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30
março
2017
Uma nova possibilidade: veículo movido a energia fotovoltaica

Um ônibus movido a energia solar é a novidade que pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) lançaram e que começou a circular desde dezembro de 2016 e mais assiduamente a partir de março deste ano, como teste, entre o campus da Universidade, perto do centro de Florianópolis, e o laboratório da Universidade, no norte da Ilha de Florianópolis: “Usamos o conceito de deslocamento produtivo. Ele tem mesas de escritório e de reunião, com tomadas e internet wifi. Além disso, não haverá cobrança nenhuma de passagem, será totalmente gratuito”, comenta Ricardo Rüther, coordenador do Centro de Pesquisas.

No teto do ônibus, há baterias de lítio que armazenam energia gerada pelas placas solares fotovoltaicas instaladas nos telhados do Centro de Pesquisa. Com tração elétrica, o veículo tem autonomia para andar até 70 quilômetros sem recarga e sem gerar gases poluentes. Quando estiver parado no trânsito, não haverá consumo de energia, como acontece com os veículos com motores a combustão; e a tecnologia de frenagem regenerativa será capaz de gerar energia através das rodas, para ser injetada nas baterias, aumentando a autonomia do veículo.

O projeto nasceu de um convite do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) ao Centro de Pesquisa da UFSC, que tem experiência no assunto e já criou dois barcos elétricos solares. Além do ônibus elétrico movido a energia solar, o MCTIC financiou, em 2015, a construção do laboratório no qual foi no qual ele foi construído.

Apesar de o custo para construir o ônibus ainda ser elevado – R$ 1 milhão – a viabilização técnica e econômica do projeto pode ocorrer no futuro, quando o ganho de escala deve ajudar a baratear o custo das baterias, ainda bastante elevado. “Não é um projeto para solucionar o problema do campus”, afirma Rüther.
É um projeto para se estender à cidade e não para resolver o problema específico do campus. 

Na Austrália, já existe o Tindo, conhecido como sendo o primeiro ônibus a circular com energia solar e operado pela Adelaide Connector Bus. O veículo foi apresentado à imprensa em dezembro de 2007 e começou a rodar em fevereiro de 2008, gratuitamente, sem custo de passagem. 

Sem poluentes
Um ônibus com consumo médio de 670 litros de diesel por mês emite cerca de 3,9 toneladas de CO2. Em um ano, a emissão chega a 46,8 toneladas de CO2.
Conforme explica o pesquisador Júlio Dal Bem, membro do Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da UFSC, um estudo do Instituto Totum e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, apontou que cada árvore da Mata Atlântica absorve 163,14 kg de gás carbônico (CO2) nos primeiros 20 anos de vida, o que seria uma média de 8,1 kg de CO2 por ano: “Precisaríamos de quase 5,8 mil árvores para resgatar o CO2 emitido por um ônibus urbano comum em um ano de operação”, complementou o pesquisador.

O fornecimento da energia para os veículos elétricos
O primeiro ônibus elétrico do Brasil foi construído em um projeto da Mitsubishi Heavy Industries, do Japão, com a empresa Eletra Bus, de São Bernardo do Campo, informou Dal Bem. O veículo foi chamado de E-Bus e rodou por dois anos pelos corredores de ônibus da cidade.
Ao fim do projeto, toda tecnologia trazida ao Brasil pela empresa, como importação temporária, precisava ser devolvida ao Japão ou doada a uma instituição pública de ensino. Assim, carregador e baterias foram entregues à UFSC, depois que o E-Bus foi desmontado. 

Aplicabilidade
“O grande problema em colocar um veículo dessa natureza em operação está na infraestrutura elétrica para carregamento. Ultimamente, temos sido sobretaxados nas contas de energia elétrica como uma forma de estimular a redução no consumo e pagar as despesas de geração com termoelétricas, que é uma energia mais cara e mais poluente, ao invés de investir em fontes limpas e renováveis”, comentou.
Dal Bem explica que a dificuldade em desenvolver este ônibus em larga escala esbarra também na infraestrutura do país: “É exatamente o mesmo problema que dificulta a entrada de veículos elétricos no mercado nacional. Um ou outro veículo elétrico conectado à tomada não é um problema, mas 1 milhão deles, 1% da frota nacional de veículos, já implicaria um impacto considerável no consumo de energia elétrica e previsão de infraestrutura elétrica”, complementou.

Referências:
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2016/09/primeiro-onibus-eletrico-movido-a-energia-solar-entrara-em-operacao-em-sc
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-e-sustentabilidade/primeiro-onibus-movido-a-energia-solar-vai-ganhar-as-ruas-de-florianopolis-bm3be6qj7a4wo2a465z7bhm00
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2016/09/pesquisadores-da-ufsc-criam-onibus-eletrico-movido-energia-solar.html
http://www.portalsolar.com.br/blog-solar/energia-solar/onibus-australiano-movido-a-energia-solar-tem-tarifa-gratuita.html
https://tecnologia.terra.com.br/cidade-australiana-oferece-onibus-movido-a-energia-solar-gratuitamente,335053da5b55b38a621067b41ccb73669l76htrv.html
http://www.tudosobrefloripa.com.br/index.php/desc_noticias/onibus_movido_a_energia_solar_comeca_a_transitar_em_floripa_em_marco

 

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