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Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca
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o que é?
Agroecologia  é o estudo da agricultura na perspectiva ecológica. Aborda os processos agrícolas de maneira ampla, não apenas visando a maximizar a produção, mas também a otimizar o agroecossistema total - incluindo seus componentes socioculturais, econômicos, técnicos e ecológicos. Enfim, considera os ecossistemas agrícolas.
O termo agroecologia pode ser entendido como uma disciplina científica, uma prática agrícola e um movimento social e político.  É uma ciência que agrega conhecimentos de outras ciências, além de de saberes populares e tradicionais provenientes das experiências de agricultores familiares, de comunidades indígenas e camponesas.
Portanto, a base de conhecimento da agroecologia constitui-se mediante a sistematização e a consolidação de saberes e práticas (empíricos,tradicionais ou científicos), visando à agricultura que garantisse a preservação do solo, dos recursos hídricos, da vida silvestre e dos ecossistemas naturais, ao mesmo tempo que asseverasse a segurança alimentar.
 
A agroecologia no Brasil
O Brasil instituiu, em 2013, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), uma política pública do Governo Federal criada para ampliar e efetivar ações para orientar o desenvolvimento rural sustentável. 
Fruto de um intensivo debate e construção participativa, envolvendo diferentes órgãos do Governo e dos movimentos sociais do campo e da floresta, o PLANAPO é o principal instrumento de execução da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). O plano busca integrar e qualificar na sua execução as diferentes políticas e programas coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, e com parcerias da Secretaria-Geral da Presidência da República; Ministério da Fazenda; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Ministério do Meio Ambiente; Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério da Educação; Ministério da Saúde; Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Ministério da Pesca e Aquicultura.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de países que utilizam agrotóxicos. Já ultrapassamos a marca de 1 milhão de toneladas por ano, mais de 5 kg de veneno agrícola por pessoa. A pulverização aérea, uma das principais responsáveis por esse dado, é uma das questões que terão atenção especial dentro do PRONARA (Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos), fruto de uma solicitação das agricultoras familiares que já se mobilizam na Marcha das Margaridas  desde 2000.
O Governo tem metas para curto, médio e longo prazo a serem alcançadas com o programa, que anda junto com o PLANAPO, esperando a apresentação  dos primeiros resultados até o final de 2019.

Os benefícios para os agricultores que fazem a transição de um sistema convencional de produção para um com base agroecológica e orgânica são muitos. “Primeiro, é a saúde do próprio agricultor. Quando ele deixa de utilizar o agrotóxico, já é um ganho muito grande para ele e sua família. Outra vantagem é não contaminar o meio ambiente onde eles vivem. Se essa família deixa de utilizar o agrotóxico em sua propriedade, também vai gerar saúde para os vizinhos e para toda a comunidade. Outra questão importante é a saúde do alimento que ele vai vender. Dessa forma, a relação do agricultor com o consumidor será mais forte, porque o consumidor vai identificar que aquele produto é saudável, construindo uma ponte, uma relação de mercado muito grande”, afirma Cássio Trovatto, coordenador de Formação de Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário).
 
 
1° Feira Nacional da Reforma Agrária 
De 22 a 25 de outubro de 2015, o Parque da Água Branca abrigou  a 1° Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra).
Foram quatro dias em que 800 feirantes acampados e assentados de 23 estados, mais o Distrito Federal, reuniram-se para mostrar e comercializar os produtos vindos das áreas de assentamentos da Reforma Agrária. 
 
Ao todo, foram vendidas 220 toneladas de produtos espalhados em 800 itens de 80 cooperativas e associações. Cerca de 150 mil pessoas passarampor lá, durante os quatro dias de evento, segundo a direção do Parque da Água Branca. A praça de alimentação contou com 15 cozinhas de todas as regiões do Brasil, onde foram servidas 10 mil refeições. 


A agricultura camponesa é hoje responsável por alimentar 70% da população brasileira:  
"O que a gente quer é  ter uma saúde melhor, por isso tomamos a decisão de produzir sem agrotóxico. Todo mundo trabalha, todo mundo divide. Foi na farinheira que formamos um coletivo de mulheres”. Marília Nunes, 19 anos, vinda do assentamento Palmares 2, em Paraupebas (PA). 
 
A feira surgiu como expressão da alternativa de consumo saudável e acessível, além de ser um instrumento de fortalecimento do diálogo entre campo e cidade.
Para Carla Guindadi do setor de produção do MST, o papel desempenhado pela Feira é o de trazer à tona o atual modelo agroexportador que afeta de maneira negativa toda a cadeia produtiva e de consumo. Carla relaciona a Reforma Agrária como mote para a produção de alimentos saudáveis no país:
“São Paulo é a maior cidade do Brasil, é o local onde o debate campo/cidade é mais evidente. Aqui é onde os dois modelos de disputa atuais - o modelo do agronegócio e o da agricultura camponesa -, estão mais visíveis. E fazer essa feira no Parque da Água Branca, espaço que já é conhecido na capital paulista pela cultura aos orgânicos, é também um espaço de diálogo com o público consumidor. É o momento de pautarmos as diferenças entre a produção saudável de alimentos, a produção orgânica e a produção fetichizada de alimentos pautada pelo agronegócio e dar visibilidade a essa produção que é invisibilizada pela grande imprensa. Não é todo mundo, por exemplo, que sabe que hoje a maior produção de arroz orgânico da América Latina pertence aos assentamentos da Reforma Agrária” , conclui.

Referências
https://www.facebook.com/events/1499754990323457/
http://www.mst.org.br/2015/10/25/a-feira-mostrou-a-sociedade-que-e-possivel-criarmos-um-novo-jeito-de-se-produzir-no-pais-afirma-dirigente-do-mst.html
http://www.mda.gov.br/sitemda/noticias/brasil-é-pioneiro-em-pol%C3%ADticas-de-agroecologia
http://kaosenlared.net/sao-paulo1-feira-nacional-da-reforma-agraria-entrevista-de-carla-guindani/
http://www.mda.gov.br/planapo/
http://www.namu.com.br/materias/brasil-lideranca-no-uso-de-agrotoxicos
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/brasil-e-o-pais-que-mais-consome-veneno-agricola-872141.shtml
http://www.mda.gov.br/sitemda/noticias/agricultura-mais-saudável-e-sem-agrotóxico

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