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14
fevereiro
2014
Insetos conseguem prever tempestades e ventanias

Na Índia e no Japão há um ditado popular que diz: “Formigas carregando ovos barranco acima, é a chuva que se aproxima”. Já no Brasil, outro provérbio afirma que “Quando aumenta a umidade do ar, cupins e formigas saem de suas tocas para acasalar”.

A sabedoria popular já entendia tudo, mas a comprovação de que os insetos preveem mudanças climáticas e indicam isso em seu comportamento é agora resultado de estudo publicado na edição do dia 2 de outubro da revista PLoS One – realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), em Piracicaba (SP), da Universidade de São Paulo (USP), , em parceria com colegas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), e da University of Western Ontario, do Canadá. 

A pesquisa revela , por exemplo, que insetos como o besouro verde e amarelo, conhecido por “brasileirinho”, percebem a queda na pressão atmosférica – que, na maioria dos casos, é um sinal de chuva  – e modificam o comportamento, diminuindo a disposição de procurar um parceiro e acasalar.

“Demonstramos que os insetos, de fato, têm capacidade de detectar mudanças no tempo, por meio da percepção da queda da pressão atmosférica, e de se antecipar e buscar abrigo para se proteger das más condições climáticas, como temporais e ventanias, por exemplo”, disse José Maurício Simões Bento, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq e um dos autores do estudo.

Com essa percepção, os animais estão mais preparados para enfrentar as mudanças repentinas no clima, coisa que deve ser mais frequente em um futuro próximo, com todas as modificações climáticas que vêm ocorrendo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores selecionaram três diferentes espécies de insetos – o besouro “brasileirinho”, o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem –, que pertencem a ordens bem distintas e que variam significativamente em termos de massa corpórea e morfologia.

Como já existiam evidências de que os insetos ajustam seus comportamentos associados a voo e alimentação às mudanças na velocidade dos ventos, os pesquisadores decidiram avaliar o efeito das condições atmosféricas especificamente sobre o comportamento de “namoro” e acasalamento dessas três species, quando sujeitas a mudanças da pressão atmosférica, naturais ou manipuladas experimentalmente 

Para chegar a essa conclusão, os cientistas mantiveram um rígido controle de suas observações, monitorando de hora em hora a pressão atmosférica em Piracicaba. E a escolha das espécies para o experimento, diz Bento, considerou que uma delas -- o besouro -- era mais resistente, e outra -- o pulgão -- mais frágil (a mariposa está num nível intermediário). Como insetos de diferente porte exibiram a habilidade, provavelmente ela se estende por toda a classe de animais.

Os experimentos em condições naturais (sem a manipulação da pressão) e sob condições controladas, em laboratório, revelaram que, ao detectar uma queda brusca na pressão atmosférica, por exemplo, as fêmeas diminuem ou simplesmente deixam de manifestar um comportamento conhecido como “chamamento”, no qual liberam feromônio para atrair machos para o acasalamento.

Os machos, por sua vez, passam a apresentar menor interesse sexual, não respondem aos estímulos das fêmeas e procuram abrigos para se proteger da mudança de tempo capaz de ocorrer nas próximas horas. Passado o mau tempo, os insetos retomam as atividades de cortejo, namoro e acasalamento.

“Esse comportamento de perda momentânea do interesse no acasalamento horas antes de uma tempestade representa uma capacidade adaptativa que, ao mesmo tempo, reduz a probabilidade de lesões e mortes desses animais – uma vez que são organismos diminutos e muito vulneráveis a condições climáticas adversas, como temporais, chuvas pesadas e ventanias – e assegura a reprodução e a perpetuação das espécies”, afirmou Bento.

Referências:

O artigo Weather forecasting by insects: modified sexual behaviour in response to atmospheric pressure changes (doi: 10.1371/journal.pone.0075004), de Bento e outros, que pode ser lido na PLoS One em: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0075004

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/10/1350951-insetos-conseguem-prever-tempestades-e-evitam-sexo-antes-de-tempo-ruim.shtml

http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/insetos-conseguem-prever-tempestades-e-ventanias-revela-estudo-brasileiro,c46eb5892dd71410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://www.cienciaempauta.am.gov.br/2013/10/insetos-conseguem-prever-tempestades/

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