o sistema e estabelecer uma comunicação completa com os deficientes visuais. Veja o método
http://www.braillevirtual.fe.usp.br/pt/


Referências
http://www.afb.org/info/living-with-vision-loss/braille/what-is-braille/123
http://laramara.org.br
http://www.fundacaodorina.org.br/deficiencia-visual/
http://novaescola.org.br/conteudo/270/deficiencia-visual-inclusao
http://novaescola.org.br/conteudo/397/como-funciona-sistema-braille
http://www.ibc.gov.br/?itemid=10235

14
agosto
2016
As mulheres nas Olimpíadas
postado sob cultura, esporte, história
foto: divulgação
Rafaela Silva vence a final e leva a medalha de ouro no Judô, na Olimpíada Rio 2016

 

Se hoje, na Olimpíada Rio 2016, estão tendo bastante destaque e representam aproximadamente 45% dos atletas, as mulheres lutaram muito para chegar  a essa posição, enfrentando dificuldades - até hoje, inclusive - no mercado de trabalho convencional: a inclusão das mulheres nos Jogos Olímpicos foi uma conquista gradual, resultado de seu novo posicionamento na nova sociedade industrializada da segunda metade do século 19 e do decorrer do século 20. 

Os Jogos Olímpicos da Antiguidade 

Na Grécia Antiga, em Atenas, as mulheres tinham que andar cobertas dos pés à cabeça para não serem vistas, e não podiam participar de competições esportivas para não exporem seu corpo que, acreditava-se, devia ser reservado para a maternidade. Porém, na mesma época, os Jogos da Deusa Hera, cujos primeiros registros datam de 200 a.C. incluíam  atletas jovens e solteiras em competições a cada quatro anos, mas não conferiam a elas o status de heroínas, porque essas competições eram mais simples, não exigindo o mesmo preparo físico que os atletas masculinos, portanto elas não preencheriam os requisitos dos heróis olímpicos pelo tamanho corporal, força física, habilidades e técnicas.

O primeiro registro dos Jogos Olímpicos da Antiguidade – que eram em honra a Zeus - data de 776 a.C. Somente homens podiam competir, e as mulheres casadas eram terminantemente proibidas até mesmo de assistir, já algumas solteiras, em busca de marido, podiam ser espectadoras. 
Por outro lado, existe a hipótese de que a proibição da presença passivo-ativa feminina nas chamadas Panaceias (primeiros eventos esportivos do planeta, eram organizados a cada quatro anos para que os competidores se reunissem e celebrassem os Deuses) tivesse perfil político: para os gregos, apenas os cidadãos tinham direito à vida pública - como participar de eventos esportivos ou assistir a eles - e, para ser um cidadão grego era necessário, entre outros quesitos, guerrear; como as mulheres não desempenhavam essa função, sua participação aos jogos era vetada, restando-lhes naquela sociedade o direito de serem mães.


Já em Esparta, a vida era diferente da vida de Atenas: homens e mulheres recebiam a mesma educação. E esse modelo conferiu às espartanas características distintas: eram audazes, realizadoras, mais autoritárias e independentes, ou seja, qualidades necessárias para mulheres que permaneciam longos períodos sem a presença do marido, que precisava se dedicar ao exército.É interessante observar que as primeiras mulheres atletas vieram de Esparta, particularmente porque os espartanos acreditavam que as mulheres que eram saudáveis tinham condicionamento físico e se exercitavam regularmente teriam filhos saudáveis.


Participação das mulheres nos Jogos Olímpicos e Jogos Heranos
A primeira mulher que triunfou nos Jogos Olímpicos antigos foi a princesa espartana Kyniska. Ela não competiu, mas era a criadora dos cavalos de raça que foram vencedores nos Jogos de 396 a.C. e de 392 a.C.


Os Jogos Olímpicos da Antiguidade duraram 12 séculos, até serem abolidos, em 393, pelo imperador romano cristão Teodósio II, devido ao mau relacionamento entre gregos e romanos, à brutalidade e corrupção que reinava durante os Jogos, mas também porque ele acreditava que tais festivais eram pagãos. Alguns anos mais tarde, o estádio de Olímpia, onde aconteciam as competições, foi arrasado e os campos olímpicos destruídos. 

O Renascimento dos Jogos: tradição mantida 

Durante a Idade Média, os eventos públicos ainda eram apenas para os homens, porém as mulheres participavam de jogos com bolas. A partir do século XII, época do Feudalismo marcada pelas Cruzadas promovidas pela Igreja Católica, a mulher nobre desenvolveu várias habilidades como ler, escrever, caçar com falcões, jogar xadrez, contar estórias, responder questões com sagacidade, cantar, tocar instrumentos e dançar, apesar de ainda subjugada pelo marido ou, quando solteira, pelo parente homem próximo. Todas elas, nobres ou não, eram excluídas das atividades de lazer e esportivas.

No final do século XVIII e início do XIX, os cavalheiros ingleses levavam suas esposas para assistirem a torneios de boxe e corridas de cavalos, entre outros eventos. As mulheres praticavam boliche, cricket, bilhar, arco e flecha, jogos rudimentares de futebol e atividades na neve

As Olimpíadas ficaram desaparecidas por quase mil anos, até que alguns aficionados pelos Jogos Olímpicos da Antiguidade resolveramreavivá-las, nos séculos 18 e 19, em vários países europeus. Alguns desses empreendimentos foram bem sucedidos, outros não. 

Os Jogos Olímpicos da Modernidade

Em 1881, Ernst Curtius, um arqueólogo alemão que dirigia um grupo de pesquisa, descobriu as ruínas do estádio de Olímpia. Essa descoberta foi um dos fatores que evocaram no barão Pierre de Coubertin um interesse especial nos Festivais Olímpicos do passado, a ponto de, em 1892, ele propor um festival esportivo internacional que foi inicialmente mal recebido. 

Depois de anos defendendo essa ideia, em 1894, falando na Sorbonne, em Paris, num encontro com representantes de nove países, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, ele argumentou e propôs o renascimento dos Jogos Olímpicos numa escala internacional. Com a aprovação dos ouvintes, ele fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI) para organizar os Jogos Olímpicos e elaborar as regras para os eventos . 

A primeira Olimpíada moderna ocorre em Atenas, em 1896, por decisão de Coubertin, e vetou-se a participação feminina. Mas a grega Stamata Revithi desrespeitou a decisão e decidiu correr o percurso de 42 km da maratona, um dia depois da prova oficial masculina. Terminou quatro horas e meia depois da largada e este ato provocou o início da inserção feminina nos Jogos Olímpicos. 

Como consequência, as mulheres começaram a marcar presença olímpica oficialmente em Paris-1900, mesmo contra a vontade do Barão de Coubertin e ainda com pouca expressão numérica: Eram 22 mulheres e 997 homens, competindo em cinco esportes - tênis, vela, críquete, hipismo e golfe. A tenista britânica Charlotte Cooper deixou a sua marca, ao ganhar, nesta edição, o primeiro ouro olímpico feminino da história.
Elas usavam vestido com anáguas, meias com cinta-liga e chapéus, para competir no tênis, no golfe e no críquete, esportes liberados por serem mais bonitos e não exigirem contato físico.

Na edição seguinte, 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos, o número de mulheres diminuiria bastante: apenas 6 para 645 homens. Nos anos seguintes, 1908 e 1912, a média de mulheres aumentaria novamente: pouco mais de 30, 40 participantes para uma média de 2 mil homens. 

Os Jogos Olímpicos ficaram suspensos por oito anos devido à I Guerra Mundial. Em 1920, as Olimpíadas de Antuérpia, na Bélgica, marcaram o retorno dos Jogos e também a estreia do Brasil, mas ainda sem representantes femininas brasileiras. 
Nosso país teve sua primeira participação em 1920, mas apenas em 1932 uma mulher, a nadadora Maria Lenk, comporia sua delegação. Ela representou não apenas a primeira mulher brasileira, mas a primeira mulher sul-americana a participar de uma Olimpíada. Maria Lenk não conseguiu medalhas, mas sua participação em várias edições do evento foi memorável, e nas preparações para as Olimpíadas de 1940 quebraria recordes mundiais. Infelizmente, em razão da II Guerra Mundial, as Olimpíadas de 1940 foram canceladas.  

O patrocínio sempre foi um fator decisivo para a participação da mulher atleta nos Jogos Olímpicos e as mulheres tiveram dificuldades até ganhar credibilidade e romper a barreira machista dos comitês locais e de patrocinadores. As viagens eram proibitivas para as mulheres antes de conquistar patrocinadores, uma vez que, mesmo quando tinham um trabalho fora de casa, ganhavam menos do que os homens, não podendo arcar com as viagens.  A expressividade de sua participação ocorreu, enfim, apenas a partir da década de 80. 
A primeira medalha feminina só veio para o Brasil em Atlanta -1996, quando foi introduzido a categoria vôlei de praia. Jaqueline Silva e Sandra Pires ganharam a medalha de ouro, numa final inédita entre duplas brasileiras. E foi apenas em 2008 que veio a primeira medalha de ouro feminina em prova individual, conquistada por Maureen Maggi, no salto em distância. 

No século XXI, nota-se que as mulheres têm participação muito próxima da masculina nos Jogos Olímpicos, rompendo longo processo de discriminação pelos homens. A grande diferença porcentual entre atletas masculinos e femininos foi reduzida neste século, como resultado da evolução social, e hoje elas representam quase a metade do número total de atletas nas competições, obtendo resultados importantíssimos e ganhando respeitabilidade.


Veja os dez momentos inesquecíveis protagonizados pelas mulheres nos Jogos Olímpicos  (por rio2016.com)

1.  As mulheres participaram pela primeira vez dos Jogos em Paris - 1900, quatro anos depois dos homens, com 22 atletas competindo em cinco esportes: tênis, vela, críquete, hipismo e golfe. A tenista britânica Charlotte Cooper deixou a sua marca ao ganhar, nesta edição, o primeiro ouro olímpico feminino da História

Charlotte Cooper (Foto: COI)

 

2.  Em Tóquio -1964, a ginasta ucraniana Larisa Latynina subiu pela 18ª vez ao pódio - marca que lhe rende, até hoje, o título de maior medalhista olímpica entre as mulheres. Foram nove ouros no total.

Larisa Latynina, ao centro (Foto: COI)

 

3.  Nos Jogos Cidade do México - 1968, foi a vez de a velocista mexicana Enriqueta Basilio fazer história como a primeira mulher a acender a pira olímpica, na cerimônia de abertura dos Jogos.

Enriqueta Basilio (Foto: COI)

 

4. O hipismo é o único esporte olímpico em que as mulheres competem diretamente com os homens por medalhas. Em Munique - 1972, a alemã Liselott Linsenhoff tornou-se a primeira mulher a vencer uma prova contra os homens, na competição de adestramento.

Liselott Linsenhoff , à direita (Foto: COI)

 

5. Aos 14 anos, a romena Nadia Comaneci alcançou uma conquista inédita nos Jogos Montreal – 1976: a primeira apresentação perfeita de ginástica artística, recebendo nota 10 de todos os jurados nas barras assimétricas. O feito foi tão surpreendente, que o placar não estava preparado para exibir todos os dígitos da nota - no lugar de 10,00, apareceu 1,00.

Nadia Comaneci (Foto: Getty Images)

 

6.  Em Los Angeles - 1984, a marroquina Nawal El Moutawakel tornou-se a primeira mulher africana e muçulmana campeã olímpica da História, após vencer a prova dos 400m com barreiras. Para homenageá-la, o rei do Marrocos decretou que todas as meninas nascidas naquela data seriam batizadas com seu nome. Atualmente, Nawal é presidente da Comissão de Coordenação do COI para os Jogos Rio - 2016.

Nawal El Moutawakel (Foto: Getty Images/ Tony Duffy)

 

7.  No mesmo ano, a arqueira neozelandesa Neroli Fairhall ficou mundialmente conhecida como a primeira atleta paraplégica a participar dos Jogos Olímpicos.

Neroli Fairhall (Foto: COI)

 

8. Já para o Brasil, a primeira medalha olímpica feminina veio em forma de dobradinha nos Jogos Atlanta – 1996: Sandra Pires e Jacqueline Silva subiram ao topo do pódio após vencer a final contra outra dupla brasileira - Mônica Rodrigues e Adriana Samuel - no vôlei de praia, garantindo-se, assim, ouro e prata para o país. 

Sandra Pires e Jaqueline Silva (Foto: Getty Images/Doug Pensinger)

 

9. As mulheres estrearam nos ringues de boxe, em Londres - 2012, quando a britânica Nicola Adams tornou-se a primeira campeã olímpica do esporte, ao vencer a chinesa Ren Cancan na final da categoria até 51 kg. Ganhou status de heroína nacional.

Nicola Adams, à esquerda (Foto: Getty Images / Scott Heavey)

 

10. Também em Londres - 2012, uma chinesa de 16 anos roubou a cena na natação. Além de quebrar o recorde mundial nos 400m medley feminino, Ye Shiwen surpreendeu o mundo ao nadar os 50 metros finais mais rápido que o astro norte-americano Ryan Lochte, campeão na mesma prova. Foram 17 centésimos de diferença.

Ye Shiwen, à direita (Foto: Getty Images/Clive Rose)
21
julho
2016
Transformando o Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável
os 5 Ps da agenda que vigora até 2030
A nova agenda acordada pelos países da ONU
Os 8 objetivos do milênio, acordados em 2.000, agenda para vigorar até 2015

Em 2000, 119 países integrantes da ONU (Organização das Nações Unidas) assinaram um documento que consolidou várias metas estabelecidas nas conferências mundiais ocorridas ao longo de anos 90.  Os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – que deviam ser adotados pelos estados-membros das Nações Unidas, com a meta de alcançá-los até 2015, focavam em 8 questões:
1. Erradicar a extrema pobreza e a fome
2. Atingir o ensino básico universal
3. Igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
4. Reduzir a mortalidade na infância
5. Melhorar a saúde materna
6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
7. Garantir a sustentabilidade ambiental
8. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

Construídas sobre o legado dos ODM e concluindo que estes não foram alcançados, a ONU estabeleceu agora uma agenda universal com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas. Concluídas em agosto de 2015, as negociações culminaram na adoção, em setembro, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por ocasião da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Processo iniciado em 2013, seguindo mandato emanado da Conferência Rio+20, os ODS deverão orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos, sucedendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Brasil participou de todas as sessões da negociação intergovernamental. 

Os objetivos buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres. São integrados e indivisível e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
Estimularão a ação para os próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta:

Pessoas
Acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável.

Planeta
Proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras.

Prosperidade
Assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza.

Paz
Promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável.

Parceria
Mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países, todas as partes interessadas e todas as pessoas.

Os 17 itens objetivos são:
1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos
7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos
8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos
9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos
14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável
15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade
16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis
17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

Para conhecer mais sobre o assunto, acesse o documento final da agenda pós-2015 ou acesse no formato PDF em português.

Para esclarecer e amplificar a ação de alcance das metas, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento) elaborou uma cartilha que pode ser acessada aqui: http://www.pnud.org.br/Docs/FAQ.pdf


Referências
http://itaca.com.br/noticias/post/1128
http://www.pnud.org.br/ODS.aspx
http://www.objetivosdomilenio.org.br
https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

21
junho
2016
Origem da Festa Junina
postado sob cultura, história
no nordeste do Brasil, as festas juninas são muito grandes.

No hemisfério norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 ou 22 de junho no hemisfério Norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas e os egípcios, aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas. "Na Europa, os cultos à fertilidade em junho foram reproduzidos até por volta do século 10. Como a igreja não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês", diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que, quando São João nascesse, acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida.

Ainda hoje a fogueira é o traço comum que une todas as festas juninas europeias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França) e as celebrações ainda são centradas no dia do solstício do verão astronômico. Alguns optam por realizar o rito em 21 de junho, mesmo quando este não é o dia mais longo do ano, e alguns comemoram em 24 de junho, o dia do solstício, no tempo dos romanos. Os antigos romanos também realizavam um festival em honra do deus Summanus, em 20 de junho. 

Essas festas foram convertidas em festividades cristãs, passaram a homenagear os três santos católicos - São João, São Pedro e Santo Antônio - e foram trazidas para o Brasil pelos portugueses, durante o período colonial.
As festas juninas brasileiras são, hoje em dia, multiculturais, apesar de sua origem cristã. A música e os instrumentos usados (cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco etc.) estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos ao Brasil pelos povoadores e imigrantes.

As roupas caipiras são uma clara referência à população rural que povoou principalmente o nordeste do Brasil e pode-se encontrar semelhanças no modo de vestir caipira no Brasil e em Portugal. As decorações que enfeitam os arraiais também se originam em Portugal, junto com as novidades trazidas da Ásia pelos portugueses na época dos descobrimentos, tais como enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora, provenientes da China. Embora os balões tenham sido proibidos no Brasil, para evitar perigosos incêndios todos os anos nesse período, ainda são usados em algumas localidades de Portugal. Acredita-se que da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas.  Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  
 
Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.  
 
Festas Juninas no Nordeste 
 
Comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer pelas chuvas, raras na região, que servem para manter a agricultura.
 
As festas representam também um importante momento econômico, quando muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos nessa época.
 
Comidas típicas 

Como o mês de junho é a época da colheita do milho no hemisfério Sul, grande parte dos doces, bolos e salgados relacionados às festas juninas são feitos de milho, como pamonha, curau de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho. 
 
Outras comidas típicas das festas juninas são o arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bom-bocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

Principais tradições 
 
Além das fogueiras, da dança de quadrilhas, enfeites e comidas típicas, no Nordeste ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros, que andam e cantam pelas ruas das cidades, passando pelas casas, em cujas janelas os moradores deixam comidas e bebidas para eles.
 
Na região Sudeste é comum a realização de quermesses - festas populares realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas, com barraquinhas de comidas típicas e jogos. 
 
Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são também comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta do alimento. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem também comer desse pão.

Referências:
http://www.suapesquisa.com/musicacultura/historia_festa_junina.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_junina
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surgiram-as-festas-juninas
 

14
junho
2016
Um instituto de línguas indígenas do Brasil

A língua é um fator importante para a cultura e a história de um povo, constituindo sua identidade  e sendo o meio básico de organização da experiência, do conhecimento e da preservação da memória desse povo. 
Reconhecendo-se essa importância e na intenção de preservar e divulgar línguas ameaçadas de desaparecer, em 7 de março de 2013, por iniciativa de professores da Universidade de Brasília (UnB), foi criado o primeiro instituto de línguas indígenas do Brasil, chamado de Aryon Dall’Igna Rodrigues, em homenagem ao linguista paranaense e professor da UnB, falecido em 2014. Na abertura do instituto, Mauro, da etnia guarani, apresentou sua tese de mestrado, um estudo da própria língua (veja vídeo).

Segundo a professora Dra. Rosângela Corrêa, da Faculdade de Educação da UnB, o censo do IBGE realizado em 2010, apontou que a população brasileira soma 190.755.799 milhões de pessoas, sendo que 817.963 mil são indígenas, de 305 diferentes etnias. Foram registradas no país, pelo mesmo censo, 274 línguas indígenas, sendo que estima-se que, na época do descobrimento do Brasil, havia 1.300 línguas indígenas diferentes. Portanto, cerca de mil delas se perderam por diversos motivos, entre os quais a morte de tribos inteiras, em decorrência de epidemias, extermínio, escravização, falta de condições para sobrevivência e aculturação forçada.

O número de línguas indígenas ainda faladas é um pouco menor do que o de etnias, porque mais de vinte desses povos agora falam só o português, alguns passaram a falar a língua de um povo indígena vizinho e dois, no Amapá, falam o crioulo francês da Guiana. A distribuição é desigual, algumas dessas línguas são faladas por cerca de 20 mil pessoas e outras o são por menos de 20.

O tupi foi a única língua estudada nos primeiros trezentos anos de colonização. O objetivo básico dos missionários era aprendê-la e estudá-la para se comunicar com os índios e promover a catequese religiosa. O Padre José de Anchieta publicou, em 1595, uma gramática tupi. Há também estudos sobre a língua elaborados por viajantes estrangeiros, destacando-se entre eles o francês Jean de Léry.

Assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias língüísticas, e estas por sua vez fazem parte de grupos ainda maiores, classificadas como troncos lingüísticos. Os troncos com maior número de línguas são o macro-tupi e o macro-jê.

Há, também, línguas que não puderam ser incluídas pelos linguistas em nenhuma das famílias conhecidas, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como as  faladas pelos índios tikúna, trumái e irântxe/munku, trumái, máku, aikaná, Arikapú, jabutí, kanoê e koaiá ou kwazá. 

Algumas línguas indígenas se subdividem em vários dialetos, como por exemplo, os falados pelos krikatí, ramkokamekrá, pükobyê, apaniekrá (Maranhão), apinayé, krahó e gavião (Pará), todos pertencentes à língua timbira.

Constituiu-se, ainda, em quase toda a Colônia, o Nheengatu (uma espécie de derivação do Tupi, também conhecida como Língua Geral ou Língua Geral do Sul), de uso massivo por indígenas e europeus ( em fins do século XVIII, seu uso foi proibido em todo o território, por ordem do primeiro-ministro português Marquês de Pombal. Obrigou-se aí ao uso exclusivo do Português).

Houve, a partir da década de 1980, um grande desenvolvimento no estudo da linguística indígena, com um maior engajamento de estudiosos do assunto, a formação de especialistas, esses últimos também envolvidos com programas para formar professores indígenas. 

A iniciativa de criação do instituto Aryon Dall’Igna Rodrigues representa uma etapa importante de afirmação de identidade para vários povos.

Referências
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/brasil-ja-teve-mais-mil-linguas-434589.shtml
https://educezimbra.wordpress.com/2016/04/09/unb-cria-o-primeiro-instituto-de-linguas-indigenas-do-brasil/
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=832:linguas-indigenas-no-brasil&catid=47:letra-l

1
maio
2016
Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador?

No Brasil e em vários países do mundo, o 1º de maio é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios. Mas como isso começou?
 
Nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos, no final do século XVIII e durante o século XIX, salários baixos associados a jornadas de trabalho de até 17 horas eram comuns. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos. 
 
Com essas primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. No dia 1º de maio de de 1886, na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos), milhares de trabalhadores organizados foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas e exigir a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.
 
No mesmo dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e, até mesmo, mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. 
 
Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes, fato que gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. 
Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. 
 
Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para, assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional.
 
Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que essa data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes.
Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas (1930-1945), as principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nessa data. Atualmente, inúmeros países adotam o dia 1° de maio como o Dia do Trabalho, sendo considerado feriado em muitos deles, mas curiosamente não nos EUA, país onde sucederam os acontecimentos que o inspiraram.
 
Como é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história, muitos alegam que não deveria chamar-se Dia do Trabalho e sim Dia do Trabalhador.
 
 
Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:
 Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo, que deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer)
Em 1º de maio de 1941, foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas especificamente às relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.
 


 Referências:

http://www.vermelho.org.br/1demaio/noticia.php?id_noticia=152845&id_secao=292
http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_do_trabalho.htm
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-do-trabalho.htm
 

 

Bibliografia indicada:

• Os sentidos do trabalho
Autor: Antunes, Ricardo
Editora: Boitempo

• Da divisão do trabalho social
Autor: Durkheim, Émile
Editora: WMF Martins Fontes

22
abril
2016
PESSACH - Páscoa
postado sob cultura, história

(baseado em texto de Jean-Yves Leloup*)

Pessach, correspondente judaico à Pácoa cristã, é a festa da liberdade.  Começa ao pôr do sol desta sexta-feira, 22 de abril, e termina ao anoitecer de sábado, 30 de abril.

Pessah, em hebraico, quer dizer passagem. A passagem, no rio, de uma margem à outra, a passagem de um pensamento a outro, a passagem de um estado de consciência a outro. A passagem de um modo de vida a um outro modo de vida. 

A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói o própria casa sobre uma ponte. Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio – a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino – e fazer a ponte entre essas nossas diferentes partes, entendendo que estamos de passagem.

Lembrando do caráter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas as coisas, a Páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna.

É a passagem da escravidão para a liberdade, simbolizada pela migração dos hebreus, do Egito para a terra prometida.

Veja também nossa publicação em anos anteriores:
http://itaca.com.br/noticias/post/1859

 

* Jean-Yves Leloup é um escritor, teólogo e padre ortodoxo francês. Doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, aborda nos seus livros, conferências e seminários um aprofundamento dos textos sagrados, assim como uma abordagem e uma reflexão sobre a espiritualidade no cotidiano.

Perito em conferências, um dos mais solicitados no continente europeu, divulga por todos os recantos do Planeta suas idéias claramente holísticas. Ele é inclusive presidente da Universidade Holística Internacional de Paris, bem como orientador do Colégio Internacional dos Terapeutas. Leloup é considerado um dos filósofos mais consagrados dos nossos dias. Ele visita freqüentemente o Brasil, geralmente durante eventos produzidos pela Universidade da Paz – Unipaz.

12
abril
2016
Os mosaicos de Zeugma
localização da cidade de Zeugma

Três novos mosaicos foram descobertos na antiga cidade grega de Zeugma, localizada às margens do Rio Eufrates, na atual província de Gaziantep, sul da Turquia, segundo anunciou, no início do mês de novembro de 2015, Kutalmýþ Görkay, diretor do projeto de escavações e professor da Universidade de Ancara.

E, apesar de esses mosaicos datarem de aproximadamente 200 a.C., estão em ótimo estado de conservação.

A cidade grega, que se chamava Seleuceia, foi fundada por Seleucus, à beira do rio Eufrates, em aproximadamente 300 a.C.,  juntamente com a cidade de Apamea, na outra margem (esta em homenagem à sua esposa persa). Seleuceia tornou-se o principal ponto de cruzamento entre as 2 margens do rio, ligando a Anatólia à Mesopotâmia. Pela sua posição estratégica, tornou-se, ainda, centro da legião romana e importante cidade de fronteira entre Ocidente e Oriente. Supõe-se que foi cena de frequentes encontros interculturais, pelo que se encontrou em suas escavações. 

Mais tarde, no século 64 a.C., o Império Romano conquistou a região e renomeou a cidade como Zeugma, que significa “ponte”, em grego antigo.  Os romanos ocuparam Zeugma até 253 d.C., quando esta caiu em decadência, após ser saqueada e tomada pelo Império Sassânida, persa.

O sítio arqueológico, hoje território da Turquia, foi descoberto em 1970 pelo alemão Jorg Wagner, e as escavações começaram a tomar corpo, sob os auspícios do Ministério da Cultura da Turquia, nas décadas de 1980/90.

Mas foi apenas em 2.000, com a construção da barragem de Birecik, que inundaria grande parte da cidade antiga, que apelos internacionais levaram à mobilização do governo turco para um projeto arqueológico emergencial que pudesse salvar e restaurar parte da história da cidade: as escavações revelaram um conjunto de 2.000 a 3.000 casas bem conservadas.

Com recursos do Ministério da Cultura e da Packard Humanities Institute, uma equipe italiana de 100 arqueólogos e 25 restauradores trabalharam exaustivamente, sob temperaturas elevadas, retirando mosaicos e afrescos que foram transferidos para o Gaziantep Museum.  Na impossibilidade de retirar todos os mosaicos, alguns deles foram protegidos com camadas de argila e outros materiais semelhantes aos utilizados na época de sua construção, depois cobertos de areia, para continuarem conservados após o alagamento provocado pela barragem.

A partir de 2005, as escavações de Zeugma e a coordenação das pesquisas ficaram a cargo do Prof. Kutalmış Görkay, da Universidade de Ankara, Departamento de Arqueologia.

O professor Kutalmış revela o caráter dos mosaicos encontrados: “Eles eram um produto da imaginação do seu dono. Não eram simplesmente ‘escolhidos a partir de um catálogo’”, explica. “Eles pensavam em cenas específicas, a fim de criar uma impressão específica. Por exemplo, se você tivesse um nível intelectual para discutir literatura, então você podia selecionar uma cena como a das três musas”.

Veja alguns dos links abaixo, que permitem aprofundar sobre o assunto, além de acompanhar alguns lindos procedimentos de restauro.

http://zeugmaarchproject.com/index.php/english/zeugma

https://dailymedia.info/stunning-2200-year-old-mosaics-discovered-ancient-greek-city-2/

http://paleonerd.com.br/2015/07/19/mosaicos-romanos-encontrados-em-zeugma-turquia/

https://dailymedia.info/stunning-2200-year-old-mosaics-discovered-ancient-greek-city-2/

http://hypescience.com/mosaicos-de-2-000-anos-de-idade-sao-descobertos-na-turquia-antes-de-serem-perdidos-em-inundacao/

7
março
2016
Há controvérsias sobre a origem da data
Enterro coletivo de vítimas do incêndio na fábrica norte americana
Manifestante sufragista (a favor do voto das mulheres) nos EUA
Passeata dos cem mil. As mulheres tiveram um papel importante no combate à ditadura
Desenho de Raul Pederneiras de 1914 retrata o movimento sufragista, por meio do qual as mulheres brasileiras reivindicavam o direito de votar
Protesto em NY

A distribuição de bombons e flores em comemoração ao Dia da Mulher pode ofender muitas mulheres. Afinal, o 8 de março seria o resultado de uma luta por melhores condições de trabalho. 

Em 1911, ocorreu um episódio conhecido como a consagração do Dia da Mulher: em 25 de março, um incêndio teve início na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. A fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos de tecido, de forma que o incêndio se alastrou rapidamente. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores conseguiu escapar, mas 146 morreram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas. Mais de 100 mil pessoas participaram do funeral coletivo. 

Esse foi mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

Na época, nos países desenvolvidos, as fábricas estavam cheias de homens, mulheres e crianças e o movimento operário reagia à exploração desenfreada organizando protestos pelo fim do emprego infantil e por melhoria de remuneração. A igualdade de gênero, porém, nunca era uma reivindicação, apesar de as mulheres não receberem o mesmo salário que os homens e sua renda ser vista como complementar à do marido ou pai. É nesse contexto de manifestação sindical e feminista que surge o Dia Internacional da Mulher. Os Estados Unidos também foram um dos palcos dessa luta, desde meados do século XIX, quando os operários organizavam greves para pressionar os proprietários das indústrias, principalmente as têxteis. 

O primeiro Dia da Mulher comemorado nos EUA foi em 3 de maio de 1908, quando “1.500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade econômica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras” (jornal The Socialist Woman). No ano seguinte, a data foi oficializada pelo partido socialista e comemorada em 28 de fevereiro. 

De fato, o Dia Internacional da Mulher já havia sido proposto em 1910, um ano antes do incêndio, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca. Clara Zetkin, militante e intelectual alemã, apresentou uma resolução para que se criasse uma “jornada especial, uma comemoração anual de mulheres”. A inspiração nas trabalhadoras do outro lado do Atlântico é explícita: para Clara, elas deveriam “seguir o exemplo das companheiras americanas”.

ORIGEM REVOLUCIONÁRIA 

Sem data definida, mobilizações anuais pelos direitos das mulheres prosseguiram em meses distintos, em diversos países. Em 8 de março de 1917, uma ação política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam na revolução de fevereiro. O líder Leon Trotsky registrou assim esse evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este 'dia das mulheres' viria a inaugurar a revolução”. 

Com as duas guerras mundiais que se seguiram, o Dia da Mulher ficou em segundo plano. Foi apenas na década de 60 que o movimento feminista retomou com força as comemorações, em meio a leituras de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e à fogueira de sutiãs nos Estados Unidos. 

A LUTA NOS TRÓPICOS 

No Brasil, nesse mesmo período, a direita e a esquerda viviam tensões no cenário político e manifestações como a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, com propostas absolutamente opostas às das feministas, que pregavam a legalização do aborto: a Marcha precipitaria o golpe militar de 1964 e dificultou a ascensão das organizações de mulheres. 

Mas o Brasil também tinha uma história de luta das mulheres similar à européia e à americana. No início do século XX, as mulheres e crianças constituíam quase 75% dos operários têxteis. Além de péssimas condições de higiene e longas jornadas de trabalho, elas sofriam com o assédio constante de seus patrões e também tentavam se organizar. Em 1906, o jornal anarquista A Terra Livre divulgou um texto de três costureiras que criticavam a não-adesão da categoria à greve operária: “Companheiras! É necessário que nos recusemos a trabalhar também de noite porque isso é vergonhoso e desumano. Como se pode ler um livro quando se vai para o trabalho às 7 da manhã e se volta para casa às 11 da noite?”, dizia. Essas passagens, ligadas principalmente às anarquistas, ainda são pouco conhecidas em nossa trajetória. A vertente que ganhou mais notoriedade no feminismo brasileiro foi a das sufragistas, que lutaram pelo direito a voto. Fundadoras do Partido Republicano Feminino, essas mulheres da elite nacional conseguiram sua reivindicação na Constituição de 1932, promulgada por Getúlio Vargas.

Resultado de todo esse processo, em 1975 comemorou-se o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, a ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Fruto de décadas de batalhas e séculos de opressão, a data que lembra a necessária igualdade entre homens e mulheres foi mundialmente – e finalmente – assegurada.

Referências
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_imprimir.html
http://www.brasildefato.com.br/node/34242
http://www.cfemea.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1375:a-mulher-e-o-direito-constitucional-direitos-e-garantias-fundamentais&catid=148:direito-constitucional&Itemid=127

 

4
dezembro
2015
3º ‘Festival de Direitos Humanos’ tem programação extensa e gratuita

Entre os dias 6 e 13 de dezembro, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo realiza o 3º Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas, que conta com mais de 40 atrações entre shows, teatro, exibições de filmes, rodas de conversas, oficinas e intervenções urbanas. 

Celebrando o Dia Internacional dos Direitos Humanos, dia 10/12, e promovendo novas formas de ocupação do espaço público, música, oficinas, exposições e debates, além de prêmios, lançamentos, prestação de serviços e intervenções urbanas, que promovem novas formas de ocupação do espaço público.
Nos oito dias de programação, a população que vive em São Paulo é convidada a dialogar sobre participação social, cidadania, educação, juventude, violência, imigração, memória e outros temas importantes para a promoção de uma cidade mais humana, democrática e diversa. 

A abertura oficial do 3º Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas acontece no dia 06 de dezembro, às 15h, no Minhocão, com uma inédita partida de futebol entre refugiados e pessoas em situação de rua, seguida pela discotecagem dos DJs DanDan (Criolo/Rinha dos MCs), Marco (Céu/Sintonia) e Nyack (Emicida), finalizando com a estreia do filme “Aconteceu Bem Aqui”, do diretor Camilo Tavares, que retrata, em cinco curtas, lugares da cidade de São Paulo simbólicos na luta pela preservação da democracia e dos direitos humanos.
No dia 10 de dezembro, Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, haverá a entrega do 3º Prêmio Municipal de Educação em Direitos Humanos para escolas, alunos e professores da rede pública municipal e do Prêmio de Direitos Humanos D. Paulo Evaristo Arns, que este ano será concedido à deputada federal Luiza Erundina. O prêmio de Educação em Direitos Humanos seleciona projetos que incentivam e fortalecem iniciativas valiosas de afirmação da cultura de direitos humanos dentro das escolas municipais, enquanto o Prêmio Dom Paulo Evaristo Arns homenageia uma personalidade brasileira reconhecida pela promoção e defesa dos direitos humanos.

No encerramento da programação, dia 13, a partir das 17h, haverá o show “Cidadania nas Ruas” recebe Criolo, Ney Matogrosso, Elza Soares, Mano Brown, Pitty e Ava Rocha para apresentação na área externa do Auditório do Ibirapuera.

Veja a programação completa:
http://festivaldireitoshumanos.prefeitura.sp.gov.br


Referências:
http://festivaldireitoshumanos.prefeitura.sp.gov.br/na-midia/
http://www.elguialatino.com.br/site/2015/11/o-3o-festival-de-direitos-humanos-esta-nas-ruas-de-06-a-13-de-dezembro-com-entrada-gratuita/
https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/3o-festival-de-direitos-humanos-tem-programacao-extensa-e-gratuita/

29
outubro
2015
Uma novíssima olimpíada: Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI)
- veja como foi
postado sob cultura, esporte, história

Aconteceu, de 23 de outubro a 01 de novembro de 2015, em Palmas, capital do estado de Tocantins, a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), sob iniciativa do Ministérios dos Esportes, Agricultura, Defesa e Cultura, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, da Prefeitura de Palmas, do governo do estado do Tocantins, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 

O evento mundial foi consequência de uma versão nacional dos jogos, que vem acontecendo desde 1996, organizada por grupos de indígenas brasileiros.

Em entrevista à agência da ONU, o ministro dos Esportes, George Hilton, destacou a importância do evento para aproximar as populações indígenas do resto da sociedade brasileira.
Segundo o ministro, a realização dos JMPI é uma maneira de incluir as demandas das etnias indígenas brasileiras no contexto dos grandes eventos esportivos que o país tem sediado desde 2007. “Fechamos esse ciclo também com as comunidades indígenas por entender que, além de ser um esporte de inclusão social, tem um apelo muito forte para integrar os povos, para levantar bandeiras importantes que as comunidades indígenas têm”, afirmou. Para Hilton, os Jogos permitem dar visibilidade à situação dos povos indígenas: "o desafio é que não só o evento esportivo possa integrar essas comunidades do mundo inteiro, mas sirva também como um fórum de discussão de outras conquistas pleiteadas por essas comunidades". 
O ministro também afirmou que o governo está atento a questões de inclusão, como a presença das mulheres e deficientes físicos nas competições.

Os jogos congregaram cerca de 2,3 mil atletas indígenas de 22 etnias brasileiras e de mais 23 países, com o lema “Em 2015, somos todos indígenas”. 
Veja os países participantes:
    •    Argentina
    •    Bolívia
    •    Brasil
    •    Canadá
    •    Chile
    •    Colômbia
    •    Costa Rica
    •    Estados Unidos
    •    Etiópia
    •    Filipinas
    •    Finlândia
    •    Gambia
    •    Guatemala
    •    Guiana Francesa
    •    México
    •    Mongólia
    •    Nicarágua
    •    Nova Zelândia
    •    Panamá
    •    Paquistão
    •    Paraguai
    •    Peru
    •    Rússia
    •    Uruguai
O evento foi composto majoritariamente por esportes indígenas, e dividido em:
- jogos tradicionais, em caráter de demonstração,
- jogos nativos, de integração
- esportes ocidentais competitivos, com a proposta de promover a unificação das etnias e dos povos indígenas.

“Estamos vindo para apresentar a cultura e mostrar que somos bons nos esportes, inclusive no esporte não indígena. Hoje recebemos material esportivo e vamos treinar mais futebol e corrida. O mundo todo vai conhecer a cultura Xerente”, garantiu, na abertura do evento, o vice-coordenador esportivo da delegação para os Jogos, Silvino Sirwãwe Xerente.

Além dos indígenas das Américas, também estiveram presentes povos da Nova Zelândia, Congo, Mongólia, Rússia e Filipinas. Do Brasil, cerca de 23 etnias estavam inscritas para participar da competição. Nos primeiros três dias de evento, todas as etnias brasileiras e estrangeiras participaram de atividades como passeios pelos pontos turísticos de Palmas, como forma de ambientação e integração.

O Comitê de Acolhida às Delegações contou com o apoio de lideranças do povo Xerente, anfitrião dos JMPI. O povo Xerente vive a 70 quilômetros ao norte da cidade sede dos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), entre os rios Tocantins e do Sono. Nas aldeias que circundam o munícipio de Tocantínia, 50 atletas dessa etnia se prepararam para competir em diversas modalidades.

Não faltaram oportunidades para os participantes apresentarem suas habilidades. Os jogos de integração, com esportes tradicionais praticados pela maioria dos povos indígenas brasileiros, envolveram modalidades como arremesso de lança, arco e flecha, cabo de força, canoagem, corrida de cem metros, corrida de fundo e corrida com tora. 

Os jogos de demonstração apresentam modalidades que são particulares de cada povo, ou seja, praticados e disputados por integrantes da própria etnia. O objetivo é incentivar o resgate às práticas tradicionais.

Os JMPI são uma oportunidade única de difundir a prática de esportes entre os indígenas brasileiros e de difundir as modalidades típicas já existentes entre eles. 


Saiba mais:

http://alfarrabioteske.blogspot.com.br/2015/10/o-que-vi-ouvi-e-senti-na-abertura-dos-i.html​
http://www.jmpi2015.gov.br
https://www.facebook.com/JogosMundiaisDosPovosIndigenas/
http://nacoesunidas.org/onu-e-governo-do-brasil-reunem-etnias-de-22-paises-nos-jogos-mundiais-dos-povos-indigenas/
http://nacoesunidas.org/brasil-e-onu-lancam-a-primeira-edicao-dos-jogos-mundiais-dos-povos-indigenas/=

8
outubro
2015
OS BRINQUEDOS DO ARTISTA TORRES-GARCÍA, na Biblioteca Mario de Andrade
postado sob arte, cultura, história
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pintura de Torres-García
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pintura de Torres-García
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Inspirado tanto pela experiência com seus filhos pequenos quanto pela atividade docente na escola progressista Mont D’Or (na cidade catalã de Tarrasa) – onde ministrou aulas de desenho –, o artista uruguaio Joaquín Torres García produziu, entre 1915 e 1916, uma série de brinquedos de madeira que, anos mais tarde, durante sua estadia nos EUA, ele registraria com a marca Aladdin Toys. Compostos por peças intercambiáveis que davam à criança a possibilidade de desmontá-los e voltar a montá-los livremente, os brinquedos permitiam uma interação diferente, na qual a forma poderia ser fragmentada, usufruída e reconstruída, conferindo  dinamismo à concepção.

Agora, temos a chance de conhecer bem de perto toda essa experiência lúdica, com a mostra na Mario de Andrade. Dedicada à família, a abertura da exposição contará também com oficinas para o público infantil.
 
Sobre o artista
Joaquín Torres-García nasceu em Montevideo, Uruguay, 28 de julho de 1874, filho de mãe uruguaia e pai catalão. Considerado o pai do Construtivismo latino-americano, viveria  por cerca de 40 anos nos Estados Unidos e Europa.
 
Devido a dificuldades econômicas, ele e a família voltaram à terra natal, em junho de 1891, e Torres-García passou a estudar desenho, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Mataró, e pintura com o artista Josep Vinardell (1851-1918).  Em 1892, sua família se mudou para Barcelona, onde ele continuou estudando Artes, na Academia de Bellas Artes, e, em seguida, na Academia Baixas além de frequentar o café Els Quatre Gats, onde artistas de vanguarda, como Pablo Picasso, e intelectuais e escritores se encontravam.  Nesse período, conheceu Antoni Gaudí, com quem colaborou, de 1903 a 1907, nas obras do Templo Expiatório da Sagrada Familia e nos vitrais da Catedral de Palma de Mallorca.

Em 1918, começou a projetar brinquedos de madeira como extensão de seus ensinamentos. Esses brinquedos, que variavam de formas simples a construções complexas, foram uma introdução ao que Torres-García iria fazer em sua obra de arte construtivista. Ele continuou com os brinquedos após se mudar para New York, em 1920; em 1922 eles foram colocados em produção na Europa.
Torres-García fixou-se em Paris, em 1926, e depois de ser rejeitado no Salão de Outono de 1928, começou seus experimentos no Construtivismo.
 
Seu trabalho equilibra formas naturais e elementos plásticos, muitas vezes incorporando signos de referência das culturas indígenas da América do Sul. 
Em 1929, Torres-García conheceu Piet Mondrian (1872-1944) e, com ele e  Michel Seuphor (1901-1999), formou o movimento Cercle et Carré (Circulo e Quadrado). O grupo surgiu como alternativa artística ao Surrealismo, movimento dominante na época em Paris. O grupo se apresentou ao público, em 1930, com um jornal homônimo e uma exposição de 46 artistas construtivistas, na Galerie 23 de Paris
Torres-García deixou o grupo em 1930, depois de muitos desentendimentos com Seuphor.
Após um curto período em Madri, onde ele lecionou e deu palestras, voltou ao Uruguai em abril de 1934. Ali, fundou a Asociación de Arte Constructiva (Associação de Artistas Construtivistas) e publicou o jornal Circulo y Cuadrado, que introduziu a arte dos vanguardistas do cubismo, neoplasticismo e construtivismo aos artists de no seu país.  
Publicou inúmeros artigos de Teoria da Arte e difundiu suas ideias, convidando os artistas, em 1935, a inverterem a tradicional hierarquia, colocando a América Latina em destaque sobre a Europa, em seu texto Escuela del sur . Seu mapa invertido das Américas é um forte ícone dessas ideias.
Torres-García teve diversas exposições individuais, incluindo uma no  Museo de Arte Moderna de Madrid (1933); Musée National d'Art Moderne de Paris (1955); Museo de Bellas Artes, Caracas, Venezuela (1980 e 1997) e a Sala Torres-García na Bienal em duas Bienais de São Paulo (1959 e 1991). Torres-García morreu dia 8 de agosto de 1949, em Montevideo.
 
Serviço
Torres García – El niño aprende jugando - exposição
Biblioteca Mario de Andrade
Rua da Consolação, 94
Telefone: (11) 3775-0002
Abertura: 11/10 domingo, às 14h
Local: Sala Oval
visitação gratuita:
de 12 de outubro a 15 de dezembro de 2015
segunda a sexta das 8:30h às 20:30h
sábado das 10:00h às 17:00h
 
Referências
http://www.guggenheim.org/new-york/collections/collection-online/artists/bios/1029/Joaqu%C3%ADn%20TorresGarc%C3%ADa
http://www.ceciliadetorres.com/pdf/artbio_1.pdf
http://jtorresgarcia.com
https://www.facebook.com/BibliotecaMariodeAndrade/info?tab=page_info
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/programacao/index.php?p=12096

 

8
setembro
2015
Um novo velho tratado das cores
postado sob arte, design, história

Em 1692, um artista chamado A. Boogert dedicou-se a escrever um livro, em holandês, sobre misturas de cores em aquarela. O livro começava com algumas explicações sobre o uso da cor na pintura e se aprofundava, mostrando como obter tonalidades de cor com adição de uma, duas ou três partes de água.  Isso tudo era ilustrado com as próprias cores aquareladas.  Parece um escopo muito simples, mas o resultado é surpreendentemente detalhado e bonito. 

O livro, com o título de Traité des couleurs servant à la peinture à l’eau, tem mais de 700 páginas manuscritas e é considerado o mais provavelmente detalhado guia de cores e de pintura da época. Segundo o historiador Erik Kwabel, que descobriu a publicação em um banco de dados e traduziu parte da sua introdução, no século 17, conhecido como a época áurea da pintura holandesa, esse manual era providencial e tinha vocação educativa. O professor Kwabel conclui, porém, que o livro não teve a atenção merecida pelos historiadores modernos e, provavelmente, nem atingiu o propósito educativo que se propôs, pelo fato de existir apenas uma cópia, que foi vista por poucas pessoas.

Difícil não compará-lo ao famoso Guia de Cores Pantone (escala internacional de padronização de cores usada em Design gráfico e de produtos, moda, etc), publicado pela primeira vez em 1963.

O livro todo pode ser consultado em alta resolução no endereço.  O original do manuscrito está na Bibliothèque Méjanes, em Aix-en-Provence, França.

Referências:
http://www.e-corpus.org/notices/102464/gallery/
http://erikkwakkel.tumblr.com/post/84254152801/a-colourful-book-i-encountered-this-dutch-book
http://followthecolours.com.br/just-coolt/achado-livro-de-1692-sobre-as-cores-e-um-medidor-de-azul-do-ceu/
http://www.pantone.com/fashion-home-color-guide
http://www.citedulivre-aix.com/citedulivre/

8
setembro
2015
UM DOCE ANO de 5776
postado sob cultura, história

Comemora-se, do dia 13 ao 15 de setembro, o Rosh Hashaná (literalmente “Cabeça do Ano”, em Hebraico), o Ano Novo pelo calendário judaico.  Pela história da religião, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, Deus criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele. 

A cada Rosh Hashaná, o judaísmo coroa o seu rei, Criador do Mundo, anunciando isso com o soar do Shofar - instrumento sonoro, feito de chifre - símbolo central do Rosh Hashaná. Ao seu toque, desperta-se a necessidade da comunhão entre irmãos, o retorno à fé, além de conduzir cada indivíduo para um exame de consciência. 

O Rosh Hashaná é um período de grandes festas, reflexões, de conservar e transmitir ensinamentos às gerações mais jovens. É o momento de se consolidar o estilo de vida judaico, por meio de suas tradições e de sua religião. 

Tradicionalmente, na noite do Rosh Hashaná os judeus vão à sinagoga rezar. Em seguida, as famílias se reúnem em volta da mesa de jantar onde há rezas e vários alimentos simbólicos são ingeridos sendo que um pedido é feito para cada alimento. 

Uma fatia de maçã doce é mergulhada no mel, ao recitar a bênção da fruta (Borê Peri Haetz):”Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce”. E assim, para cada alimento (mel, peixe, romã, cabeça de carneiro ou peixe,feijão, abóbora, tâmara), há uma reza e uma simbologia específica. Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. 

SHANA TOVAH UMETUKAH - um ano doce para todos!

22
junho
2015
Um lixo é um lixo é um lixo…

Texto de Maurício Costa Carvalho (Geografia EM) e Mercedes Ferreira (Direção EM) publicado no blog do Estadão 


- Mas tem tanto, que não é o meu que vai fazer diferença…
- Ué, vem falar comigo? E essas indústrias e lojas e clubes, por exemplo?

Essa é a distorcida dimensão que se tem, na maioria das vezes, a respeito do real significado de cada lixo individual diário que produzimos e de como se compõe o todo: não associamos de verdade aquele saquinho de aparência mais inócua às montanhas que se formam nos aterros e nos lixões, que poluem as águas, que entopem as cidades. Sequer percebemos que, guardadas as justas proporções, estamos enfileirados com as tais indústrias e lojas e clubes e tudo o mais. E a triste paráfrase  do verso de Gertrude Stein, no título acima, torna-se o inevitável retrato da situação.
Nesse contexto, todas as iniciativas que cutuquem, incomodem, alertem, eduquem, conscientizem são  sempre bem-vindas. Por isso, antes de tudo, é fundamental prestigiar, valorizar, tornar possível a existência (e a resistência) de pessoas ou entidades e instituições sérias que se propõem a essas tarefas. Elas só existem e sobrevivem se houver interlocutores, pra começo de conversa; assim, por exemplo, ir a um local para ver e ouvir e discutir e trocar reflexões sobre o assunto já é o primeiro movimento politizado, primeira atitude que abrange o individual e o coletivo. E daí, espera-se, surgirão bons frutos de todos os matizes.
E foi exatamente pensando assim, que, no último dia 2 de junho, estudantes do Ensino Médio do Ítaca estiveram na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, assistindo a Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?, a convite da Ecofalante, entidade que promove discussões e reflexões sobre o meio ambiente, a partir de filmes e documentários. Produzido e narrado pelo ator Jeremy Irons,  Trashed (2o12),  mostra imagens contundentes de como o descarte inadequado de resíduos sólidos pode oferecer grandes riscos à saúde humana e ao planeta, analisando as soluções que hoje existem para a questão. Depois da exibição, os estudantes e professores tiveram a oportunidade de conversar com especialistas da instituição e consultores para sustentabilidade, discutindo, inclusive, qual o papel de cada um de nós diante de tal problema, não só como consumidores, produtores de lixo e até recicladores, mas também como divulgadores das questões ali discutidas. Esse evento foi parte da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que promoveu nas bibliotecas São Paulo e Villa-Lobos, entre outros locais, uma programação especial, durante a Semana do Meio Ambiente.
As ações cotidianas necessárias à promoção de uma vida ambientalmente sustentável, aliadas à consciência de que é necessário também um fazer político com vistas a soluções eficazes, levam a responsabilidade de cada um para o futuro, além de já serem necessárias no presente. Como muito do trabalho que se faz na escola, os resultados devem ser pensados também a médio e longo prazo, com os adultos que logo logo esses alunos serão.

10
junho
2015
10 de junho -  Dia da Língua Portuguesa
http://pt.bab.la/noticias/idiomas-do-mundo.html

O Dia da Língua Portuguesa é comemorado em 10 de junho, por ser o dia em da morte de Luiz Vaz de Camões (1524-1580). Considerado um dos maiores poetas da história lusitana, foi autor de obras memoráveis como “Os Lusíadas”. 

A língua Portuguesa tem sua origem no latim vulgar – o latim falado, que os romanos introduziram na Lusitânia, região situada ao sudoeste da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.

Atualmente, segundo dados da ONU, pelo menos 235 milhões de pessoas têm o português como primeira língua, em oito países que vão das Américas à Ásia. Mais de 80% desses falantes são brasileiros. Entretanto, muitos falantes do português vivem fora dos países lusófonos em nações da Europa e nos Estados Unidos. Não oficialmente, o português é falado por uma pequena parte da população em Macau, no estado de Goa, na Índia, e na Oceania.

É o quinto idioma mais falado do planeta e o terceiro entre as línguas ocidentais, ficando atrás somente do inglês e do castelhano. É a língua oficial em diversos países como: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe e, ainda, Timor-Leste após sua independência. Por toda a importância dada à língua portuguesa, seu ensino agora é bastante valorizado nos países que compõem o Mercosul.

texto editado a partir do site da Portoweb

27
maio
2015
Quando lá não é tão diferente de cá…
postado sob cultura, história, Ítaca

Texto do Professor Cayo Candido Rosa (Estudos Áfricos EF2) publicado no blog do Estadão

Os olhares curiosos atravessavam os corredores: a mãe de uma aluna do sexto ano traria um conhecido para falar sobre sua cultura. A notícia já havia sido anunciada semanas antes, porém um feriado prolongado e a avalanche de tarefas acumuladas fizeram com que boa parte das crianças se esquecessem de que, naquela manhã de quinta-feira, horário reservado para as aulas de Estudos Áfricos, Timóteo Daco daria uma palestra sobre seu país de origem, Moçambique.

O despertar da memória se misturava ao despertar do interesse, à medida que os alunos pegavam cadernos, lápis e canetas multicoloridas, além de uma atividade já feita sobre o país africano. “Então foi por isso que fizemos a pesquisa sobre Moçambique?”.

Ainda que bem feita, a pesquisa fria, distanciada e, até mesmo, factual jamais substituiria o encontro com Timóteo, que falou de sua terra natal e de seu passado, suas línguas, seus ícones, símbolos culturais e identidades, sempre com muita saudade, palavra comum ao português falado tanto aqui quanto lá, além, é claro, de outras 41 línguas reconhecidas (e a linguagem de sinais) como o BiTonga e o EChuwabodialetos antes proibidos sob a obrigação da língua oficial do colonizador e agora aceitos e perpetuados.

Daco falou não só sobre figuras políticas do passado de Moçambique, mas também de personalidades artísticas como o recentemente falecido escultor Naftal Langa e o premiado escritor Mia Couto. Explicou sobre as diferenças das escolas no campo e na cidade, falou das belas cidades litorâneas, baseadas em turismo, destacou pratos da culinária típica moçambicana como o matapa, feito na folha de mandioca e acompanhado de molho à base de leite de coco e amendoim pilado, e contou a história da capulana, tecido de origem asiática muito usado em seu país como lenço para cobrir o cabelo, toalha de piquenique ou, até, como uma bolsa para carregar um bebê no colo ou nas costas.

Ao final, as questões  desprovidas de preconceito e recheadas de inocência deram a Timóteo mais uma oportunidade de mostrar para as crianças que Moçambique, como qualquer outro país, não é tão diferente assim do Brasil e que, como toda nação, é povoado de riquezas culturais, símbolos nacionais e, obviamente, contradições.

“Qual o seu esporte favorito?”

“Do que você sente falta?”

“Fale mais sobre a comida!”

“Como é a vida lá?”

A essas e a muitas outras perguntas ele respondeu com seu sotaque típico do “português de Portugal” – “Ora, depende… em geral as pessoas acordam, tomam café, vão ao trabalho ou à escola…” -, fazendo com que as crianças rissem em vários momentos, quando se identificavam com a mesma rotina nos dois países.

Fruto de um desejo de estudar de modo mais aprofundado a História e a Cultura afro-brasileiras, a disciplina Estudos Áfricos, incorporada ao currículo do Colégio Ítaca há quase dez anos, busca também desmistificar a ideia do continente africano como um bloco único, banhado de estereótipos e visões acríticas (a esse respeito ver Lei federal nº 10.639/03).

Atividades como a palestra de Timóteo Daco aproximam os alunos de uma realidade que já está muito mais próxima a eles do que imaginam, e a troca cultural – seja entre os dois países ou, mesmo, nesse breve encontro entre os alunos do sexto ano e um visitante moçambicano – enriquece o amadurecimento crítico de cada um, ao ver e compreender o outro em si mesmo.

“Do que você brincava quando era criança?” 

“Nadávamos num rio, sem medo, mesmo que cheio de crocodilos”, - respondeu Timóteo, sem especificar se brincava ou falava sério, deixando que os alunos levassem com eles o benefício da dúvida.

9
maio
2015
Dia das mães: Quem criou esse dia???
postado sob cultura, história
mãe Guajajara e seu filho

Desde a Idade Antiga há relatos de rituais e festivais em torno de figuras mitológicas maternas e de fenômenos como a fertilidade. 

Na Grécia e Roma antigas, por exemplo, celebravam-se as festas das deusas Rhea e Cybele. 

Na Idade Média, havia também muitas referências à figura da mãe, sobretudo no simbolismo judaico-cristão, com as figuras de Eva e Maria e os cristãos passaram a celebrar festividades para as mães, em diversas partes da Europa. Eram festas religiosas, na verdade um serviço especial celebrado com os fiéis, na paróquia de sua vizinhança.  Com o passar do tempo, a comemoração foi se consolidando e o hábito de presentear as mães com flores virou tradição.

As raízes americanas do Dia das Mães datam do século 19, na década de 1860, quando Ann Reeves Jarvis, da West Virginia, ajudou a instaurar os  “Mothers’ Day Work Clubs” para ensinar as mulheres do local a cuidarem de suas crianças adequadamente.

Outro movimento precursor dessa data veio da abolicionista e defensora do sufrágio universal Julia Ward Howe. Em 1870, ela escreveu a Proclamação do Dia das Mães, uma chamada para que as mães promovessem a paz mundial. In 1873 Julia fez uma campanha para o “Dia das mães pela Paz”, a ser celebrado todos os anos, no dia 2 de junho. Outra pioneira americana foi Juliet Calhoun Blakely, ativista que inspirou o Dia das Mães em Albion, Michigan, na década de 1870. 

Enfim, várias iniciativas pipocaram pelos Estados Unidos até a criação do Dia das Mães como conhecemos hoje.

Mas foi apenas no início do século XX que as mães passaram a ter um dia oficial para serem homenageadas. A escolha da data (todo segundo domingo de maio) remete à história da americana Anna Jarvis.

Anna perdeu sua mãe, Ann Marie Reeves Jarvis, em maio de 1905, na cidade de Grafton, na Virgínia Ocidental, EUA. Com essa perda e dor, Anne decidiu organizar com a ajuda de outras moças um dia especial para homenagear todas as mães e para ensinar as crianças a importância da figura materna.

Em 10 de maio de 1908, o grupo de Anne conseguiu celebrar um culto em homenagem às mães na Igreja Metodista Andrews, em Grafton. A repercussão do tema do culto logo chamou atenção de líderes locais e do então governador do estado de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock. Glassock definiu a data de 26 de abril de 1910 como o dia oficial dessa comemoração.

Logo a repercussão da celebração oficial em âmbito estadual alastrou-se para outras regiões dos Estados Unidos e foi adotada também por outros governadores. Por fim, no ano de 1914, o então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, propôs que o dia nacional das mães fosse comemorado em todo segundo domingo de maio. A decisão de Wilson foi tomada a partir de sugestão da própria Anna Jarvis, que ficou internacionalmente conhecida como patrona da data.

Em muitas ocasiões, o dia teve um forte cunho político e feminista. Em 1968, por exemplo, Coretta Scott King, esposa de Martin Luther King Jr., fez uso do Dia das Mães para organizar uma passeata em favor das mulheres e crianças desprivilegiadas. Em 1970, grupos de mulheres americanas também se utilizaram da data para chamar atenção em favor da igualdade de direitos e acesso a creches e escolas. Hoje em dia, cada vez mais, o Dia das Mães tem sido usado para fins comerciais.

No Brasil e no Mundo

Existem várias outras versões outras do Dia das Mães pelo mundo. Na Tailândia, por exemplo, o Dia das Mães é celebrado em agosto, na data de aniversário da rainha Sirikit. Em outra versão, na Etiópia, as famílias se encontram para cantar e comer, em um grande festival chamado Antrosht, celebrado por vários dias, em torno da homenagem à maternidade. 

No caso do Brasil, o Dia das Mães foi comemorado pela primeira vez em 12 de maio de 1918, na Associação Cristã de Moços de Porto Alegre. Em outros lugares, houve também outros focos de comemoração de mesmo teor, geralmente associados a instituições religiosas. Mas foi somente em 1932, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, que o Dia das Mães passou a ser celebrado segundo o molde dos Estados Unidos, isto é, em todo segundo domingo do mês de maio.
 

referências:

http://www.history.com/topics/holidays/mothers-day
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-das-maes.htm
http://ethiopianties.blogspot.com.br/2011/05/mothers-days-antrosht-comes-after-rains.html
http://blue-charcoal.com/mothers-day-history/
http://www.speakingtree.in/blog/10-mothersday-customs-from-around-the-world/?track=cntshtw
http://www.juliawardhowe.org​

20
abril
2015
O Joaquim que tornou-se mártir
postado sob história, política

Joaquim José da Silva Xavier, chamado de Tiradentes, nasceu na Fazenda do Pombal, entre São José (hoje Tiradentes) e São João Del Rei em Minas Gerais, em novembro de 1746.

Ele ficou órfão muito cedo: perdeu a mãe aos nove anos de idade e o pai aos onze anos e foi criado na cidade de Vila Rica, atual Ouro Preto, pelo seu padrinho.

Exerceu diversos trabalhos, como minerador e tropeiro. Também foi alferes, fazendo parte do regimento militar dos Dragões de Minas Gerais. Ganhou o apelido de Tiradentes por ser dentista, mas ficou mais conhecido como soldado, integrante do movimento da Inconfidência Mineira.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, participou da chamada Inconfidência Mineira, movimento que durou vários anos do final do século XVIII, e que buscava a libertação do Brasil da monarquia portuguesa.

A região da cidade de Vila Rica e entorno era muito rica devido à mineração, à extração de ouro e pedras preciosas. Os portugueses se apossavam dessas matérias-primas e as comercializavam pelos países europeus, fazendo fortuna às custas da exploração das riquezas do Brasil.
Além disso, a corte portuguesa cobrava altíssimos impostos da população brasileira, que estava farta dessas imposições. Nesse contexto articulou-se o movimento chamado Inconfidência Mineira, que também tinha integrantes com espírito abolicionista (combatendo a escravidão), além de pregar a independência do Brasil.
Seus principais objetivos eram: buscar a autonomia da província, estabelecer um governo republicano (com mandato de Tomás Antônio Gonzaga), tornar São João Del Rei a capital, conseguir a libertação dos escravos nascidos no Brasil, dar início à implantação da primeira universidade da região, dentre outros.

Tiradentes era um excelente comunicador e orador o que colaborou para que fosse um líder na Inconfidência Mineira. 
Durante o movimento, as notícias de que os inconfidentes tentariam derrubar o governo de Portugal chegaram aos ouvidos do imperador, que decretou a prisão deles. 
Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública. Outros foram perdoados pela rainha dona Maria I e expulsos para a África.
Tiradentes, entre aqueles que se rebelaram contra o domínio português, era o de classe mais baixa e, dizem, o único que havia feito propaganda aberta do movimento. Foi condenado à forca e o governo fez questão de mostrar em praça pública o seu sofrimento, dando exemplo e inibindo a população que ousasse se colocar contra a coroa portuguesa. 
Seu ofício de dentista (um trabalho braçal, malvisto na época) também pode ter pesado na decisão. Tiradentes foi enforcado há 223 anos, em 21 de abril de 1792. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.
Sua cabeça foi cortada e levada para a cidade de Vila Rica. O corpo, esquartejado, foi espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. “Era o exemplo que ficava para aqueles que pensassem em questionar o poder de Portugal”, diz o professor de história Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos.

referências
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/tiradentes.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-tiradentes-foi-o-unico-inconfidente-enforcado
http://www.suapesquisa.com/tiradentes/

26
março
2015
Cadê o rio que estava aqui???
https://pedalverde.wordpress.com/page/3/
logo do rios e ruas - www.rioseruas.com

Sob o solo da cidade de São Paulo existe uma imensa malha hidrográfica, constituída de mais de 3.500 metros de cursos d’água canalizados.  
E essa canalização dos rios e córregos é um dos problemas mais graves na capital paulista, e por isso hoje tão criticado pelos especialistas. Esse modelo de urbanização, que canaliza e cobre as fontes naturais e os cursos d'água, foi também seguido por muitas outras cidades do interior do Estado de SP e do restante do país.
 
Nossos rios são lembrados quando a temporada de chuvas faz com que as galerias subterrâneas transbordem, com alagamentos e graves transtornos para a população.
Pela visão deturpada, que os considerava como um obstáculo ao desenvolvimento urbano, quase todos os rios, incluindo os de água limpíssimas, foram canalizados. Além disso, grande parte do solo urbano está impermeabilizado pelos calçamentos e construções, e basta uma forte chuva para que centenas de córregos e riachos voltem à superfície. 
 
Os rios também carregam nossa história e nos fazem entender o passado. Como serviam como via de transporte e fonte de água, grande parte das cidades se desenvolveu ao longo deles - como podemos observar em monumentos históricos como a Casa do Bandeirante, em São Paulo, por exemplo, que foi pouso de desbravadores das terras paulistas e situa-se próximo às águas do rio Pinheiros.
No entanto, apesar de serem um componente importante na história das cidades eles, em geral, não são valorizados pela população e não fazem parte do seu cotidiano
 
Mas é preciso dizer também que, com a crise hídrica assolando nossa cidade, diversas iniciativas de valorização e recuperação de nossas fontes e rios têm aparecido. Há movimentos como o Parque da Fonte e o YButantã, no bairro do Butantã, que cobram da iniciativa pública a recuperação e apropriação pública das águas e dos espaços de preservação.
 
Quando são implantados parques e é recuperada a mata ciliar, ao longo das áreas de proteção dos rios, há uma diminuição dos episódios de enchentes e inundações durante as fortes chuvas de verão, contribuindo para a drenagem urbana. Os parques também evitam que essas áreas sejam invadidas ou degradadas.
“O mais surpreendente é que, em vários casos, sobre os rios canalizados foram construídos parques públicos. Em vez de correrem pelos parques, tornando-se fatores de desfrute para a população, os rios foram escondidos no subterrâneo”, comenta Norma Regina Truppel Constantino, professora no curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp
 
Dentre as iniciativas atuais, o projeto Rios e Ruas, desenvolvido pelo urbanista José Bueno juntamente com o geógrafo Luiz de Campos Jr e a bióloga Juliana Gatti, propõe-se a revelar uma realidade profunda, possibilitando uma mudança no olhar dos paulistanos para suas águas e árvores.
Despertar a consciência dos paulistanos para uma nova convivência com os elementos vivos da natureza urbana de São Paulo é aprofundar a reflexão sobre o uso do espaço público, sobre o desenvolvimento da cidade onde vivemos e sobre o futuro que deixaremos como legado para nossos filhos e netos.
 
Para que os rios passem a ser valorizados pelas populações, é necessário um trabalho de conscientização e elaboração de projetos participativos que qualifiquem os lugares, mais do que a simples aprovação de leis e regulamentos.
 
“É importante a visualização dos rios, porque, se as pessoas os veem, elas passam a valorizá-los e a se mobilizar por sua integridade”, enfatiza Constantino.
 
referências

http://rioseruas.com
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/parceiros-do-planeta/charles-groisman-e-a-reconexao-do-homem-com-a-natureza/
http://educacao.estadao.com.br/blogs/colegio-itaca/porque-e-o-rio-que-corre-pela-minha-aldeia/

 
 

26
março
2015
Pessach e Páscoa - qual a diferença?
postado sob cultura, história
Karl Fabergé
ovo Fabergé
ovo Fabergé
www.fundodetela.com.br
Pêssankas: ovos coloridos a mão, de origem eslava.
Reprodução UOL
Pintura de ovos de Páscoa em mercado de Schleife, perto de Berlim, na Alemanha.  Essa decoração é uma tradição antiga do povo sorábio, que vive na região da Lusácia
reprodução
A Santa Ceia pintada em 1498 por Leonardo da Vinci. Encontra-se nas paredes do Convento Santa Maria delle Grazie, em Milão. É considerada uma representação da ceia de Pessach, páscoa judaica.  Mede 46

Pessach (a Páscoa judaica) é a festa que marca o início do calendário bíblico de Israel, a partir da qual ocorrem as outras festas na Bíblia. A palavra Pessach significa "passagem" e representa a travessia pelo Mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão no Egito para a liberdade na Terra Prometida, há mais de 3.000 anos. 
A Páscoa judaica dura 7 dias (em alguns lugares, 8 dias). Algumas famílias, nesse período, limpam meticulosamente a casa, removendo todas as migalhas e lembrando os judeus que deixaram o Egito às pressas.
A forma como, desde o século VI a.C., os judeus celebram a Festa de Páscoa é praticamente a mesma até hoje. Segundo a tradição, o Pessach deveria ser celebrado com um jantar familiar, em que cada prato tem um valor simbólico muito forte e preciso. Um cordeiro seria assado e comido por todos. O jantar também deveria ter o pão ázimo, ou sem fermento (matzá, em hebraico) e ervas amargas, como a raiz forte e o rabanete. O pão sem fermento serve para lembrar que, no êxodo do Egito, os judeus comeram às pressas o pão que não teve tempo de fermentar. As ervas amargas são para lembrar como a vida era amarga quando os judeus eram escravos de Faraó. Por volta do ano 550 a.C., os judeus criaram uma sequência para o jantar (chamada de Hagadá), que incluía o relato do Êxodo, os 4 cálices de vinho e o Charosset (pasta doce).  A intenção do mandamento é que todos os membros da família participem das narrativas e da liturgia, e que a festa seja uma maneira de ensinar as crianças sobre a saga de seus ancestrais. 
A Santa Ceia, segundo historiadores, seria um Seder (jantar de Pessach). Jesus, que era hebreu e chamado de Yeshua, quando celebrou seu último jantar de Páscoa com os discípulos, seguiu exatamente a tradição judaica e utilizou quase todos os elementos e a sequência que temos ainda hoje nos lares judaicos. Não apenas isso, mas utilizou parte da tradição criada no séc VI a.C., para institucionalizar a Santa Ceia (um Kidush com simbolismo mais rico).
 
Já o simbolismo da Páscoa cristã é parte da mensagem no Novo Testamento, baseada no evento da Páscoa Judaica. 
No início da formação da cristandade, alguns grupos da Igreja Primitiva davam continuidade ao ritual judaico (incluindo o sacrifício do cordeiro), enquanto outros rejeitavam essa prática, pois interpretavam que Cristo era o símbolo do último cordeiro (o cordeiro e filho de Deus), que foi enviado como vítima para a remissão dos pecados e salvação dos homens. Os rituais católicos relacionados com a Páscoa passaram a ser organizados, então, com base em autossacrifício, como o jejum e as penitências da Quaresma.
“Para os cristãos, ela tem um sentido mais metafísico. Representa a passagem de Cristo pela morte”, afirma o teólogo Fernando Altmeyer Júnior, da PUC de São Paulo, referindo-se à tradição de que Jesus teria ressuscitado no terceiro dia após sua crucificação. Assim, a comemoração representa a ressurreição de Jesus Cristo, que foi crucificado na sexta- feira e ressuscitou no domingo.
 
A partir do Concílio de Niceia*, realizado no século IV d.C. pelaIgreja Católica, a Páscoa passou a ser celebrada no equinócio da Primavera (no hemisfério norte), podendo ser então comemorada entre os dias 22 de março e 25 de abril. Essa tradição permanece até hoje e o dia da Páscoa varia em função dela. Os dias do Carnaval e do período da Quaresma também existem em função do dia da Páscoa.  É comum que toda a família se reúna em um grande almoço, já que todos teriam saído de restrições alimentares e penitências por toda a Quaresma - quarenta dias, a partir da Quarta-feira de Cinzas. Hoje em dia, na verdade, isso existe mais como tradição, já que poucos seguem o período de restrição.
 
Assim, apesar de receberem o mesmo nome, as celebrações judaica e cristã têm significados distintos e não ocorrem necessariamente em datas coincidentes, embora isso possa ocorrer. Em 2015, o período de Pessach será do dia 4 ao dia 10 de abril, e a Páscoa cristã será no dia 5 de abril.
 
 
SOBRE COELHINHOS E OVOS DE CHOCOLATE
Esse processo de instituição de comemoração da Páscoa também assimilou vários mitos do norte da Europa, como o mito da deusa germânica Ostara, com o qual estão relacionados os símbolos dos ovos e do coelho,  no Brasil e grande parte do mundo ocidental, e em função do qual  se perpetua a tradição de presentear com ovos e coelhos (principalmente de chocolate). O coelho da Páscoa tornou-se um forte símbolo da Páscoa cristã e, embora não coloque ovos, pois é um mamífero, é acompanhado por ovos de chocolate. 
O coelho, aliás, é reconhecido como um agente de renovação por várias culturas: na tradição japonesa, por exemplo, está associado ao Ano Novo; na Grécia, era associado à deusa Afrodite e presentear com um coelho era sinal de amor, no séc. VI a.c.**. Essas associações referem-se claramente à fertilidade, pois os coelhos reproduzem com muita velocidade.
O ovo, símbolo antigo de “vida nova” sempre foi associado a festas pagãs de celebração da primavera.Do ponto de vista cristão, representa a ressurreição. A decoração de ovos de galinha, com tintas coloridas e desenhos delicados, aparece já no séc. 13, e uma das explicações para a tradição é a de que era proibido comer ovos na Quaresma, portanto as pessoas os pintavam e decoravam, nos dias de penitência e jejum, para comê-los na celebração da Páscoa. 
Na Rússia, ovos de joalheria passaram a ser produzidos por Peter Carl Fabergé, a partir de uma encomenda, em 1885, pelo czar Alexandre III, como um presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna. Por fora, parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, havia uma gema de ouro contendo uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Esses ovos são verdadeiras relíquias e foram produzidos até 1917, para os czares da Rússia. 
Já os atuais ovos de chocolate, mais populares, são resultado do desenvolvimento da culinária e, antes disso, da descoberta do continente americano, já que, ao entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis pela divulgação do chocolate no Velho Mundo. Somente duzentos anos mais tarde, os franceses tiveram a ideia de fabricar os primeiros ovos de chocolate da História, que permanecem até hoje como o principal símbolo da Páscoa.
 
referências:
http://super.abril.com.br/religiao/qual-relacao-pascoa-judaica-crista-444446.shtml
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/judaism/passover.shtml

http://www.history.com/topics/holidays/easter-symbols
http://german.about.com/gi/o.htm?zi=1/XJ&zTi=1&sdn=german&cdn=education&tm=21&f=10&su=p284.13.342.ip_&tt=2&bt=0&bts=0&zu=http%3A//www.osterhasenmuseum.de/
http://german.about.com/od/holidaysfolkcustoms/a/German-Easter-Traditions.htm
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/christianity/easter.shtml
http://www.brasilescola.com/pascoa/a-origem-ovo-pascoa.htm
 
*O Primeiro Concílio de Niceia foi um conselho de bispos cristãos reunidos na cidade de Niceia da Bitínia (atual İznik, Turquia), pelo imperador romano Constantino I, em 325 d.C.. Foi a primeira tentativa de obter um consenso na igreja, através de uma assembleia representando toda a cristandade. Entre outros assuntos, se fixou ali a data da Páscoa.
 
** O Livro dos Símbolos - Reflexões sobre imagens arquetípicas, Editora Taschen GmbH, Colônia, Alemanha, 2010

6
março
2015
Porque um dia para as mulheres?

O Dia Internacional da Mulher aparece no início do sec XX, como decorrência da e turbulência social e expansão industrial, crescimento populacional e advento de radicalismos ideológicos. 

1908
a opressão social e desigualdade levou as mulheres a debaterem e questionarem sua condição e assumirem papéis ativos de transformação. Em 1908, 15.000 mulheres protestaram em Nova Iorque reivindicando redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto.

1909
O Partido Socialista norte americano cria o primeiro Dia Nacional da Mulher, em 28 de fevereiro. As mulheres norte americanas continuam celebrando o Dia Nacional, até 1913, no último domingo de fevereiro. 

1910
A Segunda Conferência Internacional das Mulheres Trabalhadoras acontece em Copenhagen, Dinamarca. Clara Zetkin, líder das mulheres do Partido Democrático alemão, lança a ideia do Dia Internacional da Mulher (DIM), para enfatizar as demandas femininas. A conferência, que reuniu 100 mulheres de 17 países representando sindicatos, partidos socialistas, clubes de mulheres trabalhadoras e incluindo as 3 primeiras mulheres eleitas no Parlamento Finlandês, aprovou a ideia da criação do DIM, por unanimidade. 

1911
Cumprindo a resolução de Copenhagen, em 1911 o Dia Internacional da Mulher foi comemorado pela primeira vez na Austria, Dinamarca, Alemanha e Suiça, em 19 de março. Mais de 1 milhão de mulheres e homens participaram das atividades do DIM, em campanhas pelo direito da mulher ao trabalho, voto, educação, ocupação de cargos públicos e contra a sua discriminação social.
No entanto, menos de uma semana depois, em 25 de março, mais de 140 mulheres trabalhadoras, a maioria de imigrantes italianas e judias, foram assassinadas em Nova Iorque, no evento chamado 'Triangle Fire’***. Esse episódio chamou mais atenção ainda sobre as condições legais e de trabalho das mulheres, foco principal das subsequentes comemorações do DIM. 
 
1913-1914
Durante campanhas pela paz, no período da Primeira Guerra Mundial, mulheres russas comemoraram seu primeiro dia no último domingo de fevereiro, em 1913.
A partir desse ano, o DIM foi transferido para 8 de março, permanecendo a data até hoje.  Em 1914, as mulheres foram muito ativas em campanhas contra a guerra e expressando a solidariedade feminina.

1917
No último domingo de fevereiro, mulheres russas iniciaram uma greve para “pão e paz” em resposta à morte de mais de 2 milhões de soldados russos na guerra.
A greve persistiu até que o governo provisório concedeu o direito ao voto feminino. 
 
1918 - 1999
Desde a sua criação, no berço do movimento socialista, o Dia Internacional da Mulher cresceu e é reconhecido e celebrado. Por muitos anos, a ONU promoveu conferências em comemoração ao DIM, coordenando esforços em favor dos direitos das mulheres e de sua participação nos processos políticos, sociais e econômicos. 
Organizações de mulheres e governos de diversos países promovem eventos de grande escala no dia 8 de março, rememorando a necessidade de continuada vigilância e ação pela garantia da igualdade de oportunidades para as mulheres.

de 2000 em diante
o Dia Internacional da Mulher já é uma data oficial no Afeganistão, Armênia, Azerbadião, Bielorussia, Burkina Fasso, Camboja, China, Cuba, Georgia, Guiné-Bissau, Eritreia, Kazaquistão, Kyrgistão, Laos, Madagascar, Moldovia, Mongolia, Montenegro, Nepal, Russia, Tajikistão, Turkmenistão, Uganda, Ucrânia, Uzbekistão, Vietnam e Zambia. Pela tradição, os homens homenageiam suas mães, esposas, namoradas, colegas, etc, com flores e presentes, nessa data.  
O novo milênio testemunhou mudanças significativas na mentalidade social e das mulheres em geral, em relação à igualdade de gêneros e emancipação feminina.Há que se reconhecer melhorias: mulheres já são astronautas, presidentes, universitárias em maior número, têm maior liberdade para o trabalho e escolhas de vida.

Mas, infelizmente, as mulheres ainda não são pagas igualmente ao realizarem os mesmos trabalhos que os homens, não estão em mesmo número que os homens nos negócios e na política e, globalmente, estão em desvantagem em relação à educação e saúde, além de ainda serem vítimas de violência.
Anualmente, no dia 8 de março, milhares de eventos acontecem pelo mundo, inspirando as mulheres a continuar suas lutas e a celebrar suas conquistas.

São jornadas políticas, conferências, atividades governamentais, atividades culturais, tais como, shows, performances teatrais, etc.

Fique atento para a programação perto de você. Vale a pena se informar e participar!

 

***O incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova Iorque a 25 de Março de 1911 foi um grande desastre industrial que causou a morte de mais de uma centena de pessoas. Este incêndio iria contribuir para a especificação de critérios rigorosos sobre as condições de segurança no trabalho e para o crescimento dos sindicatos que despoletavam como consequência da revolução industrial.

 

veja mais, clicando nos itens abaixo:

Programação do mês de março, da Secretaria Municipal de Políticas para as mulheres
Ato no Recife e vigília no Sertão marcam dia de luta pelo direito das mulheres
Coletivos celebram Dia Internacional da Mulher com grafitti e lambes pelas ruas de SP
Pronunciamento de Dilma Roussef para o Dia da Mulher
Dia Internacional da Mulher: livros escritos por mulheres com até 60% de desconto​
Dia da Minissaia' alerta contra o assédio às mulheres no Rio
Cinemateca Brasileira promove sessão em homenagem ao Dia da Mulher​

Outras referências

http://www.internationalwomensday.com/about.asp#.VPmankJZ-lk
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/8-marco-dia-internacional-mulher-genero-feminismo-537057.shtml
http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/parabens-pelo-seu-dia-mulher-uma-homenagem-do-machismo-2810.html
http://law2.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/triangle/trianglevictims2.html
http://motherboard.vice.com/read/the-triangle-shirtwaist-factory-fire-of-1911-celebrating-100-years-of-the-8-hour-work-day

13
fevereiro
2015
A origem da folia
postado sob cultura, história
carnaval de Veneza

Há inúmeras teorias a respeito da origem do Carnaval. Em uma das mais aceitas, supõe-se que tenha surgido das festas da antiga Babilônia, Mesopotâmia (atual cidade Al Hillah, perto de Bagdá, Iraque). Mas também há correntes que consideram o atual Carnaval como descendente direto das festividades pagãs da Antiguidade romana. Havia em Roma as Saturnálias e as Lupercálias: as primeiras ocorriam no Solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias, com comidas, bebidas e danças. Os papéis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos  vestindo-se como seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

A palavra carnaval também gera polêmicas: originária do latim, uma das acepções mais aceitas é carnelevarium, cujo significado é retirar ou suspender (levare) a carne. E isso pode estar relacionado com a Quaresma católica, período dedicado à abstinência, ao jejum e, simbolicamente, ao resguardo do cristão em relação a prazeres mundanos (a Quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, no calendário móvel dos católicos). 

Já segundo Rainer Sousa, mestre em História, alguns pesquisadores afirmam que a palavra vem do carro naval, que percorria as ruas de Roma com pessoas vestidas com máscaras e fazendo jogos e brincadeiras.

Por volta do ano 1000, o início do período fértil para a agricultura, na Europa Ocidental, era motivo de carnaval. Os homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam para as ruas e campos, durante algumas noites, com o rosto enegrecido de fuligem ou sob panos. Como acessórios, usavam máscaras, focinhos de porco e capuzes de pele de coelho. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e entravam nos domicílios, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

A Igreja sempre quis controlar mas nunca conseguiu impedir os excessos e subversões de costumes do Carnaval, que sempre teve vocação popular, apesar dos bailes sofisticados em ambientes privativos. No Renascimento, o Carnaval desenvolveu-se nas cidades italianas, onde surgiu a Commedia Dell’Arte, uma espécie de teatro improvisado, muito popular até o século XVIII e que ainda hoje sobrevive.

Em Florença havia as canções específicas para acompanhar desfiles (precursores de nossas marchinhas de Carnaval, pode-se dizer); os trionfi, carros mitológicos concebidos por grandes pintores da época, como Botticelli, e os carri, que mostraram um mundo burlesco, no qual o cavaleiro carregava o cavalo, e o lavrador puxava uma charrua, sob o comando de um boi. 

Em Roma e Veneza, os festejos celebravam ainda vitórias políticas do passado e outros feitos históricos. Usava-se a bauta veneziana – uma capa de renda com capuz de seda negra, que enquadrava o rosto e cobria os ombros. Os acessórios eram um chapéu de três pontas e uma máscara branca. A fantasia permitia a abolição temporária de diferenças sociais e, em alguns casos, o prazer de um “pecado” à sombra do anonimato. As datas de comemoração desses festejos variavam um pouco de um lugar para o outro, mas eles quase sempre ocorriam entre o período em que hoje observamos o Natal e a Quaresma.

Em seus primórdios, no século 17, o Carnaval daqui não tinha música nem dança, brincava-se o “entrudo”, herança da colonização portuguesa. É daí que veio o costume das "guerras de água". Muitas vezes, a artilharia era mais pesada: baldes e latas dágua, lama, laranjas, ovos e limões-de-cheiro,— bolinhas de cera fina recheadas com água e outras substâncias

Transformismo secular

Outra tradição do Carnaval é o hábito de homens se vestirem com trajes femininos. Há registros do transformismo na folia de rua desde o início do século 20. "A explicação está na própria psicologia da festa, um espaço de inversão, em que se busca ser exatamente o que não se é no resto do ano", diz a filóloga Rachel Valença, diretora do Centro de Pesquisas da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio.

As marchinhas

As marchinhas carnavalescas deram o tom da festa entre as décadas de 1930 e 1950. Mas o ritmo surgiu ainda no final do século 19. "Ó Abre Alas" é considerada a primeira canção escrita especialmente para um bloco de Carnaval. A "música para dançar" foi composta pela maestrina Chiquinha Gonzaga, em 1899, para o bloco carnavalesco Rosa de Ouro, do Andaraí, no Rio de Janeiro

Blocos de rua 

Os blocos carnavalescos surgiram em meados do século 19. O primeiro de que se tem notícia é creditado ao sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira. Em 1846, ele saiu pelas ruas do Rio de Janeiro tocando um bumbo. A balbúrdia atraiu a atenção de outros foliões, que foram se juntando ao músico solitário.

Fantasias à italiana

Os bailes de máscara eram tradicionais em alguns países da Europa, como a Itália, já no século 13. No entanto, tais festas eram restritas à nobreza. Foi a partir do século 19 que máscaras e fantasias começaram a se tornar mais populares. Nessa época, os personagens de maior sucesso eram o Pierrô, o Arlequim e a Colombina (da Commedia Dell Arte italiana), além de trajes de caveiras, burros e diabos.

Eletricidade baiana

O trio-elétrico é a "criação" mais nova do Carnaval brasileiro. Ele surgiu em 1950, quando os músicos baianos Dodô e Osmar, conhecidos como "dupla elétrica", equiparam um capenga Ford 29 com dois alto-falantes e saíram tocando pelas ruas de Salvador. Foi um sucesso. No ano seguinte, o Ford foi trocado por uma picape e a dupla convidou Themístocles Aragão para compor, agora sim, um "trio elétrico”.

A pluralidade de hoje

De qualquer modo, mesmo com mudanças e modernizações, o Carnaval de rua no Brasil continua hoje, ao lado de bailes e desfiles oficias. Há um grande aumento de blocos, em diversas cidades, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, com expressivo número de foliões divertindo-se em muitos lugares da cidade. Além disso, a festa continua firme também em suas variações regionais: a Bahia, com o trios elétricos; os grandes bonecos de Olinda; os afoxés, frevos e maracatus que passaram a fazer parte da tradição cultural brasileira, fazendo dessa festa  uma dos mais variadas, ricas e exuberantes do mundo.

 

Baixe o aplicativo para Carnaval de rua 2015:
https://samba.catracalivre.com.br/aplicativo-carnaval-de-rua-2015/
 
Referências:
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-e-a-origem-do-carnaval
http://www.mundoeducacao.com/carnaval/as-origens-carnaval.htm
http://www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/carnaval_-_milenios_de_folia.html
http://www.infoescola.com/artes/historia-do-carnaval-no-brasil/
http://catracalivre.com.br/samba/
http://www.primeoffer.com.br/eventos-prime/carnaval-2013-o-baile-do-copacabana-palace-1189.html
http://museudomeioambiente.jbrj.gov.br/noticia/gritos-de-carnaval

5
fevereiro
2015
Um pingo de conversa
distribuição do uso da água no mundo, por categoriaprodutiva

Mas a água não é um direito de todos?

No momento em que nossa cidade, uma das maiores do mundo, está em uma situação crítica de falta de água, há grandes discussões que se referem aos modelos e às práticas de diversas partes do mundo, em relação ao tratamento e distribuição da água. Na verdade, há uma questão conceitual primordial que norteia essa discussão: a água é ou não um bem e um direito de todos? 

Apesar de ser um recurso natural renovável através da reciclagem realizada pela natureza,ela  não se mantém inesgotável e de boa qualidade por todo o tempo. Tudo depende do equilíbrio entre o consumo e sua renovação. 

A carência de água
“Ninguém ainda parou para pensar que a água existente no planeta é e sempre foi a mesma desde a sua mais remota existência. Não se produz água. Existem processos para tornar a água do mar doce e potável, porém são extremamente caros. Apenas 2,59% do volume de água total existente na Terra é de água doce, sendo que mais de 99% estão sob a forma de gelo ou neve nas regiões polares, ou em aquíferos muito profundos. Do restante, quase metade está nos corpos dos animais e vegetais (biota), como umidade do solo, e como vapor d'água na atmosfera, e a outra metade está disponível em rios e lagos.

(...)O Brasil detém 12% das reservas de água doce de todo o planeta, e 80% se concentram na Bacia Amazônica, onde vivem apenas 7% da população, sobrando 20% para serem distribuídos desigualmente pelo resto do País. A região Sudeste é a que possui os rios mais comprometidos." (Ricardo Daher - Secretário Executivo do PNUMA em 2003)

A preservação de nosso meio ambiente, seja pelo tratamento do esgoto, pela atuação consciente das indústrias e do agronegócio, pela preservação das matas e pelo controle do consumo são essenciais para garantir a água necessária para a vida na Terra.  O crescimento vertiginoso da população ao longo dos anos demanda um aumento no uso da água, não apenas para uso pessoal, mas também para a produção industrial, energética e alimentícia.  O aquecimento global, devido aos desmatamentos, impermeabilização do solo, emissão de carbono, entre outras causas, também contribui para a escassez da água.

Outro ponto importante relacionado ao assunto é a chamada água virtual: a água usada na produção de algo (de uma folha de papel a um automóvel, por exemplo), e, muitas vezes, até de produtos exportados. A agricultura e a pecuária, por sua vez, consomem quantidades enormes de água até mesmo para que os produtos cheguem às nossas mesas.

A democratização do uso da água
O volume disponível de água potável de fácil acesso no mundo é de 0,3% do total de água doce presente, o que equivale a 35 milhões de quilômetros cúbicos. Esse volume não seria pouco se fosse distribuído igualmente entre todas as regiões. Ainda assim, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUME), algo em torno de 1,1 bilhão de pessoas - ou seja, um a cada seis indivíduos, praticamente – não têm acesso a água limpa e em quantidade suficiente para garantir a saúde e o desenvolvimento social e econômico.    

A água que é um direito universal mas acaba se tornando uma mercadoria, pois os países que seguem as diretrizes da economia globalizada sentem-se no direito de cobrar por ela, devido à sua escassez, transformando-a em uma commodity.  Algumas nações já cobram pela água como a França, Reino Unido e Alemanha. 

 No Brasil, a água que chega às torneiras não é exatamente cobrada; pagamos, isso sim, apenas pelos serviços de captação, tratamento e distribuição. Entenda melhor, assistindo a essa matéria: http://bit.ly/1you6Me. Mas há outros modos de ação: em 86 cidades no mundo, entre elas Paris e Berlim, abandonou-se o modelo de empresa privada de abastecimento de água, no qual a meta é o lucro, como o praticado em São Paulo, pela Sabesp, após se avaliarem os limites desse modelo e os prejuízos ecológicos, sociais e econômicos dele decorrentes.
  
Além de tudo, tornar a água um recurso econômico mundial excluiria ainda mais as regiões pobres, que não possuem saneamento básico, muito menos água potável para as necessidades diárias, ao contrário dos países ricos, que cada vez mais consomem água, sendo que muitos não possuem recursos hídricos próprios. e acabam importando cada vez mais água virtual: para países situados em regiões que sofrem com escassez hídrica, o comércio de água virtual é atraente e benéfico já que, “por meio da importação de mercadorias que consomem muita água durante seu processo produtivo, nações, estados e municípios podem aliviar as pressões que sofrem sobre suas próprias fontes”, explica Maria Victoria Ramos Ballester, professora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba.
 
Para que a água, tão essencial à vida, não venha a faltar num futuro próximo, há a necessidade de que se tomem medidas para preservá-la, entre elas, o aumento de áreas verdes nas zonas urbanas, o que aumentaria a área de absorção de água pelo solo, medida que diminuiria os impactos no ciclo hidrológico. Outra medida seria reduzir a quantidade de resíduos jogados em lugares inadequados e também a emissão de poluentes.
 
Em dezembro de 2013, consolidou-se um grande agrupamento europeu de cidadania pelo direito humano de acesso à água e pela interrupção e reversão da privatização desse bem. Nessa direção observamos um movimento de remunicipalização e de retomada e criação de parcerias público-público para o abastecimento d´água nas cidades.
 
Breve história
A Os sistemas de distribuição de água e de esgotamento foram aperfeiçoados, ao longo do século XIX, como uma resposta à eclosão de epidemias nas cidades industriais. Essas cidades, que haviam se adensado rapidamente em apenas algumas décadas, concentraram milhares de habitantes em precárias condições de moradia e de trabalho. Nesse quadro, os sanitaristas e reformadores sociais do século 19 preconizaram que, sem um meio saudável, com circulação de água, luz e ar e uma alimentação regrada, a vida e a moral dos habitantes da cidade se esvairiam. E mostraram como as epidemias não se detinham nas fronteiras dos bairros pobres: percorriam cidades, viajavam por oceanos e se distribuíam entre países. Para eles, seria impossível formar o cidadão sem um meio saudável, pois era o meio que constituía o indivíduo. O bom governo seria aquele que conseguisse reduzir a mortalidade e aumentar a população. A biopolítica impulsionou as reformas urbanas ocorridas nas principais capitais europeias e também no continente sul-americano, como as reformas ocorridas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, no início do século XX.
 
“Se cada cultura cria uma forma específica e diferenciada de lidar com as excreções do corpo, de fixar o que é sujo e o que é limpo, o reconhecimento de que a água é fonte da vida é um consenso universal. O direito ao acesso à água é um direito fundamental, segundo Myriam Bahia Lopes (em artigo da Envolverde, link no final deste texto).
 
Os Movimentos sociais e a água
A apropriação privada da água e da terra e a cartelização mundial do hidronegócio vêm sendo denunciadas em diversas frentes. Como a água é indispensável à vida e possui um ciclo que deve ser protegido, encontramos uma variedade de grupos que direta ou indiretamente se engajam em sua defesa. 
 
Nos últimos quinze anos, pelo menos 86 cidades no mundo remunicipalizaram os serviços de água, entendendo-a como um bem público e um direito de todos. 
Em um momento de ameaça à vida de seus habitantes, pelos riscos de ausência ou escassez de água de boa qualidade para o consumo humano, nos perguntamos se devemos insistir na defesa do modelo de negócio privado que por sua essência visa o lucro ou se seria o caso readotar a remunicipalização da água como em outras capitais, não admitindo a sua especulação comercial.
 
Algumas atitudes para economia de água
Do ponto de vista individual, é importante nos conscientizarmos e adotarmos algumas atitudes para economizar água:
           
•Ter plena consciência de que a água é finita;
• Não fazer ligações clandestinas;
• Não fazer mau uso da água;
• Cobrar sempre das autoridades competentes, políticas adequadas de uso da água;
• Cobrar o controle de emissão de resíduos industriais e doméstico, para que eles sejam tratados antes de serem dispostos;
• Fiscalizar se o poluidor está pagando pelo lançamento de resíduos nos rios;
• Lembrar sempre que a água desperdiçada custa para o próprio bolso;
• Os proprietários e síndicos de imóveis devem sempre observar se o hidrômetro está funcionando direito, e controlar o consumo geral;
• Utilizar somente a quantidade de água necessária;
• Regar o jardim, no verão, pela manhã cedo ou à noite, para se evitar a evaporação; no inverno, dia sim e dia não;
• Evitar banhos prolongados e fechar a água enquanto se ensaboa.
• Não deixar a torneira aberta ao escovar os dentes e ao fazer barba;
• Fechar bem as torneiras;
• Verificar se há vazamentos, e chamar um técnico;
• Olhar sempre as condições da caixa d'água, verificando rachaduras e se a boia está em boas condições. Fazer o mesmo para a cisterna;
• Lavar previamente a louça em uma cuba e, em seguida, enxaguá-la em água corrente, evitando manter a torneira aberta todo o tempo;
• Não lavar a calçada com água. Utilizar a vassoura e jogar quantidade mínima de água, apenas quando estritamente necessário;
• Esperar até ter roupas suficientes para encher a máquina de lavar, e assim proceder a lavagem. O mesmo vale para a louça;
• Carro não precisa ser lavado com frequência. Quando for essencial lavá-lo, utilizar um balde apenas, sem sabão, e enxugar com pano limpo úmido.
 
 
Referências
http://www.unep.org/dewa/vitalwater/article192.html
http://www.brasilpnuma.org.br/pnuma/

http://www.usp.br/agen/?p=164665
http://envolverde.com.br/ambiente/e-se-agua-deixar-de-ser-mercadoria/
http://lcf.esalq.usp.br/prof/ciro/lib/exe/fetch.php?media=ensino:graduacao:g7_privatizacao_da_agua.pdf
http://www.rigs.ufba.br/pdfs/RIGS_v1n1_art11.pdf

 

 

 

21
janeiro
2015
Pela primeira vez na América Latina, exposição traz objetos produzidos por Leonardo da Vinci

veja o PROGRAMA da exposição:

Com curadoria do italiano Cláudio Giorgione, a Galeria de Arte do Sesi-SP traz para a cidade parte do acervo do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci (MUST), em Milão, na Itália. Segundo Giorgione, a exposição está centrada no método de trabalho de Da Vinci e se propõe a renovar a percepção sobre sua atuação como engenheiro e pensador, explicando a importância de seu legado no contexto histórico e social da época. “As obras são apresentadas em diferentes linguagens e revelam o quanto a natureza inspirou Leonardo em suas criações”, acrescenta.

A exposição interativa Leonardo Da Vinci: a natureza da invenção, é uma parceria do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e da Universcience (organização francesa criada em 2010, a partir da fusão Cidade da Ciência e da Indústria e do Palácio da Descoberta, de Paris), e reúne mais de 40 peças e dez instalações interativas que marcaram e representam a trajetória de um dos maiores gênios que a humanidade conheceu.

Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção, apresenta o espírito inventivo do renascentista Leonardo da Vinci (1452 - 1519), trazendo objetos como o paraquedas, a catapulta e o parafuso aéreo (inspiração para o nosso atual helicóptero).

As peças expostas foram produzidas por pesquisadores e engenheiros, em 1952, para a celebração do 5º centenário de nascimento de da Vinci (1452-1519).

Foram apresentadas ao público em 1953 e ainda podem ser vistas no MUST, espaço que reúne a maior e mais antiga coleção de modelos e estudos históricos sobre o artista, com base em seus desenhos e códigos. 

Essa mesma mostra já passou por Paris e Munique, respectivamente, e traz informações em três diferentes idiomas - português, inglês e italiano -além de inscrições em braile.

Para aproximar o público do visionário dos tempos modernos, a exposição foi dividida em sete módulos temáticos que representam os vários campos de estudo e trabalho de Da Vinci: Introdução; Transformar o movimento; Preparar a guerra; Desenhar a partir de organismos vivos; Imaginar o voo; Aprimorar a manufatura; e Unificar o saber Esses campos conectam história, emoção, conhecimento, educação e cultura.

Além da oportunidade para conhecer de perto máquinas, desenhos, projetos e esboços do mesmo homem que pintou a obra de arte mais vista do mundo – Mona Lisa (1517) –, os visitantes poderão apreciar peças raras – como a grua com 4,5 metros de altura e 500 kg, projetada por Filippo Brunelleschi (1377-1446): somente com esta grua é que o domo de cobre da famosa igreja Santa Maria del Fiore (Florença, na Itália), a mais de cem metros de altura, pôde ser erguido, no início do séc. XV.

Entre os destaques, obras que representam todas as vertentes do legado davinciano: estudos sobre o automóvel, avião, submarino, bicicleta, tanque de guerra, mecanismos do relógio etc.

Após passagem por São Paulo, a exposição segue para o Science Museum, em Londres.

 

Serviço
“Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção”
Local: Galeria de Arte do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Até 10 de maio de 2015

diariamente, das 10h às 20h (última entrada até 19h40)

Classificação indicativa: livre

Informações: (11) 3146-7405 e 7406

Agendamentos de grupos e escolas: (11) 3146-7396, de segunda a sexta, das 10h às 14h e das 15h às 18h

Entrada gratuita. Os espaços têm acessibilidade

 

Referências

FIESP

SESI SP

Hypeness

Folhinha

G1

Catraca Livre

5
dezembro
2014
SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS

Semana de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo

 

 

Teija Kellosalo - Austria
cartaz sobre direito à educação

cartazes da mostra "Poster for Tomorrow: direitos humanos em cartaz"

 

 

Na próxima semana, comemoram-se 66 anos da adoção da Declaração dos Direitos Humanos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A questão dos direitos do homem não é nova. Remonta ao século VI  antes de Cristo, quando o imperador persa, Ciro, o Grande, libertou os escravos e declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher sua religião e que deveriam ser iguais perante a lei, independentemente de sua raça.  No decorrer da história, distintos povos e governos também estabeleceram parâmetros de direito e igualdade.

Em abril de 1945, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, delegados de cinquenta países reuniram–se em SãoFrancisco (EUA), na Conferência das Nações Unidas, com o objetivo de formar um corpo internacional para promover a paz e prevenir futuras guerras. Os ideais da Organização foram declarados no preâmbulo da sua Carta de Proposta: “Nós,os povos das Nações Unidas, estamos determinados a salvar as gerações futuras do flagelo da guerra que, por duas vezes na nossa vida, trouxe incalculável sofrimento à humanidade”. Assim, foi criada a ONU, em 24 de outubro.

Em 1948, a nova Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, sob a presidência de Eleanor Roosevelt, viúva do presidente americano Franklin Roosevelt, defensora dos direitos humanos e delegada dos Estados Unidos nas Nações Unidas, elaborou o rascunho do documento que viria a converter–se na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

A Declaração dos Direitos Humanos, com 30 artigos, foi adotada pelas Nações Unidas no dia 10 de dezembro de 1948.

No seu preâmbulo e no Artigo 1.º, a Declaração proclama inequivocamente os direitos inerentes a todos os seres humanos: “O desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência dahumanidade, e o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem... Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.”

Infelizmente, apesar de muito saudada até hoje e apesar de grande parte dos países que fazem parte da ONU terem assinado a Declaração, ela não tem força de lei e continua sendo desrespeitada, mesmo pelos países signatários.Para se ter uma ideia, 58 países (dos 192 membros) ainda aplicam a pena de morte, mesmo sendo essa prática condenada pela Organização.

Mesmo assim, há esperanças. E elas se devem também porque, em todos os lugares do mundo, há os que fazem questão de chamar a atenção para a questão dos direitos do homem, sob as mais diversas formas. Vejam a seguir.

 

2º Festival de Direitos Humanos Cidadania nas Ruas

Durante uma semana, de 8 a 14 de dezembro, São Paulo ganha mais de 30 atividades entre debates, encontros e diálogos, cinema, passeios e performances, premiações, um monumento e um grande show no Parque Ibirapuera. Tudo gratuito.

Veja a programação:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/noticias/index.php?p=186141

 

Poster for Tomorrow: Direitos Humanos em cartaz

A exposição Poster for Tomorrow reúne na Caixa Cultural mais de 100 cartazes do mundo todo sobre os direitos humanos.

Os cartazes abordam 6 temas: direito à moradia, igualdade de gêneros, direito à educação, democracia, contra a pena de morte, liberdade de expressão e são de países tão diferentes como China, Eslovênia, Bolívia, Botsuana e, claro, Brasil.

A exposição abre no dia 13/12, sábado, às 11 horas, com a presença de Hervé Matine, presidente da ONG Poster for Tomorrow, vindo da França, e Ivo Herzog, filho do jornalista brasileiro Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura em 1975.
https://www.facebook.com/events/329574520526007/?fref=ts

 

Referências
http://openlink.br.inter.net/aids/declaracao.htm
http://nacoesunidas.org/?post_type=post&s=direitos+humanos
http://www.ideafixa.com/um-logo-para-os-direitos-humanos-vencedor/​
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/​

Veja um pouco mais sobre a história dos direitos humanos:
http://www.humanrights.com/pt/what-are-human-rights/brief-history/cyrus-cylinder.html

 

26
novembro
2014
Os grilos, os gatos, os sem-terra e a história do Brasil

Volta e meia nos damos com o termo “grilagem” nos noticiários. Mas, o que é “grilagem”?

grilagem tem raízes no mais profundo da nossa história; para entender o que quer dizer o termo, temos que voltar ao período colonial. Na época, todas as terras pertenciam à Coroa Portuguesa. Para assegurar a ocupação do território brasileiro, a Coroa concedia enormes partes do território a alguns de seus protegidos que estivessem dispostos a colonizá-las. As regras dessas concessões variaram com o tempo: primeiro, eram algumas poucas mas enormes glebas de terras, as capitanias hereditárias; depois, glebas menores, chamadas de sesmarias. Essas áreas podiam ser transferidas por herança, mas não podiam ser vendidas, já que eram da Coroa.

Nessas grandes glebas de terra havia as grandes plantações de cana (os canaviais e engenhos) onde trabalhariam mais tarde os escravos. Mas, como havia necessidade também de alimentos para os cidadãos livres, havia também um contingente grande de pequenos produtores que trabalhavam pequenos lotes de terra que não lhes pertenciam, cedidas gratuitamente ou não pelos detentores das sesmarias. E, em regiões mais longínquas do interior do país, outros produtores criavam gado, muitas vezes solto e utilizando terras desocupadas, como o sertão do Nordeste, o norte de Minas Gerais e, depois, o Rio Grande do Sul.

Essa forma de ocupação das terras durou até que em 1850 quando o Brasil,  já independente de Portugal, introduziu a propriedade privada da terra na legislação.Funcionou assim: as pessoas que tinham terras concedidas pela Coroa Portuguesa ou pelo Império Brasileiro podiam solicitar ao Império o título de propriedade dessas terras. 

Em teoria, a transformação de uma concessão em propriedade privada valia apenas para as áreas realmente ocupadas e exploradas. Todas as demais terras deviam voltar para as mãos do Império e tornavam-se “terras devolutas”. A partir de então, havia duas maneiras de se tornar um proprietário de terras: comprá-las de algum outro proprietário, ou comprá-las do Império. 

Em muitos países, a distribuição de terras da Coroa aconteceu após as revoluções do final do século XVIII, como na França (revolução que derrubou a monarquia, em 1789) e nos Estados Unidos (independência e proclamação da república). Mas, nesses dois casos – e em muitos outros – essa distribuição seguiu o caminho da democratização da propriedade agrícola e do fortalecimento da agricultura familiar e das pequenas propriedades.

Na França, terras da Coroa foram distribuídas entre vassalos e camponeses que as cultivavam, e leis foram criadas para proteger os arrendatários, etc. Nos Estados Unidos, para colonizar o seu território, o governo doava pequenos lotes de terra a famílias que desejavam explorá-las, privilegiando assim a pequena propriedade e a agricultura familiar. Isso é retratado em muitos filmes de faroeste: são aquelas corridas de famílias em suas carroças, tentando chegar na frente, para ocupar os melhores lotes da área concedida.

No Brasil, seguimos a direção contrária: os protegidos do Império puderam obter o título de propriedade de suas enormes sesmarias, mesmo sem cultivar ou sequer ocupar essas áreas. Outros tantos (protegidos ou simplesmente endinheirados) puderam comprar enormes glebas de terra do Império a preços favorecidos. enquanto alguns, menos protegidos mas também endinheirados, puderam comprá-las. Assim se formaram os latifúndios – grandes propriedades – que ainda ocupam a maior parte do nosso território. 

Em compensação, nada foi feito para proteger os pequenos produtores que estavam no meio das sesmarias ou nas suas margens, cultivando produtos alimentares ou criando gado. Depois que as terras passaram a ser tornaram-se particulares, a permanência desses agricultores nas terras áreas que cultivavam passou a depender apenas da vontade dos novos proprietários. 

Após a abolição da escravidão (1888), nada foi feito tampouco em favor dos antigos escravos; ao contrário, essa lei funcionou para impedir que os enormes contingentes de escravos libertos pudessem ocupar as terras ainda não exploradas e escapar do trabalho nas grandes plantações de cana ou de café. Essa lei está, portanto, na origem de uma das principais causas da pobreza no país: a concentração da posse da terra e o trabalho precário no meio rural. 

Nos séculos seguintes, poucas iniciativas mudaram de forma significativa esse cenário. Para atrair mão de obra para a produção de café, no final do século XIX, ainda nos últimos anos do Império e nos primeiros da República, o governo organizou alguns programas de colonização em pequenas propriedades, destinadas a receber agricultores imigrantes da Europa ou do Japão. Foi assim que se colonizou boa parte do Estado de São Paulo e dos estados do Sul. Posteriormente, durante a ditadura militar (1964-1985), o governo criou projetos similares no Centro-Oeste e no Norte, dessa vez privilegiando as grandes propriedades para criação de gado.

Aos pequenos produtores, que não eram proprietários e que estavam em terras cobiçadas pelos novos proprietários, restavam poucas alternativas. Submetiam-se às vontades dos grandes proprietários tornando-se assalariados ou pagando alguma forma de renda para poder continuar cultivando as áreas, ou migravam para as cidades, ou ocupavam terras em regiões longínquas, ainda não ocupadas. 

Esse tipo de migração foi responsável pela povoação de boa parte de terras e pela criação de inúmeras comunidades de agricultores ou “ribeirinhos”, como no Vale do Ribeira (sul de São Paulo), onde ainda existem mais de 10.000 famílias de agricultores que ali chegaram ao longo dos séculos, misturando-se aos índios sobreviventes e aos escravos fugidos dos quilombos, formando dezenas de comunidades rurais. 

Sem ter o título de propriedade, apenas a posse das terras, esses agricultores são chamados de “posseiros”. Com o Estatuto da Terra, de 1974, os posseiros passam a ter o direito – teórico  – de legalizar suas posses e obter o título de propriedade pela via jurídica. Na prática, a aplicação dessa lei foi extremamente tímida até meados dos anos 80 e só foi aplicada de forma mais massiva a partir dos anos 2000, com um programa de regularização fundiária do governo federal e de alguns governos estaduais.

A lei de 1850 gerou, também, o fenômeno dos “grileiros”. Para se apossar de terras devolutas (que pertenciam ao estado), ou cujos donos eram ausentes, pessoas de má fé usavam – e ainda usam – títulos da propriedade da terra falsificados e, muitas vezes com a cumplicidade de cartórios e juízes, registram as propriedades em seu nome. Vários são os interesses para a existência dessa prática: especulação imobiliária, venda de recursos naturais do local (principalmente madeira), criação de gado ou plantio de soja ou outras culturas, lavagem de dinheiro e até captação de recursos financeiros. Quando essas terras estão ocupadas por índios, quilombolas ou posseiros, eles usam inclusive a força e a violência para expulsá-los dali, contratando, quando necessário, jagunços (capangas) para "limpar" o terreno de seus ocupantes. 

Essa é uma das principais razões para os conflitos fundiários, que provocaram milhares de mortes no campo e persistem até os dias de hoje, com centenas de mortos todos os anos. Isso consta no Livro Branco da Grilagem, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em 2002.

A grilagem de terra é um crime grave praticado ainda hoje em grande escala no interior do Brasil, principalmente na Amazônia. Os grileiros são também alguns dos principais responsáveis pelo desmatamento das florestas tropicais. 

O termo grilagem vem de um antigo macete de falsificadores de documentos de propriedade de terras. Para dar aspecto de velho aos documentos criados por eles, os falsários deixavam os papéis em gavetas com insetos como o grilo, de modo a deixar os documentos amarelados (devido aos excrementos dos insetos) e roídos, dando-lhes uma aparência antiga e, por consequência, mais verossímil.

Gato é a pessoa que contrata trabalhadores braçais (boias-frias ou volantes) como mão de obra para as fazendas ou projetos agropecuários. 

Sem-terra é o trabalhador organizado em busca de acesso à terra para plantar e para dela viver.

 

Referências:

http://www.klickeducacao.com.br/bcoresp/bcoresp_mostra/0,6674,POR-969-6465,00.html

http://ambiente.hsw.uol.com.br/grilagem.htm

http://multimidia.brasil.gov.br/regularizacaofundiaria/texto-grilagem.html

http://multimidia.brasil.gov.br/regularizacaofundiaria/texto-grilagem.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grileiro

http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Grupo1B/colonizacao.html

http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/meninos-do-contestado/

7
novembro
2014
ÍTACA, poema de Constantino Kavafis

 

Se partires um dia rumo à Ítaca 
Faz votos de que o caminho seja longo 
repleto de aventuras, repleto de saber. 
Nem lestrigões, nem ciclopes, 
nem o colérico Posidon te intimidem! 
Eles no teu caminho jamais encontrarás 
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes 
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti. 
Faz votos de que o caminho seja longo. 
Numerosas serão as manhãs de verão 
Nas quais com que prazer, com que alegria 
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto 
Para correr as lojas dos fenícios 
e belas mercancias adquirir. 
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos 
E perfumes sensuais de toda espécie 
Quanto houver de aromas deleitosos. 
A muitas cidades do Egito peregrinas 
Para aprender, para aprender dos doutos. 
Tem todo o tempo ítaca na mente. 
Estás predestinado a ali chegar. 
Mas, não apresses a viagem nunca. 
Melhor muitos anos levares de jornada 
E fundeares na ilha velho enfim. 
Rico de quanto ganhaste no caminho 
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse. 
Uma bela viagem deu-te Ítaca. 
Sem ela não te ponhas a caminho. 
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. 
Ítaca não te iludiu 
Se a achas pobre. 
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência. 
E, agora, sabes o que significam Ítacas. 

Constantino Kabvafis (1863-1933) 
in: O Quarteto de Alexandria - trad. José Paulo Paz.

31
outubro
2014
4 exposições comemoram os 100 anos de Lina

A arquitetura política

Lina designer

Lina gráfica

Maneiras de expor

Em 5 de dezembro de 2014, Lina Bo Bardi faria 100 anos.
Para marcar essa data, uma série de exposições sobre seu trabalho estão sendo montadas no Brasil e no exterior.

Achillina Bo Bardi (Roma, Itália 1914 - São Paulo, SP 1992) foi arquiteta, designer, cenógrafa, editora e ilustradora. Após estudar desenho no Liceu Artístico, formou-se, em 1940, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma.  Em desacordo com o ambiente fascista que predominava na cidade, na época, ela se transferiu para Milão, onde trabalhariacom o arquiteto Gió Ponti (1891 - 1979), líder do movimento pela valorização do artesanato italiano e diretor das Trienais de Milão e da revista Domus. Em pouco tempo, Lina passou a dirigir a Domus e a atuar politicamente, integrando aResistência à ocupação alemã, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e colaborando com o Partido Comunista Italiano - PCI, então clandestino.

Em 1946, após o fim da guerra, casou-se com o crítico e historiador da arte Pietro Maria Bardi (1900 - 1999), com quem viajaria para o Brasil - país no qual o casal decidiu se fixar e que Lina chamria de "minha pátria de escolha".

No ano seguinte, Pietro Maria Bardi foi convidado pelo jornalista Assis Chateaubriand (1892 - 1968) a fundar e dirigir o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp. Lina projetaria as instalações do museu, bem como algum mobiliário, como a cadeira dobrável de madeira e couro para o auditório do museu, considerada "a primeira cadeira moderna do Brasil". 

Criaria ainda, em 1950, a revista Habitat que,dedicada à arquitetura, duraria até 1954. Em 1951, projetou sua própria residência, no bairro do Morumbi, em São Paulo: uma construção apelidada de "casa de vidro" e considerada obra paradigmática do racionalismo artístico no país. Hoje, a Casa de Vidro abriga o Instituto Lina e Pietro Maria Bardi,estando aberta a visitação. 

Em 1957, Lina iniciou, então, o projeto para a nova sede do Masp, na avenida Paulista obra completada apenas em 1968, que mantém a praça-belvedere aberta no piso térreo, suspendendo o edifício com um vão livre de 70 metros, extremamente ousado para a época.

Em 1958, é convidada pelo governador da Bahia, Juracy Magalhães, a dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM/BA, e muda-se para Salvador. Lá também se relaciona criativamente com uma importantes artistas vanguardistas, como o fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger e o cineasta Glauber Rocha, realizando o projeto de restauro do Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico do século XVI, tombado e ainda hoje importante centro cultural e ícone da arquitetura de Lina. 

De volta a São Paulo após o golpe militar de 1964, incorporou em seus projetos o legado da temporada no Nordeste,adotando uma radical simplificação da linguagem e assumindo o que qualificou como "arquitetura pobre". Bons exemplos dessa fase são os suportes museográficos da exposição A Mão do Povo Brasileiro, 1969, feitos de tábuas de pinho de segunda; o edifício do Sesc Pompéia, 1977, adaptação de uma antiga fábrica de tambores; e o Teatro Oficina, 1984, construção que desmonta a relação palco-plateia pela criação de um teatro-pista.

Em São Paulo, atualmente há 4 exposições em homenagem à Lina (veja abaixo). Além das exposições brasileiras, outras homenagens acontecem até julho de 2015, em Zurique (Suíça), Nova York (EUA), Roma (Itália) e Munique (Alemanha).


São essas as 4 exposições:

1- Lina Bo Bardi DesignerO Mobiliário dos Tempos Pioneiros, na Casa de Vidro. A mostra reúne 30 móveis, entre peças finalizadas e protótipos, desenhos originais e fotografias, que acompanham a trajetória de Lina desde a chegada ao Brasil,em 1947, incluindo suas criações para o MASP, para o Studio de Arte Palma e para sua sede própria, na rua 7 de Abril. 

2- Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi, no Museu da Casa Brasileira. A exposição traz desenhos, cartazes e fotos originais de exposições realizadas por Lina, além de 6 exemplares dos famosos cavaletes de vidro criados pela arquiteta. A partir da pesquisa em documentos e fotografias, e da construção de maquetes e expositores em escala, foram montadas ambientações que transformam as salas do MCB em modelos de aproximação de mostras como Caipiras, capiaus: pau-a-pique, Bahia no Ibirapuera, além das pinacotecas do MASP 7 de abril e MASP Paulista.

3-A Arquitetura Política de Lina Bo Bardi, no Sesc Pompéia, aborda a arquitetura de Lina em três grandes projetos: Solar do Unhão (em Salvador), Masp (Museu de Arte de São Paulo) e o próprio Sesc Pompéia.

Há desenhos originais de Lina, estudos, plantas, projetos, textos originais, material fotográfico de acervo e documentos relacionados a cada uma das três obras, além de 3 vídeos, mostrando o pensamento de Lina e abordando todo o contexto e processo construtivo nas obras.

A mostra tem curadoria dos arquitetos André Vainer e Marcelo Ferraz, que trabalharam 15 anos com Lina.

4- Lina Gráfica, também no Sesc Pompéia, aborda o pensamento gráfico de Lina, em cerca de 100 peças, quase todas pertencentes ao acervo do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.

Com curadoria de João Bandeira e Ana Avelar, são expostas ilustrações, desenhos originais, cartazes e outros tipos de desenhos não arquitetônicos, produzidos entre 1940 e 1980, na Itália e no Brasil. Há projetos de cartazes para exposições no Sesc, croquis do próprio logotipo do Sesc Pompéia,desenhos feitos em bico de pena na juventude, quando cursou o Liceu Artístico de Roma e trabalhos como ilustradora de revistas italianas (Bellezza, Grazia, Lo Stile Domus), além de sua criação da revista Habitat, início de sua atuação no Brasil.

 

Serviço

arquitetura política de Lina Bo Bardi Lina gráfica
até 14 de dezembro de 2014.
Terça a sexta, das 10h às 21h
sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

Área de Convivência do SESC Pompeia – Rua Clélia, 93, Pompeia
Mais informações: (11) 3871-7700 ou www.sescsp.org.br
Entrada gratuita

Lina Bo Bardi Designer: O Mobiliário dos Tempos Pioneiros
até 6/12, de quinta a domingo, das 10h às 16h30.

Casa de Vidro: r. General Almério de Moura, 200, Morumbi, SP
tel 11 
3743 3875
Entrada gratuita

Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi:
até 9/11, de terça a domingo, das 10h às 18h.

Museu da Casa Brasileira: av. Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, SP
tel 11 3032 3727
Entrada gratuita

Veja a Linha do tempo de Lina:
http://www.institutobardi.com.br/linha_tempo.asp#

Mais referências:
http://www.sescsp.org.br/programacao/41315_A+ARQUITETURA+POLITICA+DE+LINA+BO+BARDI#/content=saiba-mais
http://www.sescsp.org.br/programacao/41322_LINA+GRAFICA#/content=saiba-mais
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1646/Lina-Bo-Bardi
http://www.mcb.org.br/mcbItem.asp?sMenu=P002&sTipo=5&sItem=2819&sOrdem=0
http://guia.uol.com.br/sao-paulo/exposicoes/noticias/2014/10/08/centenario-de-lina-bo-bardi-e-celebrado-em-quatro-exposicoes-em-sp.htm
http://www.lilianpacce.com.br/e-mais/100-anos-de-lina-bo-bardi/

27
outubro
2014
Malala Yousafzai: a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel

A estudante paquistanesa Malala Yousafzai tornou-se no último dia 10 de outubro a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Aos 17 anos, Malala foi premiada em função de sua luta pelo direito das mulheres à educação, no Paquistão dominado pelo regime talibã. Ela dividiu o prêmio com Kallash Sartyarthi, de 60 anos, ativista dos direitos das crianças, na Índia.

Malala Yousafzai era uma menina de 15 anos, quando ganhou a simpatia do mundo, após sobreviver a um atentado dos talebans, por defender os direitos de as mulheres estudarem, no seu país:  em 9 de outubro de 2012, sob alegação de que ela “promovia a cultura ocidental em áreas pashtuns”, membros do grupo fundamentalista Taleban atacaram o ônibus escolar onde Malala estava e a atingiram gravemente, com tiros na cabeça.

Logo após o ataque, Malala foi levada de helicóptero para um hospital militar em Peshawar, capital do Paquistão. Em seguida, foi transferida para Londres, onde finalizou o tratamento. Ainda perseguida no Paquistão (foi jurada de morte, pelo mesmo grupo), vive com sua família em Birmingham, Inglaterra. Hoje é uma bem-articulada ativista internacional pelo direito à educação das meninas e contra o fundamentalismo religioso. Isso sempre incentivada pelo pai, o professor paquistanês Ziauddin Yousafzai, que cedo descobriu o gosto da filha pelos estudos em áreas como literatura e humanidades. Ele próprioera dono de uma escola mista, fechada em 2010, quando o vale do Swat foi ocupado pelo Taleban.

No mundo todo, 32 milhões de meninas estão fora da escola, por alguns motivos: a concepção cultural em alguns lugares sobre o papel da mulher na família (prega-se que a mulher deve apenas cuidar da casa e da família), a falta de segurança no caminho à escola (principalmente em áreas de conflito ou onde as mulheres são mais vulneráveis) e preconceitos dentro da escola mesmo, em países onde a mulher é mais discriminada. Só no Paquistão, 3,2 milhões de garotas estão fora das escolas” (dados da KidsRights).

Em 2012, Malala recebeu o Prêmio Internacional da Paz das Crianças, em Haia, premiação da organização humanitária KidsRights; criou o Fundo Malala com a doação de US$ 200 milhões feita pelo Banco Mundial para apoiar a educação das meninas no mundo e, no último dia 10 de outubro, foi a mais jovem agraciada com o Prêmio Sakharov de Liberdade de Expressão, do Parlamento Europeu, o mais importante prêmio de direitos humanos da União Europeia. Além disso, foi a pessoa mais jovem do mundo indicada ao Prêmio Nobel da Paz 2013, concedido à Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq). 

No Brasil, seu livro Eu sou Malala, escrito com a jornalista Christina Lamb, foi publicado pela Companhia das Letras. No prólogo “O dia em que meu mundo mudou”, ela diz: “Venho de um país criado à meia-noite. Quando quase morri, era meio-dia.Há um ano saí de casa para ir à escola e nunca mais voltei. Levei um tiro de um dos homens do Taleban e mergulhei no inconsciente do Paquistão. Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém”.

Malaia desejava ser médica, agora quer ser primeira-ministra do Paquistão.

Referências:
http://www.blogdacompanhia.com.br/2014/10/malala-yousafzai-ganha-o-premio-nobel-da-paz/
http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=5511&id_coluna=20
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/10/malala-vence-nobel-da-paz.html
http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/malala-a-garota-paquistanesa-que-foi-atacada-pelo-taleba-porque-queria-estudar-ganha-o-premio-nobel-da-paz/2014/10/10/
http://www.thesundaytimes.co.uk/sto/news/uk_news/National/article1323995.ece

9
outubro
2014
Exposição Mãos no Barro da Cidade: uma olaria no coração de Pinheiros

Debaixo do asfalto e do concreto da cidade há muitos vestígios de antigamente, que retratam a vida de nossos antepassados. A arqueologia urbana traz à luz diversos objetos que desvendam e contam a história da cidade, às vezes distante, às vezes mais próxima de nós. Quase ninguém sabe, mas São Paulo tem mais de 130 sítios arqueológicos e ainda há muitos por serem abertos. 

Em 2010, devido a uma obra pertinho da ponte da Eusébio Mattoso, sobre o Rio Pinheiros, no bairro de mesmo nome, foram descobertos vestígios de fornos e potes de barro que trazem novas contribuições a respeito da história desse bairro paulistano da Zona Oeste. Mais de 50 mil peças foram coletadas durante as escavações,  além de identificados oito restos de fornos, no que se chamou de Sítio Arqueológico Pinheiros 2.
A Essa antiga olaria foi encontrada quando uma construtora contratou o estudo arqueológico, antes de iniciar as obras de seu empreendimento, localizado entre as ruas Amaro Cavalheiro, Butantã e Paes Leme.
Em função de suas características, os arqueólogos acreditam que as louças encontradas foram produzidas há mais de 200 anos e atendiam tanto ao consumo da cidade como a regiões mais distantes e que a olaria que devem ter produzido pelo menos 10 mil objetos de cerâmica, ao longo de 100 anos. Havia muita argila próxima ao Rio Pinheiros e a então facilidade do transporte fluvial também reforça a ideia de que a produção era escoada para outros lugares.
 
No geral, as peças eram de boa qualidade, com cerâmica branca e regular. Apesar do formato europeu, algumas das leiteiras, frigideiras e potes apresentavam padrões de decoração indígenas e africanos, o que indica que a mão de obra era diversificada – se era escrava ou não ainda não se sabe.
 
“Não sabemos se as louças eram só para consumo local, mas sabemos que havia distribuição. Nada impede que essa olaria tenha produzido potes que chegaram com os bandeirantes no Mato Grosso ou na Amazônia”, diz Paulo Zanettini, proprietário da empresa de arqueologia encarregada do projeto.
 
Disseminando o conhecimento
A divulgação dos resultados das escavações à população será por meio de um programa educativo que conta com a exposição itinerante “Mãos no barro da cidade: uma olaria no coração de Pinheiros”. Simultaneamente, os pesquisadores realizarão oficinas, palestras e rodas de conversa em escolas, ONGs e espaços públicos do bairro.
A exposição utiliza uma tecnologia inovadora, permitindo que os visitantes manipulem réplicas das cerâmicas e brinquem com modelos virtuais 3D. Além disso, será possível ter uma ideia de como era a olaria e a região no passado, a partir de reconstituições gráficas e computadorizadas por meio da chamada Realidade Aumentada, técnica que combina elementos virtuais com o ambiente real.
“Somos arqueólogos e falamos do mundo através das coisas, e nada melhor do que poder pegar os documentos na mão”, diz Zanettini.
 
Em formato itinerante, a mostra circula pelo bairro de Pinheiros durante os meses de setembro e outubro.
Ela está dividida em dois módulos: no primeiro há um ambiente imersivo voltado a apresentar como foi feita a pesquisa.
No segundo são descritas as peças encontradas, técnicas de fabricação e sua utilização, sendo estabelecido um diálogo com os antigos oleiros e oleiras que ali trabalharam.
As peças encontradas são descritas, juntamente com as técnicas de fabricação e sua utilização, mostrando também como eram esses trabalhadores.
É possível, ainda, baixar um aplicativo para conhecer todo o processo e a exposição, além de visualizar a própria exposição no site da Zanettini.

Veja as informações abaixo e bom passeio ao passado!
http://www.zanettiniarqueologia.com.br/olaria-metropole.html
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2014/09/tecnologias-de-ponta-abrem-novas-possibilidades-para-exposicoes-arqueologicas.html
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,arqueologos-acham-vestigio-de-olaria-em-pinheiros,1566866
 

É possível baixar na App Store o aplicativo da exposição
 

24
setembro
2014
Está começando agora o ano judaico de 5775!
postado sob cultura, história

Comemora-se a partir de hoje o Rosh Hashaná (literalmente “Cabeça do Ano”, em Hebraico), o Ano Novo pelo calendário judaico.  Pela história da religião, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, Deus criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele. 

A cada Rosh Hashaná, o judaísmo coroa o seu rei, Criador do Mundo, anunciando isso com o soar do Shofar - instrumento sonoro, feito de chifre - símbolo central do Rosh Hashaná. Ao seu toque, desperta-se a necessidade da comunhão entre irmãos, o retorno à fé, além de conduzir cada indivíduo para um exame de consciência. 

O Rosh Hashaná é um período de grandes festas, reflexões, de conservar e transmitir ensinamentos às gerações mais jovens. É o momento de se consolidar o estilo de vida judaico, por meio de suas tradições e de sua religião. 

Tradicionalmente, na noite do Rosh Hashaná os judeus vão à sinagoga rezar. Em seguida, as famílias se reúnem em volta da mesa de jantar onde há rezas e vários alimentos simbólicos são ingeridos sendo que um pedido é feito para cada alimento. 

Uma fatia de maçã doce é mergulhada no mel, ao recitar a bênção da fruta (Borê Peri Haetz):”Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce”. E assim, para cada alimento (mel, peixe, romã, cabeça de carneiro ou peixe,feijão, abóbora, tâmara), há uma reza e uma simbologia específica. Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. 

SHANA TOVAH UMETUKAH - um ano doce para todos!

10
setembro
2014
E esse numerão do código de barras???  O que é?

Os 13 dígitos estão agrupados em cinco blocos e cada um deles está separado do anterior por uma guia. Este número vem sempre precedido pelas siglas ISBN. Veja o significado de cada grupo:

  1. O primeiro é um número de 3 dígitos que identifica o livro como produto. Até hoje são usados os códigos 978 e 979.

  2. O segundo bloco, chamado de Identificador de grupo, identifica o grupo nacional, geográfico ou linguístico do editor. Ao Brasil, corresponde o número 85.

  3. O terceiro é o prefixo editorial, que pode identificar uma editora concreta ou ser um prefixo coletivo, como o outorgado aos autores-editores.

  4. o quarto corresponde ao Número de título, que identifica o título específico ou a edição de una obra.

  5. O quinto e último grupo corresponde ao Dígito de verificação. Consta de um só dígito, e garante a correta utilização de todo o sistema.

     

PARA QUE SERVE O ISBN

Criado inicialmente em 1967 e oficializado como norma internacional em 1972,
o ISBN - International Standard Book Number - é um sistema usado
mundialmente, que identifica numericamente os livros segundo o título, o
autor, o país e a editora, individualizando-os inclusive por edição.
O sistema é controlado pela Agência Internacional do ISBN, que orienta e
delega poderes às agências nacionais. No Brasil, a Fundação Biblioteca
Nacional representa a Agência Brasileira desde 1978, com a função de
atribuir o número de identificação aos livros editados aqui. 
A partir do número gerado é que se cria o código de barras que identifica
uma publicação (é exatamente aquele número que aparece junto do código de
barras). Esse número especifica o país, idioma, editora, publicação, etc.
Assim podemos saber de onde vem um livro e em qual idioma está escrito,
dependendo dos primeiros números do código antes do hífen (o código do
Brasil é 85).
A partir de 1º de janeiro de 2007, o ISBN passou de dez para 13 dígitos, de
modo a aumentar a capacidade do sistema, devido ao crescente número de
publicações, com diferentes edições e formatos. Essa é a diferença entre o
ISBN-10 e o ISBN-13.
Também existem outros códigos, tais como ISMN, para a música; ISAN, para os
filmes, games e meios audiovisuais; ISSM, para periódicos e revistas, e até
o ASIN, código que a loja virtual Amazon usa para identificar seus produtos.

Para mais informações, acesse o site da Agência Brasileira do ISBN:
http://www.isbn.bn.br/website/

Mais referências:
http://www.cbl.org.br
http://blog.ludoeducativo.com.br/o-que-e-o-isbn/=
http://www.bibliofiloenmascaradhttp://www.bibliofiloenmascarado.com/2010/12/23/el-isbn-se-privatiza-en-espana/o.com/2010/12/23/el-isbn-se-privatiza-en-espana/

28
agosto
2014
Um livro sobre plantas medicinais do Acre impresso em papel sintético???????

Fotos do lançamento do livro no Parque Laje, Rio de Janeiro, em 18/07/2014 
Midia Ninja - Creative commons

Pois é! Essa solução servirá para manter o livro Una Isĩ Kayawa por mais tempo, nas condições adversas da floresta:umidade, barro, etc. Foi usado o Vitopaper, material produzido pela empresa Vitopel e originalmente desenvolvido por Sati Manrich, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos, SP (UFSCar), com apoio da Fapesp.

O plástico é proveniente de embalagens e depois é higienizado e moído. Em seguida, são adicionadas algumas partículas minerais para a obtenção de propriedades – como brilho, brancura, contraste, dispersão e absorção de luz – e resistência mecânica à tração e dobras.A mistura é colocada em uma máquina extrusora a altas temperaturas, onde se funde e depois transforma-se em uma folha fina, semelhante a um papel fabricado com celulose, que será cortada.

Segundo o fabricante, para cada tonelada de Vitopaper produzido, são retirados das ruas e lixões 750 quilos de resíduos plásticos, e cerca de 30 árvores deixam de ser derrubadas.

O livro Una Isĩ Kayawa, lançado recentemente em várias cidades do Brasil, propõe-se a preservar o conhecimento sobre plantas medicinais transmitido oralmente há séculos pelos pajés do povo indígena Huni Kuĩ (também conhecidos pelos nomes de “Kaxinawá”), grupo mais numeroso do Acre, que vive à beira do rio Jordão. Sua presença vai até parte do Peru. No Brasil, somam mais de 7 mil indivíduos, divididos em 12 diferentes terras. O “livro da cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias de uma dessas terras indígenas que se estende pelo rio Jordão.

Chamado de “Livro da Cura” e produzido pelo Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IJBRJ) e pela Editora Dantes, ele descreve 109 espécies da terapêutica indígena, em uma tiragem de 3.000 exemplares em papel comum, couchê, e mais 1.000 no papel sintético, destinado exclusivamente às aldeias indígenas.

O projeto foi idealizado pelo pajé Agostinho Manduca Mateus Ĩka Muru, que morreu pouco tempo antes de a obra ser concluída. A pesquisa e a organização das informações levaram dois anos e meio e foram coordenadas pelo botânico Alexandre Quinet, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

“O pajé Ĩka Muru era um cientista da floresta, observador das plantas. Há mais de 20 anos ele vinha reunindo esse conhecimento até então oral, em seus caderninhos. Buscando informações com os mais antigos e transmitindo para os aprendizes de pajé. Ele tinha o sonho de registrar tudo em um livro impresso, como os brancos fazem, e deixar disponível para as gerações futuras”, contou Quinet. O “Livro da Cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias das terras indígenas que se estendem pelo rio Jordão.

Todo o conteúdo do livro, que apresenta não apenas as plantas medicinais, mas também um pouco da cultura do povo Huni Kuĩ, como hábitos alimentares, músicas e concepções sobre doença e espiritualidade, está escrito em “hatxa kuĩ” – a língua falada nas aldeias do rio Jordão – e traduzido para o português.

“O objetivo inicial do pajé Ĩka Muru era criar um material de ensino para aprendizes de pajé, visando a facilitar a localização das plantas nos jardins medicinais. Mas o livro também tem o objetivo de difundir a cultura da tribo  e a importância de sepreservar a floresta de forma ampla. Buscaram o Jardim Botânico para que esse conhecimento pudesse ser universalizado dentro de bases científicas”, disse Quinet.

Referências:
http://agencia.fapesp.br/19667
https://www.facebook.com/UnaIsiKayawa?fref=ts​
http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/jardim-botanico-do-rio-lanca-livro-de-plantas-medicinais-em-tribo-no-acre,1654b87cd9106410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

 

23
julho
2014
Do Macaco ao Homem: exposição registra evolução humana

Os 7 milhões de anos que marcaram a trajetória evolutiva da humanidade estão reeditados na nova exposição permanente Do Macaco ao Homem, no espaço Catavento Cultural, em São Paulo. A mostra exibe  a evolução da espécie humana por meio de réplicas fiéis de ossadas, ferramentas, artefatos de pedra lascada e objetos do cotidiano dos nossos ancestrais.

O grande objetivo desse projeto é tornar disponível um extenso acervo de réplicas arqueológicas e transformá-lo em um museu de história natural na cidade de São Paulo, inexistente até então na capital. A exposição, que levou 7 anos de elaboração, foi concebida a partir do projeto do arqueólogo e antropólogo físico Walter Neves, coordenador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos, do Instituto de Biociências (IB) da USP.

O laboratório, que se dedica ao estudo da evolução humana, já colecionava peças há 20 anos, por meiode compras e de trocas com outras instituições, constituindo a maior coleção evolutiva da América Latina. “Nas últimas três ou quatro décadas, foram encontrados muitos fósseis de hominídeos na África e em outras partes do Velho Mundo”, e “o principal objetivo da exposição é mostrar que os conhecimentos sobre o processo que levou ao surgimento dos hominídeos e do homem moderno já estão bastante avançados. Agora podemos caracterizar, com um elevado grau de certeza, os principais passos de nossa linhagem evolutiva”, afirma Neves. “Sempre foi um sonho compartilhar o acervo com a sociedade”, ressalta Neves.

No Catavento Cultural, que se interessou prontamente pelo projeto, Do macaco ao homem inaugura um novo espaço didático no interior do Palácio das Indústrias, o prédio histórico da instituição: as arcadas no subsolo, que dão criam um clima de exploração, como se os visitantes participassem de uma verdadeira expedição arqueológica.

Uma das coisas mais impressionantes da exposição exibição é a quantidade e a qualidade das réplicas de esqueletos de hominídeos e de grandes símios – ao lado de uma ossada completa de Homo Sapiens, há outra, de chimpanzé, e uma terceira, de gorila, nossos parentes mais próximos na ordem dos primatas –além de artefatos de pedra lascada e de osso, cunhados pelo homem moderno e seus antepassados. “Noventa por cento das réplicas foram feitas a partir de peças da nossa coleção que está na USP”, comenta Neves. As cópias de Lucy (famoso fóssil de Australopithecus afarensis ) e dos macacos vieram dos Estados Unidos. Há também reproduções das representações artísticas feitas pelo homem moderno durante o que Neves denomina a “explosão criativa do Paleolítico Superior”, por volta de 45 mil anos atrás. Para ilustrar esse momento-chave da evolução humana, foram destacadas cópias de trechos de famosas pinturas rupestres, como os murais das grutas de Lascaux e Chauvet, na França, e de Altamira, na Espanha.

Como se disse, para a exposição, réplicas em resina foram feitas a partir das de outras já existentes na USP, a fim de se conservarem as peças estas últimas, que são usadas para pesquisas do Laboratório da Universidade.

SERVIÇO
Catavento
Palácio das Indústrias (antiga sede da Prefeitura), Parque D. Pedro.
mapa: http://www.cataventocultural.org.br/mapas

De terça a domingo, das 9h às 16h, com permanência até 17h. Entrada: R$ 6,00 / Meia entrada: grátis Estacionamento até 4h: R$ 10,00,com adicional por hora: R$ 2,00.

Acesso para pessoas com deficiência motora

Referências

http://www.cataventocultural.org.br
http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/01/13/macaco-ao-homem/
http://www5.usp.br/40238/do-macaco-ao-homem-exposicao-do-catavento-registra-evolucao-da-especie-humana/=

22
julho
2014
Ocupação Aloísio Magalhães
postado sob arte, cultura, história

Em homenagem ao Design brasileiro e a um de seus mais importantes pensadores, o Itaú Cultural inaugura no dia 26 de julho a “Ocupação Aloisio Magalhães”, exposição que retrata os múltiplos caminhos percorridos por ele: seja como artista plástico, seja como designer ou político cultural. Não perca!

 

Quem foi Aloisio Magalhães

Aloisio Magalhães, nascido em 1927 no Recife, foi uma das figuras mais importantes da Cultura Brasileira do séc. XX. Formado em Direito, acabou se dirigindo à área artística e cultural. Foi pintor, pioneiro do design gráfico no Brasil, administrador cultural e, acima de tudo, defensor do patrimônio histórico e artístico.

Em 1949, participou do IV Salão de Arte Moderna do Recife. Dois anos mais tarde, recebeu bolsa do governo francês para curso de Museologia no Louvre. Em 1953 participou da II Bienal de São Paulo com duas pinturas.

Em 1954, fundou, no Recife, o Gráfico Amador, mistura de atelier gráfico e editora, com Gastão de Hollanda, Orlando da Costa Ferreira e José Laurênio de Mello. Expôs no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Ministério da Educação e Cultura. Em 1955, participou da III Bienal de São Paulo.

Nos anos seguintes, realizou inúmeras exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.  O Museu de Arte Moderna de Nova York adquiriu seu quadro PAISAGEM, 1956, feito com guache e nanquim.

Publicou ANIKI BOBÓ, "ilustrado" por João Cabral de Melo Neto, e IMPROVISAÇÂO GRÁFICA, no qual interpreta tipograficamente textos de autores diversos. Em 1960, integrou a representação brasileira, na XXX Bienal de Veneza, e iniciou atividade de designer, fundando o que, dentro de poucos anos, se tornaria o mais importante escritório de Design do país.

A partir de então, dedicou-se integralmente a essa atividade, criando inúmeros símbolos e diversificadas peças gráficas para os mais variados fins. Integrou, em 1963, o grupo criado pelo governador do então Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, para organizar a Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI, a primeira escola de Design na América Latina e até hoje uma das principais do Brasil.

Em 1964, ganhou o concurso para criação do símbolo do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro. Como designer, este será seu primeiro trabalho de grande repercussão pública. No ano seguinte, elaborou projetos de identidade visual para a Light S.A. e para a Bienal de São Paulo, ambos resultados de concursos fechados apenas para profissionais convidados.

Tornou-se consultor da Casa da Moeda e do Banco Central do Brasil para o desenvolvimento de novos desenhos para notas e moedas brasileiras.

Em 1970, desenvolveu o primeiro grande projeto de Design no país, para a Petrobrás, abrangendo desde a criação do símbolo da empresa até suas embalagens, os elementos de identidade visual nos postos de distribuição e a bomba de gasolina.

Continuou, nesse tempo, também com seu trabalho de pintura e de atividade pictórica e apublicação de livros. Dando continuidade à atividade de design, seu escritório desenvolveu sistemas de identidade visual para grandes empresas nacionais, privadas e estatais - Banco Central do Brasil, Caixa Econômica Federal, Complexo Petroquímico de Camaçari, Furnas Centrais Elétricas, Banco Nacional, Companhia de Gás de São Paulo, Itaipu Binacional, Comlurb - Companhia Municipal de Limpeza Urbana, Grupo Peixoto de Castro, Companhia União dos Refinadores de Açúcar e Café, Companhia Souza Cruz, entre outras.

Em 1975, coordenou e implantou uma instituição dedicada à analise da cultura brasileira - o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC) -, sua primeira investida no território das ações de Estado em relação à cultura.

Aloisio Magalhães foi nomeado, em 1979, diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan -  e secretário da Cultura, do Ministério da Educação e Cultura, em 1981. Na década de 1980, iniciou campanha pela preservação do patrimônio histórico brasileiro. Apresentou propostas especialmente em relação a Ouro Preto  (MG) e às ruínas de São Miguel das Missões (RS).

Em junho de 1982, participou de uma reunião de Ministros da Cultura dos países de língua latina, em Veneza. Após ser eleito presidente do encontro, Aloísio fez ali seu último pronunciamento - uma defesa apaixonada e veemente das questões prementes da nossa sociedade em oposição à vertente que tratava essas questões apenas pela esfera culta. Logo após, sofreria violento derrame cerebral. Às pressas, foi conduzido para Pádua, onde viria a falecer na madrugada de 13 de junho.

 

SERVIÇO

Itaú Cultural
atendimento@itaucultural.org.br
tel 11 2168 1777
Avenida Paulista, 149
São Paulo/SP

De SÁBADO, 26 JULHO, a DOMINGO, 24 AGOSTO.

De terça a sexta: das 9h às 20h [permanência até as 20h30]; aos sábados, domingos e feriados: das 11h às 20h.

referências:
http://www.mamam.art.br/mam_apresentacao/aloisio.htm
http://www.esdi.uerj.br/arcos/arcos-05-2/05-2.03.jplacido-o-design-diferencial.pdf
http://www.revistaleaf.com.br/dia-do-designer-aloisio-magalhaes/1377
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=543&cd_idioma=28555

 

25
junho
2014
Museu do Futebol homenageia centenário da Seleção Brasileira

Por ocasião da Copa do Mundo, sediada no Brasil, e da vinda de muitos torcedores estrangeiros para o país, o Museu do Futebol (SP) inaugura um espaço (Lounge) em homenagem ao centenário da Seleção Brasileira e tem uma programação especial para o período, com saraus de poesia, audiovisuais, performances litarárias, lançamentos de livros, oficinas, jogos educativos e outras atividades. 

Além disso, tematividades relativas a outros países que participam da Copa e transmissão dos jogos, que não os do Brasil.

As atividades serão gratuitas e o lounge funcionará de terça a domingo, das 10 às 20 h (até dia 13 de julho) e das 10 às 17h (de 15/07 a 03/08), com entrada independente do Museu do Futebol.

 

PROGRAMAÇÃO LOUNGE 100 ANOS DE SELEÇÃO BRASILEIRA

Exibição de jogos da Copa

13/6 - 13h: México e Camarões
14/6 - 13h: Grécia e Colômbia; 16h: Uruguai e Costa Rica; 19h: Inglaterra e Itália
15/6 - 13h: Suíça e Equador; 16h: França e Honduras; 19h: Argentina e Bósnia
17/6 - 13h: Bélgica e Argélia; 19h: Rússia e Coreia do Sul
18/6 - 13h: Austrália e Holanda; 16h: Espanha e Chile; 19h: Camarões e Croácia
19/6 - 16h: Uruguai e Inglaterra
20/6 - 13h: Itália e Costa Rica; 16h: França e Suíça
21/6 - 13h: Argentina e Irã
22/6 - 13h: Bélgica e Rússia; 19h: Estados Unidos e Portugal
24/6 - 13h: Itália e Uruguai // Costa Rica e Inglaterra; 17h: Japão e Colômbia// Grécia e Costa do Marfim
25/6 - 13h: Argentina e Nigéria // Bósnia e Irã; 17h: Equador e França//Honduras e Suíça
26/6 - 13h: Portugal e Gana // EUA e Alemanha; 17: Coreia e Belgica//Argélia e Rússia
28/6 (Oitavas de final – jogos a definir)
29/6 (Oitavas de final – jogos a definir)

ATIVIDADES EDUCATIVAS E EXIBIÇÃO DE FILMES RAROS DO ACERVO DA TV GLOBO

O Lounge exibirá filmes do “Baú da Memória”, vídeos raros da TV Globo sobre a seleção brasileira.
Esse filme estará disponível ao público no momento em que não houver programação. As manhãs serão dedicadas a atividades educativas oferecidas pelo Núcleo de Ação Educativa do Museu.

SARAUS DE POESIA

20/06 – 20h às 21h Campeonato de poesia ZAP - com diferentes poetas do coletivo ZAP (Zona Autônoma da Palavra), que declamam poemas e o público atua como jurado.
21/06 – 20h: Futebol e Hai Kai - uma homenagem à comunidade japonesa, que há mais de 100 anos trouxe esse gênero poético para as terras brasileiras.
22/06 – 15h às 16h: Bate-papo com Marcelino Freire Agitador cultural, escritor e poeta radicado em São Paulo, Marcelino trata do futebol destacando a poesia de suas expressões e o drama social contido no jogo.
29/06 – 19h às 21h: Sarau Curta Poesia - Grupo de jovens que realizam o programa Curta Poesia! do canal fechado Canal Curta. Realizam seus saraus no bairro do Butantã e farão uma edição especial no Lounge.

MOSTRA DE FILMES

Relação de filmes que marcaram a produção audiovisual brasileira e internacional sobre futebol.
11/06 – 19h às 22h: Esperando Telê seguido de conversa com diretores. 
24/06 – 19h às 21h: João Saldanha.
27/06 – 20h: Deuses do Brasil, documentário BBC sobre Pelé e Garrincha.

INTERVENÇÕES E PERFORMANCES ARTÍSTICAS

21/06 – 18h30 às 20h: Homenagem a Gilberto Mendes – uma instalação audiovisual com músicas e histórias do compositor de música erudita que, aos 92 anos, assistiu a todas as Copas do Mundo. 
27/06 – 15h às 16h: Sarau do Charles Com experiência em números cômicos e acrobáticos, os palhaços do Sarau recuperam números esquecidos da história do circo e retomaram, especialmente para o Futebol das Artes, o número histórico do Futebol dos Palhaços. 
28/06 – 15h às 16h: Família na Copa – Performance de artistas que retratam os mais variados tipos de torcedores que freqüentam os estádios de futebol.

A HORA DE...

Os escritores José Santos e Selma Maria junto com outros participantes contam histórias relacionadas aos países participantes das Copas. 
10/06 – 14h às 15h: Hora de...Coréia 
14/06 – 15h às 16h: Hora da...Grécia 
14/06 – 18h às 19h: Hora de...Itália 
15/06 – 18h às 19h: Hora de...Argentina 
18/06 – 18h às 19h: Hora de...língua espanhola
24/06 – 16h às 17h: Hora de...Bairro Vila Madalena 
25/06 – 19h às 20h: Hora de papos de Futebol, samba, jongo e futebol: Vagner Dias 
27/06 – 19h às 20h: Hora de...Minas Gerais 
29/06 – 15h às 18h: Hora de.. Ricardo Azevedo, autor de livros sobre futebol

CAIXINHA DE SURPRESAS

Performance artística que faz uso de uma caixa ambulante com textos e objetos, convidando o público a participar de temas variados. 12/06 – 11h às 12h: Caixinha de Surpresas Seleção. 
22/06 – 18h às 19h: Caixinha de Surpresas Portugal.

LANÇAMENTOS DE LIVROS

Para celebrar o aquecimento do mercado editorial no período da Copa, abriremos espaço para lançamentos de livros e encontros com autores. 
15/06 – 11h às 13h: Lançamento de livro Poesia Querido Ronaldo (editora FTD). 
19/06 – 18h Lançamento do livro Craques do Traço (Ed. Panini), com a participação dos chargistas JAL e Gualberto Costa, autores do projeto, já estão preparando novo livro para a coleção que mostrará os grandes craques sob o mesmo tema do traço dos artistas gráficos. 
25/06 – 19hs : Lançamento Coletivo: 
a. De Charles Miller à Gorduchinha - A Evolução Tática em 150 anos de história, de Darcio Ricca; 
b. Sete décadas de futebol, de Milton Bigucci; 
c. Mulheres na Copa e na Cozinha, de Silvia Bruno Securato;
d. O mundo das Copas, de Lycio Vellozo Ribas; e Jovens craques do Brasil futebol clube, de Nereide Schilaro;
f. Para entender o Brasil, o País do futebol, de Mouzart Benedito. 
26/06 – 15h às 16h: Lançamento livro FTD. 
29/06 – 15h às 18h: Lançamento coletivo livro infanto juvenil + Homenagem a Ricardo Azevedo.

O Museu fica na Praça Charles Muller, no Estádio do Pacaembu.

Para consultar a programação atualizada:
www.museudofutebol.org.br
www.facebook.com/museudofutebol

 

 

 

 

16
junho
2014
Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos

Mais de 300 obras originais do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), ocupam três andares do espaço Itaú Cultural, a partir de 5 de junho.

Com curadoria de Lauro Cavalcanti e expografia de Pedro Mendes da Rocha e, além de mostrar os trabalhos em si, a exposição examina o processo criativo de Niemeyer, com plantas, croquis, desenhos originais, maquetes, filmes e fotos, possibilitando uma especial percepção de sua produção. “O objetivo é revelar projetos inéditos que, por vários motivos, permaneceram no papel e, agora, são trazidos ao público por um extenso trabalho de pesquisa e digitalização de originais”, destaca Cavalcanti.

A grande maioria dos desenhos da exposição provém de cadernos de trabalhos não executados. Eles nos permitem ver a metodologia do arquiteto e entender um pouco mais de seu modo de conceber, desenhar, escrever e, em alguns casos, acompanhar o desenvolvimento dos projetos. 

Um projeto que merece atenção especial é o da cidade de Negev, em Israel, desenhada em 1964, apenas três anos após a inauguração de Brasília. Com características praticamente opostas à capital brasileira, a cidade contempla mais a escala humana, em detrimento do automóvel, adotando ruas estreitas e distâncias entre casa, trabalho e lazer que possam ser percorridas a pé, nenhuma maior do que 500 metros.

Também faz parte da exposição um rolo de 16 metros de comprimento, praticamente desconhecido, desenhado por Niemeyer durante a gravação do documentário Oscar Niemeyer - O Filho das Estrelas, dirigido por Henri Raillard, em 2001.

A mostra ainda terá a projeção contínua de dois documentários sobre Niemeyer, exibidos na íntegra: Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro, com direção e roteiro de Fabiano Maciel, e depoimentos de outros arquitetos como Paulo Mendes da Rocha, Ciro Pirondi e Ruy Ohtake, gravados em vídeo.

Itaú Cultural 
av. Paulista 149

visitação
de 5 de junho a 27 de julho de 2014
de terça a sexta-feira, das 9h às 20h
sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Entrada gratuita

 

http://novo.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/oscar-niemeyer-classicos-e-ineditos/

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2014-06-04/com-arquivos-raros-exposicao-sobre-oscar-niemeyer-recebe-mais-de-300-obras.html

5
junho
2014
Como mover montanhas…
Ops! como construir pirâmides!

Imagens de dentro do túmulo de Djehutihotep, descrevem uma cena de escravos transportando uma estátua colossal do governante do Império Médio egípcio (de aproximadamente 1.900 A.C.), na qual há um homem, na frente de um trenó, derrama líquido na areia. Pode-se vê-lo na imagem acima, à direita do pé da estátua.

 

Os antigos egípcios tiveram que deslocar volumes pesadíssimos para seus templos: estátuas imensas, blocos de pirâmides de 2,5 toneladas por longas distâncias, sobre a areia do deserto, sem nenhuma ajuda da tecnologia moderna.  Como fizeram isso??? Como foi possível?  Mesmo andar sobre a areia pode ser tão penoso…

Isso intrigou egiptólogos, físicos, historiadores por muitos séculos, mas agora acredita-se que a charada foi desvendada: imagens de pinturas murais egípcias mostram grandes volumes sendo transportados por exércitos de homens, em cima de uma espécie de trenó.  Porém, assim mesmo, pelo peso desses volumes, seria impossível fazer o transporte sobre a areia apenas com aquela quantidade de homens. Então, uma equipe de pesquisadores, liderada por Daniel Bonn, da Universidade de Amsterdã, Holanda, começou a testar a mudança de atrito da areia, conforme a umidade, e descobriu que com uma pequena quantidade de água pode-se reduzir consideravelmente esse atrito da areia, permitindo-se um deslizamento muito melhor. Desse modo, os egípcios precisariam de metade da tração humana (metade do número de homens) para transportar o mesmo volume e peso. Na verdade, o líquido, em pouca quantidade, agrega os grãos de areia, tornando-a mais rígida.  

Os físicos testaram isso colocando, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia; para determinar a rigidez, usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia.

Essas experiências resolvem um mistério de séculos e nos confirmam o conhecimento que os egípcios já tinham, e o que nós provavelmente já deveríamos ter. 

 

referências:

http://chc.cienciahoje.uol.com.br/os-egipcios-e-o-atrito/

http://gizmodo.uol.com.br/estudo-egipcios-piramides/

http://www.iflscience.com/physics/mystery-how-egyptians-moved-pyramid-stones-solved#qHZmGuk1YPP16Hqz.99

http://www.iflscience.com/physics/mystery-how-egyptians-moved-pyramid-stones-solved

https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.112.175502

20
maio
2014
BORBO LETRAS

Este é o nome da exposição de caricaturas que homenageia Gabriel Garcia Marques.

Com a notícia da morte do escritor, no dia 17 de abril deste ano, cartunistas do mundo inteiro resolveram homenageá-lo. Uma exposição organizada por José Alberto Lovetro, o Jal, cartunista e presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, e pelo jornalista espanhol especializado em artes gráficas, Francisco Puñal, reúne artistas como Baptistão (SP), Fernandes (SP), Daniel Paz (Argentina), Boligan (Colômbia), Dario Castillejos (México), JBosco (PA), Calarcá (Colômbia), Mikio (Japão), Raul De La Nuez (EUA), Éden (Uruguai), Cau Gomes (MG), Samuca (PE), Amorim (RJ), Túrcios (Espanha), entre outros. São 73 desenhistas de dez países.

O nome da exposição, Borbo Letras, lembra o personagem Maurício Babilônia, do livro Cem Anos de Solidão, que caminha sempre envolto em uma nuvem de borboletas amarelas.
A exposição abriu no dia 16 de maio e continuará até o dia 21 de junho, na Biblioteca do Memorial da América Latina, em São Paulo/SP, para depois ser exibida nas estações do Metrô.

veja mais:
http://www.universohq.com/noticias/exposicao-de-cartunistas-homenageia-gabriel-garcia-marquez/
http://www.memorial.org.br/2014/05/homenagem-a-garcia-marquez-comeca-dia-16/
http://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/gabriel-garcia-marquez-e-homenageado-em-exposicao-no-memorial/

SERVIÇO
Memorial da América Latina 
entrada gratuita

de 17/05 a 21/06

Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 09:00 às 18:00
Sábados das 10:00 às 17:00
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664
Barra Funda 
Estação Palmeiras-Barra Funda (Metrô – Linha 3 Vermelha)
Estação Palmeiras-Barra Funda (CPTM – Linha 7 Rubi)

17
abril
2014
Páscoa, coelhos, ovos…de onde vem tudo isso?
postado sob cultura, história

O Pessach, Páscoa Judaica, é uma das festas mais importantes do calendário
judaico. A palavra Pessach significa "passagem" e representa a travessia
pelo Mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão no
Egito para a liberdade na Terra Prometida, há mais de 3.000 anos. 
“Para os cristãos, ela tem um sentido mais metafísico. Representa a passagem
de Cristo pela morte”, afirma o teólogo Fernando Altmeyer Júnior, da PUC de
São Paulo, referindo-se à tradição de que Jesus teria ressuscitado no
terceiro dia após sua crucificação. Assim, a comemoração representa a
ressurreição de Jesus Cristo, que foi crucificado na sexta- feira e teve sua
ressurreição no domingo.
Segundo Altmeyer, a Páscoa cristã recebeu o nome da comemoração judaica
porque a Paixão de Cristo aconteceu no início do Pessach. Já a cerimônia
cristã conhecida como Última Ceia teria sido um Seder, o tradicional jantar
realizado na véspera do início da Páscoa judaica.
A Páscoa judaica dura 7 dias (em alguns lugares, 8 dias). Algumas famílias,
nesse período, limpam meticulosamente a casa, removendo todas as migalhas e
lembrando os judeus que deixaram o Egito às pressas e não tiveram sequer
tempo de esperar a massa do pão crescer: por isso se consome nessa época o
Matzá ou pão sem fermentação. A refeição de Pessach, que reúne toda a
família, é composta, ainda, de diversos pratos que simbolizam o êxodo do
Egito, através dos sabores: o amargor, o sal do suor etc.

A Páscoa cristã, no Brasil, segue hoje a tradição de presentear com ovos e
coelhos (principalmente de chocolate). É comum também que toda a família se
reúna em um grande almoço, já que todos teriam saído de restrições
alimentares e penitências por toda a Quaresma - quarenta dias, a partir da
Quarta-feira de Cinzas. Hoje em dia, na verdade, isso existe mais como
tradição, já que poucos seguem o período de restrição.

No entanto, apesar de receberem o mesmo nome, as duas celebrações, judaica e
cristã, têm significados distintos e não ocorrem necessariamente em datas
coincidentes. 
A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo de lua cheia, depois do
equinócio de Primavera (de Outono, no Hemisfério Sul). Já as comemorações da
Páscoa judaica têm início na primeira lua cheia do mesmo equinócio. O início
do Pessach e a Páscoa cristã podem cair no mesmo dia, mas isso dificilmente
ocorre. 


SOBRE COELHINHOS E OVOS DE CHOCOLATE
O coelho da Páscoa tornou-se um forte símbolo da Páscoa cristã e, embora não
coloque ovos, pois é um mamífero, é acompanhado por ovos de chocolate. 
O coelho, aliás, é reconhecido como um agente de renovação por várias
culturas, como na tradição japonesa, em que está associado ao Ano Novo; na
Grécia, era associado à deusa Afrodite e presentear com um coelho era sinal
de amor, no séc. VI a.c.*. Essas associações referem-se claramente à
fertilidade, pois os coelhos reproduzem com muita velocidade.
O ovo, símbolo antigo de “vida nova” sempre foi associado a festas pagãs de
celebração da primavera.Do ponto de vista cristão, representa a
ressurreição. A decoração dos ovos aparece já no séc. 13 e uma das
explicações que se dá é que era proibido comer ovos na Quaresma, portanto as
pessoas os pintavam e decoravam, nos dias de penitência e jejum, para
comê-los na celebração da Páscoa. 
Na Rússia, ovos de joalheria passaram a ser produzidos por Peter Carl
Fabergé, a partir de uma encomenda, em 1885, pelo czar Alexandre III como um
presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna.1. Por fora, parecia um
simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, havia uma gema de ouro,
contendo uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma
réplica em diamante da coroa imperial. Esses ovos são verdadeiras relíquias
e foram produzidos até 1917, para os czares da Rússia. 
Os ovos de chocolate, mais populares, são resultado do desenvolvimento da
culinária e, antes disso, da descoberta do continente americano, já que, ao
entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis
pela divulgação do chocolate no Velho Mundo. Somente duzentos anos mais
tarde, os franceses tiveram a ideia de fabricar os primeiros ovos de
chocolate da História, que permanecem até hoje como o principal símbolo da
Páscoa.


referências:
http://super.abril.com.br/religiao/qual-relacao-pascoa-judaica-crista-444446.shtml
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/judaism/passover.shtml
http://www.history.com/topics/holidays/easter-symbols
http://german.about.com/gi/o.htm?zi=1/XJ&zTi=1&sdn=german&cdn=education&tm=21&f=10&su=p284.13.342.ip_&tt=2&bt=0&bts=0&zu=http%3A//www.osterhasenmuseum.de/
http://german.about.com/od/holidaysfolkcustoms/a/German-Easter-Traditions.htm
http://www.bbc.co.uk/print/schools/religion/christianity/easter.shtml
http://www.brasilescola.com/pascoa/a-origem-ovo-pascoa.htm

* O Livro dos Símbolos - Reflexões sobre imagens arquetípicas, Editora Taschen GmbH, Colônia, Alemanha, 2010

28
março
2014
1964
Glossário dos principais verbetes e links/referências

AI 5
O Ato Institucional nº 5, ou AI-5, foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar brasileiro nos anos seguintes ao Golpe Civil-Militar de 1964. Em 13 de dezembro de 1968, 24 homens que comandavam a ditadura militar brasileira  reuniram-se com o então presidente Arthur da Costa e Silva, para editar o decreto que marcou o início do período mais duro da ditadura  O AI-5 deu ao regime uma série de poderes para reprimir seus opositores: fechar o Congresso Nacional e outros legislativos (medida regulamentada pelo Ato Complementar nº 38), cassar mandatos eletivos, suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer cidadão, intervir em estados e municípios, decretar confisco de bens por enriquecimento ilícito e suspender o direito de habeas corpus para crimes políticos. O ministro da Justiça, Gama e Silva, anunciou as novas medidas em pronunciamento na TV, à noite. Os primeiros efeitos do AI-5 foram percebidos naquela mesma noite. O Congresso é fechado. O ex-presidente Juscelino Kubitschek, ao sair do Teatro Municipal do Rio – onde tinha sido paraninfo de uma turma de formandos de engenharia–  foi levado para um quartel em Niterói, onde permaneceu preso num pequeno quarto por vários dias. O governador Carlos Lacerda foi preso no dia seguinte pela PM da Guanabara. Após uma semana em greve de fome, conseguiu ser libertado.
Veja a lista dos 24 que estavam na reunião e como votaram: http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5/ 
O AI-5 foi extinto apenas dez anos depois, em dezembro de 1978, pelo presidente Ernesto Geisel, dando início a uma “abertura lenta e gradual”.
No ano seguinte, 1979, a lei da Anistia foi promulgada pelo presidente João Batista Figueiredo, concedendo anistia aos cassados pelo regime militar e também aos membros do governo acusados de tortura.
 
 
ANISTIA
Perdão dado de maneira generalizada. 
Absolvição que, dada através de ato público, concede o perdão por crimes políticos. 
A palavra vem do grego amnestía, que significa "esquecimento".
Anistia é o ato do poder legislativo pelo qual se extinguem as consequências de um fato que em tese seria punível e, como resultado, qualquer processo sobre ele. É uma medida ordinariamente adotada para pacificação dos espíritos após motins ou revoluções. 
 
 

CASSAR
(=anular)
Cassação é uma punição que tolhe ao condenado o direito de ocupar um cargo público e de ser eleito a qualquer outra função por um determinado período de tempo.A cassação é a extinção do direito porque o destinatário descumpriu condições que deveriam permanecer atendidas, a fim de poder continuar desfrutando de sua posição.

Durante a ditadura militar, cassações eram constantes e bastante arbitrárias.

 
 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi aprovada em 1948 na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento é a base da luta universal contra a opressão e a discriminação, defende a igualdade e a dignidade das pessoas e reconhece que os direitos humanos e as liberdades fundamentais devem ser aplicados a cada cidadão do planeta.
Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos começou a ser pensada, o mundo ainda sentia os efeitos da Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945.
Outros documentos já haviam sido redigidos em reação a tratamentos desumanos e injustiças, como a Declaração de Direitos Inglesa (elaborada em 1689, após as Guerras Civis Inglesas, para pregar a democracia) e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (redigida em 1789, após a Revolução Francesa, a fim de proclamar a igualdade para todos).
Depois da Segunda Guerra e da criação da Organização das Nações Unidas (também em 1945), líderes mundiais decidiram complementar a promessa da comunidade internacional de nunca mais permitir atrocidades como as que haviam sido vistas na guerra. Assim, elaboraram um guia para garantir os direitos de todas as pessoas e em todos os lugares do globo.
 
Veja o texto integral da Declaração em:
http://unicrio.org.br/img/DeclU_D_HumanosVersoInternet.pdf
referência:
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2009/11/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-garante-igualdade-social
 
 

DEMOCRACIA
Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, diretamente (Democracia Direta) ou através dos seus representantes livremente eleitos (Democracia Representativa).

Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas distinguem o governo democrático de outras formas de governo.

O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía ou "governo do povo"), que foi criado a partir de δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder"), no século V a.C., para denotar os sistemas políticos então existentes em cidades-Estados gregas, principalmente Atenas. 

Não existe consenso sobre a forma correta de definir a democracia, mas a igualdade, a liberdade e o Estado de direito foram identificadas como características importantes desde os tempos antigos. Esses princípios são refletidos quando todos os cidadãos elegíveis são iguais perante a lei e têm igual acesso aos processos legislativos. 

Por exemplo, em uma democracia representativa, cada voto tem o mesmo peso, não existem restrições excessivas sobre quem quer se tornar um representante, e a liberdade de seus cidadãos é protegida por uma constituição.

A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, devem proteger os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias, como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente da vida política, econômica e cultural da sociedade.

 

DESAPARECIDOS POLÍTICOS

Chamam-se desaparecidos políticos no Brasil os militantes de organizações de oposição à ditadura militar (1964-1985) cujo paradeiro é desconhecido ou cuja morte é presumida, embora não comprovada. A responsabilidade por esses desaparecimentos forçados durante a ditadura tem sido atribuída a organizações do Estado brasileiro ou a terceiros - com autorização, apoio ou consentimento dos governantes da época.
Segundo a “Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos”, o regime militar instaurado em 1964 levou à morte 380 pessoas, entre as quais 147 desaparecidos, termo usado para se referir àqueles cujos corpos jamais foram entregues às famílias. 

 

DIREITOS HUMANOS 
Direitos humanos são direitos e liberdades a que todos têm direito, não importa quem sejam nem onde vivam. Para viver com dignidade, os seres humanos têm o direito de viver com liberdade, segurança e um padrão de vida decente.
Os direitos humanos não precisam ser conquistados – eles já pertencem a cada um de nós, simplesmente por sermos seres humanos. Não podem ser retirados de nós – ninguém tem o direito de privar qualquer pessoa de seus direitos. 
 
Os direitos humanos são protegidos sob o direito internacional, fundamentados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Declaração expressa a busca pela dignidade humana e faz os governos se comprometerem com a defesa dos direitos humanos de todos. Nos mais diferentes lugares do planeta, as pessoas seguem lutando para que essa promessa se torne realidade.

 

DITADURA
Ditadura é um regime governamental no qual todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. É um regime antidemocrático em que não existe a participação da população e qualquer oposição ao governo é proibida e condenada.

Geralmente, a ditadura é implantada através de um golpe de estado.
A ditadura militar é uma forma de governo em que o poder é totalmente controlado por militares. Esse tipo de regime foi muito comum na América, especialmente no Brasil, onde durou mais de 20 anos.

Mas nem sempre as ditaduras se dão por golpe militar: podem surgir por golpe de Estado civil ou a partir de um grupo de governantes democraticamente eleitos que usam a lei para preservar o poder, como aconteceu, por exemplo, na ditadura imposta por Adolf Hitler na Alemanha nazista: o golpe se desencadeou a partir das próprias estruturas de governo, com o estabelecimento de um estado de exceção e posteriormente, a supressão dos outros partidos e da normalidade democrática.

 
GOLPE
Golpe de Estado, consiste na derrubada ilegal de um governo constitucionalmente legítimo. Os golpes de Estado podem ser violentos ou não, e podem corresponder aos interesses da maioria ou de uma minoria.
Alguns golpes de Estado caem na categoria dos golpes militares, em que unidades das forças armadas ou de um exército popular conquistam alguns lugares estratégicos do poder político para assim forçar a rendição do governo. 
Tem este nome de golpe porque se caracteriza por uma ruptura institucional repentina, contrariando a normalidade da lei e da ordem e submetendo o controle do Estado (poder político institucionalizado) a pessoas que não haviam sido legalmente designadas (fosse por eleição, hereditariedade ou outro processo de transição legalista).
Assim, a expressão golpe de Estado foi criada para designar a tomada de poder por vias excepcionais, à força, geralmente com apoio militar ou de forças de segurança.
Outros aspectos comuns que acompanham (antecedendo ou sucedendo) um golpe de Estado são:
• suspensão do Poder Legislativo, com fechamento do congresso ou parlamento;
• prisão ou exílio de oposicionistas e membros do governo deposto;
• intenso apoio de determinados setores da sociedade civil;
• instauração de regime de exceção, com suspensão de direitos civis, cancelamento de eleições e decretação de estado de sítio, estado de emergência ou lei marcial;
instituição de novos meios jurídicos (decretos, atos institucionais, nova constituição) para legalizar e legitimar o novo poder constituído.
 
 
REVOLUÇÃO
Revolução significa uma transformação profunda, um movimento de grandes proporções que rompe com o que existia até então. Geralmente, ela surge das bases da sociedade e envolve uma grande quantidade de pessoas, alterando as estruturas políticas, econômicas e sociais. A Revolução Francesa de 1789, é um bom exemplo. Ela contou com o envolvimento popular nas cidades e no campo e transformou a ordem vigente. 
 
As revoluções têm ocorrido durante a história da humanidade e variam muito em termos de métodos, duração e motivação ideológica. Podem dar-se por formas pacíficas ou violentas. Seus resultados incluem grandes mudanças na cultura, economia, e drástica mudança das instituições e ideários sociopolíticos.
  
 
TORTURA
Tortura é a imposição de dor física ou psicológica por crueldade, intimidação, punição, para obtenção de uma confissão, informação ou simplesmente por prazer da pessoa que tortura.
Métodos deliberadamente dolorosos de execução por crimes graves foram parte da Justiça até o desenvolvimento do Humanismo, na filosofia do século XVII. Na Inglaterra, as penas cruéis foram abolidas pela Declaração de Direitos de 1689. Durante o Iluminismo desenvolveu-se no mundo ocidental a ideia de direitos humanos universais . A adoção do Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, marca o reconhecimento, pelo menos formal, da proibição da tortura por todos estados membros da ONU. 
A tortura foi proibida pela Terceira Convenção de Genebra (1929) e por convenção das Nações Unidas, adotada pela Assembleia Geral em 10 de dezembro de 1984 e ratificada pelo Brasil apenas em 28 de setembro de 1989. A tortura constitui uma grave violação dos Direitos Humanos, não obstante ainda ser praticada no mundo, frequentemente coberta por uma definição imprecisa do conceito nas legislações locais.
 
 
 
 
 
Referências
http://www.infoescola.com/historia/golpe
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964
http://www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/campanha/exilados-e-banidos-da-vida-publica/
http://www.documentosrevelados.com.br/repressao/conheca-os-desaparecidos-politicos-do-brasil-2/
http://arte.folha.uol.com.br/treinamento/2014/01/05/50-anos-golpe-64/
http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/132872/Golpe-de-64-revolução-para-quem.htm 
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/03/27/1964-golpe-ou-revolucao.htm
http://saibahistoria.blogspot.com.br/2011/08/diferenca-entre-revolucao-e-golpe.html
http://anistia.org.br/direitos-humanos
http://www.dicionarioinformal.com.br/cassação/
http://www.brasilescola.com/gramatica/cacar-ou-cassar.htm


 

videos
http://www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/campanha/galerias/videos.htm

28
março
2014
Golpe de 64 - programação do Ítaca

Imagens de trabalhos dos alunos

 

Pelo Brasil afora, este foi um mês de rememorar um período de nossa história: faz 50 anos que ocorreu o Golpe Militar que deu início a duas décadas, pelo menos, de ditadura no país.

No Ítaca, o projeto de relembrar esse período, entendê-lo e refletir sobre ele abrangeu o Ensino Fundamental I, o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio. Foram aulas, debates, encontros, trabalhos de alunos, visitas a museus, depoimentos de quem viveu aquilo tudo, visando não só aos fatos de então, mas também a esta nossa sociedade hoje, passadas essas cinco décadas.

 

Veja a programação que fizemos na escola

 

EF 1 – Semanas de 17 a 31 de março – Resgate de Memórias

Alunos de 4º e 5º ano EF1 – ouviram depoimentos de pais, avós, parentes e conhecidos em geral

 

EF 2 – Semanas de 17 a 31 de março – Visita ao Memorial da Resistência com alunos do 7º ao 9º ano.

Houve leitura de textos e debates.

 

EM - O QUE RESTA DA DITADURA: 50 anos do Golpe Militar no Brasil

DIA 13/3 (5ª-feira): Exibição do vídeo 15 Filhos (Maria de Oliveira e Marta Nehring, 1996)
Aula da prof.ª Ciça Jorquera: Breve história do Golpe.

DIA 18/3 (3ª-feira): Exibição do filme Que bom te ver viva (Lucia Murat, 1989) 

DIA 21/3 (6ª-feira): Depoimento aos alunos de militante político à época. 

DIA 25/3 (3ª-feira): Conversa com os profs. Renato Izabela e Fernando  Vidal: Arte e Resistência.
Exibição de vídeos, imagens, músicas.

DIA 26/3 (4ª-feira):  Conversa com o prof. Maurício Costa: Exceção hoje.

DIA 28/03 (6ª feira) – Cine-debate sobre o filme “Zuzu Angel”, organizado pelo Grêmio do Ítaca, com a participação de alunos do EF2 e EM e ex-militantes políticos convidados. Debate sobre os aspectos da militância na época da ditadura e atualmente.

DIA 31/3 (2ª-feira): Mesa de discussão/análise/reflexão, com convidados: O que resta da ditadura?

17
março
2014
O código Voynich

O manuscrito Voynich, uma publicação de aproximadamente 600 anos, em formato de bolso e com 240 páginas, é um enigma que intriga estudiosos de várias áreas: especialistas em códigos criptografados, físicos, botânicos, entre outros.

Isso porque está escrito em linguagem indecifrável, e da direita para a esquerda (Leonardo da Vinci já escrevia assim, espelhado, mas em uma língua conhecida). O manuscrito enigmático é repleto de ilustrações botânicas, científicas e figurativas. O que se sabe é que foi comprado por 600 ducados de ouro, pelo imperador Rudolph II da Alemanha, no final do séc. XVI, e depois ficou desaparecido até ser adquirido, em 1912, na Itália, pelo livreiro polonês Wilfrid Voynich. Hoje em dia, encontra-se na Universidade de Yale (EUA). 

As 240 páginas do manuscrito são ricamente ilustradas, com imagens de plantas e corpos celestes, o que sugere que se trate de um texto sobre ervas e astrologia, mas seu conteúdo continua um enigma. Algumas folhas têm várias vezes o tamanho do livro, quando desdobradas. A temática dos desenhos é a única pista sobre os assuntos de que trata cada seção:  metade do volume retrata plantas inteiras, a maioria não identificada (três delas o foram, mas as espécies ocorrem em várias partes do mundo, não ajudando a localizar sua origem); segue uma seção astrológica, com desenhos do Sol, da Lua, de estrelas, do zodíaco, círculos no céu e muitas mulheres nuas; a seção seguinte contém estranhos desenhos de tubos, que se acredita serem vasos sanguíneos, microscópios ou telescópios, e mais mulheres nuas em piscinas; em seguida, vem a seção chamada de “farmacêutica”, que parece ser uma lista, aparentemente de nomes de folhas e raízes. O livro termina com páginas repletas de um texto formado por uma série de parágrafos curtos, ilustrado apenas por estrelas nas margens.

Uma equipe brasileira formada por pesquisadores que atuam na Alemanha e na Universidade Federal de São Carlos, interior de São Paulo, também acredita que o manuscrito não seja uma sequência de símbolos sem sentido. Desenvolveu um método que usa técnicas da física estatística, para analisar a frequência com que as palavras aparecem ao longo de um texto. Resultados dessa pesquisa foram publicados em julho de 2013 na revista PLoS One.  Na verdade, esse método, desenvolvido para estudar o Voynich, tem hoje outras aplicações : “Ele nos permite identificar as palavras-chave de um texto longo, sem que seja necessário conhecer sua organização ou compará-lo com outros textos, tal como fazem mecanismos de busca como o do Google”, explica um dos autores do estudo, o físico Eduardo Altmann, do Instituto Max Planck para Física de Sistemas Complexos, em Dresden, Alemanha. 

 

Fraude ou não?

Especulou-se muito se o manuscrito não seria uma fraude criada pelo próprio Voynich, que adquiriu o manuscrito e depois lucrou com sua venda, mas historiadores e biógrafos já descartaram tal hipótese.

Como se disse, muitas têm sido as tentativas de decifrar o enigma. Junto ao manuscrito, por exemplo, uma carta datada de 1666 e assinada por um acadêmico da cidade de Praga, na atual República Tcheca, pedia a um jesuíta em Roma que tentasse decifrá-lo. Também foi feita, em 2010, uma análise físico-química dos papéis e das tintas e concluiu-se que o manuscrito deve ter sido produzido mesmo entre 1404 e 1438. E muitas pessoas, em distintas partes do planeta, estudam esse documento, tentando achar uma explicação para ele. Com o desenvolvimento da informática, a partir dos anos 1990, uma comunidade formada por uma centena de pesquisadores de várias disciplinas, todos interessados no Voynich, começou a se comunicar pela internet, o que gerou grande expectativa de avanços na pesquisa.  

Recentemente,  Arthur Tucker, botânico, professor emérito da Delaware State University (EUA), e seu colega Rexford Talbert surpreenderam-se com a similaridade de uma das ilustrações do Voynich com a xiuhamolli/xiuhhamolli ou "planta sabão",  que aparece no Codex Cruz-Badianus, de 1552, também conhecido como Herbário Asteca, escrito por Martín de la Cruz, no México. Por essa similaridade, supõem que o manuscrito possa ter sido feito na América Central.

O estudo feito na Universidade de São Carlos, com os físicos Osvaldo Oliveira Jr. e Luciano da Fontoura Costa, do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, trata os textos como se fossem redes complexas de palavras (ver figura em cima). “Duas palavras são conectadas na rede se elas aparecem vizinhas no texto”, explica Diego Raphael Amâncio, aluno de doutorado de Costa e primeiro autor do artigo da PLoS One. Antes de atacarem o Voynich, os pesquisadores avaliaram 29 tipos de medidas estatísticas que podem ser obtidas a partir da análise de um texto qualquer - elas são quantidades que medem como as palavras aglomeram-se ou se dispersam ao longo do texto ou que medem a distribuição dos vários arranjos possíveis das conexões entre as palavras. As medidas avaliadas pelos brasileiros indicam que o texto do Voynich apresenta mesmo uma estrutura sintática e transmite alguma mensagem.

 “O tamanho da literatura sobre o Voynich é assustador e me fez perguntar até que ponto seu objetivo é científico”, conta Altmann. “É por isso que em nosso trabalho tentamos formular as questões de maneira geral, esperando que o estudo tenha outras aplicações.”

 

Assista ao vídeo que explica o experimento:

http://www.youtube.com/watch?v=wZndOKzxRAg

 

Referências:

http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/08/13/o-codigo-voynich/

http://www.theguardian.com/books/2014/feb/07/new-clue-voynich-manuscript-mystery

http://bibliotecaucs.wordpress.com/2014/02/19/brasileiros-tentam-decifrar-misterioso-manuscrito-voynich/

http://www.scientificamerican.com/author/gordon-rugg/

http://www.newscientist.com/article/dn24987-mexican-plants-could-break-code-on-gibberish-manuscript.html#.UwYXsXm0HTM

 

Download completo do manuscrito:

https://archive.org/details/TheVoynichManuscript

12
novembro
2013
Mês da Consciência Negra

Imagem: Mestiço, de Cândido Portinari, 1934.

 

A data de 20 de novembro como Dia da Consciência Negra foi instituída pelo Movimento Negro do Brasil e já incorporada ao calendário oficial de várias cidades.  Esse dia é o aniversário de morte do líder Zumbi dos Palmares, uma das mais importantes figuras da luta pelos direitos dos negros no país.

Mais de 1000 municípios já decretarem feriado nesse dia, entretanto  ainda não é um evento nacional : a adesão a esse feriado, ou instituição de ponto facultativo, é uma decisão de cada estado ou município.

De todo modo, em alusão à data, durante todo o mês de novembro são realizadas centenas de atividades com o objetivo de ampliar as discussões sobre os temas raciais, visando à expansão dos direitos conquistados pela comunidade afro-brasileira nos últimos anos. Entidades da sociedade civil, principalmente o Movimento Negro, e  instituições públicas e privadas mobilizam-se, em todo o país, para discutir as violações aos direitos da população negra, o enfrentamento do racismo, mais oportunidades para ascensão socioeconômica dos afro-brasileiros, a prevenção da violência contra a juventude negra e a persistência da representação negativa da pessoa negra nos veículos de comunicação, entre outros temas.

A Cidade de São Paulo terá uma programação intensa, com destaque para o Museu da Língua Portuguesa 

 

Zumbi dos Palmares
Zumbi nasceu em 1655, em Palmares, atual estado do Alagoas. Descendente de guerreiros Imbangalas, de Angola, foi aprisionado por uma expedição portuguesa e entregue aos cuidados do Padre Antônio Melo, que o batizou de Francisco. Com o religioso, aprendeu a escrever em português e latim.

Aos 15 anos, fugiu em busca de suas origens, instalando-se no Quilombo dos Palmares, uma comunidade livre, formada por escravos fugitivos das fazendas. Tornou-se líder da comunidade aos 25 anos, destacando-se pela habilidade em planejamento, organização e estratégias militares. Sob seu comando, Palmares obteve diversas vitórias contra os soldados portugueses.

No ano de 1694, o quilombo foi atacado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Após o combate, a sede da comunidade ficou totalmente destruída. Zumbi conseguiu escapar, mas seu esconderijo foi denunciado por um antigo companheiro.

Em 20 de novembro de 1695, ele foi capturado e morto, aos 40 anos de idade.

 

Referências

http://www.youtube.com/watch?v=HidHeT0qT9I

http://www.seppir.gov.br/novembro-mes-da-consciencia-negra

http://www.recife.pe.gov.br/fccr/negra.php

http://www.museuafrobrasil.org.br

http://www.palmares.gov.br

http://www.museulinguaportuguesa.org.br/noticias_interna.php?id_noticia=351

http://www.ipea.gov.br/igualdaderacial/index.php?option=com_content&view=article&id=704

http://www.arquidiocesebh.org.br/social/pastorais-sociais/agentes-de-pastoral-negrosas/

4
novembro
2013
Sábado, 9/11, no Memorial da Resistência

O Memorial da Resistência de São Paulo, é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo por meio de sua Secretaria da Cultura, dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano (1889 à atualidade). Parte do edifício que foi sede, durante o período de 1940 a 1983, do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS) – uma das polícias políticas mais truculentas do país, principalmente durante o regime militar, transformou -se em um museu público, sem fins lucrativos.

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. 

Têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.


No dia 9/11, Memorial da Resistência de São Paulo fará exibição de documentário sobre a Comissão da Verdade e terá Conversa Clínica Pública da Clínica do Testemunho do Instituto Projetos Terapêuticos


Veja a programação abaixo e acesse o site 
14h: Boas vindas – Karina Teixeira (Memorial da Resistência de São Paulo)
Coordenação –  Milton Bellintani (diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h15 – 15h10: Exibição do documentário “Verdade 12.528”

15h15 – 16h15: Conversa Publica do Projeto Clínica do Testemunho do Instituto Projetos Terapêuticos:
- Maria Beatriz Vannuchi (Psicanalista e analista institucional, coordenadora do Núcleo de Atendimento de Famílias, integrante do Núcleo de Investigação e Pesquisa do Instituto Projetos Terapêuticos; terapeuta da Clínica do Testemunho).
- Maria Marta Azzolini (Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e professora no curso 'Clínica Psicanalítica, Conflito e Sintoma'; terapeuta da Clínica do Testemunho).
- Rodrigo Blum (Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise, professor convidado do Centro de Estudos Psicanalíticos; terapeuta da Clínica do Testemunho) .

16h15 – 17h30: Debate do público com os psicanalistas da Clínica do Testemunho e os diretores do documentário:
- Paula Sacchetta (Jornalista e diretora do documentário “Verdade 12.528”. Ganhadora do 34º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria revista, com reportagem sobre a Comissão da Verdade publicada na revista Caros Amigos em 2012).
- Peu Robbles (Economista, fotógrafo e diretor do documentário “Verdade 12.528”).

Veja também o site da Comissão Nacional da Verdade.

28
outubro
2013
"Las calaveras" e tudo o mais...
postado sob arte, cultura, história

Em todas as culturas, o homem sempre teve a necessidade de buscar e explicar o mistério da vida e da morte. Muitas delas criaram rituais para dar sentido à existência humana e reverenciar as forças da natureza.

De onde venho? Para onde vou? Existe vida depois da morte? Se sim, que tipo de vida? Estas são algumas perguntas feitas por muitas culturas, tentando compreender e explicar a nossa existência.

Para os povos indígenas do México, assim como para alguns outros, a morte era considerada passagem para uma nova vida. Por esse motivo, as pessoas eram enterradas com seus objetos pessoais, acreditando-se que poderiam necessitar deles em suas novas vidas. 

Assim, o ritual dos mortos tinha grande  importância e até hoje sobrevive, mesmo após a intense aculturação espanhola: com origem nas culturas indígenas da América Central, como Asteca, Maia, Purepecha, Nahua e Totonaca (cerca de 3.000 anos atrás), o Día de Muertos (dia dos mortos) vem sendo celebrado no México e em outros países latinos em 2 de novembro, coincidindo hoje em dia com as comemorações religiosas  do Dia de Todos os Santos e do Dia de Finados, no Brasil (1 e 2 de novembro, respectivamente), quando as famílias e amigos se reúnem para lembrar os familiares que já se foram, visitando igrejas e cemitérios. Consta que, na verdade, a festa original mexicana acontecia, de acordo com o calendário Maia, por volta do mês de agosto, mas os espanhóis incorporaram-no à festividade cristã de Finados, mudando a data.

No México, essa festa tem características muito diferentes, até difíceis de serem compreendidas por outras culturas. Para nós, parece uma espécie de Carnaval, com muitas fantasias de esqueletos, diabos, caveiras (o que também até chega a lembrar a comemoração de Halloween, de países de lingua inglesa, na noite entre 31 de outubro e 1 de novembro, mas com caráter um pouco diferente). Caveiras de açúcar e de chocolate fazem parte de altares mexicanos floridos com comidas e bebidas de oferendas aos que já morreram.  As pessoas passam a noite no cemitério, contando histórias de vida, de alegria, tocando música, comendo, bebendo e cantando, fazendo com que seus antepassados participem de suas vidas.

Nesta época, os mercados mexicanos ficam cheios de uma flor chamada cempasúchil, de cor laranja viva, a mesma já utilizada pelos Astecas, nesses rituais: dizem que representa os tons da terra e serve para guiar as almas para suas casas e seus altares.

Apesar de dominados pelos conquistadores espanhóis, que impuseram sua cultura, este antigo ritual de Día de Muertos, assim como alguns outros, manteve-se na cultura mexicana e é celebrado até hoje nas famílias, nos lares, onde muitas vezes se montam pequenos altares com uma caveira representando cada membro da família, flores, velas e doces.

 

referências:

http://diadelosmuertos.yaia.com/historia.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Day_of_the_Dead
http://www.inside-mexico.com/featuredead.htm

 

 

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