.>
Alguns conteúdos desta seção estão disponíveis apenas para quem estiver logado.
Caso tenha acesso, faça seu login aqui
foto reprodução
Afresco de Pompéia rertratando Hypatia, matemática nascida em Alexandria no século IV depois de Cristo (não há uma data certa, mas Hypatia viveu, aproximadamente, entre os anos 355 e 415 d.C.)
foto reprodução
Mulheres cientistas
Foto reprodução
Madame Lavoisier por Jacques-Louis David, pintor francês, 1748–1825 - Coleção Metropolitan Museum
+11

É corrente afirmar-se que, antes da chamada Modernidade, não há registro de mulheres na construção do pensamento erudito. Mas isso é uma inverdade, já verificaremos sua atuação na Medicina, na História, na Poesia, enfim, em diversas áreas do conhecimento.

Desde o século V, início da Idade Média, até praticamente o século XIX, as mulheres foram sistematicamente excluídas do mundo do conhecimento e da produção científica ocidental. Mas nem sempre foi assim: nas civilizações antigas, tinham uma participação intelectual maior; na Grécia antiga, a Filosofia Natural era aberta às mulheres; nos séculos I e II, eram ativas cientificamente -  notadamente na protociência da alquimia. Porém, com a ascensão do Cristianismo e a queda do Império Romano, a vida das mulheres cientistas tornou-se muito difícil, como foi o caso de Hipátia de Alexandria (370-415) - considerada a primeira matemática da história, inventora do hidrômetro e do astrolábio -, assassinada por cristãos fanáticos, em 415 d.C.

Na Idade Média (sec. V-XV), apenas às freiras, nos conventos, era permitido o estudo e as mulheres eram excluídas da vida acadêmica, com raríssimas exceções, a exemplo da Universidade italiana de Bolonha, que permitiu que assistissem a palestras desde seu início, em 1088, ou a Universidade de Salerno, na qual Trotula di Ruggiero (1050-1097), médica de Ginecologia e Obstetrícia, estudou. 

Alguns grandes nomes da intelectualidade feminina medieval - como a freira Hildegard de Bingen (1098 – 1179), que antecipou ideias gravitacionais séculos antes de Newton,  e Hroswitha de Gandershein (935 – 1000), que encorajava as mulheres a serem intelectuais – provocaram reações,  e o fechamento das portas de ordens religiosas para as mulheres, excluindo-as da oportunidade de aprender a ler e escrever. 

No século XVIII, apesar da resistência de intelectuais centrais da época, como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) – para quem o papel das mulheres se restringia à maternidade e a servir seus parceiros – o Iluminismo abriu espaço para as mulheres nas ciências, pela ascensão da cultura de salões, na Europa: espaços que reuniam homens e mulheres em ambientes aconchegantes para discussões filosóficas sobre política, sociedade e ciência. Já que às mulheres era reservado o espaço privado, doméstico, foi a partir da cultura de salões que  puderam participar mais ativamente da produção intelectual e científica e que seus trabalhos em Matemática, Física, Botânica e Filosofia começaram a ter influência e reconhecimento oficial no mundo científico.

Mas, apesar de ganharem algum espaço, principalmente a partir do sec. XVIII, é muito comum ver as figuras das “esposas científicas”, mulheres que faziam ciência à sombra de seus maridos cientistas, como foi o caso de “Madame Lavoisier” (1758- 1836), mesmo nos séculos posteriores.

Recentemente, a Editora Fi lançou o livro “Mulheres intelectuais na idade média: entre a medicina, a história, a poesia, a dramaturgia, a filosofia, a teologia e a mística”, disponibilizado para download gratuito em seu site oficial. A obra, dos historiadores Marcos Roberto Nunes Costa e Rafael Ferreira Costa,  traz a biografia de dezenas de mulheres que se destacaram nas letras durante o medievo.  Acesse aqui.

E para saber mais a respeito das mulheres na ciência, veja artigo da Revista Carta Capital, de 28/02/2019. Acesse por este link.

Mais referências:
https://www.todamateria.com.br/mulheres-que-fizeram-a-historia-do-brasil/
http://setor3.com.br/publicacao-gratuita-com-reflexoes-sobre-a-escrevivencia-de-conceicao-evaristo/

fechar