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15
julho
2015
Iniciação científica?? Por que não?

Texto de Mercedes de Paula Ferreira (Direção Pedagógica EM)

Publicado no Blog do Estadão

Embora ainda bem longe de ser uma realidade abrangente ou satisfatória, temos muitos alunos do Ensino Médio no Brasil seguindo sua vida escolar em direção ao diploma universitário. E as escolas costumam apresentar como linha de frente de seu trabalho, nesse ciclo, a preocupação com o acesso à universidade…  muitas tendo como foco maior (às vezes, único) exatamente preparar o jovem para prestar os exames vestibulares. Isso é legítimo e necessário, mas podemos pensar um pouco adiante e buscar instrumentar também esse estudante para ainda além, quando já estiver, por exemplo, na nova vida universitária. E esse caminho, certamente, será um bom alicerce para o futuro próximo, mas ao mesmo tempo já fará diferença no seu presente.

Assim, habilitar o aluno para a próxima etapa da escolaridade não é aparelhá-lo para os exames de admissão somente, mas do mesmo modo para um bom desempenho na vida acadêmica que o espera (queremos que passe nos vestibulares e que também ultrapasse os vestíbulos…).

Na verdade, várias são as frentes em que podemos orientar e apoiar o jovem, nesse percurso de 3 anos: amplitude de conhecimentos, sem dúvida, nas mais diversas áreas e disciplinas (e a grade curricular das escolas contempla isso, normalmente); aprofundamento desses conhecimentos, de preferência aliando-se a busca e a pesquisa em fontes confiáveis com a discussão, a reflexão, a prática (muita leitura, nesse aspecto, é essencial, pra que não se fique no senso comum e na falsa ciência, travestida de grandes descobertas); capacidade de planejamento e organização; desenvolvimento da competência leitora e escritora para textos diversos, inclusive acadêmicos; iniciação à produção científica… e por aí vai. Competências e habilidades que ele, fatalmente, irá utilizar na escola média, na vida universitária e depois… Exercitar tais habilidades certamente o tornará também mais seguro.

Com vistas a isso, entre outras ações, o Colégio Ítaca propõe ao 2º ano EM um trabalho monográfico, aos moldes do que realmente se produzirá na universidade (lá sob a forma de monografias, TCCs e até dissertações de mestrado etc). Para isso, durante cerca de 7 meses, há uma sequência pedagógica que parte de conversas sobre monografias e seu propósito (na academia e no Colégio), passando pela escolha de  um tema e por um curso de elaboração de pré-projeto e projeto de monografia,  por aulas sobre a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e a formatação padrão desse trabalho acadêmico, assim como de sua estrutura macro e micro. Todo o processo e a avaliação final envolvem encontros regulares com o professor-orientador. E integram-se várias áreas do conhecimento que, muitas vezes, devem conversar entre si, para auxiliar o aluno. Após a entrega definitiva, muitos estudantes voluntariam-se para apresentar seu trabalho às turmas, mas não há bancas ou arguição ou algo do gênero.

No percurso, vemos nitidamente o aluno: desenvolver capacidade de organização (pensar a médio e longo prazo, fazer um projeto, elaborar e seguir um cronograma, dividir o trabalho em etapas distintas); caminhar sozinho e tomar decisões, do início ao fim, embora sempre com a orientação necessária; aprender rigorosamente as normas e convenções dos trabalhos acadêmicos; iniciar um projeto que pode vir a resultar em uma futura pesquisa e que, às vezes, também auxilia na escolha de carreira; perceber  a importância de trabalhar com áreas distintas, em intersecção; potencializar sua competência de escrita, de reflexão, de investigação; amadurecer como estudante (inclusive percebendo que tal empreitada não se faz de véspera…); tornar-se produtor de conhecimento. E por aí segue…

E, se essa não é a única das propostas do EM Ítaca, certamente é uma das mais enriquecedoras para o aluno. Os ganhos e o salto de qualidade acadêmica, de maturidade e de autonomia são motivos suficientes para validar todo o processo.

Porém tudo isso só terá sentido mesmo, se tal proposição tiver fundamento no interior do projeto pedagógico da escola, caso contrário virará apenas um incômodo (e enorme) apêndice na vida dos alunos… Ou seja, na verdade, em todas as direções, há que se pensar sempre também para além dos vestíbulos…

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