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11
outubro
2017
4ª edição do Vivenciando as Ciências - alunos viram professores por um dia

O 4º Vivenciando as Ciências aconteceu no dia 7 de outubro, sábado. Centrado em temas das Ciências da Natureza, o evento é um encontro bianual, composto de oficinas, palestras, conversas, exposições e demonstrações de experimentos, feitos por alunos, professores e pais do Ítaca.
São inúmeras atividades ligadas a distintas áreas e subáreas do conhecimento científico: física (acústica, resistência dos materiais, etc), biologia (microbiologia, botânica, etc), química, astronomia, oceanografia, medicina, ciências biomédicas, psicologia, educação, nutrição, etc.   

O evento foi muito divertido e dinâmico e, além da apresentação de profissionais das distintas áreas, por um dia os alunos do EF1, EF2 e EM também foram professores e pesquisadores, ocupando os espaços da escola com seus trabalhos e experimentos e explicando os diversos fenômenos científicos para os visitantes.

Além do contato com uma grande riqueza de conhecimentos, o intercâmbio com profissionais das diferentes áreas colocou os estudantes em contato com a realidade da vida profissional, ajudando a refletir sobre suas possíveis carreiras.

Veja abaixo alguns temas abordados nas palestras e atividades do evento deste ano:

APRESENTAÇÃO DE ALUNOS:

Experimentos de Física e Química
Alunos do Ensino Médio

Experimentos de Biologia
Alunos do Ensino Médio

Experimentos de Ciências
Alunos do Ensino Fundamental 2

Exposição de trabalhos do EF1
1º EF: Os nossos sentidos
2º EF: Pesquisando as plantas do Ítaca
3º EF: Terrários e aquário de plantas
4º EF: Modelos de fósseis
​5º EF: Biomas brasileiros

 

APRESENTAÇÃO DE PROFISSIONAIS:

Pesquisa Científica na Antártica – Introdução Um breve histórico do continente antártico, suas peculiaridades e as pesquisas que são desenvolvidas lá, incluindo as pesquisas brasileiras.
José Roberto Machado Cunha da Silva
Prof. Dr. do Laboratório de Histofisiologia Evolutiva
Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento
Instituto de Ciências Biomédicas - USP

Exercício Físico nas Doenças: Lições do Coração
Patrícia Chakur Brum
Profa. Dra. do Laboratório de Fisiologia Cel Mol. do Exercício
Escola de Educação Física e Esporte da USP

Dinâmica de Populações e Teoria do Caos
A interface entre física e biologia - particularmente ecologia. 
Prof. Fabio Stucchi Vannucchi
Físico - Docente da Unesp

Inteligência Artificial
Como a inteligência artificial está influenciando o mercado de trabalho? 
Como deverá ser o perfil profissional no futuro próximo? 
Estamos em meio a uma nova revolução industrial? 
Esta palestra não tem as respostas a todas estas perguntas, mas servirá como uma amostra do que já está acontecendo nos mercados brasileiro e global no que diz respeito à inteligência artificial e à nova economia, e como as profissões estão sendo afetadas.
Pávio Domiciano Muniz

As Ciências do Mar
As ciências do mar e a profissão do cientista do mar -  biologia marinha, ecossistemas no ambiente aquático, o aquecimento global e a acidificação dos oceanos.
Gabriela Tavares
Bacharel Interdisciplinar em Ciências e Tecnologia do Mar
Mestranda em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira
Univ. Federal de SP – Campus Baixada Santista

Valorize seu Intestino: Ele Pode Ajudar a Perder Peso, Combater Alergias e Doenças Neurológicas
Caroline Marcantonio Ferreira
Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas 
Laboratório Multidisciplinar em Saúde e Meio Ambiente -
Universidade Federal de São Paulo/Campus Diadema

Microscopia - "Observação do Plâncton: A vida em uma gota d'agua". Oficina com alunos dos 7º anos, orientados por Cláudia Namiki, pós-doutoranda do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo 

Você já viu uma onda sonora?
Experimento para ver ondas da frequência do som
Marcelo Nishio

Quiprocó: A Confusão Quando Não Sabemos o que Sentimos 
Sensibilizar as crianças para a identificação e compreensão dos seus sentimentos e os dos outros; trabalhar, de forma breve, a expressão de sentimentos e a resolução de problemas.
Carolina Andrade e Paula Pessoa, Psicólogas

Astronomia - observação do Sol com telescópios solares
Elysandra e Eduardo Cypriano
Astrônomos, Profs. Drs. do IAG – USP

 

A Vida das Abelhas e Muito Mais
As abelhas são de extrema importância para a polinização da grande maioria das plantas. Sendo assim, desempenham um papel fundamental na manutenção da existência da vida em nosso planeta. Existe uma grande diversidade de espécies de abelhas e na forma como se organizam socialmente, sendo, a maioria delas, solitárias. Nessa atividade apresenta-se um pouco sobre a vida das abelhas, suas sociedades e funcionamento. Será apresentado material de coleção para exemplificar a diversidade de espécies. 
Maria Cristina Arias, Profª. do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva Instituto de Biociências-USP

 

DEMONSTRACÕES:

Profª. Vera Lucia Martins Oikawa

Três experimentosA água furiosa, Vulcão e Sangue de diabo ou Sangue de mentirinha

Thomaz Magalhães 
Princípios de Acústica, Aplicação do Som em Sopros, Cordas e Diferentes Tipos de Tambores

Ricardo e Fabíola Bovo Mendonça
Prof. Zoologia USP
Estande para Observação de animais – aranhas, escorpiões e outros animais

 

31
agosto
2017
Petar 2017 - 1º EM faz viagem de estudo do meio

De 21 a 24 de agosto, o 1º ano do Ensino Médio foi a campo estudar a região do Vale do Ribeira (SP). No roteiro, a visita a uma mina de  extração de minérios e produção de fertilizantes (Complexo Mineroquímico de Cajati – Vale); vivências em um quilombo da região e no Bairro da Serra; visitas a cavernas do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e à Caverna do Diabo; deslumbramentos; percepções de diferentes realidades e olhares críticos, permeados ou não por lentes de câmeras... Além de muita diversão e risadaria, é claro!

Informações objetivas e reflexões 

Esse trabalho de campo representa um momento em que os adolescentes podem enfrentar mais efetivamente um cotidiano diferente, com reflexões mais fundamentadas e profundas sobre as gentes, a natureza, as ocupações, em um Brasil tão diverso. Isso se faz pela observação, pelo diálogo, pela experienciação, pela arte (os alunos, inclusive, apresentaram no Quilombo Ivaporunduva e na EMEF Nascimento Sátivio da Silva uma adaptação da peça Saltimbancos). Estabelecendo pontes entre a sua e estas novas realidades, é possível tomar consciência de um mundo em comum muito complexo, com particularidades e semelhanças e com conexões que só um mergulho nas realidades locais permite perceber. 

Mas isso não seria possível - nem tão rico - se não houvesse toda uma preparação anterior, com pesquisas e discussões pré-campo e também um produto final, chamando os alunos a partilharem o que experienciaram e contemplaram. O estudado em aula, mais as experiências do campo e os contrastes com as próprias vivências e história de cada aluno são a matéria-prima para esse produto posterior, iniciado na viagem e concluído no colégio: um fórum de discussão.

Envolvendo Geografia, Biologia, Química, História, Língua Portuguesa, Sociologia, História da Arte e Teatro, tal trabalho tem como ponto de partida o levantamento de questões pelos grupos de alunos, a partir  fotografias tiradas por eles mesmos, selecionadas das muitas produzidas durante a viagem. A partir das inquietações trazidas do campo, desenvolve-se um fórum de debates com todo o Ensino Médio (mas conduzido pelo 1ºEM), com o  objetivo de ir além da viagem e de ser mero espectador, para se buscarem entendimentos e até se protagonizarem propostas de intervenção para o que produziu impactos e incômodos. Esse fórum se realizará no colégio, na segunda quinzena de setembro.

23
agosto
2017
Origem da Terra, origem do homem

O projeto "Origem da Terra, Origem do homem" consistiu num trabalho em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), realizado com o 6º ano do Colégio Ítaca durante o 2º bimestre deste ano.

De forma integrada, as matérias de Ciências, Geografia e História atuaram com os alunos, em busca de entender algumas questões fundamentais sobre a origem do planeta e dos seres humanos.

Durante o trabalho interdisciplinar, os alunos foram convidados a explorar as teorias que rondam a formação da Terra, assim como o processo de evolução humana, por meio de exercícios dinâmicos e práticos com objetos e atividades desenvolvidas pelo museu, resultando numa apresentação produzida por eles sobre um dos temas abordados.

A curiosidade, a visão sistêmica e o prazer em aprender são estimulados nos alunos, colaborando com a sua autonomia na busca do conhecimento.

7
agosto
2017
Bichos do Brasil no muro da escola
postado sob arte, Ítaca, meio ambiente
Esboços de base para a pintura
Esboços de base para a pintura
Esboços de base para a pintura
O muro pintado
O muro pintado
O muro pintado
Esboço de base para a pintura
Ficha técnica criada pela artista
Ficha técnica criada pela artista
Ficha técnica criada pela artista
Ficha técnica criada pela artista

Você viu a nova pintura do muro do Ítaca?

Trata-se da série Bichos do Brasil, pintada pela artista plástica Walkiria Barone.

Walkiria é formada pela FAAP e coordena projetos para crianças. Ela também pinta muros em parques e em estações de metrô, como obras temporárias ou permanentes. Entra suas obras públicas está o muro externo das estações Cidade Jardim e Villa-Lobos, da CPTM. Além disso, a coleção de bichos brasileiros já foi exposta em metrôs como a Estação 165,em Nova York, e em São Paulo, nas estações Trianon-Masp, São Bento, Faria Lima, Fradique Coutinho e Paulista.

A série Bichos do Brasil é o resultado da admiração da artista pelos animais e pela arte. Com o intuito de despertar a consciência para a preservação das espécies nativas, principalmente as que estão em extinção, Walkiria busca lugares públicos para expor suas pinturas.

21
junho
2017
Um supermercado indígena onde se pode pagar com lixo
foto reprodução
foto reprodução
foto reprodução
foto reprodução
foto reprodução

Desde o início de abril deste ano, o município de Marechal Thaumaturgo ganhou 1º supermercado brasileiro onde é possível trocar material reciclável por comida. Com 16.000 habitantes, a cidade fica a 560 km de Rio Branco, capital do Acre.

O supermercado TrocTroc oferece a seus clientes a possibilidade de trocar detritos plásticos e latas de alumínio por alimentos cultivados localmente e artesanatos da região. O estabelecimento, um ecomercado indígena em plena floresta amazônica, é uma parceria da fundação internacional House of Indians com a tribo Ashaninka, do Rio Amônia, no Vale do Juruá.

Marcelo Valadão, brasileiro residente na Europa há 11 anos e presidente da House of Indians Foundation – que luta pelo respeito e preservação da cultura indígena – explica que, além de fomentar a economia local e valorizar seus costumes de troca, o supermercado resolve boa parte da poluição ambiental local.

O projeto nasceu em 2014, justamente impulsionado pelo problema do excesso de detritos na região. No mercado TrocTroc, cada quilo de material reciclável vale R$ 0,50 em compras. Em caso de o cliente trazer os resíduos já limpos e amassados, facilitando sua reciclagem, o valor do bônus tem acréscimo de 20%. Para a troca estão disponíveis nas prateleiras artigos como frutas, grãos, legumes e verduras. Todos os alimentos são orgânicos, produzidos localmente, com o intuito de valorizar os produtores rurais da região. O mercado também oferece artesanato originário da cultura local, reforçando a economia indígena, favorecendo uma agricultura ecologicamente durável e garantindo às comunidades os meios de permanecerem proprietários de suas terras, além de proteger a floresta.

Para Benki Pyãko, líder ashaninka, a iniciativa tem como objetivo desenvolver a consciência sobre o valor ecológico e econômico da reciclagem. "Hoje, as comunidades indígenas das florestas tropicais tornam-se atores essenciais na proteção da Amazônia. Vivemos a consequência direta do crescimento do contato entre as populações e o consumo industrial (garrafas, sacos e embalagens plásticas, latas de alumínio). Infelizmente as políticas de reciclagem são raras nas regiões da floresta, por isso temos de agir", enfatiza.

Marcelo Valladão complementa: "Benki é um ativista dos direitos do homem, defende a convivência pacifica entre o ser humano e o meio ambiente, desempenhando um papel ativo na proteção de suas terras, o que o tornou um líder das tribos vizinhas na reivindicação da autogestão política, econômica e agroecológica dessas tribos, em harmonia com as tradições culturais e espirituais. “

Quem cuida da gestão do empreendimento é a própria comunidade da tribo Ashaninka, que controla o estoque de alimentos, a negociação com os fornecedores, a manutenção do estabelecimento e também é responsável pelo processo de recebimento, pesagem, armazenamento e enfardamento dos recicláveis. O transporte do material recebido é realizado por meio de uma parceria com a prefeitura local. 

"A proposta é empoderar os pequenos produtores rurais de todo o Acre e garantir a eles aumento de renda. Todos os produtos do ecomercado poderão ser adquiridos com a entrega de latas ou garrafas pet. A venda a dinheiro também pode ser feita, mas não é o foco principal", ressalta Marcelo Nunes Valadão. Ele ainda espera que esse projeto-piloto possa incentivar outras iniciativas parecidas no país e comenta que, em apenas um mês de funcionamento, já foram arrecadados mais de 5 mil toneladas de material. "A ideia do mercado veio para resolver um problema social e ambiental", declarou.

E a expectativa é de que ainda este ano um restaurante seja aberto nos mesmos moldes. "Já adquirimos um espaço de mil metros quadrados e estamos aguardando financiamento privado.", explicou. 

Visite e acompanhe a página do ecomercado no Facebook
https://www.facebook.com/TrocTroc-Supermercado-Consciente-327049840964312/

Referências
https://www.kienyke.com/tendencias/medio-ambiente/comprar-comida-con-basura-reciclable
http://www.leiaja.com/noticias/2017/05/11/brasil-ganha-1o-ecomercado-onde-se-troca-lixo-por-comida/
http://www.leiaja.com/noticias/2017/05/11/brasil-ganha-1o-ecomercado-onde-se-troca-lixo-por-comida/
https://noticias.terra.com.br/amp/dino/tribo-ashaninka-e-europeus-se-unem-e-inauguram-o-primeiro-ecomercado-indigena-do-brasil,12ce1a9fb26d4647ce61eecda57757c0hqi316sy.html

Vídeo
http://g1.globo.com/ac/acre/jornal-do-acre/videos/v/marechal-thaumaturgo-ganha-primeiro-mercado-ecologico-do-pais/5777799/

9
maio
2017
DELIVERY REVERSO - ajudando a combater a fome

A fome é um problema mundial e de grande gravidade. O pior de tudo é que não é uma questão de produção e sim de distribuição de renda e de comida. Como já divulgamos em matéria de quase 3 anos atrás, cerca de metade da comida produzida no mundo a cada ano vai para o lixo, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

No Brasil, mais de 7,2 milhões de pessoas são afetadas pela fome e 30 milhões são subnutridos. No entanto, a produção nacional de alimentos é mais  do que suficiente para alimentar todos os brasileiros. Quem aponta isso é o professor Danilo Rolim Dias de Aguiar, pesquisador do Departamento de Economia do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 
“A questão fundamental no Brasil não é falta de alimento ou potencial para produção, e sim o acesso. Os dados mostram que a renda acaba sendo o fator mais importante. Essa quantidade de alimento seria o suficiente para todo mundo se fosse igualmente distribuída entre as pessoas”, explica Aguiar.

Como forma de driblar a questão, diversas iniciativas de âmbito público e privado – seja de indivíduos, empresas, ou ONGs – têm aparecido, no sentido de ajudar ao combate da fome mundial.

No Brasil, o Governo Federal lançou em 2015 um programa para aumento da rede de Bancos de Alimentos (veja aqui), espalhados pelo país, que recebem doações de alimentos próprios para o consumo mas que estão fora dos padrões comerciais (frutas “feias”, alimentos perto do prazo de vencimento, etc) ou excedentes de comercialização e produção. Empresas como supermercados, armazéns, lojas varejistas, centrais de distribuição e até mesmo associações de produtores estão entre os doadores. 

No ano passado, em São Paulo, a ONG Banco de Alimentos (criada em 1998 e que atende a mais de 22 mil pessoas ao mês), em parceria com a Agência Grey, criou uma ação que visa a arrecadar alimentos para pessoas que têm fome. 
Trata-se do Delivery Reverso. O sistema funciona da seguinte maneira: um cliente pede uma entrega dos restaurantes participantes, e será consultado sobre o interesse em doar algum alimento que tem em casa. Havendo interesse, a própria ONG vai buscar a comida em domicílio e providencia sua distribuição para entidades beneficentes.

Faça também parte dessa rede. Divulgue e colabore com iniciativas como esta!

Referências
http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/producao-de-alimentos-e-suficiente-para-resolver-a-fome-no-brasil/
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-07/formacao-de-rede-nacional-de-banco-de-alimentos-e-desafio-no-pais
http://thegreenestpost.bol.uol.com.br/delivery-reverso-permite-que-pessoas-doem-alimentos-sem-sair-de-casa/
https://www.facebook.com/reversedelivery/
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2016/07/voluntarios-alimentam-22-mil-pessoas-com-comida-que-iria-para-o-lixo.html
http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/producao-de-alimentos-e-suficiente-para-resolver-a-fome-no-brasil/
http://itaca.com.br/noticias/post/1274

5
abril
2017
Comemoramos 27 anos, festejando a memória arqueológica do Brasil
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
reprodução: Fundham
uma das inscrições rupestres mais conhecidas da Serra da Capivara

Como brinde de comemoração dos 27 anos do Ítaca, produzimos um lápis com desenhos baseados em alguns dos registros rupestres encontrados no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Estado do Piauí. Esse parque tem uma história encantadora. Vale a pena conhecer e, quando possível, visitá-lo.

História do Parque Nacional da Serra da Capivara
Desde o início da década de 1970, um grupo de arqueólogos, sob a direção de Niède Guidon, realizava pesquisas na região com financiamento da França.

A partir de 1978, essas pesquisas passaram a ser interdisciplinares, com a participação, além das instituições francesas que faziam parte da Mission Archéologique du Piauí, de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Em 1986, esse grupo de pesquisadores criou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM). 

Em 1991, a UNESCO inscreveu o Parque Nacional Serra da Capivara na lista do Patrimônio Mundial, a título Cultural, em razão da importância dos registros rupestres existentes nos seus sítios arqueológicos. A FUMDHAM aceitou a responsabilidade de preservar esse patrimônio.

A FUNDHAM, declarada de interesse público pelo governo brasileiro, reúne na atualidade uma série de atividades científicas e culturais, no âmbito das ciências humanas, biológicas e da terra, mas também realiza atividades em benefício da sociedade.

Museu do Homem Americano
Situado na sede da FUMDHAM, o Museu do Homem Americano foi criado com o objetivo de divulgar a importância do patrimônio cultural deixado pelos povos pré-históricos. O Museu procura mostrar ao público os resultados mais recentes das pesquisas, sendo realizadas, portanto, atualizações regulares, tanto na exposição permanente quanto nas temporárias.

Visitação
O Parque Nacional Serra da Capivara está aberto à visitação e conta com guaritas para a recepção dos turistas, estradas, Centro de Visitantes, trilhas, escadarias e passarelas que permitem o passeio com segurança. Mas, para conhecer o Parque, é preciso estar acompanhado de um condutor de turismo.

Sítios arqueológicos
Os registros rupestres, pintados ou gravados sobre as paredes rochosas, são formas gráficas de comunicação utilizadas pelos grupos pré-históricos que habitaram a região do Parque. As representações gráficas abordam uma grande variedade de formas, cores e temas. Foram pintadas cenas de caça, sexo, guerra e diversos aspectos da vida cotidiana e do universo simbólico dos seus autores. O estudo desses registros possibilita o reconhecimento de temas recorrentes e a identificação de diferentes maneiras de representá-los. Pode-se dizer, ainda, que são pistas da forma de vida dessas populações.

Do conjunto de 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, 183 estão preparados para a visitação turística, sendo 17 deles acessíveis a pessoas com dificuldades de locomoção. Pela quantidade e variedade dos sítios, os roteiros de visitação devem ser estabelecidos com os condutores de turismo a partir do perfil do visitante e do seu tempo disponível. Há, no entanto, algumas sugestões de roteiros preestabelecidos.

Belezas naturais
O Parque é formado por um conjunto de quatro Serras – Serra da Capivara, Serra Branca, Serra Talhada e Serra Vermelha – que apresentam diferentes ambientes e paisagens onde também se pode contemplar os monumentos geológicos, a fauna e a flora da caatinga.

Visite a página da Fundação Museu do Homem Americano:
http://www.fumdham.org.br

30
março
2017
Uma nova possibilidade: veículo movido a energia fotovoltaica

Um ônibus movido a energia solar é a novidade que pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) lançaram e que começou a circular desde dezembro de 2016 e mais assiduamente a partir de março deste ano, como teste, entre o campus da Universidade, perto do centro de Florianópolis, e o laboratório da Universidade, no norte da Ilha de Florianópolis: “Usamos o conceito de deslocamento produtivo. Ele tem mesas de escritório e de reunião, com tomadas e internet wifi. Além disso, não haverá cobrança nenhuma de passagem, será totalmente gratuito”, comenta Ricardo Rüther, coordenador do Centro de Pesquisas.

No teto do ônibus, há baterias de lítio que armazenam energia gerada pelas placas solares fotovoltaicas instaladas nos telhados do Centro de Pesquisa. Com tração elétrica, o veículo tem autonomia para andar até 70 quilômetros sem recarga e sem gerar gases poluentes. Quando estiver parado no trânsito, não haverá consumo de energia, como acontece com os veículos com motores a combustão; e a tecnologia de frenagem regenerativa será capaz de gerar energia através das rodas, para ser injetada nas baterias, aumentando a autonomia do veículo.

O projeto nasceu de um convite do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) ao Centro de Pesquisa da UFSC, que tem experiência no assunto e já criou dois barcos elétricos solares. Além do ônibus elétrico movido a energia solar, o MCTIC financiou, em 2015, a construção do laboratório no qual foi no qual ele foi construído.

Apesar de o custo para construir o ônibus ainda ser elevado – R$ 1 milhão – a viabilização técnica e econômica do projeto pode ocorrer no futuro, quando o ganho de escala deve ajudar a baratear o custo das baterias, ainda bastante elevado. “Não é um projeto para solucionar o problema do campus”, afirma Rüther.
É um projeto para se estender à cidade e não para resolver o problema específico do campus. 

Na Austrália, já existe o Tindo, conhecido como sendo o primeiro ônibus a circular com energia solar e operado pela Adelaide Connector Bus. O veículo foi apresentado à imprensa em dezembro de 2007 e começou a rodar em fevereiro de 2008, gratuitamente, sem custo de passagem. 

Sem poluentes
Um ônibus com consumo médio de 670 litros de diesel por mês emite cerca de 3,9 toneladas de CO2. Em um ano, a emissão chega a 46,8 toneladas de CO2.
Conforme explica o pesquisador Júlio Dal Bem, membro do Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da UFSC, um estudo do Instituto Totum e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, apontou que cada árvore da Mata Atlântica absorve 163,14 kg de gás carbônico (CO2) nos primeiros 20 anos de vida, o que seria uma média de 8,1 kg de CO2 por ano: “Precisaríamos de quase 5,8 mil árvores para resgatar o CO2 emitido por um ônibus urbano comum em um ano de operação”, complementou o pesquisador.

O fornecimento da energia para os veículos elétricos
O primeiro ônibus elétrico do Brasil foi construído em um projeto da Mitsubishi Heavy Industries, do Japão, com a empresa Eletra Bus, de São Bernardo do Campo, informou Dal Bem. O veículo foi chamado de E-Bus e rodou por dois anos pelos corredores de ônibus da cidade.
Ao fim do projeto, toda tecnologia trazida ao Brasil pela empresa, como importação temporária, precisava ser devolvida ao Japão ou doada a uma instituição pública de ensino. Assim, carregador e baterias foram entregues à UFSC, depois que o E-Bus foi desmontado. 

Aplicabilidade
“O grande problema em colocar um veículo dessa natureza em operação está na infraestrutura elétrica para carregamento. Ultimamente, temos sido sobretaxados nas contas de energia elétrica como uma forma de estimular a redução no consumo e pagar as despesas de geração com termoelétricas, que é uma energia mais cara e mais poluente, ao invés de investir em fontes limpas e renováveis”, comentou.
Dal Bem explica que a dificuldade em desenvolver este ônibus em larga escala esbarra também na infraestrutura do país: “É exatamente o mesmo problema que dificulta a entrada de veículos elétricos no mercado nacional. Um ou outro veículo elétrico conectado à tomada não é um problema, mas 1 milhão deles, 1% da frota nacional de veículos, já implicaria um impacto considerável no consumo de energia elétrica e previsão de infraestrutura elétrica”, complementou.

Referências:
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2016/09/primeiro-onibus-eletrico-movido-a-energia-solar-entrara-em-operacao-em-sc
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-e-sustentabilidade/primeiro-onibus-movido-a-energia-solar-vai-ganhar-as-ruas-de-florianopolis-bm3be6qj7a4wo2a465z7bhm00
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2016/09/pesquisadores-da-ufsc-criam-onibus-eletrico-movido-energia-solar.html
http://www.portalsolar.com.br/blog-solar/energia-solar/onibus-australiano-movido-a-energia-solar-tem-tarifa-gratuita.html
https://tecnologia.terra.com.br/cidade-australiana-oferece-onibus-movido-a-energia-solar-gratuitamente,335053da5b55b38a621067b41ccb73669l76htrv.html
http://www.tudosobrefloripa.com.br/index.php/desc_noticias/onibus_movido_a_energia_solar_comeca_a_transitar_em_floripa_em_marco

 

20
março
2017
Pesquisa confirma o que já era sabido pelos habitantes da floresta: influências humanas na Amazônia são muito antigas
Foto reprodução: Edison Caetano
foto reprodução:  Val Moraes - Central Amazon Project

Apesar de o fenômeno já ser de conhecimento dos habitantes da floresta –indígenas e ribeirinhos – um estudo científico feito na Bacia Amazônica constata que as florestas da região foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos. Um processo muito antigo de manejo de espécies transformou boa parte da mata em gigantescos "pomares", repletos de espécies domesticadas de árvores. Examinando as plantas em sítios arqueológicos, um grupo de biólogos e arqueólogos encontrou a predominância de plantas domesticadas pelas sociedades pré-colombianas em alguns desses lugares, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

“Detectamos que perto de sítios arqueológicos há uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos índios”, conta a bióloga Carolina Levis, doutoranda no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e na Universidade de Wageningen, Holanda, e primeira autora de um artigo publicado na revista Science. 

Levi e seus colaboradores examinaram correspondências entre dados arqueológicos e botânicos, de dois bancos de dados. Um deles é o do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, compilado pelos arqueólogos Eduardo Tamanaha e André Junqueira, que tem dados de mais de 3 mil sítios arqueológicos. O outro é o criado pelo botânico Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, da Holanda, formando uma rede de pesquisadores, chamada ATDN (sigla inglesa de Rede de Diversidade de Árvores da Amazônia), que fizeram inventários botânicos em 1.170 parcelas de amostragem na Amazônia, listando mais de 4 mil espécies de árvores.

As diferenças na composição da floresta entre locais onde já houve povoamentos e áreas mais distantes são tão marcantes, que possibilita usar a composição da flora para localizar sítios arqueológicos. 

A pesquisadora detectou 85 espécies usadas e domesticadas pelos índios, como o açaí-do-mato, a castanha-do-pará e a seringueira.Algumas dessas plantas manejadas pelos antigos habitantes da região acabariam levando a produtos que hoje são consumidos no mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará. 

O holandês Hans Ter Steege já tinha mostrado que, apesar da imensa variedade de espécies, a Amazônia tem algumas árvores "campeãs", conhecidas como hiperdominantes: são 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.

“Esses grupos podem ter levado as plantas por grandes distâncias”, sugere Carolina. A correlação entre árvores hiperdominantes e indícios de populações humanas antigas é mais forte no sudoeste da Amazônia, como Rondônia, e também na região da foz do Amazonas, mas não se sabe se a distribuição dessas árvores foi alterada por muitas gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram justamente onde havia recursos variados para eles. Carolina acredita na primeira hipótese. “Encontramos árvores com preferências ecológicas distintas vivendo nas mesmas parcelas de amostragem, algo improvável de acontecer naturalmente.”

Há uma grande preocupação em relação ao desmatamento onde essas plantas são mais abundantes. “As linhagens silvestres das plantas usadas pelos índios estão nessa região, e preservar essa diversidade genética também é importante para a segurança alimentar”, afirma Carolina. 

Essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes não domesticadas só aparecem em 47% da bacia, o que sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original, como o cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.

A concentração de espécies domesticadas aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam e ainda servem como os principais caminhos de circulação dentro da mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto, alterando a composição natural de espécies da floresta.

A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos "selvagens" da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Já algumas espécies são classificadas como parcialmente domesticadas (como o cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau: oprimeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.

O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, afirma que esse processo de "engenharia florestal" amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta – solo fértil produzido pela ação humana, em parte pela queima de restos de vegetais.

Para o arqueólogo, o estudo confirma que, além de serem um patrimônio natural, as florestas da região também são um patrimônio cultural, por sua ligação estreita com a intervenção humana. 

Referências:
http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/um-imenso-pomar/
https://www.nexojornal.com.br/especial/2015/12/01/Cidades-da-Amazônia-a-floresta-que-nunca-foi-virgem
https://www.sciencedaily.com/releases/2017/03/170302143939.htm
http://science.sciencemag.org/content/355/6328/925
http://agencia.fapesp.br/populacoes_precolombianas_podem_ter_domesticado_a_amazonia/24870/
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/03/1863192-civilizacoes-pre-colombianas-moldaram-vegetacao-da-amazonia.shtml

21
fevereiro
2017
Paz e amor?
Foto divulgação
Gerald Holtom com sua criação
Desenhos de Holtom por ocasião da criação do símbolo
site da CND - acesse e conheça mais sobre essa organização - http://www.cnduk.org
foto divulgação

Um dos símbolos mundiais mais conhecidos, que nasceu em campanha contra as armas nucleares e hoje é o símbolo universal da paz, surgiu na Inglaterra, no final dos anos 1950.

Em 1950, políticos britânicos de esquerda uniram-se contra o programa nuclear na Inglaterra, em uma campanha unilateral de desarmamento, criando a Campanha para o Desarmamento Nuclear [Campaign for Nuclear Disarmament (CND)].

 Em 1958, Gerald Holtom (1914 - 1985), designer profissional e artista formado pelo Royal College of Arts, foi convidado a criar uma marca para uma manifestação do Comitê Contra a Guerra Nuclear [Direct Action Committee against Nuclear War (DAC)].  Partindo dos sinais semafóricos* referentes à letra N e D  (de Nuclear Disarmament), ele as fundiu, criando um símbolo único. Apresentou-o em uma reunião, em fevereiro de 1958, e seu símbolo acabou sendo utilizado pela primeira vez na marcha de Páscoa, intitulada Aldermaston march: entre os dias 4 e 7 de abril de 1958, aproximadamente 50 mil pessoas e marcharam por 83 km, de Trafalgar Square, em Londres, ao Atomic Weapons Establishment, em Aldermaston, Berkshire, para demonstrar oposição às armas nucleares. Foram produzidos 500 “pirulitos” de cartão em bastões, com o símbolo criado.

Há quem afirme que esse símbolo já existia em associações clandestinas, anticristãs. Na África do Sul, durante o regime do apartheid houve tentativas de banimento desse emblema, assim como grupos fundamentalistas norte-americanos já o ligaram associações satânicas ou condenaram-no como um símbolo comunista. O presidente da CND na época era o filósofo e matemático Bertrand Russel, conhecido ateu e esquerdista, o que fez com que os conservadores tentassem justificar por esses motivos sua oposição à entidade.

Propositalmente não patenteado ou de uso restrito, o sinal cruzou fronteiras nacionais e culturais, tornando-se o símbolo universal da paz. Popularizado pelo Movimento Hippie dos anos 1970, como símbolo de liberdade, pretendeu-se mesmo que fosse de uso livre para todos. Mas acabou também transformando-se em um símbolo explorado comercialmente, em anúncios e na moda. Quando utilizado para fins comerciais, o CND solicita doações para suas ações e frequentemente tem respostas positivas.

O símbolo continua sendo usado em ações de paz e esperança e tem sido visto em acampamentos de refugiados, protestos contra o câmbio climático e em demonstrações anti-Trident** – projetado e desenvolvido pela Lockheed Martin Space Systems e operado pelas marinhas dos Estados Unidos e do Reino Unido –, uma das maiores campanhas atuais da CND.
 

O alfabeto semafórico é um sistema de comunicação no qual se utiliza a posição dos braços para representar cada letra do alfabeto, incluído no código internacional de sinais da OMI (Organização Marítima Internacional}. Foi inventado pelo francês Claude Chappe, abade, engenheiro e inventor francês nascido em Brûlon, considerado o criador do primeiro sistema prático de telecomunicações, um sistema de transmissão mecânica para longas distâncias, que ele chamou de semáforo (1793). 

** O Trident é um SLBM - Mísseis balísticos lançados de submarino (em inglês: Submarine-launched ballistic missile) 

Referências
https://alchetron.com/Gerald-Holtom-1381326-W
http://www.cnduk.org/about/item/435-the-cnd-symbol
http://www.logodesignlove.com/cnd-symbol
http://peacemuseum.org.uk/cnd-logo-design/
http://www.bbc.com/news/uk-politics-13442735
http://www.cnduk.org/support-cnd/join-cnd
http://www.docspopuli.org/articles/PeaceSymbolArticle.html
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-simbolo-da-paz/
http://acracia.org/bertrand-russell-1872-1970/

18
novembro
2016
Slow food lista alimentos em extinção
reprodução Slow Food

Fundada por Carlo Petrini, a Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos, iniciada como movimento, em 1986, e transformada em associação, 3 anos depois. 
Atualmente, conta com mais de 100.000 membros e tem escritórios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido, além de apoiadores em 150 países.
O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, utilizando-se produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto os produtores.

"A Slow Food opõe-se à tendência de padronização do alimento no mundo, e defende a necessidade de que os consumidores estejam bem informados, tornando-se co-produtores. É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consiste em aprender a dar o devido tempo às coisas."
Carlo Petrini, fundador do Slow Food

Defendem-se a biodiversidade alimentar e as tradições gastronômicas em todo o mundo, com o intuito de promover um modelo sustentável de agricultura que respeita o meio ambiente, a identidade cultural e o bem-estar animal, além de apoiar as demandas de soberania alimentar, ou os direitos das comunidades de decidir o que cultivar, produzir e comer.

A partir desse foco, a Fundação Slow Food lançou em 1996 a Arca do Gosto, catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores de produtos ameaçados de extinção, alguns deles muito esquecidos ou pouco conhecidos, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais. O objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que estão em risco de desaparecer. Desde o início da iniciativa, foram catalogados mais de 1.000 produtos de dezenas de países. 

Além dos produtos agrícolas, há outros recursos alimentícios em extinção, como peixes e queijos - estima-se que 80% dos recursos pesqueiros estejam ameaçados pela pesca excessiva no país, por exemplo. Um dos animais que correm risco de entrar na lista da Arca é a lagosta, pois é pescada no verão, justamente durante sua fase de desova.
Na lista dos pescados em risco estão o aratu (Goniopsis cruentata), típico dos mangues do estado de Sergipe; o berbigão (Anomalocardia brasiliana), abundante no litoral de Santa Catarina; a ostra de Cananeia (Crassostrea brasiliana), em São Paulo, e o pirarucu (Arapaima gigas), originário da bacia hidrográfica amazônica.

Somente no Brasil, há mais de 100 produtos ameaçados de extinção listados na Arca do Gosto. Veja a lista completa

Para que um produto entre na lista dos "ameaçados" há alguns critérios básicos, como as qualidades gastronômicas especiais, a ligação com a geografia local, a produção artesanal, a ênfase na sustentabilidade e o risco de extinção.

Segundo o biólogo Gleen Makuta, da Slow Food Brasil, o desaparecimento gradual desses ingredientes deve-se à padronização da alimentação.
"Cerca de 90% da dieta do mundo todo está pautada em vinte ingredientes, sendo os três maiores o milho, o arroz e a batata. Então são alimentos que estão muito difundidos, produzidos em escala massiva, e isso faz com que outros ingredientes percam o valor econômico e não consigam acessar o mercado", afirma.
"Isso faz com que todo o conhecimento atrelado a esses ingredientes vá se perdendo. É uma extinção tanto biológica como cultural."

Apesar do risco de desaparecimento, todos os ingredientes da lista ainda se encontram vivos, com potencial produtivo e comercial. Mas poucos chegam à mesa dos brasileiros.

Contribuição dos chefs
Pensando em levar esses alimentos à mesa dos brasileiros, a chef de cozinha Claudia Mattos fundou, com outros chefs, a Aliança dos Cozinheiros para o Brasil, rede que trabalha com ingredientes locais, elaborando pratos e receitas com alimentos de cada região.

"O Brasil consome e conhece muita coisa de fora - funghi seco e caviar, por exemplo -, mas não conhece produtos nossos, como cambuci, baru, entre tantos outros."
O grupo promove eventos como o Festival Arca do Gosto, que reúne nomes da gastronomia para elaborar pratos e receitas com esses alimentos.

"É muito fácil fazer mousse com laranja ou morango porque é conhecido, e o resultado muito tranquilo, mas criar um prato com ingredientes que você não sabe nem como se comportam, se tem que deixar de molho, se tem que assar, cozinhar, se faz ele doce ou salgado é desafiador e trabalhamos na base da experimentação", conta. "Há pouco tempo, ninguém conhecia cambuci, taioba, ora-pro-nobis, e hoje vários restaurantes já usam esses ingredientes.”

Conhece algum ingrediente com risco de extinção na sua região? Você pode contribuir para a Arca do Gosto. Acesse http://www.slowfoodbrasil.com/arca-do-gosto/indique-um-produto

Referências
http://www.fondazioneslowfood.com/en/what-we-do/the-ark-of-taste/nominations-from-around-the-world/nominate-a-product/ficha-de-candidatura-para-a-arca-do-gosto/
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37758000
http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2013/junho/lista-mostra-24-alimentos-brasileiros-em-risco-de?tag=biodiversidade
http://www.slowfoodbrasil.com/arca-do-gosto/produtos-do-brasil
http://comendocomosolhos.com/sete-alimentos-ameacados-de-extincao/
http://www.slowfoodbrasil.com

13
novembro
2016
O planejamento urbano, o transporte e a saúde

O que o planejamento urbano tem que ver, diretamente, com a saúde da população?

Esse é o alvo do projeto de doutorado, de autoria de Thiago Hérick de Sá, pesquisador do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).  Ele participou de um estudo internacional realizado por pesquisadores da Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, China e Índia,  que afirma que a implantação de um modelo de cidade compacta, possível em São Paulo  – onde as distâncias entre os locais de moradia, trabalho, comércio e serviços fossem mais curtas e as áreas urbanas tivessem maior densidade populacional e uso mais diversificado – poderia resultar em um aumento de 24,1% na atividade física dos paulistanos relacionada ao transporte, como caminhada e ciclismo.

Esse aumento no deslocamento ativo pode levar a uma diminuição de 4,9% na emissão de material particulado fino na atmosfera pelos veículos automotores e, consequentemente, a uma queda de 7% no número de casos de doenças cardiovasculares e de 5% no de diabetes tipo 2.

O estudo e a promoção do deslocamento ativo vêm crescendo mundialmente, dada sua estreita relação com problemas de saúde pública da atualidade, como a obesidade e o aquecimento global, e seu potencial de contribuir positivamente em áreas cruciais, como transporte, saúde e meio ambiente. O objetivo do projeto de doutorado, que teve apoio da Fapesp, era investigar a frequência, a distribuição e a variação temporal do deslocamento ativo no Brasil, bem como os efeitos dessa prática sobre condições de saúde da população.

Os resultados do estudo internacional foram publicados em uma série especial da revista Lancet sobre planejamento urbano, transporte e saúde, lançada durante a Assembleia Geral da ONU, no final de setembro, em Nova York, Estados Unidos.
“O objetivo da série foi quantificar os impactos da adoção de um modelo de cidade mais compacta e de um sistema de transporte mais sustentável sobre a saúde da população de cidades de diferentes regiões do mundo”, disse Sá à Agência FAPESP.

Além dos resultados para a saúde individual, haveria outros impactos positivos com as mudanças no uso da terra e no sistema de transporte, como a diminuição de mortes e lesões causadas por acidentes de trânsito.

Com base nessas estimativas, um modelo de cidade compacta deve contemplar 30% a mais de densidade e a diversidade do uso da terra e a redução da distância média dos trajetos também de 30%, com o objetivo de estimular a substituição do uso de automóveis pelo transporte público, bicicleta e caminhada nos deslocamentos na cidade. Além disso, os pesquisadores também substituíram, no modelo, 10% do transporte por veículos automotivos por deslocamento ativo (caminhada ou bicicleta).

Aplicou-se esse modelo nas cidades de Melbourne (Austrália), Londres (Inglaterra), Boston (EUA), São Paulo, Copenhagen (Dinamarca) e Délhi (Índia), com o intuito de projetar os efeitos dessas intervenções no uso da terra, no planejamento urbano e no padrão de transporte sobre a saúde da população, em cidades que apresentam diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico e de motorização.

A cidade de Melbourne, por exemplo, apresenta alta renda e é extremamente motorizada. Já as cidades de Boston, Londres e Copenhagen têm alta renda e são moderadamente motorizadas. São Paulo, por sua vez, apresenta renda média e é moderadamente motorizada. E Délhi possui renda baixa e tem se motorizado rapidamente, segundo os pesquisadores.

De acordo com os resultados dessas projeções, a implantação de tal modelo resultaria em um aumento da atividade física relacionada – como caminhada e ciclismo – em todas as cidades. Porém Sá explica que essa implantação depende da existência de estruturas dedicadas à caminhada e às bicicletas, como boas calçadas e ciclovias.

Em Melbourne, haveria uma redução estimada de 19% nos casos de doenças cardiovasculares e de 14% nos de diabetes tipo 2. Em Londres, uma diminuição de 13% na incidência de doenças cardiovasculares e de 7% na de diabetes tipo 2. Em Boston, essas reduções foram de 15% e 11%, respectivamente. E, em São Paulo, a queda foi de 7% no número de casos de doenças cardiovasculares e de 5% na ocorrência de diabetes tipo 2 – índices semelhantes aos de Copenhagen.

Além disso, todas as cidades participantes do estudo obtiveram redução da poluição do ar pelas emissões de partículas finas pelos veículos automotivos.  Embora a diminuição das emissões tenha sido maior em cidades mais motorizadas - como Melbourne (-12,4%), Boston (-11,8%), Londres (-10,1%) e Copenhagen (-10,9%) -, São Paulo (-4,9%) e Délhi (-3,2%) também registraram queda em menor grau, indicaram os pesquisadores.

“Grosso modo, as conclusões do estudo sobre as outras cidades também valem para São Paulo”, avaliou Sá. “Se tivéssemos uma cidade mais adensada, onde as pessoas morassem mais próximas uma das outras, com um uso de solo mais diversificado e um sistema de mobilidade mais sustentável, isso resultaria em grandes ganhos para a saúde da população”, estimou.

Deslocamento ativo
Em outro estudo recente, a pesquisa indagou se os riscos da exposição à poluição do ar poderiam anular os benefícios à saúde proporcionados pela atividade física durante deslocamentos ativos nas cidades.

Eles compararam os riscos da poluição do ar à saúde com os benefícios relacionados à atividade física durante deslocamentos ativos, usando uma ampla gama de possíveis concentrações de poluição do ar e de duração das viagens, a fim de estimar em que momento os prejuízos à saúde causados pela exposição à poluição do ar poderiam superar os benefícios.

Os resultados do estudo, publicado na revista Preventive Medicine, indicaram que os benefícios de caminhar e pedalar para se deslocar superam os malefícios da exposição à poluição do ar, na maioria das cidades no mundo, mesmo com muitas horas de deslocamento e em níveis elevados de poluição.

Em cidades como São Paulo, os malefícios seriam superados apenas após sete horas de pedalada ou 16 horas de caminhada por dia, apontaram os pesquisadores. “Esses percursos só poderiam ser feitos hipoteticamente por uma quantidade muito pequena de pessoas, como entregadores de postagens e encomendas”, avaliou Sá.
O artigo “Land use, transport, and population health: estimating the health benefits of compact cities” (doi: 10.1016/S0140-6736(16)30067-8), de Sá e outros, foi publicado na série especial da revista Lancet sobre planejamento urbano, transporte e saúde e pode ser lido integralmente em www.thelancet.com/series/urban-design.

Referências
http://agencia.fapesp.br/estudo_estima_impactos_do_planejamento_urbano_na_saude/24124/
http://www.bv.fapesp.br/pt/bolsas/134802/como-estamos-indo-o-estudo-do-deslocamento-ativo-no-brasil/
http://www.thelancet.com/series/urban-design

30
agosto
2016
AGROGLIFO????
Nos relatos do século 17, sobre desenhos nas plantações, esse fenômeno era atribuído a forças do mal.
desenhos de agroglifos (http://www.circlemakers.org)
divulgação lucypringle.com
divulgação lucypringle.com
Chilcomb Range, Hampshire, Inglaterra. 3 agosto 2016. Campo de trigo. cerca de33.5 m de diâmetro.

 

Agroglifo, como diz a palavra, é uma inscrição no campo (grego agrós, campo + grego glifo, signo gravado).
Chamam-se agroglifos as formações, geralmente muito grandes, criadas por meio do achatamento cuidadosamente projetado de uma cultura agrícola, como cereais, cana, ou capim.  
Todos os anos, centenas desses desenhos aparecem em diversos países do mundo, em mais de 30 países diferentes, sendo a maioria no sul da Inglaterra.

A maior parte tem forma circular e muitas se parecem com mandalas.  Ufólogos acreditam que são feitas por seres extraterrestres, enquanto que cientistas afirmam que são feitos pelo homem e que, em raras exceções, podem ter sido feitos por fenômenos naturais ou meteorológicos.

O que causou maior mistério é que os agroglifos geralmente apareceram de manhã cedo, ou seja, foram feitos durante a noite. O fenômeno começou a ser registrado na Inglaterra, onde existe a maior parte dos casos, e as formas aparecem perto das estradas, em áreas de fácil acesso,tornando mais provável que tenham sido feitos pelo homem.  Vestígios arqueológicos podem causar marcas em campos com formas de círculos e quadrados, mas eles não aparecem durante a noite e estão sempre nos mesmos lugares todos os anos, diferentemente desses agroglifos.

Há relatos muito antigos, já no século 17, sobre desenhos nas plantações, e atribuía-se esse fenômeno a forças do mal. Mas, a maioria dos relatos de círculos nas plantações apareceu e se popularizou mesmo a partir do final da década de 1970. 

Nessa época, dois artistas brincalhões, Doug Bower e Dave Chorley, disseram ter criado os “crop circules”, como eles chamaram essas inscrições nas plantações, inspirados em um caso australiano ocorrido em 1958, quando um círculo misterioso apareceu em um pântano. O motorista de um trator disse ter visto decolar um disco voador, que logo formou um redemoinho na grama. No dia seguinte, os jornais especularam que a marca tinha sido causada pela aterrissagem de uma nave extraterrestre.  "O que aconteceria aqui se nós fizéssemos um desses círculos?”, brincou Doug. "As pessoas pensariam que um disco voador pousou", Dave respondeu. Eles, então, usaram um cano de PVC para achatar as plantas, além de um par de escadas de alumínio e uma tábua, que usaram como ponte temporária, para que pudessem andar pelo campo cultivado sem deixar rastros das pegadas. 

Muito depois, em 1991, após a declaração de Bower e Chorley de que eram responsáveis por muitos dos desenhos, os círculos começaram a aparecer em todo o mundo. Estima-se que cerca de 10 mil círculos em plantações têm sido relatados em vários países, como em regiões da antiga União Soviética, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Canadá. Os céticos observam uma correlação entre os círculos nas plantações, a intensa cobertura da mídia e a ausência de cercas e/ou legislação anti-invasões.

Em 1992, os húngaros Gábor Takács e Róbert Dallos, de 17 anos, alunos de uma escola secundária na Hungria especializada em agricultura, criaram um agrolifo de 36 metros de diâmetro em um campo de trigo perto de Székesfehérvár. Em 3 de setembro, a dupla apareceu na TV húngara e expôs que o círculo era uma brincadeira, mostrando fotos do campo antes e depois de a formação ter sido feita. A dona da propriedade, então, processou os jovens por danos. 

A partir dos anos 2000, o número e a complexidade das formações em plantações aumentaram, alguns com até duas mil diferentes formas e que incorporam algumas características matemáticas e científicas complexas.

O grupo Circlemakers, nascido em 1995, formado por John Lundberg, Geoff Gilberto e Rod Dickinson, começou a espalhar círculos em plantações pelo mundo como forma de expressão artística e como prova de que os “crop circules”, ou agroglifos, são sim uma obra humana.  Esse coletivo ainda está em atividade e, além da militância artística e ambiental, produz obras de agroglifos sob encomenda para empresas.  Seu site é bem interessante e vale uma visita.

No Brasil, há relatos de agroglifos em plantações de trigo do Sul do país desde 2008, especialmente no interior de Santa Catarina, no município de Ipuaçu e, apesar das evidências históricas em relação à construção humana dessas formações, ainda assim são alvo de explicações místicas.


Referências:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI345188-18580,00-AGROGLIFOS+DE+SANTA+CATARINA+CIRCULOS+EM+PLANTACOES+AINDA+NAO+SAO+ASSUNTO+S.html
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/voce-sabe-o-que-sao-agroglifos/n1237640585135.html
http://www.circlemakers.org
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADrculos_nas_plantações
http://pt.slideshare.net/LCDias/agroglifos-6493959
http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/2215/doug-dave-fabricantes-de-crculos
http://shop.lucypringle.co.uk​

 

22
agosto
2016
Livros Yanomami sobre costumes e alimentação

Ana Amopö: Cogumelos Yanomami, é o primeiro livro sobre cogumelos comestíveis a ser publicado no Brasil”, conta Moreno Saraiva Martins, antropólogo do ISA (Instituro Sócio-ambiental), que desde 2010 assessora os índios Yanomami, uma das maiores tribos relativamente isoladas na América do Sul. Eles vivem nas florestas e montanhas do norte do Brasil e sul da Venezuela.

Os cogumelos descritos no livro são encontrados, geralmente, em áreas de manejo agrícola e a publicação é uma contribuição do modo de vida indígena para a preservação da floresta e da biodiversidade. “As diferentes espécies de cogumelos [são cerca de dez] nascem nas árvores que apodrecem no chão, nas roças”, explica Marinaldo Sanuma, um dos pesquisadores autores do livro. 

A pesquisa contou com a participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Instituto de Micologia de Tottori do Japão, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), do Instituto de Botânica e do Instituto ATÁ, fundado pelo chef de cozinha Alex Atala. Os pesquisadores não indígenas Noemia Kazue Ishikawa e Keisuke Tokimoto foram fundamentais para fazer a ponte entre o conhecimento científico sobre cogumelos comestíveis e os conhecimentos que os Sanöma, grupo de Yanomamis que habitam no território de Roraima, detêm.

Salaka Pö – peixes, crustáceos e moluscos, são registros e análises dos conhecimentos dos Yanomami (Sanöma) sobre temas do cotidiano das comunidades da região de Auaris, no extremo oeste de Roraima, na Terra Indígena Yanomami, como as pescarias, as caçadas, as roças, os rituais funerários. São explicados quais os peixes, crustáceos e moluscos que utilizam, quais os tabus relacionados a cada espécie, as técnicas de pesca, de captura e as técnicas culinárias.

Ambos os livros são escritos em sanöma e traduzidos para o português, de modo que publicações ajudam a manter viva essa língua Yanomami e promovem um diálogo entre os conhecimentos dos indígenas sobre alimentos e os conhecimentos científicos.


Os livros são o resultado do trabalho de pesquisadores Yanomami da região do Auaris, em parceria com assessores do ISA e foram produzidos durante a formação dos pesquisadores promovida pela Hutukara Associação Yanomami (HAY), com o ISA e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quem quiser experimentar os cogumelos poderá encontrá-los à venda, secos, no Mercado de Pinheiros, no box Amazônia/Mata Atlântica. Os ganhos revertem integralmente às comunidades Yanomami produtoras. 

Para saber mais sobre os Cogumelos Yanomami acesse http://cogumeloyanomami.org.br/).


Referências e mais informações:
http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami
http://www.institutoata.org.br
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/yanomami-lancam-primeiro-livro-de-cogumelos-comestiveis-do-brasil
http://amazonia.org.br/2016/08/yanomami-lancam-primeiro-livro-de-cogumelos-comestiveis-do-brasil/
http://cogumeloyanomami.org.br
http://portal.inpa.gov.br

13
julho
2016
Elas estão condenadas!

filme feito pela produtora canadense Egg Studios 

 

Alguns costumes estão tão arraigados no nosso dia a dia, que nem paramos para pensar sobre eles e para questioná-los.
Pois bem, se você gosta daquele cafezinho de cápsula e nunca parou para avaliá-lo, agora tem um motivo para repensar sua adoração.
A mania das máquinas de cafezinho em cápsulas se propagou de tal maneira que virou uma questão ambiental importante.
A cidade de Hamburgo, segunda maior da Alemanha, proibiu a compra de cápsulas de café por repartições públicas. A medida introduzida em janeiro de 2016 faz parte de um grande esforço da gestão pública para reduzir a quantidade de resíduos sólidos lançados ao meio ambiente.
O Guia para Contratos Ecologicamente Responsáveis da cidade alemã, condenou o uso das cápsulas por serem feitas de uma mistura de plástico e alumínio. Esse documento de 150 páginas também baniu garrafas plásticas de água, produtos de limpeza à base de cloro, pratos e talheres de plástico e outros produtos.

O porta-voz do Departamento de Meio Ambiente e Energia de Hamburgo, Jan Dube, afirmou em entrevista à BBC que as cápsulas que contem plástico e alumínio não são facilmente recicláveis. "Aqui em Hamburgo, pensamos que essas cápsulas com 6 gramas de café em um pacote de 3 gramas não devem ser compradas com o dinheiro do contribuinte", afirma.

A cidade tem uma longa lista de metas que pretende seguir para se tornar mais sustentável no futuro.
Entre outras coisas, eles querem se livrar dos carros na região central em 20 anos e construir espaços verdes sobre as atuais rodovias apinhadas de veículos. 
Veja aqui algumas das questıes relativas às cápsulas de café:
- A cápsula de plástico È feita de petróleo (combustível fóssil), e utiliza de muita energia em sua fabricação (contribuindo para o aquecimento global)
- Ela é forrada com um filtro, preenchida com café e selada com uma tampa também de plástico.
- Em seguida é empacotada em caixas de papelão (feito de celulose das árvores, gastando mais energia) e finalmente empacotada em umas caixas maiores para distribuição.
- As caixas são transportadas em navios para distribuição internacional e em seguida por caminhões para distribuição regional, consumindo mais petróleo
- Quando finalmente chega ao consumidor, cada cápsula faz apenas um café e é descartada, virando lixo
Além da complexidade da embalagem, que contém plástico e alumínio, a cápsula usada ainda guarda borra de café moÌdo, o que a torna mais difÌcil ainda de ser reciclada.
Mais significativo é que em cada oito cafés vendidos na Alemanha, um deles vem de cápsulas individuais.

Pensando em chamar a atenção para os males do uso das cápsulas de café, a produtora canadense Egg Studios fez o filme "Kill the K-Cup", disponível no Youtube e no link acima.
O filme trata da questão de uma maneira bem humorada e com muitos efeitos especiais, finalizando com a frase:  "mate as cápsulas antes que elas te matem".

Aqui está um bom motivo para repensar o hábito de tomar café e retornar à cafeteira italiana ou ao bom e velho filtro, de papel ou, melhor ainda, de pano.
 

Referências:
http://ineam.com.br/hamburgo-proibe-capsulas-de-cafe-na-administracao-publica/
http://www.huffingtonpost.com/2015/01/29/kill-the-k-cup_n_6574146.html
http://www.killthekcup.org
http://www.carbondiet.ca/green_advice/food/k-cup_coffee_maker_garbage_an_environmental_issue.html
http://www.theatlantic.com/technology/archive/2015/03/the-abominable-k-cup-coffee-pod-environment-problem/386501/
http://saopaulosao.com.br/conteudos/exemplos/1731-hamburgo-na-alemanha-È-a-primeira-cidade-no-mundo-a-proibir-c·psulas-de-cafÈ.html
http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2016/02/22/hamburgo-bane-uso-de-capsulas-de-cafe-em-predios-publicos.htm
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/esta-cidade-proibiu-o-uso-de-capsulas-de-cafe-expresso

 

25
maio
2016
Colhendo frutas nas ruas da cidade

agricultura urbana 2
reprodução: William Mur/Folhapress
Mapa das árvores frutíferas de Berlim

Pelo mundo afora, incluindo o Brasil, as pessoas começam a olhar para as ruas da cidade como extensão do próprio lar, como local de convivência coletiva, que deve ser apropriado por todos.

Em Berlim, Alemanha, andar pela cidade e colher frutas pela rua de graça já é algo bastante fácil. A oferta é grande, apesar de conter mais de três milhões de habitantes. Pensando nisso, um grupo criou uma plataforma que reúne todas as informações necessárias para quem busca por frutas nas ruas.
Por meio do site Mundraub, a população pode buscar por bairro e tipos de fruta. Também é usada para organizar colheitas coletivas. Como a plataforma é colaborativa, já foram inseridos no mapa árvores frutíferas de vários locais do mundo, inclusive do Brasil, confira aqui.

Um aplicativo para mapear frutas
Em Brasília, os universitários Adarley Grando, 22, Fábio Rezende, 25, e Vinícius Magalhães, 20, criaram o aplicativo Fruit Map. O programa mapeia as árvores frutíferas da cidade e funciona de maneira colaborativa. Os próprios usuários podem sinalizar onde estão as árvores, além de dizer se ela é de fácil ou difícil acesso, ou ainda se está em local público ou privado. Até o momento mais de 800 pessoas já baixaram o app e mais de 50 tipos de frutas já foram catalogadas.

Magalhães conta que a ideia surgiu durante um curso de programação, mas que sempre teve vontade de fazer um aplicativo do tipo, já que costuma procurar árvores frutíferas pela cidade. Vinícius afirma que o aplicativo está chegando a outras cidades e lembra que Brasil tem mais de 500 espécies de frutos e que ainda há muito trabalho pela frente. 
O crescimento tem sido meteórico: o Fruit Map foi lançado em junho de 2015, mas já rompeu as fronteiras do Distrito Federal e também do Brasil. Os criadores pretendem traduzir a plataforma para inglês, espanhol e alemão. Pretendem também aumentar o número de frutas catalogadas e oferecer informações sobre a época de cada fruta.

Nas ruas de São Paulo
Em São Paulo, desde 2009 há um mapa colaborativo de árvores frutíferas, idealizado pelo chef Isaac Akira que se chama Árvores frutíferas. O mapa tem mais de 350 indicações e qualquer um pode incluir um ponto.
Alguns usuários colaboradores também incluem detalhes sobre a quantidade e qualidade das frutas, o tamanho das copas e as condições das árvores.
Para conferir o mapa, clique aqui.

A prática de utilizar ingredientes colhidos em centros urbanos tem mais adeptos no mundo. Entre as iniciativas, está o trabalho de coletivos como o californiano Fallen Fruit e o Abundance London.
Os grupos mapeiam árvores, organizam caçadas de frutas e vegetais e promovem "geleiadas", convidando comunidades a fazer conservas, chutneys e geléias.

identificando frutas locais
Buscar frutas em espaços públicos pode ser também uma forma de descobrir espécies nativas. Hoje, entre as 20 frutas mais consumidas no país, segundo o IBGE, apenas três (maracujá, goiaba e abacaxi) são naturais do país.
"No começo do século 20, na rua Maranhão, em Higienópolis, existia a melancia do campo, fruta que já foi extinta. Essas histórias vão sendo esquecidas", diz o botânico e ambientalista Ricardo Cardim, fundador da Associação dos Amigos das Árvores.
Para quem quiser conhecer frutas nativas, Cardim indica passeios no Instituto Butantan e no parque do Jaraguá, onde se encontra cambucá (tipo de jabuticaba amarela) e cabeludinha (de casca aveludada, rica em vitamina C).
Na hora de colher frutas direto do pé na cidade, valem algumas precauções.
Segundo Aloisio Sampaio, professor de produção vegetal da Unesp, não há indícios de que a contaminação do solo se transfira para as frutas, como geralmente acontece com hortaliças.
Mas é bom evitar os frutos de regiões contaminadas (que abrigaram, por exemplo, depósitos de lixo ou fábricas, que deixam passivos no solo). E, por causa da poluição do ar que pode se alojar sobre a fruta, lave-a bem.

Referências:
http://www1.folha.uol.com.br/comida/2014/05/1457231-e-possivel-comer-fruta-no-pe-pelas-ruas-de-sao-paulo-descubra-onde.shtml
http://seacidadefossenossa.com.br/2015/11/moradores-de-berlim-mapeiam-arvores-frutiferas/
https://catracalivre.com.br/geral/dica-digital/indicacao/mapa-virtual-coletivo-reune-dados-sobre-arvores-frutiferas-de-sao-paulo/
http://seacidadefossenossa.com.br/2016/01/comer-fruta-direto-do-pe-em-sp/
http://saopaulosao.com.br/conteudos/causas/1302-guerrilla-grafters-quer-florestas-de-frutas-nas-ruas-de-são-francisco.html
http://noticias.r7.com/distrito-federal/aplicativo-mostra-onde-pegar-frutas-no-pe-pelas-ruas-de-brasilia-30122015

18
maio
2016
O "plástico verde”, biodegradável

Os plásticos utilizados atualmente em sacolas, brinquedos, mesas, utensílios domésticos, garrafas, embalagens e nos mais diversos produtos ao nosso redor são de origem fóssil, ou seja, eles são derivados do petróleo.
O petróleo bruto passa por um processo de destilação fracionada, nas refinarias, e produz várias frações. Algumas dessas frações, por sua vez, passam pelo processo de craqueamento, em que moléculas de hidrocarbonetos maiores são quebradas e originam moléculas menores. Esses hidrocarbonetos de cadeias carbônicas menores passam então por reações de polimerização que resultam nesses plásticos.

Com o polietileno de alta densidade (PEAD ou HDPE) e com o polietileno de baixa densidade (PEBD ou LDPE) (esses são os memsos dos citados acima? Entraram de repente com outro nome. Seria interessante dizer: Por sua vez, há também os...., gerados por outro processo. Com eles são fabricados....) são fabricados inúmeros objetos, como garrafas de água, refrigerantes e sucos; toalhas de mesa, sacos plásticos, cortinas para banheiro, películas plásticas, embalagens de produtos farmacêuticos e de alimentos, revestimentos de fios, cabos, tubos, brinquedos e utensílios domésticos.
O problema é que esse plástico (o PEAD? O PEBD? O de cima é biodegradável? OU são os mesmos?)) não é biodegradável (não é degradado por micro-organismos, como fungos e bactérias) e acaba permanecendo no meio ambiente por décadas e até séculos, agravando ainda mais o problema de acúmulo de lixo e poluição da água, solo e ar. 

Além disso, a extração e exploração do petróleo também gera poluição e impactos ambientais.
Como é praticamente impossível pensar no desenvolvimento de nossa sociedade sem o uso de polímeros, há algum tempo pesquisam-se alternativas a esses (é isso??) plásticos de origem fóssil.

Plástico feito com cana-de-açúcar
Uma das soluções encontradas foi o plástico verde ou polietileno verde proveniente do etanol da cana-de-açúcar. Ele tem as mesmíssimas propriedades, desempenho e versatilidade de aplicações do polietileno comum, com a diferença de matéria-prima utilizada na sua produção, que, em vez de ser o petróleo, é a cana-de-açúcar.
O seu processo de produção, resumidamente, é o seguinte::
1- A cana-de-açúcar é colhida e levada para as usinas, onde passa pelo processo comum de produção de álcool.
2- O álcool produzido passa por um processo de desidratação para que se obtenha o eteno.
3- O eteno é polimerizado em unidades de produção do polietileno.
4- O polietileno verde é transformado nos produtos desejados, tais como filmes para fraldas descartáveis, brinquedos, tanques de combustível para veículos e recipientes para iogurtes, leite, xampu e detergentes.

Vantagens desse plástico verde:
• Ele é 100% reciclável;
• Sua fonte de matéria-prima (cana-de-açúcar) é renovável, ao contrário do petróleo, que é finito;
• Não contribui para o acréscimo de gás carbônico (CO2) na atmosfera. Esse gás é o principal causador do aquecimento global e é produzido pelos combustíveis fósseis. Já no caso do plástico verde, ele pode contribuir para a redução do aquecimento global, tendo em vista que as plantações de cana-de-açúcar realizam fotossíntese, absorvendo o CO2 da atmosfera;
• Mesmo quando incinerado, o polietileno do etanol da cana-de-açúcar é praticamente neutro em relação ao CO2. Assim, depois de usados e descartados, esses plásticos podem ser incinerados para geração de energia, economizando no uso de combustíveis fósseis.

Desvantagens:
• o polietileno verde não é reciclável, mas pode ser classificado como um bioplástico, pois, de acordo com a definição da European Bioplastics Association, plásticos produzidos a partir de fontes renováveis e/ou plásticos biodegradáveis são classificados como bioplásticos ou biopolímeros.
• para produzir o plástico verde é necessário expandir a agricultura da cana-de-açúcar, o que poderia ocupar terras que seriam utilizadas para outras culturas, além do fato de que a cana-de-açúcar já é bastante utilizada para a produção de álcool e açúcar. Estimativas apontam que um hectare de cana-de-açúcar gera três toneladas de plástico verde.
A primeira empresa produtora desse plástico foi a Brasken. Segundo alguns produtores e estudiosos do caso, a produção de matéria-prima do plástico verde é favorável e não afeta a produção de açúcar ou etanol combustível. Acredita-se  também que o desenvolvimento de novas tecnologias pode auxiliar esse processo de produção.

Filme plástico comestível
Após vinte anos de muito trabalho, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Instrumentação, de São Carlos (SP),  criaram um filme plástico biodegradável que também é comestível, podendo ser utilizado no preparo de alimentos. 
A película pode ser produzida a partir de alimentos como espinafre, mamão, goiaba e tomate, mas a técnica possibilita que outras opções sejam desenvolvidas.
 
A pesquisa foi desenvolvida pela Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (AgroNano) da Embrapa e teve investimento de R$ 200 mil. Os trabalhos foram coordenados pelos pesquisadores Luiz Henrique Capparelli Mattoso e José Manoel Marconcini.
O processo de produção do “plástico comestível” é considerado simples. Primeiro, a matéria-prima é composta por água, polpa de frutas e verduras  é transformada em uma pasta.
Em seguida, os pesquisadores adicionam componentes para dar liga no material e o colocam em uma forma transparente, que é levada a uma câmara que emite raios ultravioleta. Após poucos minutos, a película sai da máquina pronta para ser consumida.

Vantagens da película biodegradável:
• é um plástico orgânico mais resistente e tão eficiente como os convencionais
• decompõe-se em até 90 dias e ainda pode ser utilizado como adubo ou lançado na rede de esgoto, sem causar impactos ao meio ambiente
•  possibilidade de reduzir o desperdício de alimentos, o que auxilia no aumento da produtividade, sem precisar aumentar áreas de plantio.
• tem capacidade para conservar os alimentos pelo dobro do tempo do plástico convencional, pois os pesquisadores adicionaram a ele quitosana, um polissacarídeo formador da carapaça de caranguejos, com propriedades bactericidas,  o que aumenta o tempo de conservação dos alimentos..
• é comestível, podendo ser utilizado como alimento: “As possibilidades de uso deste material são inúmeras. Na área de alimentação, você pode fazer sushis,  podendo usar como uma cobertura de uma outra comida ou algo que possa enrolar, como os Wraps – em que se pode fazer um enroladinho com este filme comestível, como um temaki, por exemplo, já que pode-se comê-lo como a alga nori que é usada no sushi”, explica Marconsini

Desvantagens:
• é sensível à umidade, precisa estar em um ambiente seco, então pode-se usá-lo para embalar alimentos secos como frutas, hortaliças, bolachas, pães.

Ainda não há previsão de comercialização, entretanto várias empresas já entraram em contato com a Embrapa Instrumentação a fim de demonstrar interesse na inovação.
Diversas pesquisas, com matéria-prima de origem variada, estão sendo feitas no sentido de encontrar melhores soluções para o plástico ecológico ou orgânico. A produção desse material ainda é bem limitada e dirigida basicamente para a área médica.  Alguns problemas devem ser sanados para a sua viabilidade econômica (o processo é muito caro) e ambiental (uso de grandes áreas de plantação, no caso da cana-de-açúcar).

Mas a preocupação e o investimento nessa direção prometem um grande ganho ambiental para o planeta.

Saiba mais:
http://brasilescola.uol.com.br/quimica/plastico-verde.htm
http://diarioverde.com.br/2016/04/22/pesquisadores-da-embrapa-criam-plastico-oganico-comestivel-11/
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/01/pesquisadores-brasileiros-criam-plastico-comestivel-que-nao-vira-lixo.html

27
abril
2016
HORTAS URBANAS COMUNITÁRIAS
agricultura urbana 1
ACESSE O MAPA NO: https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=z_2HYVuSvyhE.kXAsDr51B2eQ&usp=sharing
do site: http://www.oeco.org.br/reportagens/27417-hortas-urbanas-uma-revolucao-gentil-e-organica/
imagem: https://assementeiras.wordpress.com/2015/01/27/10-passos-para-uma-horta-comunitaria/​

Você já deve ter visto ou ouvido falar de hortas urbanas comunitárias, mas talvez não saiba exatamente como funcionam. 
Praticantes da agricultura urbana geralmente são militantes que defendem uma produção de alimentos menos artificial (com menos pesticidas e adubos químicos) e mais participativa, que agregue a comunidade local, promova a educação ambiental e a alimentar. Afirmam também que as hortas urbanas comunitárias promovem o senso de cidadania na construção de cidades mais justas e sustentáveis, assumindo, então, “a responsabilidade de cultivar a vida nos espaços mortos da cidade e incentivando o compartilhamento equitativo do espaço público pelas pessoas”(veja o manifesto do grupo Cidades comestíveis). http://www.cidadescomestiveis.org/manifesto/

Programas da Prefeitura de São Paulo
A cidade de São Paulo possui um Programa de Agricultura Urbana e Periurbana (PROAURP - Lei 13.727/04 e Decreto 45.665/04) que incentiva a criação de hortas comunitárias e hortas caseiras para autoconsumo. Esse programa é de responsabilidade da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo (SDTE) e Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Vale a pena dar uma lida na lei para saber dos seus direitos: http://bit.ly/1Bshi9p
- A Lei Municipal Nº 16.212, de 10.06.2015 possibilita que ocorra a gestão participativa de praças públicas por meio de comitês formados por moradores. A Lei cria diretrizes para que uma praça possa ter uma horta comunitária e envolve na gestão desses projetos, mais ativamente, a Subprefeitura, que deve ser contatada caso um grupo esteja interessado em constituir uma horta no espaço público.

Projeto Cidades Comestíveis
Cidades Comestíveis é um projeto de que visa a estimular uma rede colaborativa de compartilhamento de recursos, conhecimentos e trabalho entre pessoas interessadas em cultivar hortas comunitárias e caseiras. 
No site da instituição, há um mapa colaborativo, em que é possível indicar e encontrar terrenos ociosos e pessoas interessadas em trabalhar, buscando incentivar e facilitar o processo de criação e manutenção de hortas comunitárias. 
Além disso, o site oferece um guia com 10 passos para quem quer criar uma horta comunitária (http://www.cidadescomestiveis.org/projeto/#ten-steps).

Um mapa
O MudaSP disonibiliza um mapa na internet, com a localização de hortas comunitárias, feiras de produtos orgânicos e restaurantes: acesse aqui

Um manual grátis, online
Para ajudar aqueles que querem desenvolver um modo de vida mais sustentável nas cidades, o coletivo mexicano Azoteas Verdes, de Guadalajara, disponibiliza gratuitamente o Manual de Agricultura Urbana, que reúne importantes dicas para a manutenção de uma horta familiar, com base em conceitos de permacultura.
O objetivo é fortalecer a ideia de soberania alimentar - direito de um povo de determinar suas próprias políticas de produção e distribuição de alimentos. 
Entre os conteúdos, estão instruções para fazer uma composteira, como lidar com o lixo orgânico e como controlar as pragas sem usar pesticidas. O conteúdo está em espanhol.
https://blogdeazoteasverdes.files.wordpress.com/2012/10/manual-agricultura-urbana.pdf

Referências
https://catracalivre.com.br/geral/sustentavel/indicacao/manual-de-agricultura-urbana-promove-alimentacao-sustentavel-nas-grandes-cidades/
http://www.cidadescomestiveis.org/manifesto/
http://muda.org.br/index.html
https://assementeiras.wordpress.com/2015/01/27/10-passos-para-uma-horta-comunitaria/​

11
março
2016
Sobre nossa saída para perceber a Terra: viagem do 1º EM rumo a Botucatu (SP)

"O que é uma fazenda?" nos perguntava o agricultor Paulo, da estância Demétria, em Botucatu. "Um pedaço de terra?" responderam... e se disséssemos ser  "um pedaço da Terra?" Há alguma diferença?

Entender-se como parte da Terra envolve um posicionamento ético que emerge não das especulações lógicas e racionais, mas da percepção do mundo através de um olhar qualitativo, integrador e holístico. Não é tarefa fácil.... Exige paciência, abertura, porosidade, atenção e muita observação para que algo comece a verter do fenômeno que está diante de nós, para que comecemos a "ler o livro aberto da natureza", como diria Goethe, até que ela a nós se revele, generosamente. Essa metodologia de investigação pode ser controversa, mas não há dúvidas de que seja um caminho bastante fértil para recuperarmos nossa capacidade de construir percepções do mundo (e não só repetir descobertas científicas que tornam o universo um conjunto de objetos a serem utilizados: nós separados do mundo que está a nosso serviço, ou lá, bem longe de minha realidade cotidiana).

Investigar a formação da Terra a partir de nossas observações - percebendo como uma massa rochosa é a cristalização de uma história de bilhões de anos, de movimentos, de feitos e efeitos, e que, ao percebê-lo, somos parte disso - é uma forma de buscarmos outras relações com a natureza, cujo ponto de partida é o próprio processo de percepção. As rochas deixam de ser paredes, calçadas, pias, pisos ou acidentes do relevo no meio das estradas... a fazenda deixa de ser um lugar para se plantar... São todos partes da Terra e nós, nela, ao começarmos a perceber aquilo que está para além do objeto, concreto em nossa frente, tornamo-nos responsáveis por vitalizá-la. 

É a partir do olhar que isso começa a acontecer. E não há momento escolar mais propício para isso do que um estudo de campo.

Saída envolvendo as disciplinas de Geografia, Biologia, História da Arte e Língua Portuguesa.

Texto: Professor Arthur Medeiros

5
março
2016
ENERGIA DAS ONDAS DO MAR
postado sob física, meio ambiente

A busca por alternativas energéticas que causem menos impactos ao meio-ambiente passou a fazer parte do planejamento estratégico das nações, e o aproveitamento do potencial energético dos oceanos representa hoje uma possibilidade promissora para produzir energia limpa. Marés, ondas e correntes marinhas são recursos renováveis, cujo aproveitamento para a geração de eletricidade registra significativos avanços tecnológicos e apresenta vantagens, em termos de acessibilidade, disponibilidade e aceitabilidade, que vêm sendo propagadas pelo Conselho Mundial de Energia (2000) para o desenvolvimento de alternativas energéticas.

As chamadas “usinas de ondas”, por exemplo, aparecem experimentalmente em alguns países como Japão, Austrália, Escócia, Portugal e inclusive Brasil, buscando alternativas viáveis para a crescente demanda de energia elétrica.

Estimativas recentes indicam que a energia contida nas ondas do mar é de cerca de 10 TW (1 Terawatt = 1000 Gigawatt), equivalente a todo o consumo de eletricidade do planeta. Há, no entanto, restrições quanto ao uso de grandes áreas dos oceanos, para não prejudicar as rotas de navegação, regiões turísticas e de lazer, além dos custos ainda serem altos e haver necessidade de desenvolvimento tecnológico. Ainda assim, é significativa a quantidade de energia dos oceanos a ser convertida em eletricidade. O percentual de 10% de aproveitamento do potencial energético total das ondas, considerado realístico para as próximas décadas, representaria acréscimo da ordem de 1000 GW na matriz energética mundial.

A primeira patente sobre energia das ondas que se tem notícia, foi concedida a um senhor parisiense chamado Girard, e seu filho, no ano de 1899. A energia produzida era empregada diretamente no acionamento de bombas, serras, moinhos e outros mecanismos pesados. Em todo o mundo, mais de 1500 (um mil e quinhentas) patentes já foram registradas sobre este tema, particularmente, nos Estados Unidos e Europa.

Na invenção nacional, as oscilações do mar movimentam bombas hidráulicas, impulsionando a água de um reservatório também para girar uma turbina. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) implantaram os primeiros módulos de uma usina desse tipo no Porto de Pecém, no Ceará, em 2012. "Nessa região, as ondas são mais regulares, facilitando a geração de energia", diz o engenheiro Eliab Ricarte, da UFRJ. O mar de nossa costa poderia gerar cerca de 30 gigawatts, 10% da demanda de energia do país.

Localizada no quebra-mar do Porto de Pecém, a 60km de Fortaleza, a usina de ondas do Pecém foi a primeira na América Latina responsável pela geração de energia elétrica por meio do movimento das ondas do mar. O projeto durou pouco: foi interrompido depois de um par de anos por falta de recursos. Com tecnologia 100% nacional, o projeto dos pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi financiado pela Tractebel Energia, dentro do programa de P&D da Aneel, e contou com apoio do Governo do Estado do Ceará. Segundo o Diário do Nordeste, em 30/09/2014, a usina estava abandonada já havia um ano, pelo fim do contrato com a Tractebel Energia, e falta de recursos. Foram investidos 15 milhões de reais.

Além de necessitar de alterações tecnológicas, obras e mudanças no Porto auxiliaram o abandono do projeto, que se for retomado ficará em outro local. O presidente da Tractebel Energia, Manoel Zaroni Torres, reafirmou o interesse em uma retomada: “Aproveitamos toda a estrutura criada para o desenvolvimento do petróleo e do pré-sal para criar esta tecnologia, mas temos consciência dos problemas, pois agora precisaremos de no mínimo R$ 280 milhões, para torná-la comercial.”

De acordo com Paulo Roberto da Costa, um dos pesquisadores do projeto, a grande vantagem da usina de ondas é a produção de energia renovável, sem danos ao meio ambiente. Além disso, o Brasil apresenta condições favoráveis para desenvolver tais tecnologias, como o fato de possuir uma costa extensa (cerca de 8,5 mil km) e grande parte de sua população morando em regiões litorâneas.

Funcionamento
Os custos de uma usina de ondas ainda são maiores que os das hidrelétricas, mas tendem a se reduzir com o desenvolvimento e aprimoramento progressivo da tecnologia.

Vantagens
É uma energia renovável;
Não produz qualquer tipo de poluição;
Estão menos dependentes das condições da costa.

Desvantagens
Instalações de potência reduzida;
Requer uma geometria da costa especial e com ondas de grande amplitude; Impossibilita a navegação (na maior parte dos casos); A deterioração dos materiais pela exposição à água salgada do mar


Referências
http://www.planeta.coppe.ufrj.br/artigo.php?artigo=833
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-gerar-energia-a-partir-das-ondas-do-mar
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/usina-de-ondas-do-pecem-esta-abandonada-1.1112312
http://www.crescernaengenharia.com/engenharia/geracao-de-energia-eletrica-pelas-ondas-do-mar/
http://www.fenatema.org.br/noticia/primeira-usina-de-ondas-da-america-latina-ja-gera-energia-no-ceara/5162
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/as+alternativas+da+energia/n1237597605585.html
http://milenar.org/category/1-parte-primeira/5-secao-quinta/3-energias-renovaveis/energia-das-mares/
http://oglobo.globo.com/economia/pais-corre-para-nao-perder-onda-da-energia-maritima-14070721
http://www.oceanica.ufrj.br/intranet/teses/2004_mestrado_paulo_roberto_da_costa.pdf

15
fevereiro
2016
Banco de tecidos reaproveita sobras de materiais especiais
Desperdiça-se toneladas de tecidos
O Banco de tecido reaproveita sobras

Em janeiro de 2015,  Lu Bueno criou o Banco de Tecido, na Vila Leopoldina, zona Oeste de São Paulo. O Banco é uma loja que vende, a quilo, sobras de boa qualidade de materiais já usados por ela e outros colegas de profissão. ”Sempre guardei o que restava e, quando vi, tinha quase uma tonelada de tecidos acumulada", conta Lu, cenógrafa e figurinista que já soma 25 anos de carreira. "Comecei a trocar com alguns amigos e então percebi que tinha um bom negócio em mãos."

Buscando uma forma de lidar com esse estoque, ela encontrou com o Banco de Tecido, uma solução para reaproveitar o que estava parado. Em paralelo, profissionalizou-se, fazendo um curso de empreendedorismo no Sebrae, antes de abrir o negócio.

Além do preço baixo (R$ 35,00 o quilo do tecido), a vantagem é que se encontram lá materiais que não podem ser encontrados facilmente no varejo. Entre seus maiores clientes estão os profissionais da moda, estilistas e costureiras, além de figurinistas que trabalham em teatro.

Os consumidores também podem ser doadores de sobras e trocá-las por creditou na loja. Evitar o desperdício é um dos pontos-chave do consumo consciente, segundo Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu.

Com a intenção de expandir o projeto, Lu criou um selo, que batizou de 'Tecido de reúso para uso'. "A ideia é que os criadores coloquem a etiqueta na peça feita com nosso tecido, pois, mais do que lucrar, quero vender a ideia da importância da reutilização", diz Lu.   

O escritório e estoque principal do Banco, hoje em dia, está sob os seus cuidados. Fica localizado no mesmo espaço onde ela desenvolve seus projetos paralelos ao banco, como espetáculos de teatro e outras produções.

http://bancodetecido.com.br
Endereço: Rua Campo Grande, 504, V. Leopoldina Horário de Atendimento: de 2ª a 6ª das 9:30 às 18h
Contato: bancodetecido@lupa.art.br ou 11 4371-3283 Falar com: Andressa Burgos ou Lu Bueno

Referências:
http://saopaulosao.com.br/negocios-criativos/119-um-banco-para-troca-de-restos-de-tecido.html
http://vida-estilo.estadao.com.br/noticias/moda,banco-de-tecido-oferece-sobras-de-material-a-r-35-o-quilo,1711253
https://www.facebook.com/banco-de-tecido-581735865226676/=

11
fevereiro
2016
Escorpiões na cidade de São Paulo?

Não bastasse a preocupação com os mosquitos, começaram a ocorrer, há cerca de um ano, mais casos de aparecimento de escorpiões em residências da Grande São Paulo.

Mas calma! Não precisa se afobar. Eles não atacam à toa. Apenas se forem molestados, se se sentirem em perigo. Assim, basta ficar atento e tomar algumas precauções.

Segundo registros científicos, os escorpiões existem há mais de 400 milhões de anos e, atualmente, já estão catalogadas cerca de 1600 espécies; só no Brasil são 140 - e, dentre essas, destacamos duas, o Tityus bahiensis (escorpião marrom) e o Tityus serrulatus (escorpião amarelo), comuns em nossa cidade.

Os escorpiões são animais terrestres, de atividade noturna, que se escondem durante o dia em locais com terra, sombreados e úmidos; troncos de árvores; pedras; tijolos; construções; frestas de muros; dormentes de estradas de ferro; lajes de túmulos, entre outros.

Para se alimentarem,  capturam e matam animais, como baratas, grilos, cupins, aranhas de porte médio etc. As espécies comuns em nossa cidade estão bem adaptadas ao ambiente urbano, onde seu principal alimento é a barata.Seus inimigos naturais as corujas são gaviões, sapos, algumas espécies de aranha e lagartos, entre outros.

Ciclo de vida

A fêmea é vivípara, isto é, os filhotes desenvolvem-se dentro da mãe e o nascimento efetua-se por meio de parto, sendo a gestação de 2 a 3 meses, dependendo da espécie.

Uma ninhada pode ter até 20 filhotes, os quais ficam nas costas da mãe até conseguirem se alimentar sozinhos. Os filhotes ficam adultos com cerca de um ano de idade e os escorpiões vivem em média 3 a 4 anos.

Todas as espécies podem inocular veneno pelo ferrão, sendo considerados animais peçonhentos. A gravidade do envenenamento varia conforme o local da picada e a sensibilidade do acidentado e só um médico poderá avaliar e tomar decisões sobre o tratamento a ser ministrado. Tais acidentes geralmente ocorrem quando se manuseia material de construção ou entulho em residências e são mais comuns na primavera e no verão.

Suas cores variam do amarelo-palha ao negro total, passando por tons intermediários, como o amarelo-avermelhado, vermelho-amarronzado, marrom e tons de verde ou mesmo de azul.

Curiosidade

Quando há falta total de alimento, os animais desta espécie praticam o canibalismo para sobreviver, ou seja, devoram seus semelhantes. Os escorpiões conseguem comer quantidades imensas de alimento, mas conseguem sobreviver com 10% da comida de que necessitam, podendo passar até um ano sem comer e consumindo pouca água. quase nada durante sua vida inteira.

Previna os acidentes

O ataque de um escorpião, dependendo da espécie, pode ser muito grave, até para uma pessoa adulta. Como só atacam o ser humano quando se sentem acuados, anote algumas medidas básicas para evitar acidentes:

- Sacuda e examine calçados, toalhas e roupas antes de usar;

- mantenha limpos os locais próximos a residências, como quintais, jardins, sótãos, garagens e depósitos, evitando acúmulo de lixo, folhas, entulhos e materiais de construção;

- mantenha o ambiente familiar livre de baratas, reconhecidas como um dos principais alimentos dos escorpiões nos centros urbanos, acondicionando o lixo em recipientes fechados

- não coloque mãos e pés dentro de buracos, montes de pedras ou lenhas;

- use sempre calçados e luvas nas atividades de jardinagem;

- use telas em portas e janelas, se possível, e rolos de areia nas soleiras

- use ralos protetores;

- mantenha as camas a uma distância mínima de 10 cm das paredes.

Se encontrar um escorpião

Como veneno contra insetos não ajuda e não mata o bicho, o recomendado é que, ao se deparar com um, seja feita uma ação mecânica que mate o animal (chinelada ou batida com outro objeto pesado).

Caso necessite de orientação médica, acesse o serviço 24h do instituto Butantã, gratuito:
(11) 3723-6969
(11) 2627-9529
(11) 2627-9530
fax: (11) 2627-9528

Referências
http://www.aprag.org.br/index.php/para-o-consumidor/as-pragas-urbanas/43-para-o-consumidor/pragas-urbanas/165-escorpiao
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/controle_de_zoonoses/animais_sinantropicos/index.php?p=4504
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/01/escorpioes-tiram-sono-de-moradores-de-casas-em-sao-paulo.html
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/infestacao-de-escorpiao-deve-aumentar-70-em-dois-anos=

dosite http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1499052-moradores-da-regiao-da-lapa-em-sp-reclamam-de-infestacao-de-escorpioes.shtml
19
janeiro
2016
O MUNDO EM QUE PISAMOS

Gary Greenberg é um doutor que combina sua paixão pela arte e pela ciência, criando paisagens dramáticas de mundos escondidos.
 
Greenberg usa microscópios para revelar paisagens de mundos fora de nossa percepção cotidiana, mas com os quais convivemos todos os dias. Para ele, os segredos da natureza estão visíveis em todos os lugares, são tangíveis, mantendo-se secretos até que sejam revelados, pelo microscópio. Alcançando-os, nos conectamos com o universo.
 
Originalmente fotógrafo e cineasta de Los Angeles, Estados Unidos, aos 33 anos Greenberg iniciou o Pós-graduação em Pesquisa Biomédica, em Londres, Inglaterra. Foi professor universitário na Califórnia, nos anos 80, e na década de 90 inventou um microscópio 3D de alta definição, para o qual registrou 18 patentes nos Estados Unidos. 
 
Desde 2001, Greenberg foca seu microscópio em objetos comuns: grãos de areia, flores e comida.  Esses objetos do cotidiano assumem outra realidade quando aumentados centenas de vezes, revelando aspectos escondidos e inesperados da natureza. Pelas imagens da areia, por exemplo, nos damos conta de que, ao caminhar pela praia, pisamos sobre milhares de anos de história biológica e geológica.
 
Recentemente Greenberg fotografou a areia da Lua, trazida pela missão da Apollo 11.
Vale a pena conhecer seu trabalho, surpreender-se e deliciar-se com as imagens.


Referências:
http://sandgrains.com

16
dezembro
2015
Resultados da COP 21

Na cerimônia final da conferência, como é de praxe, o presidente da COP21, Laurent Fabius, convidou organizações da sociedade civil para fazer seus pronunciamentos oficiais.  Um deles foi feito por Raquel Rosenberg, da ONG Engajamundo, representando o Youngo – Youth Climate Movement, que reúne organizações de jovens interessados nos debates sobre mudanças climáticas, no mundo todo.
Ao final do discurso, ela levanta e agita o ambiente, sem levar em conta a formalidade que cerca uma cerimônia como essa. Entusiasmada, animada, confiante, alegre. 

A plenária da COP 21, a Cúpula do Clima de Paris, aprovou no sábado, 12/12/2015, o primeiro acordo de extensão global para frear as emissões de gases do efeito estufa e para lidar com os impactos da mudança climática.

No encerramento, o presidente francês François Hollande, reconhecendo que o resultado não é perfeito para todos, pronunciou-se, conclamando os delegados a julgarem o conjunto do acordo a que se chegou: “A França lhes pede, a França os convoca a adotar o primeiro acordo universal sobre o clima. A história chegou. A história está aí (…) Viva o planeta, viva a humanidade, viva a vida”.

O ponto principal do acordo é a determinação de que seus 195 países signatários ajam para que temperatura média do planeta sofra uma elevação "muito abaixo de 2°C", mas "reunindo esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C".

Aprovado por aclamação
A plenária foi convocada após quase seis horas depois de o texto ser divulgado como proposta, e o texto foi aprovado por aclamação, uma vez que ninguém fez objeções.

É a primeira vez que se atinge um consenso global em um acordo no qual todos os países reconhecem que as emissões de gases do efeito estufa precisam ser desaceleradas e, em algum momento, comecem a cair.

O acordo deve tomar uma forma legal a partir de 22 de abril de 2016, quando estará aberto para assinatura, na sede da ONU em Nova York. 

Financiamento
Também está incluído o compromisso de países ricos de garantirem um financiamento de, ao menos, US$ 100 bilhões por ano para combater a mudança climática em nações desenvolvidas, a partir de 2020 e até ao menos 2025, quando o valor deve ser rediscutido.

O acordo também inclui um mecanismo para revisão periódica das promessas nacionais dos países, para rever suas metas de desacelerar as emissões do efeito estufa, que não atingem hoje nem metade da ambição necessária para evitar o aquecimento de 2°C.

Tanto o financiamento quanto a ambição terão de ser revistos de cinco em cinco anos. A primeira reunião para reavaliar o grau de ambição dos cortes é prevista para 2023, mas em 2018 deve ocorrer um encontro que vai debatê-las antecipadamente.

A medida é importante, porque as atuais promessas de redução de emissões, conhecidas como INDCs (Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas), ainda não são suficientes para barrar o aquecimento em 2°C.

No novo acordo, as INDCs perderam o “I” (de intended, ou pretendidas), porque agora não devem mais ser uma intenção, e sim um compromisso.

Outro ponto crucial foi o estabelecimento de um mecanismo de compensação por perdas e danos causados por consequências da mudança climática que já são evitáveis. Muitos países pobres e nações-ilhas cobravam um artigo especial no tratado para isso, e foram atendidos.

Resumindo:
PRINCIPAIS PONTOS Do ACORDO APROVADO

• Países devem trabalhar para que aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC
• Países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões por ano - "Países desenvolvidos que são parte do acordo devem fornecer recursos financeiros para auxiliar países em desenvolvimento com relação à mitigação e adaptação", diz texto do acordo. "Outras partes são encorajadas a prover e continuar a prover tal suporte voluntariamente."
• Não há menção à porcentagem de corte de emissão de gases-estufa necessária
• Texto não determina quando emissões precisam parar de subir
• Acordo deve ser revisto a cada 5 anos

Referências
http://conexaoplaneta.com.br/blog/a-brasileira-raquel-rosenberg-fala-pelos-jovens-na-cop21-critica-acordo-e-diz-que-um-novo-mundo-e-possivel/
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/12/1718310-franca-apresenta-proposta-para-cop21-selar-acordo.shtml
http://www.solutionscop21.org/en/
http://www.akatu.org.br/Temas/Mudancas-Climaticas/Posts/COP-21-Sociedade-civil-forte-e-integrada-e-uma-visao-realista-da-esperanca
http://www.socioambiental.org/pt-br/cop-21
http://www.observatoriodoclima.eco.br/cop21-tem-acordo-pelo-clima/

28
novembro
2015
COP 21 - do que se trata?
O músico, poeta e compositor Arnaldo Antunes na Mobilização Mundial pelo Clima! Um dia antes da maior conferência sobre mudanças climáticas da ONU, milhares de pessoas ao redor do mundo vão às ruas em

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (do original em inglês United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC) foi elaborada durante a Rio-92 (ou Eco-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Também conhecida como Cúpula da Terra, reuniu mais de 100 chefes de Estado, no Rio de Janeiro, em 1992, para debater formas de desenvolvimento sustentável, um conceito relativamente novo à época). Entrando em vigor em março de 1994, essa Convenção reconhece que o sistema climático é um recurso compartilhado, planetário, cuja estabilidade pode ser afetada por atividades humanas – industriais, agrícolas e desmatamento – que liberam dióxido de carbono e outros gases – chamados gases de efeito estufa - que aquecem a Terra. 

A Conferência das Partes (COP) é o órgão supremo da Convenção e reúne regularmente os países que assinaram e ratificaram a Convenção e o Protocolo de Kyoto*. Os países-membros já se reuniram 20 vezes até hoje,em conferências em Berlim, Genebra, Kyioto, Buenos Aires, Bonn, Haia e Bonn, Marrakech, Nova Déli, Milão, Buenos Aires, Montreal, Nairóbi, Bali, Poznan, Copenhague, Cancún, Durban, Doha, Varsóvia, Lima.

A falta de vontade política dos países-membros da UNFCCC, especialmente dos países desenvolvidos, para enfrentar a fundo os problemas que provocam e provêm da crise climática, fez com que, depois de mais de 20 anos de negociações, pouco tenha sido feito. A partir do próximo dia 29 de novembro, os 196 países-membros irão se reunir em Paris, para buscar um consenso sobre o rumo da Rio92 e para assinar um novo acordo global, que possa substituir o único instrumento legal da Convenção, o Protocolo de Kyoto, que expirava em 2012 e foi estendido até que se chegasse a um novo acordo.

Até agora, cada um dos países-membros apresentou uma lista de metas, as chamadas INDCs, a serem alcançadas para reduzir as emissões e evitar que a temperatura global aumente mais que de 2 graus Celsius até o final do século XXI. O Brasil é um desses países e apresenta as seguintes intenções: reduzir 43% das emissões até 2030; 45% de energias renováveis na matriz energética do país; reflorestamento de doze milhões de hectares, com espécies nativas e exóticas e, ainda, zerar o desmatamento ilegal na Amazônia.

Mesmo com as metas apresentadas até agora pelos países, estamos bem longe de frear o aquecimento da Terra. Se não se brecar o aquecimento, haverá gravíssimas consequências: secas, perda de lavouras, aumento da fome e da pobreza extrema, catástrofes, inundações de áreas costeiras e até migrações forçadas de populações… Apesar dos atentados terroristas em Paris, neste mês, as autoridades francesas garantem medidas de segurança mais fortes (e cancelamento de festas, shows e passeatas), para que a COP seja realizada.

 

A Mobilização Mundial pelo Clima e a sociedade civil brasileira

No dia 29 de novembro, acontecerá a Mobilização Mundial pelo Clima, em várias capitais ao redor do globo! Uma grande marcha  ocorrerá em São Paulo, na Avenida Paulista, em frente ao MASP. Veja a programação no site www.mobilizacaopeloclima.com.br : São Paulo, 29 de novembro, a partir das 11h da manhã!

https://www.facebook.com/mobclimasp/
http://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/campanha-leva-mensagem-da-terra-para-cop-21
http://www.socioambiental.org/pt-br/cop-21
http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/entenda-a-cop-21-e-as-disputas-em-jogo-5188.html
http://www.ebc.com.br/noticias/meio-ambiente/2015/09/entenda-o-indc-brasileiro-que-sera-apresentado-na-cop-21-em-dezembro
http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11915:contribuicao-brasil-indc-27-de-setembro&catid=43&lang=pt-BR&Itemid=478
http://mobilizacaopeloclima.com.br/participe/

 

 

*O Protocolo de Kyoto
Foi adotado na 3ª Conferência das Partes da Convenção do Clima, realizada em Kyoto, no Japão, em dezembro de 1997. Entrou em vigor em fevereiro de 2005,definindo metas obrigatórias de redução nas emissões de gases de efeito estufa para 37 países industrializados e a União Europeia, que fazem parte do Anexo I da Convenção (nações desenvolvidas e do Leste Europeu). Estabeleceu que as emissões deveriam ser diminuídas em 5%, em média, entre 2008 e 2012, em comparação aos níveis de 1990. Os Estados Unidos não ratificaram o protocolo (veja os países que compõem o chamado Anexo I do Protocolo de Kyoto: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Bielo-Rússia, Bulgária, Canadá, Comunidade Europeia, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Federação Russa, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Mônaco, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, República Tcheca, Romênia, Suécia, Suíça, Turquia, Ucrânia e Estados Unidos. Os países que não fazem parte do Anexo I (países em desenvolvimento) são os que não se comprometeram com metas obrigatórias de redução de emissão.

 

8
novembro
2015
A agroecologia e a produção de orgânicos
Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
Feira Nacional da Reforma Agrária
Feira Nacional da Reforma Agrária
Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
marcha das margaridas

o que é?
Agroecologia  é o estudo da agricultura na perspectiva ecológica. Aborda os processos agrícolas de maneira ampla, não apenas visando a maximizar a produção, mas também a otimizar o agroecossistema total - incluindo seus componentes socioculturais, econômicos, técnicos e ecológicos. Enfim, considera os ecossistemas agrícolas.
O termo agroecologia pode ser entendido como uma disciplina científica, uma prática agrícola e um movimento social e político.  É uma ciência que agrega conhecimentos de outras ciências, além de de saberes populares e tradicionais provenientes das experiências de agricultores familiares, de comunidades indígenas e camponesas.
Portanto, a base de conhecimento da agroecologia constitui-se mediante a sistematização e a consolidação de saberes e práticas (empíricos,tradicionais ou científicos), visando à agricultura que garantisse a preservação do solo, dos recursos hídricos, da vida silvestre e dos ecossistemas naturais, ao mesmo tempo que asseverasse a segurança alimentar.
 
A agroecologia no Brasil
O Brasil instituiu, em 2013, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), uma política pública do Governo Federal criada para ampliar e efetivar ações para orientar o desenvolvimento rural sustentável. 
Fruto de um intensivo debate e construção participativa, envolvendo diferentes órgãos do Governo e dos movimentos sociais do campo e da floresta, o PLANAPO é o principal instrumento de execução da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). O plano busca integrar e qualificar na sua execução as diferentes políticas e programas coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, e com parcerias da Secretaria-Geral da Presidência da República; Ministério da Fazenda; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Ministério do Meio Ambiente; Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério da Educação; Ministério da Saúde; Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Ministério da Pesca e Aquicultura.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de países que utilizam agrotóxicos. Já ultrapassamos a marca de 1 milhão de toneladas por ano, mais de 5 kg de veneno agrícola por pessoa. A pulverização aérea, uma das principais responsáveis por esse dado, é uma das questões que terão atenção especial dentro do PRONARA (Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos), fruto de uma solicitação das agricultoras familiares que já se mobilizam na Marcha das Margaridas  desde 2000.
O Governo tem metas para curto, médio e longo prazo a serem alcançadas com o programa, que anda junto com o PLANAPO, esperando a apresentação  dos primeiros resultados até o final de 2019.

Os benefícios para os agricultores que fazem a transição de um sistema convencional de produção para um com base agroecológica e orgânica são muitos. “Primeiro, é a saúde do próprio agricultor. Quando ele deixa de utilizar o agrotóxico, já é um ganho muito grande para ele e sua família. Outra vantagem é não contaminar o meio ambiente onde eles vivem. Se essa família deixa de utilizar o agrotóxico em sua propriedade, também vai gerar saúde para os vizinhos e para toda a comunidade. Outra questão importante é a saúde do alimento que ele vai vender. Dessa forma, a relação do agricultor com o consumidor será mais forte, porque o consumidor vai identificar que aquele produto é saudável, construindo uma ponte, uma relação de mercado muito grande”, afirma Cássio Trovatto, coordenador de Formação de Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário).
 
 
1° Feira Nacional da Reforma Agrária 
De 22 a 25 de outubro de 2015, o Parque da Água Branca abrigou  a 1° Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra).
Foram quatro dias em que 800 feirantes acampados e assentados de 23 estados, mais o Distrito Federal, reuniram-se para mostrar e comercializar os produtos vindos das áreas de assentamentos da Reforma Agrária. 
 
Ao todo, foram vendidas 220 toneladas de produtos espalhados em 800 itens de 80 cooperativas e associações. Cerca de 150 mil pessoas passarampor lá, durante os quatro dias de evento, segundo a direção do Parque da Água Branca. A praça de alimentação contou com 15 cozinhas de todas as regiões do Brasil, onde foram servidas 10 mil refeições. 


A agricultura camponesa é hoje responsável por alimentar 70% da população brasileira:  
"O que a gente quer é  ter uma saúde melhor, por isso tomamos a decisão de produzir sem agrotóxico. Todo mundo trabalha, todo mundo divide. Foi na farinheira que formamos um coletivo de mulheres”. Marília Nunes, 19 anos, vinda do assentamento Palmares 2, em Paraupebas (PA). 
 
A feira surgiu como expressão da alternativa de consumo saudável e acessível, além de ser um instrumento de fortalecimento do diálogo entre campo e cidade.
Para Carla Guindadi do setor de produção do MST, o papel desempenhado pela Feira é o de trazer à tona o atual modelo agroexportador que afeta de maneira negativa toda a cadeia produtiva e de consumo. Carla relaciona a Reforma Agrária como mote para a produção de alimentos saudáveis no país:
“São Paulo é a maior cidade do Brasil, é o local onde o debate campo/cidade é mais evidente. Aqui é onde os dois modelos de disputa atuais - o modelo do agronegócio e o da agricultura camponesa -, estão mais visíveis. E fazer essa feira no Parque da Água Branca, espaço que já é conhecido na capital paulista pela cultura aos orgânicos, é também um espaço de diálogo com o público consumidor. É o momento de pautarmos as diferenças entre a produção saudável de alimentos, a produção orgânica e a produção fetichizada de alimentos pautada pelo agronegócio e dar visibilidade a essa produção que é invisibilizada pela grande imprensa. Não é todo mundo, por exemplo, que sabe que hoje a maior produção de arroz orgânico da América Latina pertence aos assentamentos da Reforma Agrária” , conclui.

Referências
https://www.facebook.com/events/1499754990323457/
http://www.mst.org.br/2015/10/25/a-feira-mostrou-a-sociedade-que-e-possivel-criarmos-um-novo-jeito-de-se-produzir-no-pais-afirma-dirigente-do-mst.html
http://www.mda.gov.br/sitemda/noticias/brasil-é-pioneiro-em-pol%C3%ADticas-de-agroecologia
http://kaosenlared.net/sao-paulo1-feira-nacional-da-reforma-agraria-entrevista-de-carla-guindani/
http://www.mda.gov.br/planapo/
http://www.namu.com.br/materias/brasil-lideranca-no-uso-de-agrotoxicos
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/brasil-e-o-pais-que-mais-consome-veneno-agricola-872141.shtml
http://www.mda.gov.br/sitemda/noticias/agricultura-mais-saudável-e-sem-agrotóxico

18
agosto
2015
MAIS UMA VIRADA SUSTENTÁVEL CHEGA A SÃO PAULO
foto divulgação
foto divulgação
foto divulgação
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A 5ª Virada Sustentável, que acontece em São Paulo de 26 a 30 de agosto, é mais do que um evento: é um movimento que se pretende de mobilização colaborativa para a sustentabilidade do Brasil, envolvendo articulação e participação direta de organizações da sociedade civil, órgãos públicos, coletivos de cultura, movimentos sociais, equipamentos culturais, empresas, escolas e universidades, entre outros, com o objetivo de apresentar para a população uma visão positiva e inspiradora sobre a sustentabilidade e seus diferentes temas.

A organização do evento afirma que preza o respeito à diversidade local e é partidária e independente de grupos políticos, religiosos ou interesses econômicos. Também estimula a participação coletiva, inclusive na criação de conteúdo e definição das ações/transversalidade.

Com feições de agito cultural, a Virada Sustentável reúne centenas de atrações, atividades e conteúdos ligados aos temas da sustentabilidade (biodiversidade, resíduos, água, cidadania, mobilidade urbana, mudanças climáticas, economia verde etc.), realizadas simultaneamente em parques e espaços públicos, equipamentos culturais, universidades e escolas, todas gratuitas e abertas ao público.

Tem cinema, exposições, shows, teatro, oficinas, piquenique, atividades culinárias, passeios, meditação e muito mais!

Confira a programação:
http://viradasustentavel.com/programacao/

3
agosto
2015
Como lobos mudam rios

A ONG Sustainable Human  produziu uma série de mini-documentários para exemplificar a importância dos animais em seu respectivo ecossistema. Um dos vídeos mais brilhantes é o Como os Lobos Mudam os Rios
O curta narra a história do Parque Nacional em Yellowstone, nos EUA, onde já não existiam lobos há anos. Eles foram reintroduzidos em 1995, mudando muita coisa a partir de então.

Referência:
http://wp.clicrbs.com.br/mundoitapema/2015/01/09/mini-documentario-explica-como-os-lobos-mudam-os-rios/?topo=52,2,18,,220,77
http://www.institutoaqualung.com.br/Site/Conteudo/Artigo.aspx?C=jqorEPkJsDM%3D

6
julho
2015
Um aplicativo para controlar zoonoses

Mudanças ambientais geram impactos sobre a biodiversidade e repercussões importantes para a saúde. Animais se aproximam das populações humanas em busca de alimento e abrigo ou deixam de ser controlados por seus predadores aumentando o risco de transmissão de doenças. Monitorar os agentes patogênicos que circulam na natureza ou nas bordas de ambientes rurais e urbanos, antes que cheguem as pessoas, é um desafio num país com as dimensões continentais do Brasil.
 
Nessa conjuntura, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) criou um aplicativo de monitoramento da saúde de animais silvestres, que pode ser baixado e instalado gratuitamente em sistemas Android e iOS, para prevenir doenças. O Sistema de Informação em Saúde Silvestre (Siss-Geo), desenvolvido pelo Programa de Biodiversidade e Saúde da fundação — em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica—, serve para que o usuário envie fotos de bichos flagrados pela cidade, podendo incluir informações adicionais sobre a localização, problemas de saúde e comportamentos atípicos que tenha observado.
 
A partir dos registros de animais observados e da informação de possíveis anormalidades (como feridas, comportamento estranho) e das características do ambiente onde foi feita a observação, o sistema gera modelos de alerta de ocorrências de agravos na fauna silvestre. Estes alertas a serem investigados pelos setores responsáveis e com apoio da Rede de Laboratórios em Saúde Silvestre e de especialistas confirmarão ou não os agentes patogênicos associados ao alerta. Estas informações serão disponibilizadas para os tomadores de decisão e a sociedade e são a base para o desenvolvimento de modelos de previsão, de modo que seja possível agir antes de que doenças acometam pessoas e outros animais.
Em maio deste ano, o Siss-Geo foi um dos três finalistas do Prêmio Nacional de Biodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente. Cerca de 900 trabalhos de todo Brasil concorreram à premiação
 
A coordenadora do programa da Fiocruz, Márcia Chame, diz que o aplicativo vai enviar dados confiáveis para para especialistas e setores responsáveis pelo trabalho de monitoramento. Um sistema de modelagem matemática vai estabelecer relação entre a distância e a frequência dos registros com as anormalidades informadas, o tipo de animal envolvido e outros dados para o desenvolvimento de alertas.
 
— Esse é um sistema de informação de saúde silvestre que utiliza a ciência cidadã. Qualquer pessoa pode participar. Nas regiões do interior onde a telefonia e internet não estão disponível, o agricultor poderá fazer a foto, salvá-la e enviar a imagem posteriormente, quando tiver acesso à rede — diz Márcia, acrescentando. — O usuário do aplicativo contribui ao informar o nome do animal, se está vivo ou morto, se apresentava um comportamento estranho ou ainda se estava próximo de uma área de queimada, rio ou expansão imobiliária.
 
Desde o início do funcionamento do App, foram enviados por colaboradores registros do Rio, do Pará e de Minas Gerais. No município do Rio, as fotos encaminhadas eram de saguis, macacos-prego e quatis. No entanto, na cidade também são encontrados outros animais silvestres como a capivara e o jacaré.
 
Este aplicativo vem colaborar para fortalecer a conservação da biodiversidade brasileira, a melhoria da saúde humana e de todas as espécies e boas práticas para o desenvolvimento sustentável.
 
Referências
http://www.biodiversidade.ciss.fiocruz.br​
http://oglobo.globo.com/rio/aplicativo-da-fiocruz-monitora-saude-de-animais-silvestres-flagrados-em-areas-urbanas-16456666
http://sbmt.org.br/portal/sistema-de-informacao-em-saude-silvestre-permitira-monitoramento-participativo-de-emergencia-de-zoonoses/
http://www.biodiversidade.ciss.fiocruz.br/apresentação-0

22
junho
2015
Um lixo é um lixo é um lixo…

Texto de Maurício Costa Carvalho (Geografia EM) e Mercedes Ferreira (Direção EM) publicado no blog do Estadão 


- Mas tem tanto, que não é o meu que vai fazer diferença…
- Ué, vem falar comigo? E essas indústrias e lojas e clubes, por exemplo?

Essa é a distorcida dimensão que se tem, na maioria das vezes, a respeito do real significado de cada lixo individual diário que produzimos e de como se compõe o todo: não associamos de verdade aquele saquinho de aparência mais inócua às montanhas que se formam nos aterros e nos lixões, que poluem as águas, que entopem as cidades. Sequer percebemos que, guardadas as justas proporções, estamos enfileirados com as tais indústrias e lojas e clubes e tudo o mais. E a triste paráfrase  do verso de Gertrude Stein, no título acima, torna-se o inevitável retrato da situação.
Nesse contexto, todas as iniciativas que cutuquem, incomodem, alertem, eduquem, conscientizem são  sempre bem-vindas. Por isso, antes de tudo, é fundamental prestigiar, valorizar, tornar possível a existência (e a resistência) de pessoas ou entidades e instituições sérias que se propõem a essas tarefas. Elas só existem e sobrevivem se houver interlocutores, pra começo de conversa; assim, por exemplo, ir a um local para ver e ouvir e discutir e trocar reflexões sobre o assunto já é o primeiro movimento politizado, primeira atitude que abrange o individual e o coletivo. E daí, espera-se, surgirão bons frutos de todos os matizes.
E foi exatamente pensando assim, que, no último dia 2 de junho, estudantes do Ensino Médio do Ítaca estiveram na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, assistindo a Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?, a convite da Ecofalante, entidade que promove discussões e reflexões sobre o meio ambiente, a partir de filmes e documentários. Produzido e narrado pelo ator Jeremy Irons,  Trashed (2o12),  mostra imagens contundentes de como o descarte inadequado de resíduos sólidos pode oferecer grandes riscos à saúde humana e ao planeta, analisando as soluções que hoje existem para a questão. Depois da exibição, os estudantes e professores tiveram a oportunidade de conversar com especialistas da instituição e consultores para sustentabilidade, discutindo, inclusive, qual o papel de cada um de nós diante de tal problema, não só como consumidores, produtores de lixo e até recicladores, mas também como divulgadores das questões ali discutidas. Esse evento foi parte da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que promoveu nas bibliotecas São Paulo e Villa-Lobos, entre outros locais, uma programação especial, durante a Semana do Meio Ambiente.
As ações cotidianas necessárias à promoção de uma vida ambientalmente sustentável, aliadas à consciência de que é necessário também um fazer político com vistas a soluções eficazes, levam a responsabilidade de cada um para o futuro, além de já serem necessárias no presente. Como muito do trabalho que se faz na escola, os resultados devem ser pensados também a médio e longo prazo, com os adultos que logo logo esses alunos serão.

18
maio
2015
Quando o desperdício vira boa comida!

Dois colegas, Dorival Neto e Felipe Nava, tiveram uma grande ideia: aproveitar a tendência dos Food Trucks e criar um caminhão que arrecada sobras de alimentos e com elas criam-se novos pratos, para serem distribuídos aos moradores de rua.  A agência de publicidade Africa Rio, em parceria com a ONG brasileira Make Them Smile e a Truckvan(empresa que adapta caminhões) desenvolveu o projeto, que se chama Feed Truck. 
 
Durante um mês, foram recolhidos alimentos que seriam jogados fora e chefs voluntários prepararam refeições dentro do próprio food truck. As “quentinhas” foram entregues nas ruas do Rio de Janeiro (Copacabana e Centro) e aproximadamente 2 mil refeições já foram distribuídas com mais de uma tonelada de sobras de alimentos.

Os número são alarmantes: segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 40 mil toneladas de alimentos são desperdiçados por dia no Brasil.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), alerta para o fato de que o desperdício de alimentos causa diversos impactos ambientais, pois para produzir frutas e legumes é necessário usar muita água e terra, que, ao longo do processo de produção e preparo, emitem toneladas de gases de efeito estufa para a atmosfera, impactando diretamente no clima.

É necessário trabalhar para que iniciativas como essa (que teve um piloto de 1 mês no Rio) sejam replicadas e multiplicadas!


referências:

http://www.hypeness.com.br/2015/04/food-truck-transforma-alimentos-que-iriam-pro-lixo-em-refeicoes-pra-quem-precisa/
http://sonoticiaboa.band.uol.com.br/noticia.php?i=6667
https://razoesparaacreditar.com/empreender/nesse-food-truck-eles-pegam-alimentos-que-iriam-para-o-lixo-e-transformam-em-refeicoes-para-moradores-de-rua/
http://gshow.globo.com/programas/caldeirao-do-huck/O-Programa/noticia/2015/04/food-truck-diferente-alimenta-moradores-de-rua-com-pratos-elaborados-por-chefs.html

 


 

 

26
março
2015
Cadê o rio que estava aqui???
https://pedalverde.wordpress.com/page/3/
logo do rios e ruas - www.rioseruas.com

Sob o solo da cidade de São Paulo existe uma imensa malha hidrográfica, constituída de mais de 3.500 metros de cursos d’água canalizados.  
E essa canalização dos rios e córregos é um dos problemas mais graves na capital paulista, e por isso hoje tão criticado pelos especialistas. Esse modelo de urbanização, que canaliza e cobre as fontes naturais e os cursos d'água, foi também seguido por muitas outras cidades do interior do Estado de SP e do restante do país.
 
Nossos rios são lembrados quando a temporada de chuvas faz com que as galerias subterrâneas transbordem, com alagamentos e graves transtornos para a população.
Pela visão deturpada, que os considerava como um obstáculo ao desenvolvimento urbano, quase todos os rios, incluindo os de água limpíssimas, foram canalizados. Além disso, grande parte do solo urbano está impermeabilizado pelos calçamentos e construções, e basta uma forte chuva para que centenas de córregos e riachos voltem à superfície. 
 
Os rios também carregam nossa história e nos fazem entender o passado. Como serviam como via de transporte e fonte de água, grande parte das cidades se desenvolveu ao longo deles - como podemos observar em monumentos históricos como a Casa do Bandeirante, em São Paulo, por exemplo, que foi pouso de desbravadores das terras paulistas e situa-se próximo às águas do rio Pinheiros.
No entanto, apesar de serem um componente importante na história das cidades eles, em geral, não são valorizados pela população e não fazem parte do seu cotidiano
 
Mas é preciso dizer também que, com a crise hídrica assolando nossa cidade, diversas iniciativas de valorização e recuperação de nossas fontes e rios têm aparecido. Há movimentos como o Parque da Fonte e o YButantã, no bairro do Butantã, que cobram da iniciativa pública a recuperação e apropriação pública das águas e dos espaços de preservação.
 
Quando são implantados parques e é recuperada a mata ciliar, ao longo das áreas de proteção dos rios, há uma diminuição dos episódios de enchentes e inundações durante as fortes chuvas de verão, contribuindo para a drenagem urbana. Os parques também evitam que essas áreas sejam invadidas ou degradadas.
“O mais surpreendente é que, em vários casos, sobre os rios canalizados foram construídos parques públicos. Em vez de correrem pelos parques, tornando-se fatores de desfrute para a população, os rios foram escondidos no subterrâneo”, comenta Norma Regina Truppel Constantino, professora no curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp
 
Dentre as iniciativas atuais, o projeto Rios e Ruas, desenvolvido pelo urbanista José Bueno juntamente com o geógrafo Luiz de Campos Jr e a bióloga Juliana Gatti, propõe-se a revelar uma realidade profunda, possibilitando uma mudança no olhar dos paulistanos para suas águas e árvores.
Despertar a consciência dos paulistanos para uma nova convivência com os elementos vivos da natureza urbana de São Paulo é aprofundar a reflexão sobre o uso do espaço público, sobre o desenvolvimento da cidade onde vivemos e sobre o futuro que deixaremos como legado para nossos filhos e netos.
 
Para que os rios passem a ser valorizados pelas populações, é necessário um trabalho de conscientização e elaboração de projetos participativos que qualifiquem os lugares, mais do que a simples aprovação de leis e regulamentos.
 
“É importante a visualização dos rios, porque, se as pessoas os veem, elas passam a valorizá-los e a se mobilizar por sua integridade”, enfatiza Constantino.
 
referências

http://rioseruas.com
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/parceiros-do-planeta/charles-groisman-e-a-reconexao-do-homem-com-a-natureza/
http://educacao.estadao.com.br/blogs/colegio-itaca/porque-e-o-rio-que-corre-pela-minha-aldeia/

 
 

5
fevereiro
2015
Um pingo de conversa
distribuição do uso da água no mundo, por categoriaprodutiva

Mas a água não é um direito de todos?

No momento em que nossa cidade, uma das maiores do mundo, está em uma situação crítica de falta de água, há grandes discussões que se referem aos modelos e às práticas de diversas partes do mundo, em relação ao tratamento e distribuição da água. Na verdade, há uma questão conceitual primordial que norteia essa discussão: a água é ou não um bem e um direito de todos? 

Apesar de ser um recurso natural renovável através da reciclagem realizada pela natureza,ela  não se mantém inesgotável e de boa qualidade por todo o tempo. Tudo depende do equilíbrio entre o consumo e sua renovação. 

A carência de água
“Ninguém ainda parou para pensar que a água existente no planeta é e sempre foi a mesma desde a sua mais remota existência. Não se produz água. Existem processos para tornar a água do mar doce e potável, porém são extremamente caros. Apenas 2,59% do volume de água total existente na Terra é de água doce, sendo que mais de 99% estão sob a forma de gelo ou neve nas regiões polares, ou em aquíferos muito profundos. Do restante, quase metade está nos corpos dos animais e vegetais (biota), como umidade do solo, e como vapor d'água na atmosfera, e a outra metade está disponível em rios e lagos.

(...)O Brasil detém 12% das reservas de água doce de todo o planeta, e 80% se concentram na Bacia Amazônica, onde vivem apenas 7% da população, sobrando 20% para serem distribuídos desigualmente pelo resto do País. A região Sudeste é a que possui os rios mais comprometidos." (Ricardo Daher - Secretário Executivo do PNUMA em 2003)

A preservação de nosso meio ambiente, seja pelo tratamento do esgoto, pela atuação consciente das indústrias e do agronegócio, pela preservação das matas e pelo controle do consumo são essenciais para garantir a água necessária para a vida na Terra.  O crescimento vertiginoso da população ao longo dos anos demanda um aumento no uso da água, não apenas para uso pessoal, mas também para a produção industrial, energética e alimentícia.  O aquecimento global, devido aos desmatamentos, impermeabilização do solo, emissão de carbono, entre outras causas, também contribui para a escassez da água.

Outro ponto importante relacionado ao assunto é a chamada água virtual: a água usada na produção de algo (de uma folha de papel a um automóvel, por exemplo), e, muitas vezes, até de produtos exportados. A agricultura e a pecuária, por sua vez, consomem quantidades enormes de água até mesmo para que os produtos cheguem às nossas mesas.

A democratização do uso da água
O volume disponível de água potável de fácil acesso no mundo é de 0,3% do total de água doce presente, o que equivale a 35 milhões de quilômetros cúbicos. Esse volume não seria pouco se fosse distribuído igualmente entre todas as regiões. Ainda assim, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUME), algo em torno de 1,1 bilhão de pessoas - ou seja, um a cada seis indivíduos, praticamente – não têm acesso a água limpa e em quantidade suficiente para garantir a saúde e o desenvolvimento social e econômico.    

A água que é um direito universal mas acaba se tornando uma mercadoria, pois os países que seguem as diretrizes da economia globalizada sentem-se no direito de cobrar por ela, devido à sua escassez, transformando-a em uma commodity.  Algumas nações já cobram pela água como a França, Reino Unido e Alemanha. 

 No Brasil, a água que chega às torneiras não é exatamente cobrada; pagamos, isso sim, apenas pelos serviços de captação, tratamento e distribuição. Entenda melhor, assistindo a essa matéria: http://bit.ly/1you6Me. Mas há outros modos de ação: em 86 cidades no mundo, entre elas Paris e Berlim, abandonou-se o modelo de empresa privada de abastecimento de água, no qual a meta é o lucro, como o praticado em São Paulo, pela Sabesp, após se avaliarem os limites desse modelo e os prejuízos ecológicos, sociais e econômicos dele decorrentes.
  
Além de tudo, tornar a água um recurso econômico mundial excluiria ainda mais as regiões pobres, que não possuem saneamento básico, muito menos água potável para as necessidades diárias, ao contrário dos países ricos, que cada vez mais consomem água, sendo que muitos não possuem recursos hídricos próprios. e acabam importando cada vez mais água virtual: para países situados em regiões que sofrem com escassez hídrica, o comércio de água virtual é atraente e benéfico já que, “por meio da importação de mercadorias que consomem muita água durante seu processo produtivo, nações, estados e municípios podem aliviar as pressões que sofrem sobre suas próprias fontes”, explica Maria Victoria Ramos Ballester, professora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba.
 
Para que a água, tão essencial à vida, não venha a faltar num futuro próximo, há a necessidade de que se tomem medidas para preservá-la, entre elas, o aumento de áreas verdes nas zonas urbanas, o que aumentaria a área de absorção de água pelo solo, medida que diminuiria os impactos no ciclo hidrológico. Outra medida seria reduzir a quantidade de resíduos jogados em lugares inadequados e também a emissão de poluentes.
 
Em dezembro de 2013, consolidou-se um grande agrupamento europeu de cidadania pelo direito humano de acesso à água e pela interrupção e reversão da privatização desse bem. Nessa direção observamos um movimento de remunicipalização e de retomada e criação de parcerias público-público para o abastecimento d´água nas cidades.
 
Breve história
A Os sistemas de distribuição de água e de esgotamento foram aperfeiçoados, ao longo do século XIX, como uma resposta à eclosão de epidemias nas cidades industriais. Essas cidades, que haviam se adensado rapidamente em apenas algumas décadas, concentraram milhares de habitantes em precárias condições de moradia e de trabalho. Nesse quadro, os sanitaristas e reformadores sociais do século 19 preconizaram que, sem um meio saudável, com circulação de água, luz e ar e uma alimentação regrada, a vida e a moral dos habitantes da cidade se esvairiam. E mostraram como as epidemias não se detinham nas fronteiras dos bairros pobres: percorriam cidades, viajavam por oceanos e se distribuíam entre países. Para eles, seria impossível formar o cidadão sem um meio saudável, pois era o meio que constituía o indivíduo. O bom governo seria aquele que conseguisse reduzir a mortalidade e aumentar a população. A biopolítica impulsionou as reformas urbanas ocorridas nas principais capitais europeias e também no continente sul-americano, como as reformas ocorridas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, no início do século XX.
 
“Se cada cultura cria uma forma específica e diferenciada de lidar com as excreções do corpo, de fixar o que é sujo e o que é limpo, o reconhecimento de que a água é fonte da vida é um consenso universal. O direito ao acesso à água é um direito fundamental, segundo Myriam Bahia Lopes (em artigo da Envolverde, link no final deste texto).
 
Os Movimentos sociais e a água
A apropriação privada da água e da terra e a cartelização mundial do hidronegócio vêm sendo denunciadas em diversas frentes. Como a água é indispensável à vida e possui um ciclo que deve ser protegido, encontramos uma variedade de grupos que direta ou indiretamente se engajam em sua defesa. 
 
Nos últimos quinze anos, pelo menos 86 cidades no mundo remunicipalizaram os serviços de água, entendendo-a como um bem público e um direito de todos. 
Em um momento de ameaça à vida de seus habitantes, pelos riscos de ausência ou escassez de água de boa qualidade para o consumo humano, nos perguntamos se devemos insistir na defesa do modelo de negócio privado que por sua essência visa o lucro ou se seria o caso readotar a remunicipalização da água como em outras capitais, não admitindo a sua especulação comercial.
 
Algumas atitudes para economia de água
Do ponto de vista individual, é importante nos conscientizarmos e adotarmos algumas atitudes para economizar água:
           
•Ter plena consciência de que a água é finita;
• Não fazer ligações clandestinas;
• Não fazer mau uso da água;
• Cobrar sempre das autoridades competentes, políticas adequadas de uso da água;
• Cobrar o controle de emissão de resíduos industriais e doméstico, para que eles sejam tratados antes de serem dispostos;
• Fiscalizar se o poluidor está pagando pelo lançamento de resíduos nos rios;
• Lembrar sempre que a água desperdiçada custa para o próprio bolso;
• Os proprietários e síndicos de imóveis devem sempre observar se o hidrômetro está funcionando direito, e controlar o consumo geral;
• Utilizar somente a quantidade de água necessária;
• Regar o jardim, no verão, pela manhã cedo ou à noite, para se evitar a evaporação; no inverno, dia sim e dia não;
• Evitar banhos prolongados e fechar a água enquanto se ensaboa.
• Não deixar a torneira aberta ao escovar os dentes e ao fazer barba;
• Fechar bem as torneiras;
• Verificar se há vazamentos, e chamar um técnico;
• Olhar sempre as condições da caixa d'água, verificando rachaduras e se a boia está em boas condições. Fazer o mesmo para a cisterna;
• Lavar previamente a louça em uma cuba e, em seguida, enxaguá-la em água corrente, evitando manter a torneira aberta todo o tempo;
• Não lavar a calçada com água. Utilizar a vassoura e jogar quantidade mínima de água, apenas quando estritamente necessário;
• Esperar até ter roupas suficientes para encher a máquina de lavar, e assim proceder a lavagem. O mesmo vale para a louça;
• Carro não precisa ser lavado com frequência. Quando for essencial lavá-lo, utilizar um balde apenas, sem sabão, e enxugar com pano limpo úmido.
 
 
Referências
http://www.unep.org/dewa/vitalwater/article192.html
http://www.brasilpnuma.org.br/pnuma/

http://www.usp.br/agen/?p=164665
http://envolverde.com.br/ambiente/e-se-agua-deixar-de-ser-mercadoria/
http://lcf.esalq.usp.br/prof/ciro/lib/exe/fetch.php?media=ensino:graduacao:g7_privatizacao_da_agua.pdf
http://www.rigs.ufba.br/pdfs/RIGS_v1n1_art11.pdf

 

 

 

22
dezembro
2014
Menos embalagem, menos lixo!

Inaugurado há aproximadamente 3 meses, em Berlim, o Original Unverpackt é um supermercado que procura eliminar o uso de qualquer embalagem.
As embalagens desperdiçam uma quantidade excessiva de materiais e quase sempre se mostram inúteis depois de cumprir sua função principal de transporte do produto. Por esse motivo 2 alemãs, Sara Wolf e Milena Glimbovski, criaram uma start-up chamada Original Unverpackt, com o intuito de abolir completamente as embalagens nas dependências do supermercado. 
Como é possível? O cliente pode levar seu próprio recipiente para guardar as compras, usar uma embalagem de papel reciclável, ou comprar recipientes reutilizáveis. Há também um serviço de depósito de embalagens recicláveis para quem chega às compras despreparado. Produtos embalados em plástico não entram no supermercado.  

O supermercado disponibiliza informações sobre a procedência e os ingredientes do produto e também planeja novas experiências de consumo. 
A empresa afirma que não trabalhará com muitas marcas e que venderá por enquanto alimentos, produtos de limpeza e higiene, dando preferência aos produtores locais e a alimentos orgânicos. A venda é feita por peso, para que não haja desperdício, de maneira que cada um compra apenas aquilo de que necessita.
Uma ótima ideia que merece ser disseminada pelo mundo afora!

 

Referências
http://original-unverpackt.de
http://misturaurbana.com/2014/12/berlim-tem-o-primeiro-supermercado-com-produtos-sem-embalagem/
http://www.hypeness.com.br/2014/06/uma-start-up-alema-inaugura-o-primeiro-supermercado-sem-embalagens-descartaveis-no-mundo/
http://greenme.com.br/consumir/eco-shopping/362-original-unverpackt-o-primeiro-supermercado-sem-embalagens-em-berlim

16
dezembro
2014
Pouco conhecidas, pouco consumidas e… riquíssimas em nutrientes essenciais: frutas nativas do Brasil

O açaí na tigela tornou-se famoso nos últimos anos e é largamente consumido nas cidades brasileiras, misturado com guaraná e açúcar e servido como um creme gelado ou em forma de sorvete. Poucos sabem, porém, que ele é alimento de populações indígenas e de várias regiões do Norte do Brasil, há centenas de anos: preparado tradicionalmente com farinha de mandioca ou tapioca, é servido também em forma de pirão, para acompanhar peixe assado ou camarão.

Assim como o açaí foi “descoberto” há pouco, o Brasil tem uma infinidade de outras frutas ótimas para consume mas pouco conhecidas pela maioria das pessoas.

Segundo Guilherme Domenichelli, em matéria publicada na Carta Capital (link no final desse texto):

“O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas no mundo, atrás apenas da China e da Índia. Sua enorme extensão de terras férteis, o clima e a disponibilidade de água favorecem a produção de uvas, melões, mangas, maçãs e bananas. Uma boa parte é consumida internamente e outra, exportada em forma processada ou na de frutas frescas. Mas, por incrível que pareça, a grande maioria das frutas consumidas por nós consiste de itens exóticos, ou seja, que não têm origem nos biomas brasileiros. Para se ter ideia, das 20 frutas mais consumidas aqui, só três são nativas.

E estima-se que existam pelo menos 312 frutas tipicamente brasileiras, sem contar que muitas tidas como "a cara do Brasil" (como banana, laranja, manga, graviola, pinha, tamarindo, romã, acerola, jaca, jambo) não são naturais de terras brasileiras. O caso do coco, por exemplo, é muito curioso: "Para alguns pesquisadores, ele é considerado uma fruta exótica da Ásia, enquanto para outros, é uma árvore nativa da América do Sul, provavelmente no litoral Norte e Nordeste do Brasil", esclarece a professora Flávia Cartaxo, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano

Mas, apesar do número impressionante de nativas, apenas seis frutas brasileiras são cultivadas comercialmente em grande escala", diz o engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, coautor do livro Frutas Brasileiras Exóticas e Cultivadas. 

"Dificilmente você iria à feira livre comprar picinguaba, mangaba, camu-camu, ajuru, fruta-do-lobo, murici, umbu, jatobá ou sapota-do-solimões. Ainda que quisesse, não encontraria. Pois esses nomes “estranhos”, de que você provavelmente nunca tinha ouvido falar, são de frutas nativas, ou seja, tipicamente brasileiras. Muitas delas eram comuns no passado e hoje são raríssimas, como o oiti-da-baía, que alguns historiadores relatam ter sido uma das frutas preferidas do imperador Pedro II", afirma Domenichelli.  

 

As espécies nativas destacam-se, aí sim, como matérias-primas para a agroindústria - suco, geleias, licores, polpa, bolachas, compotas, sorvete -, indústria farmacêutica e indústria de cosmético. E muitas delas são importantes fontes de alimento para as populações de baixa renda em várias partes do país.

 

Saúde à mesa

O que não se discute, no entanto, é o bem que as frutas - nativas ou não - fazem ao nosso corpo, como fontes riquíssimas de vitaminas. 

Alimentos essenciais para o organism, devem fazer parte do cardápio de todos. Ricas em fibras, que ajudam no bom funcionamento do intestino, não têm altas taxas de gordura, sódio e calorias e são ricas em nutrientes controladores da pressão arterial. Elas também possuem antioxidantes que ajudam a prevenir o aparecimento de câncer e a retardar o envelhecimento.

As frutas que são comercializadas e consumidas hoje são resultado de pesquisas focadas em selecionar e melhorar sabores, tamanhos e tempo de duração. Melancias, abacates e mangas, entre outras, têm hoje aspectos e características bem diferentes de seus originais. As frutas nativas também poderiam passar por esses estudos – aliás, isso já aconteceu com a goiaba, aprimorada há décadas por agricultores japoneses radicados no Brasil.

Mas, quando não existe demanda em alta escala, caso das nativas brasileiras, a produção não compensa e as pesquisas não acontecem. Tornar nossas frutas comerciáveis é algo que requer tempo e investimento, mas valorizá-las proporcionará, além de tudo, a preservação dos biomas brasileiros e de suas riquezas e culturas regionais. Hoje, muitas já são usadas como verdadeiros tesouros culinários regionais no preparo de licores, doces, geleias, mingaus, bolos, sucos, sorvetes e aperitivos. Além das diversas formas de alimentos, os frutos dessas plantas podem proporcionar outros benefícios como remédios, cosméticos, fibras naturais e até artesanatos.

Com pesquisas, incentivos e investimentos, as frutas nativas poderão se tornar nova fonte de renda para populações rurais, para que, além do consumo regional, as riquezas possam chegar à mesa de todos. Quem sabe, no futuro, ao invés de uma maçã, um aluno possa presentear sua professora com um cubiu, uma grumixama ou uma mangaba? 

As 20 frutas mais consumidas no Brasil e suas origens

1. Abacate –  América Central

2. Abacaxi – Brasil

3. Banana – Sudeste Asiático

4. Caqui – Ásia

5. Coco-da-baía – origem polêmica

6. Figo – Ásia

7. Goiaba – Brasil

8. Laranja – Ásia

9. Limão – Sudeste Asiático

10. Mamão – América Tropical

11. Manga – Ásia

12. Maracujá – Brasil

13. Marmelo – Europa e Ásia

14. Maçã – Ásia

15. Melancia – África

16. Melão – Europa, Ásia e África

17. Pera – Europa

18. Pêssego – Ásia

19. Tangerina – Ásia

20. Uva – Ásia, América do Norte e Europa

 

Referências:

 http://www.cartanaescola.com.br/mobile/single/221

http://www.ibraf.org.br/news/news_item.asp?NewsID=5544

http://www.brasilescola.com/frutas/

http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/quais-frutas-sao-originais-brasil-496994.shtml

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/que-frutas-sao-originais-do-brasil

26
novembro
2014
Os grilos, os gatos, os sem-terra e a história do Brasil

Volta e meia nos damos com o termo “grilagem” nos noticiários. Mas, o que é “grilagem”?

grilagem tem raízes no mais profundo da nossa história; para entender o que quer dizer o termo, temos que voltar ao período colonial. Na época, todas as terras pertenciam à Coroa Portuguesa. Para assegurar a ocupação do território brasileiro, a Coroa concedia enormes partes do território a alguns de seus protegidos que estivessem dispostos a colonizá-las. As regras dessas concessões variaram com o tempo: primeiro, eram algumas poucas mas enormes glebas de terras, as capitanias hereditárias; depois, glebas menores, chamadas de sesmarias. Essas áreas podiam ser transferidas por herança, mas não podiam ser vendidas, já que eram da Coroa.

Nessas grandes glebas de terra havia as grandes plantações de cana (os canaviais e engenhos) onde trabalhariam mais tarde os escravos. Mas, como havia necessidade também de alimentos para os cidadãos livres, havia também um contingente grande de pequenos produtores que trabalhavam pequenos lotes de terra que não lhes pertenciam, cedidas gratuitamente ou não pelos detentores das sesmarias. E, em regiões mais longínquas do interior do país, outros produtores criavam gado, muitas vezes solto e utilizando terras desocupadas, como o sertão do Nordeste, o norte de Minas Gerais e, depois, o Rio Grande do Sul.

Essa forma de ocupação das terras durou até que em 1850 quando o Brasil,  já independente de Portugal, introduziu a propriedade privada da terra na legislação.Funcionou assim: as pessoas que tinham terras concedidas pela Coroa Portuguesa ou pelo Império Brasileiro podiam solicitar ao Império o título de propriedade dessas terras. 

Em teoria, a transformação de uma concessão em propriedade privada valia apenas para as áreas realmente ocupadas e exploradas. Todas as demais terras deviam voltar para as mãos do Império e tornavam-se “terras devolutas”. A partir de então, havia duas maneiras de se tornar um proprietário de terras: comprá-las de algum outro proprietário, ou comprá-las do Império. 

Em muitos países, a distribuição de terras da Coroa aconteceu após as revoluções do final do século XVIII, como na França (revolução que derrubou a monarquia, em 1789) e nos Estados Unidos (independência e proclamação da república). Mas, nesses dois casos – e em muitos outros – essa distribuição seguiu o caminho da democratização da propriedade agrícola e do fortalecimento da agricultura familiar e das pequenas propriedades.

Na França, terras da Coroa foram distribuídas entre vassalos e camponeses que as cultivavam, e leis foram criadas para proteger os arrendatários, etc. Nos Estados Unidos, para colonizar o seu território, o governo doava pequenos lotes de terra a famílias que desejavam explorá-las, privilegiando assim a pequena propriedade e a agricultura familiar. Isso é retratado em muitos filmes de faroeste: são aquelas corridas de famílias em suas carroças, tentando chegar na frente, para ocupar os melhores lotes da área concedida.

No Brasil, seguimos a direção contrária: os protegidos do Império puderam obter o título de propriedade de suas enormes sesmarias, mesmo sem cultivar ou sequer ocupar essas áreas. Outros tantos (protegidos ou simplesmente endinheirados) puderam comprar enormes glebas de terra do Império a preços favorecidos. enquanto alguns, menos protegidos mas também endinheirados, puderam comprá-las. Assim se formaram os latifúndios – grandes propriedades – que ainda ocupam a maior parte do nosso território. 

Em compensação, nada foi feito para proteger os pequenos produtores que estavam no meio das sesmarias ou nas suas margens, cultivando produtos alimentares ou criando gado. Depois que as terras passaram a ser tornaram-se particulares, a permanência desses agricultores nas terras áreas que cultivavam passou a depender apenas da vontade dos novos proprietários. 

Após a abolição da escravidão (1888), nada foi feito tampouco em favor dos antigos escravos; ao contrário, essa lei funcionou para impedir que os enormes contingentes de escravos libertos pudessem ocupar as terras ainda não exploradas e escapar do trabalho nas grandes plantações de cana ou de café. Essa lei está, portanto, na origem de uma das principais causas da pobreza no país: a concentração da posse da terra e o trabalho precário no meio rural. 

Nos séculos seguintes, poucas iniciativas mudaram de forma significativa esse cenário. Para atrair mão de obra para a produção de café, no final do século XIX, ainda nos últimos anos do Império e nos primeiros da República, o governo organizou alguns programas de colonização em pequenas propriedades, destinadas a receber agricultores imigrantes da Europa ou do Japão. Foi assim que se colonizou boa parte do Estado de São Paulo e dos estados do Sul. Posteriormente, durante a ditadura militar (1964-1985), o governo criou projetos similares no Centro-Oeste e no Norte, dessa vez privilegiando as grandes propriedades para criação de gado.

Aos pequenos produtores, que não eram proprietários e que estavam em terras cobiçadas pelos novos proprietários, restavam poucas alternativas. Submetiam-se às vontades dos grandes proprietários tornando-se assalariados ou pagando alguma forma de renda para poder continuar cultivando as áreas, ou migravam para as cidades, ou ocupavam terras em regiões longínquas, ainda não ocupadas. 

Esse tipo de migração foi responsável pela povoação de boa parte de terras e pela criação de inúmeras comunidades de agricultores ou “ribeirinhos”, como no Vale do Ribeira (sul de São Paulo), onde ainda existem mais de 10.000 famílias de agricultores que ali chegaram ao longo dos séculos, misturando-se aos índios sobreviventes e aos escravos fugidos dos quilombos, formando dezenas de comunidades rurais. 

Sem ter o título de propriedade, apenas a posse das terras, esses agricultores são chamados de “posseiros”. Com o Estatuto da Terra, de 1974, os posseiros passam a ter o direito – teórico  – de legalizar suas posses e obter o título de propriedade pela via jurídica. Na prática, a aplicação dessa lei foi extremamente tímida até meados dos anos 80 e só foi aplicada de forma mais massiva a partir dos anos 2000, com um programa de regularização fundiária do governo federal e de alguns governos estaduais.

A lei de 1850 gerou, também, o fenômeno dos “grileiros”. Para se apossar de terras devolutas (que pertenciam ao estado), ou cujos donos eram ausentes, pessoas de má fé usavam – e ainda usam – títulos da propriedade da terra falsificados e, muitas vezes com a cumplicidade de cartórios e juízes, registram as propriedades em seu nome. Vários são os interesses para a existência dessa prática: especulação imobiliária, venda de recursos naturais do local (principalmente madeira), criação de gado ou plantio de soja ou outras culturas, lavagem de dinheiro e até captação de recursos financeiros. Quando essas terras estão ocupadas por índios, quilombolas ou posseiros, eles usam inclusive a força e a violência para expulsá-los dali, contratando, quando necessário, jagunços (capangas) para "limpar" o terreno de seus ocupantes. 

Essa é uma das principais razões para os conflitos fundiários, que provocaram milhares de mortes no campo e persistem até os dias de hoje, com centenas de mortos todos os anos. Isso consta no Livro Branco da Grilagem, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em 2002.

A grilagem de terra é um crime grave praticado ainda hoje em grande escala no interior do Brasil, principalmente na Amazônia. Os grileiros são também alguns dos principais responsáveis pelo desmatamento das florestas tropicais. 

O termo grilagem vem de um antigo macete de falsificadores de documentos de propriedade de terras. Para dar aspecto de velho aos documentos criados por eles, os falsários deixavam os papéis em gavetas com insetos como o grilo, de modo a deixar os documentos amarelados (devido aos excrementos dos insetos) e roídos, dando-lhes uma aparência antiga e, por consequência, mais verossímil.

Gato é a pessoa que contrata trabalhadores braçais (boias-frias ou volantes) como mão de obra para as fazendas ou projetos agropecuários. 

Sem-terra é o trabalhador organizado em busca de acesso à terra para plantar e para dela viver.

 

Referências:

http://www.klickeducacao.com.br/bcoresp/bcoresp_mostra/0,6674,POR-969-6465,00.html

http://ambiente.hsw.uol.com.br/grilagem.htm

http://multimidia.brasil.gov.br/regularizacaofundiaria/texto-grilagem.html

http://multimidia.brasil.gov.br/regularizacaofundiaria/texto-grilagem.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grileiro

http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Grupo1B/colonizacao.html

http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/meninos-do-contestado/

9
outubro
2014
Exposição Mãos no Barro da Cidade: uma olaria no coração de Pinheiros

Debaixo do asfalto e do concreto da cidade há muitos vestígios de antigamente, que retratam a vida de nossos antepassados. A arqueologia urbana traz à luz diversos objetos que desvendam e contam a história da cidade, às vezes distante, às vezes mais próxima de nós. Quase ninguém sabe, mas São Paulo tem mais de 130 sítios arqueológicos e ainda há muitos por serem abertos. 

Em 2010, devido a uma obra pertinho da ponte da Eusébio Mattoso, sobre o Rio Pinheiros, no bairro de mesmo nome, foram descobertos vestígios de fornos e potes de barro que trazem novas contribuições a respeito da história desse bairro paulistano da Zona Oeste. Mais de 50 mil peças foram coletadas durante as escavações,  além de identificados oito restos de fornos, no que se chamou de Sítio Arqueológico Pinheiros 2.
A Essa antiga olaria foi encontrada quando uma construtora contratou o estudo arqueológico, antes de iniciar as obras de seu empreendimento, localizado entre as ruas Amaro Cavalheiro, Butantã e Paes Leme.
Em função de suas características, os arqueólogos acreditam que as louças encontradas foram produzidas há mais de 200 anos e atendiam tanto ao consumo da cidade como a regiões mais distantes e que a olaria que devem ter produzido pelo menos 10 mil objetos de cerâmica, ao longo de 100 anos. Havia muita argila próxima ao Rio Pinheiros e a então facilidade do transporte fluvial também reforça a ideia de que a produção era escoada para outros lugares.
 
No geral, as peças eram de boa qualidade, com cerâmica branca e regular. Apesar do formato europeu, algumas das leiteiras, frigideiras e potes apresentavam padrões de decoração indígenas e africanos, o que indica que a mão de obra era diversificada – se era escrava ou não ainda não se sabe.
 
“Não sabemos se as louças eram só para consumo local, mas sabemos que havia distribuição. Nada impede que essa olaria tenha produzido potes que chegaram com os bandeirantes no Mato Grosso ou na Amazônia”, diz Paulo Zanettini, proprietário da empresa de arqueologia encarregada do projeto.
 
Disseminando o conhecimento
A divulgação dos resultados das escavações à população será por meio de um programa educativo que conta com a exposição itinerante “Mãos no barro da cidade: uma olaria no coração de Pinheiros”. Simultaneamente, os pesquisadores realizarão oficinas, palestras e rodas de conversa em escolas, ONGs e espaços públicos do bairro.
A exposição utiliza uma tecnologia inovadora, permitindo que os visitantes manipulem réplicas das cerâmicas e brinquem com modelos virtuais 3D. Além disso, será possível ter uma ideia de como era a olaria e a região no passado, a partir de reconstituições gráficas e computadorizadas por meio da chamada Realidade Aumentada, técnica que combina elementos virtuais com o ambiente real.
“Somos arqueólogos e falamos do mundo através das coisas, e nada melhor do que poder pegar os documentos na mão”, diz Zanettini.
 
Em formato itinerante, a mostra circula pelo bairro de Pinheiros durante os meses de setembro e outubro.
Ela está dividida em dois módulos: no primeiro há um ambiente imersivo voltado a apresentar como foi feita a pesquisa.
No segundo são descritas as peças encontradas, técnicas de fabricação e sua utilização, sendo estabelecido um diálogo com os antigos oleiros e oleiras que ali trabalharam.
As peças encontradas são descritas, juntamente com as técnicas de fabricação e sua utilização, mostrando também como eram esses trabalhadores.
É possível, ainda, baixar um aplicativo para conhecer todo o processo e a exposição, além de visualizar a própria exposição no site da Zanettini.

Veja as informações abaixo e bom passeio ao passado!
http://www.zanettiniarqueologia.com.br/olaria-metropole.html
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2014/09/tecnologias-de-ponta-abrem-novas-possibilidades-para-exposicoes-arqueologicas.html
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,arqueologos-acham-vestigio-de-olaria-em-pinheiros,1566866
 

É possível baixar na App Store o aplicativo da exposição
 

18
setembro
2014
Aplicativo que ajuda a economizar água?

Hoje, o nível do sistema Cantareira, que abastece de água a grande São Paulo, atingiu níveis preocupantes pela falta de chuva, mas também de planejamento e obras para tal situação. A população, com isso, passou a ter que se conscientizar do problema e se disciplinar, de forma a economizar água como nunca antes.

Para ajudar o brasileiro a economizar água neste cenário de seca e cuidar melhor desse recurso natural por toda a sua vida, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Instituto Akatu lançam o aplicativo sobre vazamentos, chamado “Nossa Água”. 

Ele foi desenvolvido para orientar as pessoas em relação ao consumo consciente da água, além de oferecer calculadora de banho, dicas para um consumo eficiente e o “O Encanador”, no qual o usuário emenda vazamentos em canos, até que as extremidades estejam ligadas para a água fluir por toda a tubulação - quem conectar o aplicativo ao Facebook poderá ver sua colocação no ranking geral de quem baixou o app e joga o game. Já a calculadora é uma espécie de cronômetro que, além do tempo de banho, vai contando os litros gastos no chuveiro: se uma pessoa demora 40 minutos no chuveiro o seu gasto médio pode chegar a 200 litros, enquanto que um banho de 10 minutos gasta 50 litros de água. O app ainda elogia aqueles que economizam e adverte quando o consumo é maior. “Queremos que o usuário perceba que ao reduzir o tempo de banho ele pode colaborar com o meio ambiente e ainda economizar dinheiro na conta de água”, avalia Fábio Moraes, diretor de educação financeira da Febraban. 


A ferramenta faz parte do programa de educação financeira, o portal meubolsoemdia.com.br, sendo que o aplicativo marca o primeiro de uma série de ferramentas sobre consumo consciente que serão lançadas ainda este ano. “Todos nós temos responsabilidade sobre o meio ambiente, seja no descarte incorreto de um lixo como no consumo exagerado da água. Com o app queremos mostrar que a mudança deve começar no dia a dia, com pequenas atitudes sustentáveis e, principalmente, consumo consciente”, avalia Moraes. 

“Aplicativos como o “Nossa Água” garantem que informações sejam disseminadas de forma lúdica e clara aos consumidores sobre os impactos de suas escolhas de consumo e, por isso, têm alto potencial de promover mudanças de comportamento. O problema do consumo excessivo de água – e o impacto negativo que essa prática tem sobre o orçamento individual, o meio ambiente, a sociedade e a economia – pode se transformar em uma oportunidade para tratar das práticas necessárias para se construir estilos mais sustentáveis de vida”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. 

Há mais três ferramentas que serão lançadas até o final do ano, todas com mecânica parecida, tratando de assuntos essenciais à vida humana: a de energia é a próxima, e será lançada ainda em setembro. Depois virão a de alimentação e a de transporte.
Os quatro aplicativos aliam o caráter educativo de uma parte de dicas com o aspecto financeiro (uma calculadora de gastos) e o do entretenimento, representado por um jogo destinado a atrair a atenção dos mais jovens.
— Vai ser possível ver o gasto de cada um dos eletrodomésticos da casa. Isso é algo que ninguém nunca tinha conseguido ver.

Optar por focar nos jovens não é uma decisão infundada. A crescente influência deles nos gastos familiares pesou na decisão:
— Vemos o jovem como agente de mudança. Há pesquisas que mostram que, na classe média, que é o nosso grande foco, o jovem é o influenciador. Ele, geralmente, tem mais escolaridade que os pais, e acaba se tornando formador de opinião dentro de casa. Focando nele, atingimos o adulto e também o idoso. Entendemos o jovem como nosso parceiro e grande disseminador dessa filosofia que queremos propagar — afirma.
O aplicativo é simples de usar e já está disponível para download gratuito no Google Play/Play Store. No momento, o app está liberado para aparelhos smartphones da versão Android.

veja onde baixar o aplicativo:
https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.soundy.nossaagua

referências
http://www.akatu.org.br/Temas/Agua/Posts/Febraban-e-Instituto-Akatu-lancam-aplicativo-para-ajudar-na-economia-de-agua
http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/febraban-instituto-akatu-lancam-aplicativo-para-estimular-economia-de-agua-13941608

8
setembro
2014
Permacultura? O que é isso?

Resumidamente, é um sistema de planejamento para a criação de ambientes sustentáveis.

Segundo o australiano Bill Mollison, considerado um dos pais da Permacultura,na década de 1970, ela consiste na ‘elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que mantenham a diversidade, a resistência, e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente’

A professora do Colégio Ítaca, Luana Ribeiro, envolvida diretamente com a prática da permacultura, explica: "é a ideia de uma cultura permanente, de buscar alternativas de viver de uma forma mais solidária, que rompa com o sistema que vem desumanizando as relações". 

O seu projeto “Estações Orquídea”, construído em colaboração com os amigos e educadores Eduardo Bonzatto e Leandro Gaffo, foi escolhido para ser apresentado no IX Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, que acontecerá de 17 a 20 de setembro, em Torino, na Itália.

Professora do 5° ano de Ciências, Geografia e Matemática e do 6° ano de Estudos Áfricos, Luana conta que se interessou pela Permacultura em 2006. "Faço parte de um grupo de pessoas, amigos de longa data, que vem discutindo e trabalhando com a Permacultura. Refletimos sobre o quanto a gente precisa para viver. Discutimos as melhores formas de usar a energia que entra nossa vida", diz.

O projeto Estações Orquídea trabalha hoje em instituições com diferentes características organizando oficinas de diálogos e práticas que envolvem as teorias do  educador brasileiro Paulo Freire.

Hoje, as oficinas acontecem em cinco pontos do Brasil: em São Paulo, no Cursinho da Poli; em Carapicuíba (SP), na faculdade Nossa Cidade; em Itapecerica da Serra (SP), na escola pública Bairro do Engenho, em parceria com a Cia Deodara; em Juazeiro do Norte (CE), na Universidade Federal do Cariri; e em Teixeira de Freitas (BA), na Universidade Fedaral do Sul da Bahia. 

Como nos colocamos politicamente e socialmente neste mundo

A Permacultura, diz Luana, busca trazer para o meio urbano práticas tradicionais do meio rural que foram sendo perdidas com o passar do tempo. "Precisamos repensar a sociedade de consumo. Pensar o quanto produzimos de lixo, o quanto compramos por impulso; muitas vezes trabalhamos demais e não temos tempo para pensar na nossa prática, sobre o nosso lugar no mundo", diz.

"Sempre achamos que o problema está no outro e nunca é com a gente. As pessoas falam: eu não sou consumista, não compro um tênis por mês. E aí a gente pergunta: fica no facebook o dia inteiro? Então você é consumista de facebook", afirma. "Depois, mostramos que ninguém está sozinho; há meios de recuperar algumas práticas e formas de convivência social".

Composteira no Ítaca

No Ítaca, Luana tem conversado bastante com a professora Cecília Braga de Arruda, do 7° ano, da disciplina de Sustentabilidade. "A Cecília começou um trabalho de reflexão de descarte dos resíduos, com lixeiras. Agora, a escola já colocou uma composteira aberta, com as folhas secas", diz.

Luana defende que toda a pessoa pode reciclar e reutilizar a energia que produz, em um processo local e global. "Trabalhamos com o conceito de que toda a energia que produzimos em casa pode ficar dentro de casa. Ela não precisa ser tratada em aterros, que custam muito dinheiro público. Um exemplo é produzir adubo; mesmo quem mora em apartamento, pode gerar adubo para o seu prédio, para a praça do bairro. É uma preocupação local e global", ensina.

A professora destaca que o projeto Estações Orquídea, embora esteja dentro do espaço da educação formal, não está dentro do currículo. Seu sonho é incluir a Permacultura na educação formal. "Nosso grande sonho é levar esta reflexão para dentro da educação formal. No nosso dia-a-dia, na nossa prática. Às vezes fica parecendo que é algo separado da realidade, mas não é. A Permacultura é pensar como nos colocamos politicamente e socialmente neste mundo". 

Referências:
http://www.permear.org.br/permacultura/
http://www.ipoema.org.br/ipoema/home/conceitos/permacultura/
http://www.permacultura-bahia.org.br
http://www.ipemabrasil.org.br

http://permacultura.ufsc.br

30
agosto
2014
um novo parque, aqui do lado

No dia 17/08, foi anunciada a criação de um parque, no terreno onde atualmente funciona a Chácara do Jockey, vizinha ao Colégio Ítaca, na Vila Sônia. A área é muito significativa e, só para comparar, supera as dimensões do parque da Aclimação:  são 151 mil metros quadrados, com um lago, baias de cavalos dasativadas e jardins. Na década de 1970, quando o turfe estava em seu auge, o local serviu de apoio a treinos de cavalos e jóqueis. Atualmente abriga uma escolinha de futebol, projeto social (criado em 2005) que será mantido, segundo o prefeito, mesmo com a criação do parque.

Entre 2008 e 2009, o Jockey Clube chegou a fazer, na Prefeitura, pedido de aprovação de um empreendimento imobiliário no local, mas o projeto não era desejado pelos moradores locais e acabou não indo adiante: a municipalidade já vinha sendo pressionada desde a última gestão por um movimento dos moradores da região, com abaixo-assinados, página no Facebook etc., para que esse parque existisse. Sua criação, finalmente, se dará por meio de um acordo entre o Jockey e a Prefeitura de São Paulo, uma vez que o Clube tem uma dívida muito grande de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e ainda deve à Receita Federal. O valor será abatido com a desapropriação.

Aguarda-se que a Justiça estabeleça o valor da desapropriação e o plano é abrir o local para a população até o final do ano.  

Referências:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/07/chacara-do-jockey-vai-virar-parque-em-sao-paulo.html
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/07/1487116-terreno-da-chacara-do-jockey-vai-abrigar-novo-parque-municipal-em-sp.shtml

28
agosto
2014
Um livro sobre plantas medicinais do Acre impresso em papel sintético???????

Fotos do lançamento do livro no Parque Laje, Rio de Janeiro, em 18/07/2014 
Midia Ninja - Creative commons

Pois é! Essa solução servirá para manter o livro Una Isĩ Kayawa por mais tempo, nas condições adversas da floresta:umidade, barro, etc. Foi usado o Vitopaper, material produzido pela empresa Vitopel e originalmente desenvolvido por Sati Manrich, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos, SP (UFSCar), com apoio da Fapesp.

O plástico é proveniente de embalagens e depois é higienizado e moído. Em seguida, são adicionadas algumas partículas minerais para a obtenção de propriedades – como brilho, brancura, contraste, dispersão e absorção de luz – e resistência mecânica à tração e dobras.A mistura é colocada em uma máquina extrusora a altas temperaturas, onde se funde e depois transforma-se em uma folha fina, semelhante a um papel fabricado com celulose, que será cortada.

Segundo o fabricante, para cada tonelada de Vitopaper produzido, são retirados das ruas e lixões 750 quilos de resíduos plásticos, e cerca de 30 árvores deixam de ser derrubadas.

O livro Una Isĩ Kayawa, lançado recentemente em várias cidades do Brasil, propõe-se a preservar o conhecimento sobre plantas medicinais transmitido oralmente há séculos pelos pajés do povo indígena Huni Kuĩ (também conhecidos pelos nomes de “Kaxinawá”), grupo mais numeroso do Acre, que vive à beira do rio Jordão. Sua presença vai até parte do Peru. No Brasil, somam mais de 7 mil indivíduos, divididos em 12 diferentes terras. O “livro da cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias de uma dessas terras indígenas que se estende pelo rio Jordão.

Chamado de “Livro da Cura” e produzido pelo Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IJBRJ) e pela Editora Dantes, ele descreve 109 espécies da terapêutica indígena, em uma tiragem de 3.000 exemplares em papel comum, couchê, e mais 1.000 no papel sintético, destinado exclusivamente às aldeias indígenas.

O projeto foi idealizado pelo pajé Agostinho Manduca Mateus Ĩka Muru, que morreu pouco tempo antes de a obra ser concluída. A pesquisa e a organização das informações levaram dois anos e meio e foram coordenadas pelo botânico Alexandre Quinet, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

“O pajé Ĩka Muru era um cientista da floresta, observador das plantas. Há mais de 20 anos ele vinha reunindo esse conhecimento até então oral, em seus caderninhos. Buscando informações com os mais antigos e transmitindo para os aprendizes de pajé. Ele tinha o sonho de registrar tudo em um livro impresso, como os brancos fazem, e deixar disponível para as gerações futuras”, contou Quinet. O “Livro da Cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias das terras indígenas que se estendem pelo rio Jordão.

Todo o conteúdo do livro, que apresenta não apenas as plantas medicinais, mas também um pouco da cultura do povo Huni Kuĩ, como hábitos alimentares, músicas e concepções sobre doença e espiritualidade, está escrito em “hatxa kuĩ” – a língua falada nas aldeias do rio Jordão – e traduzido para o português.

“O objetivo inicial do pajé Ĩka Muru era criar um material de ensino para aprendizes de pajé, visando a facilitar a localização das plantas nos jardins medicinais. Mas o livro também tem o objetivo de difundir a cultura da tribo  e a importância de sepreservar a floresta de forma ampla. Buscaram o Jardim Botânico para que esse conhecimento pudesse ser universalizado dentro de bases científicas”, disse Quinet.

Referências:
http://agencia.fapesp.br/19667
https://www.facebook.com/UnaIsiKayawa?fref=ts​
http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/jardim-botanico-do-rio-lanca-livro-de-plantas-medicinais-em-tribo-no-acre,1654b87cd9106410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

 

15
agosto
2014
fruta feia pode contribuir para diminuir fome no mundo!

A pera é toda torta. A maçã, pequenininha. O tomate tem mancha. A alface está meio passada. Mas a qualidade é a mesma ou até melhor, porque são fresquinhos, vieram diretamente do agricultor. São apanhados de manhã e vendidos à tarde.  É só uma questão de aparência.
 
Com o lema "Gente Bonita Come Fruta Feia", a cooperativa portuguesa “Fruta Feia”, que já tem apoio da COTEC Portugal (Associação Empresarial para a Inovação) e da Fundação Gulbenkian, pretende criar as bases que permitam diminuir o desperdício de frutas e legumes em Portugal. Em declarações à rádio TSF, sua presidente, Isabel Soares, recordou que toneladas de frutas e hortícolas ficam nos terrenos porque os agricultores nem as apanham, sabendo que não as conseguem vender porque não apresentam boa aparência.
 
Cerca de metade da comida produzida no mundo cada ano vai para o lixo. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o atual desperdício alimentar nos países industrializados ultrapassa 1,3 bilhões de toneladas por ano, suficientes para alimentar as cerca de 925 milhões de pessoas que todos os dias passam fome. 
Pelos dados estatísticos apresentados no ano passado, em Portugal cerca de um milhão de toneladas de alimentos por ano, ou seja 17% do que é produzido, vai para o lixo. 
Na Europa toda, o desperdício de produtos hortofrutícolas próprios para consumo chega aos 30%. 

Esse desperdício tem consequências não apenas éticas, mas também ambientais, já que envolve o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção (como terrenos, energia e água) e a emissão de dióxido de carbono e metano resultante da decomposição dos alimentos que não são consumidos.
 
Os motivos para tal desperdício são vários e ocorrem ao longo de toda a cadeia agroalimentar: condições inadequadas de colheita, armazenamento e transporte, adoção de prazos de validade demasiado apertados e promoções que encorajam os consumidores a comprarem em excesso, entre outros, são algumas das causas que contribuem para o enorme desperdício atual.

Em vista desse panorama, o Parlamento Europeu declarou 2014 como o Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar. A proposta foi apresentada para que sejam tomadas decisões importantes na resolução do problema do desperdício alimentar que existe na Europa. 

Assim como o projeto “Fruta Feia”, há outros, como o “Fruit Moche”, iniciativa francesa do supermercado Intermarché que visam a combater uma ineficiência de mercado, criando um mercado alternativo para frutas e hortaliças “feias” que consigam alterar padrões de consumo. Um mercado que gere valor para os agricultores e consumidores e combata tanto o desperdício alimentar como o gasto desnecessário dos recursos utilizados na sua produção.
 
Essa é uma daquelas ideias simples que, se derem certo, podem ser boas para todo mundo: para o produtor rural, que vende o produto que antes ia para o lixo ou, no máximo, para  a alimentação dos animais; para os consumidores, que fazem uma boa economia, porque compram mais barato e, principalmente, para o meio ambiente, porque há economia de energia, água, espaço.
 
Uma boa ideia, que deveria se espalhar pelo mundo.
 
referências
http://www.frutafeia.pt/projecto
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/12/mercado-de-fruta-feia-oferece-menor-preco-e-reduz-desperdicio-em-lisboa.html
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3414755
http://europedirect.ccdr-alg.pt/site/index.php?name=News&file=article&sid=170#.U-4gc1aZMnU
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-desperdicio-de-comida-imp-,992093
http://envolverdhttp://envolverde.com.br/sociedade/comunicacao/fruta-feia/e.com.br/sociedade/comunicacao/fruta-feia/

26
junho
2014
Conheça o projeto Composta São Paulo, da Prefeitura, e participe!

O lixo é um grande problema nas grandes metrópoles, em todo o mundo. Em São Paulo, mandamos 18 mil toneladas de lixo para os aterros sanitários  diariamente, sendo 10 mil de resíduos domésticos. 

Dos resíduos domésticos, mais da metade (5 mil toneladas diárias) são resíduos orgânicos, que poderiam ser compostados em casa. 
 

O que é um aterro sanitário?

É uma das técnicas mais antigas utilizadas pelo homem para descarte de seus resíduos: o aterramento. Consiste basicamente na compactação dos resíduos no solo, na forma de camadas que são periodicamente cobertas com terra ou outro material inerte. E, mesmo sendo o método sanitário mais simples de destinação final de resíduos sólidos urbanos, exige cuidados especiais para não contaminar o solo e o lençol freático, por exemplo, e técnicas específicas, desde a seleção e preparo da área até sua operação e monitoramento.

Atualmente, os aterros sanitários vêm sendo severamente criticados porque não têm como objetivo o tratamento ou a reciclagem dos materiais presentes no lixo urbano. De fato, são apenas uma forma de armazenamento de lixo no solo, na verdade umaalternativa que não pode ser considerada a mais indicada, até porque os espaços úteis para essa técnica tornam-se cada vez mais escassos. 

Teoricamente, a maioria desses rejeitos também pode ser reciclada, mas não é o que ocorre na prática, pois diversos fatores de ordem técnica e econômica inviabilizam grande parte dos processos, deixando como opção fácil o descarte em aterro. 
 

O que é a compostagem?

A compostagem é um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica (como estrume, folhas, papel e restos de comida)  em um material semelhante ao solo, a que se chama composto e que pode ser utilizado como adubo.

A compostagem doméstica, realizada em pequenas composteiras, reduz os impactos ambientais ocasionados pela presença dos resíduos orgânicos nos aterros sanitários e produz adubo para as plantas na própria cidade. Uma solução prática e aplicável, que está ao nosso alcance, mas que depende da conscientização e da atitude de cada cidadão. 
 

O que é uma composteira?

É uma estrutura própria para o depósito e processamento do material orgânico. Geralmente aquelas feitas para locais pequenos possui proteção de tijolos, que formam as 4 paredes de uma espécie de caixa. Nesse local é colocado o material orgânico, além de folhas secas por cima, para evitar o cheiro ruim. 

Existem também composteiras pequenas, pré-fabricadas, também para uso doméstico (veja links no final desta matéria).
 

Sobre o projeto:

O projeto Composta São Paulo é uma iniciativa da Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo, por meio da AMLURB, realizado pelas concessionárias de limpeza urbana LOGA e ECOURBIS. Trata-se de uma iniciativa-piloto do Programa de Compostagem Doméstica, que é parte do RECICLA SAMPA - uma rede de iniciativas para melhor destinação dos resíduos da cidade. A idealização e a execução são da Morada da Floresta, empresa referência em compostagem doméstica e empresarial: 2mil domicílios de diversos perfis serão selecionados para receber uma composteira doméstica e participar de oficinas de compostagem e plantio. Além de fazer parte de uma comunidade online de troca de conhecimento e experiências, os participantes ajudarão a gerar informações e aprendizados fundamentais para a definição de uma política pública que estimule a prática da compostagem doméstica na cidade de São Paulo.

Acima de tudo, o COMPOSTA SÃO PAULO é para pessoas interessadas em uma cidade e um futuro melhor. Faça parte deste movimento!

 

Conheça o projeto:
http://www.compostasaopaulo.eco.br

Conheça como funciona uma composteira:
http://www.ib.usp.br/coletaseletiva/saudecoletiva/compostagem.htm
http://loja.moradadafloresta.org.br/ecommerce_site/categoria_502_5735_Compostagem-Domestica

Mais referências:
http://www.cetesb.sp.gov.br/mudancas-climaticas/biogas/Aterro%20Sanitário/21-Aterro%20Sanitário
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/aterro_sanitario.htm
http://www.brasilescola.com/biologia/aterro-sanitario.htm
http://www.brasilescola.com/busca/?q=reciclagem&x=-1191&y=-86

28
maio
2014
O projeto Nascentes Verdes Rios Vivos une reflorestamento e educação para conservar a água.

Desde 2006, o IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), ONG com sede na
cidade de Nazaré Paulista (SP), vem realizando o plantio de mudas de árvores
nativas da Mata Atlântica, entre outras ações para a conservação da
biodiversidade e a proteção dos recursos hídricos do Sistema Cantareira de
abastecimento de água. O plantio é parte de um projeto muito amplo,
envolvendo ações de restauração florestal, alternativa de renda, pesquisa
com fauna e educação ambiental. Dentro dessa estratégia maior, visando à
conservação ambiental, foram desenvolvidas ações educativas direcionadas à
população local, envolvendo estudantes da rede pública de ensino, como uma
das estratégias para atingir a comunidade.

A população como um todo também pode ajudar de outro modo. Por exemplo:
contribuindo com R$ 40,00, você estará proporcionando a participação de um
estudante da rede pública de Nazaré Paulista nas atividades do projeto ao
longo de 2014.

Adote um aluno e caminhe com o IPÊ!

Acesse:
http://www.ecodobem.com.br/projetos/nascentesverdesriosvivos

Saiba mais sobre o IPE:
http://www.ipe.org.br

6
maio
2014
Chega de desperdício!
Vamos zerar a fome do mundo?

A campanha Pensar.Comer.Conservar da iniciativa Save Food, é uma parceria do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), da FAO (Food and Agriculture Organization) e da Messe Düsseldorf visando zerar a fome mundial, pela união de ações difundidas global, regional e nacionalmente.  Tal cruzada tem também o objetivo de catalisar mais setores da sociedade para se tornarem conscientes e iniciarem ações a partir da troca de ideias inspiradoras e estudos de caso.

Nesse sentido, o website da campanha é um portal de ideias, notícias e conteúdo, e serve de chamada para que todos passem a tomar uma atitude em relação a esse problema global.

Um estudo recente revelou que cerca de um terço de toda a comida produzida no mundo é perdida ou desperdiçada ao longo do ciclo de produção e consumo. Aproximadamente metade dessa quantidade é resultante de varejo ou de consumidores de regiões industrializadas que descartam alimentos que poderiam ser consumidos. A quantidade total de alimentos desperdiçados é de 300 milhões de toneladas, o suficiente para alimentar um número estimado em 900 milhões de pessoas famintas no mundo todo (FAO).

A “perda” de alimentos refere-se a alimentos rejeitados ou estragados, antes de alcançar o estágio final de seu ciclo. Normalmente acontece nos estágios de produção, colheita, processamento e distribuição da cadeia de abastecimento.
O “desperdício” de comida refere-se àqueles alimentos que completam todo o ciclo da cadeia de abastecimento, são considerados produtos de boa qualidade e adequados para o consumo, mas ainda assim não são consumidos porque são descartados, seja antes ou depois de estragados. 

Do que se trata a campanha contra o desperdício de alimentos?

O desperdício de alimentos é um problema global massivo com implicações negativas em aspectos humanitários, ambientais e financeiros.

Porém, com mudanças simples e fáceis dos nossos hábitos, nós podemos mudar esse paradigma.

Muitas campanhas regionais, por exemplo, vêm sendo lançadas recentemente, reforçando o desafio de se evitar o desperdício de alimentos em nível nacional e em setores-chave que incluem hoteis, restaurantes, supermercados e residências. Surpreendentemente, um terço de toda a comida não-consumida em países em desenvolvimento é desperdiçada em residências.

Por isso, atitudes simples por parte dos consumidores e comerciantes podem reduzir dramaticamente a quantidade atual de 1.3 bilhão de toneladas de comida perdida ou desperdiçada por ano e ajudar a formar um futuro sustentável.

Algumas pessoas pensam que a comida desperdiçada vai parar na terra de qualquer forma, virando adubo, o que seria um bom uso para ela. Mas acontece que nos lixões, não há condições para a compostagem - muito ao contrário — e quando essa comida despejada não encontra condições apropriadas, luz e ar, ela produz gás metano, o que contribui para o aquecimento global. 

Devido à falta de controle de quantidade ou à compra exagerada de alimentos frescos que acabam estragando, estima-se que despejamos um terço de toda a comida que a gente compra toda semana!

Veja as dez dicas para reduzir a sua pegada alimentar e a sua conta de supermercado!

1.Faça compras de maneira inteligente — planeje as refeições, faça listas de compras, evite fazer compras por impulso. 

2.Compre “frutas esquisitas” — em muitos casos, frutas e vegetais são jogados fora porque apresentam tamanho, formato e cor “inadequados”. Comprando essas frutas que, na verdade, muitas vezes estão em perfeitas condições para o consumo, você está utilizando comida que poderia ser perdida.

3.Entenda as datas de vencimento — nem sempre as datas indicadas para venda do produto não indicam a qualidade do mesmo. Em muitos casos, trata-se de sugestões do produtor para a qualidade máxima do produto (“melhor se consumido até”) O importante é o “consuma até”: consuma o produto até a data indicada ou verifique se você pode congelá-lo.

4.Zere a sua geladeira — coma alimentos que já estão na sua geladeira, antes de comprar mais ou preparar algo novo. Siga as recomendações para armazenamento, para manter a melhor qualidade desses alimentos. Alguns websites como o www.lovefoodhatewaste.com (em inglês), podem ajudar a elaborar receitas criativas para aproveitar comida que poderiam estragar em breve.

5.Use o seu congelador — alimentos congelados mantém-se seguros por muito mais tempo. Congele produtos frescos e sobras de refeições, se você sabe que não vai consumi-los antes de estragarem.

6.Peça porções menores — frequentemente, restaurantes oferecem meias-porções por preços menores.

7.Faça compostagem — você pode reduzir o impacto sobre o clima fazendo a compostagem de restos de comida. Compostagem também recicla nutrientes, que são aproveitados pela terra.

8.Tenha regras na sua cozinha — o primeiro produto que for aberto deverá ser consumido até o fim antes de abrir um novo. Tenha controle sobre a sua despensa. Cozinhe e coma primeiro o que você comprou primeiro. Armazene os enlatados mais novos no fundo das prateleiras; mantenha os mais velhos na frente para facilitar o acesso.

9.Aprecie as sobras das refeições — o bife de frango que sobrou do jantar de hoje pode ser aproveitado no sanduíche de amanhã. Seja criativo! No restaurante, leve as sobras para casa para poder comer mais tarde. Congele as sobras se você não quiser comer imediatamente. Poucos de nós levamos as sobras dos restaurantes para casa. Não tenha vergonha de pedir!

10.Faça doações — alimentos não-perecíveis e alimentos perecíveis que ainda apresentam boas condições de consumo podem ser doados para refeitórios locais, por exemplo. Programas locais e nacionais frequentemente vão até a sua casa para buscar o produto e até oferecem de graça recipientes reutilizáveis aos doadores.

 

ACESSE O SITE  para ter informações completas e participar desse movimento!

E saiba mais sobre o assunto:
http://www.un.org/es/zerohunger/#&panel1-1
https://www15.bb.com.br/site/fz/mapa/DocPrefeitos.htm
http://www.coladaweb.com/politica/programa-fome-zero
http://www.un-foodsecurity.org/node/1356
 

 

14
fevereiro
2014
COIOTES NAS CIDADES
Animais selvagens em ambiente urbano

Há um fenômeno novo e significativo, que está sendo largamente estudado pela Ecologia urbana: o aparecimento de coiotes nas cidades norte-americanas.

Ecologia urbana é uma nova área de estudos ambientais que procura entender os sistemas naturais dentro das áreas urbanas, lidando com as interações de plantas, animais e de seres humanos em áreas urbanas considerando as cidades como parte de um ecossistema vivo.

O cientista Stanley Gehrt, professor assistente de meio ambiente e recursos naturais na Universidade Estadual de Ohio, estuda o comportamento de coiotes em Chicago há 6 anos e afirma que os cientistas têm se surpreendido com a capacidade de adaptação e desenvolvimento desse animal em ambiente urbano.

Desde que começaram a estudar esse fenômeno, perceberam que as populações urbanas de coiotes são muito maiores do que o que imaginavam, que eles têm vida mais longa do que seus parentes que vivem em ambientes rurais, que fiem menos facilidade de conseguir comida e estão mais vulneráveis à agressão de predadores maior que eles. Notaram também que os coiotes são mais ativos à noite no ambiente urbano do que no rural. Alguns deles vivem em parques das cidades, enquanto outros habitam entre áreas residenciais, comerciais e parques industriais, alimentando-se principalmente de restos de alimentos humanos e de ração de animais domésticos, mas também de outros animais que habitam as cidades, como os ratos. 

Normalmente animais carnívoros selvagens e humanos não se misturam, mas o fato é que eles têm sido vistos há mais de uma década em cidades como Chicago, Portland, Seattle, e até em New York. Em praças de São Francisco, Califórnia, é muito comum encontrar placas que avisam da presença de coiotes durante a noite. Por enquanto não houve episódios que alarmassem as pessoas, seja por oferecerem riscos aos humanos ou aos animais domésticos, por exemplo (seja por ataques ou doenças), desequilibrando a  ecologia urbana.

"Ao entender como esse animal se adapta às mudanças no ambiente, podemos determinar o que realmente precisamos para focar no que realmente deve ser feito", diz Stephen DeStefano, biólogo da University of Massachusetts, e autor do livro, Coyote At The Kitchen Door (Harvard University Press, 2010).

Bill Hebner, do Departamento de Peixes e Animais Selvagens de Washington, diz que recebe uma dúzia ou mais de ligações por dia de cidadãos preocupados com os avistamentos de coiotes, mas que raramente o comportamento do animal põe em risco de segurança humana. "Educar os moradores ajuda a evitar a presença dos coiotes nas cidades ocorra no futuro”, completa.

Gehrt também alerta: “Os coiotes estão testando os limites urbanos e forçando as pessoas a avaliarem e refletirem sobre qual a tolerância que será imposta. Deveremos deixá-los viver nas cidades?”

 

Referências:

http://www.smithsonianmag.com/science-nature/City-Slinkers.html

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/por_que_os_coiotes_se_mudam_para_a_regiao_urbana_.html

http://researchnews.osu.edu/archive/urbcoyot.htm

http://www.npr.org/blogs/thetwo-way/2012/10/05/162300544/coyotes-in-the-city-could-urban-bears-be-next

http://www.bluechannel24.com/?p=15815

http://www.sciencebuzz.org/blog/urban-coyotes-more-are-choosing-live-life-fast-lane

Revista Scientific American Brasil

14
fevereiro
2014
Insetos conseguem prever tempestades e ventanias

Na Índia e no Japão há um ditado popular que diz: “Formigas carregando ovos barranco acima, é a chuva que se aproxima”. Já no Brasil, outro provérbio afirma que “Quando aumenta a umidade do ar, cupins e formigas saem de suas tocas para acasalar”.

A sabedoria popular já entendia tudo, mas a comprovação de que os insetos preveem mudanças climáticas e indicam isso em seu comportamento é agora resultado de estudo publicado na edição do dia 2 de outubro da revista PLoS One – realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), em Piracicaba (SP), da Universidade de São Paulo (USP), , em parceria com colegas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), e da University of Western Ontario, do Canadá. 

A pesquisa revela , por exemplo, que insetos como o besouro verde e amarelo, conhecido por “brasileirinho”, percebem a queda na pressão atmosférica – que, na maioria dos casos, é um sinal de chuva  – e modificam o comportamento, diminuindo a disposição de procurar um parceiro e acasalar.

“Demonstramos que os insetos, de fato, têm capacidade de detectar mudanças no tempo, por meio da percepção da queda da pressão atmosférica, e de se antecipar e buscar abrigo para se proteger das más condições climáticas, como temporais e ventanias, por exemplo”, disse José Maurício Simões Bento, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq e um dos autores do estudo.

Com essa percepção, os animais estão mais preparados para enfrentar as mudanças repentinas no clima, coisa que deve ser mais frequente em um futuro próximo, com todas as modificações climáticas que vêm ocorrendo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores selecionaram três diferentes espécies de insetos – o besouro “brasileirinho”, o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem –, que pertencem a ordens bem distintas e que variam significativamente em termos de massa corpórea e morfologia.

Como já existiam evidências de que os insetos ajustam seus comportamentos associados a voo e alimentação às mudanças na velocidade dos ventos, os pesquisadores decidiram avaliar o efeito das condições atmosféricas especificamente sobre o comportamento de “namoro” e acasalamento dessas três species, quando sujeitas a mudanças da pressão atmosférica, naturais ou manipuladas experimentalmente 

Para chegar a essa conclusão, os cientistas mantiveram um rígido controle de suas observações, monitorando de hora em hora a pressão atmosférica em Piracicaba. E a escolha das espécies para o experimento, diz Bento, considerou que uma delas -- o besouro -- era mais resistente, e outra -- o pulgão -- mais frágil (a mariposa está num nível intermediário). Como insetos de diferente porte exibiram a habilidade, provavelmente ela se estende por toda a classe de animais.

Os experimentos em condições naturais (sem a manipulação da pressão) e sob condições controladas, em laboratório, revelaram que, ao detectar uma queda brusca na pressão atmosférica, por exemplo, as fêmeas diminuem ou simplesmente deixam de manifestar um comportamento conhecido como “chamamento”, no qual liberam feromônio para atrair machos para o acasalamento.

Os machos, por sua vez, passam a apresentar menor interesse sexual, não respondem aos estímulos das fêmeas e procuram abrigos para se proteger da mudança de tempo capaz de ocorrer nas próximas horas. Passado o mau tempo, os insetos retomam as atividades de cortejo, namoro e acasalamento.

“Esse comportamento de perda momentânea do interesse no acasalamento horas antes de uma tempestade representa uma capacidade adaptativa que, ao mesmo tempo, reduz a probabilidade de lesões e mortes desses animais – uma vez que são organismos diminutos e muito vulneráveis a condições climáticas adversas, como temporais, chuvas pesadas e ventanias – e assegura a reprodução e a perpetuação das espécies”, afirmou Bento.

Referências:

O artigo Weather forecasting by insects: modified sexual behaviour in response to atmospheric pressure changes (doi: 10.1371/journal.pone.0075004), de Bento e outros, que pode ser lido na PLoS One em: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0075004

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/10/1350951-insetos-conseguem-prever-tempestades-e-evitam-sexo-antes-de-tempo-ruim.shtml

http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/insetos-conseguem-prever-tempestades-e-ventanias-revela-estudo-brasileiro,c46eb5892dd71410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://www.cienciaempauta.am.gov.br/2013/10/insetos-conseguem-prever-tempestades/

12
novembro
2013
Pontes para os animais

Gerhard Klesen passou uma década fazendo campanha para a construção de uma ponte, feita somente para os animais, a ser erguida sobre uma estrada da cidade de Schermbeck, município da Alemanha localizado no distrito de Wesel, região administrativa de Düsseldorf. “Barreiras construídas pelo homem, como estradas e canais, restringem o movimento dos animais”, diz Klesen, engenheiro florestal alemão. 

Mas o fenômeno não ocorre somente nessa região. No mundo inteiro, na verdade, centenas de animais são mortos por atropelamento nas estradas. Além disso, grandes vias isolam grupos de animais e dificultam a migração, afetando a diversidade de espécies, limitando a diversidade genética.

Para prevenir acidentes ocorridos no passado, alguns países investem na construção de passagens para os animais , muito similares a uma passarela para travessia de pedestres, em avenidas das grandes cidades.

A primeira ponte para animais foi construída nos anos 50, na França e, desde então, países como Holanda, Suíça, Alemanha, Estados Unidos e Canadá têm investido na infraestrutura para erradicar tais ocorrências. As passarelas podem variar, sendo desde viadutos e pontes, até túneis e outras formas.

O país mais comprometido com a proteção dos animais silvestres nas estradas é a Holanda, com mais de 600 túneis. Chamados também por ambientalistas, como “ecodutos”, o mais longo é o Natuurbrug Zanderij Crailoo. Com 800 metros,  esse ecoduto estende-se sobre uma autoestrada, uma via férrea, um rio e um complexo esportivo.

No Brasil, há muito poucos estudos relacionados a mortes de animais silvestres nas estradas. Um deles foi realizado pela Universidade do Paraná. No monitoramento inicial apresentado ao Ibama, foi relacionado atropelamento de 1.400 animais de 88 espécies no período de um ano entre Campo Grande e Corumbá, num trecho de 410 km; e constatado o atropelamento de 57 espécimes no trecho de 284,2km entre Anastácio e Corumbá em dois meses de monitoramento.

A Alemanha está reafirmando sua imagem ecológica, investindo milhões de euros na construção de pontes para uso exclusivo dos animais. O humano que for pego cruzando essas pontes será obrigado a pagar uma multa de 35 euros.

Mais de cem pontes serão construídas na próxima década. As informações são do The Local (??).

Mas não é uma batalha fácil. “Pontes são muito caras”, diz Klesen. E os animais obviamente necessitam se adaptar à nova realidade: geralmente leva um ano para que comecem a atravessar uma ponte, mas o exemplo de um animal curioso ou corajoso que se aventura a atravessá-la leva os outros a fazerem o mesmo; houve uma, na Alemanha, que levou apenas 3 dias para que o primeiro animal se aventurasse a atravessá-la.

O sucesso da experiência pode ser confirmado por câmeras instaladas ao longo de algumas pontes, que capturaram uma variedade de criaturas, incluindo coelhos, raposas e morcegos, fazendo seu caminho.

 

Referências:

http://www.anda.jor.br/08/10/2013/alemanha-investe-pontes-feitas-animais 

http://www.anda.jor.br/09/11/2013/construiram-pontes-ecologicos-animais-argentina

http://arquiteturasustentavel.org/pontes-vivas-para-a-passagem-de-animais/

http://www.laparola.com.br/as-pontes-verdes-no-mundo

http://www.designtendencia.com.br/blog/natureza-jardim/pontes-naturais-para-animais/

 

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