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4
setembro
2017
PROJETO “UNA CUCHARADA, POR FAVOR!”
postado sob EF2, Idiomas, Ítaca

Em Língua Espanhola, o assunto dos trabalhos deste bimestre deu água na boca e foi além da degustação. Nesta semana, os alunos do 8º ano apresentaram seminários sobre as comidas, bebidas e sobremesas mais comuns dos países hispanos.

Cada grupo apresentou uma breve mostra dos pratos mais populares em países como Argentina, Colômbia, Cuba, Espanha, Peru, México e Uruguai.  O trabalho era composto pela história e o processo de feitura das comidas latinas.

Os grupos levaram os pratos mencionados nas apresentações e ao final todos foram provados. E aprovados!

É muito importante realizar atividades que provoquem o estímulo à cultura e à oralidade de uma forma mais contextual e interessante para o aluno, além de promover a interação do coletivo.

Tivemos doces, guacamole, burritos, empanadas, churros e outras maravilhas.

¡Muy exquisito!

 

29
setembro
2016
O SISTEMA BRAILE E SUA HISTÓRIA
foto reprodução
processo de escrita manual em braile
foto: reprodução
máquina de escrever em braile
alfabeto em braile
reprodução
foto: reprodução
leitura em braile

 

Braile é um processo de escrita utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. O sistema é baseado em 64 símbolos em relevo, resultantes da combinação de até seis pontos dispostos em duas colunas de três pontos cada. Os símbolos podem representar tanto letras, como algarismos e sinais de pontuação, e a leitura é feita da esquerda para a direita, com uma ou duas mãos ao mesmo tempo.

O nome braile deve-se ao autor do sistema, o francês Louis Braille (1809 - 1852), que perdeu a visão aos 3 anos, ao ter o olho perfurado por uma ferramenta na oficina do pai. 
Ainda jovem estudante, ele conheceu a Sonografia, um código militar desenvolvido por Charles Barbier, oficial do exército francês, que consistia em um sistema de comunicação noturna entre oficiais nas campanhas de guerra.  O invento não surtiu efeito para o que se propunha, de modo que Barbier tentou implementá-lo para as pessoas cegas do Instituto Real dos Jovens Cegos.

A partir da invenção do sistema, em 1825, Braille desenvolveu estudos que resultaram, em 1837, na proposta da estrutura básica do sistema, ainda hoje utilizada mundialmente. Houve algumas resistências, sugestões de aperfeiçoamento ou desenvolvimento de outros sistemas de leitura e escrita pra cegos, mas seu sistema, pela eficiência e vasta aplicabilidade, impôs-se definitivamente como meio de leitura e de escrita.

Em 1878, um congresso internacional realizado em Paris, com a participação de onze países europeus e dos Estados Unidos, estabeleceu que o sistema braile deveria ser adotado de forma padronizada, para uso na literatura, exatamente de acordo com a estrutura apresentada por Louis Braille, em 1837, bem como com os símbolos fundamentais para as notações musicais e matemáticas (símbolos fundamentais para os algarismos, bem como as convenções para a Aritmética e Geometria).

DIVERGÊNCIAS

Nem sempre, porém, essa simbologia fundamental foi adotada nos países que vieram a utilizá-lo. Há diferenças regionais e locais, de modo que ainda hoje prevalecem diversos códigos para a Matemática e as Ciências, em todo o mundo. Com apoio da UNESCO, o Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos, criado em 1952 (hoje União Mundial dos Cegos), passou a tratar dessa divergência até que, na década de 1970, a Organização Nacional de Cegos da Espanha (ONCE) desenvolveu estudos para propor um código unificado, que denominou "Notación Universal".

Em termos mundiais, a unificação dos códigos matemáticos e científicos ainda não alcançou êxito mas a unificação da simbologia matemática para os países de língua castelhana foi acordada em 1987, na cidade de Montevidéu, durante uma reunião de representantes de imprensas braile desses países.

O BRAILE NO BRASIL

O Brasil conhece o sistema desde 1854, data da inauguração do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, chamado, à época, Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Fundado por D. Pedro II, o Instituto já tinha como missão a educação e profissionalização de pessoas com deficiência visual. "O Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar o sistema, trazido por José Álvares de Azevedo, jovem cego que teve contato com o braile em Paris", conta a pedagoga Maria Cristina Nassif, especialista no ensino para deficiente visual da Fundação Dorina Nowill.

Diferentemente de alguns países, o sistema braile teve plena aceitação no Brasil, utilizando-se praticamente toda a simbologia usada na França (com algumas poucas adaptações, para atender a reformas ortográficas e também com a adoção da tabela Taylor de sinais matemáticos). O Brasil também passou a adotar, na íntegra, o código internacional de musicografia braile de 1929, e o Código Matemático Unificado para a Língua Castelhana, com as necessárias adaptações à realidade brasileira, em 1994.

A atuação profissional de pessoas cegas no campo da Informática, a partir da década de 70, fez com que surgissem outras formas de representação em braile até que, em 1994, foi adotada uma tabela unificada para a Informática.

O braile hoje já está difundido pelo mundo todo e, segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil"  (2008, Instituto Pró-Livro), 400 mil pessoas leem braile no Brasil. Não é possível, segundo o Instituto Dorina Nowill, calcular em porcentagem o que esses leitores representam em relação à quantidade total de deficientes visuais no país. Isso porque o censo do ano 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que há aqui 169 mil pessoas cegas e 2,5 milhões de pessoas com baixa visão. No entanto, este último grupo é muito heterogêneo - há aqueles que enxergam apenas 1% e, portanto, poderiam ler apenas em braille, e também pessoas que enxergam 30% e podem também utilizar livros com letras maiores.

A falta de informação é ainda o principal problema que se percebe em relação ao braile. "Muitos professores acham que é simples ensinar a linguagem a um aluno cego, no entanto a alfabetização com esse sistema tem suas especificidades, e o professor, para realizar tal tarefa com êxito, tem de buscar ajuda", explica a especialista Maria Cristina.
Hoje institutos como o Benjamin Constant, o Dorina Nowill, Lara Mara e muitos outros pelo país oferecem programas de capacitação em braile e dispõem de vasto material sobre o assunto.

Como ação afirmativa para a inclusão dos deficientes visuais na sociedade, a Universidade de São Paulo desenvolveu o Braille Virtual, com o qual pessoas que veem poderão rapidamente aprender o sistema e estabelecer uma comunicação completa com os deficientes visuais. Veja o método
http://www.braillevirtual.fe.usp.br/pt/


Referências
http://www.afb.org/info/living-with-vision-loss/braille/what-is-braille/123
http://laramara.org.br
http://www.fundacaodorina.org.br/deficiencia-visual/
http://novaescola.org.br/conteudo/270/deficiencia-visual-inclusao
http://novaescola.org.br/conteudo/397/como-funciona-sistema-braille
http://www.ibc.gov.br/?itemid=10235

14
junho
2016
Um instituto de línguas indígenas do Brasil

A língua é um fator importante para a cultura e a história de um povo, constituindo sua identidade  e sendo o meio básico de organização da experiência, do conhecimento e da preservação da memória desse povo. 
Reconhecendo-se essa importância e na intenção de preservar e divulgar línguas ameaçadas de desaparecer, em 7 de março de 2013, por iniciativa de professores da Universidade de Brasília (UnB), foi criado o primeiro instituto de línguas indígenas do Brasil, chamado de Aryon Dall’Igna Rodrigues, em homenagem ao linguista paranaense e professor da UnB, falecido em 2014. Na abertura do instituto, Mauro, da etnia guarani, apresentou sua tese de mestrado, um estudo da própria língua (veja vídeo).

Segundo a professora Dra. Rosângela Corrêa, da Faculdade de Educação da UnB, o censo do IBGE realizado em 2010, apontou que a população brasileira soma 190.755.799 milhões de pessoas, sendo que 817.963 mil são indígenas, de 305 diferentes etnias. Foram registradas no país, pelo mesmo censo, 274 línguas indígenas, sendo que estima-se que, na época do descobrimento do Brasil, havia 1.300 línguas indígenas diferentes. Portanto, cerca de mil delas se perderam por diversos motivos, entre os quais a morte de tribos inteiras, em decorrência de epidemias, extermínio, escravização, falta de condições para sobrevivência e aculturação forçada.

O número de línguas indígenas ainda faladas é um pouco menor do que o de etnias, porque mais de vinte desses povos agora falam só o português, alguns passaram a falar a língua de um povo indígena vizinho e dois, no Amapá, falam o crioulo francês da Guiana. A distribuição é desigual, algumas dessas línguas são faladas por cerca de 20 mil pessoas e outras o são por menos de 20.

O tupi foi a única língua estudada nos primeiros trezentos anos de colonização. O objetivo básico dos missionários era aprendê-la e estudá-la para se comunicar com os índios e promover a catequese religiosa. O Padre José de Anchieta publicou, em 1595, uma gramática tupi. Há também estudos sobre a língua elaborados por viajantes estrangeiros, destacando-se entre eles o francês Jean de Léry.

Assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias língüísticas, e estas por sua vez fazem parte de grupos ainda maiores, classificadas como troncos lingüísticos. Os troncos com maior número de línguas são o macro-tupi e o macro-jê.

Há, também, línguas que não puderam ser incluídas pelos linguistas em nenhuma das famílias conhecidas, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como as  faladas pelos índios tikúna, trumái e irântxe/munku, trumái, máku, aikaná, Arikapú, jabutí, kanoê e koaiá ou kwazá. 

Algumas línguas indígenas se subdividem em vários dialetos, como por exemplo, os falados pelos krikatí, ramkokamekrá, pükobyê, apaniekrá (Maranhão), apinayé, krahó e gavião (Pará), todos pertencentes à língua timbira.

Constituiu-se, ainda, em quase toda a Colônia, o Nheengatu (uma espécie de derivação do Tupi, também conhecida como Língua Geral ou Língua Geral do Sul), de uso massivo por indígenas e europeus ( em fins do século XVIII, seu uso foi proibido em todo o território, por ordem do primeiro-ministro português Marquês de Pombal. Obrigou-se aí ao uso exclusivo do Português).

Houve, a partir da década de 1980, um grande desenvolvimento no estudo da linguística indígena, com um maior engajamento de estudiosos do assunto, a formação de especialistas, esses últimos também envolvidos com programas para formar professores indígenas. 

A iniciativa de criação do instituto Aryon Dall’Igna Rodrigues representa uma etapa importante de afirmação de identidade para vários povos.

Referências
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/brasil-ja-teve-mais-mil-linguas-434589.shtml
https://educezimbra.wordpress.com/2016/04/09/unb-cria-o-primeiro-instituto-de-linguas-indigenas-do-brasil/
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=832:linguas-indigenas-no-brasil&catid=47:letra-l

10
junho
2015
10 de junho -  Dia da Língua Portuguesa
http://pt.bab.la/noticias/idiomas-do-mundo.html

O Dia da Língua Portuguesa é comemorado em 10 de junho, por ser o dia em da morte de Luiz Vaz de Camões (1524-1580). Considerado um dos maiores poetas da história lusitana, foi autor de obras memoráveis como “Os Lusíadas”. 

A língua Portuguesa tem sua origem no latim vulgar – o latim falado, que os romanos introduziram na Lusitânia, região situada ao sudoeste da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.

Atualmente, segundo dados da ONU, pelo menos 235 milhões de pessoas têm o português como primeira língua, em oito países que vão das Américas à Ásia. Mais de 80% desses falantes são brasileiros. Entretanto, muitos falantes do português vivem fora dos países lusófonos em nações da Europa e nos Estados Unidos. Não oficialmente, o português é falado por uma pequena parte da população em Macau, no estado de Goa, na Índia, e na Oceania.

É o quinto idioma mais falado do planeta e o terceiro entre as línguas ocidentais, ficando atrás somente do inglês e do castelhano. É a língua oficial em diversos países como: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe e, ainda, Timor-Leste após sua independência. Por toda a importância dada à língua portuguesa, seu ensino agora é bastante valorizado nos países que compõem o Mercosul.

texto editado a partir do site da Portoweb

17
março
2014
O código Voynich

O manuscrito Voynich, uma publicação de aproximadamente 600 anos, em formato de bolso e com 240 páginas, é um enigma que intriga estudiosos de várias áreas: especialistas em códigos criptografados, físicos, botânicos, entre outros.

Isso porque está escrito em linguagem indecifrável, e da direita para a esquerda (Leonardo da Vinci já escrevia assim, espelhado, mas em uma língua conhecida). O manuscrito enigmático é repleto de ilustrações botânicas, científicas e figurativas. O que se sabe é que foi comprado por 600 ducados de ouro, pelo imperador Rudolph II da Alemanha, no final do séc. XVI, e depois ficou desaparecido até ser adquirido, em 1912, na Itália, pelo livreiro polonês Wilfrid Voynich. Hoje em dia, encontra-se na Universidade de Yale (EUA). 

As 240 páginas do manuscrito são ricamente ilustradas, com imagens de plantas e corpos celestes, o que sugere que se trate de um texto sobre ervas e astrologia, mas seu conteúdo continua um enigma. Algumas folhas têm várias vezes o tamanho do livro, quando desdobradas. A temática dos desenhos é a única pista sobre os assuntos de que trata cada seção:  metade do volume retrata plantas inteiras, a maioria não identificada (três delas o foram, mas as espécies ocorrem em várias partes do mundo, não ajudando a localizar sua origem); segue uma seção astrológica, com desenhos do Sol, da Lua, de estrelas, do zodíaco, círculos no céu e muitas mulheres nuas; a seção seguinte contém estranhos desenhos de tubos, que se acredita serem vasos sanguíneos, microscópios ou telescópios, e mais mulheres nuas em piscinas; em seguida, vem a seção chamada de “farmacêutica”, que parece ser uma lista, aparentemente de nomes de folhas e raízes. O livro termina com páginas repletas de um texto formado por uma série de parágrafos curtos, ilustrado apenas por estrelas nas margens.

Uma equipe brasileira formada por pesquisadores que atuam na Alemanha e na Universidade Federal de São Carlos, interior de São Paulo, também acredita que o manuscrito não seja uma sequência de símbolos sem sentido. Desenvolveu um método que usa técnicas da física estatística, para analisar a frequência com que as palavras aparecem ao longo de um texto. Resultados dessa pesquisa foram publicados em julho de 2013 na revista PLoS One.  Na verdade, esse método, desenvolvido para estudar o Voynich, tem hoje outras aplicações : “Ele nos permite identificar as palavras-chave de um texto longo, sem que seja necessário conhecer sua organização ou compará-lo com outros textos, tal como fazem mecanismos de busca como o do Google”, explica um dos autores do estudo, o físico Eduardo Altmann, do Instituto Max Planck para Física de Sistemas Complexos, em Dresden, Alemanha. 

 

Fraude ou não?

Especulou-se muito se o manuscrito não seria uma fraude criada pelo próprio Voynich, que adquiriu o manuscrito e depois lucrou com sua venda, mas historiadores e biógrafos já descartaram tal hipótese.

Como se disse, muitas têm sido as tentativas de decifrar o enigma. Junto ao manuscrito, por exemplo, uma carta datada de 1666 e assinada por um acadêmico da cidade de Praga, na atual República Tcheca, pedia a um jesuíta em Roma que tentasse decifrá-lo. Também foi feita, em 2010, uma análise físico-química dos papéis e das tintas e concluiu-se que o manuscrito deve ter sido produzido mesmo entre 1404 e 1438. E muitas pessoas, em distintas partes do planeta, estudam esse documento, tentando achar uma explicação para ele. Com o desenvolvimento da informática, a partir dos anos 1990, uma comunidade formada por uma centena de pesquisadores de várias disciplinas, todos interessados no Voynich, começou a se comunicar pela internet, o que gerou grande expectativa de avanços na pesquisa.  

Recentemente,  Arthur Tucker, botânico, professor emérito da Delaware State University (EUA), e seu colega Rexford Talbert surpreenderam-se com a similaridade de uma das ilustrações do Voynich com a xiuhamolli/xiuhhamolli ou "planta sabão",  que aparece no Codex Cruz-Badianus, de 1552, também conhecido como Herbário Asteca, escrito por Martín de la Cruz, no México. Por essa similaridade, supõem que o manuscrito possa ter sido feito na América Central.

O estudo feito na Universidade de São Carlos, com os físicos Osvaldo Oliveira Jr. e Luciano da Fontoura Costa, do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, trata os textos como se fossem redes complexas de palavras (ver figura em cima). “Duas palavras são conectadas na rede se elas aparecem vizinhas no texto”, explica Diego Raphael Amâncio, aluno de doutorado de Costa e primeiro autor do artigo da PLoS One. Antes de atacarem o Voynich, os pesquisadores avaliaram 29 tipos de medidas estatísticas que podem ser obtidas a partir da análise de um texto qualquer - elas são quantidades que medem como as palavras aglomeram-se ou se dispersam ao longo do texto ou que medem a distribuição dos vários arranjos possíveis das conexões entre as palavras. As medidas avaliadas pelos brasileiros indicam que o texto do Voynich apresenta mesmo uma estrutura sintática e transmite alguma mensagem.

 “O tamanho da literatura sobre o Voynich é assustador e me fez perguntar até que ponto seu objetivo é científico”, conta Altmann. “É por isso que em nosso trabalho tentamos formular as questões de maneira geral, esperando que o estudo tenha outras aplicações.”

 

Assista ao vídeo que explica o experimento:

http://www.youtube.com/watch?v=wZndOKzxRAg

 

Referências:

http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/08/13/o-codigo-voynich/

http://www.theguardian.com/books/2014/feb/07/new-clue-voynich-manuscript-mystery

http://bibliotecaucs.wordpress.com/2014/02/19/brasileiros-tentam-decifrar-misterioso-manuscrito-voynich/

http://www.scientificamerican.com/author/gordon-rugg/

http://www.newscientist.com/article/dn24987-mexican-plants-could-break-code-on-gibberish-manuscript.html#.UwYXsXm0HTM

 

Download completo do manuscrito:

https://archive.org/details/TheVoynichManuscript

9
setembro
2013
A vaca foi pro brejo

Imagens extraídas do Livro Pequeno Dicionário de Expressões Idiomáticas de Marcelo Zocchio e Everton Ballardin 


A vaca foi pro brejo???

Há muitas expressões cujo sentido não é ‘literal’. Os provérbios e os idiomatismos são os casos mais óbvios. ‘A vaca foi pro brejo’ não se aplica nem a vacas nem a brejos, e vale para numerosos eventos: o time perde, o político é cassado, o carro pifa, o aluno é reprovado, o professor se engana etc.

‘Filho de peixe peixinho é’ pode não ter nada a ver com peixes.

‘Matar a cobra e mostrar o pau’ significa ‘fazer algo e dar provas de que fez’, ‘defender uma posição e explicitar o argumento’, ‘alegar alguma tese e provar que é verdadeira’ etc. Mas já se disse que o ‘verdadeiro’ provérbio deveria ser ‘matar a cobra e mostrar a cobra’ (esta, sim, seria uma prova de que a cobra foi morta!), enquanto que ‘matar a cobra e mostrar o pau’ seria comportamento de gente falsa. 

O linguista Sírio Possenti, da Universidade Estadual de Campinas, diz que por trás da proposta de corrigir ditados está uma crença errada de que as palavras deveriam ter sempre sentido literal e referir-se ao mundo ‘real’. 

Segundo ele, os sentidos das palavras e das expressões são os que elas vão adquirindo ao longo do tempo. 

Muitas vezes, não há meio de saber como os sentidos surgiram, e muito menos como surgiram algumas expressões ou provérbios com seus diversos sentidos ou com suas diversas aplicações a contextos análogos.

Mas o melhor argumento contra a suposta necessidade de uma interpretação única e que seria ‘literal’ é dar-se conta de que dizemos ‘Ele vai de Piracicaba a S. Paulo’, ‘A Bandeirantes vai de Piracicaba a S. Paulo’ e também ‘O mandato vai de 2011 a 2014’.
Logo vai aparecer alguém que sustentará que devemos corrigir as duas últimas expressões, alegando que uma rodovia não vai. Menos ainda um mandato!

Mais informações e detalhes, clique aqui.

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