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9
maio
2017
DELIVERY REVERSO - ajudando a combater a fome

A fome é um problema mundial e de grande gravidade. O pior de tudo é que não é uma questão de produção e sim de distribuição de renda e de comida. Como já divulgamos em matéria de quase 3 anos atrás, cerca de metade da comida produzida no mundo a cada ano vai para o lixo, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

No Brasil, mais de 7,2 milhões de pessoas são afetadas pela fome e 30 milhões são subnutridos. No entanto, a produção nacional de alimentos é mais  do que suficiente para alimentar todos os brasileiros. Quem aponta isso é o professor Danilo Rolim Dias de Aguiar, pesquisador do Departamento de Economia do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 
“A questão fundamental no Brasil não é falta de alimento ou potencial para produção, e sim o acesso. Os dados mostram que a renda acaba sendo o fator mais importante. Essa quantidade de alimento seria o suficiente para todo mundo se fosse igualmente distribuída entre as pessoas”, explica Aguiar.

Como forma de driblar a questão, diversas iniciativas de âmbito público e privado – seja de indivíduos, empresas, ou ONGs – têm aparecido, no sentido de ajudar ao combate da fome mundial.

No Brasil, o Governo Federal lançou em 2015 um programa para aumento da rede de Bancos de Alimentos (veja aqui), espalhados pelo país, que recebem doações de alimentos próprios para o consumo mas que estão fora dos padrões comerciais (frutas “feias”, alimentos perto do prazo de vencimento, etc) ou excedentes de comercialização e produção. Empresas como supermercados, armazéns, lojas varejistas, centrais de distribuição e até mesmo associações de produtores estão entre os doadores. 

No ano passado, em São Paulo, a ONG Banco de Alimentos (criada em 1998 e que atende a mais de 22 mil pessoas ao mês), em parceria com a Agência Grey, criou uma ação que visa a arrecadar alimentos para pessoas que têm fome. 
Trata-se do Delivery Reverso. O sistema funciona da seguinte maneira: um cliente pede uma entrega dos restaurantes participantes, e será consultado sobre o interesse em doar algum alimento que tem em casa. Havendo interesse, a própria ONG vai buscar a comida em domicílio e providencia sua distribuição para entidades beneficentes.

Faça também parte dessa rede. Divulgue e colabore com iniciativas como esta!

Referências
http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/producao-de-alimentos-e-suficiente-para-resolver-a-fome-no-brasil/
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-07/formacao-de-rede-nacional-de-banco-de-alimentos-e-desafio-no-pais
http://thegreenestpost.bol.uol.com.br/delivery-reverso-permite-que-pessoas-doem-alimentos-sem-sair-de-casa/
https://www.facebook.com/reversedelivery/
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2016/07/voluntarios-alimentam-22-mil-pessoas-com-comida-que-iria-para-o-lixo.html
http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/producao-de-alimentos-e-suficiente-para-resolver-a-fome-no-brasil/
http://itaca.com.br/noticias/post/1274

21
fevereiro
2017
Paz e amor?
Foto divulgação
Gerald Holtom com sua criação
Desenhos de Holtom por ocasião da criação do símbolo
site da CND - acesse e conheça mais sobre essa organização - http://www.cnduk.org
foto divulgação

Um dos símbolos mundiais mais conhecidos, que nasceu em campanha contra as armas nucleares e hoje é o símbolo universal da paz, surgiu na Inglaterra, no final dos anos 1950.

Em 1950, políticos britânicos de esquerda uniram-se contra o programa nuclear na Inglaterra, em uma campanha unilateral de desarmamento, criando a Campanha para o Desarmamento Nuclear [Campaign for Nuclear Disarmament (CND)].

 Em 1958, Gerald Holtom (1914 - 1985), designer profissional e artista formado pelo Royal College of Arts, foi convidado a criar uma marca para uma manifestação do Comitê Contra a Guerra Nuclear [Direct Action Committee against Nuclear War (DAC)].  Partindo dos sinais semafóricos* referentes à letra N e D  (de Nuclear Disarmament), ele as fundiu, criando um símbolo único. Apresentou-o em uma reunião, em fevereiro de 1958, e seu símbolo acabou sendo utilizado pela primeira vez na marcha de Páscoa, intitulada Aldermaston march: entre os dias 4 e 7 de abril de 1958, aproximadamente 50 mil pessoas e marcharam por 83 km, de Trafalgar Square, em Londres, ao Atomic Weapons Establishment, em Aldermaston, Berkshire, para demonstrar oposição às armas nucleares. Foram produzidos 500 “pirulitos” de cartão em bastões, com o símbolo criado.

Há quem afirme que esse símbolo já existia em associações clandestinas, anticristãs. Na África do Sul, durante o regime do apartheid houve tentativas de banimento desse emblema, assim como grupos fundamentalistas norte-americanos já o ligaram associações satânicas ou condenaram-no como um símbolo comunista. O presidente da CND na época era o filósofo e matemático Bertrand Russel, conhecido ateu e esquerdista, o que fez com que os conservadores tentassem justificar por esses motivos sua oposição à entidade.

Propositalmente não patenteado ou de uso restrito, o sinal cruzou fronteiras nacionais e culturais, tornando-se o símbolo universal da paz. Popularizado pelo Movimento Hippie dos anos 1970, como símbolo de liberdade, pretendeu-se mesmo que fosse de uso livre para todos. Mas acabou também transformando-se em um símbolo explorado comercialmente, em anúncios e na moda. Quando utilizado para fins comerciais, o CND solicita doações para suas ações e frequentemente tem respostas positivas.

O símbolo continua sendo usado em ações de paz e esperança e tem sido visto em acampamentos de refugiados, protestos contra o câmbio climático e em demonstrações anti-Trident** – projetado e desenvolvido pela Lockheed Martin Space Systems e operado pelas marinhas dos Estados Unidos e do Reino Unido –, uma das maiores campanhas atuais da CND.
 

O alfabeto semafórico é um sistema de comunicação no qual se utiliza a posição dos braços para representar cada letra do alfabeto, incluído no código internacional de sinais da OMI (Organização Marítima Internacional}. Foi inventado pelo francês Claude Chappe, abade, engenheiro e inventor francês nascido em Brûlon, considerado o criador do primeiro sistema prático de telecomunicações, um sistema de transmissão mecânica para longas distâncias, que ele chamou de semáforo (1793). 

** O Trident é um SLBM - Mísseis balísticos lançados de submarino (em inglês: Submarine-launched ballistic missile) 

Referências
https://alchetron.com/Gerald-Holtom-1381326-W
http://www.cnduk.org/about/item/435-the-cnd-symbol
http://www.logodesignlove.com/cnd-symbol
http://peacemuseum.org.uk/cnd-logo-design/
http://www.bbc.com/news/uk-politics-13442735
http://www.cnduk.org/support-cnd/join-cnd
http://www.docspopuli.org/articles/PeaceSymbolArticle.html
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-simbolo-da-paz/
http://acracia.org/bertrand-russell-1872-1970/

8
dezembro
2016
A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 68 anos no dia 10 de dezembro
divulgação
Eleanor Roosevelt exibe cartaz contendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1949).

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

Esse é o primeiro artigo, de um total de 30, que compõe a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948, através da Resolução 217 A (III) da Assembléia Geral, como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. 

A Organização das Nações Unidas (ONU), é uma organização internacional fundada em 24 de outubro de 1945, pouco depois de acabada a Segunda Guerra Mundial, e formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais. O documento de fundação da Organização, conhecido por Carta das Nações Unidas, expressa os ideais e os propósitos dos povos cujos governos se uniram para constituí-la:
“Nós, os povos das Nações Unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que, por duas vezes no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes de direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla.”

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), firmada 3 anos depois,  é a base da luta universal contra a opressão e a discriminação, defende a igualdade e a dignidade das pessoas e reconhece que os direitos humanos e as liberdades fundamentais devem ser aplicados a cada cidadão do planeta. É um compromisso firmado por todos os 193 países-membros da ONU

É o documento mais traduzido do mundo (com traduções para mais de 360 idiomas) e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recentes. Embora não formulada como tratado, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi expressamente elaborada para definir o significado das expressões "liberdades fundamentais" e "direitos humanos", constantes na Carta das Nações Unidas, obrigatória para todos estados membros.

Os direitos humanos são os direitos essenciais a todos os seres humanos, sem que haja discriminação por raça, cor, gênero, idioma, nacionalidade ou por qualquer outro motivo (como religião e opinião política). Eles podem ser civis ou políticos, como o direito à vida, à igualdade perante a lei e à liberdade de expressão. Podem também ser econômicos, sociais e culturais, como o direito ao trabalho e à educação e coletivos, como o direito ao desenvolvimento. 

Leia o texto integral da Declaração Universal dos Direitos Humanos aqui.
 

Referências
https://nacoesunidas.org/conheca/
http://www.un.org/en/universal-declaration-human-rights/
http://www.dudh.org.br/declaracao/
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2009/11/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-garante-igualdade-social=

 


 

12
setembro
2016
CONSUMO ALTERNATIVO
Mundaréu, a primeira loja de comercio justo de São Paulo, que funcionou na Vila Madalena - http://bit.ly/2czJu9l
ponto de Economia Solidária e Cultura, no Butantã, a ser apresentado no dia 17 de setembro

As últimas décadas estão marcadas por um aumento do consumo de bens e de gasto energético pelas populações mais abastadas, gerando um grande volume de descarte e importante impacto ambiental.  

Como reação a essa situação, surgem propostas de comportamento social inovadoras no que tange ao relacionamento social e ao consumo.
Nesse contexto, além dos movimentos de Comércio Justo (quando o produto consumido vem com certificação de que não provém de exploração dos produtores), do compartilhamento de espaços de trabalho (co-working) e do crescente consumo de objetos de segunda mão, novas maneiras de pensar o consumo têm sido apresentadas. 

As desigualdades sociais sempre tão patentes, escancarando a falta de oportunidade para quem não tem dinheiro, também acabam por motivar novas formas de pensar e interagir: um “banco de tempo”, por exemplo, em que cada um oferece seu tempo, especificando sua especialidade profissional e podendo por sua vez dispor do tempo dos outros, estabelece uma relação de troca, na qual o tempo é a moeda de câmbio, acessível a todos, sejam engenheiros, designers, dentistas, ou cozinheiros, pedreiros, donas de casa que fazem tricô. E esta é apenas uma das novas ideias e iniciativas.

Há também locais de troca, ou seja, lojas sem dinheiro, onde as coisas são doadas; entre outras ações de inovação social.

Veja o vídeo abaixo e leia a matéria

Share, a biblioteca de coisas
Uma nova experiência, muito interessante, é a Share (que significa “compartilhar”), a biblioteca de coisas. Criada por um grupo de jovens ingleses, da cidade de Frome, é uma loja diferente, que funciona como uma biblioteca, sem ser composta de livros.  São em torno de 600 itens como ferramentas, churrasqueira, vasilhas, etc... que podem ser emprestados.
Para fazer parte desse grupo e começar a usufruir desses empréstimos, a pessoa tem que se tornar um membro e pagar uma contribuição, uma vez que há custos de manutenção do local, aluguel, pessoal, etc.
O período de empréstimo é de uma semana e pede-se uma doação, entre, £1 (aproximadamente R$ 4,30) e £5 por empréstimo, para que o empreendimento possa continuar.
Assim que acabarem de utilizar o item emprestado, mesmo ainda estando dentro do prazo de uma semana, os membros devem devolver o item, para que ele não fique ocioso e esteja à disposição de outros interessados
Para se tornar um membro, é necessário apenas preencher um formulário e fornecer 2 cópias de algum documento, que contenha nome e endereço. Não existem taxas fixas de admissão e empréstimo, mas pedem-se doações mensais ou anuais, sugerindo valores.  As doações são cruciais para manter o projeto vivo.  Essa comunidade acredita na generosidade dos usuários.
Para doar um item à Share a comunidade agradece doações de itens úteis e em boas condições, funcionando.  Além disso, não se aceitam máquinas que dependam de consumo de gasolina.
Para doar tempo à Share: além de estimular as doações de itens, os membros da Share encorajam as pessoas a trabalharem como voluntários na loja, como forma de garantir a longevidade do projeto..
Produtos encontrados na Share: há vários produtos para empréstimo, como instrumentos musicais, pés de pato, brinquedos, caixas de som, videogames, patins, barracas para acampamento, mesa de massagem, colchões para ioga e ginástica, carrinhos de bebê e, principalmente, muitas ferramentas como serras, furadeiras, lixadeiras, etc.(Veja lista aqui)
Compartilhando consertos: todos os sábados, das 10h30 às 12h30, dois especialistas ficam à disposição na Share, para consertos variados.  Quem quiser ter seu objeto reparado deve se informar da data em que o especialista correspondente (eletricista, marceneiro, etc) estará de plantão.

Além dessa iniciativa, outras experiências de consumo alternativo (ou consumo responsável ou solidário) estão surgindo há algum tempo, principalmente na Europa.  

 

Consumo alternativo no Brasil
No Brasil, o Comércio Justo ainda não é muito difundido, mas tem alguma expressão, inclusive na venda de alimentos orgânicos. É o caso do Instituto Chão, na Vila Madalena, São Paulo.

A Economia Solidária (sistema de autogestão onde todos os que trabalham são donos do empreendimento e todos os que são donos trabalham no empreendimento) é contemplada pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), em consonância com o Plano Nacional de Economia Solidária (vinculado ao Ministério do Trabalho). 
O Plano visa apoiar e fortalecer 20 mil empreendimentos econômicos, oferecendo condições de produção, comercialização e consumo, que respeitem parâmetros sustentáveis e solidários e promover a formação de 200 mil pessoas nos próximos cinco anos. 

Estes assuntos serão objeto de outros posts, aqui no site do Ítaca.
Acompanhe!

Referências:
http://muhimu.es/inspiracional/las-tiendas-sin-dinero/#
https://sharefrome.org
http://www.acteursduparisdurable.fr
http://laboutiquesansargent.org
http://facesdobrasil.org.br/comercio-justo-no-brasil/acesso-a-mercado
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/06/lancado-1-plano-nacional-de-economia-solidaria
http://www.economiaviva.com.br/?q=node/163
https://catracalivre.com.br/geral/empreendedorismo/indicacao/comercio-honesto-vende-produtos-organicos-pelo-preco-do-produtor/

21
julho
2016
Transformando o Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável
os 5 Ps da agenda que vigora até 2030
A nova agenda acordada pelos países da ONU
Os 8 objetivos do milênio, acordados em 2.000, agenda para vigorar até 2015

Em 2000, 119 países integrantes da ONU (Organização das Nações Unidas) assinaram um documento que consolidou várias metas estabelecidas nas conferências mundiais ocorridas ao longo de anos 90.  Os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – que deviam ser adotados pelos estados-membros das Nações Unidas, com a meta de alcançá-los até 2015, focavam em 8 questões:
1. Erradicar a extrema pobreza e a fome
2. Atingir o ensino básico universal
3. Igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
4. Reduzir a mortalidade na infância
5. Melhorar a saúde materna
6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
7. Garantir a sustentabilidade ambiental
8. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

Construídas sobre o legado dos ODM e concluindo que estes não foram alcançados, a ONU estabeleceu agora uma agenda universal com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas. Concluídas em agosto de 2015, as negociações culminaram na adoção, em setembro, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por ocasião da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Processo iniciado em 2013, seguindo mandato emanado da Conferência Rio+20, os ODS deverão orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos, sucedendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Brasil participou de todas as sessões da negociação intergovernamental. 

Os objetivos buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres. São integrados e indivisível e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
Estimularão a ação para os próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta:

Pessoas
Acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável.

Planeta
Proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras.

Prosperidade
Assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza.

Paz
Promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável.

Parceria
Mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países, todas as partes interessadas e todas as pessoas.

Os 17 itens objetivos são:
1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos
7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos
8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos
9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos
14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável
15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade
16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis
17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

Para conhecer mais sobre o assunto, acesse o documento final da agenda pós-2015 ou acesse no formato PDF em português.

Para esclarecer e amplificar a ação de alcance das metas, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento) elaborou uma cartilha que pode ser acessada aqui: http://www.pnud.org.br/Docs/FAQ.pdf


Referências
http://itaca.com.br/noticias/post/1128
http://www.pnud.org.br/ODS.aspx
http://www.objetivosdomilenio.org.br
https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

1
maio
2016
Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador?

No Brasil e em vários países do mundo, o 1º de maio é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios. Mas como isso começou?
 
Nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos, no final do século XVIII e durante o século XIX, salários baixos associados a jornadas de trabalho de até 17 horas eram comuns. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos. 
 
Com essas primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. No dia 1º de maio de de 1886, na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos), milhares de trabalhadores organizados foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas e exigir a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.
 
No mesmo dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e, até mesmo, mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. 
 
Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes, fato que gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. 
Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. 
 
Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para, assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional.
 
Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que essa data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes.
Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas (1930-1945), as principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nessa data. Atualmente, inúmeros países adotam o dia 1° de maio como o Dia do Trabalho, sendo considerado feriado em muitos deles, mas curiosamente não nos EUA, país onde sucederam os acontecimentos que o inspiraram.
 
Como é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história, muitos alegam que não deveria chamar-se Dia do Trabalho e sim Dia do Trabalhador.
 
 
Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:
 Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo, que deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer)
Em 1º de maio de 1941, foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas especificamente às relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.
 


 Referências:

http://www.vermelho.org.br/1demaio/noticia.php?id_noticia=152845&id_secao=292
http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_do_trabalho.htm
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-do-trabalho.htm
 

 

Bibliografia indicada:

• Os sentidos do trabalho
Autor: Antunes, Ricardo
Editora: Boitempo

• Da divisão do trabalho social
Autor: Durkheim, Émile
Editora: WMF Martins Fontes

7
março
2016
Há controvérsias sobre a origem da data
Enterro coletivo de vítimas do incêndio na fábrica norte americana
Manifestante sufragista (a favor do voto das mulheres) nos EUA
Passeata dos cem mil. As mulheres tiveram um papel importante no combate à ditadura
Desenho de Raul Pederneiras de 1914 retrata o movimento sufragista, por meio do qual as mulheres brasileiras reivindicavam o direito de votar
Protesto em NY

A distribuição de bombons e flores em comemoração ao Dia da Mulher pode ofender muitas mulheres. Afinal, o 8 de março seria o resultado de uma luta por melhores condições de trabalho. 

Em 1911, ocorreu um episódio conhecido como a consagração do Dia da Mulher: em 25 de março, um incêndio teve início na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. A fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos de tecido, de forma que o incêndio se alastrou rapidamente. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores conseguiu escapar, mas 146 morreram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas. Mais de 100 mil pessoas participaram do funeral coletivo. 

Esse foi mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

Na época, nos países desenvolvidos, as fábricas estavam cheias de homens, mulheres e crianças e o movimento operário reagia à exploração desenfreada organizando protestos pelo fim do emprego infantil e por melhoria de remuneração. A igualdade de gênero, porém, nunca era uma reivindicação, apesar de as mulheres não receberem o mesmo salário que os homens e sua renda ser vista como complementar à do marido ou pai. É nesse contexto de manifestação sindical e feminista que surge o Dia Internacional da Mulher. Os Estados Unidos também foram um dos palcos dessa luta, desde meados do século XIX, quando os operários organizavam greves para pressionar os proprietários das indústrias, principalmente as têxteis. 

O primeiro Dia da Mulher comemorado nos EUA foi em 3 de maio de 1908, quando “1.500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade econômica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras” (jornal The Socialist Woman). No ano seguinte, a data foi oficializada pelo partido socialista e comemorada em 28 de fevereiro. 

De fato, o Dia Internacional da Mulher já havia sido proposto em 1910, um ano antes do incêndio, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca. Clara Zetkin, militante e intelectual alemã, apresentou uma resolução para que se criasse uma “jornada especial, uma comemoração anual de mulheres”. A inspiração nas trabalhadoras do outro lado do Atlântico é explícita: para Clara, elas deveriam “seguir o exemplo das companheiras americanas”.

ORIGEM REVOLUCIONÁRIA 

Sem data definida, mobilizações anuais pelos direitos das mulheres prosseguiram em meses distintos, em diversos países. Em 8 de março de 1917, uma ação política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam na revolução de fevereiro. O líder Leon Trotsky registrou assim esse evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este 'dia das mulheres' viria a inaugurar a revolução”. 

Com as duas guerras mundiais que se seguiram, o Dia da Mulher ficou em segundo plano. Foi apenas na década de 60 que o movimento feminista retomou com força as comemorações, em meio a leituras de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e à fogueira de sutiãs nos Estados Unidos. 

A LUTA NOS TRÓPICOS 

No Brasil, nesse mesmo período, a direita e a esquerda viviam tensões no cenário político e manifestações como a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, com propostas absolutamente opostas às das feministas, que pregavam a legalização do aborto: a Marcha precipitaria o golpe militar de 1964 e dificultou a ascensão das organizações de mulheres. 

Mas o Brasil também tinha uma história de luta das mulheres similar à européia e à americana. No início do século XX, as mulheres e crianças constituíam quase 75% dos operários têxteis. Além de péssimas condições de higiene e longas jornadas de trabalho, elas sofriam com o assédio constante de seus patrões e também tentavam se organizar. Em 1906, o jornal anarquista A Terra Livre divulgou um texto de três costureiras que criticavam a não-adesão da categoria à greve operária: “Companheiras! É necessário que nos recusemos a trabalhar também de noite porque isso é vergonhoso e desumano. Como se pode ler um livro quando se vai para o trabalho às 7 da manhã e se volta para casa às 11 da noite?”, dizia. Essas passagens, ligadas principalmente às anarquistas, ainda são pouco conhecidas em nossa trajetória. A vertente que ganhou mais notoriedade no feminismo brasileiro foi a das sufragistas, que lutaram pelo direito a voto. Fundadoras do Partido Republicano Feminino, essas mulheres da elite nacional conseguiram sua reivindicação na Constituição de 1932, promulgada por Getúlio Vargas.

Resultado de todo esse processo, em 1975 comemorou-se o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, a ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Fruto de décadas de batalhas e séculos de opressão, a data que lembra a necessária igualdade entre homens e mulheres foi mundialmente – e finalmente – assegurada.

Referências
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_imprimir.html
http://www.brasildefato.com.br/node/34242
http://www.cfemea.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1375:a-mulher-e-o-direito-constitucional-direitos-e-garantias-fundamentais&catid=148:direito-constitucional&Itemid=127

 

16
dezembro
2015
Resultados da COP 21

Na cerimônia final da conferência, como é de praxe, o presidente da COP21, Laurent Fabius, convidou organizações da sociedade civil para fazer seus pronunciamentos oficiais.  Um deles foi feito por Raquel Rosenberg, da ONG Engajamundo, representando o Youngo – Youth Climate Movement, que reúne organizações de jovens interessados nos debates sobre mudanças climáticas, no mundo todo.
Ao final do discurso, ela levanta e agita o ambiente, sem levar em conta a formalidade que cerca uma cerimônia como essa. Entusiasmada, animada, confiante, alegre. 

A plenária da COP 21, a Cúpula do Clima de Paris, aprovou no sábado, 12/12/2015, o primeiro acordo de extensão global para frear as emissões de gases do efeito estufa e para lidar com os impactos da mudança climática.

No encerramento, o presidente francês François Hollande, reconhecendo que o resultado não é perfeito para todos, pronunciou-se, conclamando os delegados a julgarem o conjunto do acordo a que se chegou: “A França lhes pede, a França os convoca a adotar o primeiro acordo universal sobre o clima. A história chegou. A história está aí (…) Viva o planeta, viva a humanidade, viva a vida”.

O ponto principal do acordo é a determinação de que seus 195 países signatários ajam para que temperatura média do planeta sofra uma elevação "muito abaixo de 2°C", mas "reunindo esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C".

Aprovado por aclamação
A plenária foi convocada após quase seis horas depois de o texto ser divulgado como proposta, e o texto foi aprovado por aclamação, uma vez que ninguém fez objeções.

É a primeira vez que se atinge um consenso global em um acordo no qual todos os países reconhecem que as emissões de gases do efeito estufa precisam ser desaceleradas e, em algum momento, comecem a cair.

O acordo deve tomar uma forma legal a partir de 22 de abril de 2016, quando estará aberto para assinatura, na sede da ONU em Nova York. 

Financiamento
Também está incluído o compromisso de países ricos de garantirem um financiamento de, ao menos, US$ 100 bilhões por ano para combater a mudança climática em nações desenvolvidas, a partir de 2020 e até ao menos 2025, quando o valor deve ser rediscutido.

O acordo também inclui um mecanismo para revisão periódica das promessas nacionais dos países, para rever suas metas de desacelerar as emissões do efeito estufa, que não atingem hoje nem metade da ambição necessária para evitar o aquecimento de 2°C.

Tanto o financiamento quanto a ambição terão de ser revistos de cinco em cinco anos. A primeira reunião para reavaliar o grau de ambição dos cortes é prevista para 2023, mas em 2018 deve ocorrer um encontro que vai debatê-las antecipadamente.

A medida é importante, porque as atuais promessas de redução de emissões, conhecidas como INDCs (Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas), ainda não são suficientes para barrar o aquecimento em 2°C.

No novo acordo, as INDCs perderam o “I” (de intended, ou pretendidas), porque agora não devem mais ser uma intenção, e sim um compromisso.

Outro ponto crucial foi o estabelecimento de um mecanismo de compensação por perdas e danos causados por consequências da mudança climática que já são evitáveis. Muitos países pobres e nações-ilhas cobravam um artigo especial no tratado para isso, e foram atendidos.

Resumindo:
PRINCIPAIS PONTOS Do ACORDO APROVADO

• Países devem trabalhar para que aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC
• Países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões por ano - "Países desenvolvidos que são parte do acordo devem fornecer recursos financeiros para auxiliar países em desenvolvimento com relação à mitigação e adaptação", diz texto do acordo. "Outras partes são encorajadas a prover e continuar a prover tal suporte voluntariamente."
• Não há menção à porcentagem de corte de emissão de gases-estufa necessária
• Texto não determina quando emissões precisam parar de subir
• Acordo deve ser revisto a cada 5 anos

Referências
http://conexaoplaneta.com.br/blog/a-brasileira-raquel-rosenberg-fala-pelos-jovens-na-cop21-critica-acordo-e-diz-que-um-novo-mundo-e-possivel/
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/12/1718310-franca-apresenta-proposta-para-cop21-selar-acordo.shtml
http://www.solutionscop21.org/en/
http://www.akatu.org.br/Temas/Mudancas-Climaticas/Posts/COP-21-Sociedade-civil-forte-e-integrada-e-uma-visao-realista-da-esperanca
http://www.socioambiental.org/pt-br/cop-21
http://www.observatoriodoclima.eco.br/cop21-tem-acordo-pelo-clima/

4
dezembro
2015
3º ‘Festival de Direitos Humanos’ tem programação extensa e gratuita

Entre os dias 6 e 13 de dezembro, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo realiza o 3º Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas, que conta com mais de 40 atrações entre shows, teatro, exibições de filmes, rodas de conversas, oficinas e intervenções urbanas. 

Celebrando o Dia Internacional dos Direitos Humanos, dia 10/12, e promovendo novas formas de ocupação do espaço público, música, oficinas, exposições e debates, além de prêmios, lançamentos, prestação de serviços e intervenções urbanas, que promovem novas formas de ocupação do espaço público.
Nos oito dias de programação, a população que vive em São Paulo é convidada a dialogar sobre participação social, cidadania, educação, juventude, violência, imigração, memória e outros temas importantes para a promoção de uma cidade mais humana, democrática e diversa. 

A abertura oficial do 3º Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas acontece no dia 06 de dezembro, às 15h, no Minhocão, com uma inédita partida de futebol entre refugiados e pessoas em situação de rua, seguida pela discotecagem dos DJs DanDan (Criolo/Rinha dos MCs), Marco (Céu/Sintonia) e Nyack (Emicida), finalizando com a estreia do filme “Aconteceu Bem Aqui”, do diretor Camilo Tavares, que retrata, em cinco curtas, lugares da cidade de São Paulo simbólicos na luta pela preservação da democracia e dos direitos humanos.
No dia 10 de dezembro, Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, haverá a entrega do 3º Prêmio Municipal de Educação em Direitos Humanos para escolas, alunos e professores da rede pública municipal e do Prêmio de Direitos Humanos D. Paulo Evaristo Arns, que este ano será concedido à deputada federal Luiza Erundina. O prêmio de Educação em Direitos Humanos seleciona projetos que incentivam e fortalecem iniciativas valiosas de afirmação da cultura de direitos humanos dentro das escolas municipais, enquanto o Prêmio Dom Paulo Evaristo Arns homenageia uma personalidade brasileira reconhecida pela promoção e defesa dos direitos humanos.

No encerramento da programação, dia 13, a partir das 17h, haverá o show “Cidadania nas Ruas” recebe Criolo, Ney Matogrosso, Elza Soares, Mano Brown, Pitty e Ava Rocha para apresentação na área externa do Auditório do Ibirapuera.

Veja a programação completa:
http://festivaldireitoshumanos.prefeitura.sp.gov.br


Referências:
http://festivaldireitoshumanos.prefeitura.sp.gov.br/na-midia/
http://www.elguialatino.com.br/site/2015/11/o-3o-festival-de-direitos-humanos-esta-nas-ruas-de-06-a-13-de-dezembro-com-entrada-gratuita/
https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/3o-festival-de-direitos-humanos-tem-programacao-extensa-e-gratuita/

22
junho
2015
Um lixo é um lixo é um lixo…

Texto de Maurício Costa Carvalho (Geografia EM) e Mercedes Ferreira (Direção EM) publicado no blog do Estadão 


- Mas tem tanto, que não é o meu que vai fazer diferença…
- Ué, vem falar comigo? E essas indústrias e lojas e clubes, por exemplo?

Essa é a distorcida dimensão que se tem, na maioria das vezes, a respeito do real significado de cada lixo individual diário que produzimos e de como se compõe o todo: não associamos de verdade aquele saquinho de aparência mais inócua às montanhas que se formam nos aterros e nos lixões, que poluem as águas, que entopem as cidades. Sequer percebemos que, guardadas as justas proporções, estamos enfileirados com as tais indústrias e lojas e clubes e tudo o mais. E a triste paráfrase  do verso de Gertrude Stein, no título acima, torna-se o inevitável retrato da situação.
Nesse contexto, todas as iniciativas que cutuquem, incomodem, alertem, eduquem, conscientizem são  sempre bem-vindas. Por isso, antes de tudo, é fundamental prestigiar, valorizar, tornar possível a existência (e a resistência) de pessoas ou entidades e instituições sérias que se propõem a essas tarefas. Elas só existem e sobrevivem se houver interlocutores, pra começo de conversa; assim, por exemplo, ir a um local para ver e ouvir e discutir e trocar reflexões sobre o assunto já é o primeiro movimento politizado, primeira atitude que abrange o individual e o coletivo. E daí, espera-se, surgirão bons frutos de todos os matizes.
E foi exatamente pensando assim, que, no último dia 2 de junho, estudantes do Ensino Médio do Ítaca estiveram na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, assistindo a Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?, a convite da Ecofalante, entidade que promove discussões e reflexões sobre o meio ambiente, a partir de filmes e documentários. Produzido e narrado pelo ator Jeremy Irons,  Trashed (2o12),  mostra imagens contundentes de como o descarte inadequado de resíduos sólidos pode oferecer grandes riscos à saúde humana e ao planeta, analisando as soluções que hoje existem para a questão. Depois da exibição, os estudantes e professores tiveram a oportunidade de conversar com especialistas da instituição e consultores para sustentabilidade, discutindo, inclusive, qual o papel de cada um de nós diante de tal problema, não só como consumidores, produtores de lixo e até recicladores, mas também como divulgadores das questões ali discutidas. Esse evento foi parte da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que promoveu nas bibliotecas São Paulo e Villa-Lobos, entre outros locais, uma programação especial, durante a Semana do Meio Ambiente.
As ações cotidianas necessárias à promoção de uma vida ambientalmente sustentável, aliadas à consciência de que é necessário também um fazer político com vistas a soluções eficazes, levam a responsabilidade de cada um para o futuro, além de já serem necessárias no presente. Como muito do trabalho que se faz na escola, os resultados devem ser pensados também a médio e longo prazo, com os adultos que logo logo esses alunos serão.

20
abril
2015
O Joaquim que tornou-se mártir
postado sob história, política

Joaquim José da Silva Xavier, chamado de Tiradentes, nasceu na Fazenda do Pombal, entre São José (hoje Tiradentes) e São João Del Rei em Minas Gerais, em novembro de 1746.

Ele ficou órfão muito cedo: perdeu a mãe aos nove anos de idade e o pai aos onze anos e foi criado na cidade de Vila Rica, atual Ouro Preto, pelo seu padrinho.

Exerceu diversos trabalhos, como minerador e tropeiro. Também foi alferes, fazendo parte do regimento militar dos Dragões de Minas Gerais. Ganhou o apelido de Tiradentes por ser dentista, mas ficou mais conhecido como soldado, integrante do movimento da Inconfidência Mineira.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, participou da chamada Inconfidência Mineira, movimento que durou vários anos do final do século XVIII, e que buscava a libertação do Brasil da monarquia portuguesa.

A região da cidade de Vila Rica e entorno era muito rica devido à mineração, à extração de ouro e pedras preciosas. Os portugueses se apossavam dessas matérias-primas e as comercializavam pelos países europeus, fazendo fortuna às custas da exploração das riquezas do Brasil.
Além disso, a corte portuguesa cobrava altíssimos impostos da população brasileira, que estava farta dessas imposições. Nesse contexto articulou-se o movimento chamado Inconfidência Mineira, que também tinha integrantes com espírito abolicionista (combatendo a escravidão), além de pregar a independência do Brasil.
Seus principais objetivos eram: buscar a autonomia da província, estabelecer um governo republicano (com mandato de Tomás Antônio Gonzaga), tornar São João Del Rei a capital, conseguir a libertação dos escravos nascidos no Brasil, dar início à implantação da primeira universidade da região, dentre outros.

Tiradentes era um excelente comunicador e orador o que colaborou para que fosse um líder na Inconfidência Mineira. 
Durante o movimento, as notícias de que os inconfidentes tentariam derrubar o governo de Portugal chegaram aos ouvidos do imperador, que decretou a prisão deles. 
Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública. Outros foram perdoados pela rainha dona Maria I e expulsos para a África.
Tiradentes, entre aqueles que se rebelaram contra o domínio português, era o de classe mais baixa e, dizem, o único que havia feito propaganda aberta do movimento. Foi condenado à forca e o governo fez questão de mostrar em praça pública o seu sofrimento, dando exemplo e inibindo a população que ousasse se colocar contra a coroa portuguesa. 
Seu ofício de dentista (um trabalho braçal, malvisto na época) também pode ter pesado na decisão. Tiradentes foi enforcado há 223 anos, em 21 de abril de 1792. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.
Sua cabeça foi cortada e levada para a cidade de Vila Rica. O corpo, esquartejado, foi espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. “Era o exemplo que ficava para aqueles que pensassem em questionar o poder de Portugal”, diz o professor de história Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos.

referências
http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/tiradentes.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-tiradentes-foi-o-unico-inconfidente-enforcado
http://www.suapesquisa.com/tiradentes/

6
abril
2015
Internet de graça nas ruas de São Paulo
postado sob cidadania, política
imagem: reprodução do site www.hypeness.com.br
os locais que disponibilizam wi-fi devem ser sinalizados.

A cidade de São Paulo já tem 119 praças/parques que possuem o sinal WiFi Livre e mais uma em instalação (na Praça Julio César de Campos, na zona sul), que oferecem internet sem fio e gratuita aos munícipes. A rede é aberta, não é necessário cadastro ou senha.

O Largo da Batata, na Zona Oeste, é um deles e  possui capacidade para 125 conexões simultâneas com navegação a 512 Kbps. Uma reportagem do portal R7 visitou alguns desses pontos, em junho de 2014, e constatou que o sinal da internet tem bom alcance e velocidades compatíveis com as prometidas pela Prefeitura. No Pátio do Colégio e na Praça Benedito Calixto, ambos no centro da cidade, a velocidade chega a 718,8 kbit/s efetivos – o suficiente para acessar redes sociais, aplicativos de localização e até mesmo assistir vídeos por streaming.

A Subprefeitura Pinheiros já conta com suas quatro praças com WiFi em pleno funcionamento, são elas: Praça do Pôr-dô-sol (Alto de Pinheiros), Praça Arlindo Rossi (Itaim Bibi), Praça Benedito Calixto (Jardim Paulista) e o Largo da Batata (Pinheiros).

 

Regiões da cidade beneficiadas
Com a proposta de levar internet livre e de qualidade para todas as regiões da capital, o projeto pretende instalar ao menos uma praça/parque com WiFi Livre em cada um dos 96 distritos paulistanos.
A região central tem 23 locais em funcionamento; a zona leste, que detém o maior número de praças e parques, tem 36; a zona norte, 18; a zona oeste tem 15 e a zona sul 27.
Acesse http://wifilivre.sp.gov.br/index.php?status=2 para conferir a lista completa das praças.

Velocidade e neutralidade de rede
A velocidade oferecida é de 512 Kbps por usuário, suficiente para assistir vídeos, acessar emails e redes sociais. Os usuários podem conferir a situação da rede pelo site http://wifilivre.sp.gov.br/index.php , é só clicar na praça desejada e visualizar o Sistema de Medição de Tráfego de Internet (Simet).

Qualquer pessoa pode acessar a rede com qualquer aparelho compatível com a tecnologia WiFi (celulares, tablets, notebooks) e que seja homologado pela Anatel.  Não há nenhuma restrição de conteúdo e todos os dados permanecerão protegidos.

Referências
http://wifilivre.sp.gov.br/index.php?status=1
http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/saiba-como-aproveitar-os-pontos-de-wi-fi-gratis-em-sao-paulo-09062014

http://www1.folha.uol.com.br/tec/2014/06/1477730-prefeitura-de-sao-paulo-instala-wi-fi-publico-na-cidade-veja-testes-e-mapa.shtml
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI340771-17770,00-POR+ENQUANTO+WIFI+LIVRE+EM+PRACA+E+INSTAVEL+E+TEM+ALCANCE+BAIXO.html

 

 

 

 

6
março
2015
Porque um dia para as mulheres?

O Dia Internacional da Mulher aparece no início do sec XX, como decorrência da e turbulência social e expansão industrial, crescimento populacional e advento de radicalismos ideológicos. 

1908
a opressão social e desigualdade levou as mulheres a debaterem e questionarem sua condição e assumirem papéis ativos de transformação. Em 1908, 15.000 mulheres protestaram em Nova Iorque reivindicando redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto.

1909
O Partido Socialista norte americano cria o primeiro Dia Nacional da Mulher, em 28 de fevereiro. As mulheres norte americanas continuam celebrando o Dia Nacional, até 1913, no último domingo de fevereiro. 

1910
A Segunda Conferência Internacional das Mulheres Trabalhadoras acontece em Copenhagen, Dinamarca. Clara Zetkin, líder das mulheres do Partido Democrático alemão, lança a ideia do Dia Internacional da Mulher (DIM), para enfatizar as demandas femininas. A conferência, que reuniu 100 mulheres de 17 países representando sindicatos, partidos socialistas, clubes de mulheres trabalhadoras e incluindo as 3 primeiras mulheres eleitas no Parlamento Finlandês, aprovou a ideia da criação do DIM, por unanimidade. 

1911
Cumprindo a resolução de Copenhagen, em 1911 o Dia Internacional da Mulher foi comemorado pela primeira vez na Austria, Dinamarca, Alemanha e Suiça, em 19 de março. Mais de 1 milhão de mulheres e homens participaram das atividades do DIM, em campanhas pelo direito da mulher ao trabalho, voto, educação, ocupação de cargos públicos e contra a sua discriminação social.
No entanto, menos de uma semana depois, em 25 de março, mais de 140 mulheres trabalhadoras, a maioria de imigrantes italianas e judias, foram assassinadas em Nova Iorque, no evento chamado 'Triangle Fire’***. Esse episódio chamou mais atenção ainda sobre as condições legais e de trabalho das mulheres, foco principal das subsequentes comemorações do DIM. 
 
1913-1914
Durante campanhas pela paz, no período da Primeira Guerra Mundial, mulheres russas comemoraram seu primeiro dia no último domingo de fevereiro, em 1913.
A partir desse ano, o DIM foi transferido para 8 de março, permanecendo a data até hoje.  Em 1914, as mulheres foram muito ativas em campanhas contra a guerra e expressando a solidariedade feminina.

1917
No último domingo de fevereiro, mulheres russas iniciaram uma greve para “pão e paz” em resposta à morte de mais de 2 milhões de soldados russos na guerra.
A greve persistiu até que o governo provisório concedeu o direito ao voto feminino. 
 
1918 - 1999
Desde a sua criação, no berço do movimento socialista, o Dia Internacional da Mulher cresceu e é reconhecido e celebrado. Por muitos anos, a ONU promoveu conferências em comemoração ao DIM, coordenando esforços em favor dos direitos das mulheres e de sua participação nos processos políticos, sociais e econômicos. 
Organizações de mulheres e governos de diversos países promovem eventos de grande escala no dia 8 de março, rememorando a necessidade de continuada vigilância e ação pela garantia da igualdade de oportunidades para as mulheres.

de 2000 em diante
o Dia Internacional da Mulher já é uma data oficial no Afeganistão, Armênia, Azerbadião, Bielorussia, Burkina Fasso, Camboja, China, Cuba, Georgia, Guiné-Bissau, Eritreia, Kazaquistão, Kyrgistão, Laos, Madagascar, Moldovia, Mongolia, Montenegro, Nepal, Russia, Tajikistão, Turkmenistão, Uganda, Ucrânia, Uzbekistão, Vietnam e Zambia. Pela tradição, os homens homenageiam suas mães, esposas, namoradas, colegas, etc, com flores e presentes, nessa data.  
O novo milênio testemunhou mudanças significativas na mentalidade social e das mulheres em geral, em relação à igualdade de gêneros e emancipação feminina.Há que se reconhecer melhorias: mulheres já são astronautas, presidentes, universitárias em maior número, têm maior liberdade para o trabalho e escolhas de vida.

Mas, infelizmente, as mulheres ainda não são pagas igualmente ao realizarem os mesmos trabalhos que os homens, não estão em mesmo número que os homens nos negócios e na política e, globalmente, estão em desvantagem em relação à educação e saúde, além de ainda serem vítimas de violência.
Anualmente, no dia 8 de março, milhares de eventos acontecem pelo mundo, inspirando as mulheres a continuar suas lutas e a celebrar suas conquistas.

São jornadas políticas, conferências, atividades governamentais, atividades culturais, tais como, shows, performances teatrais, etc.

Fique atento para a programação perto de você. Vale a pena se informar e participar!

 

***O incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova Iorque a 25 de Março de 1911 foi um grande desastre industrial que causou a morte de mais de uma centena de pessoas. Este incêndio iria contribuir para a especificação de critérios rigorosos sobre as condições de segurança no trabalho e para o crescimento dos sindicatos que despoletavam como consequência da revolução industrial.

 

veja mais, clicando nos itens abaixo:

Programação do mês de março, da Secretaria Municipal de Políticas para as mulheres
Ato no Recife e vigília no Sertão marcam dia de luta pelo direito das mulheres
Coletivos celebram Dia Internacional da Mulher com grafitti e lambes pelas ruas de SP
Pronunciamento de Dilma Roussef para o Dia da Mulher
Dia Internacional da Mulher: livros escritos por mulheres com até 60% de desconto​
Dia da Minissaia' alerta contra o assédio às mulheres no Rio
Cinemateca Brasileira promove sessão em homenagem ao Dia da Mulher​

Outras referências

http://www.internationalwomensday.com/about.asp#.VPmankJZ-lk
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/8-marco-dia-internacional-mulher-genero-feminismo-537057.shtml
http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/parabens-pelo-seu-dia-mulher-uma-homenagem-do-machismo-2810.html
http://law2.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/triangle/trianglevictims2.html
http://motherboard.vice.com/read/the-triangle-shirtwaist-factory-fire-of-1911-celebrating-100-years-of-the-8-hour-work-day

5
fevereiro
2015
Um pingo de conversa
distribuição do uso da água no mundo, por categoriaprodutiva

Mas a água não é um direito de todos?

No momento em que nossa cidade, uma das maiores do mundo, está em uma situação crítica de falta de água, há grandes discussões que se referem aos modelos e às práticas de diversas partes do mundo, em relação ao tratamento e distribuição da água. Na verdade, há uma questão conceitual primordial que norteia essa discussão: a água é ou não um bem e um direito de todos? 

Apesar de ser um recurso natural renovável através da reciclagem realizada pela natureza,ela  não se mantém inesgotável e de boa qualidade por todo o tempo. Tudo depende do equilíbrio entre o consumo e sua renovação. 

A carência de água
“Ninguém ainda parou para pensar que a água existente no planeta é e sempre foi a mesma desde a sua mais remota existência. Não se produz água. Existem processos para tornar a água do mar doce e potável, porém são extremamente caros. Apenas 2,59% do volume de água total existente na Terra é de água doce, sendo que mais de 99% estão sob a forma de gelo ou neve nas regiões polares, ou em aquíferos muito profundos. Do restante, quase metade está nos corpos dos animais e vegetais (biota), como umidade do solo, e como vapor d'água na atmosfera, e a outra metade está disponível em rios e lagos.

(...)O Brasil detém 12% das reservas de água doce de todo o planeta, e 80% se concentram na Bacia Amazônica, onde vivem apenas 7% da população, sobrando 20% para serem distribuídos desigualmente pelo resto do País. A região Sudeste é a que possui os rios mais comprometidos." (Ricardo Daher - Secretário Executivo do PNUMA em 2003)

A preservação de nosso meio ambiente, seja pelo tratamento do esgoto, pela atuação consciente das indústrias e do agronegócio, pela preservação das matas e pelo controle do consumo são essenciais para garantir a água necessária para a vida na Terra.  O crescimento vertiginoso da população ao longo dos anos demanda um aumento no uso da água, não apenas para uso pessoal, mas também para a produção industrial, energética e alimentícia.  O aquecimento global, devido aos desmatamentos, impermeabilização do solo, emissão de carbono, entre outras causas, também contribui para a escassez da água.

Outro ponto importante relacionado ao assunto é a chamada água virtual: a água usada na produção de algo (de uma folha de papel a um automóvel, por exemplo), e, muitas vezes, até de produtos exportados. A agricultura e a pecuária, por sua vez, consomem quantidades enormes de água até mesmo para que os produtos cheguem às nossas mesas.

A democratização do uso da água
O volume disponível de água potável de fácil acesso no mundo é de 0,3% do total de água doce presente, o que equivale a 35 milhões de quilômetros cúbicos. Esse volume não seria pouco se fosse distribuído igualmente entre todas as regiões. Ainda assim, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUME), algo em torno de 1,1 bilhão de pessoas - ou seja, um a cada seis indivíduos, praticamente – não têm acesso a água limpa e em quantidade suficiente para garantir a saúde e o desenvolvimento social e econômico.    

A água que é um direito universal mas acaba se tornando uma mercadoria, pois os países que seguem as diretrizes da economia globalizada sentem-se no direito de cobrar por ela, devido à sua escassez, transformando-a em uma commodity.  Algumas nações já cobram pela água como a França, Reino Unido e Alemanha. 

 No Brasil, a água que chega às torneiras não é exatamente cobrada; pagamos, isso sim, apenas pelos serviços de captação, tratamento e distribuição. Entenda melhor, assistindo a essa matéria: http://bit.ly/1you6Me. Mas há outros modos de ação: em 86 cidades no mundo, entre elas Paris e Berlim, abandonou-se o modelo de empresa privada de abastecimento de água, no qual a meta é o lucro, como o praticado em São Paulo, pela Sabesp, após se avaliarem os limites desse modelo e os prejuízos ecológicos, sociais e econômicos dele decorrentes.
  
Além de tudo, tornar a água um recurso econômico mundial excluiria ainda mais as regiões pobres, que não possuem saneamento básico, muito menos água potável para as necessidades diárias, ao contrário dos países ricos, que cada vez mais consomem água, sendo que muitos não possuem recursos hídricos próprios. e acabam importando cada vez mais água virtual: para países situados em regiões que sofrem com escassez hídrica, o comércio de água virtual é atraente e benéfico já que, “por meio da importação de mercadorias que consomem muita água durante seu processo produtivo, nações, estados e municípios podem aliviar as pressões que sofrem sobre suas próprias fontes”, explica Maria Victoria Ramos Ballester, professora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba.
 
Para que a água, tão essencial à vida, não venha a faltar num futuro próximo, há a necessidade de que se tomem medidas para preservá-la, entre elas, o aumento de áreas verdes nas zonas urbanas, o que aumentaria a área de absorção de água pelo solo, medida que diminuiria os impactos no ciclo hidrológico. Outra medida seria reduzir a quantidade de resíduos jogados em lugares inadequados e também a emissão de poluentes.
 
Em dezembro de 2013, consolidou-se um grande agrupamento europeu de cidadania pelo direito humano de acesso à água e pela interrupção e reversão da privatização desse bem. Nessa direção observamos um movimento de remunicipalização e de retomada e criação de parcerias público-público para o abastecimento d´água nas cidades.
 
Breve história
A Os sistemas de distribuição de água e de esgotamento foram aperfeiçoados, ao longo do século XIX, como uma resposta à eclosão de epidemias nas cidades industriais. Essas cidades, que haviam se adensado rapidamente em apenas algumas décadas, concentraram milhares de habitantes em precárias condições de moradia e de trabalho. Nesse quadro, os sanitaristas e reformadores sociais do século 19 preconizaram que, sem um meio saudável, com circulação de água, luz e ar e uma alimentação regrada, a vida e a moral dos habitantes da cidade se esvairiam. E mostraram como as epidemias não se detinham nas fronteiras dos bairros pobres: percorriam cidades, viajavam por oceanos e se distribuíam entre países. Para eles, seria impossível formar o cidadão sem um meio saudável, pois era o meio que constituía o indivíduo. O bom governo seria aquele que conseguisse reduzir a mortalidade e aumentar a população. A biopolítica impulsionou as reformas urbanas ocorridas nas principais capitais europeias e também no continente sul-americano, como as reformas ocorridas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, no início do século XX.
 
“Se cada cultura cria uma forma específica e diferenciada de lidar com as excreções do corpo, de fixar o que é sujo e o que é limpo, o reconhecimento de que a água é fonte da vida é um consenso universal. O direito ao acesso à água é um direito fundamental, segundo Myriam Bahia Lopes (em artigo da Envolverde, link no final deste texto).
 
Os Movimentos sociais e a água
A apropriação privada da água e da terra e a cartelização mundial do hidronegócio vêm sendo denunciadas em diversas frentes. Como a água é indispensável à vida e possui um ciclo que deve ser protegido, encontramos uma variedade de grupos que direta ou indiretamente se engajam em sua defesa. 
 
Nos últimos quinze anos, pelo menos 86 cidades no mundo remunicipalizaram os serviços de água, entendendo-a como um bem público e um direito de todos. 
Em um momento de ameaça à vida de seus habitantes, pelos riscos de ausência ou escassez de água de boa qualidade para o consumo humano, nos perguntamos se devemos insistir na defesa do modelo de negócio privado que por sua essência visa o lucro ou se seria o caso readotar a remunicipalização da água como em outras capitais, não admitindo a sua especulação comercial.
 
Algumas atitudes para economia de água
Do ponto de vista individual, é importante nos conscientizarmos e adotarmos algumas atitudes para economizar água:
           
•Ter plena consciência de que a água é finita;
• Não fazer ligações clandestinas;
• Não fazer mau uso da água;
• Cobrar sempre das autoridades competentes, políticas adequadas de uso da água;
• Cobrar o controle de emissão de resíduos industriais e doméstico, para que eles sejam tratados antes de serem dispostos;
• Fiscalizar se o poluidor está pagando pelo lançamento de resíduos nos rios;
• Lembrar sempre que a água desperdiçada custa para o próprio bolso;
• Os proprietários e síndicos de imóveis devem sempre observar se o hidrômetro está funcionando direito, e controlar o consumo geral;
• Utilizar somente a quantidade de água necessária;
• Regar o jardim, no verão, pela manhã cedo ou à noite, para se evitar a evaporação; no inverno, dia sim e dia não;
• Evitar banhos prolongados e fechar a água enquanto se ensaboa.
• Não deixar a torneira aberta ao escovar os dentes e ao fazer barba;
• Fechar bem as torneiras;
• Verificar se há vazamentos, e chamar um técnico;
• Olhar sempre as condições da caixa d'água, verificando rachaduras e se a boia está em boas condições. Fazer o mesmo para a cisterna;
• Lavar previamente a louça em uma cuba e, em seguida, enxaguá-la em água corrente, evitando manter a torneira aberta todo o tempo;
• Não lavar a calçada com água. Utilizar a vassoura e jogar quantidade mínima de água, apenas quando estritamente necessário;
• Esperar até ter roupas suficientes para encher a máquina de lavar, e assim proceder a lavagem. O mesmo vale para a louça;
• Carro não precisa ser lavado com frequência. Quando for essencial lavá-lo, utilizar um balde apenas, sem sabão, e enxugar com pano limpo úmido.
 
 
Referências
http://www.unep.org/dewa/vitalwater/article192.html
http://www.brasilpnuma.org.br/pnuma/

http://www.usp.br/agen/?p=164665
http://envolverde.com.br/ambiente/e-se-agua-deixar-de-ser-mercadoria/
http://lcf.esalq.usp.br/prof/ciro/lib/exe/fetch.php?media=ensino:graduacao:g7_privatizacao_da_agua.pdf
http://www.rigs.ufba.br/pdfs/RIGS_v1n1_art11.pdf

 

 

 

5
dezembro
2014
SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS

Semana de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo

 

 

Teija Kellosalo - Austria
cartaz sobre direito à educação

cartazes da mostra "Poster for Tomorrow: direitos humanos em cartaz"

 

 

Na próxima semana, comemoram-se 66 anos da adoção da Declaração dos Direitos Humanos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A questão dos direitos do homem não é nova. Remonta ao século VI  antes de Cristo, quando o imperador persa, Ciro, o Grande, libertou os escravos e declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher sua religião e que deveriam ser iguais perante a lei, independentemente de sua raça.  No decorrer da história, distintos povos e governos também estabeleceram parâmetros de direito e igualdade.

Em abril de 1945, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, delegados de cinquenta países reuniram–se em SãoFrancisco (EUA), na Conferência das Nações Unidas, com o objetivo de formar um corpo internacional para promover a paz e prevenir futuras guerras. Os ideais da Organização foram declarados no preâmbulo da sua Carta de Proposta: “Nós,os povos das Nações Unidas, estamos determinados a salvar as gerações futuras do flagelo da guerra que, por duas vezes na nossa vida, trouxe incalculável sofrimento à humanidade”. Assim, foi criada a ONU, em 24 de outubro.

Em 1948, a nova Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, sob a presidência de Eleanor Roosevelt, viúva do presidente americano Franklin Roosevelt, defensora dos direitos humanos e delegada dos Estados Unidos nas Nações Unidas, elaborou o rascunho do documento que viria a converter–se na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

A Declaração dos Direitos Humanos, com 30 artigos, foi adotada pelas Nações Unidas no dia 10 de dezembro de 1948.

No seu preâmbulo e no Artigo 1.º, a Declaração proclama inequivocamente os direitos inerentes a todos os seres humanos: “O desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência dahumanidade, e o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem... Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.”

Infelizmente, apesar de muito saudada até hoje e apesar de grande parte dos países que fazem parte da ONU terem assinado a Declaração, ela não tem força de lei e continua sendo desrespeitada, mesmo pelos países signatários.Para se ter uma ideia, 58 países (dos 192 membros) ainda aplicam a pena de morte, mesmo sendo essa prática condenada pela Organização.

Mesmo assim, há esperanças. E elas se devem também porque, em todos os lugares do mundo, há os que fazem questão de chamar a atenção para a questão dos direitos do homem, sob as mais diversas formas. Vejam a seguir.

 

2º Festival de Direitos Humanos Cidadania nas Ruas

Durante uma semana, de 8 a 14 de dezembro, São Paulo ganha mais de 30 atividades entre debates, encontros e diálogos, cinema, passeios e performances, premiações, um monumento e um grande show no Parque Ibirapuera. Tudo gratuito.

Veja a programação:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/noticias/index.php?p=186141

 

Poster for Tomorrow: Direitos Humanos em cartaz

A exposição Poster for Tomorrow reúne na Caixa Cultural mais de 100 cartazes do mundo todo sobre os direitos humanos.

Os cartazes abordam 6 temas: direito à moradia, igualdade de gêneros, direito à educação, democracia, contra a pena de morte, liberdade de expressão e são de países tão diferentes como China, Eslovênia, Bolívia, Botsuana e, claro, Brasil.

A exposição abre no dia 13/12, sábado, às 11 horas, com a presença de Hervé Matine, presidente da ONG Poster for Tomorrow, vindo da França, e Ivo Herzog, filho do jornalista brasileiro Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura em 1975.
https://www.facebook.com/events/329574520526007/?fref=ts

 

Referências
http://openlink.br.inter.net/aids/declaracao.htm
http://nacoesunidas.org/?post_type=post&s=direitos+humanos
http://www.ideafixa.com/um-logo-para-os-direitos-humanos-vencedor/​
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/​

Veja um pouco mais sobre a história dos direitos humanos:
http://www.humanrights.com/pt/what-are-human-rights/brief-history/cyrus-cylinder.html

 

26
novembro
2014
Os grilos, os gatos, os sem-terra e a história do Brasil

Volta e meia nos damos com o termo “grilagem” nos noticiários. Mas, o que é “grilagem”?

grilagem tem raízes no mais profundo da nossa história; para entender o que quer dizer o termo, temos que voltar ao período colonial. Na época, todas as terras pertenciam à Coroa Portuguesa. Para assegurar a ocupação do território brasileiro, a Coroa concedia enormes partes do território a alguns de seus protegidos que estivessem dispostos a colonizá-las. As regras dessas concessões variaram com o tempo: primeiro, eram algumas poucas mas enormes glebas de terras, as capitanias hereditárias; depois, glebas menores, chamadas de sesmarias. Essas áreas podiam ser transferidas por herança, mas não podiam ser vendidas, já que eram da Coroa.

Nessas grandes glebas de terra havia as grandes plantações de cana (os canaviais e engenhos) onde trabalhariam mais tarde os escravos. Mas, como havia necessidade também de alimentos para os cidadãos livres, havia também um contingente grande de pequenos produtores que trabalhavam pequenos lotes de terra que não lhes pertenciam, cedidas gratuitamente ou não pelos detentores das sesmarias. E, em regiões mais longínquas do interior do país, outros produtores criavam gado, muitas vezes solto e utilizando terras desocupadas, como o sertão do Nordeste, o norte de Minas Gerais e, depois, o Rio Grande do Sul.

Essa forma de ocupação das terras durou até que em 1850 quando o Brasil,  já independente de Portugal, introduziu a propriedade privada da terra na legislação.Funcionou assim: as pessoas que tinham terras concedidas pela Coroa Portuguesa ou pelo Império Brasileiro podiam solicitar ao Império o título de propriedade dessas terras. 

Em teoria, a transformação de uma concessão em propriedade privada valia apenas para as áreas realmente ocupadas e exploradas. Todas as demais terras deviam voltar para as mãos do Império e tornavam-se “terras devolutas”. A partir de então, havia duas maneiras de se tornar um proprietário de terras: comprá-las de algum outro proprietário, ou comprá-las do Império. 

Em muitos países, a distribuição de terras da Coroa aconteceu após as revoluções do final do século XVIII, como na França (revolução que derrubou a monarquia, em 1789) e nos Estados Unidos (independência e proclamação da república). Mas, nesses dois casos – e em muitos outros – essa distribuição seguiu o caminho da democratização da propriedade agrícola e do fortalecimento da agricultura familiar e das pequenas propriedades.

Na França, terras da Coroa foram distribuídas entre vassalos e camponeses que as cultivavam, e leis foram criadas para proteger os arrendatários, etc. Nos Estados Unidos, para colonizar o seu território, o governo doava pequenos lotes de terra a famílias que desejavam explorá-las, privilegiando assim a pequena propriedade e a agricultura familiar. Isso é retratado em muitos filmes de faroeste: são aquelas corridas de famílias em suas carroças, tentando chegar na frente, para ocupar os melhores lotes da área concedida.

No Brasil, seguimos a direção contrária: os protegidos do Império puderam obter o título de propriedade de suas enormes sesmarias, mesmo sem cultivar ou sequer ocupar essas áreas. Outros tantos (protegidos ou simplesmente endinheirados) puderam comprar enormes glebas de terra do Império a preços favorecidos. enquanto alguns, menos protegidos mas também endinheirados, puderam comprá-las. Assim se formaram os latifúndios – grandes propriedades – que ainda ocupam a maior parte do nosso território. 

Em compensação, nada foi feito para proteger os pequenos produtores que estavam no meio das sesmarias ou nas suas margens, cultivando produtos alimentares ou criando gado. Depois que as terras passaram a ser tornaram-se particulares, a permanência desses agricultores nas terras áreas que cultivavam passou a depender apenas da vontade dos novos proprietários. 

Após a abolição da escravidão (1888), nada foi feito tampouco em favor dos antigos escravos; ao contrário, essa lei funcionou para impedir que os enormes contingentes de escravos libertos pudessem ocupar as terras ainda não exploradas e escapar do trabalho nas grandes plantações de cana ou de café. Essa lei está, portanto, na origem de uma das principais causas da pobreza no país: a concentração da posse da terra e o trabalho precário no meio rural. 

Nos séculos seguintes, poucas iniciativas mudaram de forma significativa esse cenário. Para atrair mão de obra para a produção de café, no final do século XIX, ainda nos últimos anos do Império e nos primeiros da República, o governo organizou alguns programas de colonização em pequenas propriedades, destinadas a receber agricultores imigrantes da Europa ou do Japão. Foi assim que se colonizou boa parte do Estado de São Paulo e dos estados do Sul. Posteriormente, durante a ditadura militar (1964-1985), o governo criou projetos similares no Centro-Oeste e no Norte, dessa vez privilegiando as grandes propriedades para criação de gado.

Aos pequenos produtores, que não eram proprietários e que estavam em terras cobiçadas pelos novos proprietários, restavam poucas alternativas. Submetiam-se às vontades dos grandes proprietários tornando-se assalariados ou pagando alguma forma de renda para poder continuar cultivando as áreas, ou migravam para as cidades, ou ocupavam terras em regiões longínquas, ainda não ocupadas. 

Esse tipo de migração foi responsável pela povoação de boa parte de terras e pela criação de inúmeras comunidades de agricultores ou “ribeirinhos”, como no Vale do Ribeira (sul de São Paulo), onde ainda existem mais de 10.000 famílias de agricultores que ali chegaram ao longo dos séculos, misturando-se aos índios sobreviventes e aos escravos fugidos dos quilombos, formando dezenas de comunidades rurais. 

Sem ter o título de propriedade, apenas a posse das terras, esses agricultores são chamados de “posseiros”. Com o Estatuto da Terra, de 1974, os posseiros passam a ter o direito – teórico  – de legalizar suas posses e obter o título de propriedade pela via jurídica. Na prática, a aplicação dessa lei foi extremamente tímida até meados dos anos 80 e só foi aplicada de forma mais massiva a partir dos anos 2000, com um programa de regularização fundiária do governo federal e de alguns governos estaduais.

A lei de 1850 gerou, também, o fenômeno dos “grileiros”. Para se apossar de terras devolutas (que pertenciam ao estado), ou cujos donos eram ausentes, pessoas de má fé usavam – e ainda usam – títulos da propriedade da terra falsificados e, muitas vezes com a cumplicidade de cartórios e juízes, registram as propriedades em seu nome. Vários são os interesses para a existência dessa prática: especulação imobiliária, venda de recursos naturais do local (principalmente madeira), criação de gado ou plantio de soja ou outras culturas, lavagem de dinheiro e até captação de recursos financeiros. Quando essas terras estão ocupadas por índios, quilombolas ou posseiros, eles usam inclusive a força e a violência para expulsá-los dali, contratando, quando necessário, jagunços (capangas) para "limpar" o terreno de seus ocupantes. 

Essa é uma das principais razões para os conflitos fundiários, que provocaram milhares de mortes no campo e persistem até os dias de hoje, com centenas de mortos todos os anos. Isso consta no Livro Branco da Grilagem, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em 2002.

A grilagem de terra é um crime grave praticado ainda hoje em grande escala no interior do Brasil, principalmente na Amazônia. Os grileiros são também alguns dos principais responsáveis pelo desmatamento das florestas tropicais. 

O termo grilagem vem de um antigo macete de falsificadores de documentos de propriedade de terras. Para dar aspecto de velho aos documentos criados por eles, os falsários deixavam os papéis em gavetas com insetos como o grilo, de modo a deixar os documentos amarelados (devido aos excrementos dos insetos) e roídos, dando-lhes uma aparência antiga e, por consequência, mais verossímil.

Gato é a pessoa que contrata trabalhadores braçais (boias-frias ou volantes) como mão de obra para as fazendas ou projetos agropecuários. 

Sem-terra é o trabalhador organizado em busca de acesso à terra para plantar e para dela viver.

 

Referências:

http://www.klickeducacao.com.br/bcoresp/bcoresp_mostra/0,6674,POR-969-6465,00.html

http://ambiente.hsw.uol.com.br/grilagem.htm

http://multimidia.brasil.gov.br/regularizacaofundiaria/texto-grilagem.html

http://multimidia.brasil.gov.br/regularizacaofundiaria/texto-grilagem.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grileiro

http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Grupo1B/colonizacao.html

http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/meninos-do-contestado/

27
outubro
2014
Malala Yousafzai: a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel

A estudante paquistanesa Malala Yousafzai tornou-se no último dia 10 de outubro a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Aos 17 anos, Malala foi premiada em função de sua luta pelo direito das mulheres à educação, no Paquistão dominado pelo regime talibã. Ela dividiu o prêmio com Kallash Sartyarthi, de 60 anos, ativista dos direitos das crianças, na Índia.

Malala Yousafzai era uma menina de 15 anos, quando ganhou a simpatia do mundo, após sobreviver a um atentado dos talebans, por defender os direitos de as mulheres estudarem, no seu país:  em 9 de outubro de 2012, sob alegação de que ela “promovia a cultura ocidental em áreas pashtuns”, membros do grupo fundamentalista Taleban atacaram o ônibus escolar onde Malala estava e a atingiram gravemente, com tiros na cabeça.

Logo após o ataque, Malala foi levada de helicóptero para um hospital militar em Peshawar, capital do Paquistão. Em seguida, foi transferida para Londres, onde finalizou o tratamento. Ainda perseguida no Paquistão (foi jurada de morte, pelo mesmo grupo), vive com sua família em Birmingham, Inglaterra. Hoje é uma bem-articulada ativista internacional pelo direito à educação das meninas e contra o fundamentalismo religioso. Isso sempre incentivada pelo pai, o professor paquistanês Ziauddin Yousafzai, que cedo descobriu o gosto da filha pelos estudos em áreas como literatura e humanidades. Ele próprioera dono de uma escola mista, fechada em 2010, quando o vale do Swat foi ocupado pelo Taleban.

No mundo todo, 32 milhões de meninas estão fora da escola, por alguns motivos: a concepção cultural em alguns lugares sobre o papel da mulher na família (prega-se que a mulher deve apenas cuidar da casa e da família), a falta de segurança no caminho à escola (principalmente em áreas de conflito ou onde as mulheres são mais vulneráveis) e preconceitos dentro da escola mesmo, em países onde a mulher é mais discriminada. Só no Paquistão, 3,2 milhões de garotas estão fora das escolas” (dados da KidsRights).

Em 2012, Malala recebeu o Prêmio Internacional da Paz das Crianças, em Haia, premiação da organização humanitária KidsRights; criou o Fundo Malala com a doação de US$ 200 milhões feita pelo Banco Mundial para apoiar a educação das meninas no mundo e, no último dia 10 de outubro, foi a mais jovem agraciada com o Prêmio Sakharov de Liberdade de Expressão, do Parlamento Europeu, o mais importante prêmio de direitos humanos da União Europeia. Além disso, foi a pessoa mais jovem do mundo indicada ao Prêmio Nobel da Paz 2013, concedido à Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq). 

No Brasil, seu livro Eu sou Malala, escrito com a jornalista Christina Lamb, foi publicado pela Companhia das Letras. No prólogo “O dia em que meu mundo mudou”, ela diz: “Venho de um país criado à meia-noite. Quando quase morri, era meio-dia.Há um ano saí de casa para ir à escola e nunca mais voltei. Levei um tiro de um dos homens do Taleban e mergulhei no inconsciente do Paquistão. Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém”.

Malaia desejava ser médica, agora quer ser primeira-ministra do Paquistão.

Referências:
http://www.blogdacompanhia.com.br/2014/10/malala-yousafzai-ganha-o-premio-nobel-da-paz/
http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=5511&id_coluna=20
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/10/malala-vence-nobel-da-paz.html
http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/malala-a-garota-paquistanesa-que-foi-atacada-pelo-taleba-porque-queria-estudar-ganha-o-premio-nobel-da-paz/2014/10/10/
http://www.thesundaytimes.co.uk/sto/news/uk_news/National/article1323995.ece

26
setembro
2014
AS ELEIÇÕES 2014 EM
DEBATE NO ÍTACA
postado sob cidadania, Ítaca, política

Corrupção, desafios de mobilidade urbana, crise da água, união civil homoafetiva e muitos outros temas foram discutidos no debate sobre as eleições 2014, na terça-feira, dia 23, entre os alunos do Ítaca e os candidatos e representantes de quatro partidos - PSOL, PT, PSB, PSDB (o outro partido convidado recusou o convite).

Os estudantes do Fundamental 2 e do Ensino Médio demonstraram grande interesse, com muitas perguntas, em um clima de cidadania e questionamentos pertinentes, fundamentados nos programas de governo de cada partido, bem como em análises, leituras e discussões prévias em aula. 

Compareceram ao debate o candidato a deputado federal pelo PSOL, Thiago Aguiar; o candidato a deputado estadual pelo PSDB, Paulo Mathias; o coordenador da campanha do PSB em São Paulo, Marcelo Peron; e o assessor político, militante do PT, Iuri Codas.

Com professor do Ítaca comandando a mesa, o debate foi divido em três blocos. No primeiro, os políticos responderam a três perguntas cada, com um tempo de cinco minutos para cada resposta. No 2º, os alunos formularam cinco perguntas com temas livres, com cinco minutos para as respostas. No 3º e último bloco, cada candidato teve dez minutos para as considerações finais e réplicas.

Ao final da atividade, os representantes dos partidos e os alunos mostraram-se muito entusiasmados pelo bom nível, a abrangência de temas e a articulação das ideias. Muitos alunos disseram-se emocionados ao exercerem seu direito de cidadão, questionando homens públicos, com precisão e educação.

Na sequência, houve uma simulação das eleições para Presidente da República e Governador de São Paulo, através de uma urna eletrônica online, disponível na internet. Em clima de festa cívica, alunos, funcionários e professores do Ítaca compareceram às suas “seções eleitorais”, já bem decididos quanto ao seu voto. Os resultados, apurados no mesmo dia, serviram depois para muitas conversas e comemorações ou certa decepção. Elementos da democracia… 

O Colégio agradece a disponibilidade e a transparência dos convidados e a sempre excelente disposição e seriedade dos alunos. 

14
setembro
2014
Como falar sobre coisas que não existem

Esse é o título da 31ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, uma das mais prestigiadas do mundo, que abriu no dia 6 de setembro e vai até dia 7 de dezembro, no Parque Ibirapuera (parque este que, por sinal, acaba de completar 60 anos de existência!). 

Nas 6 primeiras edições, a exposição ficou a cargo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, mas em, em 1962, foi criada a Fundação Bienal de São Paulo, que passou a ser a responsável pela organização do evento. Localizada no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, em um pavilhão emblemático da arquitetura modernista brasileira, projetado por Oscar Niemeyer, é hoje uma das mais influentes instituições internacionais de promoção da arte contemporânea e seu impacto no desenvolvimento das artes visuais brasileiras é notadamente reconhecido.

Desde a primeira edição, em 1951, foram produzidas trinta Bienais, com a participação de aproximadamente 160 países, 67 mil obras, 14 mil artistas e 8 milhões de visitantes. As duas últimas Bienais atraíram mais de 500 mil visitantes em cada edição, além do público registrado nas itinerâncias, realizadas em diversas cidades do país, o que,na 29ª Bienal (2010), foi de 230 mil visitantes e, na 30ª Bienal, foi de 185 mil visitantes.

Esta Bienal de 2014, cuja entrada é gratuita, reúne mais de 250 trabalhos de mais de cem artistas de 34 países. São obras de arte contemporânea que lançam olhares críticos sobre a sociedade, ocupando quatro pavimentos do pavilhão Ciccillo Matarazzo. 

"Não há um tema. Levantamos urgências políticas, sociais e econômicas do mundo atual e trabalhamos esses assuntos", diz Luiza Proença, curadora associada. Questões indígenas, de gêneros e ecológicas estão na mostra - que, no entanto, não foge do criativo. "A reticência do título permite o uso de qualquer verbo ali. É possível pensar ou lutar por coisas que não existem."
Coube a cada artista transcender em suas ideias. Dez estrangeiros, inclusive, fizeram isso no Brasil. "Eles passaram meses aqui e incorporaram a nossa realidade em suas linhas de trabalho."  

De acordo com Pablo Lafuente, um dos curadores, a 31ª Bienal “serve para que o público aprenda com as coisas que não existem – ou até lutem contra elas – numa espécie de misticismo”. Lafuente conclui: “É importante entender que arte não faz uma única coisa. Ela pode gerar diversos questionamentos. Por meio da arte, a gente pode mudar o mundo”. O cartaz de divulgação desta edição da Bienal foi feito pelo artista indiano Prabhakar Pachpute, refletindojustamente o espírito de produção coletiva e de transformação.

A programação, produzida pelos curadores, artistas, educadores e demais profissionais da área, tem um olhar voltado à educação. Segundo Nuria Enguita Mayo, também curadora, os artistas e coletivos artísticos desta edição estão ligados a projetos de arte educativos. Nesse contexto, a 31ª Bienal quer analisar, inclusive, diversas maneiras de gerar conflito, por isso muitos dos projetos têm em suas bases relações e confrontos não resolvidos: entre grupos diferentes, entre versões contraditórias da mesma história ou entre ideais incompatíveis. 

O texto do site oficial desta Bienal afirma: “esta não é uma Bienal fundada em objetos de arte, mas em pessoas que trabalham com pessoas que, por sua vez, trabalham em projetos colaborativos com outros indivíduos e grupos, em relações que devem continuar e desenvolver-se ao longo de sua duração e talvez mesmo depois de seu encerramento. Embora se possa dizer que um pequeno grupo de pessoas sejam os iniciadores, o foco da 31ª Bienal é posto sobre todos aqueles que entrarão em contato com ela e dela farão uso, bem como sobre o que será criado a partir dos encontros no evento como um todo. Essa abertura do processo precisa ser entendida como um meio de aprendizagem: uma troca educacional estabelecida ao longo e em cada um dos níveis e que é, por conseguinte, não resolvida e experimental.”

A expectativa é de que todos que entrarem em contato com a 31ª Bienal possam explorar algumas das possibilidades ali presentes, para depois seguirem os seus próprios caminhos, individuais e/ou coletivos, levando algo novo consigo, de modo que este momento seja transformador para todos os envolvidos. 

Desse modo, segundo os organizadores, “as coisas que não existem podem ser trazidas à existência e, assim, contribuir para uma visão diferente do mundo. É provável que seja este, no fim das contas, o potencial da arte.”

 

Referências:

http://www.bienal.org.br

http://www.31bienal.org.br/pt/

http://www.tnonline.com.br/noticias/entretenimento/13,288379,04,09,a-31a-bienal-de-sao-paulo-abre-suas-portas-amanha-no-parque-ibirapuera-com-visoes-de-mundo-variadas.shtml

https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/31a-bienal-de-sp-tem-data-marcada-e-75-projetos-artisticos-selecionados/

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/01/poster-da-31-bienal-de-sao-paulo-traz-torre-movida-forca-humana.html

https://www.facebook.com/bienalsaopaulo

 

SERVIÇO

6 set - 7 dez 2014  Entrada gratuita 
Parque do Ibirapuera - Portão 3

PAVILHÃO DA BIENAL  

Visitação  
TER, QUI, SEX, DOM E FERIADOS: 9H - 19H (ENTRADA ATÉ 18H)  
QUA, SÁB: 9H - 22H (ENTRADA ATÉ 21H)  
FECHADO ÀS SEGUNDAS

13
maio
2014
A Virada Cultural acontece neste final de semana!

A Virada Cultural, que acontece das 18 h deste sábado, 17 de maio, até as 18 h do domingo, é um evento realizado pela Prefeitura de São Paulo, que busca, antes de tudo, promover a convivência em espaço público, convidando a população a se apropriar do centro da cidade, por meio da arte, da música, da dança, das manifestações populares.
Ela foi inspirada na “Nuit Blanche” francesa, criada em 2002, quando museus abrindo de madrugada, por exemplo, quebram as expectativas do público, incitando a  uma participação massiva. Esse tipo de evento espalhou-se por outras cidades europeias, como Madri, Bruxelas, Roma, e chegou até a  Lima, no Peru.
Em São Paulo, tem duração de 24 horas e oferece atrações culturais para pessoas de todas as faixas etárias, classes sociais, gostos e tribos, que ocupam, ao mesmo tempo, a mesma região da cidade.
 
Desde sua primeira edição, em 2005, a Virada Cultural atrai milhares de pessoas de todas as partes de São Paulo e do Brasil  e, ao longo dos anos, a festa foi ampliando cada vez mais seu perímetro, até incorporar, recentemente, a região da Luz, além da República e do Anhangabaú.
 

PROGRAMAÇÃO
Além da rede municipal de equipamentos – incluindo os Centros Educacionais Unificados (CEUs) –, a organização da Virada Cultural conta com parceiros estratégicos como o SESC e o Governo do Estado, que aderem com seus equipamentos culturais descentralizados. O Metrô de São Paulo fica aberto durante as 24 horas do evento, garantindo a circulação das pessoas.

Veja a programação completa da prefeitura e monte o seu programa:
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/2014/programacao/
 
E MAIS! Shows, espetáculos teatrais, circo, cinema, gastronomia, na rua e nos centros culturais e teatros da cidade…:
http://catracalivre.com.br/sp/editoria/agenda/virada-cultural/


SEGURANÇA
Este ano, a secretaria de Cultura e a PM montaram um esquema de segurança especial para evitar situações perigosas e desagradáveis. 
Veja as dicas de segurança:
http://vejasp.abril.com.br/materia/virada-cultural-dicas-seguranca 


Sobre reforço no policiamento:
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/virada-cultural-de-sp-tera-reforco-no-policiamento
http://www.efe.com/efe/noticias/brasil/cultura/virada-cultural-tera-seguran-refor-ada-palcos-mais-proximos/3/19/2312223

28
março
2014
1964
Glossário dos principais verbetes e links/referências

AI 5
O Ato Institucional nº 5, ou AI-5, foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar brasileiro nos anos seguintes ao Golpe Civil-Militar de 1964. Em 13 de dezembro de 1968, 24 homens que comandavam a ditadura militar brasileira  reuniram-se com o então presidente Arthur da Costa e Silva, para editar o decreto que marcou o início do período mais duro da ditadura  O AI-5 deu ao regime uma série de poderes para reprimir seus opositores: fechar o Congresso Nacional e outros legislativos (medida regulamentada pelo Ato Complementar nº 38), cassar mandatos eletivos, suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer cidadão, intervir em estados e municípios, decretar confisco de bens por enriquecimento ilícito e suspender o direito de habeas corpus para crimes políticos. O ministro da Justiça, Gama e Silva, anunciou as novas medidas em pronunciamento na TV, à noite. Os primeiros efeitos do AI-5 foram percebidos naquela mesma noite. O Congresso é fechado. O ex-presidente Juscelino Kubitschek, ao sair do Teatro Municipal do Rio – onde tinha sido paraninfo de uma turma de formandos de engenharia–  foi levado para um quartel em Niterói, onde permaneceu preso num pequeno quarto por vários dias. O governador Carlos Lacerda foi preso no dia seguinte pela PM da Guanabara. Após uma semana em greve de fome, conseguiu ser libertado.
Veja a lista dos 24 que estavam na reunião e como votaram: http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5/ 
O AI-5 foi extinto apenas dez anos depois, em dezembro de 1978, pelo presidente Ernesto Geisel, dando início a uma “abertura lenta e gradual”.
No ano seguinte, 1979, a lei da Anistia foi promulgada pelo presidente João Batista Figueiredo, concedendo anistia aos cassados pelo regime militar e também aos membros do governo acusados de tortura.
 
 
ANISTIA
Perdão dado de maneira generalizada. 
Absolvição que, dada através de ato público, concede o perdão por crimes políticos. 
A palavra vem do grego amnestía, que significa "esquecimento".
Anistia é o ato do poder legislativo pelo qual se extinguem as consequências de um fato que em tese seria punível e, como resultado, qualquer processo sobre ele. É uma medida ordinariamente adotada para pacificação dos espíritos após motins ou revoluções. 
 
 

CASSAR
(=anular)
Cassação é uma punição que tolhe ao condenado o direito de ocupar um cargo público e de ser eleito a qualquer outra função por um determinado período de tempo.A cassação é a extinção do direito porque o destinatário descumpriu condições que deveriam permanecer atendidas, a fim de poder continuar desfrutando de sua posição.

Durante a ditadura militar, cassações eram constantes e bastante arbitrárias.

 
 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi aprovada em 1948 na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento é a base da luta universal contra a opressão e a discriminação, defende a igualdade e a dignidade das pessoas e reconhece que os direitos humanos e as liberdades fundamentais devem ser aplicados a cada cidadão do planeta.
Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos começou a ser pensada, o mundo ainda sentia os efeitos da Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945.
Outros documentos já haviam sido redigidos em reação a tratamentos desumanos e injustiças, como a Declaração de Direitos Inglesa (elaborada em 1689, após as Guerras Civis Inglesas, para pregar a democracia) e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (redigida em 1789, após a Revolução Francesa, a fim de proclamar a igualdade para todos).
Depois da Segunda Guerra e da criação da Organização das Nações Unidas (também em 1945), líderes mundiais decidiram complementar a promessa da comunidade internacional de nunca mais permitir atrocidades como as que haviam sido vistas na guerra. Assim, elaboraram um guia para garantir os direitos de todas as pessoas e em todos os lugares do globo.
 
Veja o texto integral da Declaração em:
http://unicrio.org.br/img/DeclU_D_HumanosVersoInternet.pdf
referência:
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2009/11/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-garante-igualdade-social
 
 

DEMOCRACIA
Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, diretamente (Democracia Direta) ou através dos seus representantes livremente eleitos (Democracia Representativa).

Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas distinguem o governo democrático de outras formas de governo.

O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía ou "governo do povo"), que foi criado a partir de δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder"), no século V a.C., para denotar os sistemas políticos então existentes em cidades-Estados gregas, principalmente Atenas. 

Não existe consenso sobre a forma correta de definir a democracia, mas a igualdade, a liberdade e o Estado de direito foram identificadas como características importantes desde os tempos antigos. Esses princípios são refletidos quando todos os cidadãos elegíveis são iguais perante a lei e têm igual acesso aos processos legislativos. 

Por exemplo, em uma democracia representativa, cada voto tem o mesmo peso, não existem restrições excessivas sobre quem quer se tornar um representante, e a liberdade de seus cidadãos é protegida por uma constituição.

A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, devem proteger os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias, como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente da vida política, econômica e cultural da sociedade.

 

DESAPARECIDOS POLÍTICOS

Chamam-se desaparecidos políticos no Brasil os militantes de organizações de oposição à ditadura militar (1964-1985) cujo paradeiro é desconhecido ou cuja morte é presumida, embora não comprovada. A responsabilidade por esses desaparecimentos forçados durante a ditadura tem sido atribuída a organizações do Estado brasileiro ou a terceiros - com autorização, apoio ou consentimento dos governantes da época.
Segundo a “Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos”, o regime militar instaurado em 1964 levou à morte 380 pessoas, entre as quais 147 desaparecidos, termo usado para se referir àqueles cujos corpos jamais foram entregues às famílias. 

 

DIREITOS HUMANOS 
Direitos humanos são direitos e liberdades a que todos têm direito, não importa quem sejam nem onde vivam. Para viver com dignidade, os seres humanos têm o direito de viver com liberdade, segurança e um padrão de vida decente.
Os direitos humanos não precisam ser conquistados – eles já pertencem a cada um de nós, simplesmente por sermos seres humanos. Não podem ser retirados de nós – ninguém tem o direito de privar qualquer pessoa de seus direitos. 
 
Os direitos humanos são protegidos sob o direito internacional, fundamentados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Declaração expressa a busca pela dignidade humana e faz os governos se comprometerem com a defesa dos direitos humanos de todos. Nos mais diferentes lugares do planeta, as pessoas seguem lutando para que essa promessa se torne realidade.

 

DITADURA
Ditadura é um regime governamental no qual todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. É um regime antidemocrático em que não existe a participação da população e qualquer oposição ao governo é proibida e condenada.

Geralmente, a ditadura é implantada através de um golpe de estado.
A ditadura militar é uma forma de governo em que o poder é totalmente controlado por militares. Esse tipo de regime foi muito comum na América, especialmente no Brasil, onde durou mais de 20 anos.

Mas nem sempre as ditaduras se dão por golpe militar: podem surgir por golpe de Estado civil ou a partir de um grupo de governantes democraticamente eleitos que usam a lei para preservar o poder, como aconteceu, por exemplo, na ditadura imposta por Adolf Hitler na Alemanha nazista: o golpe se desencadeou a partir das próprias estruturas de governo, com o estabelecimento de um estado de exceção e posteriormente, a supressão dos outros partidos e da normalidade democrática.

 
GOLPE
Golpe de Estado, consiste na derrubada ilegal de um governo constitucionalmente legítimo. Os golpes de Estado podem ser violentos ou não, e podem corresponder aos interesses da maioria ou de uma minoria.
Alguns golpes de Estado caem na categoria dos golpes militares, em que unidades das forças armadas ou de um exército popular conquistam alguns lugares estratégicos do poder político para assim forçar a rendição do governo. 
Tem este nome de golpe porque se caracteriza por uma ruptura institucional repentina, contrariando a normalidade da lei e da ordem e submetendo o controle do Estado (poder político institucionalizado) a pessoas que não haviam sido legalmente designadas (fosse por eleição, hereditariedade ou outro processo de transição legalista).
Assim, a expressão golpe de Estado foi criada para designar a tomada de poder por vias excepcionais, à força, geralmente com apoio militar ou de forças de segurança.
Outros aspectos comuns que acompanham (antecedendo ou sucedendo) um golpe de Estado são:
• suspensão do Poder Legislativo, com fechamento do congresso ou parlamento;
• prisão ou exílio de oposicionistas e membros do governo deposto;
• intenso apoio de determinados setores da sociedade civil;
• instauração de regime de exceção, com suspensão de direitos civis, cancelamento de eleições e decretação de estado de sítio, estado de emergência ou lei marcial;
instituição de novos meios jurídicos (decretos, atos institucionais, nova constituição) para legalizar e legitimar o novo poder constituído.
 
 
REVOLUÇÃO
Revolução significa uma transformação profunda, um movimento de grandes proporções que rompe com o que existia até então. Geralmente, ela surge das bases da sociedade e envolve uma grande quantidade de pessoas, alterando as estruturas políticas, econômicas e sociais. A Revolução Francesa de 1789, é um bom exemplo. Ela contou com o envolvimento popular nas cidades e no campo e transformou a ordem vigente. 
 
As revoluções têm ocorrido durante a história da humanidade e variam muito em termos de métodos, duração e motivação ideológica. Podem dar-se por formas pacíficas ou violentas. Seus resultados incluem grandes mudanças na cultura, economia, e drástica mudança das instituições e ideários sociopolíticos.
  
 
TORTURA
Tortura é a imposição de dor física ou psicológica por crueldade, intimidação, punição, para obtenção de uma confissão, informação ou simplesmente por prazer da pessoa que tortura.
Métodos deliberadamente dolorosos de execução por crimes graves foram parte da Justiça até o desenvolvimento do Humanismo, na filosofia do século XVII. Na Inglaterra, as penas cruéis foram abolidas pela Declaração de Direitos de 1689. Durante o Iluminismo desenvolveu-se no mundo ocidental a ideia de direitos humanos universais . A adoção do Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, marca o reconhecimento, pelo menos formal, da proibição da tortura por todos estados membros da ONU. 
A tortura foi proibida pela Terceira Convenção de Genebra (1929) e por convenção das Nações Unidas, adotada pela Assembleia Geral em 10 de dezembro de 1984 e ratificada pelo Brasil apenas em 28 de setembro de 1989. A tortura constitui uma grave violação dos Direitos Humanos, não obstante ainda ser praticada no mundo, frequentemente coberta por uma definição imprecisa do conceito nas legislações locais.
 
 
 
 
 
Referências
http://www.infoescola.com/historia/golpe
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964
http://www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/campanha/exilados-e-banidos-da-vida-publica/
http://www.documentosrevelados.com.br/repressao/conheca-os-desaparecidos-politicos-do-brasil-2/
http://arte.folha.uol.com.br/treinamento/2014/01/05/50-anos-golpe-64/
http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/132872/Golpe-de-64-revolução-para-quem.htm 
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/03/27/1964-golpe-ou-revolucao.htm
http://saibahistoria.blogspot.com.br/2011/08/diferenca-entre-revolucao-e-golpe.html
http://anistia.org.br/direitos-humanos
http://www.dicionarioinformal.com.br/cassação/
http://www.brasilescola.com/gramatica/cacar-ou-cassar.htm


 

videos
http://www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/campanha/galerias/videos.htm

28
março
2014
Golpe de 64 - programação do Ítaca

Imagens de trabalhos dos alunos

 

Pelo Brasil afora, este foi um mês de rememorar um período de nossa história: faz 50 anos que ocorreu o Golpe Militar que deu início a duas décadas, pelo menos, de ditadura no país.

No Ítaca, o projeto de relembrar esse período, entendê-lo e refletir sobre ele abrangeu o Ensino Fundamental I, o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio. Foram aulas, debates, encontros, trabalhos de alunos, visitas a museus, depoimentos de quem viveu aquilo tudo, visando não só aos fatos de então, mas também a esta nossa sociedade hoje, passadas essas cinco décadas.

 

Veja a programação que fizemos na escola

 

EF 1 – Semanas de 17 a 31 de março – Resgate de Memórias

Alunos de 4º e 5º ano EF1 – ouviram depoimentos de pais, avós, parentes e conhecidos em geral

 

EF 2 – Semanas de 17 a 31 de março – Visita ao Memorial da Resistência com alunos do 7º ao 9º ano.

Houve leitura de textos e debates.

 

EM - O QUE RESTA DA DITADURA: 50 anos do Golpe Militar no Brasil

DIA 13/3 (5ª-feira): Exibição do vídeo 15 Filhos (Maria de Oliveira e Marta Nehring, 1996)
Aula da prof.ª Ciça Jorquera: Breve história do Golpe.

DIA 18/3 (3ª-feira): Exibição do filme Que bom te ver viva (Lucia Murat, 1989) 

DIA 21/3 (6ª-feira): Depoimento aos alunos de militante político à época. 

DIA 25/3 (3ª-feira): Conversa com os profs. Renato Izabela e Fernando  Vidal: Arte e Resistência.
Exibição de vídeos, imagens, músicas.

DIA 26/3 (4ª-feira):  Conversa com o prof. Maurício Costa: Exceção hoje.

DIA 28/03 (6ª feira) – Cine-debate sobre o filme “Zuzu Angel”, organizado pelo Grêmio do Ítaca, com a participação de alunos do EF2 e EM e ex-militantes políticos convidados. Debate sobre os aspectos da militância na época da ditadura e atualmente.

DIA 31/3 (2ª-feira): Mesa de discussão/análise/reflexão, com convidados: O que resta da ditadura?

27
março
2014
Uma exposição sobre a história e os direitos dos indígenas

No próximo dia 31 de março de 2014 será aberta a exposição Povos Indígenas no Brasil 1980/2013 – Retrospectiva em Imagens da Luta dos Povos Indígenas no Brasil por seus Direitos Coletivos, promovida pela Embaixada da Noruega e pelo Instituto Socioambiental (ISA),

A exposição traz momentos e personagens históricos, retratados em um período de 33 anos no qual os povos indígenas saíram da invisibilidade para entrar de vez no imaginário e na agenda do Brasil contemporâneo.

O marco desse processo foi a inclusão dos direitos indígenas na Constituição. Entre outros temas, as imagens retratam:
•  a participação indígena na Constituinte (1986-1988),
•   a batalha pelo reconhecimento das Terras Indígenas
•   a resistência às invasões de garimpeiros e madeireiros, o apoio de músicos como Sting e Milton Nascimento
•   a apropriação das tecnologias do homem branco
•   as ameaças aos últimos povos “isolados”
•   as mobilizações recentes pela garantia de seus direitos.

Uma verdadeira aula de história do Brasil para crianças e adolescentes.
A ideia é oferecer aos estudantes não somente informações sobre a história da luta indígena por seus direitos, mas também sensibilizá-los para a sociodiversidade indigena no país, como dados sobre a população atual, seus modos de vida, lideranças mais atuantes, entre outros.

Parque do Ibirapuera - Arena de Eventos (portão 10)
1º a 22 de abril de 2014

das 8h30 às 18h30
de segunda a sábado

21
janeiro
2014
Objetivos de desenvolvimento até 2015

Em 2000, 119 países integrantes da ONU (Organização das Nações Unidas) assinaram um documento que consolidou várias metas estabelecidas nas conferências mundiais ocorridas ao longo dos anos 90.

O documento estabeleceu um conjunto de objetivos para o desenvolvimento e a erradicação da pobreza no mundo – os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – que devem ser adotados pelos estados-membros das Nações Unidas, com a meta de alcançá-los até 2015.

O acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio deve considerar especificidades nacionais. Assim, cada país deve valer-se de suas capacidades para implementar políticas e programas para atingir os objetivos e monitorá-los.

Os ODM consistem na estratégia de maior alcance e importância delineada pelas Nações Unidas para a promoção do desenvolvimento humano dentre seus estados-membros: um papel importantíssimo na promoção da luta global contra a extrema pobreza.

Os objetivos do milênio apontam componentes-chave no conceito de desenvolvimento humano sustentável, e que podem conduzir à melhoria das condições de vida de todos os seres humanos.

Veja abaixo as metas estabelecidas para 2015 e os resultados do Brasil, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD):

 

1. Erradicar a extrema pobreza e a fome

O Brasil já cumpriu o objetivo de reduzir pela metade o número de pessoas vivendo em extrema pobreza: de 25,6% da população, em 1990, para 4,8%, em 2008. Mesmo assim, 8,9 milhões de brasileiros ainda tinham renda domiciliar inferior a US$ 1,25 por dia, até 2008. Para se ter uma ideia do que isso representa em relação ao crescimento populacional do país, em 2008 o número de pessoas vivendo em extrema pobreza era quase um quinto do observado em 1990 e pouco mais do que um terço do valor de 1995. Diversos programas governamentais estão em curso com o objetivo de alcançar esta última meta.

 

2. Atingir o ensino básico universal

No Brasil, os dados mais recentes são do 4º Relatório Nacional de Acompanhamento dos ODM, de 2010, com estatísticas de 2008: 94,9% das crianças e jovens entre 7 e 14 anos estão matriculados no ensino fundamental. Nas cidades, o percentual chega a 95,1%. O objetivo de universalizar o ensino básico de meninas e meninos foi praticamente alcançado, mas as taxas de frequência ainda são mais baixas entre os mais pobres e as crianças das regiões Norte e Nordeste. Outro desafio é com relação à qualidade do ensino recebida.

Em matemática, o Brasil registrou uma pontuação de 391 em matemática. Segundo o relatório sobre o desempenho brasileiro no Pisa, o país foi aquele que registrou maior salto, desde 2003, na performance em matemática - a área foi o foco da prova aplicada em 2012.Naquele ano, a pontuação dos estudantes brasileiros foi de 356.

 

3. Igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

O empoderamento das mulheres é importante não apenas para o cumprimento do Objetivo 3, mas para vários outros , em especial os ligados a pobreza, fome, saúde e educação. No Brasil, as mulheres já estudam mais que os homens, mas ainda têm menos chances de emprego, recebem menos do que homens, ainda que trabalhando nas mesmas funções, e ocupam os piores postos. Em 2008, 57,6% das brasileiras eram consideradas economicamente ativas, frente a 80,5% dos homens. Em 2010, elas ficaram com 13,6% dos assentos no Senado, 8,7% na Câmara dos Deputados e 11,6% no total das Assembleias Legislativas.

 

4. Reduzir a mortalidade na infância

As projeções para os ODM ligados à saúde são as piores, no grupo de metas estabelecidas até 2015. O Brasil reduziu a mortalidade infantil (crianças com menos de um ano) de 47,1 óbitos por mil nascimentos, em 1990, para 19, em 2008. Até 2015, a meta é reduzir esse número para 17,9 óbitos por mil, mas a desigualdade ainda é grande: crianças pobres têm mais do que o dobro de chance de morrer do que as ricas, e as nascidas de mães negras e indígenas têm a maior taxa de mortalidade. O Nordeste apresentou a maior queda nas mortes de zero a cinco anos, mas a mortalidade na infância ainda é o quase o dobro das taxas registradas no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste.

 

5. Melhorar a saúde materna

Segundo o 4º Relatório Nacional de Acompanhamento dos ODM de 2010, o Brasil registrou uma redução na mortalidade materna de praticamente 50%, desde 1990. A Razão de Mortalidade Materna (RMM) corrigida para 1990 era de 140 óbitos por 100 mil nascidos, enquanto em 2007 declinou para 75 óbitos. O relatório explica que a melhora na investigação dos óbitos de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos de idade), que permite maior registro dos óbitos maternos, possivelmente contribuiu para a estabilidade da RMM observada nos últimos anos da série.

 

6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças

O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a proporcionar acesso universal e gratuito para o tratamento de HIV/Aids na rede de saúde pública. Quase 200 mil pessoas recebem tratamento com antirretrovirais financiados pelo governo. A sólida parceria com a sociedade civil tem sido fundamental para a resposta à epidemia no país. De acordo com dados do Relatório de Acompanhamento dos ODM de 2010, a taxa de prevalência da infecção na população em geral, de 15 a 49 anos, é de 0,61% e cerca de 630 mil pessoas vivem com o vírus.

 

7. Garantir a sustentabilidade ambiental

O país reduziu o índice de desmatamento, o consumo de gases que provocam o buraco na camada de ozônio e aumentou sua eficiência energética com o maior uso de fontes renováveis de energia. O acesso à água potável deve ser universalizado, mas a meta de melhorar condições de moradia e saneamento básico ainda depende dos investimentos a serem realizados e das prioridades adotadas pelo país. A estimativa é de que o Brasil cumpra, na média nacional, todos os 8 ODM, incluindo o ODM 7. Mas este é considerado por muitos especialistas como um dos mais complexos para o país, principalmente na questão de acesso aos serviços de saneamento básico em regiões remotas e nas zonas rurais.

 

8. Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

O Brasil foi o principal articulador da criação do G-20 nas negociações de liberalização de comércio da Rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio. Também se destaca no esforço para universalizar o acesso a medicamentos para a Aids. O país é pró-ativo e inovador na promoção de parcerias globais usando a Cooperação Sul-Sul e a contribuição com organismos multilaterais como principais instrumentos.

 

Referências:

http://www.pnud.org.br/ODM.aspx

http://www.objetivosdomilenio.org.br

http://www.institutoatkwhh.org.br/compendio/?q=node/19

www.nospodemos .org.br

http://www.odmbrasil.gov.br/os-objetivos-de-desenvolvimento-do-milenio

http://www.redebrasilvoluntario.org.br/

25
novembro
2013
O Congresso da UBES acontece esta semana em Minas
postado sob cidadania, Ítaca, política

De 28 de novembro a 1 de dezembro próximos, será realizado o CONUBES – Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), em Contagem, Minas Gerais. O Congresso elegerá a nova diretoria para a próxima gestão, além de debater como a entidade se posicionará em relação aos últimos acontecimentos no país, quais suas posições em relação à política do governo, etc.  A UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – criada em 1948, é uma instância de participação dos estudantes de Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio, na vida política do país e destacou-se em momentos politicos decisivos, trazendo a voz dos estudantes como participantes das decisões da nação.


Como funciona?
O congresso da UBES é aberto ao público, mediante inscrição, mas apenas os representantes das escolas, seus delegados, têm a responsabilidade de ir ao Congresso, com direito a voto.  O Ítaca tem direito a 1 delegado: cada escola elege 1 delegado para cada 1.000 de seus alunos, e o Ítaca, assim, enviará ao CONUBES 1 delegado, representante de uma chapa (“Juntos!”), formada por representantes do EF2 e EM.

A eleição no colégio ocorreu em 30/10 e teve a presença de 62% de alunos do EF2 e de 93% de alunos EM. O representante do Ítaca será Rui  S. R., do 2º EM.

Com apenas sete dias desde o início das inscrições para o 40º Congresso Nacional da União Brasileira dos Estudantes Secundarista, o Conubes, a marca de estudantes inscritos já atingira o número de 3.823 delegados de todo país. Estes estudantes já estão com seu pré-credenciamento liberado, para participar com direito a voz e voto no fórum máximo de deliberação da entidade.

 

Referências:

http://www.ubes.org.br
http://www.une.org.br/2013/09/40º-congresso-da-ubes-tem-record-de-inscricoes/

Espalhafatos  (impresso)

12
novembro
2013
Mês da Consciência Negra

Imagem: Mestiço, de Cândido Portinari, 1934.

 

A data de 20 de novembro como Dia da Consciência Negra foi instituída pelo Movimento Negro do Brasil e já incorporada ao calendário oficial de várias cidades.  Esse dia é o aniversário de morte do líder Zumbi dos Palmares, uma das mais importantes figuras da luta pelos direitos dos negros no país.

Mais de 1000 municípios já decretarem feriado nesse dia, entretanto  ainda não é um evento nacional : a adesão a esse feriado, ou instituição de ponto facultativo, é uma decisão de cada estado ou município.

De todo modo, em alusão à data, durante todo o mês de novembro são realizadas centenas de atividades com o objetivo de ampliar as discussões sobre os temas raciais, visando à expansão dos direitos conquistados pela comunidade afro-brasileira nos últimos anos. Entidades da sociedade civil, principalmente o Movimento Negro, e  instituições públicas e privadas mobilizam-se, em todo o país, para discutir as violações aos direitos da população negra, o enfrentamento do racismo, mais oportunidades para ascensão socioeconômica dos afro-brasileiros, a prevenção da violência contra a juventude negra e a persistência da representação negativa da pessoa negra nos veículos de comunicação, entre outros temas.

A Cidade de São Paulo terá uma programação intensa, com destaque para o Museu da Língua Portuguesa 

 

Zumbi dos Palmares
Zumbi nasceu em 1655, em Palmares, atual estado do Alagoas. Descendente de guerreiros Imbangalas, de Angola, foi aprisionado por uma expedição portuguesa e entregue aos cuidados do Padre Antônio Melo, que o batizou de Francisco. Com o religioso, aprendeu a escrever em português e latim.

Aos 15 anos, fugiu em busca de suas origens, instalando-se no Quilombo dos Palmares, uma comunidade livre, formada por escravos fugitivos das fazendas. Tornou-se líder da comunidade aos 25 anos, destacando-se pela habilidade em planejamento, organização e estratégias militares. Sob seu comando, Palmares obteve diversas vitórias contra os soldados portugueses.

No ano de 1694, o quilombo foi atacado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Após o combate, a sede da comunidade ficou totalmente destruída. Zumbi conseguiu escapar, mas seu esconderijo foi denunciado por um antigo companheiro.

Em 20 de novembro de 1695, ele foi capturado e morto, aos 40 anos de idade.

 

Referências

http://www.youtube.com/watch?v=HidHeT0qT9I

http://www.seppir.gov.br/novembro-mes-da-consciencia-negra

http://www.recife.pe.gov.br/fccr/negra.php

http://www.museuafrobrasil.org.br

http://www.palmares.gov.br

http://www.museulinguaportuguesa.org.br/noticias_interna.php?id_noticia=351

http://www.ipea.gov.br/igualdaderacial/index.php?option=com_content&view=article&id=704

http://www.arquidiocesebh.org.br/social/pastorais-sociais/agentes-de-pastoral-negrosas/

5
novembro
2013
Desenhos, filmes, animações, gravuras, esculturas e videoinstalações do artista sul-africano
postado sob arte, cultura, política

A  Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe até 10 de novembro 38 desenhos, 35 filmes e animações, 184 gravuras, 31 esculturas e duas videoinstalações do artista sul africano William Kentridge.

Com curadoria de Lilian Tone, a exposição  “William Kentridge: Fortuna”  inclui séries inéditas do artista e mostra o processo criativo pouco convencional em seu estúdio, em Johannesburgo, África do Sul. Além de um exímio desenhista e pintor, Kentridge utiliza diversas mídias e dá vida a seu trabalho através de filmes e outras animações (com luzes e sombras), com um olhar abrangente, de quem testemunhou um momento histórico da África do Sul, o fim do Apartheid (regime que segregava e limitava a participação de negros na sociedade local), combinando política com poesia. 

William (nascido em 1955) trata, em mais de 3 décadas de trabalho, do totalitarismo, do colonialismo, das injustiças sociais em relação aos negros, nativos da África do Sul, trazendo sua experiência pessoal, testemunhal, mas imbuído também de aspectos etéreos, subjetivos, poéticos. Além dos filmes, usa também desenhos em carvão, esculturas, colagens, animações, performances, transformando eventos políticos em poderosas alegorias.  Fotografa, ainda, seus desenhos e anima pedaços de papel, gravando-os e movendo-os.

Kentridge já teve importantes exposições em museus como o San Francisco Museum of Modern Art (2009); Philadelphia Museum of Art (2008); Moderna Museet, Stockholm, (2007); e o Metropolitan Museum of Art, New York (2004); entre outros. Também participou de Prospect.1 New Orleans (2008); Bienal de Sydney, Austrália (1996, 2008); e Documenta de Kassel, Alemanha (1997, 2002). Ele vive e trabalha em Johannesburgo, Africa do Sul.

 

Assista ao pequeno filme (link abaixo) sobre a construção de uma animação e não deixe de ver a exposição!

http://www.youtube.com/watch?v=ja4Wk7g6sdE

 

Serviço:

Pinacoteca do Estado:
Praça da Luz, 2 - São Paulo, SP
Estação Luz do Metrô - Tel. 55 11 3324-1000

De terça a domingo, das 10h às 18h
às quintas, das 10h às 22h
Entrada R$ 3,00, grátis aos sábados e na quinta após as 18h

 

Referências:
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/default.aspx?c=exposicoes&idexp=1198&mn=537&friendly=Exposicao-William-Kentridge-fortuna

http://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/pinacoteca-recebe-exposicao-william-kentridge-fortuna/

http://www.moma.org/visit/calendar/exhibitions/964

http://www.pbs.org/art21/artists/william-kentridge

http://www.artnet.com/artists/william-kentridge/

4
novembro
2013
Sábado, 9/11, no Memorial da Resistência

O Memorial da Resistência de São Paulo, é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo por meio de sua Secretaria da Cultura, dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano (1889 à atualidade). Parte do edifício que foi sede, durante o período de 1940 a 1983, do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS) – uma das polícias políticas mais truculentas do país, principalmente durante o regime militar, transformou -se em um museu público, sem fins lucrativos.

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. 

Têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.


No dia 9/11, Memorial da Resistência de São Paulo fará exibição de documentário sobre a Comissão da Verdade e terá Conversa Clínica Pública da Clínica do Testemunho do Instituto Projetos Terapêuticos


Veja a programação abaixo e acesse o site 
14h: Boas vindas – Karina Teixeira (Memorial da Resistência de São Paulo)
Coordenação –  Milton Bellintani (diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h15 – 15h10: Exibição do documentário “Verdade 12.528”

15h15 – 16h15: Conversa Publica do Projeto Clínica do Testemunho do Instituto Projetos Terapêuticos:
- Maria Beatriz Vannuchi (Psicanalista e analista institucional, coordenadora do Núcleo de Atendimento de Famílias, integrante do Núcleo de Investigação e Pesquisa do Instituto Projetos Terapêuticos; terapeuta da Clínica do Testemunho).
- Maria Marta Azzolini (Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e professora no curso 'Clínica Psicanalítica, Conflito e Sintoma'; terapeuta da Clínica do Testemunho).
- Rodrigo Blum (Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise, professor convidado do Centro de Estudos Psicanalíticos; terapeuta da Clínica do Testemunho) .

16h15 – 17h30: Debate do público com os psicanalistas da Clínica do Testemunho e os diretores do documentário:
- Paula Sacchetta (Jornalista e diretora do documentário “Verdade 12.528”. Ganhadora do 34º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria revista, com reportagem sobre a Comissão da Verdade publicada na revista Caros Amigos em 2012).
- Peu Robbles (Economista, fotógrafo e diretor do documentário “Verdade 12.528”).

Veja também o site da Comissão Nacional da Verdade.

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